Quarta-feira, Outubro 31, 2007

Corrosão


Estou-me mais é marimbando se «Corrupção» tem uma, duas ou mil e quinhentas versões, sejam elas do realizador ou do produtor. O que acho menos dignificante nisto tudo – e foi a razão pela qual rasguei o meu convite para a ante-estreia nesse sítio que não lembraria aos meus amigos carecas que é o Freeport de Alcochete – é a similitude entre este filme e o «Conversa da Treta».
Na altura, escrevi aqui que o filme da dupla de actores era o que era e assumia-o. Não uma obra de cinema mas stand-up comedy filmada, pelo que um visionamento crítico só poderia confirmar o óbvio e a acção de eliminá-lo era, por isso mesmo, compreensível.
No caso de «Corrupção», a coisa pia mais fino. Entramos no território comercial numa versão linha dura. Armam-se aos cucos dos campeões de bilheteira. Escamoteia-se o realizador e mais quem seja, convida-se a vipalhada costumeira para atravessar a ponte com a exclusiva intenção onanista de se verem reflectidos nos olhos dos outros e o filme que se fecunde.
É uma escola que se faz? Então bem merece estar no fundo do ranking mais miserabilista, culturalmente falando. Porque «Corrupção» começou por querer ser um filme. E depois, ao longo do percurso, transformou-se em iogurte. Mas com um prazo de validade tão curto como a nossa, ou pelo menos a minha, paciência.

Reciclagem


Bem sei, já foi há quatro dias, mas só hoje, ao vê-los na capa de uma revista, é que me apeteceu registar o evento.

Este ditador vem a Lisboa (2)


Omar al-Bashir.

Presidente do Sudão desde 1993 (tomou o poder por golpe de Estado quatro anos antes). Tem 63 anos.
Segundo as associações internacionais de defesa dos direitos humanos, é actualmente o pior ditador do planeta. Foi ele o maior responsável pela tragédia do Darfur, que se arrasta há quatro anos e já provocou a morte de 200 mil pessoas, além de 5,3 milhões de desalojados. O terror é tanto que, durante o mesmo período, pelo menos 700 mil sudaneses fugiram do país. Foram os que tiveram mais sorte: os restantes morreram ou vegetam em busca dos alimentos mais básicos.
O currículo do cavalheiro é ainda abrilhantado pelos seguintes factos: dissolução compulsiva do Parlamento, extinção dos partidos políticos, fecho da imprensa independente e imposição da mais estrita lei islâmica, que tem vitimado sobretudo a população cristã, do sul do país.
Bashir é um tirano. Portugal prepara-se para recebê-lo com todas as honras.

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Elites autofágicas


Antes de começar a ler o Rio das Flores não resisto a recordar um dos parágrafos mais brilhantes e demolidores que já li sobre alguém. É pena serem as nossas elites intelectuais a demolirem-se mutuamente.

"Fora a acusação de fraude (que me incomoda), Miguel Sousa Tavares trata com condescendência o meu putativo pessimismo e lamenta que o meu conhecimento do mundo não vá muito além de Oxford e do Gambrinus (para quem não saiba, um restaurante de Lisboa). Esta estupidez não é inocente, é profiláctica. Serve para me desqualificar, se por acaso eu disser o que penso (e não disser bem) sobre o Rio das Flores, um segundo romance que já saiu ou vai sair daqui a poucos dias. Mesmo vendendo como vende, Miguel Sousa Tavares não consegue suportar que diminuam o que ele julga ser o seu imenso brilho. A mim, não me aflige que ele se apresente como um génio literário. Desde que não ande por aí a espalhar mentiras".

Vasco Pulido Valente, Público 21 Out 2007

Há uns muito sentadinhos, lá isso há

«Alfredo Maia, presidente do SJ, pede aos jornalistas que vistam a camisola com a inscrição Levantem-se pelo Jornalismo». DN, Pág.62.

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Ainda a (des)compostura de Sarkozy

Na república, o lugar da mulher do Chefe de Estado, a chamada "1ª Dama", é um tão ilegítimo como inevitável devaneio patrocinado pelos media para gáudio da turba. Definitivamente o personagem colhe e garante um bom retorno no negócio do circo mediático. Não me parece viável que um candidato a chefe de estado oculte a sua realidade familiar e afectiva. O ideal será de facto que ela promova boa imprensa e simpatia popular à instituição e ao protagonista. Quer se queira quer não, a mulher dum candidato terá sempre o involuntário poder de promover ou estorvar a sua imagem pública. Um verdadeiro berbicacho.
Sendo por natureza o divórcio um penoso acontecimento do foro privado, sendo a figura do casamento alheia à instituição do cargo, indica o bom senso a um mediano jornalista que o assunto é impertinente e que extravasa claramente o interesse público.
Parece-me saudável a atitude de Nicolas Sarkozy perante a indiscreta jornalista americana. Parece-me inquietante o aparente descontrolo emocional que sobressai na tomada de posição do Presidente da República Francesa.

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Galinhas, precisam-se


Amândio Santos só pode estar a fazer mal as contas, como se pode ler nesta notícia assinada pela Cátia Almeida. Então o nosso «problema é a escassez de galinhas nacionais»?! É preciso ir a Espanha para encontrar galinhas? Eu cá farto-me de vê-as a pulular por aí cacarejando de contentamento, algumas do campo e outras de cidade mas, em comum, partilhando a mesma galinhidade. Mas se há quem ache, mesmo assim, o número insuficiente, apresento já outra solução. Um verdadeiro ovo de Colombo, diria mesmo: Importem-se mais galinhas, caramba! Espanholas, ucranianas, italianas, o que for. Assim como assim, pelo cacarejar ninguém as distingue.

Palavras que odeio (21)

Resiliência

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A verdade da guerra


Tenho acompanhado com atenção a série documental sobre a guerra colonial da autoria de Joaquim Furtado, que passa às terças-feiras na RTP. Ontem foi para o ar o terceiro episódio. Mais uma vez pude admirar a qualidade do trabalho daquele que para mim é um dos jornalistas que mais respeito me merecem nesta profissão. O retrato que se vai traçando, semana a semana, da nossa guerra, não poupa ninguém. Já se sabia das atrocidades que se tinham cometido de parte a parte. Mas confesso que ontem senti como nunca até que ponto somos hipócritas ou até cobardes quando nos convencemos de que a nossa ética é superior à dos nossos oponentes. Ontem aquela reportagem mostrou-me imagens de bizarras “árvores de Natal”, enfeitadas com cabeças de negros. Soube através de um depoimento que se espetavam pregos na cabeça dos prisioneiros até que eles morressem, que se matavam civis a propósito de nada, que os nossos militares se divertiam a fazer os turras atravessar pontes debaixo de fogo (nunca escapavam).
As nossas tropas também lançaram gente viva para o mar, como se fazia no Chile, no tempo de Pinochet, esquartejaram-se corpos, como nas guerras mais bárbaras dos povos mais primitivos; abriram-se valas comuns para fazer fuzilamentos em massa, como fizeram os nazis; torturaram-se presos sob assistência médica, como nos regimes mais tenebrosos.
Claro, já se sabe, guerra é guerra. Estarei a ser ingénua ou mesmo muito parva por revelar sem a mais leve ponta de cinismo toda esta minha indignação. Mas que querem? Há momentos em que me chateia ter que perceber e aceitar que em situações limite a raça humana é capaz de comportamentos inomináveis.

Escrevo isto confortavelmente sentada à minha secretária, no início de um dia que se adivinha calmo, regular. Já tomei o pequeno-almoço. O pior que me vai acontecer hoje é, provavelmente, ter que enfrentar as filas de trânsito na cidade.
A verdade é que, bem vistas as coisas, não me conheço.

O Paulo Gorjão está de volta

Como pode ser comprovado aqui.

Terça-feira, Outubro 30, 2007

Como é que se diz cromo em francês?

- Ceci, isto vai correr bem, vais ver que vais gostar!
- Não sei, Nicholas, não sei. É tudo tão maçador...
- Olha, só para te animar vou-te confiar uma tarefa muito importante. Mas tens que estar concentrada, há vidas humanas em jogo!
- Que giro!
- Vais amanhã à Líbia convencer o Kadhafi a libertar as enfermeiras búlgaras.
- Sei, esse homenzinho amoroso. E o que devo levar vestido?
Por acaso correu bem. Já o casamento correu mal. E depois de ter mostrado a mulher durante a campanha, ter enchido páginas de revistas com a entrada da família no Eliseu, ao estilo Kennedy, e de a ter posto a representar o estado francês nas negociações com a Líbia, Nicolas Sarkozy interrompeu a meio uma entrevista para o programa 60 Minutos, da CBS americana, porque lhe perguntaram pelo divórcio, com uma declaração do género: "Os franceses elegeram-me para resolver os problemas da França e não para falar do meu casamento". Desculpe?

Postais blogosféricos

1. O meu amigo João Severino tem um blogue novo. Já lá fui espreitar e recomendo-o. A começar no nome: Pau Para Toda a Obra.
2. Conheci hoje este blogue. E este. E este. Gostei de todos.

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De fonte próxima

Luís Filipe Vieira vai demitir-se da presidência do Benfica.

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Enquanto isso, no Brasil

«O programa cria relatórios de tudo que é digitado pelo teclado, sites visitados, conversas de chat, conversas de msn, skype, yahoo messenger, icq.
O software também fotografa a tela do computador em intervalos programados pelo cliente no painel de configuração do programa, tudo o que for registrado será armazenado em pastas ocultas do computador instalado.
O Spykey2000 é perfeito para você que está desconfiado das atividades do seu companheiro na internet, pois depois você pode acessar os sites visitados, conversas de chat, e-mails enviados pelo cônjuge sem despertar a menor suspeita.O programa é uma ferramenta que você poderá utilizar para descobrir senhas de e-mail, rever conversas de chat, conteúdo de e-mails enviados, recebidos. Prepare-se para descobrir tudo que você precisa saber sobre seus funcionários, seu companheiro(a), filhos».

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E o que é que o PGR pretende fazer com isso?


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Este ditador vem a Lisboa (1)


Robert Mugabe.

Presidente do Zimbábue desde 1986 (era primeiro-ministro desde 1980). Tem 83 anos.
Segundo o Observatório de Direitos Humanos, os casos de detenções arbitrárias e de tortura policial são ali frequentes. O regime persegue e encarcera opositores políticos, estudantes, sindicalistas, jornalistas e activistas de direitos humanos. Quase toda a imprensa livre está silenciada. A inflação é a mais elevada do continente africano - e porventura do planeta: já atinge 1300 por cento. Segundo a Unicef, um quarto das crianças do Zimbábue são órfãs: a esperança de vida é a menor à escala mundial - 37 anos para os homens, 34 anos para as mulheres. A fome generalizou-se em todo o país, levando ao exílio forçado de dezenas de milhares de pessoas.
Mugabe é um déspota. Portugal prepara-se para recebê-lo com todas as honras.

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Nas colunas


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Os tugas (37)


(Roubado ao Politicopata)

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Estão-se a passar



De acordo com uma notícia do Destak, o químico Albert Hofmann é o maior génio vivo. O inquérito foi feito pela empresa Synectics a «quatro mil pessoas conhecidas do Reino Unido». O que nem a empresa nem o artigo revelam é que essas 4 mil estavam todas na mesma rave, a tripar em cima das colunas por volta das 6 da matina e com os bolsos recheados de pastilhas não elásticas. Não percebe porquê? É simples: Hofmann - um suiço com cara de dono de restaurante - foi o homem que acidentalmente descobriu os efeitos alucinogénios do ácido lisérgico, vulgo LSD. Não satisfeito, ainda investigou a melhor forma de as substâncias presentes em cogumelos mexicanos colocarem o cérebro a fazer o pino. Ao LSD, a CIA chamou-lhe um figo. Mas isso já é outra história.

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Palavras que odeio (20)

Inexequibilidade

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Momento fofinho

Se bem ouvi, Berardo chamou ontem «querido» a Fernando Ulrich. E em português.

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(...)

O post anterior a este foi retirado por razões de Estado.

Segunda-feira, Outubro 29, 2007

Começou o Prós & Contras

Fernando Ulrich, João Rendeiro, José Berardo e não sei mais quem. A diferença entre a pauta desta operação e a da OPA lançada por Paulo Teixeira Pinto está bem patente aqui. No circo. Na tentativa estapafúrdia que é explicar uma operação financeira desta dimensão à audiência de Fátima Campos Ferreira, dentro e fora do auditório. Não é preciso ser oráculo para prever que das duas uma: Se os senhores se portarem bem, daqui a meia-hora não há ninguém acordado ou sintonizado na RTP1. Se os senhores se portarem mal, há peixeirada de envergonhar as veteranas da Ribeira e audiências superiores às do «Casamento de Sonho». Ganhar, só ganham juízo. E mesmo assim a ver vamos.

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Em resposta ao Adolfo, o Ernesto


A vida do Adolfo Ernesto dava um filme indiano em que todas as personagens fossem o Adolfo Ernesto. O Adolfo, o Ernesto, não tem dias sim, dias não, ou dias assim-assim. O Adolfo, o Ernesto, é bizarro. Ou, no mínimo, diferente. Mas se é para participar em correntes, alinho. Pelo-me por correntes. Quando me enviam aqueles mails a dizer que o céu me cai em cima da cabeça e todos os meus parentes morrerão de uma doença ainda sem nome, a não ser que envie logo o texto pejado de gralhas em brasileiro para 5, ou 7, ou 9 desgraçadas/os (um valor sempre numerologicamente ímpar), não sou de modas e encho a caixa de correio de 55, 77 ou 99 contactos da minha festiva listinha.
Confessado isto, aqui vai a frase que encontrei no livro mais à mão na minha periclitante estante (duas palavras que rimam de uma forma dolorosa e atroz). Intitula-se a obra: «A Revolução Portuguesa O Passado e o Futuro», de um autor cuja obra roçou o Nobel chamado Álvaro Cunhal. A página 187, linha 5 como impõe o desafio, reza assim: «As forças reaccionárias desenvolveram uma intensa actividade de conspiração, fazendo pairar na cena política a ameaça de um golpe de força».

Cadernos de filosofia política de Adolfo Ernesto (6)



Assunto corrente


Não sou menos do que o Pedro Correia e, como nunca fui convidado para uma corrente blogosférica, decidi fazer-me convidar.
Adoro correntes.
Já tive uma corrente e andava com ela ao pescoço, mas não dava bem com a minha tatuagem heavy metal e respectiva personalidade. A tatuagem foi na minha fase Gore, ou fase gótica, não confundir com a minha fase de Al Gore; é que também já fui ambientalista, mas era cansativo andar abraçado a árvores e uma vez fiquei colado a um pinheiro; aquilo deita uma resina que se agarra à pele; agora até acho muito bem que cortem as florestas, sobretudo as resinosas, que são um perigo público; nem de propósito, a tatuagem heavy metal ficou toda estragada, mesmo esfolada, e teve de ser raspada com uma lâmina de barbeiro, mas não vou entrar em pormenores, porque estávamos aqui a falar de correntes...
Uma vez entrei numa corrente para vender umas enciclopédias. Tinha de se pagar 500 euros para entrar. Paguei, mas nunca mais ouvi falar nos enciclopedistas...
É por isso que gosto mais das correntes blogosféricas. Não se paga jóia. Enfim, também é preciso ser convidado e nunca fui convidado, mas também acho isso dos convites uma cena-pequeno-burguesa-como-o-caraças.
Vai daí, o Pedro Correia entrou numa dessas correntes sobre o aspecto aleatório da literatura. Baril, também entro, não sou menos que o Pedro Correia.
Mas à partida não concordo com as regras instituídas. Isto da página 161 parece-me um bocadinho macabro, e tudo. 161 era o número da sala dos electrochoques e faz-me impressão. Como sabem, andei em tratamentos, porque a parte esquerda do meu cérebro não se distingue da direita. Tenho a tola fundida, sou anti-centrista e é por isso que me fascina o radicalismo político-cultural.
Assim, ainda pensei em inverter os termos das regras. Mas o inverso de 161 é 161. Foi então que me lembrei de colocar um zero. Ficou 1610. Quase cabalístico.
Fui à procura da página 1610, quinta frase, um livro ao calhas.
Que excitação! Parecia que estava numa cena à Código da Vinci. Talvez encontrasse um segredo ou uma frase que, vista de certo ângulo, desse para perceber um terrível mistério da humanidade, compreender as mulheres, uma coisa do camandro, sei lá, chekiraut.
Encontrei um livro ao calhas e as minhas mãos tremiam quando cheguei à página 1610. Abriam-se grandes perspectivas. Não conseguia esconder a minha perturbação. Li a primeira frase, li a segunda, engoli em seco, cheguei à quinta frase. Era um diálogo curto. E constava:
"Não".
Suspense. Pausa. Surpresa e perplexidade. Reli:
"Não".
Era isso. Era assim a quinta frase. Horror estupefacto. Comichão nociva. Constatação assombrosa. Apenas "não"?
Fechei o livro. Entreguei-o à estante, esquecendo até o título. Depois, peguei noutro. O mesmo método. A quinta frase dizia: "Silva, Luís, Ave. das Madressilvas, 44, 3º esq., tel. 54678922". Cruel decepção.
Mas tenho de levar o esforço às últimas consequências. De acordo com as regras, deixo aqui a corrente para os meus amigos Tó Zen, o poeta; Mike, o movie director; Vladimir, o espião; e João Villalobos, o ex-jogador de râguebi.

Adolfo Ernesto

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Ainda há espaço na gaveta do socialismo?

Ainda há poucos dias o Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, se gabava - e bem - do segundo lugar de Portugal num estudo sobre a integração dos imigrantes na Europa e já levamos com um balde de água fria com a Lei da Imigração. Segundo o DN, a regulamentação da Lei levará a que as Autorizações de Residência sejam atribuídas de forma casuística e discricionária, prevendo-se que deixem na ilegalidade 200 mil imigrantes que já cá estão.
A manobra da regulamentação não é nova e está cheia de impressões digitais. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, tal como as outras forças de segurança, precisa de agitar inimigos perigosos para conseguir reforço de pessoas e meios. Por isso, sempre que se fala de regulamentar a Lei de Imigração, tira do armário o fantasma do "efeito de chamada", segundo o qual por cada período de legalização que se faça, há milhões de bárbaros que aproveitam para marchar sobre a Europa. E, nesta lógica, atrás deles vem "o desemprego, o conflito social, o terrorismo".
Se há coisa que hoje em dia se sabe sobre as migrações é que os Estados podem legalizar, mas dificilmente fazem a gestão dos fluxos migratórios. Estes dependem quase só do mercado. Se houver trabalho, os imigrantes vêm; se não houver, vão-se embora.
Os 200 mil que o Governo deixa de fora da lei vão ser os novos escravos da sociedade portuguesa. Sem direitos, e em risco de serem expulsos a toda a hora. Mas sempre com trabalho. É o socialismo que temos.
Foto de João Gomes Mota

Apelidos Apelativos

Não sei eleger os apelidos mais estranhos que ouvi até hoje. Mas lembro-me da colega Rita Sim-Sim e da Inês Ratão. Um amigo recorda também o Formosinho, rapaz muito apreciado pelas meninas da sua escola secundária, um “pintas” jogador da bola – “Ele era o Formosinho, eu o “enjeitadinho”. Ontem, durante o telejornal da SIC, voltei a ouvir outro curioso nome: Maria Mil-Homens. Será que há algum Manuel Mil-Mulheres por aí?

Era inútil dar café a Salazar

O André desafiou-me para entrar numa nova corrente blogosférica. Desta vez para sublinhar o papel do acaso na abordagem ao texto literário, se bem percebi a coisa. É uma proposta com cinco regras que passo a enumerar:

1. Pegue no livro mais próximo, com mais de 161 páginas – implica aleatoriedade, não tente escolher o livro;
2. Abra o livro na página 161;
3. Na referida página procurar a quinta frase completa;
4. Transcreva na íntegra para o seu blogue a frase encontrada;
5. Aumentar, de forma exponencial, a improdutividade, fazendo passar o desafio a mais cinco bloguistas à escolha.

Assim fiz. Peguei no primeiro livro que encontrei à mão: Quod Erat Demonstrandum, de José Pacheco Pereira. Mas nada feito: o livrinho tem apenas 142 páginas. O que me apareceu a seguir? O novíssimo Os meus 35 anos com Salazar, de Maria da Conceição de Melo Rita e Joaquim Vieira, com a chancela da Esfera dos Livros. Mais um título a juntar à já extensa bibliografia contemporânea sobre o fundador do Estado Novo.
Abro-o na página 161, eis a quinta frase completa: "Tanto na noite de Natal como em qualquer outro serão, era inútil dar a Salazar café para combater o sono ou o cansaço."
Fico ainda a saber, só pela leitura desta página, que Salazar "não gostava de possuir um guarda-roupa muito extenso". Apreciava receber pelo Natal o tónico capilar Nally e after-shave Floyd. Detestava tabaco mas era fã dos sabonetes Luxo Banho, da Ach Brito, e Feno de Portugal.
As coisas que a gente aprende com estas correntes blogosféricas...

Para cumprir totalmente as regras, resta-me passar a bola a outros cinco colegas, sugerindo-lhes que façam o mesmo que eu agora fiz: o Tomás, a Leonor, o Jorge, a Joana e a Ana Cláudia. Boas leituras!
..........................................................
ADENDA: Tropecei na página em que se falava do gosto de Salazar pelos sabonetes da Ach Brito na mesma altura em que o João Villalobos aqui aludia à mesma marca. Raio de coincidência esta. Como diria a Teresinha ou a Francisquinha do anúncio: há coisas fantásticas, não há?

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Lenha para me queimar


Linquei o blogue do Hélder hoje a propósito do post abaixo e eis que ele não só se diz maravilhado com o novo single de Jorge Palma, como o tem a tocar no seu Pensamentos.
Ao contrário do Hélder, que «pouco ou nada ouvia dele até agora», eu já ouvi muito. Muito mesmo. Pertenço ao grupo dos felizardos que participou da gravação ao vivo do Palma's Gang no extinto Johnny Guitar e, antes disso, já eu e os amigos partilhavámos as suas canções de extensos e estranhos versos desde, pelo menos, a edição de «Acto Contínuo» em 1982. Em suma, gosto do Jorge Palma e não é de hoje. Mais: A minha mulher é fã do Jorge Palma. A minha ex-mulher é fã do Jorge Palma. Tirando as que nasceram na estranja, as minhas ex-namoradas também são fãs do Jorge Palma.
Dito isto, já não suporto ouvir o raça do single. Se a música é mais repetitiva do que o Night Train de Philip Glass, já a letra consegue a proeza de rimar «contigo» com «contigo» e incluir versos do calibre deste:
«vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for».
ou este
«enrosca-te a mim,
vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba,
quero adormecer».
Adormecer? Mas há alguma mulher que se deixe levar por alguém que, depois de expressar esse cúmulo de contenção amorosa que é «Quero-te bem», ainda tenha a lata de dizer que o que lhe apetecia mesmo era dormir uma sesta enroscado no colinho?
Um conselho? Deixem-se de tretas e leiam aqui os poemas de «Maçã de Junho» ou «Eternamente Tu». Depois, digam-me qual é que fica a ganhar com a comparação.
P.S. Já agora, alguma das rádios se importa, nem que seja uma vez, de pôr a tocar outra música qualquer do disco só para variar?

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Palavras que odeio (19)

Idiossincrático

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Crónica alternativa do Corta-Fitas

O Pedro Correia, ao comparar o sucesso dos inquéritos ao Tratado de Lisboa com o das miúdas da TV, afirma a vocação tablóide do Corta-fitas. Não desfazendo, confesso que também tive dificuldades em dar uma opinião convicta ao questionário sobre o dito documento. Para mim é-me muito mais fácil despejar num clique o meu wishful thinking no inquérito para futuro campeão da bola. Mais aprazíveis que os questionários “da bola” só mesmo os passatempos que versam mulheres bonitas.
Não tenho a certeza dessa vocação tablóide para o Corta-Fitas. Mas parece-me evidente que os blogues, no seu formato enrolado de diário, posicionam-se como uma espécie escrita de irresistível reality show. Mesmo ao acompanharmos as mais inócuas preocupações políticas das mais ou menos consagradas figuras blogosféricas, envolvemo-nos sempre num atmosfera folhetinesca, com o seu quê de sedutora bisbilhotice. Como num romance, onde até às vezes se admite a intromissão do leitor, numa tentadora caixa de comentários.
Depois há o Corta-Fitas, que, com os seus decorosos escrevedores, mais ou menos empenhados em dizer (e mostrar) coisas interessantes. Figuras pouco públicas, imaginam-se com dificuldade os seus privados perfis. Será a cfa, uma tronchuda matriarca, portuguesa de Ranholas, com ambições secretas na concelhia do MRPP da Amadora? Ou o Duarte Calvão, figura esguia e calva, fumador de cachimbos d’ água, com as suas longas barbas tisnadas de trotskista? E o Luís Naves será na realidade o verdadeiro fidalgo contemporâneo, culturista de corpo e de espírito, um desprendido místico, amante de numismática e de tragédia antiga?
São estes enigmáticos escribas que debitam diariamente pérolas quase literárias para consumo imediato, e que alimentam a voracidade dum milhar de leitores diários. Pois no Corta-Fitas também há Sportinguistas e poetas. O João Villalobos, antigo jogador de rugby, é as duas coisas e consta que percebe de vinhos, ciência que não partilha com ninguém. Dizem as más línguas que após o ultimo congresso do PSD da Póvoa, desiludido com a política nacional, fez uma sesta sabática, que o inspirou a mudar de gravata.
Por seu lado, a Maria Inês de Almeida e a Isabel Teixeira da Mota têm assumido progressivamente estéticas antagónicas: Maria Inês burila os seus agradáveis textos de tonalidades sólidas e transparentes. E de facto, não dá ponto sem nó. A Isabel ao que se vê, nem uma coisa nem outra, nem dá ponto nem dá nó. Que saudades.
E depois há a Miss Pearls, elegante trintona oxigenada que por aqui abriu uma sucursal da sua joalharia de estilo – o negócio corre-lhe tão bem que há algumas semanas que não põe aqui os delicados pés.
Depois existem o Pedro Correia e o FAL, editores de política nacional por profissão, coisa que lhes confere uma natureza mais anacrónica que a um monárquico católico como eu. Alvíssaras aos dois rapazes que garantem publicidade ao blogue, principalmente quando a generosa agenda política se agita. É à boleia dessas oportunidades que todos ganhamos um ar de “gente séria” e de causas elevadas, mesmo sabendo todos nós que o país está perdido. Serviço público, enfim. Finalmente há quem prefira as crónicas da Teresa Ribeiro, a nossa garçonne de boina guerrilheira, extremosa frequentadora da cinemateca em Lisboa e estandarte das mais fracturantes causas.
Uns almoços e jantares bastante ficcionados vão alimentando o mito desta gente catita e galharda, que no Corta-Fitas esgrimem em diferentes direcções, diferentes sermões para freguesias distintas. Todos diferentes e em nada iguais. Como aquele grupo que se encontra demoradamente e por mero acaso numa paragem de autocarro, durante uma tempestade. E aprendem a tolerar-se, às tantas com desconcertante simpatia.
Ou se calhar afinal nem existimos: somos todos personagens de fantasia, mera ficção. Em todo o caso, caros leitores, voltem aqui amanhã, à cata de mais um pequeno texto, um imodesto vitupério ou apenas uma rocambolesca crónica. Para anuir, contraditar ou mesmo agredir com um anónimo e incisivo comentário. Voltem só na tentativa de completar um pouco mais este humano e desconforme puzzle, para que o show pareça cada vez mais real.

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Duas lições


É sempre bom ler notícias como esta, assinada pelo Hélder Robalo. Tenho em comum com a Catarina Portas um fascínio de infância pelas marcas que atravessaram gerações e a Ach Brito é, desde que tenho memória, uma delas. Hoje, as embalagens dos sabonetes permanecem iguais ao que sempre foram desde tempos avoengos e o processo de produção continua assente num cuidado que não descura a intervenção humana. Lendo a notícia sobre o sucesso de uma empresa/marca que chegou às páginas da Elle indiana e foi mencionada pela Oprah, não encontramos uma única linha sobre o Estado, nem as habituais lamúrias a ver com «os apoios», a falta dos mesmos ou a sua insuficiência. A marca reposicionou-se e colhe agora os frutos que ela mesma semeou.
Noutro campo, mais industrial mas similar como caso de sucesso, a Renova internacionaliza-se em Espanha e França, tendo conseguido o que parecia impossível: Que rolos de papel higiénico fosse vendidos em Nova Iorque como produto de luxo e tivessem direito a páginas de elogios na Wallpaper. Nem Paulo Pereira da Silva nem a Renova, ao longo dos anos em que consolidaram e expandiram a marca, beneficiaram do Estado ou lhe pediram batatinhas. Contaram, isso sim, com as parcerias que escolheram entre multinacionais como a Wieden & Kennedy (a agência de publicidade que lançou a Nike) ou a Hill & Knowlton. Como estes, outros casos existem. Não são muitos mas merecem ser estudados para que sejam mais. Eles demonstram como a sabedoria e criatividade da gestão são um factor muito mais relevante do que o hábito, bem mais recorrente, de estender a mão.

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Domingo, Outubro 28, 2007

Jangada de asneira

Absolutamente de acordo contigo, João. O homem é de uma soberba sem limites.

Elogio da crónica (I)

Tenho pena que as crónicas estejam a desaparecer das páginas dos jornais. Habituei-me desde muito novo a ler alguns dos melhores cronistas da imprensa portuguesa – numa época em que a crónica era um género imprescindível. Lia textos do Pedro Alvim, do Rodrigues Miguéis, do Baptista-Bastos, do Carlos Pinhão, do Abelaira, do O’Neill e da grande Alice Vieira sempre com uma ponta de deslumbramento. Era uma prosa diferente da escrita impessoal das notícias: paginada de modo especial e com um tom coloquial que não se vislumbrava noutros locais dos periódicos – estabelecendo um clima de convivência quase íntima com o leitor. Através dos anos, fui mantendo o meu interesse pela crónica, frequentando diversos autores – do Miguel Esteves Cardoso ao Pedro Mexia, passando pelo Manuel António Pina, pela Clara Ferreira Alves, pelo Ferreira Fernandes e pelo António Lobo Antunes. Vou também praticando o género, sempre que posso: é a disciplina jornalística que mais se aproxima da literatura. Tenho pena de vê-la à beira da extinção, substituída pelo comentário anódino e sensaborão ou pela fatigante “análise” política que muitas vezes não é mais do que um mero piscar de olho a “fontes” de circunstância.
Ao menos no Brasil o género está bem vivo e recomenda-se. Há mesmo quem reclame por lá a paternidade brasileira da crónica, que gerou verdadeiros autores de culto – de Rubem Braga a Luís Fernando Veríssimo, de Carlos Drummond de Andrade a Arnaldo Jabor, de Nelson Rodrigues a Millôr Fernandes, de Fernando Sabino a Roberto Pompeu de Toledo. É um prazer ler o português revigorado destas crónicas brasileiras, de ontem e de hoje.

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Elogio da crónica (II)

Nos anos 50 e 60, os cronistas no Brasil eram uma tribo calorosa e solidária, como relata Humberto Werneck, organizador da excelente colectânea Boa Companhia: Crónicas, editada em 2005 pela Companhia das Letras. A tal ponto que, quando chegava a crise de inspiração, a mesma ideia servia de mote a diferentes cronistas forçados à rotina diária. Fernando Sabino, que escrevia em O Jornal, do Rio de Janeiro, relata o episódio da queda de um edifício na cidade, que originou uma troca de impressões à mesa de um bar com Rubem Braga (cronista do Diário de Notícias, também do Rio) e Paulo Mendes Campos (que mantinha uma crónica no Diário Carioca). No dia seguinte, “por coincidência”, as três crónicas tinham estes títulos: “Mas não cai?”, “Vai cair” e “Caiu”.
Melhor ainda é outro episódio que dois deles protagonizaram. Rubem, com falta de ideias, solicitou sem cerimónia uma crónica “emprestada” a Fernando Sabino, que foi à gaveta e passou-lhe a história de um garoto que pedia esmola para comer uma sopa, por um cruzeiro, numa casa de pasto. Intitulava-se O preço da sopa. O outro publicou-a alterando três pormenores: o garoto foi a um restaurante, a sopa custou cinco cruzeiros e a crónica passou a chamar-se simplesmente A sopa. Uns tempos depois, chegou a vez de Sabino pedir idêntico favor a Rubem Braga, que entendeu devolver-lhe a história da sopa. Que lá voltou a ser impressa, com a assinatura de Fernando Sabino e dois novos ingredientes: a sopa já custava dez cruzeiros e o título era Esta sopa vai acabar. E acabou mesmo...
Fragmentos deliciosos de um tempo que parece tão irremediavelmente distante do nosso.

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Postais blogosféricos

1. Gosto de te ver novamente por cá, Fátima.
2. Três anos sempre a Comunicar a Direito. É obra.
3. Parabéns, Carla. Pelos quatro anos aí nesse palácio de Elsinore.
4. Passa a figurar na nossa barra lateral este blogue que já cá devia estar há muito.
5. André, já respondo ao teu desafio. É só o tempo de chegar à minha caótica biblioteca.

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Palavras que odeio (18)

Pró-activo

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Cinema Nostalgia (16)


Saí do velho cinema Berna contrafeita. Apesar de o filme ser longo e intenso, o que me apetecia verdadeiramente era dar meia volta e tornar a vê-lo. Se não estivesse acompanhada, era o que faria. Nos ouvidos ainda me ecoava aquele sinistro som do telefone a tocar, o telefone que vibrou naquele dia fatídico, num daqueles dias em que a vida parece que nos engole. Era uma Vez na América tem em comum com outros tantos filmes que me marcaram uma narrativa labiríntica, em que passado e presente se misturam. Estou agora a lembrar-me de dois filmes assim: "O Paciente Inglês" e "O Padrinho II", neste último caso também com Robert De Niro. Se formos a ver não há forma de narrar uma história de vida mais próxima da perfeição. Também a nossa se desenrola assim aos nossos olhos. Passado e presente sempre misturados, como um todo.
Sergio Leone, naquela que considero ser a sua obra-prima, conta-nos a história de Noodles (Robert De Niro), um rapazinho pobre que se faz nas ruas de Nova Iorque, com uma sensibilidade notável. Já vi muitos filmes sobre a América, nomeadamente filmes de gangsters (e é também disso que se trata aqui), mas este, mais do que um filme, é uma declaração de amor. Porque quando a realização é cuidada ao detalhe e os planos se sucedem sem pressas, não cedendo às conveniências comerciais, que aconselham uma certa agilidade na acção, quando as soluções encontradas para os avanços e recuos no tempo são sempre de uma elegância e originalidade suprpreendentes, percebemos que estamos a ver uma obra de arte.
Não fosse a sua magistral prestação em “Touro Enraivecido”, “Taxi Driver” e “O Padrinho”, eu diria que De Niro encontrou em Noodles o papel da sua vida. Mas este actor é de facto grande demais para caber todo num só desempenho. Felizmente para nós, amantes de cinema, depois de 1984, ano em que foi estreado "Era Uma Vez na América", reencontrámo-lo várias vezes em papéis inesquecíveis. Mas, confesso, é neste filme que gosto mais de o ver. Extraordinária a transposição que Leone faz no tempo através da mímica deste actor, nomeadamente na passagem para o presente, com Noodles já no limiar da velhice. É certo que a caracterização nos situa imediatamente. Mas o cabelo enbranquecido e as rugas só nos dizem em que fase da vida da personagem é que estamos, ao passo que os gestos lentos, o olhar desencantado nos falam de toda a amargura que acumulou, do percurso que fez até ali. Que contraste com o olhar ainda cheio de esperança de 30 anos antes...
James Woods, diga-se em abono da justiça, também assina aqui uma das suas mais impressionantes interpretações. Ele é Max, o amigo a quem Noodles se liga desde a infância e cuja ambição acaba por destruir tudo e todos à sua volta. A sua ânsia de subir na vida incorpora a sede de que é feito o sonho americano: poder ser tudo e chegar lá, no matter how... A América das expectativas, da violência e da ingenuidade passa por este par: o vencido e o vencedor (primeiro potencial, depois virtual vencedor). Daí que este filme seja muito mais do que a narrativa da passagem de um homem pela vida. A contextualização da história de Noodles, rica em detalhes, confere a "Era Uma Vez na América" a dimensão de um épico, sublinhado a traço grosso pela partitura do grande Ennio Morricone.
Porque saí eu tão contrariada daquela sala de cinema, sem paciência para voltar à minha realidade? Porque não há nada mais perturbador do que assistir numa cadeira às voltas que a vida pode dar a um homem. Afinal todos nós temos que fazer escolhas e ao fazê-las optamos irreversivelmente por um destino, deixando para trás outra vida possível, muito provavelmente outra identidade. Mas o que nos incomoda mais é saber que há escolhas que nos são impostas por acidentes de percurso pelos quais não somos responsáveis. Essa fibra de que é feita a sorte e o azar é que nos transtorna, porque nos traz à consciência a nossa vulnerabilidade.
A profunda tristeza, plasmada nos olhos perdidos de Noodles na cena final do filme, que é também a primeira a que assistimos, antes de ficar a saber tudo o que lhe aconteceu, deixou-me incapaz de encarar com um mínimo de interesse a estúpida perspectiva de em seguida ir lanchar à Versailles.

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Domingo

Evangelho segundo São Lucas Lc 18, 9-14

Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: «Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

Da Bíblia Sagrada

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Sábado, Outubro 27, 2007

À atenção do Adolfo Ernesto

Na última hora da sua visita, à saída do Oceanário e a caminho do aeroporto, Putin sorriu. Hoje de manhã os multibancos não funcionavam. Ninguém me convence de que as duas coisas não andam ligadas.

É disto que o povo gosta


Por uma vez, tentámos parecer um blogue de referência, publicando no Corta-Fitas um inquérito aos leitores sobre o tratado "reformador" europeu. O inquérito esteve quase um mês aqui na barra lateral: mesmo assim, só recolheu 75 votos. Decidimos exibir então sem rodeios a nossa vocação tablóide, com o inquérito agora em curso. Tiro e queda: logo no primeiro dia, havia mais votos do que o anterior recebera durante um mês. Três dias depois, já cá moram 300 votos, a competição está mais renhida que nunca, a minha opção destaca-se na frente (só podia...) e o tal de Castelo Branco começa a ser relegado para o lugar que merece.
Está visto: vamos continuar a ser tablóides. É disto mesmo que o bom povo gosta.

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Palavras que odeio (17)

Inverdade

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Aldrabice

Há uma semana, quando comprei o Expresso, deram-me um cartão que garantia a oferta de um DVD na compra da edição seguinte - a de hoje.
Esta manhã, na tabacaria do costume, preparo-me para comprar o Expresso, estendendo o cartão na expectativa de receber o DVD.
Diz-me o Sr. Fernando: "Já não há. Eles não mandam quase nada disso. É tudo uma aldrabice."
Olho em volta: há uma pilha enorme de exemplares do semanário do doutor Balsemão.
Agradeço e saio sem o jornal.
Passo por um quiosque, acontece o mesmo: imensos Expressos, nenhum DVD.
Decido já não comprar o jornal.
E nem é por causa do filme que prometeram e não dão - A Queda, que até já vi. É porque não gosto que me tomem por parvo com estratégias comerciais de "chico esperto".

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Tempos modernos

As modernas carripanas de castanhas assadas até são “cools”, muito higiénicas e tal. Agora aqueles cartuchos vêm ditar o final de uma época: acabar de vez com a utilidade das jurássicas listas telefónicas. Cá em casa, há muito que iam direitas para o papelão.

Foto: DN, não assinada

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Sexta-feira, Outubro 26, 2007

Cadernos de filosofia política de Adolfo Ernesto (5)



Uma visita ao oceanário

O Vladimir é um russo depressivo e estava encostado, com ar lastimável, a uma das paredes do Oceanário. Gabardina cor de creme, óculos escuros. Viu-me, saudou-me sem spleen. De repente, muito pálido, desatou a vomitar na branca calçada portuguesa.
“Adolfo Ernesto, não suporto o cheiro a peixe”, disse o Vladimir.
“Pensei que tivesses estômago forte”, afirmei, numa alusão a uma carreira brilhante na espionagem internacional. Depois, perguntei-lhe o que estava ali a fazer e que era aquele ajuntamento.
(Ainda não expliquei que deambulava pela zona quando me deparei com forte aparato policial, algo que desperta sempre a minha curiosidade).
“O presidente sovié.. quero dizer, russo... está de visita e quis ver Eusébio e Amália”, explicou o Vladimir, num tom conspirativo. “Mas não te posso dizer mais do que isto”.
Passámos muita coisa juntos, eu e o Vladimir, quando estivemos uma temporada no sector da construção civil. Foi o suficiente para perceber que com aquele tom de voz não se brinca. Entretanto transformado num agente com anos de tarimba, ele é o novo chefe das operações do ex-KGB na zona oriental de Lisboa, com especial atenção aos bairros de Chelas e Madragoa, em cujos bas-fond circulam numerosos segredos internacionais vendidos a peso de ouro.
(Outro esquecimento da minha parte: Vladimir é nome de guerra; ele chama-se, de facto, José, como o grande José Estaline; após uma conturbada juventude, marcada por sexo, loucura e droga, e a tal passagem pela construção civil, teve uma meteórica ascensão na espionagem, com destaque para a descoberta de todos os segredos nucleares portugueses).
“Mas porquê o oceanário, Zé?”, perguntei, ingenuamente.
Vladimir teve um esgar de alarme, talvez escandalizado com a minha pergunta.
“Já expliquei, Adolfo Ernesto. O líder pediu para ver Eusébio e Amália e ouvi dizer que estavam os dois aqui”.
Nisto, o presidente saiu do oceanário, visivelmente irritado. Desceu a rampa, direito ao bravo espião e passou-lhe logo ali um raspanete.
“Aquilo, lá dentro, só tem tubarões, um tipo de peixe que conheço bem. Quero ver Eusébio e Amália! Investigue! Entretanto, vou ali praticar karaté com aqueles transeuntes portugueses”.
O Vladimir manteve enorme frieza e presença de espírito. Só mais tarde começou a chorar no meu ombro:
“Vão pôr Polónio 210 no meu chá! É muito amargo”
“O Polónio 210 é amargo?”
“Não. Amargo é o meu destino. Nisso, somos muito parecidos, os portugueses e os russos, o destino amargo, a fatalidade”.
Foi então que me ocorreu que talvez houvesse ali um equívoco simples: o presidente quisera ver Eusébio, o jogador de futebol, e Amália, a cantora de fado. Não quisera ver as duas lontras do oceanário com aquele nome.
“É uma mania que têm aqui, baptizar os animais com nomes famosos. As barracudas, por exemplo, têm nomes de ministros”, expliquei.
De súbito, o Vladimir caíra em si. Tratava-se de um gigantesco erro de análise.
“Horror, horror”, gritou o agente secreto, enquanto desatava a correr atrás do seu líder. “Serei chamado a Moscovo. E, depois, enviam-me para a Sibéria!”
Ao vê-lo partir para sempre, pensei, sem alarme: há pessoas que não mudam.

Adolfo Ernesto

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Enquanto não chega a meia-noite

Maria Grazia Cucinotta (e nem um tigre à vista)

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Pois é

Não quero influenciar os leitores, mas estou inteiramente em sintonia com o Pedro Mexia e com a Carlota. Sobre a Adelaide de Sousa, claro. E mais não digo.

... falavas disto, Maria Inês?

A sério que nos pediram...

Alguém tem medo de tigres?

... a sério que nos pediram

Rupert Everett

Nas colunas

Com um beijo agradecido para aqui.

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Detector de perdigotos

Parece que um tal de Miguel Abrantes volta a tentar entrar em diálogo comigo. Uma dica: não costumo responder a spindoctors governamentais de meia-tigela, ainda por cima disfarçados com nome de gente. Deixe cair o pseudónimo e talvez possamos trocar uns posts cheios de argumentos, ao seu gosto. De um blogue livre, como o nosso, para um blogue situacionista, como o seu. Como vê, também sei cair na maldade, coisa que caracteriza quase todas as suas investidas contra este blogue e a minha pessoa (odeio a expressão).

Também à sexta...


Será na Casa Fernando Pessoa, a 9 de Novembro e a partir das 21.30H, que será lançado o meu poemático opúsculo. Apresentação curta, descontraída e sincera pelo José Mário Silva, vinho a cargo da Quinta do Couquinho, queijadas e empaduças criadas pelos génios e gémeos Malato das Queijadas de Oeiras. Música a cargo de um convidado especial ainda no segredo dos deuses. Apoio da Casa Fernando Pessoa, Francisco e Ricardo (ça va sans dire) e da Revista Blitz. Está convidado o mundo inteiro. Exceptuando o livro, é tudo à borla. Sou um mãos largas, é o que é.
Adenda: Ia cometendo aqui um lapso imperdoável. Esquecer-me de agradecer ao Eduardo pelo tempo e paciência na revisão da obra. Um abraço.

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Sítio bem frequentado

João Pereira Coutinho reactivou o seu blogue. Ora aí está uma boa notícia "blogosférica". Chama-se O Sítio e por lá encontramos os artigos que JPC escreve para o Expresso e para a Folha de S. Paulo - que nem sempre temos oportunidade de ler na hora da sua publicação. Vale a pena.

Nãâooooo!!!!


E ontem, que vejo eu enquanto caminhava inocentemente pela rua? Uma montra de Natal! A 25 de Outubro, em plena baixa lisboeta!
Com o tempo, lá me fui habituando a ver o Natal invadir Novembro. Solidária com o choradinho dos comerciantes acostumei-me a ver sininhos e estrelinhas primeiro a meio, depois logo a partir do dia 1. Mas a tolerância tem limites.
Se o Natal é quando um homem quiser, então é favor pô-lo no sítio, ok? Ou seja, lá mais para o Natal, a ver se o famoso espírito da quadra não se dilui de todo na espuma dos dias. É que já nem falo por mim, mas pelas pobres criancinhas que se arriscam a levar todos os anos com um final de festa distendido, sem a excitação que antigamente era propiciada por uma longa espera. A espera pelo dia 1 de Dezembro, o último do ano, o mais longínquo e recheado de surpresas. Assim, não dá, nem há magia que aguente!

Camartelo

É por estas e por outras que o Pedro Mexia não tem caixa de comentários: "Hoje, temos apenas o «metrossexual», que é basicamente um gay que ainda não aceitou a sodomia".

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Um epíteto equivocado

Nas caixas de comentários do Corta-fitas são recorrentes provocações maliciosas que me atribuem um carácter puritano ou moralista. Por achar o epíteto francamente estranho e até um tanto engraçado, tomo-o aqui como desafio a algumas considerações que julgo pertinentes.
O puritanismo como putativo reflexo de uma vivência religiosa é um cliché vazio, posso garanti-lo. Tomo, na verdade, o puritanismo como um modo de autocastração com origem numa deficiente auto-estima, e muito aquém, aliás, de uma inspiração religiosa, qualquer que seja. Nessa perspectiva, o epíteto é ingénuo ou imanado de má-fé, pois o cristianismo não significa uma conduta moral. Ao contrário, essa ética resulta do contínuo aprofundamento da vivência espiritual apontando, por natural consequência, para uma maior exigência estética e, logo, ... moral.
Esse longo e intrincado percurso de aprendizagem e aperfeiçoamento é construído com as contingências subjectivas de cada indivíduo e sua história pessoal, não sujeitável a tribunais mundanos ou a juízos superficiais.
Assumem-se porventura os cristãos como os mais imperfeitos dos homens, tendo sido a estes que Jesus desejou acolher, “incluir”, como agora se diz. (Não deveríamos antes recear os integralíssimos virtuosos que por aí pululam, alienados de si próprios e da realidade, utopicamente empenhados em mudar o impassível “mundo” à sua volta?)
Voltando aos meus presumidos pudores e puritanismos, tenho a sorte de ter crescido numa família tradicional e sem “complexos” de maior. Se me foram transmitidos com veemência valores morais básicos, também me foi transmitida uma tranquila vivência dos assuntos do sexo e da sexualidade. Por outro lado, o meu desenvolvimento nesse campo não me trouxe qualquer trauma digno desse nome, o que me confere uma vida afectiva gratificante.
Considero-me uma pessoa inteiramente normal: vivo, cresci e actuo neste agitado contraditório e apaixonante mundo, sem fugas, em estrita relação com a realidade, como a maioria dos católicos que conheço. E foi de pequeno que aprendi a apreciar a vida, a beleza, em toda a sua acepção, até como reflexo da divina criação. Sem desnecessárias complicações moralistas. Não, não foi na rua que apreciei as primeiras imagens eróticas. Nunca a mais inquietante beleza feminina me foi apresentada como transgressiva. É que, por detrás da mais espampanante ou provocadora modelo fotográfica, por detrás da mais curvilínea actriz de cinema, há sempre uma pessoa inteira.
Finalmente, apetece-me dizer que antes do advento dos neo-moralistas de inspiração freudiana e da da prosélita “inteligentzia” regimental, havia já uma tradição de boa-educação e de bom-senso.
Mesmo para além (ou aquém) da religião. Não misturemos, pois, as coisas.

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Palavras que odeio (16)

Descontextualizar

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Apre!

Percebo muito bem a real politik e tudo isso, mas não é preciso tanta excitação. Há crianças a ver, e ainda vão pensar que o Putin é dos bons da fita.
Além do mais, o "banquete de gala" não foi de gala, chega de parolada a falar na opulência dos nossos palácios e digam ao senhor para se sentar como deve ser.


Não consegui resistir à foto do Manuel de Almeida da Lusa

Friday


Daria Werbowy.

Fa, fe, fi, fo, FU

Falava-se já no início da semana das fortes probabilidades de ser hoje lançada uma OPA, após o fecho de Bolsa. Ao anunciar a operação com o formato de «oferta amigável», o BPI antecipou-se e colocou 15 de Novembro como data limite para a coisa ir a bem. Caso contrário, será o mercado a decidir. Há outras instituições de olhos postos no Millenniumbcp e não só espanholas, mas Fernando Ulrich tem todos os trunfos a seu favor: A luz verde mais do que evidente das autoridades reguladoras (que aprovaram a OPA anterior com um racional semelhante), a chancela do Governo e do Banco de Portugal e aquilo a que se chama goodwill no que respeita à instituição e à marca BPI junto dos seus stakeholders. Quanto aos trabalhadores, o anúncio de não encerramento de balcões (salvo disposição contrária da AdC) tem efeitos adicionais apaziguadores.
A carta fora do baralho na conjugação de interesses seria o La Caixa e o seu peso no novo banco a criar. Mas, aos responsáveis do La Caixa, também não convém ir longe demais. Aumentar a sua participação levantaria problemas políticos internos e externos. Ao banco mutualista catalão, dá jeito ter um braço comercial forte em Portugal através de um parceiro. E poderá tê-lo sem necessidade de ultrapassar o ponto de equilíbrio.
Posição a seguir será a de Joe Berardo, accionista de ambos os bancos e particularmente crítico da gestão de FU durante o processo da OPA lançada por Teixeira Pinto. Vamos ver, desta vez, que soundbytes sairão da boca do polémico comendador

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Última hora

No rescaldo do congresso do PSD e em sequência de uma depressão pós-stress, Marques Mendes falhou o suicídio por enforcamento num... Bonsai.

Piada adaptada de um e mail anónimo.

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«Vão estrágá-lo! Vão fázer di ele um hómem»


Quem comprar agora o DVD com cópia restaurada de «O Livro da Selva», terá ocasião de relembrar esta canção. Uma das, senão mesmo «A» melhor, de todo o universo Disney. «O Segredo», afinal, é muito mais antigo do que se pensa.

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Porque hoje, caríssimos, é sexta-feira


"Herzog escreveu - Nunca compreenderei o que querem as mulheres. Que querem elas? Comem salada verde e bebem sangue humano."
Saul Bellow in Herzog

Quinta-feira, Outubro 25, 2007

Isto é Arte?

Reencaminho este e-mail que acabo de abrir e de ler:

“Um artista da Costa Rica, Guillermo Habacuc Vargas, expôs um cão vadio faminto numa galeria de arte. Ninguém o alimentou ou lhe deu água e morreu durante a exposição. Guillermo Habacuc Vargas foi o artista escolhido para representar o seu país na "Bienal Centroamericana Honduras 2008".
Existe uma petição onde é pedido que ele não receba este prémio. Assinem a petição aqui preenchendo o seu nome, e-mail, localidade e país. Pode ser que a direcção da Bienal mude de ideias…”
Um dos sítios onde esta história pode ser lida é aqui.

A pedido de várias famílias...

...foi adicionada a opção “Ana Lourenço” ao questionário aí na barra lateral sobre "mulher mais atraente da TV nacional". Como (salutar) consequência, a contagem voltou à estaca zero. Relembro que os nossos estimados leitores têm a possibilidade de votar de novo a cada 24.00hs, e assim tentarem levar a “água ao seu moinho”.

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De purga em purga

A direcção do PCP acentua a intolerância contra os militantes que pensam de maneira diferente, transformando cada divergência numa "dissidência" sem retorno. O afastamento de autarcas prestigiados, como Carlos Sousa, que deu a vitória ao partido nas últimas autárquicas em Setúbal, e Barros Duarte, a quem o PCP deve a reconquista da câmara da Marinha Grande, demonstra que a cúpula comunista não esqueceu nada nem aprendeu nada: continua com os tiques autoritários de sempre. Que o diga Luísa Mesquita, uma das mais dinâmicas e combativas deputadas das últimas legislaturas, agora posta à margem pela direcção parlamentar como se tivesse lepra. Nada disto me surpreende: toda a história do movimento comunista é atravessada por brutais purgas "purificadoras". Nos seus tempos áureos, o camarada Estaline, que a última Festa do Avante! evocou com tanta nostalgia, chegou a decapitar mais de 80 por cento do comité central do partido soviético, condenando os seus melhores quadros ao degredo ou à morte. As execuções passaram à história, mas a semente estalinista perdura nos partidos comunistas que sobraram. Incluindo o português. De purga em purga até ao silêncio definitivo.

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America, the beautiful

Não sei porque é que Cormac McCarthy deu a única entrevista televisiva da sua carreira à Oprah, mas depois do soco no estômago que é "A Estrada" decidi que não podia perder uma das 37 reposições na Sic Mulher.
A entrevista foi no rancho texano do homem, na biblioteca. Apesar da experiência, Oprah estava nervosa. Cormac McCarthy esteve sempre à defesa, mesmo quando parecia estar ao ataque. Falou com voz pausada, um pouco sonsa, quanto a mim e - terror dos entrevistadores - deu respostas curtas, que terminavam abruptamente.
Ao contrário do que é costume, Oprah preencheu os silêncios e pareceu um pouco estouvada, sempre com gritinhos de admiração. E que nos disse o homem que provocou insónias a milhões de pessoas em todo o mundo com a desolação dos seus enredos e com a falta de esperança no futuro - tão pouco americana - dos seus livros?
Disse que é um homem de sorte (sorte?!?), que nas piores situações acontece sempre algo que o salva, tal como uma bolsa (perdão?). Atenção ao episódio ilustrativo: numa altura em que era tão miserável que vivia numa barraca, quando se acabou a pasta de dentes e viu que não tinha dinheiro para comprar outra foi ao correio e estava lá uma amostra de pasta de dentes!
Ó Cormac, you have a dog? Give him a bath.

Surpresa total

À hora a que escrevo, um tal de Castelo-Branco lidera destacado o nosso inquérito sobre a mulher mais atraente da televisão portuguesa. Confesso que tinha uma ideia muito diferente dos nossos leitores. Depois disto, nem sei o que diga.

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Última hora

Como é evidente, a guerra no BCP podia sempre acabar nisto.

Juízes eleitos?

O Carlos Abreu Amorim, blogger do Blasfémias e professor da Escola de Direito da Universidade do Minho (a ordem devia ser a inversa, é certo), vai ser o orador numa sessão-debate na Universidade Lusófona do Porto, amanhã às onze da manhã. O tema é Devem Os Juízes Ser Eleitos? e promete ser polémico q.b., até a avaliar por esta frase de Nicolau Maquiavel que consta do convite que amavelmente nos fizeram chegar: "É preciso que os juízes sejam muitos porque poucos fazem sempre tudo ao jeito de poucos"...

Para que são esses olhos tão grandes?

A limpeza étnica que Pedro Santana Lopes fez na direcção da bancada mostra que ele é tudo menos ingénuo. A indignação que o novo chefe dos deputados social-democratas adoptou na resposta às acusações de caça às bruxas e as estatísticas que avança para contrariar estas acusações são desmentidas no blogue do próprio. Vencida a barreira da língua, lá estão explicadas as novas opções e a indignação surge ao contrário: ai pensavam que ia ficar tudo na mesma?!?
Já sobre Luis Filipe Menezes falta provar se a escolha de PSL é ingénua ou se há um pacto eficaz entre ambos. Para já achei graça que o novo líder do PSD, à saída da audiência com o PR, tenha respondido a uma pergunta sobre a bancada com uma tirada do género: "Não está à espera que, aqui em Belém, eu vá comentar esses assuntos de política partidária?!...".
Os assuntos de política partidária são exactamente os que possibilitam que Menezes vá a Belém. E ou Menezes começa a aproveitar estas oportunidades ou não vai ser a inaugurar estradas em Vila Nova de Gaia que terá tempo de antena.

Novo inquérito

Sempre sábio e magnânimo, decidiu o Conselho de Curadores do Corta-Fitas (ao qual, devo ressalvar, não tenho a honra de pertencer) incluir um novo inquérito na barra lateral. Serve ele, de alguma forma, para ajudar a resolver alguma das questões essenciais para o desenvolvimento da Nação? Nem por isso. Foi ele formatado tendo em conta aquilo que vulgarmente se chama «a agenda» e faz as primeiras páginas dos jornais? Diria que não. Acrescentaria até que, do ponto de vista da diplomacia interna, o Conselho de Curadores parece ter tomado uma fracturante decisão política, para mais a uma quinta-feira. Amanhã se verão os seus efeitos. Seja como for, espera-se a colaboração de todos e também obviamente de todas, participando nas respostas. Obrigado.
Assinado: O bode expiatório, sempre servil e de espinha curva perante a autoridade inquestionável do mencionado Conselho.

Palavras que odeio (15)

Ósculo

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Quarta-feira, Outubro 24, 2007

Momentos Kodak (63)

Caro Pedro, aqui tens a republicação da foto vencedora do concurso. Obrigado Villalobos, pela gentileza do teu post. E obrigado a todos os que comentaram o post do João. Now, life goes on...
Fotografia: Rodrigo Cabrita

Contra a Turquia na União Europeia

A Turquia ameaça resolver o conflito com os curdos recorrendo a incursões militares no vizinho Iraque. Os generais turcos sabem que contrariam a Carta das Nações Unidas, mas insistem numa operação militar, a pretexto dos mais recentes actos terroristas, para porem fim ao “perigo” curdo – agora até legitimados pelo parlamento de Ancara. Paralelamente, a Turquia mantém um protectorado na metade norte da ilha de Chipre – Estado soberano – fazendo orelhas moucas aos apelos que lhe chegam de todos os quadrantes, em flagrante violação do direito internacional. Pior que tudo isto é a permanente tutela do generalato turco sobre as instituições políticas – um facto sem paralelo na Europa comunitária.
Perante este quadro, espanto-me com a proliferação dos defensores da adesão da Turquia à União Europeia. Pensava eu que, mais do que uma comunidade económica, a UE seria hoje uma comunidade política que partilha os valores do direito, da justiça, da democracia e da liberdade. Valores que Ancara não respeita nem defende. Pelo menos em Chipre e no Curdistão.
São motivos de sobra para me opor à integração turca na UE. E não me falem em questões religiosas: tudo isto é política. Apenas política.

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Eu tenho um sonho


Alguém chega ao pé de mim e diz: «Tenho um poder que te permite viajar até um momento da História, um só apenas. Escolhe a data e o local». Seria esta: Abril de 1957, Romanoff de Beverly Hills. Meia-hora apenas naquela mesa bastaria e viesse a morte, depois de tal sorte. E incluído nessa meia-hora aquele minuto, aquele exacto minuto em que Sophia lança um olhar avaliador, entre o ciumento e o despeitado por o jantar em sua homenagem ter ficado ofuscado e os olhares de todos - incluindo o meu também ali sentado – estarem concentrados naquele par de mamas esquecendo as suas, maravilhosas também mas pudicamente contidas no vestido apertado. E os olhos de Jayne fixos no flash do fotógrafo. Dentro deles o vazio. Mas nisso, já preferia não reparar.

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Os nossos leitores percebem mesmo disto

Quem disse que a malta não entende de questões europeias? Os estimados leitores do Corta-Fitas aí estão para desmentir esta tese que afasta o referendo do nosso horizonte. No questionário que ocupou durante algumas semanas a barra lateral cá do blogue, a opção mais votada foi confirmada pelos factos. "Sim, em Outubro" recebeu 21 votos (24%). Seguiram-se (com 18 votos, 24%) "talvez, se a Polónia deixar" (e a Polónia, como sabemos, deixou mesmo), o pessimista "nunca" (18 votos, 21%), "sim, em Dezembro" (afinal não foi preciso esperar tanto) e "não, por causa das opting-outs" (seja lá o que isto for...). Estas últimas opções com nove votos cada, correspondentes a 12%.
Recebemos 75 votos. Porreiro, pá.

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Cadernos de Filosofia Política de Adolfo Ernesto (IV)



O meu amigo Mike


Fui ver a ante-estreia do último filme do meu amigo Mike, Sicko, sobre o estado deplorável a que chegou o sistema de saúde americano. O meu lado guevarista exultava e, claro, a minha metade hitleriana estava feliz, por a América entrar em crise.
As luzes ainda estavam acesas, lá estava o meu amigo, a ocupar duas cadeiras e a dizer a toda a gente:
Hello, I’m Michael Moore, the pain-in-the-ass movie director”.
Aproximei-me. Ele fez uma grande festa:
How are you, Adolphe Ernest?”, perguntou, naquele vozeirão.
I’m in the biggest”, disse eu, no meu beautiful english.
And your lovely girlfriend?”
“Still good as the corn”.
Give me a hug”.
O Mike avançou, agarrou-se a mim, mas como é uma bisarma esmagou-me duas costelas, num abraço fraterno que também me torceu uma vértebra.
Fiquei dorido, sem fôlego. Tive de ser retirado da sala, com dores horríveis, acompanhado pelo Mike, que não parecia preocupado. Ele disse que não havia problema, pois Portugal tem um sistema de saúde universal e gratuito e, por isso, uma lesão destas não seria caso para tanta preocupação da minha parte:
In the states you would pay 600 thousand bucks for that, man”.
Ainda fiquei mais aflito. Coitados dos americanos.
Chamámos uma ambulância dos bombeiros e o Mike ficou muito excitado com aquilo de serem bombeiros e quis que eles se alinhassem numa formatura, para ver como eram os bombeiros portugueses, esses heróis. A cerimónia durou bastante tempo. O Mike distribuiu medalhas, houve lágrimas por causa do 11 de Setembro. As minhas dores aumentavam. Gemi, para ver se alguém me levava ao hospital.
Lembrei-me de um truque que vira em Casablanca, o filme:
What watch?”, perguntei, para ver se eles percebiam que se fazia tarde.
Ten watch”, informou um bombeiro.
Such much?”, três gargalhadas depois estava prestes a entrar em coma. Finalmente, recebi a atenção que merecia.
Fomos até ao centro de saúde do meu bairro. O elevador estava avariado e tivemos de subir quatro andares a pé. As dores aumentavam. Lá em cima, quando perguntei pelo médico de família, a funcionária desatou a rir-se.
“Não vejo o doutor há dois meses”.
O Mike só dizia:
You guys have a great system. Mr. Bush should see this. You don’t pay”.
Tentei explicar-lhe que não havia médico, mas ele tinha resposta para tudo:
You must bring some cubans”.
Afinal, estávamos também no sítio errado. De acordo com os dados do meu cartão de utente, eu estava no sítio errado. Para aquele problema, teria de atravessar a cidade.
“Mas, os bombeiros já se foram embora...”
Those heroes...”
“Que quer que lhe faça”, disse a funcionária, “apanhe um táxi”.
Estávamos ali num impasse, quando o Mike começou a vestir uma luvas cirúrgicas, enquanto me dizia que, durante as rodagens do seu novo filme, tinha aprendido muito sobre medicina. Os tipos fartam-se de fazer dinheiro, com isso, explicou ainda.
Não posso dizer que o tratamento de emergência tenha sido suave, ou algo assim. Foi duro, mas salvou-me a vida. O Mike é um amigo catita. Um compincha. Depois, apanhámos um táxi e fomos ao tal hospital, para os pensos. Recebi umas aspirinas, fui mandado para casa e, como não tinha dinheiro para as taxas moderadoras, o Mike teve de pagar. Ele estava furibundo. Um escândalo, gritava.
And this is a socialist country! Outrageous!”


Adolfo Ernesto

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É hoje às 15

Ainda não li. Mas a contribuição da nossa Maria Inês é certamente a melhor de todas.

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Palavras que odeio (14)

Habitabilidade

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Pois claro que não. Que disparate!

«Não há escutas ilegais em Portugal». Alípio Ribeiro, Director Nacional da Polícia Judiciária, citado pelo Público.

João Villalobos, farmacêutico


O Governo quer privilegiar os portugueses não farmacêuticos como eu na abertura de novas farmácias. Hoje de manhã, só no meu bairro, já o senhor Zé e o senhor João se preparavam para encerrar respectivamente cafezinho e talho, deslumbrados por esta verdadeira corrida ao ouro. Em lugar de picaretas tinham consigo o Prontuário Terapêutico, o qual liam com verdadeira sofreguidão autodidacta.
Outrora, em tempos que já não voltam (chuif), tive uma namorada farmacêutica. Amorosa rapariga de grandes olhos negros, andava sempre com os bolsos cheios de notas de mil e nunca me deixava sacar da carteira, nessa altura da minha vida sempre vazia. Sei que isto pode parecer mal, dito assim, mas não passava de um sincera demonstração de cuidado com o meu bem estar, em especial quanto à alimentação. Desde essa altura, fiquei com a ideia - muito impressionista concedo - que se ganhava assim perto de balúrdios tendo uma farmácia. Não distingo um antibiótico de um ansiolítico mas estou a considerar seriamente associar-me ao senhor João, sagaz talhante, e abalançar-me ao negócio. Ou isso ou um casino ilegal. Lucro fácil, vinde a mim.

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Terça-feira, Outubro 23, 2007

Um planeta a explorar


Adelaide Sousa é a apresentadora do novo programa diário da SIC Mulher,
«Mundo das Mulheres», de segunda a sexta-feira, das 18h50 às 20h00.

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Ana Malhoa?

De acordo com os dados revelados pela Marktest, entre Janeiro e Setembro de 2007, «Ana Malhoa» é o nome português mais procurado na Internet.
Gostos não se discutem.

Dizem que a vacina é mesmo porreira...

Consta que Portugal tem uma das mais altas incidências da Europa do cancro do colo do útero (cerca de 900 novos casos por ano e uma média de um óbito por dia). Quanto custarão ao Estado estas doentes? Serão relativamente baratas? Mais baratas do que as vacinas que o Serviço Nacional de Saúde poderia comparticipar?
Depois de ler esta notícia fiquei com imensa vontade de saber pormenores sobre o assunto. Acho que vou telefonar para o Ministério da Saúde. De certeza que eles já fizeram as contas.

Quem tem medo do referendo?

Dei ontem uma palestra sobre a nossa rentrée política no Grémio Literário, a convite do Instituto para la Promoción y Desarrollo de América Latina, e imaginem qual foi a questão que mais vezes me foi colocada pelos embaixadores presentes. Qual é afinal a razão para os principais responsáveis políticos de Portugal não quererem fazer um referendo ao Tratado de Lisboa? Pelo menos, a embaixadora do Peru e o embaixador do Uruguai não se deixaram convencer com os meus argumentos. Disse-lhes que sempre se poupava tempo e que o País - que resolveu o monumental impasse institucional em que a União Europeia se encontrava - sempre dava um bom exemplo ao optar pela via da ratificação parlamentar a outros estados que pudessem ter em mãos casos mais problemáticos. Um antigo chefe de gabinete de um ex-primeiro-ministro é que não foi de modas: confidenciou-me que lhe parecia que as questões europeias dantes era tratadas com outra dignidade e não "à pressa" e como se de um "jogo de futebol" se tratasse. Argumentava esta figura que os líderes políticos da UE podiam ter lutado por um tratado melhor se não estivessem tão obcecados com a vontade de fechar tudo neste semestre. Como se o mundo, ou a Europa, acabasse em Dezembro. De facto, não acaba.

Sem título

Porreiro, mesmo porreiro,
é este nosso Primeiro.
Entre os Grandes colocado
como figura de Estado.

Viu passadas as tormentas
com sua licenciatura.
Devassaram-lhe as sebentas,
foi até à magistratura.

Mas tudo isso é Passado,
nada já isso importa.
Assinado este Tratado
abre-se uma nova porta.

É a porta da Europa. Sim!
Para Portugal o prestígio.
Jorra espumante sem fim,
não há de ressaca vestígio.

É porreiro, mesmo porreiro,
este nosso Primeiro.
Bem pode dizer o contrário
um comentador de aviário.

Que aqui fique bem patente
a vontade de todo um Povo:
Viver tendo bem ciente
a lição que deu de novo.

Quem espera sempre alcança,
água mole em pedra dura.
Seguindo em passinhos de dança
até à próxima legislatura.

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Afinal o que é porreiro, pá?

Portugal, país pequeno e periférico, perde com este tratado assinado em Lisboa. Perde influência nos conselhos europeus, onde a regra da rotatividade de representantes nacionais sofre um sério travão. Perde um lugar permanente no colégio de comissários. Perde terreno na definição das linhas gerais da política externa "europeia". Perde mais um quinhão de legitimidade democrática no plano interno com o mais que previsível arquivamento do referendo, que foi bandeira eleitoral do PS e do PSD - aprofundando-se assim o fosso entre eleitos e eleitores.
Sendo assim, é caso para perguntar: ao beberem as flutes de Murganheira os nossos estimados líderes estavam a comemorar o quê?

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Palavras que odeio (13)

Concomitantemente

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Que tal consultar um especialista?

Ouvir “coisas” pode até ser apenas um precoce prenúncio de... demência!

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Indícios de que poderei estar sob escuta (4)

O meu estômago às vezes emite uns ruídos estranhos...

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Ataque de nostalgia


Lembram-se disto? De quando a vida era tão, tão mais simples, que nos deslumbrávamos apenas por, virados para o Sol, ir avançando imagem a imagem uma história qualquer?

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Parabéns

Ao nosso Rodrigo Cabrita, que ganhou um prémio de fotojornalismo no concurso promovido pela Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes.

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Indícios de que poderei estar sob escuta (3)

O motor do meu carro faz ruídos esquisitos.

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Segunda-feira, Outubro 22, 2007

Apelo


Depois de ter lido hoje no jornal acerca deste programa, não resisto a fazer a partir desta tribuna um sentido apelo aos directores das três estações de televisão: por favor! Também quero! Adorava ver os nossos políticos, em particular o nosso tão apessoado primeiro-ministro, a enfrentar o povo!
Se bem que... Pensando bem, Sócrates que nem gosta de ser surpreendido pelas perguntas dos jornalistas que não estão previstas na agenda sujeitar-se-ia, como Zapatero, a semelhante prova de fogo? Humm...

Eleições e "eleições"

Na Polónia, houve eleições: o Governo perdeu, haverá novo Governo. Em Cuba, houve "eleições": o Governo ganhou, o Governo ganha sempre, não haverá novo Governo. Em Cuba não há novo Governo há 48 anos. Há quem goste. Eu não.

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A questão europeia



Referendem a NATO
O Pedro Correia escreveu aqui um texto que repete um argumento disseminado pela blogosfera: a única forma de tornar democrático o novo tratado europeu será submetê-lo a referendo.
Dito assim, parece lógico, como devia ser lógico um referendo à nossa participação na NATO, embora não veja ninguém a pedir tal consulta. E o caso da NATO seria bastante mais normal, pois Portugal não manda coisa nenhuma naquela organização, enquanto que na UE tem alguma voz. Já agora, referendem Quioto, também.
Escrevi no Corta-Fitas, por várias vezes, que seria um erro referendar este tratado (ou outro qualquer). Repito dois ou três argumentos: o referendo só é possível se a pergunta for simples, o que não acontece neste caso; o eleitorado não poderá votar ‘não’; e a uma pergunta aparentemente sem espinhas, ‘quer ou não tratado x’, a resposta ‘não’ será, de facto, ‘quero sair da UE’.

Os defeitos
Isto parece-me tão evidente, que fico perplexo quando não é óbvio para outros.
Por isso, acho que o debate está a ficar esquisito. Para alguns comentadores, este tratado deve ser rejeitado porque tem defeitos. Claro que tem defeitos (levou seis anos a redigir, é uma manta de retalhos quase ilegível); a conclusão é que me parece errada, porque rejeitar este tratado é aceitar o anterior.
É bem mais interessante o argumento deste texto ser parecido com o tratado constitucional que a população rejeitou. Isto parece uma fraude política, embora na verdade os Governos da UE precisem de um novo tratado. Um qualquer, que inclua as regras que vou enunciar. E querem-no desesperadamente, pois há risco de implosão do projecto.

Uma pausa
Neste ponto, é preciso fazer uma pausa e andar para trás. Tentarei explicar em poucas palavras o que de essencial consta deste tratado. No fundo, os líderes europeus aprovaram um documento que altera as instituições e muda o sistema de voto. Esta última é a parte crucial. No tratado ainda em vigor, um trio constituído por Portugal, Grécia e Hungria tem mais peso no Conselho Europeu (onde se tomam as decisões) do que a Alemanha, embora represente apenas um terço da população alemã e um quinto do poder económico.
O sistema de votações passa a ser proporcional, conforme a população. Tendo a UE 500 milhões de pessoas, a Alemanha pesa por 82 milhões e Portugal por 10 milhões. Criar esta diferença foi necessário por causa do alargamento.
A proporcionalidade não se aplica no Parlamento Europeu, onde os grandes ganharam influência, mas com os pequenos a manterem forte presença.
Para todos os países, existe um mecanismo de compensação, que tem a ver com o bloqueio de decisões. Uma coligação de pequenos pode travar uma decisão. É mais difícil fazê-lo, mas isso continua a ser possível.
Há outra questão que costuma ser analisada de forma superficial: as maiorias qualificadas foram alargadas a novas áreas, mas elas já existiam numa série de assuntos. Ninguém as contesta, aliás. Esta perda de soberania não é propriamente igual a um abrir de portões para deixar os bárbaros entrar no castelo.

Resumo
Resumindo, os três grandes serão mais fortes com o Tratado de Lisboa, o que permite acomodar qualquer alargamento. A UE pode crescer para 30 ou 35 membros sem se diluirem excessivamente Reino Unido, Alemanha e França. Este trio mantém enorme poder no sistema. O actual equilíbrio só é perturbado se entrar outro grande, a Turquia.
Já li uma interpretação segundo a qual este tratado é errado e a única solução será criar uma câmara alta, acima do parlamento, um Senado. Esses argumentos esquecem que já existe uma espécie de senado, o Conselho Europeu.

Os efeitos
De qualquer forma, tudo isto é interessante, mas inútil: o novo tratado encerra o debate institucional. Os 27 Governos negociaram isto, não outra coisa qualquer. Se este tratado não existir em 2009, haverá uma crise europeia de efeitos imprevisíveis.
Acho que a UE sobreviveria, mas a Alemanha e a França teriam forte incentivo para negociarem rapidamente algum tipo de alteração que retirasse poderes à organização.
Depois, os dois países avançavam para uma confederação. A integração iria acelerar num núcleo duro com um máximo de oito ou nove membros. Paris e Berlim diriam: se não funciona a 27, então vamos criar um sistema diferente, com vários patamares.
Uma nota adicional: para alguns comentadores na blogosfera, defender este tipo de argumentação é fazer propaganda de Bruxelas. Desvalorizar ou ignorar certas opiniões permite que o debate fique mais fácil.

O músculo
Há também quem lembre (e bem) que a Europa não tem músculo diplomático e militar.
Mas é natural que assim seja, enquanto a UE for constituída por um grupo de nações. As ambições militares da organização são limitadas e isso parece-me um ponto de partida positivo. Mesmo assim, estão em formação os chamados battle groups, unidades que podem ser enviadas para qualquer teatro de guerra sem ajuda da hiperpotência. Falta ainda (corrijam-me, se me engano) meios de transporte aéreo pesado, ou seja, o novo airbus militar em construção, e os futuros porta-aviões inglês e francês (também em construção).
O argumento da fraqueza militar europeia não pega. A Europa tem tudo para ser uma potência na área e não lhe falta nenhuma valência tecnológica.

Fechar o círculo
Neste contexto, não vejo a utilidade de um referendo. Para fazer uma pantomina de democracia?
Para que servem os partidos? E os Governos? Não servem para pensar nestas coisas complexas e que os cidadãos comuns não têm qualquer interesse em dominar?
Como se explica que em 27 Governos não haja um que conteste este tratado, que não o deseje ratificar? Será que os líderes europeus enlouqueceram? E não há outras coisas da nossa vida que nunca foram referendadas e que hoje em dia aceitamos como normais, o sistema de pensões, por exemplo, ou a cobertura universal do sistema de saúde?
A nossa participação na União Europeia é tão normal como, por exemplo, ter segurança social. Querem referendar a segurança social?
Em conclusão, acho que é legítimo e normal que alguém conteste este tratado. No caso português, há um responsável pela assinatura, o primeiro-ministro. A nível político, quem quiser contestar este tratado terá de culpar o Governo ou os partidos que são favoráveis à assinatura, o que inclui PS e PSD. E, depois, votar nos outros que são contra. Esse é o nível a que a democracia tem de funcionar. Esse é o nível onde a democracia deve funcionar.

nota: mais uma vez, peço desculpa pela dimensão do post, mas repito: a pequena dimensão que se espera dos posts favorece a ligeireza do debate e uma discussão ligeira é sempre inútil

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Triste fado

O despacho do Primeiro-Ministro que considera a Fundação Amália Rodrigues "pessoa colectiva de utilidade pública" na condição de "comprovar a regular constituição dos orgãos sociais e a inexistência de dívidas fiscais à Segurança Social e de entregar a documentação legalmente exigível" revela uma nova filosofia na gestão dos prémios da coisa pública que considero aterradora.
A partir de agora, o acesso às isenções fiscais que a utilidade pública confere não obriga a nada. Basta não cometer ilegalidades; pior, podem-se cometer ilegalidades, desde que estas sejam sanadas num prazo razoável.
Dificilmente poderia conceber uma instituição que merecesse menos este reconhecimento. Conheço bem a história da Fundação Amália Rodrigues. No seu aspecto mais caricato, e to make a long story short, resulta do testamento de Amália feito por um obscuro advogado, ligado aos lóbis barbudos da Faculdade de Direito de Coimbra, que estabelece a vontade de criação de uma fundação que perpetue a sua memória e ajude algumas obras de caridade, bem como doe parte da sua receita à Casa do Artista.
O advogado, nomeado por Amália executor testamentário, auto-proclama-se presidente vitalício da fundação logo após a morte da fadista e estabelece estatutariamente que lhe sucede o filho, à época estudante, também vitaliciamente.
A verdade é que a Casa do Artista nunca recebeu um cêntimo, não há obras de caridade apoiadas e o espólio de Amália Rodrigues está por clarificar. A única obra visível desta fundação é a abertura da Casa-Museu e, segundo notícia do Correio da Manhã, uma dívida de 2,3 milhões de euros ao fisco.
Se exceptuarmos o advogado e o seu filho, que podem ser considerados como público, dificilmente se poderão encontrar características de "utilidade pública" nesta trapalhada.
Não parece ser este o entendimento do primeiro-ministro, que premeia a coisa com honrarias e isenções fiscais. E a pressa é tão grande que nem pede à fundação que formalize a candidatura entregando a documentação e fazendo prova de não ter dívidas. Pelo contrário, concede-lhe os privilégios a crédito, tipo "isente-se agora e mostre depois que é merecedor". Aguardo o próximo episódio (e que não seja processarem-me, porque esse já maça).

Beautiful people



Esta semana duas das nossas news magazines fizeram capa com Miguel Sousa Tavares (na Visão dividiu-a com José Rodrigues dos Santos). E também o Expresso lhe deu capa na Única. Se tenho alguma coisa contra? Nada. Acho o MST bem fotogénico e talentoso, mas dá-se o caso de os últimos dias terem sido férteis em acontecimentos. Desde o conturbado regresso de Benazir Bhutto ao Paquistão, até à crescente tensão entre a Turquia e o Iraque, passando pela cimeira de Lisboa ou pelo novo escândalo do BCP. Muito haveria para destacar e comentar. A coincidência deve-se pois a critérios editoriais que pouco terão a ver com critérios jornalísticos. Se o autor de Equador fosse feio como os trovões com sorte ganharia duas paginocas lá mais para o fim das revistas. Alguém duvida?

Indícios de que poderei estar sob escuta (2)

Os meus vizinhos de cima fazem ruídos esquisitos.

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Indícios de que poderei estar sob escuta (1)

O meu autoclismo faz ruídos esquisitos.

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Democracia representativa vs dem. directa

Não deixa de ser curioso que os grandes defensores da ratificação do Tratado de Lisboa pela via parlamentar sejam os mesmíssimos senhores que foram eleitos através da democracia directa aplicada aos seus partidos. Estou a falar de José Sócrates e de Luís Filipe Menezes (de Paulo Portas não tenho ouvido falar, por onde andará?). Dentro dos partidos funciona, fora só quando "as circunstâncias" não se alteram. A democracia representativa, nem que seja só às vezes, pode dar muito jeito. Neste caso até dá, já se viu o que seria o País que foi determinante para resolver o impasse fazer um referendo, atrasando desse modo a ratificação? Não que ache que o resultado da consulta pudesse de alguma forma beliscar o interesse do Presidente da República, do primeiro-ministro e do líder do principal partido da oposição.

Sócrates nem parecia Sócrates

José Sócrates rematou com um plebeíssimo “porreiro, pá!” o seu papel de anfitrião na bem sucedida cimeira de Lisboa, como o Francisco referiu aqui antes das manchetes que imortalizaram a frase em letras garrafais. Sócrates nem parecia Sócrates. Quer dizer: ao soltar a vulgaríssima e banalíssima expressão que milhões de portugueses proferem diariamente – nas mais diversas paragens do globo – como se fosse um cidadão comum, o primeiro-ministro revelou enfim um traço humano na sua personalidade toda moldada pelo marketing político. Mas isto só sucedeu porque supunha que os microfones postos à sua frente já estavam desligados. Bastaria a suspeita de que a gravação estaria a correr (como de facto estava) para logo a pose ficar hirta, a mão não trair o gesto mil vezes estudado e o sorriso surgir convenientemente plastificado em dose anti-rugas. Ou seja, para que Sócrates ficasse igual a Sócrates – melhor dizendo, igual à sua imagem pública.
Foi preferível assim. Foi preferível que Sócrates nem parecesse Sócrates. Melhor para nós, que descobrimos enfim nele um traço de identidade com qualquer cidadão não-mediático. E melhor também para ele: por momentos perdeu o perfil de autómato. O que só pode fazer-lhe bem.

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Os crânios de Bruxelas decidem por nós

Temos tratado. O Tratado de Lisboa – como passaram a chamar-lhe, com manifesto orgulho, os repórteres televisivos presentes no Parque das Nações, onde na quinta-feira decorreu a cimeira que pôs Portugal nas manchetes políticas. Não é um tratado constitucional, como garantem os exegetas da abracadábrica política bruxelense, mas apenas um tratado “reformador”, que por sinal mantém 96 por cento do texto contido na mini-Constituição “europeia”, chumbada pelos eleitores franceses e holandeses. A reunião de Lisboa serviu para aplicar uns pós de cosmética no texto e tudo seguir em frente, desta vez sem a necessidade de consultar os cidadãos, através de incómodos referendos, que costumam ter resultados imprevisíveis.
O que cai neste tratado? Só uma simbologia formal, relacionada com o hino (que mesmo assim continua a ser tocado, e ainda bem, pois é um prazer ouvir Beethoven), com a bandeira (que continua a ser hasteada em todos os edifícios oficiais) e com a designação do ministro “europeu” dos Negócios Estrangeiros, que passa a chamar-se “alto-representante”. Mantém-se quase tudo o resto. Haverá um presidente “europeu” fixo, que poderá exercer funções durante cinco anos. A regra da maioria qualificada sobrepõe-se à da unanimidade nas decisões tomadas pelo Conselho Europeu. Abandono do princípio de um comissário europeu por cada Estado-membro. Etc, etc. A diferença é só de designação. Mas já não precisaremos de decidir: os crânios da super-estrutura dirigente decidiram e decidirão por nós.

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Palavras que odeio (12)

Sinistralidade

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Domingo, Outubro 21, 2007

Um postal do Ruhr

Em Essen, venho encontrar uma gente com aspecto duro e de sorriso avaro. A vida nesta terra até é muito "em conta", com os preços quase como os de Lisboa. Chuvisca e já faz muito frio.
Ontem tive tempo para visitar o centro da cinzenta cidade, que emerge dos densos bosques do Ruhr. Nestas paisagens podemos imaginar os mais misteriosos contos de fadas e de princesas abandonadas por maléficas bruxas de chapéu em bico. Em Essen, com a sua arquitectura bem planificada nos anos 50 e 60, o que mais me despertou curiosidade foi a monumental Sinagoga (na imagem) construída no principio do século XX pela então próspera comunidade judaica. Hoje totalmente restaurado do grande incêndio e das pilhagens de 1938, este majestoso templo com os seus imponentes portões ferrados a cobre, sobreviveu miraculosamente aos intensos bombardeamentos dos aliados. Lá dentro encontrava-se uma impressionante exposição sobre as perseguições aos judeus no regime nazi. Durante a minha visita, uma turma de animadas criancinhas da primária circulava pelo edifício em pequenos e saltitantes grupos, naquilo que me pareceu um jogo, tipo “pedi-paper”, num aparente descomplexado convívio com os buracos negros da sua história.
Durante os três dias da Feira que me aqui trouxe, foram revigorantes as caminhadas ao frio da noite, do centro de congressos para o hotel, numa estrada por entre o sombrio parque florestal. Durante estas longas tiradas, logo despontava um saudável apetite para um merecido e reconfortante jantar. Hoje, por exemplo, foi a vez de manjar um belo naco de ossobuco com cogumelos selvagens, regado por uma saborosa cerveja gelada. Não há dieta que resista a uma contrita missão no meio dos bárbaros!
É já amanhã, segunda-feira, pela fresca, que regresso no rapidíssimo ICE directo a Frankfurt, onde, se Deus quiser, tomarei o avião de volta à “terra”. Já com saudades do nosso “pequeno mundo”.

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Domingo

Evangelho segundo São Lucas 18, 1-8

Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar: «Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’». E o Senhor acrescentou: «Escutai o que diz o juiz iníquo!... E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?».

Da Bíblia Sagrada

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De acordo

Naturalmente, só posso estar de acordo com o que o João Gonçalves escreve aqui.

E, tal como o Jorge Ferreira, também acho inacreditável o que aqui se diz..

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Os tugas (36)


"Informamos os nossos clientes que é proibido fumar em toda a rede do metro", informa a doce voz feminina a quem a queira ouvir, no altofalante da estação. Mal acaba de soar a gravação, dois sujeitos acendem tranquilamente os cigarros. Poderia estar ali também o major Valentim Loureiro exibindo um charuto e o comissário Maigret com o seu cachimbo: as "proibições", por cá, valem o que valem. Nada.

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Palavras que odeio (11)

Despoletar

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Sábado, Outubro 20, 2007

Crise precoce de meia-idade

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Cinema Nostalgia (15)


O espírito e a carne
De que me lembro quando me lembro de Deborah Kerr? De Karen Holmes, a esposa adúltera que troca um capitão por um sargento numa praia do Havai. De Terry McCay, que se apaixona perdidamente por Cary Grant nesse inesquecível melodrama que é O Grande Amor da Minha Vida. Da freira que partilha uma ilha quase deserta com o bebedolas Robert Mitchum numa deliciosa comédia de John Huston, justamente intitulada O Espírito e a Carne na versão portuguesa. Recordo-a em bastantes outros filmes – de Júlio César a Vidas Separadas. Mas lembro-a sobretudo noutro papel de freira, para o qual parecia predestinada, numa das mais admiráveis obras-primas do cinema: Quando os Sinos Dobram, da dupla Michael Powell-Emric Pressburger. Filmada num fabuloso technicolor, com cores cada vez mais quentes à medida que a acção progride, ela era muito mais carne que espírito, apesar das vestes religiosas. Aprendi definitivamente com esse filme que o hábito não faz o monge. O cinema, está visto, também serve para nos iluminar por dentro.
Havia mais inquietação por detrás da força tranquila do olhar azul de Deborah Kerr – uma inquietação que só cineastas de muito talento souberam desvendar. E ela trabalhou com vários – de Leo McCarey a Elia Kazan, passando por Joseph L. Mankiewicz. Faltou-lhe talvez só filmar com Alfred Hitchcock, que tinha uma notória inclinação por louras de olhar gélido, talvez frígidas sem remissão, talvez vulcões ocultos por uma ilusória camada de gelo. Na década de 50, que foi a década de ouro de Deborah, Hitch andava encantado com outras louras, chamadas Grace Kelly ou Kim Novak, e não fez caso desta compatriota de voz de veludo e perfeita dicção londrina. Azar dele, infortúnio dela: se tivessem filmado juntos, estaríamos hoje certamente a venerar em todas as cinematecas do planeta essa película que afinal nunca existiu.
Deborah Kerr deixou de ser carne, tornou-se espírito: acaba de morrer aos 86 anos. Apenas com um Óscar honorário no currículo: espantosamente, Hollywood nunca a premiou no auge da carreira. Fala-se tanto em injustiça a propósito dos Óscares: esta foi uma das mais evidentes.
Disse que deixou de ser carne? Exagero meu. Basta revermos uma vez e outra aquela cena antológica do mar a afagar-lhe as pernas, a humedecer-lhe o corpo enquanto Burt Lancaster a estreita nos braços com a urgência do primeiro ou do último beijo trocado entre dois seres errantes nos confins do universo. É esta a grande força do cinema: permite sempre a ressurreição da carne, projectada no infinito. Até à eternidade.
Publicado hoje no DN

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Postais blogosféricos

1. É um bom blogue. Posso recomendá-lo, mesmo não concordando com muito do que lá se escreve. Chama-se Margem Esquerda. O nome diz tudo: não engana ninguém.
2. O Francisco José Viegas reabriu a caixa de comentários d' A Origem das Espécies. Fez muito bem.
3. Agradeço ao bom amigo Carlos Albino os contributos que acaba de fornecer à minha rubrica Palavras que odeio. Algumas das palavras que enumera têm entrada directa na minha galeria de estimação...
4. Pretendia há muito incluir este blogue na nossa lista de favoritos. Já está. Com um abraço ao Hugo Alves.

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Palavras que odeio (10)

Calendarização

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Gostei de ler

A direita bourbónica. De Rui Ramos, na Atlântico.
O novo PSD. Do Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas.
Solidariedade inconsequente. Do Daniel Oliveira, no Arrastão.
Tratado. Do Manuel Jorge Marmelo, no Teatro Anatómico.
Embaixador Agapito no porreirismo nacional. Do Carlos Albino, nas Notas Verbais.
750 + 1. De Luís Serpa, no Don Vivo.
Isto começa bem... De Vítor Dias, n' O Tempo das Cerejas.
Um modelo esgotado. Do Tiago Barbosa Ribeiro, no Kontratempos.
Elogio. Do Francisco José Viegas, n' A Origem das Espécies.
Sou literariamente sionista. Do André Moura e Cunha, no In Absentia.
Em nome de Sua Excelência, o leitor. De Carlos Brickmann, no Observatório da Imprensa.
Questões verdadeiramente fracturantes. Da Ana Cláudia Vicente, nos Quatro Caminhos.
De Sant'Angelo ao Canova. Do Eduardo Pitta, no Da Literatura.
Querer e poder. Do Paulo Cunha Porto, n' As Afinidades Efectivas.
O primeiro, último amor. Da Isabela, n' O Mundo Perfeito.

Quem semeia ventos...


Muito curiosa a notícia assinada por António Costa e Maria Ana Barroso hoje no SOL, sobre a crise no BCP. Curiosa porque fala de um «cenário que parece remoto» mas com diversos detalhes. Em resumo, que uma eventual fusão BCP/BPI preocupa o Governo devido ao peso do La Caixa no banco liderado por Fernando Ulrich, «colocando em causa os centros de decisão nacionais». A notícia fala, até, de um possível «desmembramento» do Millenniumbcp a repartir pela Caixa Geral de Depósitos e o BES.
Para quem não se recorda, este Governo «preocupado» é o mesmo que fez orelhas moucas ao argumento dos centros de decisão e à necessidade de criação de um grande banco português com dimensão ibérica, quando tomou a decisão política de não se envolver na OPA lançada por Paulo Teixeira Pinto ao BPI. Mais ainda, este Governo foi o mesmo que deixou Vítor Constâncio dar luz verde ao aumento de capital do La Caixa no BPI, apesar das características muito especiais do banco mutualista catalão, da ausência de apresentação de um plano estratégico justificativo e das afirmações dos responsáveis do La Caixa de que o BPI seria o seu «braço comercial» em Portugal. Este Governo foi o mesmo que assobiou para o lado quando tudo isso aconteceu e a OPA, obviamente, morreu às mãos do Banco de Portugal.
Agora estão preocupados com os centros de decisão nacionais? É bonito, sim senhor. Mas muito pouco credível como argumento. Importam-se de apresentar outro, com menos spin e maior dose de realidade?
Adenda: Só agora li o Expresso. Capa do caderno de Economia, artigo de Christiana Martins: «A Caixa Geral de Depósitos poderá ser o accionista maioritário de uma nova instituição, com a missão de garantir que o Estado não perderá a capacidade de decidir o destino de empresas estratégicas para o interesse nacional, como a REN ou a EDP». Outro accionista falado é a Parpública. «O assunto está a ser tratado com o máximo sigilo», escreve a Christiana. Ah está? Não parece, mas quem sou eu para dizer o contrário. Só sei o que leio nos jornais do dia.

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A Cimeira de Lisboa



Poeira
A próxima década será europeia. Escrito assim, isto quase parece um disparate. Afinal, os líderes europeus estiveram uma noite a discutir um deputado e a conclusão do Tratado de Lisboa foi aproveitada pelo governo português para uma operação de propaganda. Abrimos a televisão e vemos os políticos a fazerem comentários fantasiosos sobre o que verdadeiramente se passou. Em relação à Europa, só parece haver duas opiniões possíveis: ser contra, pois aquilo tem ar irrelevante; ou ser contra, pois aquilo tem ar perigoso.
Acho que nos estão a deitar poeira aos olhos e que o debate, em Portugal, não existe.
A cimeira de Lisboa foi, de facto, histórica, pois termina um ciclo que durou uma década. Após a conclusão do mercado único, da moeda única e do alargamento, a UE definiu uma nova organização interna, não muito diferente da anterior, mas que avança um pouco mais na direcção demográfica. O poder relativo de cada Estado desloca-se nesse sentido, mas sem atingir a proporcionalidade. Mantém-se o carácter de grupo de Estados, mas com maior peso dos grandes, acomodando-se desta forma o anterior alargamento.

Liderança
A próxima década será europeia. Estamos num novo ciclo de liderança. A Cimeira de Lisboa demonstrou que o actual grupo dirigente, com destaque para Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, é muito mais pragmático e positivo do que os anteriores. A ratificação do Tratado de Lisboa será rápida, numa técnica de "choque e pavor", que não dará às oposições tempo para pensar. Dentro de um ano, o tratado entra em vigor, deixando as mãos livres para um novo desígnio: as reformas económicas.
O mercado único é indiscutível, o euro é até demasiado estável, o alargamento é um êxito. Cada um destes projectos gerou grande ansiedade e muitos observadores fizeram previsões de catástrofe iminente. Facto: as previsões falharam, os projectos são incontestáveis.

Qual é a parte que não querem?
A próxima década será europeia. Não percebo, sinceramente, os que não querem este tratado ou outro qualquer. Qual é a parte da União que não querem? O mercado único, o euro, o alargamento? Se quiserem as três, precisam do tratado ou de um outro qualquer parecido com este.
Também não consigo entender os que queriam mais ambição. Esquecem que as populações rejeitaram o Tratado Constitucional. É aborrecido que tenham sido os franceses e holandeses a decidirem por mim, mas este é o compromisso entre o edifício progredir um pouco mais e ser respeitada alguma da vontade popular. A solução não foi democrática, concordo, sob nenhum ponto de vista. Mas, neste caso, os primeiros-ministros que negociaram devem ser punidos pelos eleitores, o que aliás poderá acontecer na Dinamarca, Holanda e Reino Unido. Isso, sim, será a democracia em acção.

A uma voz
A próxima década será europeia, mas temo que este texto não esteja a ser inteiramente claro. Há imenso ruído de análises fáceis e rápidas. Também há brincadeiras, muitas delas úteis, pois tentam desmistificar a propaganda. Eu próprio publiquei aqui uma pequena sátira do meu amigo Adolfo Ernesto sobre a cimeira. E, a seguir ao meu post gigantesco, a Cristina publica uma deliciosa marcha.
Mas não podemos esquecer que este é o resultado de seis anos de negociações. A alternativa será começar tudo de novo, embora os países não possam esperar, de tal forma as partes da tapeçaria estão interligadas.
Reparem num pormenor: em negociações onde os europeus conseguem chegar a uma só voz, tornam-se numa superpotência. Veja-se a questão do clima ou do comércio internacional, ou do FMI. Claro que a diplomacia lituana não tem muito a ver com a portuguesa, e os interesses comuns destes dois países são mínimos. O espaço comum é ainda menor quando pensamos a 27. E claro que o músculo militar europeu continua a ser limitado, embora nos esqueçamos facilmente da sua utilidade em diversas operações (Congo, Líbano, Bósnia, Kosovo, Afeganistão). Para muitos analistas, isto não conta, porque a Europa não consegue agir sozinha em conflitos importantes. Eles esquecem que os EUA têm dez porta-aviões, e que esse é o custo de manutenção de uma hiperpotência, algo que a Europa não deseja ser.

Bizarra
A próxima década será europeia, mas continua a ser fácil ridicularizar o projecto europeu. Ele parece por vezes ridículo: os líderes estiveram uma noite a discutir um deputado e a solução lembrou um regateio na feira do relógio.
Mas o facto é que esta coisa aberrante, feita de cima para baixo, que as opiniões públicas continuam a desconhecer e desprezar, vai avançando. E há uma razão para isso, uma razão simples: ou os países europeus se juntam sob este tecto bizarro e ganham poder falando a uma voz ou serão todos individualmente irrelevantes. Sem negociação permanente, haverá dentro da Europa hostilidade permanente.

Nota: perdoem os leitores a dimensão excessiva do post, mas é difícil escrever sobre estes temas e a necessidade das mensagens fugazes dá vantagem às impressões superficiais

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Sexta-feira, Outubro 19, 2007

Marcha do tratado

É pequenino e modesto
o país que visitais
mas reparai, está em festa
pela honra que lhe dais

Lisboa ficou radiosa
onde antes era só bonita
ter um nome de tratado
vai atrair muito turista

Nos sorrisos e nos fatos
já somos iguais aos grandes
falta só alguns alguns detalhes
e comermos menos sandes

O tratado não serve para nada
mas isso não interessa broa
para beber murganheira
qualquer ocasião é boa

O Sócrates e o Barroso
disseram que foi porreiro
nós acreditamos que sim
e voltamos para o Barreiro


Aberto à participação dos leitores

(A foto é da Lusa, com a respectiva vénia)

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Como é que se diz sexta-feira em russo?*

Está aqui a criar-se um clima de verdadeira guerra fria.
Valha-me a zibelina.
*Já sei: É «piatnitsa». Agradeço ao João Seabra, esse bilíngue amigo.

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special friday


Bem sei, especializei-me nos retratos falados, mas contenção também tem limites, por isso aqui vai o meu modesto contributo, com a legenda que se impõe:
O que é nacional é bom...

Porque hoje é sexta-feira

Porquê? Mas porque pedi eu à Pandora que me mostrasse o bico da maminha? O Nigel diz que a Sharon Botts mostra tudo por 50 pence e meio quilo de uvas.

Escrevi uma pequena nota à Pandora.

Pandora querida

O que posso dizer-te? Fui vulgar e desajeitado e devia saber que tu poderias fugir de mim como um fauno espantado.
Por favor, concede-me pelo menos uma audiência e permite que me desculpe pessoalmente.
Teu, com amor imperecível

Adrian

Acho que foquei os pontos essenciais. Tirei o "fauno espantado" de um daqueles romances nojentos da minha avó. Salpiquei a carta com um bocado de perfume da minha mãe, Tramp, e vou entregá-la pessoalmente esta noite.
Tramp! Imaginem chamar Tramp a um perfume! Ah!Ah!Ah!
Sue Townsend in Adrian Mole e a Crise da Adolescência

Porque é sexta-feira...


... e há quem não goste de vinho do Porto.

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Sexta-Feira masculina

Richard Gere. Palavras para quê? Digam lá que não é como o vinho do Porto...


Friday

Marisa Miller. Desculpem lá ter que insistir nas loiras...

É sempre bom saber


«O regulador não está cá para morder em alguém».
Azeredo Lopes, presidente da ERC, em entrevista ao Jornal de Negócios.

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Sexta-feira europeia

A morena Isabelle Adjani

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Porreiro, pá

A forma como a União Europeia, no seu conjunto, aceitou negociar e fechar este tratado fica para a História. O texto final, para além de esconder o que o Tratado Constitucional punha à mostra, é uma manta de retalhos onde todos ganham e ninguém fica a perder. Quando assim é, algo vai mal. Como dizia um amigo meu, é um tratado "em saldos", onde a Itália ganha um lugar, a Polónia mantém o compromisso de Ioannina e o Reino Unido consegue as opting-outs todas (provavelmente para depois chumbar tudo em referendo, ao gosto do sr. Brown).
Para nós, resta-nos a consolação de o impasse se ter resolvido durante a presidência portuguesa (o eng. Sócrates não se irá cansar de repetir isso nos próximos dois anos, apesar do mérito caber por inteiro a especialistas de várias nacionalidades) e de o acordo resultar num Tratado de Lisboa, o que fica sempre bem em termos de marketing político. O sumo deixo para os especialistas, como o Luís Naves, não deixando ainda de notar que após a declaração final o eng. Sócrates se virou para o dr. Barroso (ainda com os microfones ligados) e soltou qualquer coisa como isto: "Porreiro, pá". Acho que o gesto e o tom resumem bem o que está em causa.

Entrevista a seco

Como já disse aqui um dos nossos leitores e comentadores mais ou menos anónimos, também não pude deixar de reparar que a RTP não serviu água a Luís Filipe Menezes durante a entrevista que Judite de Sousa lhe fez ontem. Nunca tinha visto nada de semelhante. Um líder partidário e candidato a primeiro-ministro a querer beber água durante uma conversa de cerca de uma hora e o copo estar, repetidamente, vazio. Menezes bem tentou, num gesto reflexo, beber água para lhe amenizar a sede, em vão. Estranha, muito estranha a atitude da televisão pública. Ainda por cima a entrevistadora é mulher de um dos vice-presidentes do novo líder laranja. O que faria se não fosse...

Levantem-se os três votos nulos!

Fonte segura fez-me chegar o conteúdo dos três votos nulos na eleição de Pedro Santana Lopes para líder da bancada do PSD.
Três engravatados e sérios senhores deputados aproveitaram o boletim para as seguintes mensagens: "O Tratado de Lisboa cheira mal", escrito com "letra de maluco" - asseguram-me - à margem do boletim; "Hoje à caracoletas" - erro gramatical que torna completamente impossível descobrir quem é o deputado -; e um clássico desenho obsceno que faz parte do ensino obrigatório dos intervalos do segundo ciclo de escolaridade.
Se exceptuarmos o desenho - cuja reprodução me está vedada por uma esmerada educação - e o erro ortográfico, que me está proibido pela obrigação de ganhar a vida honestamente, posso afirmar que finalmente me sinto representada na Assembleia da República.
Numa manhã marcada pela assinatura do Tratado de Lisboa - e já não se aguenta ouvir todos de boca cheia, inchados de orgulho por o tratado ser "de Lisboa" - é bom saber que há três alminhas na Assembleia que pensam como eu.

Palavras que odeio (9)

Desculpabilização

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Já estou farto de ver aqui louras


Eu, que prefiro as morenas, convido hoje a juntar-se a nós esta brunette belíssima, chamada Françoise Hardy. O tempo passa, mas ela canta cada vez melhor, como há poucos anos demonstrou com o seu álbum Clair/Obscur. Longe das playlists das rádios, reservado a apreciadores de boa música.

Cadernos de filosofia política de Adolfo Ernesto (3)




O primeiro círculo do inferno


Na filosofia política, sempre me intrigou a questão do populismo, que ficou agora mais actual com a discussão sobre o novo líder do PSD.
Nada melhor do que confrontar um especialista na matéria, pensei. No caso, dois.
A ideia de esclarecer a importante questão surgiu-me, ao saber que havia ontem uma cimeira em Lisboa, para aprovar o tratado europeu, aquele que foi rejeitado mas que agora revive como um zombie. Mas permitam-me primeiro explicar a geografia da questão, ou seja, que em termos policiais a cimeira funcionava em círculos concêntricos, com restrições cada vez mais fortes, à medida que me aproximava do centro da negociação, o núcleo onde estavam os meus especialistas, os gémeos Kaczynski, da Polónia, os dois famosos populistas que ontem consultei.
Não entro em pormenores sobre a maneira como me infiltrei através das barreiras policiais. Digo apenas que fui brilhante e corri muitos perigos.
Iludi a vigilância de 1352 polícias e cheguei a um corredor (tinham posto os polacos num canto das instalações, atrás do sol posto), onde estava o camarim dos gémeos. Mal os vi, interrompi a conversa em polaco e fui logo ao assunto, no meu melhor inglês técnico.
Um dos gémeos ainda estranhou o meu bigodinho à Hitler e a boina de Guevara, tive que explicar o meu caso de cérebro com as duas metades (esquerda e direita) fundidas.
"Precisamos de focar", disse eu. E tive de repetir, por um defeito de pronúncia, o "ou" da palavra inglesa focar tem de ser prolongado e eu disse um "fa" seco.
"Como te compreendo, Adolfo Ernesto", interrompeu o primeiro gémeo, a rir-se imenso da minha pronúncia. "Também eu sofro de um mal semelhante. Odeio os comunistas e os fascistas. É um pouco estranho, detesto-os, mas tenho tiques de ambos".
Então, entrei na questão que me trazia ali, o populismo.
O outro gémeo, que era o mais articulado, deu-me então uma grande lição de filosofia política:
"Esquece esse assunto. O populismo está a acabar. A Europa inventou um novo conceito político: o impopulismo. Estamos aqui no primeiro círculo do inferno num tal isolamento que aprovámos um tratado que, se fosse votado, era rejeitado. Passámos um dia inteiro a discutir quem ficava com o último deputado. A falar de vírgulas, com ar muito importante. O povo, no sétimo círculo do inferno, protestava, e nós, aqui mais dentro, fazíamos história, decidindo aprovar um texto que já chumbou uma vez. O tratado tinha de ser aprovado, com este nome ou outro qualquer, independentemente do que pensar a Europa real".
"Cheguei a pensar que os polacos nos iam salvar", disse eu, sagazmente.
"Não foi possível, estamos muito deprimidos. É que não aguentamos a rejeição e fomos enviados aqui para trás do sol posto. Ninguém gosta de nós, aqui no primeiro círculo. E, como somos populistas, assinámos imediatamente, rendidos aos novos ventos. O impopulismo é a verdadeira revolução desta era, como prova o vosso primeiro-ministro, que ouve cada vez menos o seu povo, que levou teimosamente até ao fim um tratado que ninguém quer e que ele jamais conseguirá explicar. Nós, os populistas, estamos ultrapassados. Finita la commedia".


Adolfo Ernesto

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Quinta-feira, Outubro 18, 2007

Crónica social


Alberto ama Beatriz que ama Carlos que ama Daniela que ama Eduardo que ama Fernando que ama Gabriela que ama Hugo que ama Ilda que ama Joana que ama Luís que ama Maria que ama Nuno que ama Óscar que ama Paula que ama Quim que ama Rute que ama Sónia que ama Tiago que ama Úrsula que ama Vítor que ama Xica que ama Zeca que não ama ninguém porque o alfabeto chegou ao fim.

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Bilhete postal

Depois de muito avião e muito comboio, depois de montado o stand aqui na feira de Essen, na Renânia do Norte-Vestefália, eis-me finalmente instalado no hotel, com Internet e tudo. Para esta expedição trouxe a companhia do Jacinto de Tormes e do Zé Fernandes. Enfim, trouxe um pouco de “casa”.

Na foto: Basílica St. Ludgerus

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Simone, "inteirona"


Simone esteve ontem no Casino Estoril, e encantou, com um repertório bem conhecido onde se cantaram temas como Começar De Novo, Outra Vez, Falando Sério ou Amanhã. Mas, para mim, o momento da noite foi quando a cantora, já quase no final comenta: “Sabem porque não tenho vergonha de dizer a idade que tenho (57 anos)? Porque estou inteirona!”
Na minha mesa, a cândida senhora da frente, muito ao jeito da Edith da série Uma Família às Direitas, pergunta-me: “O que é inteirona?”

Palavras que odeio (8)

Problematizar

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Um guia incompleto

Francisco José Viegas, João Gobern e Edgardo Pacheco publicam hoje, em suplemento à revista Sábado, um dos melhores guias gastronómicos que conheço sobre restaurantes portugueses. Daqueles que convém guardar e ter sempre à mão. Lá estão os clássicos do costume e algumas "revelações", que convém experimentar. Lá estão também algumas opções que considero incompreensíveis - como O Sacas, na Zambujeira - mas deve ser problema meu. Entretanto, noto algumas faltas quase imperdoáveis: o Pap'Açorda (em Lisboa), o Dom Tonho (no Porto), o Tromba Rija (em Leiria), O Casarão (na Azóia, Leiria), o Artur (em Carviçais, Torre de Moncorvo), o Amarrò Tejo (em Almada) e a Chaminé (em Altura, Algarve). Também gostaria de ter visto nesta lista o Praça Velha (em Castelo Branco), o Xica Bia (em Setúbal), a Casa da Dízima (em Paço d'Arcos) e o A Ver Tavira (em Tavira). Pior é a omissão total dos restaurantes das ilhas. A Casa do Vizinho (no Funchal) e A Colmeia (em Ponta Delgada) bem mereciam lá ficar. Imperdoável mesmo, num suplemento que anuncia na capa: "Os 100 melhores restaurantes", eleitos pelos três autores, que "percorreram o País". Madeira e Açores não são também "País"?

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Diário na enfermaria (6)

Ouvi os passos chegarem pelo corredor, de manhã cedo, e inventei um desígnio, como as crianças na véspera do Natal: "Se for a enfermeira espanhola é porque tenho alta".
Meio a sonhar, voltei ao Verão e à travessia da Ria Formosa no barco de pescadores. É fim de tarde e toda a vida parou. O céu parou, a brisa desapareceu, só o barco se move na paisagem imóvel. Na proa, uma mulher excessiva de forma e cores olha para a ilha que se afasta e diz, alheada de tudo: "Bendita seyas, ó playa. Como te desfruté!" (e é desfru-TÉ que ela diz).
Nos últimos passos da enfermeira só me ocorre aquela gratidão andaluza pelo que está vivo e dá prazer. Não tenho ainda coragem de abrir os olhos até ouvir a voz perto de mim: "Bom dia, princesa! Vamos medir a tensão, my reyna?". Adeus, enfermaria, estou fora.

Tomem lá uma «cacha»

O DN fala hoje, numa notícia breve assinada pela Paula Brito, da auditoria em curso no SOL . Não sei é se não haverá um obstáculo maior do que o das contas ao negócio de entrada da Cofina no capital. Segundo me disse uma fonte ligada ao processo o grupo de Paulo Fernandes coloca, como condição, a saída do cargo do Arquitecto Saraiva. Mas alguém imagina aquele jornal sem Saraiva? Já agora, não posso deixar de constatar que, com negócio ou sem ele, o semanário tem sido o único a fazer manchetes com temas verdadeiramente incómodos para o Governo, o qual tem seguido o processo com muita atenção.

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Momentos Kodak (62)

O amor é lindo...
Fotografia: Rodrigo Cabrita

E que tal uma interrupção voluntária da intolerância?


Estaria plenamente de acordo (leis não se podem contradizer) se o procurador-geral da República entendesse que poderia ficar salvaguardado o direito de objecção de consciência dos médicos. Não entendo esta rigidez quando se sabe que o aborto levanta sérias questões de ordem moral e religiosa que deveríamos saber respeitar. E eu estou à vontade para dizer isto, porque até votei SIM.

Quarta-feira, Outubro 17, 2007

Brrrrrrrrrr!!


Olho para esta foto e sinto um frio na espinha. Nem é bem um frio na espinha, é mais um medo viscoso, aqui ao nível do intestino grosso. Disparate! Como se estes dois alguma vez pudessem constituir uma ameaça para mim, uma anónima e pacata utente do lado mais sossegado deste planeta azul!...

Provavelmente o melhor filme de sempre


O LEOPARDO
(Il Gattopardo, de Luchino Visconti, 1963)

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A ler

1. As impressões de cinco dias em Roma. Do Eduardo Pitta.
2. Uma excelente "fotografia" da blogosfera portuguesa. A vermelho e negro.
3. A anacrónica lei que regula o direito de reunião, em boa hora desenterrada pelo Jorge Ferreira. Para percebermos melhor do que falamos ao opinarmos sobre estas matérias.
4. Cinco anos na blogosfera é obra. Motivo de sobra para felicitar a excelente Lebre do Arrozal.

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Rendida

Quando comecei a colaborar com este blog, comuniquei-o entusiasticamente à minha mãe que, perita em cortar qualquer alegria ruidosa, no seu tom prático e racional me interrogou: “Concretamente, para que é que isso serve?”, adicionando ainda um encorajador “Acho que só vais perder tempo.” Fiquei, por segundos, presa na questão, mas lembro-me ainda de refutar: “Serve para pensar e para me “obrigar” a estar mais atenta à realidade”, ao que se seguiu, provavelmente, uma troca (saudável) de argumentos e contra-argumentos.
Não sei se fui muito convincente, mas o que é certo é que este endereço passou a constar no seu computador, apesar de não comentar se lia ou não, nem fazer muitas perguntas. Até ontem, altura em que me diz: “Não consigo consultar o blog para onde escreves há já dois dias…tenho que ver o que se passa.”

Palavras que odeio (7)

Listagem

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Contributo para uma reflexão sobre a polémica em si (bemol)

Cara Mafalda,

A leitura do texto que lavrou provocou-me, após uma cuidada exegese que habitualmente reservo para prosas de ruptura epistemológica e tão copérnicas de revolucionárias quanto as de um Wittgenstein ou um Heidegger, uma paralaxe neuronal. Por um lado, recordei Robert Kurz e a sua afirmação tão significante, quando reitera que: «A crítica radical tem que debater-se com a inércia aparentemente avassaladora do existente que se sedimentou na consciência geral e, por conseguinte, também na esfera teórica da sociedade». Em suma, às vezes dou por mim a comprovar empiricamente que o Pedro Marques Lopes escreve parvoíces.
Por outro e concomitantemente, considero que há algo de leibniziano nesta dicotomia contraditória do meu ser-em-pensamento (algures haverá uma palavra em alemão para isto). Concordo que as substâncias são indivisíveis e não possuem uma natureza física ou material. Ou seja, que o número das substâncias não aumenta nem diminui naturalmente e estas só podem começar por criação e desaparecer por aniquilação, sendo Deus que as conserva e produz continuamente, por uma espécie de emanação. Mas também que é indubitável como cada substância individual exprime o universo todo à sua maneira. Assim: «Toda a substância apresenta uma marca da omnipotência e omnisciência de Deus, imitando-o tanto quanto lhe é possível» (Cito agora os autores do exame de filosofia do 12º ano de escolaridade, 2003). Um jacobino, resumamos, é também obra do divino.
Regressando a Kurtz, «Desde quando começa a inimizade com a afirmação da irmandade de sangue, a despedida com a declaração da respectiva impossibilidade, e a crítica radical com a constatação de se encontrar desde sempre contida no seu objecto»?. Se não entendeu ainda, embora não questione o contrário, a Mafalda, eu e o Pedro Marques Lopes somos a mesma mónada e partilhamos as mesmas formas a priori da sensibilidade de que falava Kant. Eu não conheço a Mafalda nem o Pedro. Nem, tanto quanto sei, ambos se conhecem. Mas para lá do conhecimento há algo maior que nos une. Que algo maior é esse? Ora aí está a pergunta que lanço aqui, destinada a ser resolvida pelos nossos Maiores.

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Uma causa do contra


Eu e o Daniel Oliveira, a mesma luta!

Terça-feira, Outubro 16, 2007

Promoção Lisboa – Manchester


Nos jornais de fim-de-semana encontro uma promoção. Voos low cost de Lisboa para Manchester a partir de 39.99 €. Confesso que o meu primeiro pensamento foi: Será alguma promoção “Especial Cristiano Ronaldo”? É que com tantos sms que o jogador envia e com tão grande número de mulheres ávidas por estar com ele… O novo anúncio do BES também reforça a ideia: “O Cristiano é como o dinheiro – parado não rende.”

Diário na enfermaria (5)



Eu e a Rosa somos as veteranas da enfermaria.
A Rosa - uma angolana que atravessa a enfermaria como na catwalk, os olhos rematados por umas pestanas que fariam a Penélope Cruz corar de inveja - tem paixão por cozinhar e comer. É, aliás, ajudante de cozinha, agora desempregada desde que disse ao patrão que ia ser internada
- Ele não pode fazer isso Rosa!
Rosa encolhe os ombros: - O que é que queres?
Chega o chá de ervas da manhã e a Rosa começa a ensinar-me a fazer cachupa. Chega a canja de galinha do almoço e a Rosa dá-me lições de arroz de milho. Chega o chá de ervas da tarde e a Rosa explica-me como é que se faz arroz de feijão.
No dia em que chegámos, a Rosa declarou logo que teria que ter alta na sexta-feira porque as refeições que deixou cozinhadas para o pai, o filho de 20 anos e o filho de 7 acabavam naquele dia. Mas na sexta-feira a Rosa piorou e foi para os cuidados intensivos, de onde só voltou há pouco, pálida no meio dos lençóis na cama empurrada pelas enfermeiras. Peguei-lhe na mão:
- Como é que te sentes?
A Rosa entreabriu as pestanas impossíveis e a deslocação de ar fez balançar as garrafas de soro de toda a enfermaria:
- Só te digo, Cristina, que a comida de lá é melhor do que a daqui.

Uma verdade inconveniente

Quando o escândalo Casa Pia rebentou nunca esqueci aquelas palavras de Catalina Pestana: "Quando se souber..." (nessa altura ainda todos pensávamos que iríamos saber...) "...todos os nomes implicados neste processo será um terramoto de grau..." (já não me lembro qual o grau, mas era elevado).
Fiquei eu, como a generalidade das pessoas, à espera dessas revelações, mas nada. Em entrevista dada ao semanário Sol, a antiga provedora da Casa Pia já reformulou a frase, frisando que se soubesse toda a verdade haveria um terramoto de consequências devastadoras.
Logo um coro de vozes se ergueu a criticar a sua irresponsabilidade, visto que não tem como provar as insinuações que faz. Seja como for gostei que ela tivesse voltado ao assunto, para reavivar a nossa memória, recordando que afinal os visados conseguiram levar a melhor, silenciando tudo e todos.
Não tenho dificuldade em acreditar em Catalina Pestana quanto à intensidade do putativo terramoto. Só gente com muito poder conseguiria, qual Houdini, escapar das teias da lei quando tudo parecia irremediavelmente perdido.

Peça em um acto*


(Uma sala de estar. Um televisor sem som. Na imagem a SIC Notícias, cobertura do congresso do PSD. Um casal de costas para a plateia olha o televisor. Ela bebericando uma chávena de chá, ele tamborilando de impaciência no braço do sofá onde estão sentados).
Ela: Eu achava o Filipe Menezes muito giro. Agora parece bastante mais velho.
Ele: Hã!? Giro? Giro como? (pausa para agitação nervosa do corpo) Talvez fosse bom irmos apanhar um bocado de ar à praia (começa a levantar-se mas desiste quando vê que o gesto não é correspondido).
Ela: O Pedro Passos Coelho é que continua um borracho. Sempre achei que ele tinha muita pinta.
Ele: O que é que estás a beber?
Ela: Um chá ayurvédico (pousa a chávena na mesa de centro e coloca-se de perfil para o olhar, surpreendida). Porquê?
Ele: Por nada. Há substâncias naturais que afectam a mente de uma maneira espantosa. Lê o Castañeda. O Terence McKenna.
Ela: Não conheço (pausa breve e ligeiro abanar de cabeça). O Pedro Santana Lopes tem muito estilo também. E charme. Sempre gostei de o ouvir a falar. Por que é que não o deixaram ser primeiro-ministro, lembra-me lá?
Ele: Hmm…Agora não. Vou sair durante uns minutos para comprar cigarrilhas. Se vires que demoro, não te preocupes.
(Levanta-se e sai. Som de uma porta a bater e, logo em seguida, de passos rápidos na rua. Após uns minutos, a mulher levanta-se e desliga o televisor. Na imagem, vemos Manuela Ferreira Leite).
CAI O PANO *baseada numa história real

Adorava ter escrito isto

É uma das melhores “falas” que descobri desde sempre em filmes. Escutei-a num western com Marlon Brando no principal papel: Um Homem Sem Medo (no original, The Appaloosa, realizado por Sidney Furie em 1966).
Nos momentos iniciais, um Brando fatigado e barbudo chega a uma cidade fronteiriça, no sul dos Estados Unidos, e a primeira coisa que faz é dirigir-se a uma igreja para se confessar. E o que confessa ele? “Pequei, padre. Matei muitos homens e amei muitas mulheres. Mas os homens mereciam morrer e as mulheres queriam pecar. E discutir nunca foi o meu forte...”
Confesso agora eu: adorava ter escrito isto.

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Ainda a coincidência do dia


Amanhã, pelas 19.30H na FNAC do Colombo, a blogocoisa vai dar que falar. E de que maneira! O lançamento do livro «Quarta República», compilação de textos dos diversos autores do blogue com o mesmo nome, promete concentrar as atenções. Não só pela apresentação a cargo de Manuela Ferreira Leite ou a presença do prefaciador Francisco José Viegas, mas também e principalmente porque estarão reunidos todos os seus autores: A. Pinho Cardão, Clara Carneiro, David Justino, J. M. Ferreira de Almeida, Margarida Corrêa de Aguiar, Massano Cardoso, Miguel Frasquilho, Suzana Toscano, Tavares Moreira e Vítor Reis. Estou de acordo com o José Manuel Fernandes (ver post abaixo): Portugal precisa da Quarta República. Pelo menos desta. Lá terei eu que entrar no Colombo (suspiro).

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Palavras que odeio (6)

Despiciendo

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A coincidência do dia

«De quando em vez alguém propõe uma nova Constituição. Ou seja, um novo regime. São os descontentes com a Terceira República e os proponentes de uma Quarta. Mas acumular Repúblicas nunca deu grandes resultados». Pedro Mexia, no Gattopardo.
«Perdoem o atrevimento: e que tal uma IV República»?. Título do editorial de José Manuel Fernandes, no Público.

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Na moda (12)











O Osvaldo Martins apresentou um styling curioso com os manequins de barbas compridas e orelhas de plástico, exclusivamente roupa masculina em tons pastel, castanho e cinza, com algo de vintage mas de linhas muito actuais. Desfilaram calções de banho, fatos elegantes e roupa mais informal, mas tudo com apontamentos personalizados que faziam a diferença.
Nos bastidores, apesar de cansado falou muito brevemente comigo. Gabo-lhe a paciência. Perguntei-lhe quem gostaria de vestir: o Johnny Depp, que considera um personagem muito elegante. E as mulheres portuguesas? Precisam de arriscar mais, e eu concordo. Recordei-lhe as palavras da socióloga Benedetta Barzini ao Público "As roupas nunca mentem sobre a sociedade em que estamos" com as quais ele não pode estar mais de acordo e falou-me das espanholas e da forma solta e alegre como vestem.
Touché, Osvaldo.

Na moda (11)





Finalmente a Anabela Baldaque trouxe alguma cor: o vermelho, o lilás e os estampados alegres. A maioria dos modelos iam perfeitamente com a minha cara mas certamente muito mal com a minha carteira. Sem dúvida roupa muita elegante capaz dos maiores milagres. Freguesas bonitas podem fazer freguesas felizes, ou vice-versa.
Assistência variada com políticos como Jorge Lacão e Maria de Belém Roseira, de novo muito jet set e jornalistas conhecidas, mas ninguém tão famoso como o José Castelo Branco, acompanhado do filho, cuja entrada fez furor. E fico por aqui, sem palavras e sem fotografias.

Segunda-feira, Outubro 15, 2007

Encontro ao fim da tarde


Encontrei o Adolfo Ernesto, de faces avermelhadas e com os bofes de fora, em plena busca por uns lombinhos de carne argentina num Pingo Doce ali para os lados do Arco do Cego. Poucos o saberão, mas foram dois irmãos portugueses que levaram as primeiras vacas até ao país das pampas. E foi isto mesmo o que lhe disse, após apertar-lhe com genuíno regozijo a mão algo suada. Sem que nada o fizesse prever, numa reacção incompreensível, logo desatou aos gritos comigo em pleno corredor dos lacticínios. Indiferente aos olhares, em especial os lançados por um simpático casal de lésbicas estupefactas e semelhantes a suricates que connosco partilhavam a secção dos congelados, vociferou que eu podia - palavras suas - «enfiar a tua retórica pedagógica à Hermano Saraiva no mesmo lugar em que se encontra o dicionário de rimas, ó poeta de peluche». De início, assustei-me deveras e alertei-o para a subida da tensão. Mas logo percebi o que realmente apoquentava o meu amigo de longa data (sou aliás um dos poucos a conhecer a causa da troca de diversos fusíveis no interior da sua larga cabeça): Confessou-me que o desabafo decorria da pressão de ter já, por duas vezes, colocado textos no Corta-Fitas com um sucesso incomensurável e dezenas de comentários. Sofria agora - explicou-me após sorver um chá de tília na pastelaria vizinha - de um daqueles bloqueios que surgem após um início tão auspicioso quanto criador de uma expectativa colectiva. Os leitores, e em especial as leitoras, aguardavam agora uma série de «postas» (ele diz mesmo assim, postas) ainda mais brilhantes do que as primeiras.
Confesso que, ao ouvir um dislate daquele calibre, reprimi a custo uma gargalhada tonitruante. Mas a expressão façanhuda, acentuada pelo cofiar nervoso da barba, não dava lugar a qualquer dúvida: O Adolfo falava a sério. Despedi-me prometendo que escreveria umas palavras aos leitores, preparando caminho para o seu regresso. Agradeceu-me, quase sorriu e o ânimo inchou-lhe o peito com a vontade férrea da escrita. Já sem olhar acenou-me apenas, enquanto escrevia as primeiras palavras da «posta» na toalha de mesa. Quais foram elas em breve saberemos.

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Postais blogosféricos

1. Gattopardo, o novo blogue do Pedro Mexia e do Pedro Lomba. A seguir com atenção.
2. E-screve é nome de blogue. Gostei da visita que lá fiz.
3. Um abraço de parabéns ao Rui. Pelo primeiro aniversário do seu Portugal Contemporâneo.
4. Também de parabéns está o José Gomes André, que há um ano escreve Bem Pelo Contrário.

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Populismo, palavra maldita

Confesso que começo a ficar cansado da palavra “populismo”. Não há hoje análise política em Portugal sem que este famigerado termo se multiplique à velocidade dos pães bíblicos, servindo para nomear tudo e o seu contrário. “Populismo” passou a abarcar quase tudo quanto mexe. E quando se pretende criticar alguém sem saber muito bem justificar tal crítica, logo irrompe o nefando vocábulo, tão previsível como as ondas do mar a bater na praia. Rapidamente a fórmula, de tão generalizada, ficou esvaziada de conteúdo.

Afinal o que é o populismo?
- As “conversas à lareira” de Franklin Roosevelt faziam dele um populista?
- John Kennedy, ao aparecer junto da mulher Jacqueline, grávida de muitos meses, e fazendo disso um decisivo trunfo eleitoral na campanha presidencial de 1960, era populista?
- Harold Wilson, que se fez fotografar e filmar ao lado dos Beatles para firmar a sua frágil liderança dos anos 60 no Reino Unido, seria um notório populista?
- As disparatadas declarações de Mário Soares sobre a vida afectiva do seu adversário Francisco Sá Carneiro, na eleição legislativa de 1980, tinham um cunho populista?
- Seria populismo o facto de Cavaco Silva fazer profissão de fé anti-europeísta quando dava os primeiros passos como líder do PSD em vésperas da assinatura do tratado de adesão de Portugal à CEE?

Também Churchill poderia ser acusado de “popularizar” a actividade política com as suas fórmulas simples e certeiras, bem sonantes em cabeçalhos de jornal (nada mais natural em quem exerceu o jornalismo antes da política), e aquele V da vitória que ficava excelente em qualquer fotografia. Já sem falar do general De Gaulle, que tinha o hábito de fazer plebiscitar as suas políticas, o que lhe valeu a acusação de pretender “governar por referendo”, em permanente adulação das massas. Hoje ninguém nega que foram ambos estadistas, Churchill e De Gaulle – dos maiores que o século XX conheceu. “Populismo”, portanto, vale para tudo: para o pior – e para o melhor. Seria bom que começássemos a usar outros termos. Para percebermos melhor do que se fala.

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Avança

Santana Lopes avança mesmo para a liderança do grupo parlamentar do PSD. Como escrevi aqui, contrariando pelo menos este atento observador da política doméstica. Parece-me óbvio que Santana tudo fará para transformar a bancada social-democrata num trampolim mediático que lhe facilite o regresso à Câmara de Lisboa. Faltam dois anos para as próxinmas autárquicas.

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Palavras que odeio (5)

Contratualizar

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A questão religiosa

Ao navegarmos pela blogosfera surpreende-nos como a velha querela jacobina contra as instituições católicas está actualmente tão encarniçada. Parece que a blogosfera funciona como uma camada submersa do discurso político, um tubo de ensaio da retórica oficial, na experimentação de novas receitas ou atalhos na senda do poder redentor. Neste campo de batalha virtual, que abrange ainda uma franja pouco representativa da sociedade, o discurso assume-se mais irresponsável porque menos consequente. Outra constatação é a de que os novos "mata-frades" são hoje insaciáveis neo-liberais, de proveniências ideológicas obscuras, ou simplesmente da tradicional esquerda "pouco sociável". Se não for por isso, custa-me a entender a patológica fixação que a cristandade exerce sobre a tirânica e inquisitorial inteligenzia regimental.
Mas no campo da batalha política real, nos media massificados, a propaganda anticlerical e a assunção da sua ancestral antipatia pela instituição católica ganha também novo fôlego, encontra hoje um terreno mais fértil: a religião não tem boa imprensa e a nova burguesia urbana está ressabiada com as suas origens, ofuscada com as cintilantes luzes da cultura shopping, onde não há noite, não há dúvidas e não há “ser”. Definitivamente o sentimento religioso mostra-se um comprovado empecilho à afirmação da auto-suficiência do comum dos mortais e para uma vida orientada para o prazer ou, mais genericamente, para o "mais fácil". O secularismo hoje mostra as garras, num ímpeto de que não há memória.
Não tenho dúvidas de qual é o ancestral desígnio jacobino. Só por ingenuidade ou má-fé alguém não entende que a luta da religião católica, hoje como ontem, sempre foi pela sua sobrevivência. Mas esquecem os seus inimigos que nessa matéria a Igreja, com todos os seus defeitos e virtudes, tem séculos de experiência. A radical proposta de Cristo é por natureza incómoda e inquietante, um “Calcanhar de Aquiles” para as prioridades mundanas e relativismos axiológicos ou meramente instrumentais. Uma mensagem de Amor que lhe confere uma força inabalável para qualquer nova cruzada.

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Diário na enfermaria (4)

A D. Joselina tem um talento raro. Dona-de-casa, 60 anos, no primeiro contacto parece igual a todas as donas de casa de 60 anos, com um atencioso marido em todas as visitas e filhas e noras surpreendentemente iguais (os filhos e genros só telefonam e estão sempre muito ocupados em reuniões, mas também devem ser iguais entre si).
O primeiro sinal do talento da D. Joselina mostrou-se pouco depois de ela se deitar na cama. Stela, a cigana romena da cama ao lado, num silêncio hostil desde que foi apanhada a fumar na casa de banho, desatou a falar numa mistura de romeno e espanhol. De onde estou, só lhe via os braços morenos agitados no ar e a boca sem um único dente. A D. Joselina ouviu tudo, acenava e às vezes respondia em voz baixa.
Depois, foram as doentes das camas em redor, apoiadas nos cotovelos para poderem falar com a D. Joselina por cima das outras.
Como a D. Joselina piorou bastante, deixou quase de se mexer na cama. Da minha parede começaram a levantar-se mulheres em camisa de noite, a arrastar o suporte do soro para atravessar a enfermaria e chegar perto da cama da D. Joselina. Falam, falam, falam, e vejo-as regressar com o suporte de soro pela mão e os olhos molhados.
Passei agora pelo corredor. A D. Joselina está numa maca, a soro, à espera de ser levada para o bloco operatório. A seca enfermeira ucraniana precisou de ir buscar qualquer coisa a um armário atrás da D. Joselina. Foi o suficiente. À medida que me afastava, ouvia a voz da ucraniana tornar-se doce: - Sim, sim, D. Joselina, tenho um menino de nove meses! Quando estou no turno da noite ele fica com o pai e depois comigo....
As Nações Unidas deviam fazer uns castings pelos países, tipo Família Superstar, para descobrir talentos destes. Tenho a certeza de que a D. Joselina poderia ser uma pedra fundamental no diálogo das nações.

Os novos livros infantis

Gosto de oferecer livros às crianças e, mesmo sem filhos, tenho vários em casa, estrategicamente colocados ao nível dos seus olhos e mãos, para os rebentos dos casais amigos estarem entretidos. Alguns já lá vão, direitinhos, o que me deixa sempre contente. Ontem, numa livraria, procurava mais um livro infantil para oferecer. Na minha busca faço sempre descobertas deliciosas. O Papá vai Casar (Livros Horizonte) foi o título que logo saltou à vista. O divórcio e posterior casamento de um dos pais são realidades cada vez mais comuns a muitas famílias mas nem sempre de fácil compreensão para os filhos. Aqui está um livro que pretende ajudar a esse entendimento e diálogo, ou não se tivessem os livros adaptado à realidade desta nova sociedade. No entanto, não encontrei a versão A Mamã vai Casar… deve estar na gráfica.



Brevemente, pequenas entrevistas de bastidores com Vicky Fernandes, Lili Caneças, Osvaldo Martins e José António Tenente, a quem agradeço a gentileza.

Na moda (10)











Sob o signo do chocolate
O desfile de Pedro Mourão teve um Willy Wonka em versão portuguesa, calças esguias, muitas cores pastel, castanhos, écharpes, cinzas, casacos curtos de malha, em modelos muito elegantes e cosmopolitas. Por falar em modelos, podem não acreditar, mas andava por lá um Michael Scofield mais novo e mais baixo. E não era no Prison Break, era mesmo ali na passarela.
E prendas? Verifiquei sem surpresa que estava na escala zero do prendómetro. Mesmo assim, cheguei a casa com vários porta-chaves, uma agenda janota, um vaporizador de água, um guarda-chuva e um saco vermelho com diversas revistas e.... o Diário de Notícias.





Na moda (9)











O desfile de Ana Salazar iniciou-se sem música e com as modelos a desfilar em silêncio. Uns minutos depois surge a estilista com um rádio na mão, palmas, música e saem modelos em tons esbranquiçados e chapéus de feltro branco. Seguem-se vestidos de malha em preto e cor de tabaco, vestidos estampados em seda, calções, mais preto, branco, calças, sandálias de cunha e t shirts de alças bem giras. E como não podia deixar de ser, alguns modelos ousados, mas nestas coisas é preciso ousar.
Logo à minha frente, no lado oposto da bancada, as primeiras filas estavam cheias de vips, desde o presidente da Câmara até muitas caras que conheço das revistas e outras que não conheço. Mas eles conhecem-se todos.
Um dos mais importantes cronistas sociais (pareceu-me simpático) estava literalmente sentado aos meus pés, o que neste caso significa que tem um estatuto bem mais importante que o meu. Segundo percebi, totalmente ignorante destas andanças, a primeira fila é a special one.
E calor, caros leitores, muito calor.

Na moda (8)












A edição de Sábado começou com António Tenente, seguindo-se Ana Salazar, Pedro Mourão, White Tent, Aleksandar Protich, Lidija Kolovrat, Lion of Porches e por fim Maria Gambina.
Os desfiles começarm muito bem com os modelos de Tenente mas muito mal para mim: sem pilhas, a máquina fotográfica naturalmente não trabalha. Um fotógrafo simpático apiedou-se de mim e emprestou-me um par até final do dia. Imagino o que deve ter pensado, mas disfarçou muito bem. Não volta a acontecer.
Elegantes e suaves, muito a meu gosto, os modelos de Tenente. Alguns deles ficariam muito bem no meu armário e com alguns quilos a menos ficariam ainda melhor no meu metro e setenta.

Tempo de espera

Gostei do primeiro discurso do Menezes e gostei do segundo. É suficiente para me reconciliar com o meu partido? Não. Os dois discursos remetem para a acção e é nela que encontrarei ou não razões para retomar a militância. Mas o congresso foi muito melhor do que eu previa e isso já é qualquer coisa num país em que quase ninguém parece ter esperança.

Minhoca


Foi encontrado no Verão, numa lixeira, ainda de olhos fechados, por uma espécie de fada madrinha que o recolheu e alimentou a biberão. Conheci-o através de um site de animais para adopção. Era então uma bola de pêlo de mês e meio. Chamei-lhe Minhoca.
Eu, que sempre preferi ter cães, estou agora a aprender o que é o amor de um gato. Caprichoso, só se aninha no meu colo quando quer. Mas nos raros momentos em que arredonda os olhos e os fixa nos meus, eu percebo que seja o que for que o bichano sente por mim não vai mudar nunca. E isso é comovente e contagiante. Devíamos aprender estas coisas com os bichos.

Domingo, Outubro 14, 2007

E agora uma coisa completamente diferente

Dizem-me que o negócio de entrada da Cofina no capital do SOL está por dias.

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PSD: notas do congresso (20)

Luís Filipe Menezes falou durante quase uma hora e meia a encerrar o congresso laranja. Deve ter parecido pouco à esquerda pura e dura, habituada aos discursos de cinco horas de Fidel Castro e à verborreia de Hugo Chávez, que chegou a falar oito horas seguidas. Mas na Europa envernizada já não se usa: sobretudo quando se priva do almoço os congressistas, vários deles com óbvia cara de fome. Menezes deve aprender a lição de Cavaco Silva na Figueira da Foz: mal conquistou o partido, prometeu conquistar o País falando pouco e trabalhando muito. E assim foi. É uma receita velha como o mundo. Mas não conheço outra mais eficaz.

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Ler os outros

Para um olhar mais plural - e em certos casos bem divertido - sobre o congresso do PSD vale a pena espreitar o que os nossos colegas têm escrito nos seus blogues. Neste, por exemplo. E também neste. E já agora nestes dois.

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PSD: notas do congresso (19)

Não foi um congresso do partido: foi um congresso de meio partido. O outro, que nada tem a ver com este, já está a afiar facas. Ouçamos Marcelo Rebelo de Sousa logo à noite, espreitemos os textos de Pacheco Pereira daqui a nada. Interpretemos o pesadíssimo silêncio do ausente Rui Rio, que já começou a correr por fora. E não só. Vejamos com quem nos próximos dias almoçará ou jantará Paulo Portas, naturalmente preocupado com esta concorrência alaranjada. Espreitemos certos editoriais de certa imprensa e a coluna engagé de José António Lima no Sol. Analisemos os recados das perpétuas "reservas" do PSD nas páginas do conspícuo Expresso. Já se ouve o tinir das espadas, como dizia o general Carmona em vésperas do 28 de Maio. Luís Filipe Menezes passou para o outro lado do espelho: sai de Torres Vedras como líder de meio partido. Só liderará todo o partido no caso de uma vitória eleitoral - nunca antes de 2009. Ou quando ocorrer a cisão que me parece cada vez mais inevitável.

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Diário na enfermaria (3)

Para a administração do hospital, as famílias são constituídas por homem, mulher e um filho. Por isso, há na enfermaria das mulheres um horário de visita especial, à noite, para "o marido e o filho". Chamo a enfermeira de meia idade que me deu a informação:
- Enfermeira, eu não tenho marido mas quero que venham os meus filhos nessa hora com alguém.
Sinto o peso dos olhos frios da enfermeira, direita, a olhar para a minha cara deitada na almofada. Olha como se essa situação nunca tivesse ocorrido e se devesse a uma falha de carácter minha.
A uma batida de coração, baixa-me a tensão arterial e sinto-me tentada a fazer de vítima. Na batida seguinte, sobe a tensão arterial e decido sustentar aquele olhar.
Ela resigna-se, e agora só as rugas no canto da boca mostram que acha que estou a tentar criar problemas:
- E quem é que vem com os seus filhos?
- Não sei, quem os puder trazer, depende da disponibilidade. Um tio, uma avó, um amigo...
A enfermeira acha que eu estou a passar das marcas e decide pôr-me no lugar: - Tem que dizer quem é a pessoa, essa visita é só para os familiares mais próximos e a senhora tem que dizer quem são.
- A avó - digo, vencida pelo cansaço e a sentir o olhar dela cravar-me na pele a letra escarlate.

Domingo

Evangelho segundo São Lucas 17, 11-19

Naquele tempo, indo Jesus a caminho de Jerusalém, passava entre a Samaria e a Galileia. Ao entrar numa povoação, vieram ao seu encontro dez leprosos. Conservando-se a distância, disseram em alta voz: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». Ao vê-los, Jesus disse-lhes: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes». E sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra. Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto em terra aos pés de Jesus, para Lhe agradecer. Era um samaritano. Jesus, tomando a palavra, disse: «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?». E disse ao homem: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou».

Da Bíblia Sagrada

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PSD: notas do congresso (18)

Santana Lopes continua a ser notícia: as televisões insistem que ele "devia ter falado" no congresso. À falta de melhor, exibem declarações dele, gravadas há horas, a garantir que não fala. Até porque está "um bocadinho constipado". Coisas que acontecem quando a temperatura baixa.

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PSD: notas do congresso (17)

Ângelo Correia sublinha o óbvio: deste congresso sairá a Comissão Política "possível". Muito nortista, pouco elitista, nada liberal. E apenas com duas mulheres - sendo Zita Seabra uma delas. O PPD histórico também era assim. E tinha só uma mulher - Helena Roseta. Apesar de tudo, evoluiu-se alguma coisa de então para cá. Ou talvez não.

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Anúncio da cerveja Super Bock

“Perfeito perfeito era explicarem onde foi parar a Feira Popular.”

(Outdoor de publicidade em Entrecampos)

Palavras que odeio (4)

Obstaculizar

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PSD: notas do congresso (16)

Terminou o suspense. Santana Lopes não falará. Pergunta-lhe o repórter televisivo:
- Porque não fala?
Resposta dele:
- Porque não.

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PSD: notas do congresso (15)

Pedro Passos Coelho, autor da melhor intervenção do dia, soube marcar o terreno: será um dos líderes que vão seguir-se. Resta saber se do PPD ou do PSD.

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PSD: notas do congresso (14)

As televisões relatam o congresso em toada de reality show. Santana Lopes vai falar, anunciam. Santana afinal não fala, confidenciam logo a seguir. Fala, não-fala, fala, não-fala, fala, não-fala, fala, não-fala. Alguns comentadores dessas mesmas televisões indignam-se depois contra o "populismo" na política. Fica-lhes bem o ar tão sério.

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PSD: notas do congresso (13)

Manuela Ferreira Leite rejeitou o convite público que lhe fez Menezes para continuar a presidir à Mesa do Congresso. Nada para admirar: Ferreira Leite não é militante do PPD.

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Sábado, Outubro 13, 2007

Obrigado, mas desta vez passo

«Faça uma visita virtual ao PSD», Título do Portugal Diário.

O Portugal possível

O espaço mediático do CDS foi definitivamente reduzido à sua expressão eleitoral. Ou será que Portas se reserva, qual sabática crisálida, a ressurgir esplendorosamente num mais oportuno amanhã?
O BE é um fenómeno de omnipresença. Marca a agenda da oposição, da esquina de qualquer página de jornal, em qualquer noticiário ou canal de noticias, pelo pulso do reverendo Louçã ou pelo delicado nervo da comovente Sra. Drago.
É neste pano de fundo sob o qual, expectantes e incrédulos, acompanhamos o congresso do PSD na pista de uma réstia de luz neste Portugal possível.
Entretanto o Sr. Pinto de Sousa marcha triunfal, de pen em riste, com um giga de sensibilidade social – a caminho da glória... fácil.

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PSD: notas do congresso (12)

Manuela Ferreira Leite, com um discurso "de Estado" e pose a condizer, levantou o congresso. Foi a única a consegui-lo até agora. Ouço-a e penso: esta mulher podia ser líder. Mas do PSD, não do PPD.

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PSD: notas do congresso (11)

Boa notícia para Menezes: Mota Amaral aceitou presidir à lista do líder ao Conselho Nacional laranja. Outra boa notícia: Aguiar Branco, eterno candidato a candidato a candidato, não aceita integrar nada. Se (António) Preto não faz falta, Branco também não.

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Diário na enfermaria (2)

Só há três temas na enfermaria: a morte (como fugir dela); a dor (como evitá-la); os filhos (suspiros generalizados). O ar está tão pesado com estas preocupações que contagia as parcas visitas permitidas à tarde, e o tempo dos forasteiros é todo gasto em informações sobre tensão arterial, níveis de hemoglobina e filhos. Por isso, e também porque resolvi guardar o escasso acesso à internet para o "Diário na enfermaria", sei muito pouco sobre o que se passa no mundo e, verdadeiramente, não me interessa saber mais.
Apesar de tudo, é difícil explicar a ansiedade que toma conta de mim antes da chegada da Dona Preciosa, que acontece sempre entre as sete e meia e as oito da manhã. A Dona Preciosa já foi funcionária das limpezas do hospital, mas depois vieram ventos de modernização e ela passou a ser funcionária da empresa que limpa o hospital em outsourcing, o que não influenciou nada a rotina da Dona Preciosa, nem sei se chegou a alterar-lhe a cor da bata.
A Dona Preciosa é a minha Sky News, a minha CNN, a minha SIC Notícias, a minha TSF, o meu Correio da Manhã, o meu DN. O separador para este momento noticioso chega com o chiar lento das rodas do pesado carro que empurra, cheio de detergentes e esfregonas e, por cima dos espanadores, os caracóis brancos da Dona Preciosa numa mise fora de época a avançarem pelo corredor.
Para minha desgraça, a dona Preciosa começa sempre a limpeza do chão pela parede oposta à minha e são as ocupantes dessas camas que recebem em primeira mão os destaques mais importantes do dia. Esforço-me por conter a impaciência. Quando chega à minha cama, estão esgotadas as manchetes e as chamadas de primeira página. Mas eu preciso que a dona Preciosa me conte alguma coisa, só a mim.
- E o Nobel da Paz, Dona Preciosa? Sabe quem é que ganhou?
- Foi aquele do aquecimento. - A Dona Preciosa crava a esfregona no chão e firma-se no cabo, na posição do Infante D. Henrique nos painéis de S. Vicente - E, realmente, minha filha, está muito calor.

PSD: notas do congresso (10)

Largas dezenas de congressistas abandonaram a sala onde decorrem os trabalhos para acompanharem o Azerbaijão-Portugal em directo na televisão. Nestas alturas percebe-se melhor como o PSD continua a ser um partido muito português.

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PSD: notas do congresso (9)

Devia ser o congresso de Menezes, mas quase só ouço falar em Santana Lopes. É impressão minha ou começa já aqui a haver uma espécie de liderança bicéfala?

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PSD: notas do congresso (8)

Não podia ter sido pior escolhida a data para este congresso. De manhã, o PSD teve a concorrência de Fátima. À tarde, vai ter a concorrência do futebol. Haverá fado à noite?

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Modernices

Leio que há uma nova tendência na capital britânica, nomeadamente o sucesso de um restaurante londrino – o Acorn House em King´s Cross – que tem recebido as mais elogiosas críticas devido às práticas que tenta efectivar para reduzir o impacto no ambiente. Por exemplo, para o Observer trata-se “do restaurante mais ético da Grã-Bretanha”.
Recentemente, o chef da Acorn House, Arthur Pott-Dawson, afirmou que o seu sonho é extinguir o papel higiénico das casas de banho do restaurante. Entretanto, já insistiu em apagar todas as luzes para economizar electricidade. Esta segunda parte parece-me bem, até porque um jantar à luz de velas tem sempre aquele toque aconchegante… Mas a história do papel higiénico é capaz de demorar a pegar… Arthur esclarece ainda: “Os japoneses, por exemplo, usam um sistema que é como um bidé, que lava e depois seca, como um secador de cabelo."
Não sei se alguém já experimentou. Aconselha-se?
Como diria o falecido Fernando Pessa, “E esta, hein?”

PSD: notas do congresso (7)

Afinal, contrariando o que anunciara, Nuno Morais Sarmento lá se dignou comparecer hoje em Torres Vedras. Diz que não poderia faltar ao congresso, que é "sempre uma festa", mas ostenta uma expressão mais própria de um velório. Percebe-se por que mudou de ideias e decidiu mostrar-se: é pura marcação de terreno. Abriu a corrida à liderança da oposição interna à nova liderança. Pedro Passos Coelho estava na grelha de partida dessa corrida, o que levou Morais Sarmento a abandonar o seu sossego, não fossem esquecer-se dele. A vida política, por vezes, é uma verdadeira maçada.

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Diário na enfermaria (1)


A última vez que estive num hospital andava-se em bicos dos pés pelos corredores e as salas tinham placas a ordenar silêncio, por isso nada me preparava para o que vim encontrar. O primeiro choque dá-se às seis da manhã. As lâmpadas de neon do tecto são todas ligadas e o despertar é feito a chapadas de luz. Ao longo do dia, apesar do sol jorrar pelas altas janelas, as luzes do tecto estão sempre acesas, num excesso de luminosidade doloroso.
Por volta das dez, os dois televisores do tecto são ligados, um dia no programa do Goucha, outro dia no programa da Fátima Lopes. As histórias estridentes tratam sobretudo de casos de saúde. Nunca tinha reparado que a palavra hospital era dita tantas vezes na programação da manhã.
Mas o som mais agressivo é muito anterior. Começa às sete da manhã, dura até às dez da noite e chega por umas pequenas colunas junto ao tecto alto. Aqui, a programação não varia, está sempre na RFM, e não está baixo.
No espaço todo da sala impera a batida forte do rock'n'roll. "I want your body, you make me crazy, c'mon baby, moove next to me". Cá em baixo, junto ao chão, um grupo de mulheres pálidas, no meio dos lençóis, os olhos fixos no vazio. De vez em quando, ouve-se um gemido. De dor.

Na moda (7)










Não podia estar melhor instalada. Do lado de lá da passarela estavam destacadas figuras loiríssimas do jet set, à minha frente alguns conhecidos críticos de moda e ao meu lado dois simpáticos fotógrafos, a quem perguntei porque batiam palmas quando entravam os modelos. Um deles disse-me que eram as modelos mais giras, outro respondeu-me que eram os modelos mais giros. Não percebi nada. Gostei dos vestidos pretos e dos conjuntos vermelhos. Parece-me que os profissionais da crítica também gostaram. A tradição já não é o que era porque nem me apercebi do vestido de noiva. Mas deu para perceber a diferença entre uma boa manequim e uma manequim em dificuldades. Afinal eram os saltos, disse alguém atrás de mim.
Este foi assim o último desfile de Quinta-Feira, com os modelos de Filipe Faísca. Sexta não tive vontade de festas, mas estarei certamente no Sábado, com os desfiles a ter início às 12 horas com José António Tenente, seguindo-se Ana Salazar, Pedro Mourão, White Tent, Aleksandar Protich, Lidija Kolovrat, Lion of Porches e termina às 22h00 com o desfile Maria Gambina
Não estou esquecida dos sacos com prendas.



Na moda (6)




Na Press Room estavam os profissionais à séria: junto a computadores escolhiam fotografias e escreviam artigos. Constrangida, escondi a reles máquina fotográfica e safei-me com o toque de uma espécie de campainha para o início do próximo desfile. O meu fantástico cartão deixa-me entrar sem passar pela casa de partida. Tenho lugar de imprensa, digo eu. Miss Pearls? pergunta uma menina da organização. Eu mesma, de template amarelo meio perdido. Obrigada Manuela. Salvou-me a noite.

Palavras que odeio (3)

Governabilidade

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Na moda (5)



O intervalo entre desfiles é outro mundo. Suponho que para a semana venha tudo isto nas revistas cor de rosa, porque do ambiente trato eu. Entre jet set, senhoras bcbg, modelos, estilistas, jornalistas a sério, profissionais do ramo, havia de tudo um pouco. Até eu, uma outsider. Mas sobre mim não rezam as crónicas. O gin não era nada mau e a invisibilidade tem as suas vantagens, assim como o fantástico cartãzinho de imprensa. Uma palavra de agradecimento para a Rita Rolex, uma verdadeira simpatia e grande profissional: deve ter percebido logo que este template amarelo é muito pouco fashion.
Por falar nisso, veêm-se muitos corpos esguios, outros nem tanto e alguma falta de espelhos: não sou fashion mas vejo bem.
Fez-me ali falta uma amiga conhecedora do livro antigo, da Harper's Bazaar e da Paris Match e não era exactamente para discutirmos a descrição dos manuscritos..
Lá fora, quem me tira O anonimato, tira-me tudo.

Na moda (4)



uma vista de olhos pela zona social. As meninas que se alinhavam para transformações de cabelo e maquilhagem não precisavam de todo de uma nova imagem, mas eu própria, por uma vez, no século XIX, já passei por isso. Nunca o cabelo demorou tanto tempo a crescer.
E para que os fregueses não pensem que exagero, aqui ficam as eleitas do casting para a publicidade a uma marca de bebidas e de electrodomésticos.

Gostei de ler

Saiu-lhes o euromilhões? Do Sérgio de Almeida Correia, n' O Bacteriófago.
Sensibilidade social. Do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
A "visita policial" na Covilhã. Do José Gomes André, no Bem Pelo Contrário.
Um caso à beira-serra. De Rui Bebiano, n' A Terceira Noite.
90 anos. Do Filipe Anacoreta, n' O Cachimbo de Magritte.
Al Gore e o Nobel. De João Miranda, no Blasfémias.
Filme Gore. De Pedro Vieira, no Irmão Lúcia.
Histórias e memórias. Do Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas.
Quem não é por nós... Do Paulo Cunha Porto, n' As Afinidades Efectivas.
O Che morreu. E Tatu onde está? Da Helena Matos, no Blasfémias.
Downgrade. De Miguel Marujo, na Cibertúlia.
Ser todo ouvidos. De Álvaro Damiaças, Nos Cromos dos Cosnos.
O poder da estética. Do André Carvalho, na Geração Rasca.
Povos de banho e povos de bedum. Do Miguel Castelo-Branco, no Combustões.

Na moda 3












Ainda não estava na Cidadela de Cascais há cinco minutos e já estava com vontade de uma urgente extreme makeover. Nunca tinha estado em nada parecido, isto é, num mundo idealizado para as mulheres, de preferência magras, novas e bonitas. À minha volta havia, claro, dezenas de mulheres magras, jovens, bonitas e aparentemente simpáticas. Foi, aliás, este pormenor que me salvou a noite: não podem ser todas perfeitas, portanto, nem todas serão genuinamente simpáticas, logo, um ponto a meu favor. Foi com este cepticismo que me enchi de coragem, andei por lá e gostei.
Devo dizer que cheguei tarde. Ainda consegui ver, por entre imensas cabeças à minha frente, muitas pernas do final de um desfile. Tinha sido a Katty Xiomara e até já conhecia algumas peças dela pela televisão. O que vi ao longe pareceu-me bem, mas é tudo.
No final, os convidados encheram por completo a zona social (acho que se chama assim) e reparei que alguns traziam uns sacos. Deviam ser prendas. Pode ser que alguém reparasse no meu fantástico cartão de "press". Pensei em cremes, perfumes, escovas do cabelo ou assim. Mais animada, vejo o jet set encalorado dirigir-se para uma sala no exterior e para onde fossem, eu ia também. Talvez o cartãozinho me desse tudo a que tinha direito. E deu mesmo. Mas antes...


Sexta-feira, Outubro 12, 2007

PSD: notas do congresso (6)

Nada pode favorecer tanto Menezes como o facto de as expectativas sobre o seu mandato serem tão baixas.

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PSD: notas do congresso (5)

Menezes foi eficaz na oratória. Mais do que Mendes, o que não é grande proeza.
Em nome do PSD, prometeu que a década 2010-2020 "será a década do partido". Anunciou que haverá porta-vozes permanentes, marcando as diversas áreas governamentais, e afirmou o princípio da renovação de todos os órgãos sociais-democratas.
Em nome do PPD, garantiu que com ele ao leme acabou o período de autoflagelação do partido na esfera autárquica, disparou contra as "pseudo-elites esgotadas e descredibilizadas", que permaneceram à margem deste congresso, e proclamou que Portugal "precisa de uma nova Constituição". Não falta aqui matéria para bons títulos de jornal.
Foi sobretudo eficaz na contundência das críticas que fez a Sócrates. Ou me engano muito ou o primeiro-ministro passará a ter um sono mais agitado.

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PSD: notas do congresso (4)

Luís Filipe Menezes começou a fazer um discurso como líder do PSD, lendo um papel, e acabou-o como líder do PPD, falando de improviso. Foi melhor neste segundo registo - o único que se adequa às suas características. Só assim se firmará - como líder do Partido Popular Democrático. O Partido Social Democrata terá a partir de agora, noutros púlpitos, outros porta-vozes, que não se dignaram rumar a Torres Vedras. Marcelo Rebelo de Sousa, por exemplo, com o seu lugar cativo na RTP. Ou José Pacheco Pereira, nas mais diversas tribunas ao seu dispor. PPD e PSD: cada um com a sua lógica, obviamente incompatíveis. Há dois partidos neste partido que mudou de natureza. Linhas paralelas que não voltarão a convergir.

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Conclave laranja

E não é que eu gostei muito do discurso do Luís Filipe Menezes? Vamos ver o resto. Com mais interesse, apesar de tudo.

PSD: notas do congresso (3)

O Governo procurou roubar todo o impacto mediático deste congresso anunciando no mesmo dia o Orçamento de Estado para 2008 (o que poderia ter feito só na próxima segunda-feira). Esta manobra de propaganda parece ter surtido algum efeito: no momento em que Luís Filipe Menezes discursava em Torres Vedras, dando início à reunião magna dos sociais-democratas, a SIC Notícias - que tanto aprecia directos - voltava costas ao congresso e punha Mário Crespo em estúdio a dialogar com Mira Amaral sobre contas públicas.
Será isto "excelência de conteúdos". Dizem eles, não eu.

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PSD: notas do congresso (2)

Marques Mendes, derrotado por antecipação, decidiu não comparecer no congresso. Mas enviou às bases sociais-democratas uma digna mensagem de despedida, lida por Manuela Ferreira Leite. Fica-lhe bem. Saber perder é pelo menos tão importante como saber ganhar.

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PSD: notas do congresso (1)

Os eternos salvadores do partido não se dignam deslocar a Torres Vedras. Morais Sarmento, enojado com tudo e todos, foi dar um mergulho algures. António Borges, que o Expresso tantas vezes entronizou como putativo líder na primeira página, eclipsou-se. Alexandre Relvas prefere esperar sentado a milhas de distância. Melhor para eles, assim postos em sossego. E também para o partido: nos tempos que correm, nenhum destes barões assinalados seria capaz de conquistar sequer uma junta de freguesia. Apesar dos compinchas que ainda têm nos jornais.

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Canonizado em vida

O Comité Nobel decidiu intervir na campanha presidencial norte-americana de 2008, concedendo o Prémio da Paz a Al Gore. O estímulo que faltava para o antigo vice-presidente de Bill Clinton entrar na corrida à Casa Branca. Ainda vai muito a tempo. E agora com esta espécie de canonização em vida como grande trunfo eleitoral.

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... Sexta


Charlize Theron

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Afinal é Sexta-Feira


Hoje não vejo fotografias de ninfetas morenas nem de pernilongas de cabelos louros.
Será que as meninas do Corta-Fitas fizeram um take over desta Sexta-Feira? Hum...

Porque hoje é sexta-feira

A Clara rondando-me sem cessar, perguntando se eu ainda demorava muito. A imagem dela reflectida no espelho, ao lado da minha máscara feita de cansaço e de creme branco da barba. A irritar-me aquele frenezim. Mas não disse nada. Nunca digo. Quase nunca. Só perguntei porquê a pressa toda? Como resposta ouvi: apetece-me ir às compras; vá, despacha-te. Depois desistiu. Quando acabei de me arranjar fui encontrá-la no quarto, sentada na cama, a fazer coisa nenhuma. Saímos. Fui enfiado num táxi. Que ela insistiu absolutamente em pagar. Assim me encontrei à porta do Tiffany’s. - Paulo Castilho in Fora de Horas

Na moda 2

Nada melhor para iniciar o desfile desta edição da Moda Lisboa em Cascais do que música de fundo dos Roxy Music. A figura elegante de Brian Ferry fica bem em qualquer passerelle.

Roxy Music-Slave to love

Cadernos de Filosofia Política de Adolfo Ernesto (2)



A cadeira 13

O meu amigo Tó Zen esteve ontem à espera de um telefonema de Estocolmo. De manhã, olhou para o telefone e esperou que ele tocasse. Ficou cinco horas em frente do aparelho. Só mais tarde lhe disseram que uma velhinha inglesa tinha ganho.
“Confundiram os números de telefone. Já aconteceu no ano passado, com aquele rapaz turco”, explicou, encolhendo os ombros. “Não estou apenas na short list. Sei que ganhei pela segunda vez consecutiva”.
O Tó Zen frequenta o grupo de poetas exóticos do Atheneu de Gymnástica. Há também uma promissora adolescente (três sonetos e uma soneca), o poeta fofinho e um quixotista, além do autor mais fragmentado do mundo (entre outros).
As sessões são às terças, numa salinha do canto que alugaram ao grupo de maduros. O Tó Zen ocupa a cadeira 13, a única que está sempre vaga, porque aqueles que a ocupam têm imensa sorte. O anterior foi o Nunes da Seiva, de 95 anos, poeta com cerca de dois livros publicados e que nunca abriu a boca nas sessões de discussão literária. Só foi a uma reunião, porque estava conotado com a ala neo-realista e os existencialistas coligaram-se com os modernistas, porque o único pós-moderno, o Tó Zen, não chegou a votar por estar à espera do telefonema de Estocolmo, coisa que não lhe acontece apenas nos dias 11 de Outubro, mas todos os dias 11. O Nunes da Seiva acabou por ser expulso e perguntam-me, como justificar a anterior afirmação de que a cadeira 13 dá sorte? O facto é que ele ficou todo contente por ter sido expulso.
Tirando a política literária, onde é centrista, Tó Zen é esteticamente um radical como eu. “Sou um radical como tu, Adolfo Ernesto”, costuma dizer o poeta. “Não tenho o lado esquerdo do cérebro misturado com o direito, não uso bigodinho à Hitler e boina à Guevara, mas sinto-me radical. É um estado de espírito”.
Há, de facto, certo radicalismo na sua postura poética, embora não seja tão avançado como eu, que radicalizei os dois lados da minha realidade.
Os títulos mais importantes da obra poética do Tó Zen são, e cito exemplos gritantes, “a descontinuação das empresas” ou o “desenvolvimento das matas e florestas”, ou ainda “a minha vida sem défice”. Arranjar as rimas para este último foi tarefa de génio. Ele também é especialista em Haiku e escreveu um genial, sobre um enfermeiro a dar a injecção no paciente. E, como dizia o outro, o poeta é um fingidor, como se demonstra pelo facto do Tó Zen nunca ter dinheiro e, portanto, viver em défice crónico, como o País (eu sei que Sócrates não acredita, mas o défice é um estado de espírito).
Agora, eu e o Tó Zen somos também colegas. Na semana passada, quando lhe disse que ia escrever no Corta-Fitas, convidou-me para participar numa sessão do grupo de poetas exóticos do Atheneu de Gymnástica, onde todos os membros têm assento numa cadeira. A minha tinha só três pernas e aquilo mexeu comigo, pois uma parte de mim detesta discriminações. Também mexeu porque balançava e enjoei. Era a número 13, reparei. A dedicada aos pós-modernos. O Tó Zen aproveitou para ocupar a cadeira número 11.
“Como ganhei duas vezes o prémio de Estocolmo, acho que a minha obra pode agora evoluir para um estilo menos radical, Adolfo Ernesto”, explicou-me ele.

Adolfo Ernesto

Imagem: adolescente, poeta fofinho, quixotista e autor fragmentado cumprimentam o vate

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Hoje é Sexta-Feira
































As corta-fiteiras quiseram inaugurar a Sexta-Feira masculina e nada melhor do que começar com a 'prata da casa'. Hoje, é a nossa vez de os elogiarmos, porque hoje é Sexta-Feira.

"Pedimos aos 'meninos' para nos enviarem uma fotografia, que supostamente iríamos utilizar num próximo jantar (ok, foi a primeira mentira inofensiva desta nossa relação) e eles, como sempre, acederam aos pedidos cumprindo os prazos de entrega. Numa conversa, a Miss dizia e muito bem, que este blog é uma espécie de irmandade… Passo a explicar: os homens e mulheres do Corta-Fitas mantêm uma relação de respeito, amizade, amor… de irmãos…! São estes os 'nossos homens'…Ups… queríamos dizer irmãos!"
"Esta nova série não substitui a de retratos falados que eu comecei há uns tempos. É apenas o complemento que nós todas sentíamos que faltava. E afinal começamos da melhor maneira, colocando na montra os homens que tão afanosamente têm postado, com o mesmo espírito altruísta que nos inspira, tanta mocinha a necessitar de carinho e atenção!"

Miss Pearls, Inês e Teresa

Sobre o tempo que passa

Ouço Bernardino Soares na televisão a perorar sobre o Orçamento de Estado. E logo me lembro de excelentes deputados do PCP que tive a honra de conhecer pessoalmente. Deputados como Luís Sá, João Amaral, Octávio Teixeira e Lino de Carvalho. Que diferença.

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São Miguel sempre


Lagoa das Furnas vista do Pico de Ferro. A imagem ideal para me despedir de São Miguel. Levo-a comigo para sempre.

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Palavras que odeio (2)

Acessibilidade

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O Governo é bestial

A dívida pública, que no ano passado foi de 64,8% do PIB, vai baixar este ano para 64,4%.

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Quinta-feira, Outubro 11, 2007

Falta alguma coisa

Ouço José Sócrates falar sobre as contas do Estado. Estranho: não encontro nenhuma marca de patrocinador atrás.

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Última hora (2)

"Benfica joga daqui a dez dias com o Vitória de Setúbal."
Jornal de Desporto da SIC Notícias

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Última hora

"Polícia apreendeu um quilo de haxixe no Porto."
Jornal da Tarde da SIC Notícias

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Palavras que odeio (1)

Implementação

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Memorando pessoal


Não te esqueças de levar para Lisboa:
- queijo do Pico
- bolo lêvedo
- licor de ananás
- queijadas de Vila Franca do Campo

Porquê?
Porque sim.

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O Corta-Fitas está na moda

A Miss Pearls poderá ser vista hoje à noite nas passagens de modelos ou em alguma festarola da Moda Lisboa disfarçada de blogger, onde será facilmente reconhecida pelo template amarelo.
Por agora é tudo. Até mais logo, algures em Cascais. A crónica sai amanhã com mini-saias, calças, botas e o que houver por lá.
Espero dar conta do recado.

Vida animal

A propósito de Pacheco Pereira, do PSD e de ornitorrincos, vale a pena ver o que o António Manuel Venda encontrou, passando por aqui.

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Qual congresso do PSD, qual quê

A Moda Lisboa começa hoje da melhor maneira. Às 19.00H, Luís Buchinho apresenta as suas (delas) micro-saias (têm aí entre 2 a 4cm, pelo que sei). Infelizmente, só poderei ir no fim de semana mas o Corta-Fitas estará representado, fruto do apoio dado à organização na selecção dos blogues que, pela primeira vez, foram acreditados para a cobertura dos diversos desfiles. Para aqueles que tenham sido contactados, saibam que a malta aqui está sempre pronta a ajudar. Não nos enviem é a conta do cardiologista.

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Preliminares (2)

Gostava de ter sido mosca e participado dessa forma discreta no almoço que ontem reuniu António Cunha Vaz, o Zeca Mendonça e vinte jornalistas da área da política. Hoje, pelo DN e a leitura da caixinha no artigo do nosso FAL, já deu para ver que alguma parte da estratégia que era nossa está a ser aproveitada. Acho bem. As boas idéias não têm dono.
Sobre o referido almoço, a não perder o texto de hoje no Jornal de Negócios, assinado pelo Carlos Mendonça.

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Preliminares

Habilidosa a operação de marketing politico: em poucos dias o governo faz constar o anúncio dum aumento no imposto sobre os combustíveis, e seguidamente, compadecido, condescende manter o actual. Perante o magnânime sinal, o povo agradece reverente o orçamento de estado que aí vem.

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Nas colunas


do novo disco «Alto Mar».
O Pierre pediu-nos, a mim e ao Duarte, que o apoiássemos com um texto para o lançamento do novo disco. Uma honra, na parte que me toca.

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Ilha do Pico


O verdelho tomado no Lajido. O perfil do Faial recortando-se do lado de lá do canal. Os "currais" cobertos de vinhedo, muito dele de geração espontânea. A vegetação rasteira, batida pelo vento à beira-mar. O queijo com massa sovada. O ponto mais alto de Portugal. O tempo que passa mais devagar. A comunhão perfeita com a natureza. E a certeza de regressar um dia para absorver ainda melhor esta paisagem agreste, de uma beleza perene. Esmagadora.

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Quarta-feira, Outubro 10, 2007

E têm que ver isto também

Se quiserem saber de onde os Gato Fedorento tiraram o nome.

Se vos preocupa o futuro do Canadá


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Uma boa causa

Poucos dias passados sobre o cinco de Outubro, e com um estranho sentido de oportunidade, André Abrantes Amaral surpreendeu-nos com um texto no Insurgente arrogando a inviabilidade da monarquia e onde vitupera os monárquicos portugueses.
Tenho a dizer que compreendo alguns dos argumentos apresentados. Como o André, eu reconheço que o sistema monárquico sempre foi mais maltratado pelos próprios simpatizantes do que pelos seus opositores. A primeira razão sempre foi a sua manifesta incapacidade de pragmatismo e unidade em torno do "fundamental". Depois sempre houve o frívolo ruído oriundo do típico “marialva” ou pseudo fidalgote “de bigode retorcido” ansioso dum estéril protagonismo social. Tudo gente simpática aos poucos mas activos jacobinos da nossa praça.
Também sou forçado a concordar com o André, que os desafios práticos e concretos da realidade portuguesa, o nosso endémico atraso cultural e económico, a mentalidade paternalista, dificilmente seriam resolvidos pela simples deposição da república.
Mas acontece que, como diz o André, a república em Portugal nasceu de um equívoco. E a mim parece-me que há demasiado tempo que fazemos tábua rasa a demasiados equívocos. E, impassíveis, adulteramos a nossa história, mascaramos o presente e comprometemos o futuro.
Assim, não me parece sábio que se deixe cair o ideal monárquico, mesmo que ele aparente ser despropositado. Poucos anos antes do regicídio, a monarquia aparentava fimeza, os republicanos eram apenas uma franja marginal no palco político. Mas as agendas da história reservam-nos sempre espantosas surpresas.
Por mim, parece-me que somos um povo confuso nos valores e uma sociedade sem referências. Um país cujas cidades ostentam os nomes de Elias Garcia e Cândido dos Reis (quem conhece as suas obras?) nas suas mais importantes artérias. Um país que só no futebol descobre os seus símbolos é um país sem alma, em deficit de identidade. Confundido, estéril. Os símbolos de uma nação inspiram a ética e um ideal comum...
Finalmente, também concordo com o André que a discussão da “monarquia” poderá ser “bafienta”. Assim sendo, cabe então a nós elevar-lhe o nível! Estranho por exemplo, como num pais pretensamente civilizado, tardam em assumir-se núcleos de monárquicos nos partidos políticos. Custa-me a perceber de que se escondem os tão valorosos (e conhecidos) simpatizantes monárquicos na vida pública nacional. Será bafienta cobardia, ou apenas medíocre calculismo?
A monarquia é um assunto sério, e eu acredito que pode comportar a regeneração nacional. Para já, cabe à minha geração não deixar morrer a discussão, antes revitalizá-la, enriquecê-la. A largueza de perspectivas só pode beneficiar o pais, sem prejuízo da gestão corrente do Portugal possível.
Pode ser amanhã, na próxima geração ou daqui a duzentos anos. A monarquia constitucional, é um sistema intemporal e civilizado, é um ideal legítimo e patriótico. Preparemo-nos para o são e sério debate, pois a res publica merece e oportunidades não faltarão nos próximos anos.

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Nesse dia a Casa vai abaixo


Está confirmado. O Francisco nem sabe em que se meteu. Aqueles que estiveram na minha festa do ano passado, pelo contrário, avaliarão bem os efeitos de ele ter cedido a Casa Fernando Pessoa para albergar, no próximo dia 9 de Novembro, os convidados para celebrar mais um aniversário. É claro que haverá um pretexto adicional sério e literário. A saber, a edição do meu livro «As Mulheres Bonitas Não Viajam de Autocarro», especialmente dedicado ao anónimo que afirma a pés juntos não ler uma linha de poesia.
Mesmo assim, nesse dia, ele e todos/as restantes anónimos/as estão convidados/as. O programa das festas vai ser divulgado em breve. E quem não aparecer não apenas é babuíno, como depois vai ter que ouvir os amigos a contarem-lhe o que perdeu. Não digam que não avisei.
P.S. O que não vai haver é apresentações, leituras e mais não sei quê. Só música, comes e bebes. E mulheres bonitas, é evidente (a começar pelas co-autoras deste blogue).

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Geração sem TV

Há um filme em Super 8 em que a Patrícia, muito loura e sardenta, está com as mãos dentro do meu fato de banho e eu com as mãos dentro do fato de banho dela no relvado da piscina do Hotel Polana. Sem sabermos, os pais de cada um estavam a filmar-nos de longe mas com uma zoom tipo paparazzi. Deviam achar piada àquilo, pelo facto de termos seis anos. Lembro-me que ela passava a vida atrás de mim para me ver a pilinha. Mas, de facto, de beijos na boca não me recordo.

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Geração morangos


- E vocês dão beijos na boca lá na escola?

Se há coisa que eu gosto de respeitar é a privacidade das crianças, mas a ética tem os seus limites. Ao ouvir a pergunta da Sofia (nove anos acabadinhos de fazer) deixei-me ficar, à coca, à espera da resposta da Inês (oito anos). E só lhes digo que valeu a pena:

- Às vezes damos (pausa) mas não é de boca aberta. De boca aberta só dávamos na infantil.

É em momentos como estes que percebemos do que falamos quando falamos em fossos geracionais...
Nos tempos livres elas gostam de brincar com Barbies e ver os Morangos com Açúcar... What else? No meu tempo não havia Morangos e as garotinhas preferiam bonecas com rosto e corpo de criança.

Mais Alameda Digital

O site Alameda Digital está no ar, desta vez dedicado ao tema das Ideologias. Pela habitual qualidade das abordagens, justifica-se pôr na agenda uma prolongada visita.

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Saudade

Fraterno. Generoso. Solidário. Era um homem bom, Fausto Correia. Amigo do seu amigo. Um jornalista que nunca renegou as origens, um socialista que tinha admiradores em todos os quadrantes ideológicos. Não voltaremos a ouvir a sua gargalhada franca e sonora nas noites longas do Pedro V: foi-se embora cedo de mais. Como sempre acontece aos homens bons.

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Terça-feira, Outubro 09, 2007

Não havia necessidade


Lembro-me que quando Saddam Hussein foi executado muitas foram as vozes que se levantaram contra a divulgação indiscriminada das imagens do seu enforcamento. Na altura também senti que tanta insistência na transmissão de uma coisa tão chocante já não se explicava pela necessidade de informar mas pela tentação de alimentar, o mais possível, o voyeurismo das audiências.
Qual o meu espanto quando - há já largas semanas - deparei com tão escabrosas imagens inseridas num dos separadores da SIC Notícias. Ainda hoje as vi. Passam-nas todos os dias, a toda a hora. Pergunto-me se havia necessidade...

Política de chinelo

"Franciscanos do PPS são barrados no Senado". No Brasil, às vezes, ainda se faz política com humor. Muito.

Lá estarei


O Luís Filipe Cristóvão acaba de lançar mais um livro de poemas. Tendo em conta o facto de ele ser meu editor não me excederei em elogios. Limito-me a transcrever um dos meus preferidos poemas dele (publicado no Prazeres Minúsculos), a anunciar que o lançamento em Lisboa será na próxima sexta-feira (às 21.30H, na livraria BookHouse do Monumental) e a acrescentar que quem não o ler é babuíno.

a terceira pessoa

naquela pintura estão os amantes deleitados sobre a cama
e pelo escuro do retrato quase não se percebe, ao fundo,
a imagem deslizante da terceira pessoa, a que segura o copo,
que pode ser de água da vida sempre pronta a renascer
que pode ser de cicuta, breve gesto para a morte.

naquela pintura estão os amantes deleitados sobre a cama
e nos enrolados cabelos do retrato quase não se percebe
se na cama se ama ou se guerreia sem solução
o que pode ser o encontro anunciado pela manhã
o que pode ser o refúgio escondido pela noite.

naquela pintura estão os amantes deleitados sobre a cama
aqueles que irão respirar um do outro o breve gozo
amansando em sua volta o suor eléctrico dos seus corpos
que ainda podem ser de reencontro
que ainda podem ser de mor sucesso.

naquela pintura estão os amantes deleitados sobre a cama
e a mão do pintor, onde estará senão no copo
imperceptivelmente seguro pelo incógnito olhar ao fundo
e assim aos amantes foge o entendimento do ódio
e assim aos amantes só resta perecer.

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Cadernos de Filosofia Política de Adolfo Ernesto (1)


O paciente mental
O Naves ficou deprimido depois de lhe terem achincalhado o romance. Não sei a razão, pois aqui entre nós, o título é mau e aquilo é ainda mais ilegível do que o tratado reformador. Anyway, o tipo apanhou uma depressão que não se aguentava. Encontrámo-nos na consulta.
“Deixa lá. Tristezas não pagam dívidas. Rir é o melhor remédio”, disse eu, e ficámos amigos.
Ele explicou-me o que o afligia e não resistiu a perguntar-me qual era o meu mal. Tive que lhe explicar que não tenho mal, sou apenas paciente, um paciente mental, o que me parece coisa positiva, pois junta duas qualidades, a paciência e a mentalidade. Chamo-me Adolfo Ernesto e segundo o diagnóstico, o meu lado esquerdo do cérebro anda misturado com o direito, sinapses e tudo. Daí o bigodinho à Hitler e a boina de Guevara. A foto podem ver em cima, foi tirada por uns rapazes que iam a passar e ficaram entusiasmados com o meu look. No fundo, sou um radical, embora de ambos os lados ao mesmo tempo. Também falei nos meus planos de redigir um tratado de filosofia política.
“Tu é que me podias substituir no Corta-Fitas, agora que eu saí”, disse o Naves.
A ideia entusiasmou-me. Dito e feito. Tiro e queda. Kagandamaluco.
E assim compareci na entrevista, onde estavam eles todos. Expliquei-lhes que pretendia escrever posts inseridos numa obra mais vasta. Começaria por 50 posts dedicados a insultos canalhas e soezes, tema que está a fazer escola.
O Pedro torceu o nariz: “Não era bem isso que queríamos. Aqui, no Corta-Fitas, não há insultos”.
“Mas tenho uma lista de 500. Podemos fazer variações criativas”.
A proposta foi rejeitada. A seguir, rejeitaram-me uma ideia de post sobre um sonho que tive, onde se ouvia o Crepúsculo dos Deuses, de Wagner, ao ritmo da rumba do Buena Vista Social Club.
“A blogosfera está a ficar um antro de acção directa”, expliquei, já em desespero. “Os jornais de parede como o vosso precisam de polémica, sumo, controvérsia. Podíamos fazer uma série de posts sobre sumos, como a vossa série de televisão, desta vez Coca-Cola, Pepsi, Compal...”
A ideia também foi rejeitada. Então, propus fazer crónica política, para substituir o Naves na função. Ele, no máximo, fica com as crónicas fofas. O Villalobos colocou de imediato uma objecção, nomeadamente de que eu não servia para a tarefa porque não lia os textos até ao fim e deixava tudo a meio (nem sei como é que ele soube). Na opinião do poeta, não é possível criticar sem ler tudinho, até às palavras mas pequenas (como se alguém fizesse isso!).
O Villalobos insistia na necessidade de lermos tudo até ao fim. Irritei-me:
“Tu não podes falar do tratado reformador porque não leste tudo”, afirmei, já com o meu lado irascível-hitleriano a comandar as operações. “Aliás, nessa ilógica, só seria possível um debate com os três juristas que escreveram o tratado e o doutor Vital Moreira. O mesmo se pode dizer de um artigo liberal ou centrista: para quê ler duas páginas de banalidades, quando basta ler uma delas para darmos uma catanada no autor”. Então gritei: “Acção directa! Patria o muerte!”
Aquilo mexeu com eles. Aceitaram-me. Serei do Corta-Fitas, com a pasta da filosofia política. Prometo ser fiel às minhas origens ideológicas, apesar do meu cérebro instável misturar muitas vezes aquilo que aos outros parece claro.
Será bem fácil substituir o Naves, que conseguiu escrever um livro ainda mais chato que os posts dele. Depois tenho direito a ir aos jantares, porque estou no ambulatório. E aos jantares vão sempre a Inês e a Isabel, com os seus sorrisos encantadores, a Miss Pearls, que é de uma sofisticação, também vão as sagazes Cristina e Teresa, o lírico Villalobos e o fleumático Francisco, os divertidíssimos Leonardo, Rodrigo e Zé Carlos (que não têm aparecido, não sei a razão). Poderei apreciar a elegante classe do Duarte e a inabalável boa educação do João Távora e, claro, estará o boss Pedro, que comanda a orquestra com a sua firmeza aristotélica. Prometo não me babar (tanto esplendor não facilita) e, sobretudo, tentarei não confundir os talheres da esquerda com os da direita. Enfim, o Naves não vai e não faz falta, porque é um calimero.
Adolfo Ernesto
A imagem é da revista Atlântico, com a devida vénia. Claro que sou eu.

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A vida é dela

«Eu pensava que a minha mãe não era uma pessoa justa faltava-lhe a independência que faz a alma imortal. Achou sempre, e meu pai também, que o meu talento era devido a meu irmão e que eu o usurpara, como Jacob a Isaú. Contudo, meu pai mandou dactilografar o meu primeiro romance, e ainda hoje me pergunto o que foi feito dessa senhora Champollion que decifrou o que eu escrevi.
Viciei-me na leitura, minha mãe achava que eu estava a isolar-me demasiado, a perder o contacto com a realidade. Dava-me tarefas caseiras, vestia-me à inglesa com saias de pregas e peúgas pelo joelho.Eu queria que me deixassem em paz com o Cagliostro e a du Barry e outros. Gente perversa e fascinadora. Hoffmann também, e as suas fantásticas narrativas.
Como se podia escrever assim? Era um milagre, uma criação do mundo.
Escrevi o Mundo Fechado enquanto a minha filha dormia; a cozinha era de telha vã e havia um ratinho esperto ao qual eu punha comida na despensa todas as noites.E lá vinha o aroma das tílias anunciando os exames e o seu terror laureado de esperanças».

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Porto Pim, Faial


E, de súbito, a baía de Porto Pim. Lanço-lhe um olhar demorado, como se quisesse reter para sempre este quadro na memória. Partirei em breve. Mas apetecia-me permanecer num recanto desta praia hipnótica, sem urgências de qualquer espécie. Relendo Mau Tempo no Canal, um dos mais admiráveis romances alguma vez escritos na língua portuguesa.

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Aconteceu mesmo assim

- Então o que desejam?
- Para começar, uns queijinhos frescos.
- Ah, isso não temos.
- Mas está aqui, na lista das entradas.
- Acabou...
- Acabou, com tantas vacas?
- Pois. Então o que vai ser?
- Esqueça as entradas. Queremos dois chernes e dois bifes do lombo.
- Lamento, mas só há uma dose de cherne...
- E os bifes são de vaca?
- Só há um bife de vaca. O resto é de porco.
- De porco, aqui nos Açores? Para comer porco vamos ao Alentejo. E não tem vaca porquê? O que mais vemos por aí são vacas a pastar...
- Pois. Mas só recebemos carne às terças e hoje é segunda.
- Bem, traga o que houver. E mostarda para os bifes.
- Lamento, mas mostarda não há.
..........................................................
Esqueci o nome do local onde se travou este diálogo, algures na Horta. O Jorge Sousa, o João Vaz e a Sónia Trigueirão são testemunhas. Mas nunca me esquecerei de não voltar a perguntar por um bom restaurante a um motorista de táxi. Já devia saber: os taxistas percebem tanto de gastronomia como eu percebo de lagares de azeite.

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Segunda-feira, Outubro 08, 2007

Um pouco de luz

Paulo Cunha Porto nas Afinidades Efectivas:

A nossa época é aquela que precisou de recorrer a outra espécie para retratar a Fidelidade, (...)
Ler tudo>>

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O segundo nome que se aprende a escrever é...

Que as empregadas têm, cada vez mais, um papel presente na educação das crianças já todos sabemos, mas confesso, que a este ponto, fiquei surpresa.
Uma conversa de Domingo com a pequena Maria de 3 anos:
- Eu já sei escrever o meu nome.
- Queres mostrar-me?
- Sim, e também sei escrever outro.
- Qual?
- O da Júlia.
(Júlia é a empregada e babysitter)

Das espinhas é que não nos safamos


Depois do cherne, lá temos nós que seguir o pregado.

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E se for só em anos bissextos?

«Você sabe como é a imaginação de um jovem. Ponha agora uma rapariga ao lado e vai ver que ele se distrai mais rapidamente do que com um homem. Os ingleses concluiram isso». Eu cá não confiaria tanto na capacidade de concentração dos ingleses, conhecido povo reputada e historicamente homocoiso. Mas pronto. Agora o que achei realmente antológico na mesma entrevista foi este esclarecimento:
«Na sua opinião, uma mulher que é agredida pelo marido deve manter o casamento ou divorciar-se?
Depende do grau de agressão.
O que é isso do grau de agressão?
Há o indivíduo que bate na mulher todas as semanas e há o indivíduo que dá um soco na mulher de três em três anos».
Entrevista de Pedro Almeida Vieira, na Notícias de Sábado do DN, a Monsenhor Luciano Guerra, o Reitor do Santuário de Fátima.
Actualização: Alertaram-me para o facto de que a Fernanda Câncio já postara sobre o mesmo assunto. Fui ver e, com efeito, aqui estava. Devo dizer que acho de mau gosto o tom e o sarcasmo vulgar com que a FC escreveu, aproveitando as declarações de Monsenhor Luciano para mais uma diatribe contra a Igreja no seu todo. Mas, dito isto, reitero que considero estas declarações do Reitor do Santuário de Fátima tão infelizes e tão fora do mais elementar senso comum que obrigam a um mea culpa oficial e público. Porque a Igreja Católica, tal como a entendo e entende muita gente, nada tem a ver com este acesso de marialvismo.

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Inesquecível


Nascer do sol sobre o porto da Horta. Mar chão, com o Pico a recortar-se em fundo. Há paisagens que nos fazem lavar por dentro até ao mais recôndito da alma. Esta é uma delas.

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Virado para dentro do lado de fora

A ver se percebo: Marcelo Rebelo de Sousa não vai ao congresso social-democrata do próximo fim de semana porque acha "um erro o PSD debruçar-se sobre si próprio em vez de criticar o Governo". De caminho, na sua tribuna semanal na RTP, considera "errada" a eleição de Luís Filipe Menezes, garante que Duarte Lima "não é a pessoa ideal para liderar" a bancada laranja no Parlamento, mostra-se convicto de que o partido "não aprendeu nada com as lições de 2004" e acusa Manuela Ferreira Leite de ter deixado Menezes utilizar o nome dela na recente campanha interna. Tudo isto na emissão de ontem do seu programa, em que uma vez mais aproveitou para fazer longuíssimas considerações sobre o PSD em vez de criticar o Governo. Virado para dentro do lado de fora.
Perceberam? Eu também não.

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Domingo, Outubro 07, 2007

Um passeio em família

Às vezes temos que forçar a barra e arrancar a família inteira de casa para um programa cultural. Tendo crescido em Lisboa, sempre convivi quase organicamente com a história e os seus monumentos. Agora que vivo no Estoril, num agradável ambiente misto de balnear e suburbano, esse relacionamento mudou. Conhecer e dar a conhecer o património histórico tornou-se uma tarefa. Aqui, sem a nossa intervenção, para além de meia dúzia de excursões escolares, tipo "museu do brinquedo", os jovens correm o risco de chegarem à maioridade apenas conhecendo a praia, o liceu e, vá lá, as arcadas do Estoril.
Vivemos a dois passos do sopé da Serra de Sintra, e há algum tempo que arquitectava uma visita familiar ao Palácio da Pena. Eu próprio não me lembro de alguma vez ter lá entrado. Para mais há alguns anos que a minha leitura encalhou no século XIX, e muitas das linhas versaram as existências dos habitantes daquela residência real. Depois parece-me da mais elementar pedagogia arrancar os miúdos às suas indolentes rotinas: os skates, os "sms" ou as Barbies. Não sem um ou outro amuo pelo meio, interditados temporariamente os "sms" (uma doença!), lá nos enfiámos todos na carrinha, mais ao Zé Maria e a sua cadeirinha.
Estranho, como nos habituamos a viver ao lado de coisas tão bonitas sem olhar bem para elas. Tantas vezes que me desloquei a Sintra, no tempo dos hotéis, entre Seteais e o outro. Nas circunstâncias deste passeio, com os olhos mais perto do coração a perspectiva do lugar é completamente diversa. Subimos até ao castelo dos mouros embasbacados com aquela luxuriante vegetação. Fez bem aos miúdos mais velhos o desafio de ajudarem a empurrar o carrinho de bebé naqueles paralelepípedos centenários. Nada como um pouco de suor para atenuar qualquer conflito de gerações. A meio do caminho já éramos uma família unida.
Percebe-se facilmente a atracção que Sintra exerce sobre reis e príncipes, ou por sensibilidades de excepção. Como era o caso de D. Fernando II, o nosso ilustrado e romântico rei, que para nossa sorte empreendeu a reconstrução do arruinado convento de S. Jerónimo tornando-o num exótico palácio, ociosa residência dos monarcas liberais. Resgatado à Condessa d’ Edla pelo rei D. Luis, o edifício foi classificado monumento nacional no fatídico reinado de D. Manuel II. Estranho edifício este, qual palácio encantado do Tritão, no pináculo dum autêntico “bosque escuro” de fadas, amantes e duendes. Por mim, encantei-me com o Retábulo da capela, e comovi-me com os detalhes mobiliários e objectos utilitários dos aposentos de D. Carlos.
A miúda pequena saltitou alegre pelos claustros, num Palácio de verdade, tão parecido com os dos seus contos animados. Deve ter-se imaginado no meio das suas princesas bailarinas e com os seus pégasos mágicos. A certa altura confidenciou-me a sua estranheza por o palácio “estar sujo”, apontando para uma mancha de humidade no alto do tecto em abóbada. Difícil é explicar-lhe a diferença deste com os castelos dos seus filmes cor-de-rosa. É a trágica disparidade da idealização ingénua, com a dramática realidade crua, que aliada ao tempo, tudo deteriora e corrompe. Que nos mata todos um pouco a cada dia que passa.
No final, enquanto o pessoal do Palácio debandava atabalhoadamente, trancando portas e janelas, ainda arranjámos uma mesa para o lanche do Zé Maria, no terraço junto às cozinhas, onde ainda nos fizeram o favor de nos vender 250 cl de água por 1,50 €.
Finalmente lá fomos nós serpenteando estrada a baixo, os dois jovens adolescentes à dianteira, excepcionalmente cúmplices, no meio daquela densa e verdejante vegetação. A jornada terminou com chave de ouro: queijadas frescas e travesseiros saídos do forno, num inolvidável lanche na Casa do Preto, que com um nome destes qualquer dia a ASAE ainda manda fechar. A experiência foi aprovada, e por uma tarde tirámos Sintra do bilhete postal.

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Palavras vazias




Parece que no seu discurso do 5 de Outubro Cavaco Silva, perante cerca de uma centena de pessoas que acorreram à Praça do Município, fez de novo referências à "ética republicana". Ainda estou para saber o que isso significa, desde que alguém (Sampaio?) decidiu há meia dúzia de anos utilizar a expressão. Não deve ser a praticada na I República, porque essa já nem os republicanos civilizados e cultos defendem. Será a de Salazar e Caetano? Não, deve ser a actual, a III, a pós-25 de Abril. Mas então porque será que o representante máximo da tal III República decide pelo segundo ano consecutivo pôr a questão da corrupção no seu discurso? Onde anda a tal ética republicana, que ninguém a vê?

Pescanova

Chamem-me picuinhas, mas a imagem do nosso primeiro-ministro a falar num palanque com a tabuleta Pescanova incomodou-me. Espero que não venha por aí um investimento de vulto da WC Pato.

Domingo

Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo a Timóteo

Caríssimo: Exorto-te a que reanimes o dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de caridade e moderação. Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor, nem te envergonhes de mim, seu prisioneiro. Mas sofre comigo pelo Evangelho, confiando no poder de Deus. Toma como norma as sãs palavras que me ouviste, segundo a fé e a caridade que temos em Jesus Cristo. Guarda a boa doutrina que nos foi confiada, com o auxílio do Espírito Santo, que habita em nós.

Da Bíblia Sagrada

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Gostei de ler

A novela global. De João Miguel Almeida, n' O Amigo do Povo.
Aquilino e a flauta. Do Eduardo Pitta, no Da Literatura.
Madame Bobone. Do Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas.
Regresso atribulado. Do José Gomes André, no Bem Pelo Contrário.
O exemplo. Do Daniel Oliveira, no Arrastão.
Being alive. Do Adolfo Mesquita Nunes, n' A Arte da Fuga.
Intrigas. De Cristina Vieira, na Contra Capa.

Eles também adoram queimar

A propósito da excelente série que o Francisco José Viegas tem publicado no seu blogue, e com a vénia que lhe é devida, creio ser tempo de começar a levar a sério aqueles irresponsáveis que desataram a queimar retratos do rei Juan Carlos, o homem que mais fez para tornar Espanha um Estado prestigiado e respeitado em todos os quadrantes - geográficos e políticos. As labaredas são muito caprichosas: às vezes começa-se com um simples fogacho e acaba tudo incinerado. Aliás, qualquer estudante mediano de História conhece os danos profundos que as fogueiras têm feito a Espanha, onde costumam encontrar pasto fértil para medrar.
Esses irresponsáveis que agora queimam retratos do monarca podiam ao menos queimar fotografias dos assassinos da ETA, que já liquidaram quase mil cidadãos espanhóis. Mas isso exigiria que tivessem algo que lhes falta: coragem física. Quem difama o rei, recebe quando muito uma advertência condescendente. Quem se mete com a ETA pode receber uma bala.

No "Métro" com os nativos

A propósito (ou talvez não) da série de posts do Pedro Correia sobre "Cidades que não esqueci", recordo um texto que escrevi há uns tempos sobre uma aventura, ou melhor, uma feliz façanha em terras distantes. Aliás, quem nunca se viu em apertos, que atire o primeiro post.
"Não sei os outros, não sei se é uma lei universal, mas pelo menos para mim amadurecer foi aprender a comportar-me em viagens de modo progressivamente menos ridículo. Da primeira vez que visitei a tumba de Napoleão pedi "Deux billets, s'il vous plait" e esborrachei a cabeça no plástico da bilheteira. (...)
Mas com o tempo as coisas vão melhorando e, um início de quase-sofisticação cosmopolita lhe pousa sobre os ombros como uma águia blasé. Já não fico vinte minutos em pânico, por exemplo, olhando a máquina que vende bilhetes de metro, enquanto as moedas na palma da minha mão tremem e o nativo atrás de mim na fila amaldiçoa estrangeiros. Desenvolvi uma capacidade inacreditável de saber comprar bilhetes do metro. É um superpoder discreto, digamos, e desenxabido, mas é um superpoder mesmo assim."
"A Waterloo de um cronista brasileiro", Alexandre Soares Silva para um número antigo da Atlântico.
Sei do que fala o Alexandre. Sei muito bem do que fala. Desde aquele grandioso, inesquecível, fantástico momento em que, há já alguns anos, venci destemidamente, com destreza e mestria a diabólica máquina de bilhetes no metro da estação Étoile, tornei-me praticamente uma professional, uma técnica, uma igual a eles, uma nativa. Está a faltar-me a baguette enrolada em papel de jornal e o pivete a Gauloises, mas isso são já meros pormenores. Hei-de recordar-me sempre com orgulho da eficiência com que enfrentei aquela cuspidora de bilhetes desconhecida e de aspecto agressivo e como foram suficientes dois ou três segundos para a dominar. Implacável. Só o português me traíu e não falo da língua, pois mantive-me em silêncio (just in case). Falo de quem me acompanhava, completamentes esmagados com a minha técnica e fascinados com a minha desenvoltura.
A partir daquele momento, daquela prova de fogo, com a aquiescência e aprovação dos índigenas, tornei-me uma verdadeira viajante. Depois disso, andar de taxi sozinha no Cairo, foi como beber um copo de água (ou quase).

Sábado, Outubro 06, 2007

Sinais

À passagem do 5 de Outubro, os media do sistema e os cronistas regimentais ignoraram olimpicamente a reflexão e o “contraditório” à desgastada república. Por outro lado, na blogosfera essa análise aconteceu tanto da parte de monárquicos como de republicanos com profícuas e plurais abordagens... num coro de inconformadas reservas.
O mais evidente sinal de decadência dum regime é quando os seus anafados actores, acomodados e corrompidos até à medula, se tornam autistas.

Fotografia de Paulete Matos via Zero

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Tento na língua


- O que é que Menezes tem que mudar? - perguntam, na edição de hoje do Expresso, a Ângelo Correia.

- Tem que se pronunciar menos vezes sobre tudo - responde.


Vinda de quem veio esta afirmação indicia a vontade de manter o novo líder do PSD com a rédea curta? (Para que não se repitam os erros do menino-guerreiro que tantas vezes perdeu por falar demais?) É o que parece. Resta saber se Luís Filipe Menezes vai conseguir. A contenção, como se sabe, nunca foi o seu forte.

Angra, de vislumbre


Angra do Heroísmo, património cultural da humanidade. Acabo de confirmar: a UNESCO não poderia ter escolhido melhor.

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Deitar os foguetes e apanhar as canas

Ontem, cinco de Outubro, numa entusiástica homenagem ao nosso impoluto regime, o anfitrião Cavaco afirmou à televisão e aos populares que aquele Palácio de Belém era um genuíno símbolo da república. E eu que pensava que o símbolo do regime era a rotunda ou a varanda municipal.
A seguir, na mesma reportagem televisiva, uma veneranda e obrigada testemunha do evento declarou peremptória que o Palácio de Belém, na sua experiente e viajada perspectiva, era um dos mais belos palácios do mundo... Razão tem o presidente na afirmação da emergência do ensino. O mesmo almejava D. Pedro V há cento e cinquenta anos e no entanto continuamos um país de xicos espertos e papalvos.

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O melhor é fechar de vez

Quem se aproxime hoje do centro da cidade de Lisboa terá enormes dificuldades de locomoção, automóvel e pedonal, por força, imagine-se, da festa dos 15 anos da SIC. Passo a explicar: a SIC, uma empresa privada, mandou fechar a principal artéria da capital, a Avenida da Liberdade, e, pelos vistos, o novo edil (odeio a expressão) de Lisboa cumpriu as ordens. Daí que hoje, em pleno fim de semana, reine o caos na capital em matéria de trânsito.
Seria menos grave se tudo isto fosse uma honrosa excepção - que deveria ter sido concedida em Carnaxide, não no coração da cidade -, mas não. Todos os domingos, António Costa continua a fechar o Terreiro do Paço ao trânsito, mesmo já tendo percebido que a ideia não cativou ninguém. Instalou, também ali, o caos na circulação automóvel. Eu sei que fica muito bem prometer este tipo de coisas, só que uma cidade evoluída e que se preze não faz disto. Quem tiver o azar de passar a um domingo naquela zona vê o Terreiro do Paço fechado e completamente deserto, com meia dúzia de turistas e um paizinho com uma criança a andar de bicicleta.
Isto tudo acontece, infelizmente, ao mesmo tempo que o dr. Costa se delicia com umas queijadas e uns travesseiros. Ele vive em Sintra e não leva com nada disto. Haja paciência para o grau zero da política.

Isto ainda acaba mal

Quando um primeiro-ministro aparece em directo nas televisões a apresentar um mega-projecto de aquacultura não sei onde que supostamente vai criar 200 empregos isto é o quê? Até me podem dizer que é trabalho, embora eu continue a achar que estes projectos, se são tão bons, não precisam de propaganda. Valem por si. Agora, quando o mesmo primeiro-ministro o faz com vários logotipos enormes da Pescanova como pano de fundo (e um púlpito com a mesma marca), então já não estamos na esfera da propaganda política e governamental. Entramos no fascinante mundo da publicidade comercial. E aí, confesso, o Capitão Iglo, como me diziam há bocado com alguma graça, faz muito melhor figura do que José Sócrates.

O populismo, por VPV

"O populismo, por definição não tem programa. Ou tem um único programa: explorar o descontentamento, sem se afligir com as consequências do exercício e sem tomar o mais vago compromisso para o futuro (ou tomando tantos que mutuamente se anulam. Esta estratégia falharia numa sociedade estável, com um regime prestigiado e sólido. Numa sociedade manifestamente inquieta, com um regime desacreditado e frágil, nada garante que não dê resultado. A condescendência de 'bom-tom' com que uma certa classe média viu a inesperada ascensão de Menezes é estúpida e perigosa". Vasco Pulido Valente, Público.
- Por momentos, e antes de ver a fotografia que acompanhava o artigo do meu colunista preferido, pensei que estava a ler um texto sobre o eng. Sócrates. O tal que promete este mundo e o outro, cujo hobby é distribuir computadores a 150 euros ao sábado de manhã e que garantiu que ia criar 150 mil novos empregos (tendo o número de desempregados atingido os 500 mil esta semana, dois anos e meio depois dele tomar posse). Enganei-me, VPV, pelo segundo dia consecutivo, continua é preocupado com o dr. Menezes.

O mais importante


O mais importante do dia de ontem não foi a alocução presidencial sobre os problemas do ensino. Nem o atraso do primeiro-ministro à cerimónia oficial na Praça do Município. Nem a ausência da ministra da Educação nem do ministro do Ensino Superior, que nem assim terão evitado ficar com as orelhas a arder. Nem a confirmação de que José Sócrates evita por sistema responder às mais vulgares questões dos jornalistas, com uma sobranceria insuportável. Nem a entrevista número 738 da doutora Pestalina Cataplana. Nem sequer a chamada do Miguel Veloso à selecção nacional de futebol.
O mais importante, para mim, foi isto:
- A praia dos Moinhos, em Porto Formoso, com a sua magnífica esplanada.
- As Furnas, contempladas do miradouro da Lagoa Seca.
- A estrada que contorna a lagoa das Furnas, que parece mesmo cenário de filme.
- O ilhéu de Vila Franca do Campo, visto da ermida da Senhora da Paz.
- A alcatra no restaurante A Colmeia, provavelmente o melhor de Ponta Delgada.

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Sexta-feira, Outubro 05, 2007

Ela lá sabe


"O Benfica está outra vez em grande. Porque, sendo um clube grande, não tem crises pequenas. Só tem crises grandes."
Leonor Pinhão, A Bola

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Postais blogosféricos

1. O Coutinho Ribeiro abriu O Anónimo há um ano. E faz muito bem em continuar.
2. Dois anos d' A Curva da Estrada. Um excelente blogue que está de parabéns.
3. Espero que a pausa da Marta dure pouco.
4. O Tomás Vasques inaugurou a época do cozido. Eu também.

Gostei de ler

Arrogância em todo o esplendor. Do Rui Costa Pinto, no Mais Actual.
Estabilizar, estabilizou, não foi é num lugar muito apetecível. Do Pedro Sales, no Zero de Conduta.
Jantares conspirativos: prós & contras. De Miguel Abrantes, na Câmara Corporativa.
Menezes. Do Carlos Malmoro, na Geração Rasca.
A ditadura publicitária pode ser obscena. Do José Mário Silva, n' A Invenção de Morel.
Hospitais, capelanias e anti-clericais. Da Joana, no Hole Horror.
Comédias na praça. Da Isabel, na Miss Pearls.
The Searchers. De Francisco Valente, n' O Acossado.
Gotejamento literário. Do André Moura e Cunha, no In Absentia.

É preciso ter Aznar

José Maria Aznar está de volta. Com um discurso fortíssimo, criticou o seu sucessor à frente do governo espanhol e responsabilizou-o por ter posto a nação em crise. Zapatero que se cuide. Aznar pôs os pontos nos is. Um dia destes alguém o fará noutros termos a propósito de Sócrates. Mais cedo que tarde.