sexta-feira, janeiro 04, 2008

Coisas que os outros sabem

Alguém me disse que o 5ª Canal generalista, a atribuir no ano eleitoral de 2009, vai funcionar como uma cenoura para manter os grupos de comunicação social concorrentes bem comportadinhos, a ver se a licença cai para o seu lado.
Também me transmitiram que o Governo preferia uma solução em que a Cofina, Controlinveste e PT Multimédia avançassem juntas, num vitorioso triunvirato.
E outro alguém acrescentou que Paulo Fernandes, caso não ganhasse uma televisão, colocaria todos os seus títulos à venda no mercado.
Agora se isto são assuntos que minimamente vos interessem é que não faço ideia.

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quinta-feira, dezembro 13, 2007

Audiências, precisam-se

Já está. É oficial a substituição de Francisco Penim por Nuno Santos. Penso que Penim cometeu dois erros daqueles de arromba e falhou ainda num ponto negocial crítico. Um, fruto de vincos de personalidade que a idade se encarregará de alisar, foi apresentar-se desde o primeiro momento como o special one da TV. O homem providencial que voltaria a colocar a SIC no primeiro lugar das audiências. O outro erro foi colocar essa recuperação quase integralmente nas mãos de Teresa Guilherme. Quanto ao falhanço negocial sucedeu logo no início, quando foi incapaz de garantir para a estação a equipa dos Gato Fedorento (que ele mesmo lançara e promovera na SIC Radical) ao mesmo tempo em que se via agarrado a um contrato com Herman José que resultaria num programa falhado e remetido para horas cada vez mais mortas na noite. Manuel Fonseca esteve 4 anos neste cargo. Penim apenas dois. Depois das provas dadas na RTP, Nuno Santos parece a escolha certa na altura indicada. Mas que não vai ter um trabalho fácil pela frente, lá isso não vai.

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segunda-feira, novembro 12, 2007

À atenção do Provedor

Não sei que raio de contrato foi o celebrado entre os Gato Fedorento e a RTP. Mas não foi redigido a pensar nos espectadores ou nas mais elementares regras da programação. Se o Isto é uma Espécie de Magazine é semanal, deve ser emitido todas as semanas. Elementar. A equipa dar-se um período de descanso após apenas três emissões, substituindo-se por um best of a tão curto espaço da difusão inicial, é um disparate que só pode ter como consequência a saturação. Rapaziada: Se querem descansar, tirem um ano de sabática. Assim, não nos servem carne nem peixe. Eu, pelo menos e para mal dos meus pecados, não aprecio particularmente tofu.

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quinta-feira, junho 28, 2007

Período de carência


Que Blair se vá embora dialogar com as paredes no Médio-Oriente é algo que não me aquece nem arrefece. Simpatizo bem mais com Gordon Brown, tão britanicamente eurocéptico que até faz rir. Mas que o Dr. House abandone hoje os ecrãs até Outubro que vem, isso é que me deixa verdadeiramente órfão de role-models.

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quarta-feira, maio 23, 2007

Não é que precisem que os defenda, mas...

Considero discutível a chamada de capa do DN com os Gato Fedorento, com o destaque que teve. Não acho que, independentemente das audiências, um país inteiro tenha a originalidade dos rapazes à cabeça da lista das suas prioridades informativas, da forma como está o país e o mundo em geral. Não considero, sequer, que a adaptação do genérico seja «o» tema. Quem observar os sketches com atenção, repara em diversas imitações de séries cómicas da BBC, por exemplo, como aliás também o fazia Herman no passado. No entanto, não considero que isso esteja errado. Aprendemos com os melhores e inevitavelmente imitamo-los e incorporamo-los, a sua linguagem e a sua criatividade. Na comédia como na música, na publicidade, na literatura. Se o que se pretende é dizer que os rapazes não são génios, penso que era desnecessário. São excelentes profissionais. São os melhores que por enquanto visivelmente temos. E para mim chega.

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terça-feira, abril 24, 2007

Terá ele (também) uma lágrima no canto do olho?

Não vejo o programa com regularidade, mas assisti certa vez a um compacto do «Só Visto» e, seja qual for o/a convidado/a, é certo que acaba num oceano de lágrimas depois de um flash back que é uma autêntica viagem a 300 à hora na auto-estrada da memória e sem portagens.
Amanhã, o convidado especial é Mário Soares. Estou expectante. Depois do seu papel no despontar da lágrima no canto do olho do nosso Primeiro, era só o que mais faltava.

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domingo, abril 22, 2007

"Conta-me Como Foi"


A RTP1 estreia hoje a nova série "Conta-me Como Foi", adaptação do original espanhol Cuentame Como Pasó. Segundo o artigo do DN, trata-se de uma "série de época, que retrata a sociedade portuguesa desde o ano de 1968 e que requereu um trabalho intenso de investigação ao nível de cenários, roupas, linguagem, hábitos e costumes." A pesquisa documental e o processo de reconstrução da época esteve a cargo de Helena Matos.
Confesso não estar muito interessada na ficção (logo se verá), mas tenho curiosidade na reposição da época tanto pelos interiores, vestuário, mobiliário, como pelos exteriores e sobretudo pela linguagem, costumes e práticas socais. Penso que será sobretudo aqui que tudo se destrói e onde tudo começa. Eventualmente será um flash back para os soixante-huitard e um regresso para os nostálgicos dos sixties.
Para quem trabalha com documentação, será muito curioso observar como se trabalham as fontes e como da leitura de microfilmes e periódicos se reconstrói uma época. Suponho que tenham sido necessárias muitas horas de investigação, muitos exemplares e muita paciência. Segundo a investigadora, "a maior dificuldade foram alguns "preços difíceis de arranjar, para serem expostos na mercearia do bairro".
Neste regresso aos anos 60, esperemos que nos contem como foi.
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NOTA: Alta para a série, para os actores, personagens, almofadas de veludo, robes acolchoados e para os "anti quê?" vindos de Paris.
Afinal a culpa era toda das revistas aos quadradinhos. O mal daquela invenção do mafarrico havia de vir mais tarde.

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segunda-feira, abril 02, 2007

Conselho de amigo

Ontem só tinha duas opções televisivas possíveis: Ver, nos Globos de Ouro, Bárbara Guimarães entrar na Praça do Campo Pequeno montada num elefante, ou assistir à paródia a Salazar no programa dos Gato Fedorento. Incompreensível e lamentavelmente, optei pela segunda.
Foi confrangedor. Os excelentes valores de produção e a qualidade da caracterização (incluindo os rapazes a mostrarem os pelinhos das pernas fardados de Mocidade Portuguesa) não conseguiram ocultar a falta de ideias e a fraca qualidade do humor revelada. Ainda por cima com um material de base, Salazar e o Estado Novo, que dava não apenas pano para mangas, como tecido para vestir o País inteiro.
Aqui sim – e depois de ter defendido o sketch dos Gatos a propósito do referendo – entendo que eles apostaram de forma clara num manifesto político desnecessário. E desnecessário pelos resultados alcançados. Uma semana depois, só se justificava dedicar todo um programa à vitória de Salazar no «Grandes Portugueses» com um conjunto, se não genial, pelo menos muito, muito bom. O que houve, foi para aquém de fraquinho. E voltar a incluir Luís Pereira de Sousa nos «tesourinhos deprimentes» só reforçou o facilitismo. Um conselho à rapaziada: Não queiram dar lições de moral aos portugueses. Não é para isso que estão onde estão, nem foi assim que chegaram onde chegaram.

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quarta-feira, março 28, 2007

Um retrato social



Ontem, enquanto jantávamos, a RTP passou o 1º episódio do programa de António Barreto "Portugal-Um retrato social".Segundo li aqui, ali e também no Hoje há conquilhas, trata-se de um programa revelador de um país que mudou e um retrato sério das mudanças sociais verificadas em Portugal ao longo das últimas quatro décadas.
Se alguém entretanto encontrar o video do programa, faça o favor de nos dizer. Acho que por aqui todos gostaríamos de o ver.
Obrigada.

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sexta-feira, março 23, 2007

E as emoções da horizontalidade, então? Upa, upa!

«Não saía se soubesse que D. Coisinha ia levantar-se» é um título do caramba. Parece que o Nuno Markl tinha planos para o levantamento da D. Coisinha, mas ela não sabia disso e demitiu-se. Não se teria demitido «se lhe tivessem dito que ia experimentar as emoções da verticalidade». Sou incapaz de explorar, por manifesta falta de talento, o infinito potencial metafórico deste artigo. Mas estejam à vontade para o fazer na caixa de comentários.

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terça-feira, março 20, 2007

O regicídio, a propaganda e a RTP

Soube hoje que a RTP prepara uma série de seis episódios sobre o rei D. Carlos, de cujo cruel assassinato se assinala em 2008 cem anos. Como é que a televisão vai tratar o monarca e o seu período histórico?
A leitura da História, sabemos todos, dificilmente se desliga das modas e preconceitos conjunturais relativos à época em que ela é escrita. Mais, sabemos bem como são tratados os acontecimentos e os seus protagonistas quando se pretende simplificar a mensagem, tendo em vista os grandes públicos, menos preparados. A História serve quase sempre de propaganda. Basta constatar os preconceitos e o simplismo com que é abordada a Igreja e o papel do clero medieval nos manuais escolares para o ciclo preparatório. Sinais dos tempos, herdeiros da triunfante estética marxista no século passado.
O argumento desta série “O Dia do Regicídio” está a ser escrito por Filipe Homem Fonseca e Mário Botequilha, senhores de quem não conheço obra. Antes, reconheço a dificuldade de transcrever para um guião novelesco uma realidade social e politica tão complexa. Espero o mínimo de rigor e honestidade na abordagem romanesca do trágico e decisivo evento histórico. Espero que se apresentem os factos fundamentais sem desvios ideológicos. Mesmo tendo em conta o dramático desfecho, que compromete essencialmente os percursores do inquestionável regime, da bandeira, sob a qual vivemos. Esperemos que o regime vá perdendo os complexos e a História possa ser mais assumida. Em banda larga, horário nobre e aos olhos de todos.

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quinta-feira, março 08, 2007

Tantos anos de televisão

A televisão fez ontem meio século em Portugal. Lembro-me daquela caixa de madeira escura e polida que depois de largos segundos a aquecer as “válvulas” se acendia numa brilhante paleta de tons cinzentos. Lá em casa, um histérico chamamento (que soava qualquer coisa como “DESANIMADOS!!!”) interrompia quaisquer que fossem as nossas actividades e punha-nos aos cinco irmãos numa correria para um bom lugar em frente ao aparelho. Este momento mágico decorria ao final da tarde quando a generosa RTP nos presenteava com um ou dois “cartoons” do Pica-pau, do Super Rato, ou, com sorte, do Perna Longa. Nesse tempo, quando em família assistíamos a um western na Noite de Cinema, era certa no dia seguinte a brincadeira com os "John Waynes" em correria no recreio da escola. E os festivais da canção, autênticos acontecimentos nacionais? Uns anos mais tarde, lembro-me bem da sensação de ir à mercearia durante a hora da novela, e ouvir ao longo da rua o genérico da Gabriela ecoando unânime e plurifónico, saindo de cada casa, de cada janela, a voz de Gal Costa: Eu nasci assim…
Recordo também com alguma saudade as emoções das noites eleitorais, que significavam uma "directa" autorizada e garantida com direito a ceia madrugadora. Fantásticas e tensas noites longas em que se jogava o futuro da nação com os votos e as freguesias em crescendo nos placards magnéticos. E o Eládio Clímaco. E depois, lá para a frente, indignávamo-nos com as reacções unanimemente vitoriosas por parte dos partidos contendores. Ao raiar da manhã, sob a ordem do meu pai, normalmente apreensivo com os resultados, desligávamos a TV já fervente, desvanecendo-se as imagens prateadas num decrescente alvo branco, emitindo um ligeiro e agudo silvo final.
A televisão tinha o seu lugar, que nunca era maior que o nosso: não dava mais de meia hora de desenhos animados por dia; o teatro à segunda-feira, o cinema à quarta, a tourada numa quinta, ao sábado os telediscos… a fórmula 1 e o Fittipaldi ao Domingo. Uma seca, diriam os meus miúdos.
Hoje, na era dos computadores individuais e dos canais temáticos, dificilmente a família se junta toda espontaneamente em frente ao ecrã. Por vezes alugamos um DVD consensual (?!), ligamos o amplificador e fazemos um serão familiar. (Com um pouco de pressão e chantagem ainda lêem uns romances, e certamente ainda sentirão atracção pelos clássicos – espero eu.)
A única televisão cá da casa, um elegante aparelho espetado na parede da sala, perde influência real. Só a mais pequena, com os seus “canais animados”, se lhe mantém fiel. De resto, os computadores com os YouTubes e Chats da vida, remetem os miúdos para os seus recantos isolados, para os seus mundos e fascínios. Desconfio que a televisão que hoje festejamos, além de ser outra, está a acabar. No futuro, será o “audiovisual interactivo”, qualquer coisa parecida com uma mistura de YouTubes, Blogues e Chats que veremos num ecrã individual. Cada vez mais personalizado, particular e… egocêntrico. Veremos.

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segunda-feira, março 05, 2007

Totalmente desalinhado

Ontem à noite fiz mais uma tentativa de desvanecer algum pretenso "desfasamento geracional" e, em família, assisti estoicamente ao programa dos Gato Fedorento na RTP 1. Uma vez mais aquelas prestações dramáticas pareceram-me confrangedoras, e comprovadamente o seu sentido de humor minimal não me seduz - por exemplo, alguém me pode explicar a piada dos Moonspell a cantarem o genérico do Noddy?
Sei que o que estou a afirmar é um autêntico sacrilégio à opinião regulamentar. Mas insisto que, à parte de algumas caricaturas bem conseguidas do Ricardo Araújo Pereira, o espectáculo destes quatro jovens e esforçados yuppies parece-me paupérrimo e genericamente sem graça. O problema deve ser todo meu, é bom de ver, e eu serei certamente um perigoso e irrecuperável desalinhado em vias de ser desterrado.
De resto, prometo que quando tiver tempo vou alugar outra vez Um Peixe Chamado Wanda com John Cleese, Jamie Lee Curtis e Kevin Kline para, orgulhosamente e às gargalhadas, consolidar o meu “desfasamento geracional”.

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quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Miss Marple



Hoje, na RTP 1, às 00.45, mais uma aventura da Miss Marple: "4.50 From Paddington". Em Portugal, o livro está traduzido como "O estranho caso da velha curiosa".

Os apreciadores do género deverão estar lembrados da forma como começa o livro: A Sra. McGillicuddy, que se encontra numa comboio que estava a abrandar a velocidade, vê uma mulher ser estrangulada no interior de uma carruagem que circulava em sentido contrário.
Sem mais testemunhas nem o aparecimento de nenhum cadáver, só mesmo a simpática e metediça Miss Marple para desvendar o crime. Para mim, um dos melhores livros da Agatha Christie.

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domingo, fevereiro 04, 2007

pequenos portugueses

Oiço o Dr. Santana Lopes no programa Grandes Portugueses a debitar uma série de vulgaridades e alguns disparates: por exemplo referindo-se à 1ª républica: “Antes do 25 de Abril só tínhamos tido 16 anos de liberdade”. O homem só deve ler as revistas do cabeleireiro, e depois dá nisto!

PS - Nunca o tinha visto, o programa é mesmo mau.

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