Segunda-feira, Abril 30, 2007

Lá vamos cantando e rindo...

O nosso zeloso regime republicano, (de Arriaga, Teófilo, Cabeçadas, Salazar, Tomaz, Gomes, Soares e tantos outros), que tão exuberantemente nos vem governando há quase 98 anos, prepara, pela cabeça das suas luminárias oficiais, umas opíparas e masturbatórias celebrações centenárias. O regime implantado pela força da violência, e arreigado à custa da mentira e da ingenuidade popular pretende dentro em breve promover-se em opulenta festa nacional. À conta dos meus impostos. Para isso, não serão poupados esforços na propaganda ou meios para a maquilhagem da história. Antevêem-se para esta orgia regimental a consumação de novas e prometidas conquistas populares, como uma lei para o casamento entre homossexuais e quem sabe que outros brindes mais.

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Link indisponível

Parece que os "apoiantes" de Carmona Rodrigues, que não estou bem a ver quem possam ser, a não ser uma meia dúzia de dependentes na CML, lançaram um blogue. A ideia será dar algum conforto ao autarca, fustigado pela oposição de esquerda e de direita, bem como pela comunicação social nos últimos dias.
Já se passaram vários dias desde que rebentou esta polémica e, a cada dia que passa, Carmona é menos presidente da CML. Só não vê quem não quer. O facto de não ter falado imediatamente, a ausência na sede do PSD numa reunião onde deveria ter ido dar explicações a Marques Mendes, a fuga para Inglaterra para alegadamente ir ver exposições de motos antigas e o adiamento da audiência no DIAP só aumentam o problema.
Por outro lado, a situação no PSD não pode ser pior. Marques Mendes não pode arrastar mais a situação da CML e o facto de não ter conseguido, durante vários dias, falar com Carmona não abona nada a seu favor. É suposto o autarca dever respeito ao líder do PSD. Sem ele, não era presidente de câmara, sem as bases de Lisboa e o apoio do partido não ia a lado nenhum. Mas está visto que Carmona e Mendes já não linkam bem, para usar uma expressão típica da blogosfera.

A ler

1. "São rosas, senhores", de José.
2. "CGD = Novo IPE", de Pedro Marques Lopes.
3. "Eleições francesas", do Francisco José Viegas.
4. "A importância das motas", da Susana Barros.
5. "Lembrar a diferença", de Francisco Mendes da Silva.
6. "Aquilino Ribeiro - Um regicida no Panteão Nacional", do Mendo Castro Henriques.

Pausa publicitária

Se gosta de literatura, se é um leitor paciente, tem coisas para ler aqui, de vários autores.

E a Monsanto, chega?

«Videovigilância não chega às matas algarvias». Título do Público.

É só fazer as contas

Vinte anos de espera, uma inauguração um ano e cinco meses depois do previsto, mais 72 milhões do que os 320 previamente orçamentados, um Primeiro-Ministro que celebra o acontecimento que é a abertura de quatro-quilómetros-quatro de rede do Metro Sul do Tejo e 264 anomalias detectadas pela Câmara do Seixal apenas nesse percurso (Fonte: Público). Para além das infra-estruturas entretanto saqueadas em tudo o que se possa revender na praça. A viagem inaugural vai durar 11 minutos. É Portugal no seu melhor. Venham daí o TGV e a OTA.

O maçador de touros

Ontem o melhor sketch dos Gato Fedorento foi este. Para quem, como eu, reparte o seu convívio entre alentejanos e ribatejanos, vai dar com certeza pano para muita conversa à mesa. A propósito, ontem e à hora em que parece que houve para aí um jogo de futebol, foi maravilhoso regressar vindo de Montemor-o-Novo como se tivesse entrado na máquina do tempo e voltado aos anos 70. Meia dúzia de carritos na ponte e nem um camião na estrada. Bem haja o derby e que venha outro depressa.

Música do meu tempo (10)


Pixies - "Here Comes Your Man"

Umbiguismo


A rubrica «Gente» do Expresso afirma que foi «ao baú e desencantou uma entrevista» dada por José Sócrates ao Dna em Setembro de 2000, para retirar de lá uma citação. A rubrica «Gente» omite que essa citação foi retirada do livro agora lançado e da autoria de João Pombeiro, «Pela Boca Morre o Peixe», que o Francisco já citou há vários dias aqui e nós depois disso também, para além de diversos outros blogues. Que o Expresso na sua habitual sobranceria ignore os blogues, é algo que não espanta. Mas que não cite o livro de onde retirou a citação, o qual foi distribuído a todas as redacções, já me parece umbiguismo a mais e desprezo pelo trabalho do autor. Ou então, a «Gente» foi mesmo ao baú. Ele, às vezes, há mesmo coincidências...

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Domingo, Abril 29, 2007

No coração das trevas

Uma excelente reportagem assinada pelo jornalista britânico Alex Perry, publicada há dias na revista Time, revela bem o inferno em que se transformou o Zimbábue, que nos anos 80 tinha a segunda mais próspera economia da África Austral – logo após a imbatível África do Sul. Sob o mando despótico de Robert Mugabe, o país afundou-se, recuando a padrões de vida que remontam ao início da década de 50, quando ainda estava sob o domínio colonial. O desemprego atinge 80% da população activa e a inflação subiu a 1.792,9% em Fevereiro, pensando-se que no fim do ano atinja níveis ainda mais astronómicos, rondando os 3700%.
Uma perda da moeda com esta magnitude significa, por exemplo, que na prática um só tijolo custa hoje mais do que uma casa com piscina em 1990”, escreve Perry, que foi detido logo no primeiro dia em que chegou à antiga Rodésia e relata com minúcia a sua amarga experiência prisional neste país transformado num imenso cárcere que perdeu cerca de dois milhões de habitantes nos últimos anos e onde grande parte dos que ainda não partiram são forçado a caçar animais selvagens para sobreviverem.
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, a esperança de vida no Zimbábue é de 34 anos para as mulheres e 37 para os homens – a mais baixa do planeta. E no entanto o ditador, de 83 anos, mantém-se agarrado ao poder, procurando perpetuar o seu regime de terror que não hesita em silenciar todas as vozes discordantes – incluindo políticos, sindicalistas, clérigos e jornalistas.
Nada inédito no continente africano, desde sempre um fértil viveiro de tiranias. Admira-me apenas o silêncio cúmplice de tantos intelectuais comprometidos com o progresso, que nem uma palavra de indignação exprimem contra a ditadura de Mugabe. Ou talvez nem deva admirar-me: conheço demasiado bem os manuais de indignação selectiva deste gente, que fala alto e se cala, alternadamente, consoante o quadrante geográfico ou a costela ideológica que estiverem em causa.

Conversão à liberdade

A propósito da leitura do livro dos Actos dos Apóstolos em baixo: o cristão convertido é existencialmente insatisfeito, tem sede de uma verdade maior. Não é feliz por ter, antes por ser. É feliz numa paz interior, de quem é profundamente livre da alienação, porque sabe ao que vem, e a quem serve. Porque aprende a amar. Porque aprende a confiar, porque aprende a entregar-se.
O cristão convertido assume o compromisso de viver em Cristo. Na prossecução da felicidade, no cumprimento desse amor, e porque não é egoísta, procura espalhar a preciosa Palavra redentora. Com humildade aos acomodados e distraídos. Com valentia, não temendo os poderosos do mundo, apregoa a Boa Nova bem alto aos novos fariseus "os de maior categoria". Despreza a sua mundana glória fácil, sendo piedoso e complacente com as modernas “Senhoras devotas”. Porque o cristão convertido acredita no livre arbítrio de toda a criatura de Deus. Acredita que enquanto existir desejo de verdade, enquanto houver um excluído do opulento banquete dos homens, aí encontrará terra fértil para a palavra de Deus. Aí se encontrará Cristo vivo, a felicidade verdadeira e a esperança na ressurreição. Mesmo que ainda tenha de voltar à clandestinidade das catacumbas, e ser humilhado no circo da soberba e da arrogância.
Eu, católico confesso, tenho esperança numa profunda conversão.

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Não há rapazes maus


Rui Pena Pires, com uma ingenuidade tocante, resume a ida de Joaquim Pina Moura para a TVI a uma "escolha empresarial". Nada de pressões políticas, pois. Nada de interferência do poder socialista numa televisão privada, portanto. O Canhoto, está visto, vive num mundo de santos e heróis, onde não há rapazes maus. Fica o registo, para memória futura.

Domingo

Livro dos Actos dos Apóstolos 13,14.43-52.

Quanto àqueles, deixaram Perga e, caminhando sempre, chegaram a Antioquia da Pisídia. A um sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se.
Depois da reunião, muitos judeus e prosélitos piedosos seguiam Paulo e Barnabé, os quais, nas suas conversas com eles, os exortavam a perseverar na graça de Deus.
No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra do Senhor. A presença da multidão encheu os judeus de inveja, e responderam com blasfémias ao que Paulo dizia.
Então, desassombradamente, Paulo e Barnabé afirmaram: «Era primeiramente a vós que a palavra de Deus devia ser anunciada. Visto que a repelis e vós próprios vos julgais indignos da vida eterna, voltamo-nos para os gentios, pois assim nos ordenou o Senhor: Estabeleci-te como luz dos povos, para levares a salvação até aos confins da Terra.»
Ao ouvirem isto, os gentios encheram-se de alegria e glorificavam a palavra do Senhor; e todos os que estavam destinados à vida eterna abraçaram a fé.
Assim, a palavra do Senhor divulgava-se por toda aquela região.
Mas os judeus incitaram as senhoras devotas mais distintas e os de maior categoria da cidade, desencadeando uma perseguição contra Paulo e Barnabé, e expulsaram-nos do seu território.
Estes, sacudindo contra eles o pó dos pés, foram para Icónio.
Quanto aos discípulos, estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.

Da Bíblia sagrada

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Tertúlia literária (175)

- Gosto mais da Margarida Rebelo Pinto do que da Rita Ferro. Tem melhor pena.
- Também gosto mais dela. Tem melhores pernas.

Do efémero ao eterno


Eduardo Pitta vai lançar esta semana, com chancela da Quasi, uma recolha de textos publicados no seu excelente blogue, Da Literatura. Postas que passam do efémero ao eterno, sob um título muitíssimo inspirado: Intriga em Família. Vou (re)ler.

Acordei optimista

Sarkozy vai ganhar, Cameron vai ganhar, Rajoy vai ganhar. Ou muito me engano ou a Europa vai mudar bastante nos próximos anos. E por cá? Bem, por cá, por enquanto, Alberto João Jardim vai reforçar a maioria absoluta o que já não é nada mau. E o Sporting vai ganhar logo à noite.

Sábado, Abril 28, 2007

Hoje apetece-me


Ter esta menina a cantar só para mim. Voulez-vous, Charlotte?

Blogues em revista

31 da Armada: "Antes do 25 de Abril, os comunistas iam para a prisa. Agora, vão para a Prisa." (Francisco Mendes da Silva)
O Arrastão: "Com a ida de Pina Moura para a Media Capital é o governo que quer controlar a TVI ou são os espanhóis que querem controlar o governo?" (Daniel Oliveira)
Hoje Há Conquilhas: "Portugal especializou-se na exportação de ex-primeiros-ministros e ex-Presidentes da República para o desempenho de cargos em instituições internacionais. (...) O problema é que estas exportações, ao contrário do concentrado de tomate e das conservas de atum, não ajudam a equilibrar a balança de pagamentos." (Tomás Vasques)
Mar Salgado: "A única coisa relevante no episódio do Chiado - indivíduos de cara tapada a gritar morte ao capitalismo e a praticar simples e inofensivo vandalismo - é a forma como os media se referiram ao assunto. Nem uma vez a expressão 'manifestantes de extrema-esquerda' foi utilizada." (Filipe Nunes Vicente)
Escola de Lavores: "Coitadinhos dos anarquistas. Só queriam fazer uma manifestação 'antifascista, anti-autoritária e anticapitalista'. O sistema é tão mau. A democracia é tão injusta que obrigou a primeira fila a andar tapada. Tão corajosos que nem querem dar a cara. Mas os papás pagam a advogada e os médicos, está bem?" (Susana Barros)
A Terceira Noite: "Gosto, gosto muito, dos blogues que me surpreendem com uma fala que nada tem a ver com a minha, com nomes que nada me dizem. Pensar como jamais poderei pensar, escrever como não sei escrever nem conheço quem saiba. E ler pelo prazer simples de ler." (Rui Bebiano)
Estado Civil: "Um dos mais espantosos livros sobre a paixão foi escrito por Emily Bronte, que morreu com 31 anos, vivia no cu de Judas e nunca tocou num homem na sua vida." (Pedro Mexia)
Boca de Incêndio: "Quando hoje acordei estava um barco veleiro a espreitar pela janela." (António Godinho Gil)

Hollywood em Lisboa

Pensava eu que os cineastas tinham uma vida difícil em Portugal, sempre à míngua dos subsídios estatais que tanto reclamam para produzirem as suas incompreendidas (e muitas vezes também incompreensíveis) obras-primas. António-Pedro Vasconcelos, autor de Perdido por Cem, é um dos que mais se queixam de estar “anos sem filmar”, ao ponto de receber uma avença no canal público de televisão como arauto do Benfica para poder ganhar a vida.
Triste sina, pensava eu. Mas não: afinal Vasconcelos até tem hábitos dignos de Hollywood. Numa das suas últimas colunas do semanário Sol, dedicada aos “benefícios do tabaco”, o homem que rodou Oxalá confessava aos compatriotas: “Fumo, de há uns anos para cá, um charuto sempre que posso. E devo reconhecer que a descoberta dos ‘puros’ trouxe-me uma capacidade contemplativa que eu não tinha, ajudou-me frequentemente a não tomar decisões precipitadas e propiciou momentos de convívio inesquecíveis depois de jantares rabelaisianos.”
Extraordinário! Dividido entre o amor aos puros e os “jantares rabelaisianos”, o nosso Orson Welles chega ao fim do mês sem graveto para ligar a câmara. Percebo-o bem: a vida é uma curta-metragem, há que curti-la. Felizmente o charuto à Hitchcock e à John Ford ajuda-o “a não tomar decisões precipitadas”. Fazer filmes, por exemplo. Defender Luís Filipe Vieira e Fernando Santos na pantalha custa um pouco menos do que rodar um filme. E, apesar de tudo, Nuno Gomes falha menos golos do que alguns actores falham “deixas” no plateau. Uma grande maçada.
E por falar nisto: já marchava uma massada de cherne com lagostins, ou um fondue de lagosta verdadeiramente “rabelaisiano”, regado com uma garrafa de Veuve Cliquot, geladinha comme il faut. Depois, um conhaque com o café. Nada de decisões precipitadas: o cinema pode esperar.

Postais blogosféricos

1. É um novo blogue, tem um elenco de luxo e promete dar que falar. Vamos estar muito atentos à Geração de 60.
2. Espreitei este blogue do Daniel Marques e fiquei com vontade de voltar a fazer uma visita.
3. José Carlos Matias abriu O Sínico. É bom para matar saudades do Oriente.

Tendências, sim. Fretes, não

Há uns tempos, quando ficou claro que a Prisa queria tomar conta da Media Capital, lembro-me de comentar com amigos que achava bem, porque ia finalmente haver uma clarificação sobre as tendências dos órgãos de Comunicação Social em Portugal, tal como acontece em Espanha, mas também em democracias mais maduras como a Inglaterra (por exemplo, Guardian, pró-trabalhista, Times, pró-conservador) ou França (Monde, socialista, Figaro, gaulista), e íamos deixar de ter uma falsa independência, que, aliás, só beneficia a esquerda, já que a grande maioria dos jornalistas identifica-se com ela. É verdade que na Espanha de hoje se exagera, confundindo tendência com jornalismo de fretes. Espero que por cá seja diferente e que a direita também crie, tal como aconteceu noutros países, os seus jornais de tendência. Acho até que essa clarificação trará mais leitores, tanto aos jornais mais à esquerda como aos mais à direita. Se houver espaço para jornais verdadeiramente independentes, tanto melhor. O mercado é livre.
Curiosamente, o único jornal que em Portugal se assumiu como de tendência tinha o nome de O Independente, mas viu-se que era apenas um projecto conjuntural de afirmação de uma ala do CDS contra o PSD de Cavaco SIlva. Antes, também o Semanário foi um projecto conjuntural da direita para derrubar o Bloco Central. Atingidos os respectivos objectivos, estes projectos morreram. Falta agora a direita pensar a sua intervenção na Comunicação Social a longo prazo, mas não caindo na tentação do jornalismo de fretes e do imediatismo. Pensar que Pina Moura e os socialistas, portugueses ou espanhóis, vão arrepiar caminho é perda de tempo. Esperar que Cavaco exerça o seu poder moderador perante abusos da maioria, já se viu que também é perda de tempo. E já nada causa escândalo à "opinião pública" portuguesa, que nem sequer está historicamente habituada a independências na imprensa. A Comunicação Social é, cada vez mais, com o advento das televisões privadas, o principal campo de batalha político.

Referendo à vista



Penso que está definitivamente esclarecida a questão do referendo sobre o tratado europeu: ele vai mesmo realizar-se. Essa é a posição dos dois maiores partidos e o que diz o primeiro-ministro não deixa dúvidas.
Haverá certamente argumentos sobre a necessidade de tornar o sistema mais democrático, de consultar os cidadãos, entre outras sentenças sobre o défice democrático europeu, a cidadania, a democracia e etc.
No entanto, a realização de um referendo europeu em Portugal será quase surrealista.
O País terá a presidência da UE no segundo semestre do ano. Até lá, na cimeira de Junho, sob presidência alemã, haverá uma decisão sobre o que fazer ao tratado. Há duas hipóteses nos extremos (abandonar o texto ou não mudar uma linha) e a solução escolhida estará algures na zona intermédia. Penso que acabaremos por estar muito perto de não mudar uma linha. Mais de dois terços dos países não aceitam alterações no coração do tratado, sobre as regras institucionais. As dúvidas que persistem dizem respeito à manutenção da parte económica e social, que pode até ser reforçada, sobretudo se Ségolène Royal ganhar em França. Outra incógnita é sobre o eventual aparecimento de novas políticas (reforço dos artigos sobre ambiente, política comum de energia).
O texto vai mudar de nome e deixará de ser Tratado Constitucional. Desaparecerão alguns artigos polémicos (todos os que têm carácter de Constituição). Enfim, pode haver uma simplificação do texto rejeitado em França e Holanda, mas as alterações serão relativamente reduzidas, pois isso facilitará a sua negociação a tempo de se cumprir o calendário de 2009.
Esta será a decisão alemã: não mexer no essencial, o que parece garantido com qualquer dos dois candidatos à presidência francesa.
A partir deste ponto, entra Portugal. No semestre português, deverá ocorrer uma Conferência Intergovernamental para negociar e decidir as alterações. Se tudo correr bem, o novo tratado estará pronto para ser ratificado em 2008 nos parlamentos dos países que já ratificaram o anterior (por isso se retiram os artigos polémicos e de carácter constitucional). Como muda de nome, o tratado até poderá chamar-se Tratado de Lisboa, que será designação mais inócua.
Ora, Portugal realiza um referendo, pelo que provavelmente nos vão perguntar se queremos ratificar o Tratado de Lisboa, que a presidência portuguesa conseguiu fazer aprovar, com tanto esforço. E os referendos normais têm o “sim” e têm o “não”.
Os partidos principais vão dizer que sim, senhor. As franjas políticas dirão que não, senhor. E, claro, o País estará proibido de responder “não”, porque essa resposta dará origem a uma crise europeia e ao absurdo de vermos o Estado que negociou a recta final do tratado a rejeitar esse mesmo tratado. E se toda a gente ratificasse, menos nós?

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O partido dos valores

A semana que passou foi muito interessante em termos políticos e apetece-me comentar alguns casos. Para isto não ficar muito longo, vou dividir os textos, começando pela eleição de Paulo Portas. Em primeiro lugar, devo dizer que acho que a ambição num político (desde que não seja a famosa ambição desmedida) é uma qualidade e não um defeito. Depois, por muito que não goste do estilo de Portas, e eu não gosto, tenho que reconhecer que ele se portou muito bem na coligação com o PSD no Governo (o partido em que milito, para quem ainda não saiba) e ganhou pontos na minha consideração. Portanto, não me causa nenhuma irritação ou preocupação especial ele ter sido eleito para líder do CDS e já sei que vai ter a benevolência dos socialistas e dos jornalistas e comentadores que lhes são próximos (como se viu ontem no Parlamento), sempre que não estiver coligado com o PSD e pareça servir para dividir a direita.
Para mim, o dado mais interessante da eleição de Portas é mostrar como estão as pessoas em Portugal. A verdade é que, ao escolherem o dirigente que sabiam que tinha andado a intrigar nos últimos dois anos contra a direcção legitimamente eleita por quatro de Ribeiro e Castro, os militantes do CDS mostraram, de forma esmagadora, que (ao contrário do que passam a vida a proclamar) se estão a borrifar para os "valores", preferindo um líder que, na sua opinião, terá mais destaque mediático e assim mais fácil acesso ao poder. Para quem tanto critica o "pragmatismo" do PSD, onde apesar de tudo os confrontos são mais às claras (veja-se, no actual episódio, Mendes, Menezes e Santana), não está nada mau.

O teste final

1. A forma como irá lidar com a questão da Câmara Municipal de Lisboa é o derradeiro teste para a liderança de Marques Mendes. Concordo com Marcelo Rebelo de Sousa quando ele disse há meses que Lisboa era provavelmente o maior e o mais duradouro dos problemas que Mendes tinha para enfrentar. É verdade.
Para já, aquilo a que estamos a assistir é uma total ausência de discurso, de tacto de de sensibilidade política para lidar com o envolvimento de Carmona Rodrigues no caso Bragaparques. Mendes devia ter agido logo. As informações que dão conta da vontade do PSD em não realizar eleições na capital são um sinal ainda mais preocupante. A partir deste momento, é simplesmente impossível que não haja eleições em Lisboa. Não é só Carmona que está ausente, algures em parte incerta, é Fontão de Carvalho com o mandato suspenso, é Gabriela Seara com o mandato suspenso, é Maria José Nogueira Pinto que já não está lá, é aquele candidato do PS que se pirou para o Parlamento, farto das reuniões na CML até altas horas.
Marina Ferreira, por mais que o núcleo duro de Mendes queira, não pode ser presidente da CML. Não é a questão de ninguém saber quem ela é, a não ser parte da distrital de Lisboa do PSD. É a capital que não votou nela. Nem ontem, nem nunca. Que se saiba, a senhora só foi candidata por duas vezes em secções locais do PSD e perdeu das duas vezes. Não pode estar à frente da CML. Não tem legitimidade democrática e se Marques Mendes for por aí estará a dar a machadada final na sua liderança do partido.

2. A haver eleições em Lisboa, quais serão os candidatos do PSD? Dizem-me que Mendes terá sondagens com testes a vários nomes e que o único capaz de obter um bom resultado, segundo o estudo, é o de Manuela Ferreira Leite. Que não será candidata. Portanto, quem resta? Poucos. Para mim, a única solução e a mais óbvia será Paula Teixeira da Cruz, uma mulher inteligente e com garra, capaz de disputar o palco a António José Seguro, João Soares ou Mega Ferreira. Mas não acredito que esteja interessada. O próprio Mendes não poderá ser candidato, pois daqui a dois anos, na sua óptica, será candidato a primeiro-ministro. Mesmo que fosse, o resultado seria um desastre. Pedro Passos Coelho? Cortou com Mendes e, segundo se diz, não quer ter nada a ver com a actual solução. Fernando Seara? Não me parece que seja homem para deixar Sintra e entrar numa luta imprevisível por Lisboa, mas logo se verá. António Capucho? Um homem sério, mas também não irá trocar o certo pelo incerto.
Ou seja, Mendes terá a vida muito complicada nos dois casos. Quer decida ficar com Marina Ferreira, quer não tenha outra solução senão as eleições, porque não irá conseguir arranjar um bom candidato.

Sexta-feira, Abril 27, 2007

Por me ter feito saltar a tampa

Estava aqui um texto que retirei depois de colocado. Vou voltar a publicá-lo amanhã, para que a bílis não me tolha o raciocínio. Tem a ver com isto e posso adiantar que não é um elogio.
Adenda: De facto, depois de ser obrigado a ouvir ontem Luís Delgado no «Expresso da Meia Noite» e de uma noite bem dormida, concluo que não vale a pena dar importância áquilo que não a tem. O post de Pedro Marques Lopes é só mais um de vários arrazoados de lugares comuns que está na moda escrever sobre Marques Mendes. Ignora o seu papel na privatização do sector da comunicação social e fala na «especificidade dos media» como se o autor conhecesse cada um deles muito melhor e soubesse onde fica, na TVI, a máquina do café. Os comentadores de trazer por casa preferirão sempre elogiar Paulo Portas a Marques Mendes, o espectáculo à substância, o suposto «carisma» ao conteúdo e capacidade política, as quezílias partidárias internas ao esforço desenvolvido e às vitórias alcançadas. É deixá-los estar e deixar andar. Além disso, não gosto de falar em causa própria. Por vezes, no entanto, a pressão na panela torna-se difícil de suportar.

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Notas sobre o debate parlamentar (I)


1. Marques Mendes passou os últimos dias a bradar contra José Sócrates nas questões da Universidade Independente e da ida de Pina Moura para a TVI. Na hora da verdade, no debate mensal desta manhã no Parlamento, o líder do PSD meteu a viola no saco. Sobre a Independente, nem um sussurro. Sobre a TVI, só falou depois de Sócrates o ter desafiado para o efeito. Saiu mal no retrato.
2. O primeiro-ministro esteve bem neste regresso ao Parlamento após ter andado semanas acossado na questão da sua formação académica. Jogou ao ataque, falou com desassombro, confirmou que é um "animal feroz" na arena parlamentar. Era até desnecessária aquela sessãozinha de aplausos em pé com que a bancada socialista o brindou após a intervenção inicial. Bem fez Manuel Alegre, que nesse momento se manteve fora do plenário. Apoio político é uma coisa, fazer vénias ao chefe é outra.
3. Mendes estava nervoso. Percebe-se porquê: o regresso de Paulo Portas à primeira linha do debate parlamentar, anunciado em sucessivos títulos da imprensa, levou o líder laranja a acentuar o tom agressivo para marcar terreno. Disparou contra Sócrates um arsenal de qualificativos desabonatórios - de prepotente a caprichoso, de arrogante a insensível. Não havia necessidade: afinal Portas foi muito mais tolerante para o PS do que os sociais-democratas receavam. Na sua última prédica dominical, Marcelo Rebelo de Sousa já tinha avisado que tudo se passaria assim...

Notas sobre o debate parlamentar (II)

4. Não há que enganar: o novo CDS é a oposição de que este Governo há muito estava à espera. Sócrates e Portas trocaram amabilidades sem rodeios. O sucessor de Ribeiro e Castro desafiou o primeiro-ministro a comparecer mais vezes no Parlamento: Sócrates acedeu de imediato, demarcando o CDS das "insinuações" e "ataques pessoais" que lhe têm sido dirigidos pelo PSD.
5. Por uma vez, a esquerda parlamentar cedeu terreno à direita. Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã estiveram apagados neste debate. Foram brandos nas críticas, deixaram a Marques Mendes o monopólio das frases contundentes. E assistiram calados quando o líder laranja se insurgiu contra a ida de Pina Moura para a TVI, a seu ver "uma vergonha, um escândalo, uma promiscuidade". Sócrates retorquiu-lhe: "Em matéria de controlo dos media públicos, o PSD não pode dar lições de moral." As bancadas do PCP e do Bloco de Esquerda nada disseram sobre a nova administração da TVI. Sobre a Independente, também nem uma palavra.
6. Santana Lopes nem se deu ao incómodo de bater palmas a Marques Mendes para (a)parecer bem na fotografia.
7. O debate acabou, três horas depois, com apenas 13 deputados sociais-democratas na sala das sessões. Pormenor elucidativo sobre a qualidade da oposição que temos...

Momentos Kodak (48)

Que a história se repita! De preferência sem lances polémicos...
(Maio de 2006)
Fotografia: Rodrigo Cabrita

Firme e hirto

Hoje, durante o debate mensal, Paulo Portas disse a José Sócrates que tinha voltado para lhe fazer uma oposição "firmíssima". Sócrates respondeu-lhe que se fosse só firme compreendia, agora "firmíssima" denotava alguma insegurança.
De facto, e à primeira vista, o regresso de Portas não correu às mil maravilhas. Apareceu no debate mensal sem ideias (a segunda ronda foi até ligeiramente patética) e a achar-se o melhor condutor do mundo. Da soberba sobrou a ideia de passar os debates mensais a meia hora por semana. Sócrates, esperto que nem um carapau, aceitou logo - mesmo dando de barato que já tinha concordado com um modelo semelhante ao actual mas mais leve no projecto de reforma do Parlamento do seu potencial sucessor, António José Seguro.
O primeiro-ministro não quis acreditar na esmola. Portas voltou manso como um cão amestrado. Marcelo Rebelo de Sousa e Manuela Ferreira Leite tinham razão: até podíamos ter a ilusão de pensar que Portas voltaria para complicar a vida a Sócrates e, por arrasto, a Marques Mendes. Afinal veio mesmo para ser o seguro de vida de Sócrates para 2009. Se falhar a maioria absoluta, há sempre ali um partido à disposição para aprovar uns orçamentos, deixar passar umas propostas de lei e, no limite, fazer um acordo de incidência parlamentar, aceitando uns lugarejos no melhor que o Estado tiver para oferecer. A nova embalagem de Portas tem mesmo sabor a queijo...

Uma questão de fundos

Carlos Albino desafia Vital Moreira. Um duelo (ao sol) deveras interessante e para ir seguindo...

Interregno tablóide


Enquanto os meus camaradas que realmente têm algo de importante a dizer sobre o país não se decidem a escrever, faço aqui um intervalo a propósito do mail de uma amiga que acabei de receber, comunicando-me o fim do seu romance com um príncipe indiano e a muito interessante experiência que ambos tiveram com a ayahuasca. Conheci a Emily há três anos - tinha ela 21 acho eu por razões legais que me convêm - no Largo Camões, em Cascais, onde cantava o seu último álbum «Domination». Isto à noite. Durante o dia exibia o seu corpo nu pintado de verde em jeito de mulher estátua. Após a primeira hora de conversa, convidei-a para ficar em minha casa porque achei que não fazia sentido estar acampada em frente à igreja paroquial (nem mesmo eu desejo tal escândalo na vida do Padre Raúl). Fiquei a saber que a Emily fazia o curso de estudos orientais em Londres, aos 18 vivera 6 meses na Indonésia onde aprendera a língua, surgira nos escaparates dos jornais ao acorrentar-se - também nua e vestida de verde - ao portão de um jardim em vias de se tornar parque de estacionamento na cidade de Winchester e, por prazer que não por necessidade, gostava de fazer table dancing num bar de strip londrino. Entender a Emily é entender a globalização. Acreditem no que vos digo.

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Nas colunas


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Curiosity killed the cat


Quem vê caras, não vê saldos de multibanco.
Foi isso que pude comprovar com o talãozinho que aquele cavalheiro deixou descuidadamente na máquina após ter levantado... dez euros.
Garanto que nunca tinha visto um talão com tantos números. Antes de chamar o senhor, não consegui resistir. Duas Avé Marias e três Pais Nossos.

Rivalidades

Gostar de futebol a sério é viver a vertigem dum derby. É assumir uma apaixonada rivalidade. É agigantar as expectativas e atirar os foguetes todos, mesmo antes da festa. Desdenhar os rivais, arranjar lenha para nos queimar. É a desonestidade intelectual com antecipado perdão. É um jogo perigoso para uma eufórica glória... ou apenas uma efémera desilusão. Uma amável e salutar criancice.

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33 anos depois

É bom saber que os jovens de hoje continuam a saber fazer um cocktail Molotov. E ainda dizem que é a geração dos shots, tsc, tsc.

Vou deixar de ler notícias

É que se um homem começa a ler tudo o que se publica, é um passo até desatar a bater mal e a ver causas e efeitos em todo o lado, qual Mel Gibson no «Teoria da Conspiração». Por exemplo isto:
«O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou hoje, no Parlamento, que os planos municipais de ordenamento do território vão deixar de ser submetidos a ratificação do Conselho de Ministros». No Diário Digital.
«Investimento em resorts deverá chegar aos 13.500 milhões de euros até 2017. 61 projectos previstos para a próxima década». No Público Imobiliário.
Estão a ver, ou não?

A escassa minoria

Imagino que o João Pedro Henriques não tenha tido muito tempo, depois de receber e analisar os resultados da sondagem, para escrever este artigo de hoje no DN. Nele, fala-se por duas vezes numa «escassa maioria» que acha que Sócrates saiu fragilizado do caso UnI. A «escassa maioria» são 50,2% dos inquiridos e isso, de acordo com JPH, «choca com a opinião de alguns comentadores, que afirma que o caso produziu um abalo forte na sua imagem». Lido isto, fico com a impressão de que se cria uma discordância onde ela não existe. Quanto muito, seria a escassa minoria dos 41,8% a «chocar» com os comentadores. Ou não? Não quero armar-me em Paulo Gorjão, mas há aqui uma lógica qualquer um bocado desafinada.

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Sexta-feira (bis)


Sem desprimor para a rapariga abaixo que gastou todo o seu ordenado em injecções de silicone na zona labial e uma vez que o debate da nação paralisou também este blogue, como parte integrante da mesma, aqui fica: (A programação habitual segue dentro de momentos).

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Sexta-feira


Denise Richards.

Quinta-feira, Abril 26, 2007

E agora?

Segundo informações de última hora, Carmona Rodrigues poderá sido constituído arguido no âmbito do caso Bragaparques. A confirmar-se, espera-se que Marques Mendes clarifique se mantém ou não a confiança num presidente de Câmara Municipal que pode ser arguido, critério aliás usado para retirar o apoio a figuras como Valentim Loureiro e Isaltino Morais. Se bem que há arguidos e arguidos (a condição não implica que venha a ser condenado por algum crime, porque tem direito a defesa), Marques Mendes fez, e bem, da credibilidade um factor de preferência nas escolhas dos candidatos do PSD nas últimas autárquicas. Este critério serviu de base para afastar outros eventuais candidatos.
Acontece que Carmona Rodrigues já garantiu que não se demite e que pretende levar o seu mandato até ao fim. Está no seu direito e, aliás, o seu gabinete desmente que o autarca tenha recebido qualquer notificação oficial. A ver vamos. Mesmo que receba, Carmona deverá querer provar a sua inocência - e eu acredito que seja um homem bem intencionado. O problema, contudo, não reside só aí. Neste momento, a CML não tem vice-presidente, arguido no mesmo processo e com o mandato suspenso, não tem a vereadora mais poderosa em funções, também constituída arguida e com o mandato suspenso, não tem uma administração da EPUL na plenitude de funções, pois os seus administradores foram também constituídos arguidos. Isto a juntar à saída voluntária da vereadora do CDS/PP, Maria José Nogueira Pinto, por ter abandonado a militância do seu partido, à saída do candidato principal do PS, para se dedicar a outros voos, e às confusões de outro vereador eleito pelo PSD. A CML que foi eleita pelos lisboetas não tem qualquer legitimidade democrática. E, a continuar por este caminho, o executivo camarário e o seu grupo de vereadores constituirão mesmo uma trupe de estranhos ao eleitorado. Um exemplo: se Marques Mendes eventualmente viesse a retirar a confiança a Carmona e não quisesse eleições antecipadas, a presidência da CML seria entregue a... Marina Ferreira. Por melhor que a senhora seja, e tenho amigos que dizem que é uma trabalhadora edicada, não foi escolhida pelos eleitores de Lisboa e a sua subida a número um da CML iria equivaler a uma grande perversão da democracia directa. O espectáculo soma e segue.

Breaking news

MIT dean resigns over misrepresented credentials

"Marilee Jones, a prominent crusader against the pressure on students to build their resumes for elite colleges, resigned Thursday as dean of admissions at the Massachusetts Institute of Technology after acknowledging she had misrepresented her own academic credentials.
Jones has been a popular speaker on the college admissions circuit, where she urged parents not to press their kids too hard, and told students there are more important things than getting into the most prestigious colleges. She rewrote MIT's application, trying to get students to reveal more about their personalities and passions, and de-emphasizing lists of their accomplishments.
But Jones, dean since 1997, issued a statement saying she had misrepresented her credentials when she first came to work at MIT 28 years ago and "did not have the courage to correct my resume when I applied for my current job or at any time since.
"I am deeply sorry for this and for disappointing so many in the MIT community and beyond who supported me, believed in me, and who have given me extraordinary opportunities," she said, adding she would have no further comment."
Para quem gostou de ler este pequeno naco de prosa, da autoria da AP, e que revela o que se passa no prestigiado instituto que o Governo trouxe para fazer protocolos com o nosso País, eis o resto da notícia na CNN. Como dizia a outra, não há coincidências... Nenhuma, aliás.

País que exporta dirigentes

Jorge Sampaio foi nomeado Alto Representante para o Diálogo das Civilizações da ONU. O que está a dar é ser ex-primeiro-ministro ou, no caso, ex-Presidente da República. Depois de António Guterres e de Durão Barroso, Sampaio sobe na hierarquia da ONU, provando que, na prática, nós quando queremos um cargo internacional, ele é nosso. A grande excepção foi Mário Soares, que há uns anitos não conseguiu, sequer, ser eleito presidente do Parlamento Europeu. Ele que tinha aceite ser candidato a eurodeputado só por causa disso e com imensas garantias. Mas isso é uma longa história...

Parece que lhes caiu o céu em cima


Já repararam bem nas expressões faciais dos treinadores do FC Porto, do Sporting e do Benfica? Jesualdo Ferreira, Paulo Bento e Fernando Santos são homens incapazes de sorrir. Mesmo quando ganham surgem nas conferências de imprensa com expressão triste, macambúzia, crispada. Como se ganhar não lhes desse afinal qualquer prazer. A alegria do desporto nada tem a ver com este futebol de alta competição bem espelhado nos rostos dos principais técnicos. Olho para eles, um por um: parece que lhes caiu o céu em cima.

Súbita nostalgia


Das memórias remotas do Verão de 1974, esta é que mais retenho: Seasons in the Sun.

«Dá pa´descer à má fila»...

...«Pumba, pumba, pumba, todos lá pa'dentro»

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Gostei de ler

1. 25 de Abril sempre. De Pedro Marques Lopes, na Atlântico.
2. 25 de Abril de 2007. Do Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas.
3. Abril. De Francisco Valente, n' O Acossado.
4. Querido blogue. Da Rita Barata Silvério, na Rititi.
5. Que estranho país o meu. Do José Carlos Gomes, na Política e Sociedade.
6. Memórias. Do Helder Robalo, no Pensamentos.
7. Xica Bia. Do Eduardo Pitta, no Da Literatura.
8. De Espanha nem boa imprensa... Do Vítor Matos, no Elevador da Bica.
9. Punição para o negacionismo? De João Tunes, na Água Lisa.
10. CDR. Do Francisco José Viegas, n' A Origem das Espécies.
11. Foste mesmo puta? Do André Moura e Cunha, no In Absentia.

Uma luz que vem do túnel

Do alto da torre 3 das Amoreiras, nesta tarde soalheira e cristalina, observo contente o trânsito que flui suave, como se hoje fosse um calmo Domingo de Agosto. Uma experiência única a que nos vamos habituar facilmente, como acontece sempre com as coisas boas.
O resto, é o ruído de uma democracia doente e de um país deprimido, com medo de ser feliz.

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Televisão, loucura e morte



As imagens post mortem do tresloucado assassino que na semana passada semeou a morte numa universidade da Virgínia foram difundidas pela cadeia norte-americana NBC e a partir daqui irradiaram por várias televisões em todo o mundo, incluindo Portugal. São imagens de um indivíduo claramente desequilibrado, com apelos ao ódio e à morte. Têm nulo valor informativo e apenas se destinam a emocionar os espectadores. É este o jornalismo dominante, que cada vez mais troca o raciocínio e a racionalidade pela emoção gratuita, pela exploração do medo e pela amplificação da bizarria e do grotesto. A imagem do assassino, com as suas frases desconexas, é um insulto à memória das suas 32 vítimas. E mais um degrau que se desce no caminho da indignidade neste mundo onde qualquer idiota consegue a sua ração de fama – nem que seja preciso matar para isso.

Estreia esta sexta-feira num Parlamento perto de si


Espera-se que o debate mensal de amanhã seja um pouco mais animado do que o costume. Pode ser que até venhamos a ter mais exercício do contraditório e menos vexame do primeiro-ministro em relação a um dos líderes da oposição. Marques Mendes, que falou como falou no caso Independente, que se prepare. José Sócrates deve avançar com as baterias todas e ainda por cima com aquela falta de chá que se lhe reconhece.
Mas amanhã a maior curiosidade irá residir na estreia de Paulo Portas no debate mensal, nesta sua nova versão. Portas terá muito para provar. Normalmente os regressos não resultam bem. À excepção de Francisco Sá Carneiro, ninguém na política portuguesa soube voltar com sucesso ao lugar que já antes tinha ocupado. No CDS pior ainda. O partido é exíguo, não tem grande base de apoio popular e perdeu o seu trunfo durante anos: a representação autárquica. Hoje em dia nem os senhores da terra votam CDS. Diogo Freitas do Amaral, para dar o exemplo mais flagrante, não foi feliz quando voltou ao partido, depois de em 1986 ter perdido por um triz a Presidência da República com a magnífica campanha do Prá Frente Portugal. Chegou ao Caldas e espalhou-se com a tese da equidistância, demonstrando que os 49% que tinha obtido contra Soares mais não eram do que os votos de Cavaco Silva - que este, de resto, iria arrebatar nas legislativas seguintes, de 1991.
A partir de amanhã, Portas terá de começar a provar por que razão resolveu remover José Ribeiro e Castro da liderança do partido. E deverá demonstrar que veio mesmo para fazer oposição ao "engenheiro" Sócrates. Porque em 1995, na altura ao lado de Monteiro, também fez campanha a dizer que o PP seria oposição a tudo e a todos e acabou essa legislatura (e a seguinte) a negociar orçamentos com Guterres por debaixo da mesa.
Já agora, atente-se a este cartaz e às pessoas que Portas foi eliminando ao longo dos anos (e não foram tantos assim) ou que, por sua iniciativa, se foram afastando... Do lado direito e do lado esquerdo, estão Maria José Nogueira Pinto (que saiu do partido), António Bagão Félix (que colaborou com Ribeiro e Castro, portanto deve pagar por isso), António Lobo Xavier (que foi dizendo umas verdades e que não terá gostado da forma como foram organizadas as directas), Miguel Anacoreta Correia (que substituiu Nogueira Pinto na CML e que foi vice do ex-líder) e José Ribeiro e Castro (ele mesmo, vejam bem). São muitos, não são? Quantos dos outros irá agora Portas usar e consumir do melhor que têm para dar à política, para depois os deitar fora pelo caminho?

E ainda falam da morte do papel

Se calhar recuperou-o de alguma gaveta

«Se não soubesse que foi proferido por Cavaco Silva, admitiria sem dificuldade que este discurso pudesse ter sido de Jorge Sampaio». Paulo Gorjão, no Bloguítica.

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O país do Amor


É Primavera, embora hoje não pareça, e acho Portugal um óptimo país para namorar. Uns bons anos depois do 25 de Abril fui expulso da piscina do Estoril-Sol por estar deitado em cima da minha namorada (bem confortável e fofinha por sinal) numa posição considerada indecorosa. De quando em quando, ao longo da minha vida, lá fui ouvindo impropérios seguidos das frases «por que é que não arranjam um quarto?!» ou «antigamente iam ver o que era bom, se fizessem essas figuras na rua!». Tudo isso me faz crer que, no tempo do Outro Senhor, as demonstrações de afecto e de desejo não eram lá muito bem vistas. Hoje não é assim pois não? Nem nunca mais vai ser, não acham? Por isso, toca a esquecer os ódios e desatar a beijocar as pessoas de quem gostamos. Faz muito melhor à saúde.

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Ajudava a perceber muita coisa

De acordo com o nosso Pedro Correia no DN, José Sócrates aplaudiu ontem Pina Moura e declarou aos jornalistas, parafraseando Jesus Cristo: «Deixemos ao Estado o que é do Estado e aos privados o que é dos privados». Uma afirmação louvável. Se não soubesse o contrário, até julgaria que o nosso Primeiro tem aparecido nos Encontros dos Jerónimos sobre o papel do Estado-Garantia. Mas, já agora, poderia esclarecer-nos sobre que é, exactamente e na sua quase divina clarividência, «do Estado»?

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Quarta-feira, Abril 25, 2007

O país do ódio

O 25 de Abril trouxe a democracia a Portugal, depois de uma luta dos verdadeiros democratas que só foi vencida a 25 de Novembro de 1975, mas também muito ódio, que perdura até hoje, 33 anos passados. Ódios de classe, ódio a quem triunfa, a quem consegue viver melhor, a quem se destaca de um nivelamento por baixo. Ódio que está por todos os lados, nas empresas, nas universidades, nos meios culturais, entre os jornalistas, nos comentários, principalmente anónimos, da blogosfera. O ódio dessa esquerda revanchista foi hoje exemplificado pela abertura do túnel do Marquês. Nunca houve obra tão odiada em Portugal. Nem mesmo o Centro Cultural de Belém. A esquerda, que nunca aceitou ter sido derrotada numa Lisboa que achava que lhe pertencia, tudo fez para que a obra, que era apenas uma simples obra, não fosse avante e hoje parece que quer que haja um acidente lá, com muitos mortos, ou que se verifiquem engarrafamento quilométricos para mostrar que a odiada direita não tem o direito de ser escolhida pelos eleitores. O que fazer perante isto? Nada. Com o ódio não se discute. Ainda terão que passar muitos anos (outros 33?) para que este ódio desapareça.

A importância das boas maneiras


É importante saber ganhar. E é importante saber perder. Ribeiro e Castro não soube. Na hora da derrota, ao ser rejeitado em eleição directa por três quartos dos militantes do CDS, foi incapaz de sair de cena com elegância, ignorando por completo o seu adversário. Paulo Portas, goste-se ou não dele, merecia uma palavra de saudação: é essa a praxe em democracia. Se nem o velho CDS - institucional, cavalheiresco e conservador - respeita as boas maneiras, o que havemos de esperar do novo?

Fiquei curioso

O Daniel Oliveira, insuspeitíssimo de alimentar qualquer sombra de simpatia pelo PSD, diz aqui que o melhor discurso da sessão parlamentar comemorativa do 25 de Abril ("demolidor para Sócrates") coube ao social-democrata Paulo Rangel. José Medeiros Ferreira, também insuspeito, anota aqui algo semelhante. Fiquei curioso. O discurso (que não ouvi) deve ter sido mesmo bom.

A ler

1. "Sinais de fraqueza", do Rui Costa Pinto.
2. "25 de Abril, Sempre!", do Rodrigo Moita de Deus.
3. "Fusão dos hospitais militares", de João Miranda.
4. "Vigilância democrática", de José.
5. "Pedimos desculpa por esta interrupção, o 25 de Abril segue dentro de momentos", do José Adelino Maltez.

Só para saber


Mas vamos ter que gramar com este filme da treta todos os santos (perdão, laicos) 25 de Abril de cada ano, até ao fim dos nossos dias? Ninguém faz outro? Só para termos uma versão assim um bocadinho menos explicada às crianças do que esta, a dar-nos a versão limpinha da História como quem nos enfia a colherzinha de papinha na boca?

Democracia sempre

No dia 25 de Abril eu não festejo aqueles que nos queriam transformar numa Checoslováquia, numa Jugoslávia ou numa Albânia. Festejo (interiormente, claro está) aqueles que nos queriam transformar num país de democracia burguesa e ocidental, como o Mário Soares de então e Sá Carneiro e a sua Ala Liberal. Os anti-democráticos, à direita e à esquerda, já entraram para o caixote de lixo da história e não vale a pena perder tempo com eles. Aos que nos deram a verdadeira democracia, a esses todos os nossos agradecimentos e homenagens não são demais.

Música do meu tempo (10)


Tertúlia literária (174)

- Uma rosa é uma rosa é uma rosa.
- Vê-se logo que és socialista. Não sabes dizer outra coisa.

Ora verifiquem lá

Zeferino Boal? Com um nome desses têm a certeza de que foi o autor de uma denúncia anónima? A mim, parece-me mais pseudónima...

Avisos

Cavaco Silva usou o seu segundo discurso do 25 de Abril para apelar aos jovens portugueses: "não se resignem". Mas o discurso foi mais que isso. Quem o ler ou ouvir com atenção verá que estão lá três ideias fundamentais: este é o ano decisivo para arrancarem as reformas estruturais (é a segunda vez que o Presidente avisa), a comunicação social deve manter-se isenta e responsável (numa alusão ao caso Pina Moura?) e é importante que sejamos governados por "uma classe política qualificada". Isto para além de dizer que "não devemos ignorar que existem sinais de preocupação". Isto, muito mais do que repensar o "ritual" da comemoração do 25 de Abril, é para registar.
Para além de Cavaco, só Paulo Rangel mereceu ser ouvido. Com um discurso muito conseguido na forma e no conteúdo, o deputado do PSD pôs vários dedos na ferida: fala em "ameaças" e "nebulosas" que envolvem a democracia e denuncia as tentativas de o Governo "seduzir e influenciar a agenda mediática". Rangel acabou por reduzir a cinzas todos os outros discursos partidários. José Sócrates pode considerar que se tratou de "bota-abaixismo", que sinceramente não sei o que é, mas o que o deputado diz muita gente pensa e sente. Até hoje, que eu saiba, foi o único responsável do PSD a responder à letra àquele discursinho do primeiro-ministro no jantar dos 34 anos do PS, no qual José Sócrates falava na necessidade de uma "democracia decente". Rangel sublinhou que o problema da democracia formal está resolvido e que se vive hoje em dia num clima de "claustrofobia democrática".

Da arrogância e mesquinhez

Alguns comentários a este meu texto, reflectem quanto a mim uma incomensurável arrogância e mesquinhez. Eu explico: não sou jornalista nem historiador, e assim sendo esta foi uma abordagem à efeméride assumidamente intimista, obviamente subjectiva. Escusei-me deste modo a descrever experiências e FACTOS por mim vividos que guardarei para outros públicos. Limito-me a falar de sentimentos e sensações por mim vividos. Os meus sentimentos não são comparáveis qualitativamente ou quantitativamente com os de ninguém mais, foram tão só experiências pessoais únicas. Vivi esta revolução e não outra, através dos meus sentidos e não pelos de outros... naturalmente condicionado pela minha história e origem sociológica.
De resto no meu texto assumo a benignidade da revolução grosso modo, de um ponto de vista racional e pragmático. De todo egoísta, e garantidamente democrático. Como prova disso, recebam lá estes cravos escolhidos a preceito.

PS.: Caro João: Não sofro desse tipo de alergias, mas obrigadinho na mesma!

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Novo blogue da Atlântico

A revista Atlântico aproveitou o 25 de Abril (quem diria) para revolucionar o seu blogue. O layout é escorreito, com um bonito design e de leitura mais fácil.

A cinderela

O artigo de Rui Ramos no Público de hoje é de leitura obrigatória. Sob o título "Cinderela em S. Bento", o historiador diz coisas como esta: "O Governo sabe que a série de badaladas para a meia-noite pode começar assim, com os percalços de uma licenciatura. Quando os pajens voltarem a ser ratos e a carruagem uma abóbora, desta Cinderela talvez nem fique o sapatinho".

Facto geneticamente irrelevante

A minha mãe gostava muito do senhor
General Kaúlza de Arriaga.

À cautela

Se há coisa que não vou fazer hoje é ligar a televisão.

Nas colunas


«...Vamos armar os explorados
Nossos pais nossos irmãos
Com as armas que a burguesia
Colocou nas nossas mãos

Expropriar essas armas
Para o Exército Popular
Com a Classe Operária
gloriosa a comandar»
(cont)

Poema de Leonel Santos, música do Coro Popular «O Horizonte é Vermelho».
«VIVA A CULTURA DEMOCRÁTICA E POPULAR, PATRIÓTICA E CIENTÍFICA E DE MASSAS»!


e ainda

«Se conspira ou ameaça
se projecta intentonas
só há uma solução
tem de levar nas lonas
(...)
Se o ELP e companhia
nos querem lançar a rede
só há uma solução
encostá-los à parede»

LUTAR, VENCER. José Jorge Letria. Colaboração Instrumental de Hermann José, Júlio Pereira, Guilherme Inês e Rui Reis. (1975)

Devem ter sido tempos difíceis para quem tivesse o mínimo de ouvido para a música e um pendor para a prosa assim um bocadinho menos sanguinário. Ah lá isso devem!



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Foi (também) para isto que se fez o 25 de Abril


Feriado. Ninguém na estação de metro: sensação de tranquilidade absoluta. Mas não: puro engano. Logo uma voz feminina começa a debitar "notícias" do altifalante, com uma contundência digna dos feirantes de Carcavelos. À falta de melhor, fico a saber que "a oferta do BCP sobre o BPI foi lançada a treuze de Março de 2006." Que bom.

Mais um incontinente

João Vacas é a nova contratação dos Incontinentes Verbais, para mim uma das melhores “marcas” da blogosfera nacional, cada vez com mais “miolo”. Parabéns a todos, especialmente à empresária Mafalda pelo feito.

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Para o João, com amizade

Sabonete esfoliante anti-cravos, da Johnson.
Acho a recomendação de uso diário um bocado exagerada, passados todos estes anos.

Terça-feira, Abril 24, 2007

Esta festa não é minha

Mal terminada a festa, quando parecia conquistada a esperança, logo uma escumalha ressabiada e intolerante ocupou a praça, a estragar tudo. A turba em tons vermelhos e de punho erguido bradou à morte e incitou à guerra. A que chamavam luta. Iniciando então um impiedoso assalto ao poder que todos os dias nos roubava mais a liberdade. Então, a revolução de 74 abalroou a nossa vida, assaltou a casa dos meus pais. Para nos tornar em novos proscritos. Como foi possível tanto ódio?
Na época, eu era um imberbe e juvenil estudante, que por imitação do meu pai me tornara precocemente politizado e discursivamente assertivo. E foram muitas as angústias e apreensões vividas em família naqueles inesquecíveis tempos “revolucionários”.
Os sentimentos por mim experimentados na sequencia da revolução de Abril, as memórias que guardo daqueles protagonistas, as lembranças dos seus esgares e trejeitos fanáticos, das suas arbitrariedades e da minha total impotência, causam-me ainda hoje amargos sentimentos.
Reconheço na democracia conquistada a posteriori o melhor sistema político possível. Como cristão e democrata, bater-me-ei sempre com todas as minhas forças pela liberdade e pela justiça. Hoje como então.
Por mim, agradeço a liberdade pela qual afinal também lutei. Mas não me convidem para esta festa da qual fui excluído faz amanhã 33 anos.
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Ilustração daqui

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gabriel e o génio

Como bom português que sou, eu também gosto muito do Cristiano Ronaldo e acho que ele é dos melhores, ou mesmo o melhor, do mundo. Mas acabo de ver o Manchester-Inter e já não aguentava ouvir o "gabriel alves" que eles têm agora a fazer comentários na RTP a dizer que o Cristiano Ronaldo era um génio e a ver genialidade em cada toque que dava. A verdade é que, fora a cabeçada que deu golo e mais dois ou três remates e outros tantos passes, o génio teve um comportamento de fuçãozinho típico de um miúdo de 22 anos a quem passam a vida a chamar de novo Pelé ou Maradona. Em campo, de génio foram os dois golos do Kaká, o passe de Scholes (segundos antes do gabriel alves dizer que ele estava muito apagado) e o último golo do Rooney. Tomara que o Cristiano seja um génio, mas ainda tem muito que fazer para demonstrá-lo. E, sobretudo, não ouvir aos gabriéis alves cá do sítio e de outros sítios.
(Este post é um pouco injusto em relação ao verdadeiro Gabriel Alves, mas saiu assim)

E só daqui a umas horas...


...É que o dia vai começar assim aqui nas redondezas
(embora a modos que ligeiramente mais alto)

25 de Abril é já daqui a umas horas

E a mim também me alembra dos ferrolhos.

Terá ele (também) uma lágrima no canto do olho?

Não vejo o programa com regularidade, mas assisti certa vez a um compacto do «Só Visto» e, seja qual for o/a convidado/a, é certo que acaba num oceano de lágrimas depois de um flash back que é uma autêntica viagem a 300 à hora na auto-estrada da memória e sem portagens.
Amanhã, o convidado especial é Mário Soares. Estou expectante. Depois do seu papel no despontar da lágrima no canto do olho do nosso Primeiro, era só o que mais faltava.

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Água com picos

O Água Lisa chama-me "pitonisa da ciência política"; o Paulo Gorjão não discorda completamente, até dá de barato que os barrosistas "possam vir a ter um papel relevante na derrota interna de Luís Marques Mendes em 2008", mas parece-lhe que "o maior perigo, a emergir antes de 2009, será outro". Já agora, qual deles, meu caro Paulo? Os "perigos" são tantos... O J. M. Coutinho Ribeiro concorda com a minha opinião e compara-a com um post seu de há uns tempos.
São ecos de um post que até era para ser dos pacíficos. Estava longe de pensar que, por causa dele, me iriam chamar "pitonisa" na blogosfera. Logo eu. Esta é boa. O cartomante das águas com picos fique sabendo que não colecciono cromos há muitos anos, não mastigo pastilha elástica de boca aberta e não sinto as saudades que me atribuiu.

Música do meu tempo (9)


Happy Mondays - "Step On"

Defeso

O Pedro Arroja deixou o Blasfémias com uns cravos na lapela (quem diria), o texto mais curto que conseguiu escrever e 371 comentários (sim, leram bem, nem o blogue do Vasco e da Constança ia tão longe) na caixa do correio dos leitores. Sai, não se sabe muito bem porquê, nem a troco do quê. A mim nem me interessa, até porque vou continuar a ler o Carlos Abreu Amorim, o Rui Albuquerque, o João Caetano Dias, o João Miranda, o Gabriel Silva, a Helena Matos, entre outros. O 31 da Armada, sempre atento ao mercado, já lançou o isco ao homem...

Jornalismo de trincheira


Há entre os jornalistas muitos defensores do chamado “jornalismo de tendência” – isto é, dos jornais alinhados editorialmente com ideologias ou até mesmo com partidos políticos. Sempre fui contra isto. E o que tem vindo a acontecer com a imprensa espanhola só me dá razão. O El País e o El Mundo, os dois principais diários espanhóis, nunca foram tão alinhados politicamente – e nunca se desprestigiaram tanto por isso. O El País, que há muito revelava claras simpatias pelo PSOE, é hoje uma espécie de câmara de eco do Executivo socialista: nas suas páginas desfilam os membros do Governo, sempre apresentados como figuras dinâmicas, enquanto os editoriais escorrem ódio contra o principal partido da oposição, ao ponto de o jornal ter já apelado a uma insurreição nas fileiras do PP para depor o actual líder do partido, Mariano Rajoy. O El Mundo, que sempre se mostrou alinhado com o anterior Executivo de José Maria Aznar, faz agora cruzadas incessantes contra o Governo de Zapatero e os socialistas em geral, como se tem visto na cobertura do julgamento dos implicados nos atentados de 11 de Março de 2004.
Praticam ambos um jornalismo de facção: para sabermos o que realmente se passa em Espanha temos de ler os dois e fazer a síntese possível daquilo que publicam. Não custa vaticinar que se descredibilizem a curto prazo, talvez sem remissão. E não custa perceber que se este modelo ainda pode funcionar num vasto mercado de leitores, como o espanhol, seria um desastre completo em Portugal, onde é preocupante o número de pessoas que vivem permanentemente divorciadas dos jornais. O equilíbrio editorial, além de uma imposição deontológica, é também uma questão de simples bom senso. Há coisas que podemos e devemos importar de Espanha: o jornalismo de trincheira não.

Devoto do Governo

Vital Moreira, como não podia deixar de ser, aplaude a ida de Pina Moura para a administração da TVI. Presumo que também não lhe repugna que o ex-delfim de Cunhal e ex-ministro de Guterres acumule as funções de homem forte do canal de Queluz com a presidência da Iberdrola: na sua perspectiva, devem ser múltiplas missões de serviço público. Compreendo. Já acho menos compreensível que Vital compare o putativo mérito de Pina como gestor televisivo com os pergaminhos de Francisco Balsemão, o patrão da SIC. Nada a ver uma coisa com a outra, ó professor: Balsemão sempre foi um homem ligado à informação - desde os tempos do Diário Popular, na década de 60, passando pela fundação do Expresso, que dirigiu durante os sete primeiros anos de vida do maior (e melhor) semanário português. Pina Moura não tem credenciais neste domínio: é um homem de partido (primeiro foi fiel militante comunista, agora é um devoto socialista, professando uma fé sem mácula no Governo) e um ponta-de-lança dos interesses espanhóis, como o falecido professor Sousa Franco alertou, em voz bem alta, num célebre almoço no Pabe que acabou em manchete do semanário O Independente. Manchete já antiga, mas actual como nunca.

O escriba do regime (I)


Numa das semanas mais difíceis da sua governação, em que foi testado quase ao limite por uma certa imprensa ressabiada por motivos fáceis de adivinhar e ávida de vender papel para estancar a grave crise de credibilidade que a tem feito perder leitores, José Sócrates registou dois êxitos insuperáveis. Por um lado recebeu o apoio franco, aberto e caloroso do fundador do PS, Mário Soares, o grande patriarca da política portuguesa que, sempre vigoroso, cada vez mais nos faz lembrar o aforismo bem português sobre o vinho do Porto, que só melhora com a idade. Por outro lado, o primeiro-ministro deslocou-se ao Porto, onde anunciou mais medidas concretas e com alcance inegavelmente positivo para cumprir o programa de qualificação de recursos humanos, que constitui um dos marcos do ideário que levou o actual Governo a ser sufragado com maioria absoluta nas urnas. A seu lado, na Invicta, Sócrates teve sempre Mariano Gago, numa demonstração evidente dos objectivos que irmanam os dois governantes. Cada qual a seu modo tem contribuído para que Portugal seja hoje um país em marcha acelerada rumo à integração plena no século XXI.

The best and the worst


Há por aí algum publicitário que ainda não conheça este blogue?

«Lóbingue ao contrário»

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Há taras piores, não há?


Amanhã, o meu dia e o dos infelizes que estiverem nas imediações vai começar como de habitual na data: Coloco o botão da aparelhagem uns bons décibeis acima do normal para o ouvido humano. Insiro o segundo CD com as gravações dos acontecimentos no Largo do Carmo, naquele momento em que Salgueiro Maia manda disparar as rajadas das autometralhadoras. É um tonitruante barulho capaz de acordar um cemitério inteiro. Depois, numa passagem à Dj, mudo para o vinil e aí vai a Internacional, cantada pelos participantes de um congresso do Partido Comunista Iuguslavo, com breve discurso do Marechal Tito. Até agora, nem vizinhos nem polícia interromperam esta cerimónia. Amanhã, a ver vamos.

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Mal posso esperar

Esta noite, no Maxime, stand up comedy com Fernando Alvim e Odete Santos. À atenção de todos os bloggers com câmaras no telemóvel.

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Entrevista do artista enquanto jovem

Vai daqui um abraço agradecido ao anonymous que enviou esta verdadeira preciosidade youtubesca, já com 30 aninhos em cima. E com a certeza de que será muito apreciada por esta senhora aqui.

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Segunda-feira, Abril 23, 2007

Este post não tem imagem

Tenho consciência de que isto, vindo de mim, pode parecer incongruente. Mas a revista FHM está uma decadência consumada. Podia desfilar aqui, e desfilo, o rol de motivos que estão na base desta polémica afirmação: As anedotas com décadas de estupidez transmitida ao longo de gerações; as pseudo histórias vividas pelas leitoras que já eu lia quando folheava as revistas pseudo pornográficas do meu pai; os conselhos de engate que parecem ser dados a rapazinhos que nunca viram uma mulher em 3D na vida ou, simplesmente, aquela entrevista à rapariga da capa que acaba com o jornalista a dizer «estamos satisfeitos». Para além, acrescente-se, daquele permanente salivar da prosa de quem priva com gajas boas todos os dias e ainda é pago para isso, mas continua ter a que parecer que tira daí alguma satisfação e nem precisa do ordenado.
É certo que, nos píncaros da mencionada decadência, a melhor peça do último número da revista (literariamente falando) é a experiência de um redactor da FHM no Second Life, na vã tentativa de abrir um bar onde se jogue aos dardos e ao snooker. Mas também é certo que o artigo é tão, tão desenquadradamente bom, porque é escrito por um inglês. Tudo o resto é triste e não é fado, mas antes uma música de elevador para entreter quem não pode comprar as t-shirts a cento e tal euros, os gadgets que custam balúrdios, ou as acompanhantes a 150 paus a hora. É a modos que assim triste, muito triste. Como se não houvesse lugar para o amor. E um homem e uma mulher fossem coisas tão artificiais como um ecrã de plasma, onde imagens e legendas só falam do que não queremos ter, a não ser que não tenhamos uma vida. Ou sejamos qualquer coisa de imbecil, olhando para uma mulher como cãezinhos ou engatatões ao bom estilo da Mouraria antes de começarem a levar estalo das ditas. Enfim...um anacronismo que se alimenta dos subúrbios da alma. Adenda: Caro Pedro, não linko o nome porque não me parece coerente ligá-lo para a Atlântico. Mas aqui estou, de braços e estômago abertos, pronto para o contraditório e tendo por ti a amizade e reconhecimento que sempre tive. Agora, ele há coisas que um homem tem que dizer quando as sente. E hoje, ao ler a revista de fio a pavio, senti-as. Um abraço.

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O cerco barrosista

Muitos pensam que Luís Marques Mendes tem tido vida difícil no PSD e que tem sido muito fustigado por causa da oposição interna que figuras como Pedro Santana Lopes ou Luís Filipe Menezes (com os seus acólitos) lhe vão fazendo. Não estão longe da verdade, mas esquecem-se que a oposição mais forte a Marques Mendes é silenciosa. É discreta. Não se move nos corredores e nos bastidores da intriga. Colabora até, se isso lhe for solicitado. Essa oposição está suficientemente próxima de Mendes para lhe dar, no momento certo, o golpe fatal. São os barrosistas.
Atente-se só, por exemplo, à inteligente distribuição de lugares e tarefas: José Luís Arnaut, deputado e presidente da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros, Miguel Relvas, deputado e presidente da Comissão Parlamentar de Obras Públicas, José Matos Correia, deputado e presidente da Comissão de Ética, Henrique de Freitas, deputado e ex-vice presidente do grupo parlamentar, Feliciano Barreiras Duarte, deputado e grande defensor do aeroporto da Ota e do TGV (contrariamente a Mendes), Hermínio Loureiro, deputado e presidente da Liga de Futebol, entre muitos outros. Nuno Morais Sarmento, o mais atrevido e corredor em pista própria, renunciou ao mandato de deputado e voltou ao escritório de advogados (o maior do País, escusado dizer qual é). Assume-se como reserva do barrosismo, foi contra as eleições directas no PSD e este fim de semana, num artigo para o Expresso, desferiu talvez um dos ataques mais violentos contra Marques Mendes de que há memória. Contrariando os impulsos de privatização da RTP que Mendes parece sentir, Morais Sarmento descreveu a ideia como pura "irresponsabilidade" política.
Aí está. O barrosismo está vivo e os seus pontas-de-lança fazem questão de o lembrar - há duas semanas Miguel Relvas e Matos Correia escreveram a Jaime Gama, pedindo-lhe a organização de uma conferência parlamentar sobre a Ota, de que discordam. E o próprio José Manuel Durão Barroso? Quem achava que estava cada vez mais alheado de Lisboa com a vida e o trabalho em Bruxelas que se desengane. Na semana passada esteve no Parlamento, onde foi defender uma nova agenda para a União Europeia, deixando escapar que sentia saudades dos debates mensais... Ninguém nos garante que não queira voltar. Não será amanhã, nem depois. Mas que pode haver espaço para isso, não resta dúvida. Primeiro, será preciso ver se o mandato de cinco anos, que curiosamente acaba em 2009, é renovado. Se não for, e veremos que papel pode ter aí o novo equilíbrio de forças no eixo franco-alemão, não é improvável dar-se a circunstância de, paulatinamente, Barroso ensaiar um regresso a Portugal e ao PSD. Deixará que alguém se espete nas legislativas e depois pode abalançar-se de novo ao partido. Romano Prodi fê-lo em Itália, não será novidade. Barroso pode fazer nova cura de oposição ou esperar que Cavaco Silva não se recandidate a Belém. Barroso é "chinês". Sabe esperar e, mais que isso, sabe lidar com as adversidades.

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Estou nessa


Com um obrigado ao Daniel Oliveira e depois de uma visita aqui. Claro que é uma posição «unipessoal» e não faço ideia se reflecte a consciência dos outros membros deste blogue. Mas, quanto à minha, não tenho dúvidas.

Questão de estilo

Lido este post, considero que é só mais um dos exemplos - que têm vindo a ser cada vez mais recorrentes - em que o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa surfa nos limites da coloquialidade. Não há semana em que eu não fique estarrecido com a forma como recorre a certas expressões, ou adjectiva isto ou aquele. Compreendo a vontade em ser entendido pelo português médio e até pelo português abaixo da média. Admito até que, em televisão, a coisa passe e até possa soar divertida. Mas, no dia seguinte, as palavras são impressas em papel de jornal. E aí adquirem outro peso e evidenciam a ligeireza do vocabulário. E reparem que não estou a defender a contenção de MRS, era o que faltava. Dir-me-ão que é um estilo e que é esse estilo que faz dele a personagem mediática em que indubitavelmente se tornou? Talvez. A mim, só não me parece que lhe dê postura de Estado chamar «tontinho» seja a quem for. Mas é só uma opinião.

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As coisas que eu ouço

Pior do que ter um Primeiro-Ministro que lacrimeja, só ter um que nos faz chorar.

A nova França

A primeira volta já era, agora trata-se de um duelo. Como disse "Sarko", entre duas visões da política e da sociedade. Uma estafada, que mais não é do que uma mistela de Terceira Via fora de prazo com resquícios do socialismo bacoco que a Europa produziu com particular fulgor nos anos 70 e 80 (e em alguns países, com o habitual atraso, nos 90). Madame Ségolène, por mais que tentem, não é sequer a reencarnação de François Mitterrand com saias. É muito vazia para isso.
Já Nicolas Sarkozy é um caso sério. Ou muito me engano ou o homem pode mudar a face da França. Por isso é que muitos dentro e fora do seu país estão autenticamente em pânico. Com ele, acaba a chafurdice à la racaille, mas também o politicamente correcto do dolce fare niente no Eliseu, no governo e na Assembleia Nacional. Com ele, a Alemanha não está sozinha ao volante da União Europeia. E os EUA não estão sozinhos a policiar o mundo. Com ele, o francês deixa de ser língua oficial da diplomacia do croquete e passar a ter voz no xadrez mundial. Com ele, a Europa terá mesmo de decidir se anda ou não para a frente com o Tratado Constitucional. Para mim, mais vale uma démocratie irréprochable do que uma democracia pseudo-decente...
Faltam 13 dias, oito horas e não sei quantos minutos.

Prémio JV

Para o melhor título e entrada do dia.
Título: «Que tal legalizar a prostituição na África do Sul no Mundial de 2010?»
Entrada: «Haverá um binómio Campeonato do Mundo de Futebol/comprar sexo, do género ir a Roma/ver o Papa?». Ana Cristina Pereira, Público, pág. 20

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Ter um filho, plantar uma árvore e...

Hoje dia mundial do livro, descubro este surpreendente site que democratiza definitivamente o livro. Para quem ambicione completar a velha trilogia de ter um filho, plantar uma árvore... e queira mesmo publicar um livro. Em lulu.com a edição do autor é mesmo para todos, tão fácil como plantar uma árvore. “O meu bóbi”, o “meu blogue” ou a minha “tese de doutoramento”. O meu “álbum fotográfico”, “a minha poesia” ou a “minha miúda” tudo escarrapachado num pomposo livro, para todos os gostos e bolsas. Com ou sem ISBN, só para a família e para os amigos ou para vender numa qualquer amazon da vida e talvez ficar famoso. As editoras “clássicas” que se cuidem.

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A reacção de Cavaco

Não percebo o último post que o Pedro escreveu. O presidente da República acaba de manifestar a sua preocupação com o estado de saúde de Eusébio e com a obesidade infantil em Portugal.

Domingo, Abril 22, 2007

O que terá Cavaco a dizer disto?

I
"Não há nenhum projecto empresarial que não tenha um objectivo político", disse à edição de ontem do Expresso Joaquim Pina Moura, com louvável franqueza. Esta frase diz tudo. Sobre o projecto de assalto do actual poder socialista aos órgãos de informação mais influentes. E sobre o conceito de empresa que o ex-ministro da Economia e das Finanças tem na cabeça. Além de constituir o primeiro aviso para o interior da própria TVI, disparado sem demora: acabaram-se as veleidades críticas. Ouviste, Constança? Ouviu, Miguel Sousa Tavares?
II
Aguarda-se a todo o momento uma reacção do Presidente da República. Cavaco Silva não quer - e muito bem - decalcar o estilo interventivo de Mário Soares, que chegou a liderar a oposição a partir de Belém. Mas não quererá também ser uma espécie de Jorge Sampaio, de uma complacência sem limites.

Dois anos e meio depois

O que acaba de suceder na TVI demonstra bem quem tinha razão no confronto de versões entre Marcelo Rebelo de Sousa e Miguel Pais do Amaral, quando o actual comentador da RTP saiu pelo seu pé da estação de Queluz, no Outono de 2004. Está mais que visto.

Há que admitir que ele tinha razão

De todas as citações deste livro de João Pombeiro que o Francisco reproduziu no A Origem das Espécies, a minha preferida é esta:
«Engenheiro José Sócrates, vamos vê-lo, um dia, primeiro-ministro?»
«Não! Primeiro, porque não tenho o talento e as qualidades que um primeiro-ministro deve ter. Segundo, porque ser primeiro-ministro é ter uma vida na dependência mais absoluta de tudo, sem ter tempo para mais nada. É uma vida horrível e que eu não desejo. Ministro é o meu limite». José Sócrates, ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território. Dna, 16 de Setembro de 2000.

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Perigoso ilusionismo

Isto a mim não me faz rir coisa nenhuma, caro Rui Carmo. A imaculada gestão das relações públicas pelo Bloco de Esquerda deveria ser um caso de estudo. A eficiência dessa gente na gestão da sua imagem e na domesticação dos media é fenomenal. Qualquer grande partido ou multinacional almeja os espantosos resultados de marketing e relações públicas alcançados por estes laboriosos ilusionistas da política doméstica. O diácono Louçã, a emanação da esquerda radical inquisidora, protagoniza o fenómeno, com o Jerónimo no sapato. Representam o extremismo engagé, um "revanchismo" envernizado, a carbonária pós-moderna a três passos do poder. A gravata é um adereço de fácil acesso.

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Uma questão de gosto

O Rui Carmo, no Insurgente, imboído do maior espírito de Liberté, Egalité et Fraternité dá Um bom motivo para prestar atenção a França.
Eu confesso que prefiro o room service com vistas para o Sena, mas gostos não se discutem.

Amanhã, livros baratos, flores e postais



Amanhã, na Casa Fernando Pessoa, Dia Mundial do Livro, entre as 10h00 e as 24h00, super-saldo de livros. Haverá descontos entre 50 e 80%, e uma secção de livros vendidos apenas a €1. Para cada visitante, há flores e um postal da Casa.
É o início da programação da Lisboa, Cidade do Livro. (Informações permanentes sobre os eventos, aqui.)
Rua Coelho da Rocha, 16, em Campo de Ourique. No espaço do jardim.

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"Conta-me Como Foi"


A RTP1 estreia hoje a nova série "Conta-me Como Foi", adaptação do original espanhol Cuentame Como Pasó. Segundo o artigo do DN, trata-se de uma "série de época, que retrata a sociedade portuguesa desde o ano de 1968 e que requereu um trabalho intenso de investigação ao nível de cenários, roupas, linguagem, hábitos e costumes." A pesquisa documental e o processo de reconstrução da época esteve a cargo de Helena Matos.
Confesso não estar muito interessada na ficção (logo se verá), mas tenho curiosidade na reposição da época tanto pelos interiores, vestuário, mobiliário, como pelos exteriores e sobretudo pela linguagem, costumes e práticas socais. Penso que será sobretudo aqui que tudo se destrói e onde tudo começa. Eventualmente será um flash back para os soixante-huitard e um regresso para os nostálgicos dos sixties.
Para quem trabalha com documentação, será muito curioso observar como se trabalham as fontes e como da leitura de microfilmes e periódicos se reconstrói uma época. Suponho que tenham sido necessárias muitas horas de investigação, muitos exemplares e muita paciência. Segundo a investigadora, "a maior dificuldade foram alguns "preços difíceis de arranjar, para serem expostos na mercearia do bairro".
Neste regresso aos anos 60, esperemos que nos contem como foi.
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NOTA: Alta para a série, para os actores, personagens, almofadas de veludo, robes acolchoados e para os "anti quê?" vindos de Paris.
Afinal a culpa era toda das revistas aos quadradinhos. O mal daquela invenção do mafarrico havia de vir mais tarde.

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Perder a inocência


Maradona está internado num hospital. Eusébio também. Os nossos ídolos, ao contrário do que imaginámos em tempos, não são imortais. Perdemos definitivamente a inocência.

Post à Zandinga

Sarkozy vai ganhar. Vão subir os preços dos seguros automóveis.

Cultura socialista

Parafraseando, com a devida vénia, Isabel Pires de Lima: "É triste olhar para o Conselho de Ministros e ver só homens."

Liberdade de imprensa

“Os limites da crítica admissível são mais amplos em relação a um homem político agindo na sua qualidade de figura pública do que em relação a um simples particular. O primeiro expõe-se inevitavelmente e conscientemente a um controlo atento dos seus factos e gestos, tanto pelos seus adversários políticos como pelos jornalistas e pela massa dos cidadãos, e deve mostrar uma maior tolerância, sobretudo quando ele se presta a declarações públicas igualmente susceptíveis de crítica.” Um notável trecho de um acórdão do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, que ilibou um jornalista português condenado em primeira instância e pelo Tribunal da Relação por abuso de liberdade de imprensa numa queixa que lhe foi movida por um autarca. Em boa hora o advogado Francisco Teixeira da Mota a citou no Público. Para que se perceba bem como são diferentes os critérios dos magistrados portugueses, em comparação com a jurisprudência europeia. No rectângulo lusitano, uma visão restritiva da liberdade de imprensa. Do lado de lá (felizmente já com repercussões aqui), a defesa intransigente da liberdade de imprensa como direito fundamental no mundo contemporâneo.

Do estatuto do líder da oposição

Não consigo entender a razão para a direcção do Hospital de Estarreja ter ontem impedido a entrada de Luís Marques Mendes nas suas instalações. Num País evoluído estas situações não acontecem de todo em todo. Aguardemos por futuras explicações da parte do Ministério da Saúde. Porque o reconhecimento do estatuto do líder da oposição não se resume a uns minutinhos no debate mensal com o primeiro-ministro e a uma escalada no protocolo de Estado. É na prática e no dia a dia que a coisa se vê.
Também espero que o PSD não se cale sobre o assunto. O "caso" é bem mais preocupante do que se julga. Trata-se do não preenchimento dos "mínimos" em democracia. Quem diz que o primeiro-ministro revela uma "falha de carácter" no seu 'dossier' de licenciatura e avisa para o perigo de Pina Moura ir presidir à TVI, não pode ficar calado, pois não? O "caso" pode e deve ser levado ao Parlamento.

O trunfo escondido

Estava eu ontem a ler o primeiro caderno do "Expresso" quando deparo com uma página inteira de publicidade cheia de fotografias (de péssima qualidade) com o sugestivo título: "Eles já fazem parte". E quem são eles? "Deixa-me cá ver isto", pensei. Eles são, entre outros, Teresa Zambujo, antiga presidente da Câmara de Oeiras e actual vereadora, Maria João Rodrigues, ex-ministra de Guterres e parece que futura assessora de Sócrates, Carvalho da Silva, o ainda secretário-geral da CGTP, Pedro Norton de Matos, ex-presidente da Oni, Pedro Adão e Silva, investigador, Estrela Serrano, da ERC (claro), António José Seguro, deputado do PS, e por aí adiante. É claro que a indicação das funções era bem menos exaustiva que esta, mas no caso de Fontão de Carvalho fiquei estarrecido. Em baixo do nome surge só "BDO". Então o senhor não é, para todos os efeitos, vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, embora com o mandato suspenso? Ou será que já renunciou e ninguém soube?
Voltemos ao anúncio. Ao fundo da página 33 é-nos sugerido: "Você poderá ser o próximo. Saiba como na página seguinte". Vira-se a folha, em letras garrafais surge a inscrição: "ISCTE - Clube dos Antigos Alunos. Com o nosso passado vamos consruir o futuro". Aí é que fiquei mesmo pasmado. Então os mentores desta brilhante jogada de marketing prescindem da melhor arma para promover a instituição? O nosso primeiro-ministro. José Sócrates não frequentou e concluiu, como disse na célebre entrevista à RTP, um MBA no ISCTE? Estranho, o ISCTE prescindir assim de um trunfo como este, o de apresentar um primeiro-ministro ainda no activo como antigo aluno...

Domingo

Evangelho segundo S. João 21,1-19.

Algum tempo depois, Jesus apareceu outra vez aos discípulos, junto ao lago de Tiberíades, e manifestou-se deste modo: estavam juntos Simão Pedro, Tomé, a quem chamavam o Gémeo, Natanael, de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar.» Eles responderam-lhe: «Nós também vamos contigo.» Saíram e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada.
Ao romper do dia, Jesus apresentou-se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Jesus disse-lhes, então: «Rapazes, tendes alguma coisa para comer?» Eles responderam-lhe: «Não.» Disse-lhes Ele: «Lançai a rede para o lado direito do barco e haveis de encontrar.» Lançaram-na e, devido à grande quantidade de peixes, já não tinham forças para a arrastar.
Então, o discípulo que Jesus amava disse a Pedro: «É o Senhor!» Simão Pedro, ao ouvir que era o Senhor, apertou a capa, porque estava sem mais roupa, e lançou-se à água. Os outros discípulos vieram no barco, puxando a rede com os peixes; com efeito, não estavam longe da terra, mas apenas a uns noventa metros.
Ao saltarem para terra, viram umas brasas preparadas com peixe em cima e pão. Jesus disse-lhes: «Trazei dos peixes que apanhastes agora.» Simão Pedro subiu à barca e puxou a rede para terra, cheia de peixes grandes: cento e cinquenta e três. E, apesar de serem tantos, a rede não se rompeu. Disse-lhes Jesus: «Vinde almoçar.» E nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe. Esta já foi a terceira vez que Jesus apareceu aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.
Depois de terem comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?» Pedro respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta os meus cordeiros.» Voltou a perguntar-lhe uma segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-me?» Ele respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas.» E perguntou-lhe, pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu és deveras meu amigo?» Pedro ficou triste por Jesus lhe ter perguntado, à terceira vez: 'Tu és deveras meu amigo?' Mas respondeu-lhe: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!» E Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais novo, tu mesmo atavas o cinto e ias para onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as mãos e outro te há-de atar o cinto e levar para onde não queres.» E disse isto para indicar o género de morte com que ele havia de dar glória a Deus. Depois destas palavras, acrescentou: «Segue-me!»

Da Bíblia Sagrada

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Música do meu tempo (8)



Prefab Sprout - "Johnny Johnny"

Sábado, Abril 21, 2007

PP (partido previsível)

Paulo Portas venceu as eleições directas para a presidência do CDS/PP. Fê-lo de forma arrasadora, como era previsível, e o seu adversário, o bem intencionado José Ribeiro e Castro, não demonstrou propriamente mau perder, mas também não saiu com grande dignidade. Digamos que não resistiu a mandar umas bocas ao senhor que aí vem, ao mesmo tempo que o sinalizou. Do género: "Olha que aquilo que me fizeste, também te posso fazer a ti, só não o farei porque não sou igual a ti". Enfim, tudo muito elevado, tudo ao nível de um partido que se diz com vocação para estar no Governo. Nem que seja como mera muleta. Da próxima vez que lá chegar, parece-me mais que poderá estar, com o mesmo Paulo Portas, ao lado de um partido de cor diferente. Mas nesse caso, será uma bengala. Essa será a aposta de Portas para o futuro. Demonstrar que tanto pode ser muleta do PSD, como bengala do PS, caso este não chegue à maioria absoluta. Segundo consta, os contactos de 15 em 15 dias entre Sócrates e Portas durante o ano passado tinham alguma na manga... A ver vamos.

O CDS ou Paulo Portas

Hoje decorrem as eleições directas no CDS, partido pelo qual sempre nutri simpatia, e do qual, por questões ideológicas ou meramente afectivas, sempre segui as atribulações.
A previsível vitória do Paulo Portas (PP) sobre o “meu” CDS, mais comprometido com os valores conservadores e cristãos de Diogo Freitas do Amaral, Adelino Amaro da Costa, Adriano Moreira ou mais recentemente de José Ribeiro e Castro e Maria José Nogueira Pinto, causa-me a maior das apreensões.
É traço do meu carácter uma necessidade pertença, de compromisso de grupo e dedicação às suas causas identificativas. Mas sempre em plena consciência e liberdade de arbítrio. Nesse sentido, com a descrença na mercenária política “mainstream”, fui divergindo progressivamente do curso desta "pequena história", de vaidades e ganâncias, do poder pelo poder, maquiavélica e tecnocrata. Sem nunca me ter desiludido com a política, (porque apesar de idealista nunca me iludi) hoje, objectivamente apenas me assumo politicamente como monárquico e um convicto cristão católico.
Suspeito que o CDS, uma vez mais travestido de PP (Paulo Portas), me causará os maiores embaraços e constrangimentos, como se de o “meu” partido ainda se tratasse. E assim, chego à conclusão que talvez tenha chegado a hora de aderir ao grupo daqueles que respeitam a memória dos fundadores do partido. Porque o CDS não pode ser uma marca, um franchising, a máquina de logística para um qualquer narcísico arrivista dispor e se servir a seu bel-prazer. Para um qualquer oportunista utilizar na prossecução dos seus egocêntricos objectivos. O CDS não necessita de chegar ao poder a qualquer custo. Necessita sim de quem não necessite dele, mesmo que esses todos caibam num táxi, mas tenham ideais. Para dessa forma um dia legitimamente renascer das cinzas da redundância e da vacuidade ideológica.

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Sexta-feira, Abril 20, 2007

Decência

Antes que o dia acabe, não posso deixar de dizer como fiquei comovido com o jantar de desagravo a Sócrates, ou lá o quer era, que o PS fez ontem. Cheguei a ficar com lágrimas nos olhos quando vi na plateia Fernando Gomes e Edite Estrela. Ainda bem que não vi Armando Vara, que certamente não faltou a este acto que tanto dignificou a política portuguesa, senão não teria conseguido conter o choro.

Abraços livres

Não me digam!? A sério? É extraordinário!

As frases

"É preciso reagir, (...) a história ensina-nos que o homem esteve sempre à altura - e sempre ultrapassou - as crises que ele próprio engendrou, por erro, ambição ou incúria."
Mário Soares, ontem à noite no jantar dos 34 anos do PS

"Não nos interessa apenas o respeito pelas regras formais da democracia, do direito, ou a realização periódica de eleições. Não queremos uma democracia formal. Queremos uma democracia com os valores da tolerância e do respeito pelos adversários - uma democracia com decência."
José Sócrates, na mesma ocasião

Estes belos recortes literários sugerem-me algumas questões, meramente indicativas e sem qualquer malícia, nem má educação: A quem se refere o antigo Presidente da República e fundador do PS? O que é uma democracia com decência? Será uma democracia sossegada, bem comportada, que não diz palavrões? Ou é uma democracia amorfa, onde não se pode investigar, mexer e remexer, analisar e discutir? Se não é formal, então deve ser o quê? Informal? Do tipo, "bora aí, ó primeiro-ministro beber umas minis e amigos como dantes"?

Deve ter nascido depois do PREC

«Não me lembro de nenhum outro Governo que em dois anos tenha deixado tantas marcas de esquerda».
José Sócrates, citado pelo Público.
(Também podia ter intitulado isto «A marca do Zerro»).

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E ambas as duas? Não pode ser?

«Quando esta mudança ocorre num momento em que se discute se houve ou não interferências do executivo nas escolhas editoriais de algumas redacções, o que se passou mostra que ou se perdeu o sentido dos timings políticos, ou a doença de que Pina Moura padecia - a falta de vergonha - é mesmo muito contagiosa». José Manuel Fernandes, em editorial no Público.

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Já me passou a neura


...E ia abalançar-me a escrever. Mas sucede, caro Francisco, que não teria mais palavras a acrescentar às que se podem ler aqui. E, em especial, a isto: «Deletion works as active form of censorship and also introduces an interesting legal question. As editor of the comment section, one would then become liable for every comment that made it through, increasing the possibility of people being prosecuted because of the comments on their sites».

Adenda: Esta foi de mestre. Assim, se o Francisco quiser responder ele é que tem o trabalho todo. Aprendam que não duro para sempre.

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Imaginem se fosse virada para o ataque

Jornal Metro. Pergunta do dia: «Acha provável que um incidente como o tiroteio de Virgínia aconteça em Portugal»?
Resposta de André Gaspar, consultor comercial: «Não, porque há uma grande diferença entre os dois países. Nos EUA a educação é virada para a auto-defesa».

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Provisórios e Definitivos

Boas maneiras

«Por mim, aceito a ideia (indiscutível) de um código de conduta; aceito a (discutível) ideia do fim do anonimato». Francisco José Viegas.
Caro Francisco: Pois eu não aceito nem uma nem outra, e quero que se vão encher de moscas essas Paulas Bobones da netiqueta (falo só por mim, bem entendido). Abraço e gostava de explicar melhor porquê, mas só quando me passar a neura.

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Thank God it's Friday


Hale Berry

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Eles andam aí

O intrépido Dr. Soares desceu paternalmente à praça publica, por ocasião do jantar de aniversário do seu partido, para acalentar os ânimos e reconfortar as almas socialistas. Para quem o quis ouvir, sustentou que por detrás do caso da licenciatura do Sr. Pinto de Sousa, assim como das escutas telefónicas a Ferro Rodrigues subsiste uma espantosa cabala armada pela oposição. Uma malévola maquiavélica conspiração com o intuito de derrubar os seus correligionários da cadeira do poder.
Sendo um facto o silêncio quase geral da oposição enquanto fritavam na bolgosfera as primeiras noticias e comentários sobre as incongruências académicas do Sr. Pinto de Sousa, pergunto-me então quem será esse monstruoso manipulador de comunicação social a que se refere o nosso vetusto ex-presidente: será o BE do Dr. Louçã (o primeiro a “aderir” ao escândalo) ou ao poderoso PNR, que tão magistralmente têm aprimorado as suas técnicas de relações públicas?
De qualquer forma estou convencido que o Dr. Pina Moura agora se vai empenhar resolutamente na correcção da actual e tresmalhada agenda mediática.

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Quinta-feira, Abril 19, 2007

Trajes sem monges

(...) Basta uma rápida visita ao Museu do Trajo para ver a riqueza que temos e desprezamos. Quase todas as profissões têm uma indumentária própria, castiça sem ser boçal e garrida sem ser berrante. Com um bocadinho de jeito, adaptam-se as fardas de misteres já caídos em desuso para vestir novas profissões. A do aguadeiro, por exemplo, dá perfeitamente para delegados de propaganda médica. Para quem escreve, existe o trajo típico de amanuense ou do copista, Quem fala pejorativamente em mangas de alpaca é porque nunca apalpou uma alpaca, não fazendo ideia do fofinho que pode ser. E para todas as que cantam, como não podia deixar de ser, xailes de merino.
Vestidos como os camponeses e operários que somos e engalanados, em dias de festa com os trajos das nossas terras, deixaríamos de andar com versões rascas de roupas dos ricos e passaríamos a ser, facilmente, os mais bem vestidos da Europa.
Assim é que não podemos continuar, desculpem lá.
Miguel Esteves Cardoso - "Os bons hábitos dos monges", Única Expresso, 6 Maio 2006, pag. 16

Soares ainda é "fixe"

O jantar do aniversário do PS, daqui a pouco, será, muito mais do que um repasto comemorativo, um autêntico desagravo. Ainda por cima com Mário Soares como convidado especial. Querem apostar?
A organização chegou a prever mil pessoas, depois 1400, e agora, segundo consta, estarão cerca de 2400 almas socialistas enfiadas num qualquer recinto de Lisboa a aplaudir o seu grande timoneiro. O ambiente só muito dificilmente será de festa. Mas quem melhor do que Soares para tentar desdramatizar as coisas? O mesmo Soares que teve mau perder nas Presidenciais e que se remeteu depois a um profundíssimo silêncio, só interrompido para falar há uns meses sobre as suas apostas literárias, o barco, a casa de férias e os seus projectos pessoais, deixando de fora as trapalhadas que envolveram o seu avanço para nova corrida a Belém, coroada com um humilhante terceiro lugar, depois de Cavaco Silva e de Manuel Alegre.
Agora, contudo, e tratando-se do aniversário do partido, Soares faz falta. E pode fazer a diferença numa altura destas. Nada melhor do que lembrar o passado, assoprar umas velas e dar o palco a um político que pode ser do passado mas é muito "fixe"...

Duelo ao pôr-do-sol

Vi ontem à noite o frente-a-frente entre os dois candidatos à liderança de um partido virtualmente inexistente. Paulo Portas e Ribeiro e Castro, que disputam a presidência do CDS, responderam durante uma hora às perguntas de Judite Sousa, regressada ao prime time do canal público após um brevíssimo interregno que coincidiu com a recente entrevista de José Sócrates à RTP. Do que vi ficou claro que aquilo não tem conserto. Portas e Castro odeiam-se cordialmente e o confronto entre ambos não deixará pedra sobre pedra no Largo do Caldas. Portas, com a ligeireza habitual, trocou o boné da lavoura e a samarra das feiras pelo partido "cosmopolita" que diz agora defender. Castro, que não abandona aquela expressão dorida própria dos treinadores de futebol à beira da chicotada psicológica, deixou transparecer demasiado azedume contra o seu antagonista, "promotor da mais baixa intriga dentro do partido". Mesmo assim, coube-lhe a melhor frase da noite: "Os derrotados de 2005 não podem ser os vencedores de 2009." Nada mais certo.

Pois claro

1. Plenamente de acordo com o Cristóvão: o golo da década foi marcado ontem. Por Messi.

2. Em sintonia com a Laura: alguma "igualdade" só gera mais desigualdade.

3. Subscrevo o que diz o Eduardo: quando é que as televisões acabam com os estúpidos "directos" das 20 horas?

Não há beleza no Mal

Enquanto grupos de neonazis, fascistas, nacionalistas ou lá o que queiram chamar-lhes se manifestam por cá, Brian Ferry foi obrigado a pedir desculpas públicas por, numa entrevista, ter apelidado a cultura do regime hitleriano e a sua iconografia como «just amazing» e baptizado o estúdio de gravação com o nome de fuhrerbunker. As suas palavras foram, and I quote:
«My dear gentlemen, the Nazis knew how to put themselves in the limelight and present themselves. (…) Leni Riefenstahl's movies and Albert Speer's buildings and the mass parades and the flags - just amazing. Really beautiful».
Ora 90% do que o ex-Roxy Music disse é verdade: Eles «sabiam apresentar-se» e visionar o «O Triunfo da Vontade» basta para evidenciar bem o que era capaz de gerar a combinação da propaganda de Goebbels com a arquitectura de Speer e a técnica de realização de Riefenstahl. Era, com certeza, «just amazing». Mas «really beautiful» é que não. Chamar bela à manifestação orquestrada do mal e à sua iconografia é, das duas uma: Ou ser irresponsável o suficiente para não conhecer o poder gerado nas massas por esse profissionalismo imagético, canalizador das mais baixas vibrações individuais e colectivas, ou conhecer e partilhar dos sentimentos gerados. As insígnias das Waffen SS eram «amazing» logótipos? Admito que sim. Belas? Nunca na vida. Embora indubitavelmente na morte.

Momentos Kodak (47)


Gosto deste filme. Tem drama, suspense, acção e muito, muito humor. Ontem tive uma pequena participação especial no enredo. Do realizador aos actores toda a equipa é excelente, o ambiente é fantástico, de muita camaradagem e acima de tudo é uma produção nacional. Independente. A única coisa que lamento é no fim não terem oferecido uma sanduíche e um sumo ao pessoal...
(18 de Abril 2007)
Foto: Rodrigo Cabrita

Tertúlia literária (173)

- Álvaro de Campos era engenheiro.
- Mas ele tinha mesmo um diploma ou saiu-lhe como brinde da farinha Amparo?

Aqui há caciquismo

Por isso, toca a ir aqui votar no cavalinho/selo da minha amiga Carla Pott, antes que eu me zangue! (Se fizerem favor e o entenderem justo, é evidente)

Alguém começou mal a manhã

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O truque está em preferir as outras

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Posta à João Villalobos

“Portugueses fazem mais sexo que os espanhóis.”
Valha-nos ao menos isto! ...e a Vanessa Fernandes, o Cristiano Ronaldo e o facto de não termos terrorismo...

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E eu faço coro

Amanhã, às 17H no Chiado, está marcada uma manifestação contra o encerramento do Conservatório e «várias medidas que estão a ser tomadas no sentido de enfraquecer o ensino artístico em Portugal», informam-me. Do que tenho ouvido sobre as ditas medidas, por parte de professores ligados ao ensino artístico, estas obrigam a mudanças compulsivas nas escolas definidas com base num relatório de avaliação que o Governo guardou a sete chaves, ao mesmo tempo em que ameaçava os responsáveis com represálias se algo transpirasse para a Comunicação Social. Espero que esta manif seja o princípio de alguma coisa mais do que uma ópera bufa. Isto se, é evidente, quem de direito der ao assunto o relevo que lhe é devido, em nome da nossa Cultura, da educação dos nossos filhos e de um País menos desafinado.

Querido Rodrigo

É com posts como este que me ensinas o que é a humildade. Um grande, enorme bem hajas.

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Gato escaldado

Parece que um grupo de jovens comunistas com nome de agência de viagens para Inter Rail não deixa que Ricardo Araújo Pereira discurse no 25 de Abril. Acho muito bem. Talvez assim ele perceba, de uma vez por todas, qual é o lugar reservado ao pluralismo e à liberdade de expressão no partido que abandonou. Entre outras razões, pensava eu, por já o ter percebido.

A entranhar

Há quem ainda não tenha entendido o P2, suplemento do Público. É aquele cliché pessoano coca-colense do «primeiro estranha-se e depois entranha-se». Em mim já se entranhou. Hoje, o caderno deu-me a ideia de levar os meus filhos a visitar uma prisão para lhes retirar da cabecinha eventuais comportamentos de risco. E, além disso, tem esta pérola da Kahleen Gomes, que de bom grado plagiaria se soubesse que ninguém dava por isso:
«Você, tu, vossa excelência, senhor doutor, senhor engenheiro, excelentíssimo senhor, sôtor, senhora dona...Como explicar a um não-português a diplomacia da linguística portuguesa?». Também fiquei a saber que este fim-de-semana há uma Feira do Livro no Second Life, mundo virtual onde a nossa Universidade de Aveiro, mais uma vez bem «à frente», já começou a construir as suas instalações.

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Não podia estar mais de acordo

«É triste olhar para uma esplanada e ver só homens». Isabel Pires de Lima, título de última página do DN.

Quarta-feira, Abril 18, 2007

Conclusão bombástica

O sangue frio do porta-voz foi admirável e a conferência de imprensa uma autêntica selvajaria. Um som de fugir, fotógrafos pendurados no pescoço do senhor, perguntas que se atropelavam sem respeito pelas respostas a outrem, um caos que eu sei lá. Quanto ao conteúdo, terei que ler as notícias daqui a bocado porque, graças a quem montou aquele circo e aos senhores jornalistas, não percebi bulhufas.
Actualização: Esperei até hoje mas valeu a pena: A notícia que melhor me fez perceber o que se passou e o que não se passou foi esta, do nosso Pedro Correia.

A transferência da época


I
É a transferência da época: Pina Moura troca o Parlamento, onde jogava nas linhas mais recuadas do grupo parlamentar do PS, pela administração da Media Capital, onde será uma espécie de ponta-de-lança. Alguém aí falou em promiscuidade entre o poder socialista e a Comunicação Social?
II
Pina Moura, segundo a Lusa, cessa funções de deputado na Assembleia da República mas não abandona a presidência da Iberdrola Portugal, que exerce desde 2004. Entre um dos 230 lugares no espartano hemiciclo de São Bento e o principal assento na administração da eléctrica espanhola alguém agora vocacionado para os "valores do mercado" (depois de ter abraçado sem êxito o "socialismo real") pode alguma vez hesitar?

Afinal, quem é que tem a combinação?

O cofre da UnI já parece a caixa forte do Tio Patinhas. Mas com papel no lugar de papel moeda. Não há quem não deseje o seu conteúdo. Neste momento, parece que está por lá um grupo de inspectores que quer toda a informação sobre todos os processos de todos os alunos. Incluindo, presumo, a versão menos cor de rosa da Caras Independente que está encerrada no tal cofre. E, já-agora-de-passagem-se-não-se-importam-como-quem-não-quer-a coisa-mas-é-já-para não nos zangarmos, os documentos que dizem respeito ao nosso Primeiro-Ministro. Não é só a ASAE que já tem ninjas, pelos vistos a Inspecção Geral do Ensino Superior também.

Em nome do rigor (2)


É favor tratarem este senhor, a partir de agora, por licenciado Paulo Portas.

Simplex mais simples não há


- Já sabes a última?
- Não. Conta...
- O Governo vai lançar uma nova medida no âmbito do Simplex. Chama-se "Diploma na Hora".
- Eh pá, isso interessa-me. Sempre quis ter o canudo mas chateia-me à brava ter que queimar as pestanas...
- Pois para a obtenção de um diploma, a partir de agora, bastará indicar sob compromisso as habilitações do candidato e a nota final pretendida. Existem ainda outras modalidades acessórias: "Equivalências na Hora" e "Mestrado na Hora". E funciona tudo a qualquer dia da semana. Mesmo ao domingo!
- Ainda bem que me informas, pá. Vou já tratar disso. Faço questão de ter um mestrado em Física Quântica.
- E eu quero um em Engenharia Atómica. 'Bora lá. Eu não te disse há dois anos que era porreiro votar no PS?

Gostei de ler

1. Erros de secretaria. De Gabriel Silva, no Blasfémias. *
2. Do you write technical english? De Vítor Dias, n' O Tempo das Cerejas.
3. Algumas perguntas ingénuo-inconvenientes. De António Mira, n' O Insubmisso.
4. Sócrates sempre a reboque. De Coutinho Ribeiro, n' O Anónimo.
5. Não me chamo Dr. Miguel, o meu nome é Miguel. De Miguel Castelo-Branco, no Combustões.
6. E agora, José? De Vasco Lobo Xavier, no Mar Salgado.
7. O estranho desaparecimento da oposição. De Miguel Morgado, n' O Cachimbo de Magritte.
8. A culpa é da sociedade americana. De João Miranda, no Blasfémias.
9. Cubanos sí. De João Tunes, no Água Lisa.
10. Os deveres (especiais) dos militares. De José Gomes André, no Bem Pelo Contrário.
11. Código de conduta. De Francisco José Viegas, n' A Origem das Espécies.
12. Literatura e política. De João Paulo Sousa, no Da Literatura.
13. Astérix gastrónomo. De António Teixeira, no Herdeiro de Aécio.
.......................................................................................
* O FAL já tinha recomendado este texto, mas não é de mais...

Desculpem o incómodo...

Os pobres-indigentes e os pobres-voluntários a deixarem-se olhar pela câmara sem os trejeitos de quem ainda pode ter alguma coisa a perder; uns, com o olhar mais dorido e perdido, incomodam a forma como vivemos; os outros, de olhar sossegado e penetrante incomodam as escolhas que fazemos; os que não têm casa e não parecem esperar nada de ninguém e os que "moram à sombra do Omnipotente" (Sl 90) e sabem bem em quem puseram a sua esperança; para uns, o movimento das ruas do mundo e a solidão; os monges, afastados das nossas cidades, acompanham o mundo num silêncio cheio de Presença.

A não perder na integra este texto da Sofia Sá Lima no Fora de Estrutura

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Tertúlia literária (172)

- Borges é bom.
- Hermann Broch também.

E eu também perdi o telemóvel

«Pais do Amaral perde 8,7 milhões na OPA da Prisa»

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Do bombástico ao soft

Concordo com o Rui Castro quando diz que nada disto é normal. Mas parece-me que nos últimos dias se passou alguma coisa. Alguma coisa que poderá só ver a luz do dia dentro de algum tempo. Provavelmente quando for aprovado um novo estabelecimento de ensino superior privado, reunindo a "malta" da Indy e de outra vizinha. Para isso é sempre preciso o agrément de quem manda. Vulgo, um alvará. Veremos se o homem que descobriu o Brasil terá ou não direito a uma universidade com o seu nome...

Nas colunas


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2 em 1

«Ser pressionado ou ameaçado pelos assessores de um governante ou pelo próprio pode ser incómodo. É normal. Ser enganado é muito mais grave. Ser instrumentalizado é ainda pior». Teresa de Sousa, Público
«Receber telefonemas de assessores interessados em influenciar o que sai ou não sai nos jornais é "o pão nosso de cada dia" e faz parte do exercício do jornalismo nos tempos que correm. O problema não está nas pressões, está em ceder a elas». Joaquim Fidalgo, Ibidem

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Ontem à noite na cidade

Não gosto de automóveis na cidade. No campo também não. Sou uma espécie de Manuel João Ramos mais radical e com posters da EMEL no quarto e só me desloco, no dia a dia, de táxi ou transportes públicos. Não tenho carta de condução e nunca a terei. Se porventura a tivesse e comprasse um carro seria um «boca de sapo» (pelo design) ou um daqueles Volvo antigos que parecem cortados à faca de linhas tão direitas que têm e tão sólidos que ai daqueles que se lhe meterem à frente. Só para perceberem o meu grau de insanidade e que não sei quanto custa um litro de gasolina.
Dito isto, gostei de ouvir ontem o Arq. Manuel Salgado. Embora ele tenha afirmado que o projecto não se resume a uma nova lógica viária para a cidade, pareceu-me que tudo o resto - a parte da requalificação propriamente dita - era assim a modos que utópica. Pede demasiada coordenação entre CML, APL, Ministérios e outras entidades para aquela que existe, e que é nenhuma. Não inclui o Bairro Alto, o que é uma pena, mas prevê a transformação da zona do Terreiro do Paço num «centro tecnológico» com reforço das estruturas de lazer e a captação de «indústrias criativas». Para além disso, a ideia era - ou é ainda, porque Salgado acredita que o projecto não morreu antes ficou comprometida a sua associação ao centenário da República -diminuir substancialmente na «cidade antiga» o tráfego automóvel que hoje a atravessa, por ausência de alternativas à circulação. Isso foi música para os meus ouvidos. Só tenho pena que, ao contrário dele que se diz um optimista, eu não o seja. Pelo menos no que respeita à nossa Polis.

Sim, senhor ministro...

... sobre os números do governo, burocracia e muito mais

Estella

Chama-se Estella Warren, é canadiana e fez de Chaperon Rouge num anúncio do Chanel 5. Guarda segredos, faz filmes e natação sincronizada. Parece-me fundamental ela saber nadar bem.

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Terça-feira, Abril 17, 2007

Um francês no écran


Lembram-se dele? Foi o humano director da Sabena no Hotel Ruanda, o simpático Inspector Cardon no French kiss e representou o mergulhador Enzo Molinari no filme Le Grand bleu desafiando o seu adversário até aos limites tolerados pelo corpo e permitidos pela resistência.
Um pequeno parêntese: o mergulho livre em apneia foi desde sempre uma técnica utilizada na pesca e na busca de conchas, pérolas, corais de entre outros recursos do mar. Isto quer dizer que andam uns a mergulhar para algumas exibirem lindos colares, anéis fantásticos e blogs fantasiosos. Enfim...
É o mesmo Jean Reno que faz de polícia no Código Da Vinci e disse-me quem o viu que fez um papelão, mas é sobretudo um francês em filmes americanos.
Está bem que o António Banderas é o espanhol de serviço assim como há-de haver o alemão, o brasileiro, o russo, o chinês ou o japonês. Mas o Jean Reno é o italiano Molinari, o do inesquecível filme do mergulho e só por isso é o meu estrangeiro de serviço. Será porventura assim: um filme faz um actor, para o bem ou para o mal e muitas vezes para sempre.



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Momentos Kodak (46)

Olhos. O espelho da alma...
(Omã, Dezembro de 2006)
Foto: Rodrigo Cabrita

A Campanha Negra

Quase uma semana depois de José Sócrates ter esclarecido tudo na entrevista à RTP, as notícias sobre o seu curso continuam a a abrir telejornais e noticiários da rádio, a encher páginas nos jornais, a ser comentadas na blogosfera, a estar nas conversas (e nas anedotas) das pessoas. E todos os dias surgem novidades sobre o assunto. Ou seja, Marques Mendes continua a orquestrar esta conspiração político-jornalística com grande competência, numa aliança espúria com a Igreja, a banca, as farmácias, o Manuel Alegre e o Bettencourt Picanço. Só realmente é de lamentar que Marques Mendes tenha pedido um inquérito independente a esta questão, como se alguém tivesse interesse sobre isso, como se fosse importante saber se o primeiro-ministro andou ou não a enganar as pessoas e a adulterar documentos. Só em democracias imaturas como a inglesa e a americana é que estas questões são levadas a sério. Em Portugal, o que realmente importa é que o País está no bom caminho, que as pessoas estão alegres e cheias de esperança num futuro radioso, lideradas por um grande reformista, só comparável ao Marquês de Pombal. E a Cavaco SIlva.

Mistérios

Um bacharel em Engenharia Civil obtém a licenciatura com o exame a cinco disciplinas supostamente cruciais, não ministradas no bacharelato - entre elas Inglês Técnico.
Leio isto e pasmo: Inglês Técnico é uma disciplina vital em engenharia?
Mistérios da Independente...
(Como se dirá mistério em "inglês técnico"?)

Afinal


A conspiração explicada às crianças

E é aqui.

Estrelas de cinema (6)


O CAIMÃO * *
Dizem-me que esta fita ajudou a derrubar Silvio Berlusconi nas legislativas italianas do ano passado. Se foi assim, o mérito dela reside sobretudo nisto. Já quanto ao mérito cinematográfico, tenho as maiores dúvidas. O Caimão, de Nanni Moretti, é um filme que nunca se decide entre o registo de comédia e o de panfleto político. No primeiro, é francamente desequilibrado: a personagem principal, um ridículo produtor cinematográfico, jamais gera empatia com os espectadores e o Berlusconi que aqui vemos não vai além de um esboço caricatural. Como panfleto, não ultrapassa a mediania: falta-lhe ao menos a irrisão cabotina de um Michael Moore. Pior que isso: tropeça na tentação da retórica pregoeira que fez soçobrar cineastas de muito maior fôlego, incluindo Chaplin na célebre cena final do seu O Grande Ditador. Cada vez me convenço mais, aliás, que Moretti é francamente superior no drama do que na comédia: nenhum outro título da sua obra tem a trágica intensidade e a densidade artística d' O Quarto do Filho, um dos melhores filmes desta década. Na comédia, os grandes mestres italianos continuam a ser Dino Risi e Mario Monicelli – e ambos, infelizmente, já deixaram de filmar.

O estado a que isto chegou

A revista brasileira Veja tomou uma excelente decisão editorial: a partir de agora passa a grafar a palavra Estado com letra minúscula. E justifica-a assim: “se povo, sociedade, indivíduo, pessoa, liberdade, instituições, democracia, justiça são escritas com minúscula, não há razão para escrever estado com maiúscula.” Contraria assim os grandes dicionários de língua portuguesa editados no Brasil, como o Aurélio e o Houaiss, que recomendam a maiúscula na acepção de “nação politicamente organizada”.
“Vale a pena contrariá-los”, refere a nota editorial publicada na revista. “Grafar estado é uma pequena contribuição da Veja para a demolição da noção disfuncional de que se pode esperar tudo de um centralismo provedor.” Jamais tinha pensado nisto. Mas só posso aplaudir esta decisão. Por mim, passo a fazer o mesmo: estado não merece maiúscula. Este estado não a merece de todo.

Postais blogosféricos

1. Para a Laura, a nossa prenda pelo segundo aniversário do blogue: passamos a ter Mel com Cicuta na nossa barra lateral.
2. Photo-à-Trois, um blogue de imagem feito pelos nossos compagnons de route José Carlos, Leonardo e Rodrigo, passa também a figurar na nossa coluna de favoritos.
3. E como não há duas sem três, juntamos também o endereço do Fora de Estrutura, o outro blogue do nosso bom amigo João Távora.

A ler

1. "Coerência", por Manuel.
2. "Erros de secretaria", por Gabriel.
3. "Custar muito caro", por Paulo Gorjão.
4. "Royalties", por Nuno Amaral Jerónimo.
5. "Sinais dos tempos", por João Melo Alvim.
6. "O prometido é devido", por Carlos Furtado.
7. "Advogados", por Eduardo Pitta.

The horror

Em alta

A Marta Rebelo continua em alta. A partir de ontem passou a chefe de gabinete do subsecretário de Estado da Administração Interna. Fernando Rocha Andrade fica a ganhar, Eduardo Cabrita (até aqui secretário de Estado Adjunto e da Administração Local) sofre uma perda substancial na sua equipa. É que a ex-adjunta jurídica foi só uma das grandes responsáveis pela nova Lei de Finanças Locais.
Dentro de dias, a Marta irá ter também uma rubrica fixa na imprensa onde rivaliza com Paula Teixeira da Cruz. Duas mulheres inteligentes e com futuro nos respectivos partidos. Uma prova, aliás cabal, de que o Dr. Costa continua a saber movimentar muito bem os seus peões...

Vamos ao que interessa


Como noticiam hoje - numa «breve» que mereceria bem maior destaque - dois dos nossos periódicos, a responsável da área económica do «ayuntamiento» de Lepe pelo PP decidiu mostrar os seus atributos mais, digamos, exteriores. Chama-se Maria Dolores Jimenez. Se isto não é um PP sexy, então não sei o que mais possa ser.

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Da instabilidade

"A instabilidade acabou se eu for eleito". A frase é de José Ribeiro e Castro, ontem à noite numa entrevista à respeitosa Rádio Renascença. Para mim, é uma das frases da semana. Ponto um: Castro não será reeleito (já o disse, o partido é dominado por um senhor chamado João Rebelo, fiel de Portas). Ponto dois: Se essa circunstância altamente improvável viesse a acontecer, era sinal de que a instabilidade se tinha mudado para outros lados. Para o PSD, para o PSL ou para o PPD-R (renascido).
Também adorei ouvir o bem intencionado Ribeiro e Castro admitir que "o dr. Marques Mendes também tem tido dificuldades semelhantes às minhas"... O homem está em forma, apesar de tudo.

O plano B

Há quem sustente que chegou a existir no núcleo duro do PS um plano B desde que começou toda esta "charada". O Dr. Costa. Who else?

A grande revelação do dia

«devia haver um céu para os aspiradores, também». Ou como, afinal, a f. acredita em qualquer coisa assim a modos que sobrenatural.

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Afinidades electivas

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Nas colunas


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Lição matinal

Be Kind

we are always asked
to understand the other person's
viewpoint
no matter how
out-dated
foolish or
obnoxious.

one is asked
to view
their total error
their life-waste
with
kindliness,
especially if they are
aged.

but age is the total of
our doing.
they have aged
badly
because they have
lived
out of focus,
they have refused to
see.

not their fault?

whose fault?
mine?

I am asked to hide
my viewpoint
from them
for fear of their
fear.

age is no crime

but the shame
of a deliberately
wasted
life

among so many
deliberately
wasted
lives

is.

Charles Bukowski

A gerência agradece

Aceitei o convite do meu querido amigo Jorge Barreto Xavier para uma tertúlia que hoje, às 19H00 no restaurante Trindade, contará com a presença do Arquitecto Manuel Salgado. Recebi há pouco uma brochura com 154 páginas, que confesso não ter tempo para ler até essa hora. Mas conto que o grupo de participantes, para além do próprio Salgado, me auxilie de uma vez por todas a compreender o projecto de reabilitação da Baixa/Chiado que está, neste momento, em discussão na AML. Se alguém quiser contribuir, na caixa de comentários, com sugestões de perguntas que me façam parecer mais inteligente, esteja à vontade.

Segunda-feira, Abril 16, 2007

Muito jogo

A nomeação de Cristiano Ronaldo para melhor jogador do ano em Inglaterra está a deixar muito boa gente à beira de um ataque de nervos. É o caso de John Terry, do Chelsea, que já soltou coisas fantásticas sobre o jogador português, dizendo que ele é só "o melhor do mundo". E mais isto: "Eu podia ver jogar o Manchester United só por causa dele. Ele faz coisas que ninguém está a fazer no mundo neste momento". Se bem que estas últimas observações sejam verdadeiras, parece-me mais que Terry está a entrar naquele joguinho psicológico tão característico dos ingleses em situações destas. É que Didier Drogba, seu colega de equipa, está também nomeado e em excelente posição para ganhar o prémio da Professional Footballers Association. Que Terry descanse, caso não ganhe este ano, Ronaldo tem os próximos tempos para vencer, depois de ter renovado pelo United. Para além disso, na lista estão ainda os "velhinhos" Ryan Giggs e Paul Scholes, curiosamente dois jogadores que sugeriram a Sir Alex a contratação do puto-maravilha depois daquele brilharete na inauguração do Alvalade XXI. O mundo dá muitas voltas...

E nós?

Parece que os cidadãos da Velha Europa participaram numa animada sondagem sobre as presidenciais francesas que se avizinham. Um estudozeco diz que Ségolène Royal é muito melhor do que Nicolas Sarkozy para ocupar o Eliseu? Ainda por cima a escolha é feita com votantes (por Internet) da União Europeia? E quem lhe dá lastro? O insuspeito "Financial Times", que publicou a dita sondagem realizada pela net aqui ao lado em Espanha, em Itália, na Grã-Bretanha e na Alemanha. Nestes países, 16% escolhe a 'madame Royal', ao passo que 'Sarko' se fica pelos 7%. O mais curioso, para além do facto do estudo ter ignorado completamente que nós também tínhamos qualquer coisa a dizer, é que nos resultados obtidos em França o cenário muda bruscamente. Sarkozy tem 23%, Ségolène 22%. Acho que a eleição ainda irá decorrer em França, não?

Parabéns ao Papa

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Maus sinais

Questionava-me há uns dias à mesa com um grupo de amigos, quais serão a prazo as consequências, os sinais exteriores de uma sociedade progressivamente mais individualista e impiedosa, sem identidade ou "interioridade", dominada pelo hedonismo, pelos predadores sem Deus e pela ilusão das aparências. Alguém me sugeriu que em certas metrópoles dos EUA poderiam ser auscultados esses sinais.
Hoje, ao ouvir a noticia sobre o fenomenal crime perpetrado na Universidade Tecnológica da Virgínia, perguntei-me se não será este tipo de loucura parte da resposta.

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Talvez seja injusto mas...

...De cada vez que há um massacre numa escola americana agradeço aos deuses a falta de poder do lobbying em Portugal

Se isto para vocês é normal, despeço-me já

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Tudo é possível


Manuel Pinho está em mais uma viagem oficial ao estrangeiro com o primeiro-ministro, a Marrocos. Quais serão as declarações imortais que vão sair desta vez?
.

Psicologia de massas e análise do eu


- E quantos posts tinha quando descobriu que estava no 30º lugar do blogómetro ?
- Descobri muito tarde, já com cerca de 3000 posts.
- Hummm... E o que sentiu? Fale-me dos primeiros posts.

- Mostre-me os seus links, dir-lhe-ei quem é.

O DN visto por um míope


Estou bem, abelha
Finalmente explicado o meu atraso na hora de chegada ao domicílio: «Radiações impedem abelhas de encontrar caminho para casa».

Quiçá
Terá a A.R. entendido o significado conceptual de ter - no chão dos Passos Perdidos - 2.200 mãos em suplicante chamada de atenção?

À atenção do Planeta Terra
Na Rússia nasceu a primeira central nuclear flutuante.

Vá lá um espectador da «Gabriela» entender isto
Sónia Braga é a nova «desesperada».

E a melhor notícia da edição de hoje é

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Sem analogias, s.f.favor

A imagem no post do Pedro Correia, um pouco mais abaixo (e não o texto, deixem-me ressalvar)recordou-me esta notícia: «Agora, os burros de alguma idade podem passar os seus últimos dias numa espécie de lar de terceira idade criado especialmente para eles». E eu? Pergunto-me.Terei no final dos meus dias, que já esteve mais longe, uma oportunidade como esta?

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Ainda na Tabú...


«O vendedor de castanhas tem de sobreviver vendendo castanhas - e não oferecendo ursinhos de peluche aos quais junta um cartucho de castanhas (que muita gente deitará fora). Um jornal tem de arranjar maneira de se vender por si, pelo trabalho dos seus jornalistas, e não pelas pérolas, faqueiros, tachos ou DVD que ofereça. Se não conseguir ter leitores, então é preferível fechar a porta». José António Saraiva

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Momento semi-tablóide


Demorei algum tempo a ler a entrevista que a Margarida Rebelo Pinto deu à última Tabu. Eu gosto da Margarida. Em outra vida, fomos amigos e depois deu-me uma coisinha má e, bem, vocês sabem como estas coisas geralmente acontecem: Portei-me inconvenientemente. Ou, como ela me disse anos depois, «deixei-me apaixonar pelas palavras». E posso dizer-vos que tenho pena de termos deixado de falar-nos. Tínhamos conversas muito interessantes à mesa do Frascatti (acho que é assim com dois tês) e, geralmente, as trocas de confidências eram tão saborosas quanto o ossobuco da casa.
A Margarida passou da publicidade para os jornais, numa altura em que um editor não podia ver um bom par de pernas sem ficar taralhoco. Nesse tempo, imaginem, havia poucas mulheres nas redacções e as que havia, benza-as Deus, não tinham nem as pernas nem os olhos da Margarida. Ela aturou muita coisa, é o que vos digo.
Durante anos, não desistiu de prosseguir um objectivo: Viver daquilo que escrevia. Alcançou-o, e só não digo que o ultrapassou porque seria redutor. Não me interessa discutir aqui a sua qualidade literária. Nas prateleiras de uma livraria há espaço para tudo e há, também, espaço para os seus livros e leitores que os compram e apreciam, como ficou mais do que provado nos últimos anos. Sobre a entrevista, só não gostei de a ver mencionar depreciativamente «um tal de Augusto Abelaira». A Margarida é mais inteligente do que isso e tenho a certeza de que, se não gostou de «A Cidade das Flores», ainda vai gostar um dia. Pelo menos prefiro pensar que sim.
Acrescento em jeito de desculpa informal: Não pretendia, linhas acima, generalizar de forma tão radical. Provavelmente havia muitas outras mulheres nas redacções com atraentes pares de pernas. A essas o meu humilde pedido de perdão.

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A história instrumental

(...) Nenhum combate ideológico poderá dispensar uma vigilância crítica das versões da história que se encontram em circulação. Em todas as sociedades se confrontam grupos que lutam pela conquista da supremacia moral, de onde poderão retirar grande força de pressão sobre todos os aspectos da vida pública. Os que se apoderam da escrita da história conseguem manusear a maior parte dos conceitos e das classificações, ditando, por conseguinte, as atitudes bem ou mal aceites. Definem o que é progresso e o que é estagnação, o que é ousado e o que é conformista, o que é igualitário e o que é discriminatório, o que está aberto ou fechado aos valores da sociedade moderna. Conceitos ligados a vagas imagens históricas, mais do que a rigorosas definições sociais, transformam-se, quando manipulados por mãos hábeis, em potentes instrumentos de coacção dos comportamentos. (...) Ler na integra

Carlos Bobone na Alameda Digital

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Um outro "recordista" português

Já pelos lados de Vigo anda um português bem acordado a circular a velocidades que chegam até aos 225 km/hora, acumulando a módica quantia de 8300 euros em multas,
Parece que a Guardia Civil se fartou (só agora?) e disse «basta ya», acusando-o de delito continuado por condução temerária.
Ao volante, por toda parte, uns valentões cheios de engenho e arte.

Cherish The Day


Hoje o blogue acordou ligeiramente mais tarde...

Domingo, Abril 15, 2007

A "qualificação" a que temos direito


O relatório da Inspecção-geral do Ensino Superior à Universidade Independente, divulgado no semanário Sol pela jornalista Andreia Félix Coelho, é verdadeiramente demolidor, traçando um retrato negro da instituição que José Sócrates escolheu para concluir o curso.
Desde 2002 que a universidade não era inspeccionada, o que atesta bem dos critérios de rigor dos sucessivos governos nesta matéria. Incluindo o actual, que tanto apregoa a prioridade à "qualificação" dos recursos humanos.
O que diz o relatório?
Passo a citar:

- O reitor "não tem o doutoramento registado, não lhe sendo, assim, legalmente reconhecidos os direitos inerentes à titularidade deste grau académico".
- O corpo docente não garante, "na maioria dos cursos, as qualificações académicas legalmente exigidas, bem como o regime de funções em tempo integral".
- "A concessão de equivalências é realizada sem a intervenção do Conselho Científico", o que viola a lei.
- "O Conselho Científico não é composto exclusivamente por doutores", o que também viola a lei.
- O ingresso de alunos na universidade "revela a existência de frequentes actos de negiglência e falta de rigor na aceitação e apreciação das candidaturas".


Há mais, muito mais. Mas fico-me por aqui. Assim vai o ensino "superior" em Portugal. Alguém aí falou em qualificação?

O caminho

Sem repararmos, a tinta das paredes da nossa casa, há anos escolhida a preceito num catálogo de infinitas tonalidades, empalidece todos os dias. Os sofás, um dia estreados novos e reluzentes, num enxoval de expectativas, perderam o brilho. A torneira que de novo pinga e não veda. E o tapete turco qualquer dia também já vai a restaurar. Na caixa das memórias, as fotografias perdem cor, os papéis de pensamentos e antigos sentimentos, as cartas e os velhos postais, ganham tons de pergaminho. Significativos capítulos desta mesma, mas já antiga, história. O tempo, cego, tudo desagrega e corrompe.
Habituamo-nos a festejar os aniversários dos miúdos todos os anos, sem contar que a vida passa, sem pausarmos o filme por uns momentos. Para memorizarmos definitivamente aquela pele imaculada e aqueles olhos fundos e tão grandes, brilhantes de surpresa, tão cheios como toda a nossa vida. Os tempos passam marcados pelos rituais, com tantas conversas banais, novos projectos, trabalhos e tantas estações. Com roupas de Verão e roupas de Inverno. Mas ressuscitámos sempre o amor, ainda mais quando o frio apertava. Fazendo das misérias as fortalezas, para nunca morrermos nem um bocadinho. Sempre atentos juntando os pedaços, a compor e recompor o mesmo amor. Avidamente, juntando os sons e as harmonias, moldando uma obra divinal. Sem nunca desistir daquela nossa utopia de vencermos o tempo e o mal. Sem nunca desistirmos de ser gente feliz e maior.

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Postais blogosféricos

1. O Mel com Cicuta festeja o segundo aniversário. Em excelente forma. Muitos parabéns!
2. Descobri este blogue, recém-nascido. E recomendo-o desde já - a começar pelo nome, de que gosto muito: Arde Lua.

Há mais Sócrates para além do José

Sócrates marca o golo da sua carreira...

Um Borbón em Belém

Os tempos estão a mudar a uma velocidade alucinante que nem sempre consigo acompanhar. Percebi isso na última vez em que fui ao barbeiro, num estabelecimento diferente do habitual: a menina, depois de me cortar o cabelo, perguntou-me se eu queria também "arranjar as sobrancelhas". Percebi isso melhor ainda ao ler ontem mais uma excelente entrevista do José Fialho Gouveia no semanário Sol: a escritora comunista Alice Vieira afirma-se pela união ibérica, assegurando que "não desgostava de ter Juan Carlos como rei". Estou definitivamente desactualizado: os comunistas já não são o que eram. Mas, vendo bem, por que motivo um país que há 20 anos importa espermatozóides de Espanha não há-de ter um Borbón instalado no Palácio de Belém?

Domingo

Evangelho segundo S. João 20,19-31.

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!»
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. E Ele voltou a dizer-lhes: «A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.»
Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.»
Tomé, um dos Doze, a quem chamavam o Gémeo, não estava com eles quando Jesus veio. Diziam-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor!» Mas ele respondeu-lhes: «Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito.»
Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: «A paz seja convosco!» Depois, disse a Tomé: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.» Tomé respondeu-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» Disse-lhe Jesus: «Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto».

Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e, acreditando, terdes a vida nele.

Da Bíblia Sagrada

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Em nome do rigor


É favor tratarem este senhor, a partir de agora, por licenciado Marques Mendes.

Nas colunas


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Ao contrário de Sócrates

Ao contrário de Sócrates, eu lembro-me bem dos meus professores na universidade. Professores como Francisco Lucas Pires, Vasco Pulido Valente, Rui Machete, Jorge Miranda, Diogo Freitas do Amaral e Teresa Almeida Garrett. Nenhum deles me deu mais do que uma disciplina ao mesmo tempo. Nenhum deles me fez um exame num domingo. Nenhum deles pactuava com a bagunça que tem ensombrado e manchado o ensino universitário em Portugal, sob a benevolência cúmplice de todos os governos.

Sábado, Abril 14, 2007

Um amigo para as ocasiões

Freitas do Amaral quebrou hoje, no Sol, um silêncio de meses para se solidarizar com José Sócrates a propósito da controvérsia sobre a licenciatura do primeiro-ministro. Freitas foi meu professor de Direito Administrativo na Universidade Católica e sempre o associei a critérios de excelência no domínio académico. Apesar disso, não me espanta que venha agora em defesa das trapalhadas de Sócrates. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Todo o mundo é composto de mudança.

É bom sinal


O pedido de inquérito de Marques Mendes já teve um mérito. A volta do ministro da informação iraquiano do governo Guterres, José Junqueiro, que reagiu, com um brilhantismo de que eu já não me lembrava, às palavras de Mendes. Como é que o PS tem um valor destes e o deixa escondido tanto tempo? Ou era eu que andava distraído?

Do Portugal Profundo sempre a subir

Novidades no Blogómetro: este blogue acaba de ultrapassar o Abrupto, de Pacheco Pereira. Não admira nada.

As palavras dos outros

"Basicamente, [na entrevista à RTP] José Sócrates respondeu que são questões a que é alheio e cuja responsabilidade só pode ser imputada à Universidade Independente. Mas há uma coisa a que ele não foi alheio, que foi a escolha desta universidade para se licenciar."
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"Será que José Sócrates, o primeiro-ministro, recomenda o modelo da Universidade Independente que o aluno José Sócrates conheceu como exemplo a seguir na tal estratégia de qualificação e valorização profissional que defende para o País?"
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"A última questão a que José Sócrates não respondeu, nem lhe foi perguntada, é esta: se, como afirmou, nunca pensou em ser engenheiro, para que quis licenciar-se em Engenharia? Uma curiosidade intelectual por conhecer as vigas de betão esforçado?"
Miguel Sousa Tavares, Expresso

Pensamento de solarengo sábado

«Lá me ia eu metendo em política e em coisas de estado sem o sentir! Que se avenham os que mandam no mundo». D. Francisco Manuel de Melo, citado por José Cardoso Pires em «A Cartilha do Marialva».

Sexta-feira, Abril 13, 2007

Entrevista a PSL (a Banda Sonora)

...
Like a baby, stillborn,
like a beast with his horn
I have torn everyone who reached out for me.
But I swear by this song
and by all that I have done wrong
I will make it all up to thee.
...
Bird on a Wire, Leonard Cohen

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Revista de imprensa

Vale a pena sintonizar o Rádio Clube Português (104.3) amanhã, entre as 10 e as 13 horas. Motivo: a nossa Miss Pearls fará nesse período a leitura dos jornais do dia, integrada num trio de notáveis que inclui Eduardo Pitta e António Barreto. A seguir com atenção.

Perplexidades

1. Segundo Marques Mendes, José Sócrates revelou “uma falha de carácter” que “mina a sua credibilidade” como primeiro-ministro. O que fazer? Esta espécie de passe de mágica: nomear uma “entidade independente” que averigue o percurso académico do chefe do Governo. Terei ouvido bem? Uma “entidade independente”, seja ela qual for, é capaz de investigar “falhas de carácter”?
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2. Pinto Monteiro, que há quatro ou cinco dias não falava, chegou-se à frente para se declarar disponível na magna tarefa de investigar as eventuais irregularidades cometidas no percurso universitário de Sócrates. Pasmo com isto: como pode a Procuradoria-Geral da República, a quem compete o protagonismo no domínio da acção penal, detectar algum crime neste caso? Nada mais vislumbro aqui do que um excesso de zelo do procurador-geral, talvez entusiasmado em excesso com as infelizes palavras de Marques Mendes.
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3. Segundo Vasco Cardoso, da Comissão Política do PCP, a questão da licenciatura de Sócrates “tem sido sobretudo usada como instrumento de distracção dos reais problemas do País”. Usada por quem? Não pelo primeiro-ministro, que permaneceu três semanas de boca fechada. Não pela oposição, igualmente calada durante o mesmo período. Os comunistas acusam, portanto, os jornalistas que cumprem a sua missão profissional de distrair os portugueses “dos reais problemas do País”. Na opinião deles, devo concluir, saber se um primeiro-ministro foi indevidamente favorecido no processo de obtenção da licenciatura numa universidade que se tornou caso de polícia não é um problema. Doce oposição, a destes comunistas...

O melhor conselho do dia


«Flirt when the time is right ... which is now. Venus just entered Gemini!»

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Ota e otários

Tenho primalhada amiga em Ota, respeitinho ao pessoal por favor. Ota tem boa vinha, boa horta, e bons eucaliptais. Basicamente é gente boa. Em tempos saudosos por lá andei nas vindimas e à boa vida. Nos Passos e nos Arcos. A pedido dos meus miúdos espero ir ainda este Verão acampar à beira da barragem da Chaalta, ali no sopé do Monte Redondo. De resto os habitantes de Ota são os otenses, não têm nada de otários, e eu de aeroportos não percebo nada.

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Referendo

Já aqui escrevi que não deve haver referendo ao novo tratado europeu, mas acho que o tema devia ser discutido. Penso mesmo que é, neste momento, o tema mais importante para discussão. Na blogosfera surgiram algumas vozes (como Medeiros Ferreira ou Francisco José Viegas, entre outros) que defendem o referendo. Os seus argumentos são relevantes: parece evidente que um tratado aprovado pelos eleitores é muito melhor do que um aprovado pelos partidos, em votação parlamentar.
No entanto, há dois problemas. O primeiro está relacionado com essa votação e o segundo com o calendário.
Acho que não faz sentido referendar um assunto onde a resposta está decidida à partida. Se os eleitores não podem rejeitar o tratado sem causarem uma crise política grave, então para quê referendar? Países como Dinamarca ou Irlanda podem recusar o tratado, são ricos, Portugal simplesmente não pode. Além disso, todos sabemos que a campanha seria um granel sem paralelo, com os nacionalistas a dizerem disparates em conjunto com a extrema-esquerda. Seria tudo discutido, menos o tratado.
A segunda questão, a do calendário, parece-me evidente, mas não tenho lido muitos comentários sobre ela. A solução do tratado (que está ferido de morte) cairá provavelmente na presidência portuguesa. Ora, será absurdo que o país que preside à UE não tenha ratificado o tratado que pretende salvar. Nesse contexto, qual é a credibilidade da presidência portuguesa?
Ratificar por referendo depois da presidência, após haver um tratado definido, com a solução encontrada? Isso ainda parece mais ridículo: se o tratado foi resolvido durante a presidência portuguesa, não fará qualquer sentido ser Portugal a rejeitar o texto que salvou. Era a loucura total.
Ou seja, só há uma saída: ratificação parlamentar do texto existente, antes do início da presidência portuguesa. Isso implica que Portugal pode ter uma posição negocial durante a sua presidência e credibilidade mínima para fazer o seu trabalho de discutir e alterar o documento.

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Sexta-feira


Uma Thurman

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Ainda a tempestade

Só para acrescentar uma explicação ao meu post (que já não sei onde está) sobre o silêncio de Sócrates e depois de ouvir diversas pessoas que não concordaram com a minha análise: Vamos supor que ele falava logo a seguir à notícia do Público. Depois da notícia do Expresso, deveria falar outra vez? E no dia seguinte, quando o Público trouxe mais dados que não batiam certo? Falaria de novo? E depois, quando outro jornal qualquer exibisse mais uma disparidade? Voltava a explicar-se? Ou o que queriam era que, logo na primeira comunicação, ele viesse esclarecer tudo mesmo tudo, incluindo questões que ninguém levantara até aí e factos que ele próprio ignorava?
O Primeiro-Ministro concentrou todas as explicações num momento apenas e evitou desgastar-se em sucessivas aparições, as quais só o fragilizariam muito mais e o colocariam a seguir o ritmo da Comunicação Social. É isso que os jornalistas querem sempre, e é legítimo que o queiram. Mas a estratégia seguida pelos assessores foi excelente, por mais que alguém diga o contrário. (Quanto a outros assuntos relacionados que não puramente com a estratégia comunicacional, entendo que não devo pronunciar-me).

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Caro João Marcelino et al

Como leitor do Diário de Notícias em ambos os formatos, considero que não faz sentido que se tenha remodelado a edição em papel, mas na edição online continue tudo na mesma como a lesma. Não se pode tratar do assunto?

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Quem sai aos seus

Como qualquer «mais velho», preocupo-me com a saúde do meu irmão. Não sei se é boa ideia ele escrever reportagens sobre os negócios do Estado português com os diamantes angolanos, como a que hoje dá capa ao caderno de Economia do Público. Ele escreve que é «uma operação sobre a qual ninguém quer falar». E eu acreditava nele mesmo que não fosse da família.

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Síntese matinal

Uma coisa que não percebo sobre a minha mulher:
Por que larga ela mais pêlo do que qualquer animal de estimação.
Uma coisa que ela não percebe sobre mim:
Por que me cumprimentam algumas amigas com um beijo na boca.

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Série nostalgia



Os Pequenos Vagabundos
Dedicado aos admiradores da série, a pensar na Marion des Neiges e nos olhos do Jean-Loup.


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Para os mais nostálgicos um site fantástico com publicidade do antigamente: o anúncio do "Vamos jogar no totobola", "margarina Planta", "Larangina C", "Citroen Dyane" e clips do MacGyver, Os Três Dukes, O Verão Azul, Dartacão, e muitos, muitos outros.

Quinta-feira, Abril 12, 2007

Está tudo claro, não está?


Depois de só ter feito asneiras ao tentar abafar a história da licenciatura do primeiro-ministro, parece que a central de informação socialista (que, como é sabido, não existe, ainda ontem Sócrates o disse e Sócrates é um homem honrado) está a reagir. O tom foi dado logo a seguir à entrevista: está tudo explicado, tá bem, ele pode ter cometido alguns pequenos erros na juventude ao usar o título de engº, mas tudo o resto não interessa e está ultrapassado, foi um caso inventado por não sei quem. Mas deixa-se entender que é o Público ao serviço de um Belmiro irritado com o resultado da OPA, a Rádio Renascença ao serviço de uma Igreja Católica rancorosa com o resultado do referendo ao aborto, o Expresso... bem o Expresso é mais difícil, mas certamente que o Balsemão também quer tramar o primeiro-ministro por qualquer razão. E é do PSD. Por detrás de tudo isto, a coordenar a conspiração, claro, Marques Mendes e a sua tremenda influência sobre os jornalistas portugueses. Apesar de tudo, Sócrates só ligou para directores de jornais e jornalistas para lhes responder a perguntas e prestar esclarecimento. Aliás, ele quase não liga para jornalistas, não se preocupa com o que vem na Comunicação Social ou com assuntos de imagem (ainda ontem Sócrates o disse e Sócrates é um homem honrado).
Hoje de manhã, ao ligar a TSF, ouvi dizer que as inscrições no Fórum, que tratava da entrevista, já se tinham esgotado mal o programa ia começar. Não me lembro de ver tanto interesse em comentar um assunto político. Ainda ouvi três ou quatro "ouvintes" a dizer que, tá bem, Sócrates tinha feito umas asneiritas quando era um pequeno deputado, mas quem não as comete, mas que era um óptimo governante, que o FMI até estava muito satisfeito, que o Marques Mendes, que horror, estava a aproveitar o assunto, não tem vergonha nenhuma, não acreditava nas explicações de Sócrates, que toda a gente sabe que é um homem honrado. Alguns estavam tão indignados por haver gente com dúvidas, sobretudo do PSD, que tinham escrito as suas intervenções que interpretavam veementemente.
E até ao ver os comentários de certos anónimos a posts escritos hoje neste blogue, percebi que há imensa gente (certamente representativa dos Portugueses Anónimos) que não percebe a importância que se dá a este assunto, que está tudo explicado, que há coisas muito mais interessantes a discutir e sobre o que escrever. E alguns anónimos, tal como os ouvintes da TSF no Fórum, nem sequer votaram em Sócrates...

Kurt Vonnegut (1922-2007)



As personagens de Kurt Vonnegut parecem deambular ao acaso no meio de coisas bastante absurdas. Este autor captou bem a força do acaso e o confuso descontrolo que o ilógico assume nas nossas vidas. Infelizmente, em Portugal, o escritor americano, que faleceu na quinta-feira com 84 anos, é ainda pouco conhecido.
Quando era novo, li um dos seus livros, publicado em dois volumes na colecção Argonauta (tinha uma tradução tão absurda como as suas histórias, Utopia 14; o original é Player’s Piano). Na altura, sem compreender muito das suas ideias, fiquei impressionado com a criação de ambientes e o aparecimento de uma personagem que se passeia por tudo aquilo sem compreender patavina. Nesta história de ficção científica, Vonnegut inventa um mundo onde as máquinas substituem os trabalhadores, que não têm nada para fazer, excepto flanar pelos cafés e preparar a revolta contra a modernidade que os afastou da vida. Lembro-me de uma situação particularmente brilhante, a do trabalhador que inventa a máquina que torna redundante o seu próprio emprego.
Matadouro 5 e Cat’s Cradle são dois outros livros fantásticos de Kurt Vonnegut, mas que eu saiba o segundo não está traduzido e o primeiro foi publicado quase discretamente. Matadouro 5 é um livro terrível, um verdadeiro murro no estômago, onde estão patentes as experiências do próprio autor durante o bombardeamento de Dresden, um dos maiores massacres da Segunda Guerra Mundial. Vonnegut era prisioneiro de guerra e estava na cidade durante o bombardeamento; tinha sido capturado nas Ardenas, após deambular pelo campo de batalha durante vários dias, perdido atrás das linhas alemãs. Escrito durante a Guerra do Vietname, este livro pacifista é provavelmente o primeiro a exibir um conceito tornado entretanto famoso: o choque e pavor.
O segundo livro, Cat’s Cradle é mais difícil de definir, tal como o seu título, referência ao jogo dos fios que se pode ver na imagem. A história baseia-se numa substância de apocalipse, chamada Ice-Nine, e na questão da moral, ou da sua ausência, nas decisões humanas. Sempre a mesma flutuação desinteressada de cada ser. O escritor mostra a sua vastíssima cultura, usando boa dose de humor negro. Tudo gira em torno do acaso e da falta de controlo das pessoas sobre o seu destino. Enfim, Vonnegut era, sem dúvida, um grande escritor e merece ser lido com atenção.

Para descontrair



Um jantar em Matosinhos no W?Duck, onde as pessoas comem sentadas em...retretes. O bife de pato laminado com gergelim e noodles é a 12€.

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Dúvidas que subsistem


1. Se um aluno universitário quiser transferir-se para outro estabelecimento, pode fazê-lo sem apresentar o respectivo certificado de habilitações, como José Sócrates fez em Setembro de 2005 ao transferir-se do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa para a Universidade Independente? Só em Junho do ano seguinte, recorde-se, o actual primeiro-ministro apresentou na secretaria da Independente a prova de que tinha concluído com aproveitamento dez cadeiras no ISEL.
2. É normal um só professor leccionar quatro cadeiras em simultâneo? Vasco Pulido Valente, no Público de hoje, garante que não. António José Morais, que foi esse professor, desempenhava em simultâneo funções no Governo socialista – o mesmo em que Sócrates se integrava no ano lectivo 1995/96, como secretário de estado adjunto do Ambiente.
3. É normal que o reitor de uma universidade se substitua ao habitual regente de uma cadeira, leccionando-a à sua revelia? Terá sido o que aconteceu com Luís Arouca, que aprovou Sócrates na disciplina de Inglês Técnico, cadeira cujo titular era o professor Eurico Calado, vice-reitor da Independente.
4. Quantos dados biográficos diferentes costuma ter um chefe do Governo? Sócrates já teve várias versões no seu currículo. Duas enquanto foi deputado, nos anos 90, três outras no portal do Governo, de há um mês para cá. Lapsos alheios – foi a justificação. Que não convence muito boa gente. Sócrates persiste em não assumir culpas próprias num processo em que foi protagonista.
5. É aceitável que três semanas de silêncio público sobre uma questão relevante coincidam com inúmeras pressões privadas feitas pelo primeiro-ministro junto de jornalistas?

As dúvidas persistem. Não ficaram dissipadas com a entrevista de Sócrates à RTP.

Conviver mal com a crítica

Ilude-se quem pensar que José Sócrates passará incólume do extenso rol de dúvidas suscitadas pela sua licenciatura na desprestigiadíssima Universidade Independente. As três semanas de pesado silêncio que manteve face às notícias que iam saltando para o espaço público terão repercussões inevitáveis na sua imagem, como aliás se verá.
Da entrevista de ontem à RTP ressalta uma ideia nítida: Sócrates convive muito mal com a crítica. Reage com arrogância e sobranceria às legítimas questões que lhe são dirigidas, por mais simples que sejam, percebendo-se que está pouco ou nada habituado a que o enfrentem de olhos nos olhos. Será talvez instinto de "animal feroz", como ele próprio se definiu numa memorável entrevista ao Expresso. Mas falar com manifesto desdém da "blogosfera", equiparando-a a um vespeiro de intrigas, sem atentar que vários dos seus camaradas de partido são responsáveis por alguns dos blogues mais influentes em Portugal, é algo indigno de quem tanto gosta de proclamar a necessidade de acertarmos o passo com o futuro na sociedade da comunicação.
Este Sócrates inchado de soberba e auto-suficiência, incapaz de aceitar críticas, constitui a pior face de um primeiro-ministro que tem revelado capacidade de decisão e competência política. Só lhe faltou dizer: "Deixem-me trabalhar!" Com a devida vénia a Cavaco Silva.

A entrevista



Sou marciano e aprendi muito, a ver o programa de ontem na TV. Os portugueses são mestres na arte especial de discutir temas laterais e, lá em Marte, temos muito a aprender. Dou um exemplo: anteontem, na televisão marciana, discutiu-se a Constituição de Europa (o famoso satélite de Júpiter) e, dois dias depois, o planeta ainda não acordou.
Embora não perceba muito de política (não compreendi qual a importância de saber todos os pormenores do currículo do primeiro-ministro), assisti, com interesse, à entrevista de José Sócrates, fascinado pelo grau detalhado de interesse que existe na opinião pública sobre o escandaloso tema das diferenças subtis entre engenheiro e engenheiro técnico. Foi um belo resumo de dois anos de governação.
Lá em Marte, não há teorias de conspiração. Não é como aqui, na Terra portuguesa, onde eles nem disfarçam que fazem de propósito. Inventa-se um tema, para entreter, bate-se muito no peito (porque é uma questão de princípio, naturalmente) e no fim é alegremente esquecida a tinta gasta em tão profundas questões de Estado. Que sabedoria profunda!
Nos temas da economia e da Ota, o interrogatório foi pouco dirigido para o concreto, como convinha. Ouviu-se dizer, fala-se em, parece que. Devia-se discutir uma nova localização, mas ninguém sabe onde ela fica.
No final, para a questão do referendo ao novo tratado europeu, acho que foram vinte segundos, ou talvez mais dois ou três, não consegui cronometrar. Houve risco sério de se adormecer a população.
Quem não tivesse estado atento às notícias, não percebia patavina. Pela primeira vez José Sócrates admitiu não fazer referendo, embora defendendo a sua realização.
Parece óbvio que não faz sentido realizar um referendo onde a resposta está decidida à partida. O País só pode responder “sim” ao novo tratado, pelo que é no mínimo hipocrisia política consultar os eleitores, para mais havendo o perigo de ser discutido o preâmbulo ou a vírgula do currículo do signatário da página 451. Os partidos podem muito bem decidir. Estava a fazer estas reflexões quando caí em mim: este é um raciocínio marciano.
O facto de Portugal ainda não ter ratificado o projecto de tratado coloca o País numa situação bizarra: terá previsivelmente de organizar uma Conferência Intergovernamental (CIG) onde serão introduzidas pequenas modificações cosméticas no documento rejeitado pela França e Holanda. Ou será decidida uma simplificação do documento, também na presidência portuguesa, também através de uma CIG.
E, no entanto, Portugal ainda não manifestou a sua posição. A única maneira de sair do imbróglio é aprovar no parlamento o projecto de tratado, no dia anterior ao início da presidência portuguesa.
Ai! Lá estava eu outra vez a confundir a Europa com o satélite de Júpiter do mesmo nome.

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Os otários

Durante mais de uma hora o país politico esteve suspenso em frente ao televisor, a ouvir as históricas justificações do Sr. Pinto de Sousa sobre as suas habilitações académicas. Não desfazendo dos entrevistadores (a jornalista Maria Flor Pedroso exibiu-se em belíssima forma, pela coragem e autoconfiança demonstradas), a determinada altura toda aquela conversa pareceu-me patética, confrangedora. No meio daquelas justificações subjectivas e da bateria de papéis apresentados pelo Sr. Pinto de Sousa, além do ridículo do tema ficou-me uma incómoda impressão da má qualidade e do "chico-espertismo" que impera no negócio de algum ensino superior privado em Portugal - àquela peregrina ideia de se permitir ao aluno a inscrição sem o certificado de habilitações, estará subjacente a facilitação da entrada das receitas da inscrição e propinas, seja qual for a legitimidade da frequência? Este é quanto a mim o assunto chave a ser seriamente investigado por uma comissão independente, o que esclareceria definitivamente a qualidade dos canudos que por aí se multiplicam.
No final das contas ficou tudo na mesma, o assunto não tem assunto, o "nosso" Sócrates também não. Portugal, esse é que continua adiado, quando o país precisava de um herói, de um grande estadista.
Mas a dura realidade é bem diferente: as verdadeiras reformas continuarão em suspenso, o deficit das contas publicas por controlar. Enquanto isso, os otários disfarçam o escândalo e pagam uma das mais altas e brutais cargas de impostos da Europa. Essa é que é essa!

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Eu, cidadão...

Antes de ser jornalista sou um cidadão deste país. Escrevo para dizer que, enquanto meu concidadão, deixo de acreditar em José Sócrates.

Durante cinco anos fui estudante universitário. Sei como se é favorecido numa universidade. Testemunhei alguns desses casos na Universidade Católica. Este episódio mostrou-me que Sócrates, enquanto foi aluno universitário, se comportou como um desses chico-espertos com que tive de conviver.

Com a minha experiência universitária, há coisas neste dossier que não me deixam dúvidas sobre o favorecimento de Sócrates. Não me interessa se esse favorecimento foi procurado por Sócrates ou se lhe foi oferecido por alguém da universidade e ele o aceitou sem remorsos. As duas situações são-me repugnantes.

Em que universidade é que um reitor dá aulas de Inglês Técnico a um aluno em separado?

Em que universidade é que um diploma é passado a um domingo?

Em que universidade é que um aluno faz um teste separado da restante turma?

Em que universidade é que as pautas têm diferentes notas para uma mesma disciplina?

Em todas, desde que a universidade ganhe com isso.

É isto que as pessoas que dizem que nada se provou neste processo não percebem. É que quem já foi um aluno universitário e viu como certas pessoas passavam milagrosamente de ano reconhece os sinais a milhas. Eu e alguns amigos meus, quando falávamos deste caso, só nos riamos. Porque reconhecíamos o modus operandi.

O problema de Sócrates é que o que se passou com ele não é novo. O repugnante nisto é que o PM seja apenas mais um daqueles chicos-espertos.

Para ter um canudo José Sócrates concedeu neste tipo de comportamento. A forma como se defendeu ontem só me veio provar que não se importa de conviver com o mesmo tipo de comportamentos nestes dias.

Quarta-feira, Abril 11, 2007

Futebol espectáculo

O resultado "sete a um" quando imposto às equipas pretensamente do mesmo escalão começa a afirmar-se como uma indelével assinatura das grandes e personalizadas equipas de futebol. Assim de repente lembro-me de o terem alcançado o Celta de Vigo, o Manchester e... O Sporting!

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A ler

1. "Simplex", por Paulo Tunhas.
2. "As leituras do share", por Paulo Gorjão.
3. "A estratégia que seria boa se tudo fosse mentira", por Henrique Burnay.
4. "Planeamento centralizado", por João Caetano Dias.

O que diz Pacheco

José Pacheco Pereira escreveu sábado, no Público, um dos artigos mais injustos que tenho lido desde sempre sobre o jornalismo português. Afirma, em síntese, que os jornalistas se têm demitido da sua função de escrutinar o poder político. A propósito da embrulhada em torno das habilitações académicas do primeiro-ministro.
Pacheco não poupa nas palavras. Diz que existem “compromissos invisíveis” entre a comunicação social e “o poder socialista, o seu Governo e o primeiro-ministro”. Afirma que se estendeu um manto de silêncio sobre o currículo universitário do primeiro-ministro – apenas rompido pelo Público, que lançou o tema, e pelo Expresso, duas semanas mais tarde. Tudo porque Sócrates, garante, tem “mecanismos que chegam às redacções”.
Às vezes parece que Pacheco vive noutro país. Um português que abra qualquer jornal ou veja qualquer noticiário televisivo depara a todo o instante com notícias destacadas sobre o diploma universitário de Sócrates, obtido em condições pouco claras na Universidade Independente. Ao contrário do que diz Pacheco, a grande maioria dos órgãos de informação tem cumprido bem a sua missão. Em questões como o aeroporto da Ota e o recente relatório do Tribunal de Contas sobre gastos astronómicos em gabinetes governamentais, têm-se multiplicado manchetes que incomodam seriamente o Executivo.
No que diz respeito à relação entre Sócrates e a Universidade Independente, Pacheco é particularmente injusto. Porque neste caso só os jornalistas têm incomodado o Governo. O PSD, partido de Pacheco, mantém um silêncio sepulcral sobre o assunto. Na Assembleia da República, como Pacheco não ignora, nem o mais leve sussurro ocorreu até agora. Houvesse oposição a sério à direita do Governo e já toda a balbúrdia em torno da Independente estaria a ser dissecada, na frente partidária e na frente parlamentar.
Pacheco sabe disto. Mas dá-lhe mais jeito atacar os jornalistas do que atacar Marques Mendes. Só é lamentável que pretenda virar tudo do avesso. Quem ele acusa de estar calado, não tem deixado de falar – com profissionalismo, com responsabilidade. Quem ele não acusa, permanece mudo – como se não visse telediários nem lesse jornais. Se o Governo fosse escrutinado pelo Parlamento e pelo PSD como é pela Comunicação Social, teria a vida bem mais difícil do que tem.
P. S. - O artigo está parcialmente reproduzido no blogue de Pacheco, Abrupto. Daí o link que fiz acima.

História de algibeira (19)

No século XIX, com o desenvolvimento das vias de comunicação, as visitas de estado tornaram-se acontecimentos correntes na gestão das relações entre os países europeus. Atingida (tardiamente) a plena ligação de Portugal à rede europeia de caminhos de ferro, D. Carlos, o rei-diplomata, empreendeu viagens diversas e foi anfitrião em Lisboa dos mais ilustres chefes de estado da época, como o monarca espanhol Afonso XIII e o presidente da França Émile Loubet.
Uma das visitas mais espectaculares terá sido a visita do seu tio Eduardo VII de Inglaterra, em 1903, em promoção da velha aliança, e a caminho de Paris. Além do habitual banquete no Palácio das Necessidades, e do serão no São Carlos, o programa da visita incluiu uma caçada às rolas e uma tourada na praça de touros do Campo Pequeno.
Lisboa esteve em grande festa durante três dias, e o testemunho que guardamos hoje desse grande evento é o conhecido parque de Lisboa, que foi baptizado com o nome do ilustre convidado: Eduardo VII.

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Tertúlia literária (171)

- Aprendi a ler na Cartilha Maternal.
- A mim também foi a minha mãe que me ensinou a ler.

Postais blogosféricos

1. Vida das Coisas, o excelente blogue de Rui Perdigão, dá hoje entrada na nossa barra lateral.
2. Um abraço de parabéns ao Leonardo Ralha pelo primeiro aniversário do seu Papagaio Morto.

Música do meu tempo (6)


Peter Murphy - "Cuts You Up"

Juro que não plagiei ninguém

E que até hoje não tinha lido isto: «O próprio guião de dúvidas ainda sem resposta que o Público publica esta terça-feira serviu para Sócrates treinar. O primeiro-ministro entende que as respostas a muitas dessas questões já foram dadas aos órgãos de comunicação social que têm feito investigações à forma como concluiu a licenciatura. E, portanto, está preparado para reagir». Notícia de Helena Pereira no SOL, lida aqui.

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E ele a dar-lhe com os tubarões


Isto, com tantos links do 31 da Armada para aqui, já começa a cheirar a head hunting.

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É hoje, ó Henrique!

«A estratégia de silêncio de Sócrates só é boa se as respostas dadas na Quinta-feira à noite forem suficientes e não forem desmentidas na Sexta ou no Sábado. Caso contrário, Sócrates é apenas mais um humano, vítima da sua vaidade». Actualização: Eh, pá! Só agora é que percebi que este meu «é hoje!» pode parecer um grito de júbilo ou outra coisa qualquer. Nada disso: Queria apenas fazer notar ao Henrique que se enganou na data da entrevista. Esclareço isto porque acabo de receber um e-mail da Ad Capita a pedir-me uma «actualização curricular». Cá se fazem, cá se pagam.

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Para aligeirar

Sempre almejei escrever um post daqueles que toda a gente faz, num ou noutro momento mais desinspirado da sua vida, com base nas entradas de visitantes a partir das pesquisas do Google. Aqui vai então uma selecção feita com base num único critério, o meu estupefacto «Hã?!»:
> jogar jogo do labirinto no you tube assustador que apareçe amulher do exorcista (o exorcista era um padre ó taralhoco)
> manual de como lhe dar com adolecentes rebeldes (conselho: dê-lhe com o que estiver à mão)
> quarentões giros e bonitos (obrigado, estou a pensar incluir uma fotografia no perfil)
> grandes armazens elcorteingles adultério (enviar por favor história de vida)
> fita rigor trabalhando no sabonete (parabéns pela experiência dadaísta)
> existe diferenças entre o partido liberal eo partido conservador? (who cares? Get a life)
> o que sao giras (a minha mais sincera compaixão ou esperança de que tenha 12 anos)

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Nas colunas

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Falta de prestígio

Chateou-me a noite passada todo aquele blá blá blá corporativo do jornalista como paladino que só prejudica a imagem das pessoas contra vontade e em prol da verdade, «nós até gostamos de muita gente a quem estragamos a vida» e tudo isso. Mas, hoje, tenho que dizer que a decisão do Supremo Tribunal de Justiça relativamente ao processo entre o Público e o Sporting me parece uma verdadeira, perigosa e descabelada parvoíce.
Como é possível que a alta instância judicial delibere que a veracidade dos factos é secundária face aos prejuízos para a credibilidade de uma instituição? Ou, mais exactamente, «o seu prestígio ou merecimento no meio social de integração». Estes juízes estão doidos? Pensaram nem por um momento que fosse no que significa esta decisão como precedente para processos futuros? Pensaram e estão-se nas tintas? O seu ódio aos jornalistas sobrepõe-se ao seu amor pela verdade? Summum ius, summa iniuria, como dizia o grande Cícero. Se pensasse a sério no seu prestígio e no prestígio de uma sociedade democrática livre e aberta, o Supremo não decidia assim.

Mais paracetamol é que não

Ontem, acabei o programa do «Silêncio de Sócrates» com uma dor de cabeça que mais parecia duas. Hoje - e não pensem que estou a brincar - terei que optar entre a entrevista do nosso Primeiro ou uma sessão de Terapia do Riso. Qual das opções tem maior potencial para melhorar a minha disposição?, eis a questão.

Terça-feira, Abril 10, 2007

Depois da tempestade, os tubarões?

Querido Rodrigo, a escassos minutos de o silêncio de Sócrates dar direito a hora e meia de palavreado, só tenho tempo para dizer que o que escreveste também faz todo o sentido. Mas falas das batalhas que se seguirão e antecipas o desfecho da guerra. Repara que Marques Mendes ser o futuro Primeiro-Ministro já aqui confessei ser o meu desiderato (obrigado pela oportunidade de, uma vez na vida, utilizar esta palavra). Mas o meu post resumia-se a uma manifestação de admiração profissional: O silêncio de Sócrates foi brilhantemente gerido do ponto de vista da estratégia de comunicação. Tão só e somente isto. Embora, como já escrevi, apenas amanhã se comprove a razoabilidade do meu argumentário.

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As palavras dos outros

"O mais relevante na intervenção do Ministro do Ensino Superior não foi a universidade que ele fechou, mas todas as outras que ele deixou abertas."
João Miranda, Blasfémias

"Fez mal Mariano Gago em referir o percurso académico de José Sócrates na circunstância da conferência de imprensa."
José Medeiros Ferreira, Bicho Carpinteiro

"A licenciatura de Sócrates não é reconhecida pela Ordem dos Engenheiros. Logo, Sócrates quis ser licenciado apenas porque, provavelmente, para ele é importante ser engenheiro neste país de parolos."
Coutinho Ribeiro, O Anónimo

"Quando perceber que é imperioso investir na educação pelas razões certas e não pela obtenção de qualquer canudo como factor de prestígio ou de acesso a determinado lugar, talvez o país acorde para uma vida que lhe foge a cada minuto que passa."
Joaquim Gagliardini Graça, E-jetamos

"O silêncio [de Sócrates] já não constitui a resposta adequada às especulações jornalísticas e às desconfianças instiladas na opinião pública."
Vital Moreira, Causa Nossa

"José Sócrates deve explicar o seu provincianismo, com simplicidade. A sua necessidade (quando veio do interior) de apresentar, num país medíocre e provinciano, um grau académico consentâneo com os cargos políticos e institucionais que desempenhava, usando o conceito popular (e não o rigor académico) de Engenheiro (em qualquer cidade de província qualquer engenheiro técnico é chamado engenheiro) e, consequentemente, pede desculpa aos portugueses por esse facto."
Tomás Vasques, Hoje Há Conquilhas

Video killed the blogger star

Não estava a pensar filmar o meu acto de contrição. Mas, enfim, é uma ideia.

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A Independente e o canudo de Sócrates

Ao misturar na conferência de imprensa de ontem a questão do currículo académico de José Sócrates com a crise na Universidade Independente Mariano Gago deu o aval a que ambos ambos os temas se confundam a partir de agora. É inútil virem os spin doctors do Governo dizer que uma coisa nada tem a ver com outra: Mariano Gago foi o primeiro a desmenti-los. E só aqui entre nós: o ministro poderia tê-lo feito noutros termos, como bem assinala o João Gonçalves. Não havia necessidade...

Um inevitável lamento

A esquerda anarco-liberal rejubila com a promulgação da lei do aborto por parte do Presidente da República. A morte a pedido, com cartão de crédito, cheque ou com receita da caixa. Era previsível, mas eu lamento muito.

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A propósito

«Como as altas ondas de um vasto mar
que chega até ao fim do horizonte – o povo.
Alegria e tristeza dele descem
em rumorosas correntes,
mas cada dia inventa uma distracção
segue o seu caminho
e vai vivendo – o povo
».
Excerto do poema «O Povo», de Daisaku Ikeda

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Uma equipa fantástica

Continuo a achar extraordinário como a equipa de futebol do Sporting, sendo maioritariamente constituída por jogadores tão jovens, se mantém galhardamente na luta pelo titulo. A grande qualidade da escola leonina não é a única justificação, há também um jovem treinador, Paulo Bento um verdadeiro líder cheio de personalidade. Finalmente, também é extraordinário (excluído do ordinário) como o Sporting se distingue da vulgaridade imperante, com a sua equipa de futebol profissional composta predominantemente por atletas nacionais, caso único no panorama do paupérrimo futebol doméstico. E não me chamem xenófobo por torcer e congratular-me pela afirmação e sucesso dos artistas nacionais.

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A tempestade

Este post vai ser um bocado longo, desculpem qualquer coisinha. Acontece que li o texto de José Vítor Malheiros (que considero um dos melhores cronistas que temos) hoje no Público, a excelente síntese de Ricardo Dias Felner no mesmo jornal, o post nº 541 do Paulo Gorjão e este outro do Eduardo Pitta. Logo à noite, a SIC Notícias debate «O Silêncio do Primeiro-Ministro». Ora eu entendo que o silêncio do Primeiro-Ministro foi das melhores manobras estratégicas de comunicação a que assisti nos últimos tempos. E, antes de pensarem que ensandeci, considerem o seguinte:
Luís Bernardo, o principal assessor de José Sócrates e do Governo, sabe bem como as coisas funcionam e decidiu lançar a linha para ver até que distância consegue correr o peixe. Que é como quem diz, até perceber o que a comunicação social consegue efectivamente apurar e provar, relativamente aos assuntos que verdadeiramente interessam ao comum dos mortais e que são apenas dois: O Primeiro-Ministro concluiu efectivamente a licenciatura? E, em caso afirmativo, houve algum favorecimento na obtenção da mesma? Sim ou não.
Quanto mais dias de silêncio decorrem, menos respostas surgem e mais questões a imprensa coloca, até elas ficarem finalmente limitadas (ver Público de hoje), numa equação em que mais questões equivalem a mais ruído e que origina de leitores habitualmente bem informados e exigentes, como o Paulo Gorjão e o Eduardo, críticas a essa ausência de clareza. No fundo, à inexistência de resultados. E tudo isto, finalmente, leva a que comece a solidificar-se a imagem de perseguição, de ataque, de tentativa sabe-se lá de que interesses para minar a credibilidade de José Sócrates, imagem essa construída por aqueles que vão falando em seu lugar.
Chegado o momento marcado, na próxima quarta-feira, José Sócrates estará mais do que preparado. Já saberá até onde chegou a investigação, já terá o discurso todo ensaiado e os documentos de que necessita, já os assessores o convenceram a surgir menos crispado, mais descontraído, com indignação q.b. mas sem nervosismo. E, entretanto, a montanha terá parido um rato: Quanto mais agigantada a montanha, menor parecerá o rato saído do seu interior. Para a próxima, quando houver próxima, lá virá alguém dizer: «Pois, lá estão eles outra vez como no caso da Independente. Lembram-se do barulho que foi e do que isso deu?». Caro Vítor Malheiros: Pessoas como o Luís Bernardo já leram os livros de que fala há muito tempo.
Nota importante: Claro que tudo isto tem como base o pressuposto de que José Sócrates responderá às duas perguntas fundamentais de uma forma clara na próxima quarta-feira e não as desvalorizará. Se optar pelo contrário, retiro tudo o que disse e fustigo-me em pleno Terreiro do Paço.

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Falou grosso, mas falou tarde


Finalmente, o ministro da Ciência e do Ensino Superior falou grosso. Sente incómodo neste papel, como ontem à tarde transpareceu do nervosismo exibido na conferência de imprensa em que anunciou o encerramento da "Universidade" Independente. Mariano Gago falou grosso, mas falou tarde. A "manifesta degradação pedagógica" agora invocada para fechar este estabelecimento (des)educativo era há muito evidente, perante a total apatia do Estado (leia-se: do Governo). Que licenciou a "universidade" sem a fiscalizar, desinteressando-se por completo do destino de centenas de trabalhadores-estudantes que ambicionavam justificadamente valorizar o seu currículo académico para singrar no mercado laboral. A verdade é que a Independente nunca foi uma instituição credível. Mas o Governo só deixou de assobiar para o lado quando a mediatização do caso o tornou impossível de ser ignorado. Esta forma de governar, a reboque das manchetes dos jornais, diz-nos tudo sobre a nossa classe dirigente. Não é preciso mais.

Tertúlia literária (170)

- Leio sempre no metro. E tu?
- Também. Mas sempre a mesma frase: "Conserve este bilhete até ao fim da viagem."

Efeitos do novo Milénio

A propósito do post abaixo, o Correio da Manhã de hoje também afirma, citando uma fonte anónima, que se pagaram horas extraordinárias a «avançados que nunca puseram os pés na Câmara». A razão de ser comum a estas gralhas, que hoje abundam na nossa imprensa, é um software chamado Milénio, cuja introdução na maioria dos principais jornais sucedeu ao despedimentos dos antigos revisores (um profundo abraço a todos os que conheci e me aturaram).
Hoje, os jornalistas escrevem directamente na página que será depois impressa, com a ajuda de um corrector ortográfico. Sucede que, para um corrector, as palavras «avançados» e «avençados» estão ambas correctas. Tal como «garça» e «graça». Redacções cada vez mais reduzidas, o consequente excesso de trabalho e prazos de fecho cada vez mais apertados, limitam o tempo à disposição dos jornalistas e editores para que prestem a devida atenção ao texto final. E depois há «grolhas». Umas mais divertidas do que outras.

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Este blogue não tem grolhas


Há gralhas com piada. Hoje, o Jornal de Negócios cita Carlos Magno para dizer que «o estado de garça do Governo de José Sócrates acabou». Pensei de imediato nas garças boieiras, umas avezinhas que se alimentam dos parasitas que atormentam os bovídeos. Por outro lado, estou mais interessado em ver quando acaba o estado da cegonha e, depois de tantos anúncios de partos, começam os apagões. Título roubado à saudosa revista «Pão Com Manteiga», Ilustração de Albrecht Durer.

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Segunda-feira, Abril 09, 2007

Espanha: tão próxima e tão distante


Espanha e Portugal: dois países tão próximos, duas realidades tão diferentes. As mais recentes estatísticas oficiais dos nossos vizinhos ajudam a perceber melhor esta diferença. O crescimento do produto interno bruto de Espanha em 2006 foi de 3,9 por cento relativamente ao ano anterior; em Portugal ficámo-nos por um crescimento de 1,3 por cento, contrariando os vaticínios mais optimistas de José Sócrates no início da actual legislatura. No mesmo período, o défice público espanhol quedou-se em 1,8 por cento; por cá, como sabemos, mantém-se em alta, com 3,9 por cento. Os números, de facto, ajudam-nos a perceber bem como a distância entre Lisboa e Madrid é muito maior do que às vezes pensamos. Valha-nos uma taxa de desemprego ligeiramente mais favorável do que a espanhola: 7,5 por cento por cá, contra 8,3 por cento do lado de lá da fronteira. Fraca compensação, atendendo ao facto de este ser o maior índice de desemprego em Portugal nos últimos 20 anos e não haver qualquer indício de que vá baixar. Claro que Zapatero não é melhor que Sócrates. A diferença é que a Espanha há muito que está no bom caminho, enquanto Portugal andou demasiado tempo com rumo errante.

zzZzzZZZ

Para todos os que estão neste momento a ouvir Mariano Gago:
WAKE UP!!!

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São os espanhóis, são os espanholitos

O que eu mais aprecio neste artigo é a «cabeça» do título dizer «Pormenores». Estava assim a imaginar um filme, espécie de remake de um outro, em que os espanhóis engravidavam as portuguesas, faziam uma lavagem ao cérebro dos fetos ainda no útero e, mais tarde quando já fossem crescidos e guapos moçoilos, ouviam no telemóvel a palavra «Aljubarrota». Então, algo fazia clique nas suas cabeças e começavam a tomar o poder em todas as nossas empresas estratégicas. Infelizmente, disseram-me que isso já está a acontecer de uma forma menos elaborada. Se quiserem atribuir-me um subsídiozinho para as filmagens, apesar de tudo, a malta agradece (eu e os meus dependentes).

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A semente cresce oculta *


Esta manhã, no metro, uma mulher dizia ao telefone, visivelmente feliz: “Fui à médica e já sei: vais ter um sobrinho, vais ter um sobrinho!”
Foi o bastante para que as habituais caras de enterro se diluíssem um pouco, na sombra de um sorriso, perante aquela alegria estampada no rosto de uma futura mãe.


* Título roubado a um excelente conto de José Cardoso Pires

E ainda querem que comece a semana bem disposto

Para quem acha que há quem ganhe muito em Portugal ou pretenda iniciar a semana com um sentido das proporções, fica a notícia de que Ray Irani, CEO da Occidental Petroleum, recebeu benefícios no valor de 400 milhões de dólares em 2006, mais de 1 milhão de dólares por dia. De acordo com o Wall Street Journal, Irani consegue ficar aquém de Larry Elison, o CEO da Oracle que em 2001 empochou 706 milhões em stock options e de Michael Eisner, que recebeu 570 milhões quando passou pela Disney. Por cá, até os executivos jogam desenfreadamente no Euromilhões.

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Precocidades & Intimismos

Adenda: Apenas para acrescentar que, quando era criança, também me dava com pessoas crescidas. Não tinha, aliás, grande escolha. Livros de adultos não. Era mais revistas.

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Pois eu não

Numa primeira leitura, este texto não parece da Fernanda Câncio. Tem maiúsculas a mais. No entanto, em certo parágrafo a autora confessa-nos isto: «Não me entendam mal: eu gosto de gente arrogante. Com a mania. Gosto da soberba». Pensando melhor, deve ser dela, deve.

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Agora falando sério

A notícia principal do Diário de Notícias de hoje é um assunto muito, muito sério. Suficientemente sério para não poder nem merecer ficar por aqui. O Ministério da Educação deve responder quanto antes e, caso não o faça, esta é uma daquelas situações em que a tão propalada sociedade civil deve pressionar, de forma solidária, a que haja um esclarecimento claro dos critérios utilizados, da sua adequação e da sua validade.

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Ridículo ou talvez nem isso

Exceptuando o título, «Um país de ironias», estou integralmente de acordo com o que escreve hoje Rui Tavares no Público. A retirada pela CML do cartaz dos Gato Fedorento foi um gesto que denunciou, mais uma vez, a cegueira política de Carmona Rodrigues na gestão daquele capital de simpatia que ainda possa deter junto dos seus munícipes. Não se trata de uma «genial ironia num país de ironias», como escreve Tavares. Trata-se, isso sim, de mais um acto ridículo num país sem o sentido das proporções. Ou talvez nem ridículo seja, porque vontade de rir provoca-me nenhuma.

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Domingo, Abril 08, 2007

Sinto em mim uma cumplicidade que começa a tecer-se

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Esta não vai ficar sem resposta :)

«Se Manuel Pinho me desse ouvidos também contratava a Ipsis. Nada mais apropriado que um Villalobos a promover um AllgarveLuís Paixão Martins.

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Domingo


(De Páscoa)

Evangelho segundo S. João 20,1-9.

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo logo de manhã, ainda escuro, e viu retirada a pedra que o tapava. Correndo, foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, o que Jesus amava, e disse-lhes: «O Senhor foi levado do túmulo e não sabemos onde o puseram.» Pedro saiu com o outro discípulo e foram ao túmulo. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo correu mais do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Inclinou-se para observar e reparou que os panos de linho estavam espalmados no chão, mas não entrou.
Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no túmulo e ficou admirado ao ver os panos de linho espalmados no chão, ao passo que o lenço que tivera em volta da cabeça não estava espalmado no chão juntamente com os panos de linho, mas de outro modo, enrolado noutra posição. Então, entrou também o outro discípulo, o que tinha chegado primeiro ao túmulo. Viu e começou a crer, pois ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

Da Bíblia Sagrada

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Mesmo isso


Acredita em Deus?
A ideia de Deus é tão estranha que é de certeza verdadeira. É tão imaginária que, fatalmente, deve haver um princípio.

Acha que nasceu do coração dos homens?
A nascer, seria daí.

E quando pintou o coração da sua mulher, era uma proximidade a essa ideia de Deus?
Era. Era mesmo isso.

António Charrua, entrevistado por Patrícia Reis na Portefólio, revista da Fundação Eugénio de Almeida.

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Irish do it with the lights off

É assombroso que a Irlanda tenha visto nascer no seu seio escritores tão geniais como Joyce, ou Beckett. Talvez porque escrevessem em casa, no recato do lar. Em Portugal, no entanto, não importa a hora em que abrimos um livro, uma revista ou um caderno num bar irlandês. Inevitavelmente, as luzes reduzem-se até à fronteira do apagão. É como se existisse um alarme contra incêndio mas os «Murphys» fossem todos bombeiros do «Fahrenheit 451», o livro escrito por Ray Bradbury e tão bem adaptado por François Truffaut. Os irlandeses, custa-me dizê-lo, são os Mc Donalds dos pubs. Odeiam quem lê porque, deduzem eles, um sujeito propenso à leitura não abandona tão cedo a mesa onde se sentou o que, desde logo, é mau para a facturação (Ou isso, ou há uma máfia de oftalmologistas irlandeses no nosso País cuja existência desconheço). Paradoxalmente, adoram conversas intermináveis sobre temas estúpidos e ecrãs gigantes com desafios de futebol...Se não os conhecesse melhor, diria que são simplesmente atrasadinhos. Mas a sua cultura e capacidade de destilação tornam esse juízo impossível. Assim, limito-me a chamar-lhes tacanhos. E só não aumento a lista de adjectivos porque não consigo, a esta hora, ver o que estou a escrever. Já sou míope quanto baste.

Sábado, Abril 07, 2007

Conquilhas em emissão radiofónica


Este Domingo, às 11 horas, o Tomás Vasques do blog Hoje há conquilhas vai estar à conversa com Pedro Rolo Duarte na Antena 1.

Mea Culpa

O João Gonçalves recomenda-me que «passe adiante» e levo os seus conselhos muito a sério, por admiração, respeito e uma amizade que, para mim, ultrapassa as diferenças. Compreendo que, por vezes, pareça excessiva a quem me lê - pela ausência de lastro - a futilidade de muito do que escrevo (quase tudo :). «Infantil»? Admito que sim.
Mas o meu quotidiano já tem, por si, peso que chegue. Que salpica, com a sua espuma ácida, o fato de alfaiate que visto quando atravesso, útil mas acessório, os corredores atapetados da alta finança, da política, das reuniões de administração que preenchem as manchetes dos jornais. O que faço é aquilo que não respondo quando me perguntam (como quem pergunta «Quem és?») «O que fazes?».
Aqui, neste espaço (que é para mim uma sala de estar com lareira e chá, para beber entre pessoas que se encontram com o tempo simultaneamente infinito e limitado das viagens) poderia partilhar convosco a (por vezes, só por vezes) insustentável ausência de leveza do meu viver. Ou arvorar-me - com piscadelas de olho e um entreabrir de portas - em detentor de segredos que afectam a vida de todos nós. Não me apetece.
Apetece-me antes brincar, fútil, acriançado, com as conchinhas e os búzios que simulam o apelo do mar no eco do vento. E esquecer essa acidez que deixa o seu rasto dentro dos meus olhos, mas não nas palavras que se divertem, ligeiras, como levianas fadas no bosque ou a brisa nos campanários, indicando um Norte por seguir.

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Nos 50 anos da RTP (15)


COLUMBO. Uma das imagens mais iconográficas da história da ficção televisiva é a de um indivíduo mal vestido, com uma gabardina suja, de andar trôpego e um eterno charuto apagado ao canto da boca. Se o víssemos por aí na rua nada daríamos por ele. Mas este indivíduo de ar insignificante era afinal um dos mais inesquecíveis detectives da televisão: Columbo, magistral criação de Peter Falk, marcou todos os telespectadores da década de 70. Produzida pela NBC entre 1971 e 1978, esta série americana dessacralizou a figura do detective, equiparando-o a um homem comum. Columbo tinha um verdadeiro achado como chave de argumento: desde o início, o espectador sabia quem cometia os crimes. O suspense jogava-se todo na observação da insólita actuação deste detective sem garbo, que quase até ao fim parecia baralhado com o labirinto de indícios que lhe surgia pela frente. Cada episódio terminava com Columbo partindo na noite, sempre de gabardina surrada e charuto sem chama. Cumpria o dever de polícia como se fosse o primeiro a espantar-se afinal com as suas espantosas capacidade dedutivas. Um perfeito exemplo de anti-herói.

Momento Carlos Castro

Ontem, umas boas horas de Sol no Portinho da Arrábida. Um olá ao Manuel Falcão almoçando bem acompanhado no Farol e depois outro à Sofia Cerveira, lanchando bem acompanhada no Galeão. Eu também estava bem acompanhado. Estavámos todos muito bem acompanhados. Um dia escreverei tudo o que há para dizer sobre essa tarde. Para já, só digo que levava comigo o livro do Joseph Mitchell, «Sou Todo Ouvidos». If you know what I mean. (Mas claro que nada disto tem a ver com o Manuel, sempre na mesma - a idade não passa por ele. Ou com a Sofia, sempre de uma simpatia e de um charme que a carreira não estraga). Beijinhos e até para a semana.

"Os blogues estão mais crescidos"


Do Nuno Sá Lourenço (aqui do Corta-Fitas), no PÚBLICO Digital, um excelente artigo sobre a blogoesfera: porque morrem os blogues, como se multiplicam, como se desenvolvem e algumas sugestões:
- Os nomes são importantes : um nome simples de memorizar e com URL curta e fácil;

- Regularidade/actualização.

- Seja um bom vizinho (incluir links para outros sítios) ;

- Faça amigos (frequentar os blogues com temas semelhantes ao do seu, deixe comentários - mas comentários relevantes, que não sejam apenas "vão ver o meu blog!". Seja simpático e paciente - na blogosfera, um comentário mal medido pode resultar em discussões azedas. Pode também comentar outros textos através de um post no seu blogue(...).

- Não seja tímido (divulgar o nome verdadeiro e colocar uma fotografia sua no seu blogue é uma forma simples de ganhar credibilidade. É mais fácil confiar numa "pessoa real" que num nickname anónimo.)

- Tags e bookmarking para facilitar a leitura e a pesquisa. Também é boa ideia incluir atalhos para sites sociais, como o Digg, o Del.icio.us ou o português Do Melhor.

- Lembre-se do RSS (dar a opção aos leitores de seguir um feed de RSS ou subscrever actualizações por e-mail do seu site.)

- Amigo dos motores de busca (Usar os campos de de descrição e palavras-chave. Para além do nome do blogue, inclua uma curta frase de descrição.)

Mas o melhor é ler tudo.

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Crise? Que crise?

Lisboa abarrota de turistas. Indiferentes a isto, muitos restaurantes alfacinhas fecharam as portas entre sexta-feira e domingo, como se fossem repartições públicas. Por isso não admira que o excelente Solar dos Presuntos, de Evaristo Cardoso, tivesse ontem à noite muitos clientes no passeio à espera de conseguirem mesa. Os outros proprietários de restaurantes, os que foram de férias, não tardarão a estar de volta com as eternas queixas de que o País está em crise e o negócio anda mau...

Gostei de ler

1. O que entender. De Rui Albuquerque, no Blasfémias.
2. Avancem os técnicos, escondem-se os políticos. De Paulo Marcelo, n' O Cachimbo de Magritte.
3. A UNI e os media. De Eduardo Pitta, no Da Literatura.
4. O "rumo". Do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
5. Começa a ser um desastre. Do Rui Costa Pinto, no Mais Actual.
6. Do fundo da questão, fica o comício do partido dos fala-só. De José Adelino Maltez, em Sobre o Tempo que Passa.
7. Balsemização... Não! De Miguel Castelo-Branco, no Combustões.
8. Ali ao lado. Da Isabel, na Miss Pearls.
9. Do pátio do liceu - notas dispersas. De Laura Cravo, no 31 da Armada.
10. Cenas do Conde Redondo. De Adolfo Mesquita Nunes, n' A Arte da Fuga.

Um lugar no céu por 3,90€

Se quisesse, já tinha a colecção toda destes CDs com música portuguesa que o Público decidiu distribuir com o jornal completamente à borla. Imagino que esta bombástica declaração colha de vós, leitores e leitoras, um mero encolher de ombros e a seguinte reacção: «Mas os CDs não são grátis? O que há nisso de tão extraordinário?». Não, não são. Mas ninguém percebeu ponta de um chavelho de como é que a promoção funcionava. E vai daí, não há quiosque ou loja onde eu não receba, das mãos solícitas de alguém, o dito cêdezinho e o comentário «Ora, aqui está, é grátis». E eu, invariavelmente, respondo à Cunhal: «Olhe que não...Só o de sexta-feira é que é. Veja aqui, escrito na primeira-página: 3,90€! Está a ver?». Seguem-se, invariáveis, uma pausa e um «Ah!» compungido. «Mas temos estado a dá-los a toda a gente e nunca ninguém reparou». «Pois», digo eu, «mas alguém vai reparar quando tiverem que acertar as contas». Não é com esta ausência de pedagogia promocional que o Público vai diminuir os seus prejuízos, ah não é não! Mas eu, pelo menos e de tantos CDs que já recusei, vou ter direito ao céu. Alguém que saia a ganhar.

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Sexta-feira, Abril 06, 2007

Capacidade de decisão

A 29 de Março, como se lê nesta notícia do DN publicada na edição do dia seguinte, o ministro da Ciência e do Ensino Superior interrompeu um pesado silêncio para impor um ultimato aos responsáveis(!) da Universidade Independente: ou lhe davam sólidas garantias de idoneidade ou mandava fechar compulsivamente o estabelecimento por "manifesta degradação pedagógica". Pensei: quem fala assim não é gago. Mas qual foi a data anunciada neste enérgico ultimato? Quinta-feira, 5 de Abril. Passaram 48 horas - e nada. Venham as amêndoas, venham os folares, venha o cabrito com batatas. Segunda-feira talvez o ministro se pronuncie, se Deus quiser. Quatro dias depois da data limite que ele próprio antecipou.

Qualificação, diz ele


Dos trezentos cursos de engenharia existentes no País, cerca de duzentos não são reconhecidos pela Ordem dos Engenheiros. Para ser certificado como engenheiro, o licenciado em engenharia tem de submeter-se a um exame da Ordem que, segundo o bastonário, regista entre 50% e 70% de reprovações habituais. Isto, só por si, demonstra bem a qualidade de grande parte do nosso ensino superior. Razão tem o primeiro-ministro José Sócrates em fazer apelos tão vigorosos à necessidade de qualificação dos recursos humanos cá na terra...

Se isto não é racismo...

Matilde Ribeiro, ministra titular da Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial no Governo de Lula da Silva, proferiu há dias este dislate: "Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco. A reacção de um negro de não querer conviver com um branco ou não gostar de um branco eu acho natural." Não consta que tenha sido entretanto demitida apesar de promover obviamente a desigualdade racial, contrariando aquilo para que é paga pelos contribuintes brasileiros.

Homenagem original

Dizia Picasso que o plágio é a melhor homenagem que alguém nos pode fazer. Neste sentido, como o João Villalobos já aqui assinalou, dificilmente haverá melhor homenagem que esta: um blogue inteiramente dedicado ao copianço do Corta-Fitas. Quem se dedica a esta actividade de copista, qual monge medieval, diz que tem 19 anos e chamar-se Kanoff (kan-off). Tá porreiro o plágio, pá. E agora que tal se te dedicasses a fazer alguma coisa original? Partindo do princípio de que és capaz disso, claro.

Para que serve um presidente da República?

Leio no Diário de Notícias de hoje que Cavaco Silva está preocupado com o caso do curso de Sócrates e da repercussão que está a ter na opinião pública, mas a presidência da República já desmentiu. É pena, porque Cavaco deveria mostrar interesse pelo assunto. Não sobre o facto de o primeiro-ministro ser ou não "engº", mas sim sobre as pressões que os jornalistas dizem ter recebido por parte do Governo. Aliás, o simples facto dos bombeiros de serviço na Comunicação Social não terem conseguido apagar este incêndio no campo socialista mostra que os tempos estão a mudar. Mas, tal como fez em mais de um ano de mandato, o presidente da República acha que nada é com ele e a tal "cultura de exigência" que proclamou na campanha resumiu-se a uma mensagem de Ano Novo de que só os comentadores políticos se lembram. Ou seja, para que serve um presidente da República?, pergunto eu, monárquico que votou em Cavaco. Diziam alguns dos meus amigos republicanos que, tal como eu, criticaram a forma de exercer o mandato dos presidentes socialistas, que agora ia ser diferente, que Cavaco ia mostrar as virtudes do cargo, que ia ajudar o país a mudar para melhor e mais não sei o quê. Um ano depois, não vejo nada disso. Cavaco está apenas a reforçar as minhas convicções monárquicas e a provar que o nosso sistema republicano de regime é um factor de atraso em relação à Europa.

Sexta-feira Santa

Hoje, pela noite dentro, comunidades cristãs oram e velam Jesus Cristo, traído e condenado. Fazem-no discretamente enquanto a vida corre, cada vez mais indiferente, ali no repleto casino, no trânsito agitado ou no imponente shopping.
Em muitos templos e paróquias pelo país afora, há um povo cristão que nesta noite de Quinta para Sexta-feira Santa reza fervorosamente e pede perdão a Deus. Pedimos perdão pelas vezes sem conta que displicentemente entregamos Nosso Senhor aos fariseus por umas míseras moedas. Pelas nossas distracções e traições. Pedimos perdão pela pesada cruz que há dois mil anos Lhe teimamos em depositar nas costas torturadas.
Hoje pela noite dentro, na Igreja de Stº António do Estoril, com o sacrário vazio e a figura de Cristo coberta por um manto branco, por entre cânticos e silêncios, reza-se, faz-se penitência por Jesus crucificado e pela humanidade. Que tarda a discernir a sua matriz divina e o seu caminho para Deus, para o bem e para Liberdade.
Hoje, por algumas horas roubadas à minha agitada rotina, de joelhos, rezei e pedi a Deus por todos e por mim - o único sobre qual possuo alguma influência para a mudança. E então, de coração aberto, ter a Graça de participar na festa do próximo Domingo. O dia em que celebraremos a ressurreição de Nosso Senhor triunfante em toda a glória. A Páscoa Cristã.

Imagem: O pacto de Judas de Duccio di Buoninsegna
(N. 1255, Siena, M. 1319, Siena)

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Quinta-feira, Abril 05, 2007

Serviço público

Para quem vive por Lisboa, o Paulo Ferrero (O Carmo e a Trindade) dá sugestões de confeitarias e pastelarias onde se podem comprar todo o tipo de amêndoas.
O roteiro vai desde amêndoa tipo francês, amêndoa de sobremesa, com cobertura de caramelo, amêndoa exótica (prata, de cacau, etc.) e também de trufas com champagne ou mascarpone (ainda mais exóticas).
Uma Páscoa doce.

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Momentos Kodak (45)

Burro mirandês, uma espécie em vias de extinção.
(Outubro 200 )
Foto: Rodrigo Cabrita

Afinal, escrevo mais uma coisinha

Mas só porque reparei que o Corta-Fitas tem recebido muitas visitas através do Google, procurando «versos para as fitas de final do curso». Não tinhamos. Aqui vão agora uns, para que as próximas não saiam daqui desiludidas (e sem exigência de direitos de autor) :

«Muito quis ser doutor,
arquitecto ou engenheiro.
Ter uma vida melhor,
ser Deputado ou Primeiro.

O curso chegou ao fim
e foi bastante maçudo.
Mas parece que, para mim,
não era preciso canudo.

Se tivessem dito antes,
o que não teria feito!
Como alguns militantes
com bem melhor proveito.

É a vida, já dizia
um verdadeiro engenheiro.
Se soubesse o que fazia
não fazia o curso inteiro».

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E por hoje não escrevo mais nada

Excepto para dizer que é o dia de estreia de Inland Empire.

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Para quem ainda não viu

E uma pirâmidezinha, não vai?

«Governo quer organizar uma Expo e um Euro em cada dez anos». Título de capa do DN.

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Dois anos de férias

«Mais do que um canudo cheio de dúvidas, o que se avoluma contra Sócrates é também a forma como tem lidado com a Comunicação Social. Oscilante entre a teimosia e a simpatia, Sócrates mantém uma relação próxima com os media. Porém, todos os seus movimentos legislativos na área tendem a amordaçar a liberdade de imprensa. Como se isso hoje fosse possível». Octávio Ribeiro, no Correio da Manhã. Título roubado a Júlio Verne, esse visionário do (im) possível.

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Parece que houve recentemente um almoço

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Nas colunas


Porque Keith Richards nega ter snifado as cinzas do pai e em homenagem às barbichas dos Gato Fedorento no seu novo outdoor: George Michael, «Killer (Papa was a Rolling Stone)»

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(Excepcionalmente) Quinta-Feira

Fabianne Stolle

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Leituras cruzadas

«Journalist or Activist?». O video blogger Josh Wolf saiu da cadeia. E o DN fala dos blogues, dez anos depois (sem menção ao Corta-Fitas :)

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Quarta-feira, Abril 04, 2007

Alguém tem que dizer isto ao PPM e, pelos vistos, tenho que ser eu

Lá dentro, a revista pode estar realmente muito boa. Mas a capa é feia «prá chuchu».

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Cartas anónimas, quem as não tem?

Ele pediu à assessora que não lhe trouxessem blogues. Mas não disse que não a uns pastelinhos de bacalhau. (O título é para ser cantado, na toada saudosa dos info-excluídos)

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Nas colunas


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E o roteiro habitual, qual é?

«Pedro Rolo Duarte deixa algumas sugestões alternativas ao roteiro habitual da blogosfera nacional: Ardeu a padaria; Blogue dos marretas; 31 da Armada; Controversa Maresia». Portugal Diário. Não pertencem ao roteiro habitual. São alternativos. Coitadinhos. Mesmo assim, vai tudo corrido assim mesmo sem links, não se dê o caso de começarem a ser lidos, conhecidos ou eu sei lá. Hoje são pequeninos, mas amanhã crescem e nunca se sabe «what tomorrow will bring», como escreveu - mesmo antes de nos deixar - esse grande português que perdeu o concurso.

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Momento tablóide


A última vez que passou por Portugal correu por aí que Shakira e Dani, o já não tão jovem futebolista que as miúdas incompreensivelmente acham giraço, tinham andado aos beijinhos. Ou vice versa. Hoje, eu e ela vamos ao Lux depois do concerto e não quero ter que aborrecer-me e estragar uma noite perfeita. «Skakira traz ao Pavilhão Atlântico ancas que não mentem» diz o DN sem mentir também. Essa é que é essa.

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Plágio primaveril

Uma pessoa vai aqui a este sítio com um nome e uma aparência muito poéticos e descobre que um tal de Kanoff, que afirma ter 19 responsáveis aninhos e ser do signo Touro (lá está!), chapou quase o nosso blogue inteiro e assinou por baixo. Já vai em três mil e tal visitas. Comentários nenhuns. É um bocado bizarro. Uma cópia sistemática e algo, diria, quase obsessiva. O rapaz admira o que escrevemos e é de gabar-lhe o gosto. Mas, convenhamos, há limites para a idolatria. Não quererá o jovem Kanoff escrever alguma coisa da sua autoria para variar? Abalançar-se na prosa, revelando quiçá dotes líricos similares aos exibidos pela delicada imagem das árvorezinhas em flor? Aqui fica a ideia a ver se, também ela, surge em breve replicada nesse lugar de primaveril e bucólico plágio.

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Infantilismo agudo

Há indícios cada vez mais claros do infantilismo que se apoderou do nosso jornalismo – e em particular da nossa televisão. Ouço esta pérola na pantalha: “Apesar da idade, Roman Polanski [de 73 anos] está a trabalhar num épico sobre a batalha de Pompeia.” A miúda que debitou este texto – seria a mesma que “entrevistou” o sonso Hugh Grant com um ar tão embevecido que parecia ir desmaiar a qualquer momento? – desconhece certamente que Manoel de Oliveira, aos 98 anos, está já a rodar um novo filme. Oliveira tem idade para ser pai de Polanski...
Adenda: Estranha o Luís, aqui na caixa de comentários, a alusão à "batalha de Pompeia". Pois. Já nem vou por aí: se anotasse a quantidade de calinadas do género, podia abrir um blogue só para isso.

Onde se prova que não sei para onde vou

A Lua entrou em Escorpião. Marte e Plutão, os meus dois escorpiónicos planetas regentes, estão alinhados num sextil qualquer que faz deste um dia muito especial. Basicamente, o meu astrólogo virtual (com as desculpas devidas ao João Medeiros, meu astrólogo à séria) diz-me que posso fazer o que me decidir a fazer hoje, não importa o quê, porque serei bem sucedido em tudo. Sucede que me apetece fazer nada. Nicles. Batatóides. Deve ser ainda o efeito do lançamento do melancómico livro do Nuno Costa Santos. Por isso, um aviso à rapaziada e às senhoras escribas deste espaço: Não contem comigo até bem mais logo. Vou partir em busca da minha missão de vida e seguir o caminho dos astros. Com um bocado de sorte, ainda consigo dormir a sesta.

Tertúlia literária (169)

- Ó pá, há anos que a gente não se via. O que fazes agora?
- Dedico-me a leituras.
- És livreiro ou bibliotecário?
- Não, sou "olheiro" de futebol. Especializei-me em leituras de jogos e em cultura técnico-táctica.

Terça-feira, Abril 03, 2007

Encontro de desalinhados

Por iniciativa do Rui Castro, e aproveitando uma estada em Lisboa do Insurgente André Azevedo Alves, reuniu-se no restaurante da Ordem dos Engenheiros uma pequena cimeira de blógueres desalinhados: além dos supracitados estavam presentes Pedro Picoito, João Gonçalves, Jorge Ferreira, Manuel Arriaga e Cunha, Vasco Lobo Xavier, Pedro Geada e este vosso humilde escriba. Relembrámos a causa do NÃO. Abordaram-se outros NÃOS emergentes… e também urgentes. Porque não se desiste de Portugal.
Quando se junta um bom repasto, o bom humor, e as boas causas, dá-se o tempo por bem empregue.

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Todos diferentes todos iguais

Pode ser em português, em francês ou em espanhol, mas desde que se arranje o autógrafo para as crianças, qualquer língua serve e os encontrões não têm fronteiras. Afogueados, de máquina fotográfica em punho e livrinho de autógrafos em frente ao focinho do Pluto, do bico do Donald, dos cabelos da Daisy ou da coroa do Rei João, é praticamente a guerra. Daisy!, Mickey! Mais um empurrão e uma fotografia tremida, confrontos corpo a corpo, sem contemplações nem hesitações, em várias línguas que a criança chegou aqui primeiro e daqui não sai sem o autógrafo. O primeiro round é para perder, ao segundo já se lhe apanham os truques e à terceira tentativa já se apanha um autógrafo. Pobres bonecos. Ufff..
(Parque Disney Paris)

Postais blogosféricos

1. Parabéns à Carla pelos quatro aninhos. O blogue está cada vez melhor.
2. Um abraço de parabéns ao José Raposo e restante malta do Dolo Eventual. Duas rotundas já completadas, muitas mais por completar.
3. Abraço muito especial ao Nuno (e à Susana) pela chegada da Matilde, a quem auguro glória fácil desde já.

Cruel dilema



No excelente programa de ontem do Prós e Contras, conduzido de forma muito competente por Fátima Campos Ferreira, penso ter ficado claro que a posição do PSD de pedir redução de impostos é politicamente errada. O problema dos social-democratas ficou evidente na discussão. Se o Governo decidir desde já baixar os impostos será sempre sua a decisão, com o correspondente ganho de popularidade; se o fizer no próximo ano, como tudo indica irá acontecer, disfarçará a medida eleitoralista com a seguinte desculpa: a própria oposição andava a pedir, de que se queixa agora?
Confesso que não entendo a insistência do PSD. A única explicação é que os dirigentes social-democratas sabem à partida que José Sócrates não baixará impostos, o que lhes dará oportunidade para acusar o Governo de teimosia. Mas parece haver aqui uma visão de curto prazo. Se existe folga orçamental, como afirma o PSD, então os socialistas podem baixar impostos logo antes das eleições, numa altura em que o défice atingirá apenas 3,3% do PIB, em vez dos actuais 3,9%. A folga será então muito maior.
Mas o problema do PSD é ainda mais grave. A sua argumentação básica sustenta que os portugueses estão a pagar demasiado ao fisco. Mas, por outro lado, mantém-se a necessidade de equilibrar as contas públicas. A posição de Campos e Cunha, a meu ver, foi fortíssima no debate da RTP e a da oposição parecia frágil: se baixam os impostos, a única maneira de reduzir o défice será diminuir a despesa; no entanto, os representantes social-democratas não se cansaram de criticar cortes de maternidades e escolas, que reduzem a despesa.
Resumindo: o PSD tem de ser mais claro. Ou defende a consolidação orçamental e ganha as eleições se o Governo falhar nessa tarefa; ou defende a baixa de impostos, não podendo criticar o Governo no caso de haver défice excessivo. Mais tarde ou mais cedo, estas contradições vão afundar o navio das críticas.

Um país cor-de-rosa

Portugal é um país dinâmico, que se move a grande velocidade em direcção ao futuro e é governado por gente que gosta de mostrar (bom) serviço. É esta, pelo menos, a convicção com que hoje ficamos da leitura de várias notícias da agência Lusa, distribuídas ao longo do dia.
Reparem só nos títulos:

- Aveiro: Administração do porto garante cumprimento do Plano Estratégico (12h38)
- PJ terá novas unidades de combate à corrupção e ao terrorismo (13h20)
- Internet: Plataforma lançada em português fomenta o micro-empreendedorismo (13h52)
- Portugal e Cabo Verde assim acordo de cooperação de mais de 13 milhões de euros (14h18)
- PRACE avança com 5 ministérios a aplicarem novas leis orgânicas (15h26)
- Nazaré: Projecto de marina vai estar concluído até ao Verão (16h05)
- Oeste e Vale do Tejo apostam no ambiente para qualificar oferta turística (16h37)
- Saúde: Ministro anuncia desbloqueio de verbas para helicópteros e ambulâncias (17h48)
- Linha de velocidade elevada Aveiro-Salamanca avança até 2009 (18h20)
- Função Pública: nova versão do sistema de avaliação dentro de poucas semanas (18h53)
- Função Pública: Regra de uma entrada por cada duas saídas foi cumprida em 2006 (18h54)
- Governo vai abrir mais 200 Lojas do Cidadão (18h59)
- Metro do Porto: Secretária de Estado garante expansão "com segurança" (19h02)
- Genéricos atingem maior quota de mercado de sempre em Fevereiro (19h04)
- Encargos com medicamentos aumentam 0,5 no SNS (19h20)
- Força Aérea tem capacidade para combater fogos florestais (19h23)

Tudo tão oficioso que até parece que a central de informações do ex-ministro Morais Sarmento ressuscitou, desta vez pintada de cor-de-rosa. E se calhar foi isso mesmo que aconteceu.

Tertúlia literária (168)

- António Aleixo era algarvio.
- Ah, sim? Então devia chamar-se Alleixo. O Manuel Pinho havia de gostar.

É o delírio (II)

Mais desenvolvimentos sobre o post do João Villalobos:
"Ou o Governo ou a Independente" - Portugal Diário 2007/04/03 13:00

Ministro considerou «incompatível» a assessoria ao seu gabinete e a prestada na Universidade Independente. E decidiu exonerar Carlos Narciso.