quarta-feira, dezembro 12, 2007

Natural? Quiçá

O Luís Paixão Martins considera «natural que um grupo empresarial, no momento de escolher um especialista de comunicação, olhe para o mercado dos jornalistas». Contra vontade, por achar que as empresas deveriam antes procurar esses «especialistas» entre os profissionais do nosso sector (como eu, é evidente), sou forçado a dar-lhe razão. Martim Avillez para a Sonae, Paulo Camacho para a PT Multimédia, Sérgio Figueiredo para a Fundação EDP…Who’s next?

Etiquetas: ,

terça-feira, novembro 20, 2007

Ainda bem que me fazem essa pergunta

Em homenagem ao tema da conferência do Sindicato de Jornalistas marcada para amanhã com o título «O Jornalismo tem Sexo?», deixo aqui três hipóteses à vossa consideração:

a) Não. Os jornalistas são todos anjinhos.
b) Talvez. É difícil distinguir porque andam todos/as de calças.
c) Sim. E de que maneira! Cala-te-boca-se-eu-dissesse-as-coisas-que-sei-um-dia-ainda-vou- escrever-sobre-isso-mas-não-enquanto-for-vivo.

Etiquetas: ,

quinta-feira, novembro 08, 2007

Em busca da verdade

Fala-se muito na objectividade em jornalismo. E bem: a objectividade é um desígnio que todos, jornalistas, devemos prosseguir no exercício da nossa profissão. Sem a ilusão, contudo, de que alguma vez a obteremos plenamente. Porque cada visão da realidade é parcelar e o nosso olhar subjectivo condiciona sempre o modo como interpretamos o “desconcerto do mundo” de que falava o poeta. Mas se a objectividade pura é impossível, a honestidade com que a buscamos deve ser permanente. Isto constitui a pedra basilar do nosso código de conduta. Como escrevia recentemente Pedro J. Ramírez, no editorial que assinalava os 18 anos da fundação do diário espanhol El Mundo, “o jornalismo serve para procurar a verdade. A verdade acessível, a verdade parcial, a verdade incompleta, a verdade possível, a humilde verdade com minúscula, mas a verdade no fim de contas.”
Só isto. Que é tudo.

Etiquetas:

quarta-feira, outubro 31, 2007

Há uns muito sentadinhos, lá isso há

«Alfredo Maia, presidente do SJ, pede aos jornalistas que vistam a camisola com a inscrição Levantem-se pelo Jornalismo». DN, Pág.62.

Etiquetas: ,

Ainda a (des)compostura de Sarkozy

Na república, o lugar da mulher do Chefe de Estado, a chamada "1ª Dama", é um tão ilegítimo como inevitável devaneio patrocinado pelos media para gáudio da turba. Definitivamente o personagem colhe e garante um bom retorno no negócio do circo mediático. Não me parece viável que um candidato a chefe de estado oculte a sua realidade familiar e afectiva. O ideal será de facto que ela promova boa imprensa e simpatia popular à instituição e ao protagonista. Quer se queira quer não, a mulher dum candidato terá sempre o involuntário poder de promover ou estorvar a sua imagem pública. Um verdadeiro berbicacho.
Sendo por natureza o divórcio um penoso acontecimento do foro privado, sendo a figura do casamento alheia à instituição do cargo, indica o bom senso a um mediano jornalista que o assunto é impertinente e que extravasa claramente o interesse público.
Parece-me saudável a atitude de Nicolas Sarkozy perante a indiscreta jornalista americana. Parece-me inquietante o aparente descontrolo emocional que sobressai na tomada de posição do Presidente da República Francesa.

Etiquetas: , ,

domingo, outubro 28, 2007

Elogio da crónica (I)

Tenho pena que as crónicas estejam a desaparecer das páginas dos jornais. Habituei-me desde muito novo a ler alguns dos melhores cronistas da imprensa portuguesa – numa época em que a crónica era um género imprescindível. Lia textos do Pedro Alvim, do Rodrigues Miguéis, do Baptista-Bastos, do Carlos Pinhão, do Abelaira, do O’Neill e da grande Alice Vieira sempre com uma ponta de deslumbramento. Era uma prosa diferente da escrita impessoal das notícias: paginada de modo especial e com um tom coloquial que não se vislumbrava noutros locais dos periódicos – estabelecendo um clima de convivência quase íntima com o leitor. Através dos anos, fui mantendo o meu interesse pela crónica, frequentando diversos autores – do Miguel Esteves Cardoso ao Pedro Mexia, passando pelo Manuel António Pina, pela Clara Ferreira Alves, pelo Ferreira Fernandes e pelo António Lobo Antunes. Vou também praticando o género, sempre que posso: é a disciplina jornalística que mais se aproxima da literatura. Tenho pena de vê-la à beira da extinção, substituída pelo comentário anódino e sensaborão ou pela fatigante “análise” política que muitas vezes não é mais do que um mero piscar de olho a “fontes” de circunstância.
Ao menos no Brasil o género está bem vivo e recomenda-se. Há mesmo quem reclame por lá a paternidade brasileira da crónica, que gerou verdadeiros autores de culto – de Rubem Braga a Luís Fernando Veríssimo, de Carlos Drummond de Andrade a Arnaldo Jabor, de Nelson Rodrigues a Millôr Fernandes, de Fernando Sabino a Roberto Pompeu de Toledo. É um prazer ler o português revigorado destas crónicas brasileiras, de ontem e de hoje.

Etiquetas:

Elogio da crónica (II)

Nos anos 50 e 60, os cronistas no Brasil eram uma tribo calorosa e solidária, como relata Humberto Werneck, organizador da excelente colectânea Boa Companhia: Crónicas, editada em 2005 pela Companhia das Letras. A tal ponto que, quando chegava a crise de inspiração, a mesma ideia servia de mote a diferentes cronistas forçados à rotina diária. Fernando Sabino, que escrevia em O Jornal, do Rio de Janeiro, relata o episódio da queda de um edifício na cidade, que originou uma troca de impressões à mesa de um bar com Rubem Braga (cronista do Diário de Notícias, também do Rio) e Paulo Mendes Campos (que mantinha uma crónica no Diário Carioca). No dia seguinte, “por coincidência”, as três crónicas tinham estes títulos: “Mas não cai?”, “Vai cair” e “Caiu”.
Melhor ainda é outro episódio que dois deles protagonizaram. Rubem, com falta de ideias, solicitou sem cerimónia uma crónica “emprestada” a Fernando Sabino, que foi à gaveta e passou-lhe a história de um garoto que pedia esmola para comer uma sopa, por um cruzeiro, numa casa de pasto. Intitulava-se O preço da sopa. O outro publicou-a alterando três pormenores: o garoto foi a um restaurante, a sopa custou cinco cruzeiros e a crónica passou a chamar-se simplesmente A sopa. Uns tempos depois, chegou a vez de Sabino pedir idêntico favor a Rubem Braga, que entendeu devolver-lhe a história da sopa. Que lá voltou a ser impressa, com a assinatura de Fernando Sabino e dois novos ingredientes: a sopa já custava dez cruzeiros e o título era Esta sopa vai acabar. E acabou mesmo...
Fragmentos deliciosos de um tempo que parece tão irremediavelmente distante do nosso.

Etiquetas:

quinta-feira, outubro 18, 2007

Tomem lá uma «cacha»

O DN fala hoje, numa notícia breve assinada pela Paula Brito, da auditoria em curso no SOL . Não sei é se não haverá um obstáculo maior do que o das contas ao negócio de entrada da Cofina no capital. Segundo me disse uma fonte ligada ao processo o grupo de Paulo Fernandes coloca, como condição, a saída do cargo do Arquitecto Saraiva. Mas alguém imagina aquele jornal sem Saraiva? Já agora, não posso deixar de constatar que, com negócio ou sem ele, o semanário tem sido o único a fazer manchetes com temas verdadeiramente incómodos para o Governo, o qual tem seguido o processo com muita atenção.

Etiquetas:

sexta-feira, setembro 21, 2007

Uma dúvida angustiante


"A maior de todas as guerras é a guerra da família."
Sinclair Lewis, Babbitt

E se de repente tivéssemos sido todos enganados? E se a história estivesse mal contada desde o primeiro minuto? A pergunta é angustiante, mas tem de ser feita. Nós, jornalistas, estamos endurecidos pela experiência. Temos um sexto sentido que nos alerta contra tentativas de manipulação por parte de políticos, gestores, empresários, futebolistas, actores, líderes de opinião. Mas conseguiremos estar imunes à súbita manipulação de que podemos ser alvo por parte de um cidadão comum? Este conjunto de questões – decisivas para a sobrevivência do jornalismo – vem a propósito de uma das mais inacreditáveis histórias jornalísticas de que há memória. Não me refiro a nada que tenha sucedido no passado, mas a algo que está a acontecer agora. Dia após dia, a um ritmo cada vez mais alucinante. Refiro-me ao misterioso desaparecimento de Maddie McCann. Os pais da menina – britânicos caucasianos, bem sucedidos profissionalmente, pertencentes à classe média-alta – propagaram desde o primeiro instante a versão do rapto. E todos nós a acolhemos acriticamente. As mais recentes investigações policiais parecem demonstrar que a tese posta a circular em todos os jornais do mundo pode afinal estar errada. A confirmarem-se estas dúvidas conclui-se que os jornalistas terão sido cúmplices involuntários de um monumental mistificação.
É uma dúvida que persiste. Cada vez mais angustiante, à medida que pequenas parcelas deste puzzle começam a juntar-se. Formando um quadro bem diferente do que todos supúnhamos ser real.

Etiquetas:

quinta-feira, setembro 13, 2007

Duas nódoas numa noite só

Na conferência de imprensa de Luiz Felipe Scolari que se seguiu ao Portugal-Sérvia, ouvi o que jamais pensei escutar: vários pedidos de desculpa de jornalistas ao seleccionador. Como se fazer perguntas, eventualmente incómodas, não fosse essencial nesta profissão. "Senhor Scolari, peço desculpa por lhe fazer esta pergunta..."; "Senhor Scolari, desculpe insistir..." Pouco depois de ter assistido em directo a um dos momentos mais vergonhosos de sempre do nosso futebol, o País inteiro assistiu, também em directo, a um dos momentos mais lamentáveis do jornalismo português.

Etiquetas:

quinta-feira, abril 26, 2007

Uma luz que vem do túnel

Do alto da torre 3 das Amoreiras, nesta tarde soalheira e cristalina, observo contente o trânsito que flui suave, como se hoje fosse um calmo Domingo de Agosto. Uma experiência única a que nos vamos habituar facilmente, como acontece sempre com as coisas boas.
O resto, é o ruído de uma democracia doente e de um país deprimido, com medo de ser feliz.

Etiquetas: , , , ,

quinta-feira, março 29, 2007

A manchete de f.

D. Fernanda (f.), a tão proclamada jornalista das (suas) causas, oferece-nos hoje no Diário de Notícias (DN) a manchete do dia. A senhora, provavelmente da janela do seu gabinete, vislumbrou um cartaz do PNR ali ao Marquês de Pombal, berrando uma inconsequente imbecilidade contra os emigrantes... e toca de lhe dar um bombástico relevo. Parece-me estranha esta súbita e incontida generosidade da jornalista, que assim dá voz e acalenta esta minoritária e desfavorecida causa "nacionalista".
O que é um facto, é que com apenas € 1750,00 e um cartaz, com a ajuda de f., o Sr. Pinto Coelho (por certo sem assessoria de imprensa, que se a tivesse rapava aquela hedionda barbicha) conseguiu multiplicar incomensuravelmente os resultados do seu investimento publicitário.
De resto, a magnifica fotografia do Rodrigo Cabrita na capa do DN, exprime subtilmente a insignificância do facto: o trânsito que escoa rápido pela rotunda, furtivo e indiferente àquela propaganda, como de resto estão os portugueses. Tão bem habituados a conviver com os partidos totalitaristas da esquerda.

Etiquetas: ,

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Uma pequena polémica com Paulo Gorjão

Caro Paulo Gorjão:
Há dois problemas na nossa pequena polémica: o senhor tem um pensamento estruturado sobre o tema e eu não tenho; por outro lado, o senhor escreve sobre jornalismo político, enquanto eu (confesso) a única vez que escrevi sobre jornalismo político estampei-me ao comprido. Em relação às "generalidades sem substância", tem razão, estamos ambos nesse barco, até porque escrever sobre isto num post curto é necessariamente difícil. Peço desculpa por não ter acrescentado o facto.
O que gostaria de deixar claro é que um jornal não é feito apenas com jornalismo político, mas é uma máquina muito mais complexa: há crónicas, fait-divers, reportagens, entrevistas, entre muitas outras coisas, tais como egos, dinheiro (ou falta dele). As opiniões num jornal não se limitam a questões da governação. Enfim, há um equilíbrio (um mix, que cada director concebe diferente do outro) entre matérias sérias e trivialidades. Eu, por exemplo, como leitor, não dispenso as trivialidades e adoro fait-divers.
Discordo da sua tese dos 3Q porque, como prático desta disciplina, a tese não me satisfaz. Nunca consegui conceber uma definição teórica da qualidade, mas admiti de imediato que a sua estava errada. O meu post pretendia apenas explicar as insuficiências da teoria.
Mas acho ter percebido o que o senhor quer dizer, ou seja, que os jornais no mercado não o satisfazem porque não aprende nada com eles. Não tenho dúvidas de que esta é uma questão muito séria.
As pessoas que me conhecem sabem que sou algo ingénuo. Apesar disso já vi atropelos às regras. Mas, repito: esta profissão tem regras. É evidente que um bom jornalista só publicará uma informação que considera segura, o que não quer dizer que não seja enganado ou que não tenha excesso de confiança nas fontes, ou que não haja pressões de fecho para publicar a história. O Paulo menciona também as notícias sem dupla confirmação, quando devia mencionar as incompreensíveis dificuldades que os jornalistas enfrentam no seu contacto com a administração pública. É um pesadelo, garanto-lhe. Mas, insisto, o senhor concentra a sua análise no jornalismo político, o qual tem especiais dificuldades em Portugal por causa da nossa classe política.
Acho que no meu post lhe dei dois bons exemplos que parecem refutar a sua tese dos 3Q. Na realidade, não há redacção que tenha especialistas que saibam mais do que alguns dos seus leitores. Por exemplo, escrevi bastante tempo sobre União Europeia e o essencial do meu esforço era tentar evitar um erro catastrófico, pois era lido pelas 150 pessoas que sabem mais do que eu sobre o tema (e provavelmente apenas por essas). O outro exemplo ilustrava o problema do repórter (sempre o mais ignorante no local do crime) e a necessidade de fazer todas as perguntas.
O último problema, que deixei para o fim por ser o mais controverso, é a questão da imparcialidade.
Estou convencido de que a imparcialidade não existe (chame-lhe neutralidade, isenção, etc.). Digo isto pela minha experiência. Fiz umas reportagens no Paquistão, logo a seguir ao 11 de Setembro, e optei por avançar para uma cidade próxima da fronteira com o Afeganistão, Quetta, dominada por tribos Baluches e por refugiados Pastunes que tinham grande afinidade com os talibãs de Kandahar. Tive alguma falta de sorte e nunca consegui chegar a Kandahar, mas o meu trabalho era tentar perceber os talibãs, e conheci vários.
Esforcei-me, confesso, mas nunca consegui ser imparcial. Achava que eles não tinham razão e continuo a pensar assim. Um pequeno detalhe: nessa altura percebi a importância de ter dinheiro e nem queira saber as dificuldades que enfrentei nessa matéria.
Na ocasião, dei-me muito com um jornalista do New York Times, um verdadeiro craque. Andávamos juntos porque havia o risco de alguém querer raptar um americano e eu disfarçava. Um dia, fizemos um trabalho sensacional, ou antes, ele fez as perguntas ao primeiro ferido que chegara dos bombardeamentos americanos a Kandahar (foi uma coisa incrível, nunca vi trabalhar assim). No final, eu tinha uma grande história e pensei que ele também tivesse. Mas o meu colega disse, um pouco desanimado, que em Nova Iorque ninguém ia publicar a reportagem. Porquê, perguntei? E ele respondeu: "Quem é que se vai preocupar com um ferido deles, quando nós perdemos três mil?" Não ponho aqui o nome do jornalista porque posso estar a fazer uma inconfidência, mas o comentário responde bem, a meu ver, ao problema da imparcialidade. E, repare, se em Nova Iorque publicaram alguma coisa, não duvido de que a história era irrepreensível.
E assim termino. Aproveito para ilustrar esta minha opinião com a imagem de outro jornalista parcial, o senhor Viktor Laszlo, cujas convicções me agradam.

Etiquetas:

terça-feira, fevereiro 20, 2007

É o Carnaval?

Qual a razão para a publicação daquela incrível fotografia (não disponível on-line) de João César das Neves na transcrição do debate sobre as perspectivas para o governo Sócrates na página 7 do Diário de Notícias? Se não gostam do homem porque é que o convidam? Não acabou já a campanha para a liberalização do aborto?

Etiquetas: ,

Mais do mesmo

Desde sempre que gosto de telefonia e sempre que posso ainda vou acompanhando este fascinante meio de comunicação. Ontem foi a vez de, durante um inevitável percurso automobilizado, ouvir finalmente uns minutos do novo Rádio Clube Português. Entre as 19.00 e as 20.00 aterrei no meio de um tal programa de Célia Bernardo “Janela Aberta” no qual dois locutores entrevistavam no estúdio o insuspeito Vicente Jorge Silva (VJS) sobre a demissão de Alberto João Jardim (AJJ). Não me surpreendi com o VJS a destilar os seus ressentimentos contra AJJ. Chamou-lhe de tudo e mais alguma coisa, uns insultos mais plausíveis que outros. Mas o que me espantou verdadeiramente foi a cumplicidade explícita dos dois jornalistas, que tratando o convidado (colega?) por tu, alarvemente se compraziam com os epítetos, emitindo desapoderadas risadinhas e concordantes monossílabos.
Não sou particular admirador de AJJ, talvez devido à minha educação, para mais algo conservadora. Mas também tenho umas noções da dignidade implícita ao papel de jornalista, e das regras de conduta inerentes. Quero dizer, não me parece que aquela seja uma forma de profissionais da comunicação, no exercício do seu cargo, tratarem figuras de Estado legitimamente eleitas em democracia. Durante aqueles minutos senti-me literalmente gozado e ultrajado, enfim, madeirense.
Finalmente, a experiência com esta suposta alternativa radiofónica saldou-se numa má experiência que tão cedo evitarei repetir. Com a minha idade, para contrariedades, já bastam as inevitáveis.

Etiquetas: , ,

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Será que ouvi bem?

Ontem pareceu-me ouvir o Professor Marcelo afirmar na (sua) RTP que o Expresso “comunica S. Bento”, e que o Sol “comunica Belém”.
E eu pergunto: quem comunica o Caldas? Quem comunica a Soeiro Pereira Gomes? O Diário de Notícias comunica a Almirante Reis?
Bom, eu para mim fico contente com o Corta-Fitas.

Etiquetas: ,

Se me é permitido discordar de Paulo Gorjão (I)




Num post do seu Bloguítica, Paulo Gorjão faz considerações com as quais não concordo. Costumo lê-lo, quando escreve sobre jornalismo; e, ao contrário do que ele pensa, o autor comete o erro que costuma criticar em outros: não domina o assunto. (Embora isso não lhe retire o direito de opinar).
Neste caso, Gorjão tem o desconto de escrever na qualidade de leitor, mas esta passagem resume o seu pensamento: "Aquilo que me leva a estar disposto a pagar jornais é muito simples: informação de qualidade, análise de qualidade, opinião de qualidade. Uma trilogia de 3Q. Sem ser exaustivo, para eu sentir que há valor acrescentado que me leve a pagar, devo encontrar nos jornais: informação segura e devidamente confirmada; análise imparcial e por quem conhece de facto os assuntos; e opinião credível, plural e independente".
Aparentemente, isto é bom senso à solta, mas na realidade este excerto não passa de um conjunto de generalidades sem substância. Passo a explicar.
O dono de jornais que souber o que é a "qualidade" fará uma pipa de massa. Infelizmente, ninguém parece ter uma fórmula mágica para se chegar a esse objectivo utópico. Estamos num período de extinções em massa (como os dinossauros), mas ninguém sabe ao certo se tem as capacidades para sobreviver.
Paulo Gorjão afirma saber o que é a qualidade. No primeiro ponto, refere "informação segura e devidamente confirmada". Ora, só um louco ou alguém desonesto publica uma informação que sabe ser insegura e não confirmada. Ou seja, a regra é publicar apenas aquilo que está seguro e confirmado. Não me parece que o jornalismo português seja muito diferente dos outros nesta matéria. Na profissão de jornalista é fácil errar, porque ninguém está livre de ser manipulado ou, em muitos casos, não há tempo para o máximo rigor.
Costumo dizer que o jornalista é o tipo mais ignorante no local do atropelamento: o polícia tem informação, o bombeiro chegou logo a seguir, a testemunha ouviu a travagem, a vítima diz que estava na passadeira. Pode até haver uma teoria sociológica sobre atropelamentos. Uma coisa parece garantida: a notícia não coincidirá com nenhum dos testemunhos recolhidos, antes será uma amálgama de todos eles. Querem outro exemplo? Num Benfica-Sporting, o estádio estará dividido em dois, na análise de determinado lance. Foi pantufada, simulação ou penalti? Cada jornal desportivo terá uma versão ligeiramente diferente. Estamos perante um terrível exemplo de desonestidade? Não, apenas perante o facto de que a objectividade é sempre um ponto de vista.

Etiquetas: ,

Se me é permitido discordar de Paulo Gorjão (II)




Paulo Gorjão fala ainda de "análise imparcial e por quem conhece de facto os assuntos". Ora, existe aqui uma confusão: o jornalista não é um académico (e é por isso que alguns dos melhores não têm licenciatura). A análise dos factos deve ser feita com honestidade intelectual, não com imparcialidade. Os cemitérios estão cheios de pessoas imparciais. Por outro lado, "quem conhece de facto os assuntos" são as pessoas com quem falamos e que nos explicam os factos; só então os jornalistas podem explicar aos leitores, de uma forma que os leitores que não sabem do assunto entendam.
O terceiro equívoco é sobre a "opinião credível, plural e independente". Acho (visão pessoal com a qual muitos jornalistas não concordam) que a opinião não deve ser um tempo de antena. Acredito na opinião sincera e empenhada, acredito na opinião livre, mas penso que a independência é algo que não existe. Defendo a opção anglo-saxónica dos jornais que escolhem causas e apoiam candidaturas.
Uma última observação: Paulo Gorjão é, sem dúvida, o tipo de leitor inteligente e informado que qualquer jornal gostaria de manter. Infelizmente, é também raro. Não preciso de informar o banqueiro sobre a OPA nem o padre sobre a missa. Agora, que o banqueiro se interesse pela história sobre pequeno comércio e o meu barbeiro sobre a OPA, isso talvez seja "qualidade".
É tema para outros debates, mas a Imprensa portuguesa está entre as melhores da Europa, e posso provar esta afirmação.

Etiquetas: ,

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Sinal dos tempos

Escrevo esta nota em especial para os meus amigos jornalistas: O tablóide inglês The Sun publicou há dias este vídeo. Enfim, à parte a substância, realço que um jornal hoje em dia até publica um vídeo, no caso até “em exclusivo” segundo consta…

Etiquetas: , , ,

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Hoje é sobre jornalistas IV

Agora que a procissão sai do adro a caminho do referendo, gostava de suplicar aos quatro ventos e ao quinto poder, a todos os seus agentes, um esforço suplementar de ISENÇÃO.
Ao contrário do que nos querem fazer querer as sumidades empoleiradas do politicamente correcto, há duas respostas possíveis à pergunta do dia 11 de Fevereiro. Há o SIM e há o NÃO. Ao contrário do que nos fazem querer os arautos da nova e rasteira inquisição, não há uma resposta BOA e uma resposta MÁ. Não há uma facção de HONESTOS, e outra de HIPÓCRITAS. Os INTELIGENTES e os ESTÚPIDOS, os CULTOS e IGNORANTES.
Admiro e valorizo de sobremaneira a profissão de jornalista. Antes de tudo esta pode e deve ser um nobre serviço. Mas se os profissionais que escolhem e editam as notícias, as fotografias, as manchetes e os protagonistas, não superarem EMPENHADAMENTE os seus preconceitos, estão a perverter a democracia, a trair a res pública, e a promover a BATOTA neste referendo. E com batota, sem jogo limpo, ninguém ganha, perdemos todos, perde Portugal.

Etiquetas: