domingo, fevereiro 10, 2008

Se o ridículo matasse...

Deplorável serviço à causa nos presta o Sr. Pereira e a sua frívola vaidade e insaciável desejo de protagonismo. O fadista-deputado obteve pelo seu exclusivo mérito uma página inteira de ridicularização gratuita dos monárquicos no Diário de Notícias de hoje. E de facto são estes os piores adversários da instituição. São estes papalvos snobs que gravitam em torno da causa, entregues às mais intestinas manobras para a obtenção de bacocas honrarias. Ao longo dos tempos, têm sido afinal estes retrógrados "cromos" de incomensurável ego os mais eficazes aliados da causa republicana.
O regime republicano nos dias de hoje encontra-se solidamente implantado, isso é um facto. Tal acontece, tanto à conta dos serviços de cem anos de publicidade enganosa, quanto às estéreis questiúnculas inspiradas em vaidades pessoais como é aquela patrocinada pelo ressabiado Sr. Nuno da Câmara Pereira.
E se o fadista tanto anseia por distinções e honrarias, então que mantenha a sua eficaz dedicação ao regime, que certamente não se poupará daqui a dois anos a dedicar-lhe uma Comenda e uma Condecoração, por justo reconhecimento de serviços prestados a favor da consolidação da república.
A última coisa de que a causa monárquica necessita é de oportunistas que a utilizem em prol das suas ambições e vaidades pessoais. De resto, a meritocracia é um valor sagrado das monarquias modernas. E aí não existiriam jamais contemplações para com ridículas fatuidades de medíocres e inúteis wannabes.

Etiquetas: , ,

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Caiam na real

Em Espanha, como realça a The Economist desta semana, irão travar-se as primeiras eleições do «rich world» após a crise dos mercados. Lá, tal como aqui, o Governo socialista mantém um discurso de tom marcadamente optimista (outros chamam-lhe irrealista) e prevê uma taxa de 3,1% de crescimento do PIB, contra os 2,4% que reúnem o consenso da reputada revista económica. Zapatero, dizem eles, conseguiu mesmo «uma espécie de processo alquímico ao contrário, ao transformar o ouro económico em chumbo político».
A seu favor, o homem do Z de Zorro tem um trunfo, capaz de apelar ao racional do eleitorado e de convencê-lo da capacidade de o PSOE conseguir aguentar o barco, por maiores que sejam as ondas provocadas pelo turbilhão do sub-prime e do rebentar da bolha imobiliária: Ao lado do líder, Pedro Solbes é alguém cuja reputação e passado como Comissário Europeu continuarão a ser indispensáveis para a estratégia de minorar o medo instalado e de impedir a vitória do PP.
Contra Solbes, Rajoy tem a figura do ex-presidente da Endesa, Manuel Pizarro. O debate televisivo entre os dois promete mesmo vir a ser o acontecimento mais quente dos próximos tempos do lado de lá da fronteira.
Do lado de cá, pergunto-me o que faltará para que entendam que a Economia é o tabuleiro onde se vai perder ou ganhar a batalha decisiva nas urnas. Oscilamos entre um Sócrates que promete um 2008 «ainda melhor» para o País das Maravilhas (suscitando o riso amarelo dos investidores) e um Menezes que navega - ele e os seus soundbytes sem alicerces - ao sabor do vento, arriscando-se a encalhar antes das eleições e a tornar-se mais um Robinson Crusoé, com Ribau Esteves como seu Sexta-feira.
Se a ambos, PS e PSD, ainda resta um bocadinho de sensatez e de espírito lúcido, fariam bem em enfrentar a realidade dos números. E em perceber que o que se passa no xadrez dos mercados pode levá-los ao xeque-mate nas urnas. Caso contrário, já não irão a tempo para antecipar o roque.

Etiquetas:

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Zero à esquerda

Dizem que durante o ano de 2007, enquanto a direita se auto-aniquilava metodicamente, gramávamos com mais de cinquenta horas de José Sócrates na televisão. O nosso primeiro-ministro é afinal de contas um karma nacional, um verdadeiro castigo por conta da nossa impassibilidade e insipiência. Ou não fosse verdade que um “zero à esquerda” acedeu fulminante ao poder num partido afinal com tradição e história. E que esse zero à esquerda, alcançada uma esmagadora maioria absoluta nas legislativas, vem esbanjando uma oportunidade impar de reformar o estado pelo lado que conta - o da despesa, do desperdício. Um “zero à esquerda” que malbarata a anuência tácita duma comunicação social tradicional e antropologicamente da sua cor para trabalhar patrioticamente numa regeneração estrutural do País... E que se prepara para sair pela porta pequena da história sob vaias e assobios, ódios e ressentimentos, por conta das assustadoras impopulares reformas que afinal não fez.

Etiquetas:

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Ano novo vida velha

Na imagem está Cavaco em pleno discurso de Ano Novo, usufruindo do seu dourado trono. Como os demais que lhe precederam, colectivamente esquecidos os ódios, apupos e insultos que em tempos imemoriais os destronam da cadeira do poder.
De pose paternal e discurso redondo, o presidente aconselha e recomenda. O sol na eira com chuva no nabal. Condoído com os pobres e alarmado com os ricos, vampiros e abutres. O ano é novo mas o guião é velho, e Portugal fica sempre adiado. Sem projecto, sem caminho.

Imagem daqui

Etiquetas: ,

segunda-feira, dezembro 24, 2007

O que é que vão celebrar em 2010 ?!?

Ferreira Fernandes coloca hoje na sua coluna do Diário de Notícias o dedo na funesta ferida do regime, ao indignar-se com a assumpção por parte de Luis Filipe Meneses do direito ao usufruto para as suas hostes dum dos muitos lugares de topo duma empresa estatal, no caso a administração do maior banco nacional. É público que, em detrimento da meritocracia e do bom senso na gestão dos recursos nacionais, o regime acalenta um sistema paternalista que promove os apaniguados dos principais partidos de poder aos mais suculentos lugares da administração mais ou menos pública. A "moral republicana" e a democracia representativa não se libertaram duma centenária tradição proteccionista, macrocéfala e despótica. O regime sustenta-se aliás duma clientela incompetente ou simplesmente oportunista, uma medíocre neo-fidalguia, que se alimenta e sobrevive gananciosa nas máquinas dos partidos situacionistas.
Pessoalmente estranho o cúmplice silêncio da nossa imprensa da especialidade - pretensamente independente e livre - perante a podridão do sistema que a todos nos consome os preciosos recursos. Tarda a denunciar o sistema que promove a injustiça, o compadrio e o clientelismo. Se calhar porque também se alimenta dele.
Como Miguel Sousa Tavares sagazmente escreve na sua crónica do Expresso desta semana, “há duas espécies de portugueses: os que vivem a pagar ao estado e os que vivem a tirar aos estado”. Assim sobrevive o regime, com as trágicas consequências encobertas pelo beneplácito placebo dos fundos comunitários.
Ao longo dos últimos séculos foram necessárias as mais radicais barbaridades revolucionárias para que tudo permanecesse na mesma, ou seja - obviamente em termos relativos - na cauda do mundo civilizado.
Perante a constatação do crónico atraso nacional de que eram vítimas as classes mais desprotegidas e cuja condição social se encontrava perto da miséria, D. Manuel II, numa desesperada tentativa de alterar o decadente curso da história, uns meses antes da inútil revolução do cinco de Outubro, contratou por sua conta e risco o famoso sociólogo francês Léon Poinsard para que desenvolvesse as necessários observações e elaborasse um dossier que apontasse as pistas para uma política regenerativa e promotora do "fomento nacional". O sociólogo percorreu o país de lés a lés analisando a organização social e as condições de vida da população que lhe mereceram um sinistro diagnóstico: a principal causa da “desordem crónica” do país residia na sua organização política dominada por uma “tribo” pouco escrupulosa, ávida de poder e proventos que dominava a seu bel-prazer devido à fraca tradição de liberdades locais que fazia centralizar todo o poder e autoridade no governo. O rotativismo protagonizado pelos dois grandes partidos do poder, o regenerador e o progressista, contribuía apenas para criar uma série de clientelismos e servir interesses particulares em detrimento interesse nacional.”(...) "Uma das consequências mais singulares e mais injustas deste sistema é o predomínio quase continuo de um poder anónimo e irresponsável que frequentemente dirige, de uma maneira indirecta, mas efectiva, toda a alta politica da governação.”
É por estas e por tantas outras que eu me assumo à margem do sistema. Estou-me nas tintas para este circo, esta "guerra" não é minha. Repartam os lugares nos bancos, nos institutos públicos, saqueiem tudo o que possam à conta da ignorância e do acriticismo nacional. Por mim, tenho um projecto de vida para chutar para a frente, com muito trabalho e sem favores de ninguém. Mas quando a ganância dos apaniguados esquece o pudor e descrição que é devida ao ladrão, eu revolto-me. Profundamente. Mas para alívio interior concentremo-nos no essencial, que é o Natal que se celebra já daqui a nada.
.
Fontes: Maria Cândida Proença, Léon Poinsard e Rui Ramos

Etiquetas: ,

terça-feira, novembro 27, 2007

Momento tablóide

Huma Abedin vista pelo The Observer:
Ou aqui o artigo do The Times:

Etiquetas: ,

sexta-feira, novembro 23, 2007

O processo Casa Pia

Cinco anos depois, o processo Casa Pia é a maior prova de pujança do nosso virtuoso regime, um exemplo prático de genuína moral republicana. Não há "jornalismo de causas" que lhe valha. Alguém ainda tem dúvidas de como tudo vai acabar? Está à vista de todos que o culpado será o mordomo, e talvez o “estado” que é sempre tão infeliz no recrutamento de mão d’ obra. E que impunemente continua a apadrinhar os programas sociais nocturnos das crianças a seu cargo.
Já vos tinha dito que não acredito na Justiça portuguesa?

Etiquetas: ,

quinta-feira, novembro 22, 2007

Sem oposição

Só 60 dias sem oposição, João? Olha que não, olha que não... José Sócrates está sem oposição desde que tomou posse, em Março de 2005.

Etiquetas:

terça-feira, novembro 20, 2007

Para bem da nossa auto-estima...

Assim como se aceita a inevitabilidade da realpolitik na relação entre estados, parece-me essencial que os nossos representantes logo ao jantar, entre sabujas mesuras e gulosos acepipes, não percam a oportunidade de afirmar o alinhamento político do Portugal democrático... por muita contrariedade que isso cause ao flanco “rebelde” do Sr. Pinto de Sousa. Isso para bem da auto-estima nacional, e para que ele não seja confundido com um qualquer Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irão e também muito “amigo” de Hugo Chavez.

Etiquetas: ,

sábado, novembro 10, 2007

Sábado amargo

Não conheço as circunstâncias protocolares em que o Rei Juan Carlos terá mandado calar o seu homólogo venezuelano na cimeira ibero-americana em Santiago do Chile. No entanto está comprovado o cariz irresponsável e déspota de Hugo Chavez, e comprovada está a superior legitimidade dum regime democrático como o da nossa vizinha Espanha.
O mundo livre teme pelo futuro do povo venezuelano. Nós vivemos resignados à fatal e submissa realpolitik da nossa virtuosa república, em prol da qual impunemente se subjugam os mais sagrados valores civilizacionais, quantas vezes por um mero prato de lentilhas.
Mesmo assim não nos devíamos todos envergonhar com as atabalhoadas declarações de apoio a Hugo Chaves proferidas à imprensa pelo nosso primeiro ministro na sequência do incidente, numa desprezível disposição subalterna?
Para além de medíocres, teremos que actuar como cobardes?

Imagem do Sol

Etiquetas: ,

terça-feira, novembro 06, 2007

Ninguém morre em política

Na vida política, todos os obituários são prematuros. Repare-se em Luís Filipe Menezes: vilipendiado no congresso do PSD do Coliseu dos Recreios, em 1995, renasceu das cinzas como autarca modelo elogiado pela própria oposição por ter transformado Gaia, que era uma espécie de pátio das traseiras do Porto, numa cidade moderna, dinâmica e vibrante. Um dos parceiros de partido que o vaiaram com estrondo em 1995, Rui Gomes da Silva, faz hoje parte da sua Comissão Política. Repare-se em Santana Lopes: arrasado em todos os editoriais de toda a imprensa respeitável em 2005, ei-lo renascido como líder parlamentar do PSD, preparando-se já para defrontar Sócrates no plenário de São Bento enquanto legiões de jornalistas mendigam a mínima frase que possa sair-lhe dos lábios, como se fosse um astro de Hollywood.
Estes dois “mortos” ainda mexem muito. E vão fazer vítimas no campo oposto. Instalem-se nos vossos lugares e preparem-se para ver.

Etiquetas:

There shall be only one!*


Alguém disse que o mundo está dividido em duas espécies de pessoas: Aquelas que dividem o mundo em dois grupos de pessoas, e as outras. Hoje, estamos para aqui como no «Grande Fosso» do Astérix. De um lado, os que prognosticam a vitória de Santana Lopes. O regresso triunfal do cicatrizado Rocky. Que os seus dotes de tribuno isto, que o seu conhecimento detalhado dos esqueletos no armário do Primeiro-ministro aquilo e blá blá blá. Do outro, os que afirmam que Sócrates vai ganhar o debate porque, numa manobra digna de uma final de Wrestling, atirará com Santana para o outro lado do ringue, voando sobre as cordas após sofrer síncronos e consecutivos golpes na abdominável governação do seu PSD.
Eu cá, não pertenço nem a uma nem a outra destas metades. Já abdiquei de prognósticos quanto aos resultados na arena política e aprendi a lição e à minha custa. Há só uma coisa que me parece trigo limpo, farinha Amparo: É que ninguém vai ligar pevide ao orçamento.
*Título roubado ao filme Highlander.

Etiquetas:

quarta-feira, outubro 31, 2007

Ainda a (des)compostura de Sarkozy

Na república, o lugar da mulher do Chefe de Estado, a chamada "1ª Dama", é um tão ilegítimo como inevitável devaneio patrocinado pelos media para gáudio da turba. Definitivamente o personagem colhe e garante um bom retorno no negócio do circo mediático. Não me parece viável que um candidato a chefe de estado oculte a sua realidade familiar e afectiva. O ideal será de facto que ela promova boa imprensa e simpatia popular à instituição e ao protagonista. Quer se queira quer não, a mulher dum candidato terá sempre o involuntário poder de promover ou estorvar a sua imagem pública. Um verdadeiro berbicacho.
Sendo por natureza o divórcio um penoso acontecimento do foro privado, sendo a figura do casamento alheia à instituição do cargo, indica o bom senso a um mediano jornalista que o assunto é impertinente e que extravasa claramente o interesse público.
Parece-me saudável a atitude de Nicolas Sarkozy perante a indiscreta jornalista americana. Parece-me inquietante o aparente descontrolo emocional que sobressai na tomada de posição do Presidente da República Francesa.

Etiquetas: , ,

segunda-feira, outubro 22, 2007

Sócrates nem parecia Sócrates

José Sócrates rematou com um plebeíssimo “porreiro, pá!” o seu papel de anfitrião na bem sucedida cimeira de Lisboa, como o Francisco referiu aqui antes das manchetes que imortalizaram a frase em letras garrafais. Sócrates nem parecia Sócrates. Quer dizer: ao soltar a vulgaríssima e banalíssima expressão que milhões de portugueses proferem diariamente – nas mais diversas paragens do globo – como se fosse um cidadão comum, o primeiro-ministro revelou enfim um traço humano na sua personalidade toda moldada pelo marketing político. Mas isto só sucedeu porque supunha que os microfones postos à sua frente já estavam desligados. Bastaria a suspeita de que a gravação estaria a correr (como de facto estava) para logo a pose ficar hirta, a mão não trair o gesto mil vezes estudado e o sorriso surgir convenientemente plastificado em dose anti-rugas. Ou seja, para que Sócrates ficasse igual a Sócrates – melhor dizendo, igual à sua imagem pública.
Foi preferível assim. Foi preferível que Sócrates nem parecesse Sócrates. Melhor para nós, que descobrimos enfim nele um traço de identidade com qualquer cidadão não-mediático. E melhor também para ele: por momentos perdeu o perfil de autómato. O que só pode fazer-lhe bem.

Etiquetas:

segunda-feira, outubro 15, 2007

Populismo, palavra maldita

Confesso que começo a ficar cansado da palavra “populismo”. Não há hoje análise política em Portugal sem que este famigerado termo se multiplique à velocidade dos pães bíblicos, servindo para nomear tudo e o seu contrário. “Populismo” passou a abarcar quase tudo quanto mexe. E quando se pretende criticar alguém sem saber muito bem justificar tal crítica, logo irrompe o nefando vocábulo, tão previsível como as ondas do mar a bater na praia. Rapidamente a fórmula, de tão generalizada, ficou esvaziada de conteúdo.

Afinal o que é o populismo?
- As “conversas à lareira” de Franklin Roosevelt faziam dele um populista?
- John Kennedy, ao aparecer junto da mulher Jacqueline, grávida de muitos meses, e fazendo disso um decisivo trunfo eleitoral na campanha presidencial de 1960, era populista?
- Harold Wilson, que se fez fotografar e filmar ao lado dos Beatles para firmar a sua frágil liderança dos anos 60 no Reino Unido, seria um notório populista?
- As disparatadas declarações de Mário Soares sobre a vida afectiva do seu adversário Francisco Sá Carneiro, na eleição legislativa de 1980, tinham um cunho populista?
- Seria populismo o facto de Cavaco Silva fazer profissão de fé anti-europeísta quando dava os primeiros passos como líder do PSD em vésperas da assinatura do tratado de adesão de Portugal à CEE?

Também Churchill poderia ser acusado de “popularizar” a actividade política com as suas fórmulas simples e certeiras, bem sonantes em cabeçalhos de jornal (nada mais natural em quem exerceu o jornalismo antes da política), e aquele V da vitória que ficava excelente em qualquer fotografia. Já sem falar do general De Gaulle, que tinha o hábito de fazer plebiscitar as suas políticas, o que lhe valeu a acusação de pretender “governar por referendo”, em permanente adulação das massas. Hoje ninguém nega que foram ambos estadistas, Churchill e De Gaulle – dos maiores que o século XX conheceu. “Populismo”, portanto, vale para tudo: para o pior – e para o melhor. Seria bom que começássemos a usar outros termos. Para percebermos melhor do que se fala.

Etiquetas:

A questão religiosa

Ao navegarmos pela blogosfera surpreende-nos como a velha querela jacobina contra as instituições católicas está actualmente tão encarniçada. Parece que a blogosfera funciona como uma camada submersa do discurso político, um tubo de ensaio da retórica oficial, na experimentação de novas receitas ou atalhos na senda do poder redentor. Neste campo de batalha virtual, que abrange ainda uma franja pouco representativa da sociedade, o discurso assume-se mais irresponsável porque menos consequente. Outra constatação é a de que os novos "mata-frades" são hoje insaciáveis neo-liberais, de proveniências ideológicas obscuras, ou simplesmente da tradicional esquerda "pouco sociável". Se não for por isso, custa-me a entender a patológica fixação que a cristandade exerce sobre a tirânica e inquisitorial inteligenzia regimental.
Mas no campo da batalha política real, nos media massificados, a propaganda anticlerical e a assunção da sua ancestral antipatia pela instituição católica ganha também novo fôlego, encontra hoje um terreno mais fértil: a religião não tem boa imprensa e a nova burguesia urbana está ressabiada com as suas origens, ofuscada com as cintilantes luzes da cultura shopping, onde não há noite, não há dúvidas e não há “ser”. Definitivamente o sentimento religioso mostra-se um comprovado empecilho à afirmação da auto-suficiência do comum dos mortais e para uma vida orientada para o prazer ou, mais genericamente, para o "mais fácil". O secularismo hoje mostra as garras, num ímpeto de que não há memória.
Não tenho dúvidas de qual é o ancestral desígnio jacobino. Só por ingenuidade ou má-fé alguém não entende que a luta da religião católica, hoje como ontem, sempre foi pela sua sobrevivência. Mas esquecem os seus inimigos que nessa matéria a Igreja, com todos os seus defeitos e virtudes, tem séculos de experiência. A radical proposta de Cristo é por natureza incómoda e inquietante, um “Calcanhar de Aquiles” para as prioridades mundanas e relativismos axiológicos ou meramente instrumentais. Uma mensagem de Amor que lhe confere uma força inabalável para qualquer nova cruzada.

Etiquetas: , ,

quinta-feira, outubro 11, 2007

Preliminares (2)

Gostava de ter sido mosca e participado dessa forma discreta no almoço que ontem reuniu António Cunha Vaz, o Zeca Mendonça e vinte jornalistas da área da política. Hoje, pelo DN e a leitura da caixinha no artigo do nosso FAL, já deu para ver que alguma parte da estratégia que era nossa está a ser aproveitada. Acho bem. As boas idéias não têm dono.
Sobre o referido almoço, a não perder o texto de hoje no Jornal de Negócios, assinado pelo Carlos Mendonça.

Etiquetas: ,

Preliminares

Habilidosa a operação de marketing politico: em poucos dias o governo faz constar o anúncio dum aumento no imposto sobre os combustíveis, e seguidamente, compadecido, condescende manter o actual. Perante o magnânime sinal, o povo agradece reverente o orçamento de estado que aí vem.

Etiquetas: ,

sábado, outubro 06, 2007

Deitar os foguetes e apanhar as canas

Ontem, cinco de Outubro, numa entusiástica homenagem ao nosso impoluto regime, o anfitrião Cavaco afirmou à televisão e aos populares que aquele Palácio de Belém era um genuíno símbolo da república. E eu que pensava que o símbolo do regime era a rotunda ou a varanda municipal.
A seguir, na mesma reportagem televisiva, uma veneranda e obrigada testemunha do evento declarou peremptória que o Palácio de Belém, na sua experiente e viajada perspectiva, era um dos mais belos palácios do mundo... Razão tem o presidente na afirmação da emergência do ensino. O mesmo almejava D. Pedro V há cento e cinquenta anos e no entanto continuamos um país de xicos espertos e papalvos.

Etiquetas: ,

quarta-feira, setembro 26, 2007

Às vezes, é preciso dizer o evidente

«...o cansaço do poder pode ser provocado, desde que exista uma clara alternativa, constituída com tempo e teimosia, baseada num projecto político que seja compreendido e aceite pelos eleitores. O pior que “a oposição do centro-direita” pode fazer é acreditar em alguns comentadores e deitar-se à sombra da bananeira, sem fazer os trabalhos de casa, à espera que o poder caia de maduro no seu regaço». Paulo Pinto Mascarenhas, no Atlântico.

Etiquetas: