Terça-feira, Julho 31, 2007

Cinema Nostalgia (1)

Comecei a ver cinema muito cedo. Era ainda um garoto, leitor assíduo de revistas de banda desenhada, quando me deixei seduzir pelo ecrã mágico de onde irrompiam heróis de todo o género, emanados do mundo dos adultos. Fixei para sempre um sorriso de Fernandel, um silêncio de John Wayne, um trinado de Marisol, uma expressão dura de Bogart, um esgar trocista de Belmondo, Errol Flynn conquistando as matinés e o coração de Olivia de Havilland em As Aventuras de Robin dos Bosques. E as pernas de Silvana Mangano, os olhos de Michèlle Morgan, o rosto magoado de Ingrid Bergman à beira de um vulcão a preto-e-branco em Stromboli. Puto de calções, largava as brincadeiras da bola ou do berlinde para me pôr defronte da pantalha, quando a RTP oferecia bom cinema aos espectadores, e lá ficava, de olhos arregalados, mergulhado no fascínio da Sétima Arte oferecida ao domicílio da geração privilegiada de que fiz parte. São imagens que me ficarão gravadas para sempre: o inquietante sobrolho de Gregory Peck no Caso Paradine, o trenó em chamas de Citizen Kane, Gene Kelly dançando à chuva, um grão de areia no olho de Celia Johnson, a radiosa Audrey Hepburn andando de lambretta nos dédalos de Roma.
Filmes de Verão, com Johnnny Weissmuller, Totó e Fred Astaire. Filmes de Inverno, com Giulietta Masina, Henry Fonda e Marlene Dietrich. Títulos perdidos na memória dos tempos mas recordados à simples evocação de uma cena imortal: Shirley Temple fazendo sapateado, Vasco Santana falando a uma girafa, Grace Kelly beijada por Cary Grant, Alice Faye cantando “With a Song in my Heart”, Alida Valli caminhando ao som da cítara vienense de Anton Karas.
Tardes de cinema, noites de cinema. O mundo que se movia à velocidade de 24 imagens por segundo.
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Na imagem: Silvana Mangano, em Arroz Amargo (Riso Amaro, 1949)

Gostei de ler

A balda. Do Jorge Ferreira, no Tomar Partido.
A procissão da poncha. De Filipe Tourais, n'O País do Burro.
Território ocupado. Do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
Sinais? Do Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas.
Cuba. De Tomás Barbosa Ribeiro, no Kontratempos.
A bandeira cubana chegou ao pódio. Sozinha. De Cristina Vieira, na Contra Capa.
A tese. De Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado.
A sondagem. De António Oliveira, na Estrada Poeirenta.
Vamos andar de comboio! Da Cristina Silva, na Geração Rasca.

Se aquilo não é populismo...

Acho espantoso que os sociais-democratas que se demarcam de Luís Filipe Menezes por este estar supostamente inoculado com o vírus do "populismo" tenham aplaudido a lamentável colagem de Marques Mendes a Jardim no Chão da Lagoa. Populismo mais desbragado e rasteiro não há. Tem toda a razão Paulo Baldaia quando escreve hoje no Jornal de Notícias: "Para os barões do PSD, o populista é Menezes, mas o autarca de Gaia anda bastante mais responsável que Mendes na forma de fazer política."

Os melhores cineastas estão a deixar-nos


Monica Vitti, a musa de Michelangelo Antonioni (1912-2007)

Coisas que nunca me passaram pela cabeça

Apanhei esta frase do Arnaldo Jabor nas piores condições: estava na praia, descontraída, sem a menor intenção de desatar para ali a pensar. Resultado... fiquei meio bloqueada, sem conseguir decidir se ele terá mesmo razão. Agora que tanto se fala de direita e esquerda, só faltava mais esta para animar a discussão. Ora tomem nota:
"Actualmente sexo é de direita. Amor é de esquerda. Nos anos 60 era o contrário", Arnaldo Jabor, in "Amor é Prosa, Sexo é Poesia"
Será??

A esquina do Rio

"Um partido como o PSD tem de dar sinais de que preserva a estabilidade e não anda a mudar de líder a cada esquina". O autor da frase é Rui Rio, que hoje almoçou com Marques Mendes, no Porto, e revelou-se um feroz apoiante do actual líder social-democrata. Há menos de um mês, como se sabe, Rio andou a ser pressionado por barrosistas destacados (como José Luís Arnaut, Nuno Morais Sarmento e Miguel Relvas) para assumir a ruptura, protagonizando uma "terceira via" alternativa a Luís Marques Mendes e a Luís Filipe Menezes. Ainda pensou no assunto, sabendo que tinha também o apoio do sector cavaquista do partido, só que acabou por passar a bola a José Pedro Aguiar-Branco, com quem almoçou e jantou tentando convencê-lo a avançar para as directas. Aguiar-Branco, que acalenta a ambição de se tornar numa espécie de novo Sá Carneiro - em comum só terão o facto de serem ambos naturais do Porto, advogados, de boas famílias e com alguns cabelos brancos, pois o malogrado primeiro-ministro está a anos-luz de tudo o que há neste PSD -, anda pensou no assunto, mas desistiu por alegada falta de apoios (a verdade é que foi aconselhado a não avançar porque dividia o mendismo e daria a vitória a Menezes). Veremos se no pós-eleições de 2009, que está já aí ao virar da esquina, Rui Rio também irá achar, como disse hoje, que o PSD só teve vitórias, à excepção de Lisboa, considerada uma "eleição atípica". Em 2009, o excelente argumento que agora usou (e com o qual concordo e que na prática o diferencia de muitos no partido), de que não poderia deixar a meio o mandato na Câmara do Porto, já não existe. Nessa altura, Rui Rio é livre que nem um passarinho, pois as autárquicas irão coincidir com as legislativas.

Mais dez motivos para gostar de Portugal (X)


SETE CIDADES.

A paixão messiânica do PSD

Caro Duarte Calvão,

O seu último texto e os comentários que suscitou deixaram-me apreensiva. Haverá razões para tanto desânimo? Eu acho que não. O PSD sempre teve uma paixão pelo messianismo, encantadora mas pouco eficaz. Talvez seja a marca de Sá Carneiro. Cavaco Silva, com o mito inaugural de ter ido ao congresso da Figueira da Foz fazer a rodagem do Citroen, alimenta esse romantismo. Calhou-lhe ter o carisma e a oportunidade, mas isso nem sempre acontece. Veja-se o caso de Santana Lopes, que teve os dois, mas não ao mesmo tempo.
Fora das épocas de graça, são os aparelhos que sustentam os partidos de poder. Não percebo, por isso, esse horror ao aparelho. Cavaco Silva, por exemplo, nunca rompeu com o aparelho, e há mesmo quem diga que, por tê-lo deixado crescer demais, acabou devorado, no último mandato. A Sócrates, o poder caiu nas mãos, quase sem lhe dar tempo de se desgastar a conduzir um partido na oposição. Algumas figuras do PSD tentaram construir uma aura messiânica, mas nunca chegam à oportunidade. Recordo António Borges que, a certa altura, até foi notícia de primeira página no Expresso pelo voo que nunca chegou a apanhar no 11 de Setembro...
Os aparelhos fazem falta para as travessias do deserto. Descanse que, quando o PSD voltar a ser governo - e isso vai acontecer, é fatal - os bons vão aparecer. Até lá, o melhor líder é o que existe - qualquer que seja - mais do que os que optaram por ficar no sofá. Há outra forma?

Segunda-feira, Julho 30, 2007

Sócrates como Cavaco vinte anos depois


José Sócrates está a produzir hoje na política portuguesa um efeito simétrico ao que Cavaco Silva conseguiu há duas décadas. Na década de 80, ao irromper surpreendentemente na cena política com um discurso que transcendia largamente as fronteiras do seu partido, Cavaco cativou a esquerda com um êxito sem precedentes na história do PSD. O seu domínio das finanças públicas, a sua imagem austera, o seu vocabulário expurgado de qualquer vestígio de “politiquês”, a sua preocupação com questões sociais secaram a esquerda, então caracterizada por uma evidente ineficácia e pela mais estéril retórica. Na altura, não faltaram até transferências directas de voto do PCP para o PSD. Vinte anos volvidos, Sócrates produz o efeito contrário: o seu estilo sóbrio, as suas aparições esparsas, a sua imagem de “decisor” e a autoridade que cultiva como imagem de marca seduzem crescentes sectores da direita, tornando inútil o palavreado de oposição formal que emana dos estados-maiores do PSD e do CDS. Com Cavaco no poder, a esquerda teve os piores resultados eleitorais de sempre. Agora, com Sócrates, a direita afunda-se num abismo. Entre as personalidades que Sócrates tem conseguido seduzir incluem-se tradicionais figuras da direita portuguesa, como Freitas do Amaral, Basílio Horta, José Miguel Júdice e Maria José Nogueira Pinto. Duas décadas, o mesmo efeito. E agora a necessidade, à direita, de repensar tudo. Como a esquerda teve que se adaptar à década cavaquista que mudou drasticamente a política portuguesa.

Que brasa

Com um calor destes, só apetece um vodka-martini junto ao mar ou à beira da piscina. Se for à sombra, tanto melhor. Shaken, not stirred...

Férias I

Férias é largar a quadricula dos rituais utilitários,
E improvisar novas rotinas.
Férias é gradualmente desregular os horários.
E ficar na praia até às nove da noite.
Férias é preguiçar longamente a ler o jornal...
até o obituário se encher de areia.
Férias é jogar à rabia na maré vazia...
Até estourar humilhado pela rapaziada nova.
Férias é dar lastro às crianças,
... e a chave de casa aos mais velhos.
Férias é tempo de conhecê-las melhor.

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Na hora da morte de Ingmar Bergman


A minha cena favorita do filme dele de que mais gosto: O Sétimo Selo (1957). Inesquecível partida de xadrez entre o cavaleiro e a morte que mudou para sempre a face do cinema, eterno jogo entre a luz e as trevas.

Ao nível do Chão

Luís Marques Mendes lá foi ontem à festa do Chão da Lagoa, na Madeira, e apareceu no palco juntinho ao presidente do Governo Regional da Madeira, enquanto este disparava contra Sócrates e lançava avisos ao Presidente da República: "Senhor PR tenha atenção ao que é uma obsessão doentia com a Madeira", soltou Alberto João Jardim. Depois de não ter sido convidado nos dois anos anteriores, Mendes surgiu todo satisfeito e soltou frases como esta, reproduzida na SIC Notícias: "É melhor do que eu imaginava. Era o que faltava no meu currículo". Partindo do princípio de que até possa ter sido sincero, não percebo o esforço que Mendes fez para não aparecer a beber cervejinhas geladas, como Alberto João. Nem percebo como é que, com uma temperatura a rondar os 40 graus, apareceu de calças azuis escuras vincadas e uma camisa apertada até ao último botão. Deve ter sido para dar um ar mais credível, ali ao lado de Jardim, de pólo preto, Swatch cor-de-laranja e um chapéu de palha na cabeça. Mas já percebo que Mendes tenha chamado "o nosso grande líder" a Jardim. Um é grande, o outro....

Estado de espírito do treinador do Benfica


Fernando Santos (20 de Julho de 2007)

Leituras de Verão: "Silly post"

Sobre as leituras de Verão já se escreveu de tudo em revistas, jornais, blogs e papel de gelados. Listas de policiais, romances e livros de palavras cruzadas têm sido temas recorrentes a partir da altura em que deixa de haver assunto. Porém, desde que me encontro a banhos, há um outro assunto sobre o qual me tenho debruçado, sentado e mesmo deitado: qual a melhor posição para ler na praia?
Uma vista de olhos ao areal leva-me a concluir que existem diversas modalidades de leitura, sendo de considerar a logística que cada banhista/leitor se dispõe a movimentar. À excepção da leitura de jornais em geral, estamos perante um cenário algo penoso, com as folhas a fugir por entre as mãos e as letras a dançar ao sabor do vento. Fechemos pois o jornal e tentemos ler um livro.
Pelas minhas contas e pelas dores nas costas, ler um capítulo inteiro sentados na toalha de praia em cima da areia já é obra. A páginas tantas, vemo-nos forçados a fechar o livro e a esticar a coluna.
Por outro lado, basta uma breve experiência com cadeiras de praia para rapidamente se poder concluir que ler exige costas direitas e apoio de braços. Cadeiras baixas são uma boa alternativa, mas, sinceramente, prefiro as altas. Desde que não seja eu a carregá-las, claro.

Há, mas ainda são verdes

No sábado estive em Alvalade, para assistir ao jogo de apresentação do Sporting (1-1 com o Recreativo de Huelva) e pude constatar alguns dos meus receios quanto ao plantel para esta época. Acho que a equipa está desligada e, sobretudo, faltam laterais e extremos. Não deu para ver se a saída de Ricardo foi bem preenchida por Stojkovic, que apesar de tudo me parece que vá ser a escolha óbvia para titular. A dupla de centrais vai ter que ser Polga e Tonel (que, pasme-se, foi capitão na segunda parte) e nas laterais tivemos Ronny muito inseguro e um Pereirinha inadaptado ao lugar. No meio, ficamos bem servidos com Moutinho e Miguel Veloso. Gostei de rever Romagnoli e achei que Simon Vukcevic mostrou óptimo futebol, ao contrário de Ismailov. Na frente, Derlei não pode fazer dupla com o levezinho. Sempre quero ver quem é que vai servir o Liedson, com a ida de Nani para o Manchester United. Djaló terá que ser sempre titular.

Mais dez motivos para gostar de Portugal (IX)


CURRAL DAS FREIRAS.

Usando o corta-fitas como janela

Domingo, Julho 29, 2007

O pior cego é aquele que não quer ver

Confirmando-se que só Mendes e Menezes se candidatam à liderança do meu partido, é mais do que provável que não vote em nenhum. Depois da eleição, vou esperar mais um pouco para saber o que o líder eleito tem para dizer e ver que pessoas o acompanham. Mas não acredito que haja alguma coisa que me surpreenda positivamente. Talvez espere por Rui Rio, ou alguém dessa categoria, para 2009. Talvez não. Talvez ache que o PSD já não tem salvação, com o vazio de poder causado pela elite do partido, paralisada em tacticismos e comodismos. Um vazio de poder ocupado por um tipo de gente do aparelho de que só quero distância.
Mesmo que Mendes ou Menezes viessem a ganhar em 2009, que tipo de gente levariam para o governo? Acham que essa gente do aparelho não cobra a factura quando chega a hora? Acham que podem aliar-se a eles sem perder a alma? Se pensam assim, não aprenderam nada com o que se passou em Lisboa, e não vale a pena apostar em ingénuos ou cínicos.
Perante este cenário, fico pasmado em ver como a ideia de um novo partido no espaço não-socialista é condenada logo à partida. Quem faz comparações com o PRD ou a Nova Democracia não percebe nada do que se está a passar nesse espaço. É claro que um novo partido nunca poderia ser unipessoal, servindo apenas às ambições políticas de um líder incontestado. Nem Santana Lopes, nem Portas, ganhariam nada se apostassem num partido assim. Mas porque não um novo partido formado por gente que já não aguenta o aparelhismo que tomou conta do PSD, que fizesse uma clara ruptura com as más práticas e os programas indistintos que vigoram na chamada "direita"? Com gente de valor que está congelada nos partidos de "direita"? Estamos condenados a um eterno sistema partidário que, como se viu nas eleições de Lisboa, já pouco ou nada diz a muitos eleitores?
Pacheco Pereira, por quem tenho uma enorme admiração, espanta-me agora. Depois de ter descrito magistralmente o estado a que o PSD chegou, é o primeiro a dizer que não há espaço para um novo partido. Ele e outros por quem tenho apreço que digam onde pode haver esperança de uma regeneração do PSD e prometo que vou ouvi-los com toda a atenção. Não gostaria de deixar o partido de que sou militante. Mas, para já, parece-me melhor começar a pensar em alternativas. Ou então desistir de vez.

Lopes da Costa

Sobre a trapalhice do pagamento de quotas aos militantes, queixa-se a senhora no DN de hoje: - "O PSD fez-me cair numa esparrela". Não ponho em causa, há partidos capazes de tudo, mas acho que o mais difícil para o PSD foi ter que, primeiro que tudo, inventar a senhora.

Domingo

Evangelho segundo São Lucas 11,1-13

Naquele tempo, estava Jesus em oração em certo lugar. Ao terminar, disse-Lhe um dos discípulos: «Senhor, ensina-nos a orar, como João Baptista ensinou também os seus discípulos». Disse-lhes Jesus: «Quando orardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso reino; dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados, porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixeis cair em tentação’».
Disse-lhes ainda:
«Se algum de vós tiver um amigo, poderá ter de ir a sua casa à meia-noite, para lhe dizer: ‘Amigo, empresta-me três pães, porque chegou de viagem um dos meus amigos e não tenho nada para lhe dar’. Ele poderá responder lá de dentro: ‘Não me incomodes; a porta está fechada, eu e os meus filhos estamos deitados e não posso levantar-me para te dar os pães’. Eu vos digo: Se ele não se levantar por ser amigo, ao menos, por causa da sua insistência, levantar-se-á para lhe dar tudo aquilo de que precisa.Também vos digo: Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á. Se um de vós for pai e um filho lhe pedir peixe, em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente? E se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião? Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!».

Da Bíblia Sagrada

Olha quem fala

"A democracia faz-se também e sobretudo da capacidade de dizer 'não', da capacidade de dizer 'não' ao autoritarismo, a qualquer espécie de tentativa de controlo político-partidário sobre a administração pública, sobre a sociedade civil, sobre a comunicação social livre ou sobre a vida de cada um de nós".
Augusto Santos Silva, ministro dos Assuntos Parlamentares (hoje, na Madeira)

Os tugas (29)


Mulher falando ao telemóvel numa carruagem de metro, em voz cada vez mais alta.
- Tou! Não te percebo bem. Tou a chegar ao Campo Grande!
...
- Tou! Tou!
...
- Tás onde? Eu tou a chegar ao Campo Grande.
...
- Campo Grande, Campo Grande! Tás aí já?
...
- Como? Não consigo perceber! Quê? Eu tou a chegar ao Campo Grande!
...
- Quê? Quê? Quê?
...
- Tás já à minha espera? Eu tou a chegar. Tou, tou!
...
- Quê? Quê?
...
- Ah, tás no Parque das Nações. Agora percebi. Eu tou a chegar ao Campo Grande... Espero aqui por ti.

A blogosfera tem destas coisas


Por causa da Nancy, da Geração Rasca, já tenho Orgulho e Preconceito de volta à minha mesa de cabeceira. E desta vez juro que vou lê-lo até ao fim.

Mais dez motivos para gostar de Portugal (VIII)


PONTE DE LIMA.

Sexta-feira, Julho 27, 2007

Usando o corta-fitas como janela

... esse grande escultor

O Luís Filipe Menezes que vi hoje entrevistado por José Alberto Carvalho no Telejornal surpreendeu-me. Sou obrigada a admitir que, durante estes anos em que não reparei nele, o senhor melhorou o discurso, a pose, a atitude (embora falte ainda trabalhar a gravata, sempre acinzentada). Se calhar vencer as eleições no PSD e se fizer o que disse (uma moção de censura por causa das manifestações de sindicatos e funcionários públicos, por exemplo), o partido terá um líder que vai dar muito trabalho ao governo.
As eleições no PSD têm sempre algum grau de imprevisibilidade, e só por isso, e pela subida de Sócrates nos barómetros de opinião, a vitória de Marques Mendes não são favas contadas. O problema é que, daqui até às directas, as expectativas para a liderança em 2009 podem pesar mais do que a vontade de construir uma oposição aguerrida.
Apesar de isto não ser justo para Marques Mendes - que teve nas eleições de Lisboa o seu único erro sério - muitos sociais-democratas preferem despachá-lo em 2009 do que correr o risco de eleger alguém que, daqui a dois anos, não vai educadamente ceder o lugar.

Três dias sem televisão


Três dias sem televisão. Aproveito para ler um romance fabuloso, passado no norte de África, nos turbulentos dias do pós-guerra: O Céu que nos Protege, de Paul Bowles. Prosa envolvente, magnífica, com o deserto do Sahara em hipnótico pano de fundo. Há muito que não descobria um escritor assim, que me agarrasse tanto e me fizesse devorar tantas páginas. Esquecido do mundo, esquecido do tempo.

Com parágrafos como este: “Olhou para fora, para o vazio varrido pelo vento. A lua escondera-se atrás da aresta aguda da terra. Ali, no deserto, ainda mais do que no mar, ela tinha a impressão que estava sobre uma grande mesa, que o horizonte era a beira do espaço. Imaginou um planeta em forma de cubo, algures sobre a terra, entre esta e a lua, para a qual de alguma maneira tinham sido transportados. A sua luz devia ser difícil e irreal como ali, o ar devia ter a mesma secura extrema, aos contornos da paisagem faltariam as reconfortantes curvas terrestres, exactamente como ao longo de toda aquela vasta região. E o silêncio seria último, definitivo, deixando lugar apenas ao som do ar que passava. Ela tocou a vidraça; estava fria, gelada. A camioneta seguia aos solavancos ao longo do planalto.”

Admirável tradução de José Agostinho Baptista, excelente edição da Assírio & Alvim. Ler um livro destes, tão arrebatador, é um imenso prazer. Ainda bem que tive a TV avariada. Oxalá o arranjo não dure muito...

Populismo

Consta que Luís Marques Mendes vai estar no domingo na super-festa do Chão da Lagoa, na Madeira, ao lado de Alberto João Jardim. Que bonito. Nos últimos dois anos, Marques Mendes não foi sequer convidado para estar ao lado do presidente do Governo Regional da Madeira, um gesto muito mal digerido na São Caetano à Lapa, mas que ia servindo para o comandante Azevedo Soares e outros dirigentes dizerem que cada um convida quem quer, ao passo que em surdina iam suspirando de alívio, pois o facto de o líder do PSD não ter que ir à ilha encaixava que nem uma luva na defesa da credibilidade e no afastamento de figuras "populistas" como Valentim Loureiro e Isaltino Morais. Há mais de dois anos que não interessava a Mendes aparecer ao lado de Jardim, no domingo ainda vamos vê-lo de cervejinha na mão a cantar e a dançar ao lado do presidente do Governo Regional. Quando dá jeito - e neste momento já começou a campanha para as directas no PSD - pode-se sempre chutar para canto. E abraçar o tal populismo...

A banhos

Amanhã pela manhã a “família pipocas” parte rumo ao Sudoeste para umas merecidas férias. Um ritual incontornável, indispensável. Malas feitas, gás desligado, trancas na porta, todos na carrinha, alguma excitação: um choro aqui, um ralhete ali, todos na carrinha, todos ao caminho. Uma pequena temporada de Sol, roupa lavada e comida feita. Uns dias de indolência, livros, jornais e muita praia, muito mar. Gelados, sandwiches e bolas de Berlim também. E como é próprio da estação e dos “ares”, os miúdos aproveitarão para crescer. Em tamanho e (espera-se) em graça. Novidade é que desta vez levo computador, já que arranjei uma impecável Internet portátil. Hasta la vista!

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Gostei de ler

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, mas a democracia resiste. Do Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas.
O polvo cor-de-rosa. De António de Almeida, no Direito de Opinião.
O figurão e os figurantes. De Pinho Cardão, na Quarta República.
Más escolhas. Do Carlos Abreu Amorim, no Blasfémias.
Prokofiev revisto. Do Rui Bebiano, n'A Terceira Noite.
Se está a pensar ir à Venezuela, pense duas vezes. De Carlos Manuel Castro, no Tugir.
O CES e Boaventura Sousa Santos. De Tiago Barbosa Ribeiro, no Kontratempos.
O teu pai é polícia. Do José Bandeira, na Bandeira ao Vento.
Uma mentira repetida mil vezes... De Paulo Gorjão, na Bloguítica.
O ouro do Reno. De José Gomes André, no Bem Pelo Contrário.
E, no entanto, sobrevivi... Do Helder Robalo, no Pensamentos.
Os filmes em cartaz. Série de Vítor Dias, n'O Tempo das Cerejas.
Dos livros. Série do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.

Porque hoje é sexta-feira


As mulheres deixam-se conquistar facilmente pelos homens que as fazem rir, mas o inverso, em regra, não é verdadeiro. Para eles, nada como trocar umas boas gargalhadas entre compinchas, de preferência numa daquelas rodas de amigos em que mulher não entra. Percebe-se. Afinal, o prazer de rir entre companheiros precede, na vida deles, o de gozar a companhia das mulheres, pois remonta ao tempo em que ainda as olhavam cheios de reserva, a pensar: “Mas afinal, para que é que elas servem? Nem sequer sabem jogar à bola...”
Nesses verdes anos, do outro lado da barricada, bem os víamos agitados, desajeitados, esganiçados, parvos, mas muito cúmplices. Às vezes eu ficava a observá-los, meio ressentida com a sua autosuficiência, cheia de vontade de pertencer também à irmandade da carica, porque sentia que eles tinham mais capacidade de se divertir uns com os outros do que nós.
Será isto que nos atrai quando nos fazem rir? Esta sensação de redenção? A aventura finalmente consentida de nos rirmos com as suas piadas? Às vezes tão parvas, mas mesmo tão parvas que até parece que no instante seguinte ainda nos arriscamos a que eles nos convidem para ir ali para o passeio da rua jogar ao bilas...

Já que hoje é sexta-feira

Aproveito para confessar qual é o meu cliente favorito nesta agência.

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Momentos Kodak (54)

Alberto João Jardim
Fotografia: Rodrigo Cabrita

Cinco dias, cinco pratos

Juro que só agora me lembrei de que o Adolfo Mesquita Nunes me incluiu há já vários dias numa destas listas circulares que abundam na blogosfera com o pedido de lhe dar nota das minhas cinco mais recentes refeições. Vai atrasado, mas vai à mesma: cá fica o inventário, de segunda a sexta. Assim mesmo - uma por dia. É uma regra já antiga: quando almoço, não janto; quando janto, não almoço.
2ª feira - Paella. No Solar dos Presuntos. Sem dúvida a melhor de Lisboa.
3ª feira - Risotto de pato. No Sucre. Uma das mais estimulantes descobertas gastronómicas que fiz ultimamente na capital (ups, se calhar não devia ter falado disto: qualquer dia começa a ser difícil arranjar lá mesa...)
4ª feira - Empadas de galinha. Na imprescindível Charcutaria (a da Rua do Alecrim, que prefiro à outra).
5ª feira - Cataplana de bacalhau. No velho Tico Tico, de Campo de Ourique, que hoje se chama não sei o quê. Com a turma cá do blogue.
6ª feira - Spaghetti caprese. O meu prato vegetariano favorito. No Valentino.

E por aqui me fico. Com um abraço ao Adolfo. E sem maçar ninguém com uma pergunta tão indiscreta.

Cem anos de História para isto


Por todo o lado, em especial no D.N. que até publica a palavra malgrafada na sua capa, ele é «escutismo» para aqui e «escuteiros» para ali. Sucede que tais palavras não existem. Em português, escrevem-se «escotismo» e «escoteiros», como podem verificar no site oficial da A.E.P. (o «ó» está bem destacado a verde para não haver enganos). Depois, o que há são «escutas». De Corpo Nacional de Escutas. Adaptação do escotismo feita pela igreja católica, como a fizeram também os adventistas do sétimo dia com os «desbravadores» ou o partido comunista com os seus «pioneiros», se é que tal coisa ainda existe. Escoteiros de verdade há só uns. Os meus. Em 1907, Lord Robert Stephenson Smyth Baden-Powell levou consigo um grupo de 20 rapazes para a Ilha de Brownsea, para realizar o primeiro acampamento escotista de todos os tempos. «Escotista», perceberam? Arre.

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O partido do "porque não"

"O PSD nasceu como partido do 'porque sim' e está transformado num partido do 'porque não'. Não é saudável que todos os 'laranjinhas' com que me cruzo achem que Marques Mendes não serve, que Menezes é um perigoso populista a deter a todo o custo e que, apesar disso, se resignem a este estado de coisas."
José Miguel Júdice, Público
"A personagem precisa de ficar remota para sobreviver. Basta que o país saiba que Sócrates manda e gosta de correr; e que o veja de longe em ocasiões cuidadosamente encenadas. Qualquer improvisação é um perigo, como já se constatou no estádio do Benfica. Seguro (e normal) é o episódio do Centro Cultural de Belém a 30 euros por figurante. No dia em que o país confundir o primeiro-ministro com um ser humano acaba a festa, ou, se quiserem, o 'evento'."
Vasco Pulido Valente, ibidem
A verdade é esta. Mais coisa, menos coisa. E é grave que no PSD ninguém queira agarrar as rédeas de um partido que, historicamente, nunca virou a cara à luta. A maior parte da elite laranja pensa que Sócrates está de pedra e cal antes e depois de 2009. Tudo gente que não sabe o que se passa nas ruas, nas empresas, nas escolas e nas casas. Gente que confunde o green do golfe que joga ao fim de semana com a paisagem que está à volta de milhares e milhares de pessoas. Que de verde não tem nada.

Postais blogosféricos

1. O Nuno Galopim e o João Lopes prosseguem, imparáveis, um dos melhores blogues especializados - o Sound+Vision, dedicado às artes, sobretudo à música (domínio privilegiado do Nuno) e ao cinema (onde o João dá cartas). A partir de hoje na nossa barra lateral.
2. O Fernando Martins deixou O Amigo do Povo mas não abandonou a blogosfera: está agora em casa própria. Aqui. Vale a pena ir lá visitá-lo.

Mais dez motivos para gostar de Portugal (VII)


ALTE.

Dia C


De cinema. E de Cameron Diaz.

Sexta-feira

Caroline Trentini.

Quinta-feira, Julho 26, 2007

Festas e romarias

Como o João Gonçalves, até compreendo que se podia recuperar o dia 24 de Julho para o calendário de festas do regime, como sugere Medeiros Ferreira no Bicho Carpinteiro. A malta gosta de festas e feriados, e para estímulo nacional há que alimentar alguns mitos. Mas aqui entre nós, que ninguém nos oiça, o que festejamos no 5 de Outubro? Além da ditadura “democrática” que pôs o país num caos e da “bandeira de pretos”, como dizia o republicano Guerra Junqueiro, que razão temos para fazer festa? O voto das mulheres? Eleições livres? Liberalismo económico? Liberdade de imprensa? Liberdade de culto? Mais ensino? Paz social? Tolerância nos costumes?
Sobre o assunto, desafio Medeiros Ferreira, por quem nutro uma simpatia "empírica", a dar-nos uma resposta intelectualmente honesta e historicamente fundamentada.

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Queixa geral de aposentações

Ao longo deste mês, a expressão caixa geral de aposentações toma-me de assalto sempre que faço uma tentativas de actualização noticiosa. Percebo que os funcionários públicos estão a liderar um movimento que defende que, se a pessoa vai morrer, tem direito a não estar a trabalhar. Parece-me bem, com tanta coisa mais interessante que há para fazer. Noto, no entanto, que o título que vi recentemente - "Morreu a trabalhar" - não é notícia. Muita gente em Portugal morre a trabalhar. A mim o que me indigna é morrer em consequência do trabalho e isto acontece a toda a hora. Quantas notícias vemos por semana, em letra pequena, sobre operários que morreram a abrir uma vala, e quantas teremos que ver até se começar a escorar as valas? Por exemplo.

O PSD no seu melhor

Fiquei a saber pela indispensável secção "Indiscretos" da revista Sábado que Pedro Santana Lopes tem um blogue. Isso mesmo. Depois de José Pacheco Pereira, Luís Filipe Menezes e de Marcelo Rebelo de Sousa, agora Santana Lopes aparece a mandar as suas farpas na blogosfera. Apesar de ainda só ter "postado" duas vezes, veja-se o tom num dos escritos sobre o dia das eleições intercalares para a Câmara de Lisboa: "A Câmara foi posta ao serviço de uma seita que ocupou um partido. Por isso mesmo, a Câmara funcionou, não para lisboa mas para o poder instalado na São Caetano. A Câmara de Lisboa foi transformada numa Universidade Atlântica 2, o que foi facilitado pelo facto de Carmona Rodrigues estar muito, muito tempo em viagens". Como ainda não foi desmentido que o blogue não seja mesmo elaborado e mantido por Santana, deduzo que o antigo primeiro-ministro estivesse a referir-se a... Luís Marques Mendes (que bem podia responder criando o seu próprio blogue). Isto promete.

Falta só um bocadinho assim


É quase fim de semana mas parece ainda longe, muito longe. A receita?
Laughing yoga aqui. E resulta? Não faço a mínima.
Nem eu sou assim tão seriamente avariado da pinha ao ponto de experimentar.

Depois do almoço de hoje

Decidi que a minha arma de eleição contra o inimigo será a Glock: Maneirinha e com provas dadas. Ainda pensei ir à estante repescar «A Arte da Guerra» mas decidi deixar isso para as meninas. Agora, aguardo apenas a lista dos nomes.

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A ler

1. "Estatuto do Jornalista: o que está em causa", por Francisco A. van Zeller.
2. "Zelo semântico inconstante", do Paulo Gorjão.
3. "Para inglês ver", por José.
4. "A fusão PSD/CDS", por Pedro Norton.
5. "Remota diferença", do Carlos Abreu Amorim.

Ontem, no Coliseu

«Apesar de escrever as suas canções, ela é essencialmente uma intérprete, ou seja, não se entrega emocionalmente, não está ali para grandes catarses», escreve o Pedro Mexia sobre Aimee Mann, a propósito do concerto onde nos encontrámos ontem. Eu, que tinha comigo um par de binóculos, confirmei: Os olhos de Aimee são de um azul gelado e opaco mas o público portou-se como o Pedro tão bem descreve, começando a festa mesmo antes dos primeiros acordes. Nós somos assim, gostamos de gritar a quem amamos os nossos sentimentos, correspondidos ou não. A certa altura, divaguei e dei um salto quântico mental, inexplicável porque não racionalizável na sua causa. Recordei o concerto de há sei lá quanto anos de Joan Baez, no Pavilhão de Cascais, uma das poucas vezes em que senti vestígios de agorafobia, tal era a multidão. Dei por mim a pensar se Aimee seria a Joan Baez de hoje, ultrapassada que foi a mensagem política e o «sentimento do colectivo» da segunda pela partilha emocional e individual da primeira. Mas não me parece. Faltou, para isso, a emoção. Aimee está aos 46 anos com a voz numa condição excepcional. Só assim pôde prescindir da parafernália cénica e apoiar-se apenas nas suas guitarras, num baixo, teclas e bateria (cujo som, estranhamente, me surgia vindo do lado oposto ao palco). A voz, dizia eu, foi quase magnífica. E digo quase porque Aimee parecia estar, se não feliz, pelo menos satisfeita consigo e com a vida. No passeio do S. Jorge, tinha encontrado antes «um dos casais mais badalados do momento » prestes a entrar na ante-estreia dos Simpsons e o PRD classificara-me a música de Aimee Mann como «depressiva». Não foi. Talvez devesse ter sido. Pessoas como eu e o Pedro Mexia necessitamos de angst como de pão para a boca. É ao ouvir canções «depressivas» que nos lembramos de como não estamos sózinhos.

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Um dia não são dias...

Hoje ninguém escreve nada? Devem estar todos a trabalhar muito para compensar as ondas de choque do grande almoço de Verão do Corta-fitas, logo à tarde. Da animada cavaqueira, e da saborosa cataplana bem regada, obteremos por certo as mais perspicazes teorias em prol da harmonia universal. Trabalhar à tarde é que vai ser mais difícil.

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Quarta-feira, Julho 25, 2007

As Emoções Básicas (crónica) X


O sonho
Vivemos num tempo estranho, quando a única época em que as nossas mentes descansam se chama silly season, a época tola. Podemos preguiçar, esticar os braços, contemplar o que é belo, sem nos preocuparmos com as coisas "importantes" que habitualmente nos ocupam: a medíocre política, o trabalho insano, a competição inútil e as riquezas materiais.
(Numa história taoísta, um homem muito pobre que procurava ouro ia a caminhar no meio de uma rua cheia de gente; ao ver passar alguém que transportava um saco de ouro, correu para roubar o saco, mas foi apanhado pela multidão; o juiz perguntou-lhe 'como pudeste ser tão inábil, roubar à vista de tanta gente’; e o homem respondeu que não vira a multidão, só conseguira ver o ouro).
...Parecemos às vezes este homem que só conseguia ver o ouro. Corremos atrás de algo que nos foge sempre e que não nos satisfaz, por ser sempre tão escasso, algo que apenas brilha, um brilho frio e distante...
Não pensem que esta é uma crónica moralista, não venho dar lições que não posso dar. Queria escrever sobre a tristeza, sobre a nostalgia, mas está um dia solar e vivemos na silly season. Esta é uma crónica sobre a ausência de tema, sobre a futilidade, sobre o tempo que passa, sobre o sonho.
Na minha preguiça, estava a ler uma história da antiga sabedoria chinesa, um pequeno texto chamado "sonhos", de um mestre taoísta Lieh-Tzu que terá vivido no quarto século antes de Cristo, ou talvez não, (talvez tudo isto seja um devaneio), tal como era um sonho o que sentia o rei Mu, governante da terra de Chou, que mandou construir um grande palácio em honra de um mágico que podia atravessar fogo e água, metal e pedra, que podia voar e acalmar as inquietações humanas.
E nesse palácio o rei reuniu as melhores concubinas e mandou fazer os melhores repastos, mas o mágico nunca se contentava. E, um dia, o mágico levou o rei a voar muito acima das nuvens e os dois chegaram a um palácio esplendoroso, que era o palácio do mestre mágico, e o palácio terreno deixou de fazer sentido, pois não passava de uma miserável cabana, em comparação. E, depois, o mágico levou o rei de Mu a viajar até um local muito escuro, o sítio do grande abismo, e deixou-o cair... Foi então que o rei acordou. Perguntou às pessoas à sua volta o que acontecera e disseram-lhe que estivera sempre no mesmo sítio e que passara pouco tempo. E o mágico explicou-lhe que ambos os palácios eram irreais. E este magnífico texto, que aqui tento resumir sem habilidade, termina assim: "Sem sairmos de portas, podemos conhecer o mundo inteiro; sem olharmos pela janela, podemos ver o caminho do céu; quanto mais longe viajarmos, menos poderemos saber".
Acho que esta história chinesa se aplica à ânsia ocidental: na busca incessante da felicidade, acabamos por não encontrar coisa alguma; e perdemos a noção dos pequenos sonhos, dos ínfimos prazeres, que estão ali, ao pé de nós, à mão de semear.
É por isso que a época do descanso e da preguiça (quando temos tempo para pensar dentro de nós) nos parece tola, mas isso é erro nosso, ilusão e devaneio.


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Ensaios

"Não posso estar calado perante alguns casos ultimamente vindos a público. Casos pontuais, dir-se-á. Mas que têm em comum a delação e a confusão entre lealdade e subserviência. Casos pontuais que, entretanto, começam a repetir-se".

"Há um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa história, desde os esbirros do Santo Ofício até aos bufos da PIDE".

As frases são da autoria de Manuel Alegre, foram hoje dadas à estampa num artigo de opinião para o "Público", que aliás faz manchete com isto, e dão que pensar. Muito. Por este caminho, não me admira nada que o cenário político-partidário venha a alterar-se radicalmente até às eleições de 2009, ou logo depois delas. Ao centro-direita, com as lideranças de Marques Mendes e de Paulo Portas há claramente espaço para que surja um novo partido que possa aspirar a ter entre 10% e 15% dos votos e uma bancada parlamentar com mais de dez deputados. Santana Lopes, que há uns anos ameaçou lançar um PSL, está deserto para criar uma espécie de Aliança Democrática renascida. O resultado do seu ex-amigo Carmona Rodrigues demonstrou que há espaço para uma aventura destas. À esquerda, Manuel Alegre, nas presidenciais, e Helena Roseta, nas intercalares de Lisboa, provaram que pode aparecer por aí um MIC institucionalizado, que arrasaria metade da bancada do Bloco de Esquerda. As presidenciais e as intercalares de Lisboa podem muito bem ter sido uma espécie de balão de ensaio para o sistema mudar. O sistema está caduco e doente, mas também não sei se Santana e Alegre estarão dispostos a deixar os seus partidos de sempre. Os mesmos que lhes deram nome, projecção e impacto.

Tertúlia literária (208)

- E O Processo?
- Deu em nada, como já calculávamos. A ministra da Educação não teve coragem em levar com aquilo por diante.

Outro bom motivo para gostar de Portugal

Prainha.

Às páginas tantas...

Ao contrário do que se possa pensar não sou um puritano, muito menos um moralista. Mulheres bonitas, maminhas, rabos e pernocas, quando justificadas pelo seu contexto, são graças com as quais convivo prazenteiramente, na medida possível a um comprometido marido e chefe de família.
Vem isto a (des)propósito das secções de classificados, “de RELAX” publicadas nalguns jornais chamados “de referência”. De há uns tempos para cá, estas páginas têm-se progressivamente transformado numa obscena montra da miséria humana, um profusamente ilustrado catálogo de prostituição. A diversidade de órgãos e membros femininos expostos é inúmera e a cores. A carne exposta como no talho.
Se bem me lembro, este tipo de publicidade surge ciclicamente como uma praga (lembram-se da publicidade às chamadas de valor acrescentado?) em resposta a um anónimo e vasto mercado de frustrados sexuais.
Por ora, aguarda-se que o legislador acorde um dia destes e decrete a regulação desta emergente(?) oferta publicitária. Até ver. Entretanto, é melhor preparar uma explicação de “bom gosto” para dar às minhas criancinhas, quando um dia destes, às páginas tantas, encontrarem os deprimentes anúncios ilustrados num qualquer diário generalista... de referência.

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Mais dez motivos para gostar de Portugal (VI)


LINDOSO.

Tertúlia literária (207)

- Que tal o Quixote?
- Não tenho a certeza se ele fez bem em avançar contra o Marques Mendes.

E por cá?

Se estiverem para aí virados, leiam esta entrevista a Octavio Rojas e Jorge López sobre os blogues criados para fins políticos. E de como uma ferramenta de comunicação maltratada e mal utilizada pode acabar por afectar negativamente a imagem de um político, em lugar de melhorá-la.

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É logo à noite


A pedido do António Manuel Venda, aqui fica o convite para que apareçam hoje na Casa Fernando Pessoa, onde José Eduardo Agualusa apresentará «O que Entra nos Livros». Espero sair do concerto no Coliseu a tempo de ainda dar um merecido abraço ao autor.

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Não me apetece

Recordam-se do filme "A Guerra das Rosas"? A história reduzia-se a ataques e contra-ataques pela posse da casa entre um casal em processo de divórcio, até ao lustre final.
Foi do que me lembrei quando li este artigo sobre desavenças entre vizinhos. As histórias relatadas são, como direi, surreais : "há quem perca a cabeça por causa do fumo das sardinhas e acabe a atirar «mangueiradas» de água para o andar de baixo, há uma vizinha que, faça sol ou faça chuva, deixa os dois cães na varanda, ficando os cães a ladrar o tempo todo além do mau cheiro que causam, um morador no rés-do-chão que desespera com a quantidade e diversidade de objectos que aparecem no seu jardim: pontas de cigarro, papéis, uma torneira e até um fervedor. Isto sem falar de uma mulher idosa que costumava dançar sevilhanas de madrugada. Como os vizinhos se queixavam começou a deitar botijas de gás pelas escadas. O administrador do condomínio alertou a filha da vizinha, mas esta não gostou e deu três facadas na porta do vizinho de baixo."
Segundo li, estes casos são resolvidos nos Julgados de Paz, especializados em mediar conflitos deste género, o que não deve ser nada fácil. Devem estar cheios de processos com gente quezilenta e queixosos deseperados.
Na senda da paz, da ordem e da tolerância comunitária, até existe o Dia Europeu dos Vizinhos. Isto é um suponhamos mas creio que isso significa que nessa cordata efeméride deveríamos sorrir ao estudante de piano, dar uma gracinha ao aprendiz de flauta, cumprimentar os fanáticos das remodelações, saudar os donos dos cães que emporcalham os acessos, segurar a porta aos que bloqueiam os passeios, elogiar as cozinheiras dos fritos, lisonjear o odor dos guisados, louvar a felicidade do casal do 11º e aplaudir os Iron Maiden ao jovem do 12º.
E você, caro leitor, é um bom vizinho? Eu estou do lado do Paulo Tunhas no Atlântico: "Bom dia e andam com sorte".

Terça-feira, Julho 24, 2007

Salazar em 75 Minutos

Numa altura em que Salazar ganhou o concurso promovido pela RTP “Os Grandes Portugueses” e em que não faltam livros nas prateleiras das livrarias sobre o “ditador”, as expectativas em torno de Salazar The Musical são grandes e a estreia da peça encenada por John Mowat – um inglês que começou a sua ligação a Portugal em 1992, quando actuou e deu aulas no Chapitô – pareceu mesmo oportuna.
Ainda que seja urgente rirmo-nos do nosso passado, a ligeireza com que o tema e vida deste político e estadista é tratado, apesar de parecer propositada, deixa muito a desejar. Talvez se o título fosse “Oliveira Salazar em 75 Minutos”, uma comédia, sem pretensões musicais, não saíssemos tão defraudados. É, sem dúvida – e muito ao estilo do seu encenador –, um espectáculo mais visual que musical.
Em palco há à volta de 20 cadeiras, diferentes objectos e instrumentos que vão sendo utilizados à medida que a peça se vai desenrolando. Seis actores/músicos em palco, com principal destaque para José Pedro Vasconcelos, que começa por dar vida a Salazar, trocando, mais tarde, este papel com Miguel Melo. Uma passagem um tanto ou quanto estranha. “Então, e eu?”, pergunta JPV, “Tu, baza!”, responde MM. Margarida Gonçalves, que demonstra uma boa fisicalidade, lembrando uma Rueff “versão 2”, dá vida à mãe de Salazar e a Maria. Os três conseguem, a espaços, arrancar alguns risos do público, mas nada mais do que isso.
Quem pouco ou nada sabe sobre Salazar também não é ali que vai aprender. Nasceu no Vimieiro, passou pelo seminário, sempre teve dificuldade em se sentar na cadeira, enterrou a mãe, conheceu e deixou-se seduzir por uma Maria (a empregada de toda a vida) dominadora e ciumenta. É ela quem decide a colocação do Cristo-Rei, a construção da ponte 25 de Abril e está na origem do incidente que leva Salazar a cair da cadeira, o que o torna mentalmente diminuído. Na peça, é Maria quem o empurra e exclama posteriormente: “Encontrei-o assim...”. Isto representado de forma exagerada num tipo de humor negro que nem todos apreciam. Talvez por isso, a sala cheia a que o teatro Villaret nos habituou estivesse às moscas. E a desculpa não são as férias, são diálogos do tipo:
- Lisboa precisa de si!
-Dá-me então só 2 minutos para enterrar esta desgraçada? (Salazar referindo-se à mãe). Se a ideia inicial da peça era desmistificar e ridicularizar Salazar, conseguiram. Contudo, de forma fraca. Indicado para quem nunca viu trabalhos encenados por John Mowat. Porque, para quem já viu, este soube a pouco.

As time goes by


Em 1976, Diego e Susy Goldberg decidiram parar por um breve instante a seta do tempo e fotografarem-se. Passaram a fazê-lo, como um ritual familiar, sempre no mesmo dia do ano. Em 1977, nasceu o Nicolás. Em 1978 o Matías. Em 1983 o Sebastián. Ao vê-los, é impossível não fazermos o mesmo exercício que eles, mas em retrospectiva. Bem como, no progressivo envelhecimento dos seus rostos, rever o nosso e sentir o efeito do tempo, esse grande equalizador.

As Emoções Básicas (crónica) IX

A visita



O primeiro-ministro estava com grande dor de cabeça. Ninguém vira a sua queda, na véspera, nos jardins de São Bento. Batera com a nuca e estava com amnésia, mas o governante decidiu mesmo assim prosseguir com a visita à escola.
Impecável. Excelentes instalações. E ficou impressionado com as respostas prontas dos meninos e das meninas.
- Estamos a produzir crianças cada vez mais inteligentes, disse o primeiro-ministro, para aprovação geral das professoras e dos jornalistas. A ministra concordou, lançando-se de imediato num erudito monólogo, que todos aplaudiram no final.
O primeiro-ministro estranhou que as crianças aplaudissem. Estavam todas tão limpinhas, tão interessadas nos novos computadores da escola.
- O plano tecnológico está a funcionar às mil maravilhas, afirmou a ministra, como se lesse os pensamentos do líder.
Foi então que o primeiro-ministro notou, com estranheza, a extraordinária beleza de todas as professoras. Pareciam saídas de páginas de revista. Os jornalistas também pareciam invulgarmente sofisticados. E, na rua, militantes do partido agitavam bandeiras, sem grande convicção, e gritavam vivas.
Intrigado com aquilo, no final da visita, já dentro do BMW oficial, o primeiro-ministro decidiu interrogar o seu assessor.
- Achei aquelas crianças demasiado...como posso dizer?...demasiado perfeitas. Como é que isso se explica?
- Eram actores, senhor primeiro-ministro.
- Não compreendo...
- As crianças foram contratadas por uma agência de casting.
- E as professoras eram demasiado bonitas...
- Todas top model. Nestas ocasiões, procuramos sempre o melhor...
- E os jornalistas?
- Actores profissionais. Do Dona Maria, sobretudo, mas veio um cantor do São Carlos, aquele que lhe fez uma pergunta a cantar...
- Achei estranho.
- As perguntas são todas estudadas e preferimos actores com experiência.
- Mas, e a ministra?
- A agência de comunicação também tratou disso.
- E os militantes?
- Pagos à hora. Vieram numa excursão.
- Bem, e você?
- Fui contratado na semana passada, não se lembra? Antes, fiz aquele anúncio da Coca-Cola...
O primeiro-ministro avançou para o lugar da frente e, alarmado, ordenou ao motorista:
- A toda a velocidade, leve-me para o hospital mais próximo. Esta amnésia pode ser perigosa...
O motorista olhou para trás, desconsolado:
- Eu não sei conduzir, senhor primeiro-ministro. Sou actor de cinema e disseram-me para me sentar aqui. E é tudo o que sei fazer.

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As Emoções Básicas (crónica) VIII

Escaqueirar Cartago

Odeio polémicas á portuguesa, pois parece que quem fala mais alto é quem tem sempre razão. Depois, os argumentos são como as cerejas, vem sempre uma atrás da outra e, quando damos por nós, engolimos o cesto todo, o prato está cheio de caroços e a barriga perigosamente farta.
Vem isto a propósito de uma alegada polémica com Pedro Sales, de Zero de Conduta, que viu grande indignação no meu texto sobre a apreensão de uma revista satírica que insultava o príncipe herdeiro espanhol. E, vai daí, já estou metido num tema de capa e espada, com argumentação monárquica à mistura e gritos de Delenda est Cartago.
Repito: na minha modesta opinião, a liberdade de expressão não é um direito absoluto e não está acima da liberdade de ninguém, seja ele príncipe ou plebeu.
É apenas isto, meu caro Pedro Sales, que escrevo naquela crónica. É uma opinião que tenho há muito tempo. Julgo que, infelizmente, o exercício da liberdade de expressão é um poder a que nem todos têm acesso e, por isso, não se trata exactamente de um direito (ou apenas de um direito), mas sobretudo de uma responsabilidade. Ou seja, a quem o exerce exige-se que cumpra o seu dever.
As polémicas blogosféricas são interessantes porque as pessoas gostam de ter sempre razão e, acima de tudo, porque a leitura dos supostos adversários é muito ligeira, aflorando vagamente o que está efectivamente escrito. É como quem visita o museu de ciência natural. O Luís Naves escreve isto, ergo, deve ser uma criatura assado.
Penso que o método dedutivo não será o mais correcto, pois faz lembrar aqueles cientistas que analisam as partes do elefante: um deles descobre a tromba e conclui que se trata de uma serpente; outro, a pata, por isso não duvida de que se trata de uma árvore; o terceiro investiga a cauda e determina que estamos perante um cão.
No fim do percurso, fico colado a uma polémica sobre homossexualidade (juro que nem percebi bem, apesar de ter lido várias vezes para tentar descodificar). Trata-se de um assunto sobre o qual não tenho nenhuma opinião estruturada ou que valha a pena partilhar com leitores.
Serve afinal esta crónica para deixar claro que não me agradam muito estas polémicas à portuguesa, devido ao ruído e ao facto de se discutir sobretudo a espuma das causas e nunca a sua essência.
Aqui, o que me incomoda é a leveza dos argumentos. Imagine o Pedro que o expunham publicamente num enxovalho daqueles, para mais humilhada também uma pessoa amada. Não sentiria indignação? Acha que isto é apenas uma questão de republicanos ou monárquicos? Ou uma simples equação sobre os limites da liberdade de expressão?

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Show Business

Antigamente, bem ensinados, levavam-nos de autocarro e vestidinhos de branco para o Estádio Nacional. Para venerar o regime. Agora, paga-se a uma agencia de comunicação, ou de casting e cria-se o “acontecimento à medida. Sinal dos tempos!

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Liberdade e má conduta

Caro Pedro Sales

A respeito do seu acintoso texto que me mereceu a maior atenção, permita-me três observações:

1 - Na minha modesta opinião, as caricaturas a Maomé foram um nítido abuso da liberdade de expressão. Coisa de gente malcriada e blasé, de quem herdou a liberdade sem esforço, para quem a paz e a sopa na mesa é um dado adquirido.
2 – Não percebo com que sentido é que o Pedro mistura homossexuais com republicanos ou monárquicos. Há-os com certeza proporcionalmente nas duas facções politicas. Volto a afirmar que não julgo ninguém pelas suas inclinações sexuais. (Confesso que em termos meramente abstractos me irrita um pouco a imagem do republicano à antiga, todo engomado, de bigode e chapéu, mas isso passa depressa com um “passou bem”).
3 – Finalmente, acredito que a liberdade de expressão é um bem demasiado precioso, e por tal devemo-nos sempre indignar quando são cometidos abusos. Nada mais.

Com consideração,

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Segunda-feira, Julho 23, 2007

Os posts também se oferecem

Ofereço este post ao amigo João Villalobos, visto ter gostado de o ler. É todo seu.
E ainda leva um sonoro chuac em cada uma das bochechas.
*
Mais do que palavras
Há expressões da moda, de todos os tempos, cómicas, brejeiras, que usamos mais, que nunca usamos, que nos prendem, simpáticas, de que gostamos ou de que não gostamos mesmo nada.
É sobre estas últimas que me apetece escrever. No top mais das mais parvas está a expressão "Quem sabe...?" , substítuida por vezes pelas expressões "talvez um dia", "nunca se sabe", "o futuro o dirá", "o futuro a Deus pertence", etecetera, etecetera.
Quem utiliza a expressão "Quem sabe..", sabe muito bem que isso significa "nunca", "jamais" ou "em tempo algum", que funciona como uma espécie de paliativo para amortecer o que fica por dizer. Não falo de lotarias ou jogos de sorte. Aqui não "entra" sorte nenhuma, as palavras são proferidas intencionalmente como gotas alucinogéneas que criam a ilusão de que nada é definitivo. É uma expressão que serve para empatar e que tem os seus efeitos em almas vulneráveis, incautas e tantas vezes ingénuas. "Nunca se sabe..." : falso, nada mais falso. Ou melhor, uma grande ficção adocicada ou embalada com vistoso laçarote mas com o interior vazio. "O futuro o dirá...": expressão idiota que permite a germinação de situações dúbias, contorna compromissos e cria limbos de esperança ou expectativa na maioria dos casos completamente infundadas.
As infecções tratam-se com antibióticos e não com produtos naturais. O placebo serve muito bem como indutor da sugestão e tem o efeito psicológico que favorece uma ilusão subjectiva, mas não cura coisa nenhuma. O problema reside se queremos ou não acreditar e convém não esquecer que nem Deus nem o "futuro" têm sede nem impressos para reclamações.
O ideal mesmo seria que as palavras viessem com livros de instruções. "Nunca se sabe" o que se poderia evitar.

Detesto ter razão

Há poucos dias, escrevi com o apoio do texto do Raúl Vaz que Menezes se candidataria a presidente do PSD e seria o único a disputar a liderança com Marques Mendes. E acrescentei que LFM sairia novamente derrotado. Daqui a mais uns dias se verá. Algumas vezes, detesto ter razão. Outras, nem por isso.

As Emoções Básicas (crónica) VII


A caricatura

O João Távora já mencionou aqui o tema da caricatura “infame” do príncipe herdeiro espanhol, desenho que um juiz mandou apreender. Concordo com aquilo que o João escreveu e com o uso da palavra “infame” para descrever os desenhos e a inqualificável intrusão no espaço privado das vítimas.
Para alguns comentadores, a liberdade de expressão é o direito mais importante que existe. Estas pessoas usam geralmente um argumento curioso, segundo o qual a decisão do juiz de apreender a revista satírica é errada e um inqualificável atentado à humanidade e arredores. Porque, segundo estas opiniões, dizer mal dos poderes, de todos os poderes, é a questão essencial.
Claro que estes opinadores não pensam na liberdade do príncipe. Na liberdade de poder partir o focinho ao engraçado que o desenhou a ele (Felipe) e à sua esposa, numa circunstância que qualquer um de nós acharia “infame”, se fosse connosco. Aliás, os comentadores nunca pensam: “e se fosse comigo e com aqueles que eu amo?”
Falo por mim: teria muita vontade de partir o focinho ao estúpido.
É engraçado que este debate surja num país onde o respeitinho sempre foi o mais importante. Claro que os que defendem a liberdade de expressão como direito absoluto (e cimeiro) logo viram o bico ao prego, afirmando que a decisão judicial é errada pois devia prevalecer o direito de criticar ou dizer mal dos poderosos.
Tenho aversão aos argumentos geralmente usados neste tipo de debate, pois ficam sempre ao lado do essencial. Se a liberdade, incluindo a de expressão, fosse um direito absoluto, existia uma espécie de lei da selva, que é o mesmo que dizer a lei do mais forte e do mais poderoso. Felipe teria de partir o focinho ao cómico, algo que não precisa de fazer porque há tribunais e juizes que defendem a intimidade do príncipe, com as respectivas decisões judiciais.
Ninguém tem o direito de violar o meu espaço íntimo. A minha liberdade é tão sagrada como a liberdade de outra pessoa qualquer, independentemente da posição que cada um de nós ocupa na escala do poder.
Da mesma forma, ninguém tem o direito de violar o espaço íntimo do príncipe, pois isso será uma redução inqualificável da sua liberdade. Felipe é poderoso? Sim. Deve ser transformado em vítima por isso? É evidente que não.
Isto vai sempre dar ao mesmo: a liberdade de expressão não é apenas um direito e, sobretudo, não é um direito absoluto. É acima de tudo um poder e uma responsabilidade.

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Os foragidos de São Bento (3)

Há nesta lista um pormenor que me intriga acima de tudo: o que se passará no círculo eleitoral do Porto, que leva tanta gente a desertar? Já de lá zarparam nada menos que onze deputados: Fernando Gomes, Carlos Lage, José Luís Carneiro, Oliveira Martins, Braga da Cruz, José Manuel Ribeiro (PS), Marco António, Carlos Pinto (PSD), Castelo-Branco, Pires de Lima (CDS) e Teixeira Lopes (Bloco de Esquerda). Democratas-cristãos e sociais-democratas já nem sequer conservam em São Bento nenhum dos eleitos em 2005 pelo Porto. A tradicional aversão nortenha à capital não pode explicar tudo, até porque alguns dos mencionados são tão portuenses de origem como eu sou da Lourinhã...

Os foragidos de São Bento (2)


Ainda percebo que se faça como Cravinho, que abalou para o BERD, ou como Pina Moura, que abichou o cobiçado cadeirão da Media Capital. Agora quando se troca o lugar de deputado na Assembleia da República por um tachinho fajuto, como presidente do Instituto do Consumidor, ou por uma função aparentemente muito mais desgraduada, como o poleiro de vereador nas câmaras de Castelo Branco ou Portimão, ficamos com uma ideia nítida da noção que os nossos eleitos têm de serviço público. Os eleitores revelam uma crescente tendência para mandá-los às malvas de eleição em eleição? Nada mais natural. Nada mais salutar.

Os foragidos de São Bento (1)

Vem hoje estampado, no Correio da Manhã, o principal motivo que leva os portugueses a virarem cada vez mais costas às urnas: 83 dos 230 deputados eleitos em Fevereiro de 2005 já mandaram bugiar o hemiciclo, trocando-o por actividades presumivelmente de maior prestígio e putativamente mais rendosas. Aqui ficam os nomes de alguns dos foragidos, acrescidos das funções que os levaram a dizer adeuzinho a São Bento:
FERNANDO GOMES. Eleito pelo PS (Porto). É agora administrador da GALP.
JOSÉ MANUEL RIBEIRO. Eleito pelo PS (Porto). É agora presidente do Instituto do Consumidor.
HENRIQUE TRONCHO. Eleito pelo PS (Évora). É agora presidente da EDIA - Alqueva.
JOÃO CRAVINHO. Eleito pelo PS (Faro). É agora administrador do Banco Europeu de Desenvolvimento.
DIAS LOUREIRO. Eleito pelo PSD (Lisboa). É agora presidente não-executivo da Sony Ericsson para a Península Ibérica.
PINA MOURA. Eleito pelo PS (Guarda). É agora presidente da Iberdrola e administrador da Media Capital.
PIRES DE LIMA. Eleito pelo CDS (Porto). É agora presidente do conselho de administração da Unicer.
LUÍS BRAGA DA CRUZ. Eleito pelo PS (Porto). É agora administrador do grupo italiano ENI.
GUILHERME D'OLIVEIRA MARTINS. Eleito pelo PS (Porto). É agora presidente do Tribunal de Contas.
NUNO MORAIS SARMENTO. Eleito pelo PSD (Castelo Branco). Dedica-se à advocacia.
CARLOS LAGE. Eleito pelo PS (Porto). É agora presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional da Região Norte.
VÍTOR CRUZ. Eleito pelo PSD (Açores). É agora gestor do grupo açoriano Bem Saúde.
ÁLVARO CASTELO-BRANCO. Eleito pelo CDS (Porto). É agora vice-presidente da Câmara Municipal do Porto.
JORGE COELHO. Eleito pelo PS (Lisboa). Dedica-se a actividades empresariais.
CRISTINA GRANADA. Eleita pelo PS (Castelo Branco). É agora vereadora da Câmara de Castelo Branco.
EUGÉNIO MARINHO. Eleito pelo PSD (Braga). É agora vice-presidente da Câmara Municipal de Fafe.
MARCO ANTÓNIO COSTA. Eleito pelo PSD (Porto). É agora vice-presidente da Câmara Municipal de Gaia.
LUÍS CARITO. Eleito pelo PS (Faro). É agora vereador da Câmara Municipal de Portimão.
RUI CUNHA. Eleito pelo PS (Lisboa). É agora presidente da Santa Casa da Misericórdia.

Mais dez motivos para gostar de Portugal (V)


CASTELO NOVO.

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Coisas que me passam pela cabeça

As mulheres trocam depressa o sentido da realidade por meia dúzia de galanteios. Aos olhos de um sedutor isso é divertido, estimulante e enternecedor.

'Bora lá fazer bebés


Francamente não entendo esta proposta de suposto «incentivo» à maternidade, em troca de uns patacos. Os quais, diga-se, nem para um pacote dos grandes de fraldas Dodot chegam. É obvio qual o único caminho a seguir, isto se queremos realmente contrariar a quebra avassaladora da taxa de natalidade: Instaurar, e já, a poligamia.
Dir-me-ão que tal solução só satisfaria os ricos e seria financeiramente incomportável para a classe média, sem falar dos ainda menos abonados. Errado. O sistema que proponho passaria por uma obrigatoriedade, imposta pelo Estado, de cada empresa subsidiar (através de uma percentagem correspondente à sua verba publicitária) a Associação de Famílias Numerosas. A diferença seria que, em lugar de promover essa instituição obsoleta que é a família monogâmica, a associação passaria a ser a entidade gestora das comparticipações aos pais e mães mais produtivos e com menores rendimentos. Por exemplo, através da comparticipação em todos os gastos relacionados com as crianças e o pagamento integral das pensões de divórcio às ex-mulheres, coisa que naturalmente já preocupa um homem quanto mais se multiplicar a esposa por (vá lá) aí umas sete.
De acordo com as minhas contas, Portugal poderia chegar ao final do século no mínimo com uma população equivalente à de Espanha, desde que o novo sistema não fosse apenas extensivo a esposas de nacionalidade portuguesa. No que diz respeito aos homens, a questão nem se coloca. Só os nossos genes poderão assegurar a ligação histórica com o nosso glorioso passado, a qualidade da reprodução e as linhagens futuras. Aguardo uma resposta por parte dos decisores (e decisoras, pois está claro) a esta minha proposta, certo como estou de que a mesma só poderá recolher opiniões favoráveis e respostas céleres por parte das entidades competentes.

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A minha táctica

Depois de muito ponderar, decidi não avançar para a liderança do PSD. Assim, posso continuar a ganhar tranquilamente dinheiro na iniciativa privada e comprar uma terceira casa de férias no Algarve, o meu quinto BMW e o jeep Cherokee que a minha mulher há tanto tempo me exige. Vou armar em desportista para Baqueira-Beret e em intelectual para o Festival de Salzburgo. Volta e meia, concedo uma entrevista a dizer que isto como está não pode ser e dou as minhas receitas para vencermos o atraso. Mas não desisti da vida pública. Decidi apenas esperar pelo momento certo. Examinei atentamente o exemplo de Sá Carneiro e aprendi que não posso cometer os mesmos erros. Se ele tivesse sabido esperar, não teria fundado o partido, entrava para o PS e se calhar teria sido o sucessor de Soares. Por isso, espero pelas eleições de 2009 e, se as coisas correrem bem, o PS ganha e o Mendes deverá cair. Bem, o mais seguro é mesmo o Sócrates renovar a maioria absoluta, porque assim o Mendes não se aguenta de certezinha e então entro eu como salvador do partido. Lá para 2013 ou 2014, deverei ser primeiro-ministro e aí é que vocês vão ver como se governa este país. Isto, é claro, se eu e o partido ainda estivermos vivos e se ainda houver alguma coisa para governar.

Domingo, Julho 22, 2007

Libertinagens de conveniência

Eu por mim até já estou calejado. Em nome da sacro-santa liberdade de expressão alheia, desde sempre e sob o patrocínio do regime, testemunhei conformado, nos media, às mais impunes e gratuitas provocações à minha fé e outras causas desalinhadas. E diz-me a experiência que qualquer reacção piora sempre as coisas, é melhor nem ligar. Há muito que conheço o valor da minha liberdade em confronto com a das vozes do regime. Mas com o tempo ganhei imunidade e indiferença. Valem-me as minhas convicções, e também o exemplo de Cristo.
Vem isto a propósito do caso das infames caricaturas dos Príncipes Filipe e Letícia publicadas em Espanha. E não é que a fecunda liberdade de expressão de nuestros hermanos comoveu desde logo alguns nossos tolerantes e laicos republicanos? Foi o caso de Ferreira Fernandes com a sua ironia ao lado de quem, no mesmo DN, o caricaturista porno Vilhena (sem link) quase se revela um sensível conservador.
Mas cá no quintal só se promove a respeitabilidade num sentido: o devido aos senhores do regime e seus venerandos símbolos. Experimentem só xingar da bandeira da república, ou gozar com a licenciatura do nosso primeiro ministro...
De resto, imagine-se a indignação da "inteligenzia regimental", se uma perversa publicação doméstica parodiasse os nossos estimados Aníbal e Maria naqueles realíssimos preparos... Não tinha mesmo graça nenhuma, pois não?!

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Os nossos ex

“Não acredito que nasçam mais crianças porque o Governo sobe o abono de família durante o segundo e terceiro ano de vida da criança, de 20 para 30 euros” – Concordo!

“Eu acho que se deve incentivar as empresas a construírem equipamentos de apoio às crianças” – Sim, claro!

“Via com melhores olhos que se começasse a falar mais de trabalho no domicílio, da possibilidade de horários laborais flexíveis e do trabalho a tempo parcial. Isso dava mais resultados (relativamente ao desejável aumento da taxa de natalidade)” – Não tenho grandes dúvidas!

“A flexigurança exige não só dinheiro, como uma cultura comportamental quer de empresários, quer de trabalhadores, que infelizmente cá não existe” – Pois, isto aqui não é a Suécia!

“Onde eu não acho que haja necessidade de mais flexibilidade é nos despedimentos. Se os despedimentos não fossem flexíveis, não tínhamos 500 mil desempregados” – Absolutamente!

“Estão a laborar sobre um conceito muito perigoso, que é o “despedimento por incompetência”. O que é a incompetência? Podemos estar a entrar no plano da pura discricionariedade” – Eu não diria melhor!

“A nossa competência resulta também das condições que nos são dadas e do contexto laboral” – É isso!

São declarações de Bagão Félix numa entrevista ao DN de hoje, a que já me referi aqui em baixo. Numa segunda leitura constatei que eu e ele estamos de acordo nisto tudo, o que não é pouco. Não posso dizer que seja uma experiência nova, esta sintonia. Na verdade é muito forte a sensação de déjà vu, e não acredito que aconteça só comigo: é sempre tão fácil concordarmos com os nossos ex!! (Falo de ministros, é claro!)

Flexicoerência


Hoje, em entrevista ao DN, Bagão Félix diz que vai “ficar com alguma curiosidade em saber como é que o Governo vai rever o Código do Trabalho”. E recorda: “Na altura da minha revisão, o PS votou contra e o actual ministro, que era deputado, disse: “Um dia que sejamos Governo vamos repor tudo aquilo que o senhor tirou aos trabalhadores”.
Percebe-se que o ex-ministro da Segurança Social do Governo de Durão Barroso esteja a seguir esta situação com o maior interesse: “Estou bastante curioso por saber o que se vai passar”, sublinha. Acredito. Eu também estou muito curiosa. Aliás, arrisco a dizer que no ponto em que as coisas estão, há mesmo muita gente que está morta de curiosidade, a começar pelo eleitorado do PS.

Não julgueis para não serdes julgados

Paulo Portas, tom grave e carrancudo, de gravata escura, fala no fim do Conselho Nacional da sua moribunda agremiação. Para dizer o quê? Que o CDS apresentará queixa judicial contra o Estado por sucessivas violações do segredo de justiça que terão afectado gravemente (alega ele) o desempenho eleitoral do partido. Nada menos de "24 violações nos últimos 40 dias", queixa-se.
Espantosa ironia do destino: este é o mesmo Paulo Portas que dirigiu O Independente. Precisamente o jornal que fez manchetes garrafais, anos a fio, sobre casos que se encontravam supostamente ao abrigo do segredo de justiça. Traz-me isto à memória as sábias palavras de Jesus, citadas no Evangelho: "Não julgueis para não serdes julgados, pois, conforme o juízo com que julgardes, assim sereis julgados; e, com a medida com que medirdes, assim sereis medidos." (Mateus, 7, 1-2)
Nunca um texto bíblico se apropriou tanto a Portas e ao CDS, partido que se diz de inspiração cristã...

Domingo

Evangelho segundo São Lucas 10, 38-42

Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me». O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».

Da Bíblia Sagrada

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Gostei de ler

O mistério dos presidentes lobotomizados. Do Miguel Castelo-Branco, no Combustões.
Paula Teixeira da Cruz de cabo-de-esquadra. Do Coutinho Ribeiro, n'O Anónimo.
Motivos para preferir Marques Mendes. Do José Gomes André, no Bem Pelo Contrário.
A entrada de autocarros em Lisboa. De José Medeiros Ferreira, no Bicho Carpinteiro.
Idiossincrasias. Da Laura Abreu Cravo, no Mel com Cicuta.
Desenvolvimento? De Joaquim Cerejeira, na Linha do Horizonte.
Laços de desamor e abandono. Da Isabela, n'O Mundo Perfeito.
Algum abandono. Do André Moura e Cunha, no In Absentia.
Literatura e fantasma. Do Sérgio Lavos, no Auto-Retrato.
Alexandre O'Neill - Uma Biografia Literária. Do Henrique Fialho, na Insónia.
Panorama desastroso. Do Eduardo Pitta, no Da Literatura.

Tertúlia literária (206)

- O que achas do Saramago?
- Mereceu o Prémio Nobel. É sem dúvida um dos melhores escritores espanhóis da actualidade.

Mais dez motivos para gostar de Portugal (IV)


BALEAL.

Sábado, Julho 21, 2007

Maravilhas de relance


O que penso dos quatro monumentos que já visitei agora eleitos entre as sete Maravilhas do Mundo? Segue a opinião.
Coliseu de Roma. Conheci-o numa visita juvenil à capital italiana, em 1978. Escusado será dizer como achei emocionante estar num local que já conhecia de filmes e das mais diversas referências históricas – ainda por cima estando tão bem preservado. Mas reitero as minhas objecções de carácter ético a esta escolha: as históricas pedras do Coliseu foram testemunhas de abomináveis crimes.
Grande Muralha. Lá estive, num minúsculo troço da muralha, 60 quilómetros a norte de Pequim, na minha primeira visita à capital chinesa, em 1991. Recordo a profusão de vendedores ambulantes da zona, a multidão que ali se aglomerava, o vento frio que se fazia sentir e sobretudo a grande inclinação da muralha, que força a escaladas íngremes, verdadeiramente inesperadas. É um prodígio de engenharia ao serviço do mais absurdo dos desígnios: manter inviolável o Império do Meio perante o suposto assalto de hordas “bárbaras”.
Taj Mahal. Sem dúvida o meu eleito deste conjunto de “maravilhas”. Desde logo por ser símbolo do amor – e não da guerra. E na verdade este singular mausoléu é de uma beleza esmagadora. Mal o avistamos ainda à distância, na cidade indiana de Agra, logo nos sentimos fascinados. Visitei-o em 1994: de então para cá não voltou a sair-me da memória.
Cristo Redentor. É o único monumento “contemporâneo” deste lote: foi inaugurado em 1931. É também - entre as Sete Maravilhas - a única referência à tradição cristã, tão fértil em obras-primas da cultura. Em 2006, quando estive no Rio de Janeiro, não descansei enquanto não embarquei no “bondinho” que me deixou no Corcovado. A estátua, em si, é praticamente irrelevante perante o cenário a seus pés que torna o Rio talvez a cidade mais deslumbrante do planeta. Só isso poderá justificar a escolha.

Quatro em sete


Já estive em quatro das novas Sete Maravilhas do Mundo: faltam-me a pirâmide de Chichén Hzá, Machu Picchu e Petra. Mas o que dizer da escolha? Pesou o argumento demográfico numa votação tão “democrática” como esta. A inclusão de apenas um monumento europeu, quando é sabido que a Europa concentra a mais vasta e deslumbrante colecção de “maravilhas do mundo”, basta para desqualificar esta escolha terceiro-mundista e politicamente correcta. O continente americano, com os seus escassos séculos de história civilizada, não pode ombrear com a milenária Europa, onde não se arranjou nada melhor do que o Coliseu (ainda por cima uma escolha eticamente duvidosa, visto tratar-se de um local onde foram massacrados milhares de seres humanos). Por mim, teria votado na Capela Sistina, por exemplo. Mas isso sou eu, que tenho a mania de remar na direcção oposta das multidões supostamente esclarecidas. Como se alguma multidão pudesse ser esclarecida...

Mais dez motivos para gostar de Portugal (III)


PENACOVA.

Por um fio

No meu bairro, de imigrantes, parece só haver um telefone público e fica mesmo na esquina de minha casa. As conversas neste telefone são estranhas, as línguas determinadas pelos fusos horários, com dramas e alegrias muitas vezes em contra-ciclo com o resto da cidade. Hoje de manhã, por exemplo, a rua estava cheia de sol e fervilhava de actividade. Pendurada no fio do telefone, uma mulher pequenina chorava. Agora, quando cheguei, a rua estava deserta. Só se via um homem com ar cansado, agarrado ao telefone a repetir "É papai. É papai. Quando puder, papai pega um avião e vai-te ver".

Sexta-feira, Julho 20, 2007

Porque hoje é sexta-feira (cont.)


Nada como começar esta (espero que ) longa série de reflexões, declarações, citações, acusações e rendições com as sábias palavras de um dos homens da minha vida:

ANTÓNIO LOBO ANTUNES (Sátira aos HOMENS quando estão com gripe):

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior, Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisanas e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sózinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

Não podia antes chamar-se Bobó?


Leio na Lusa: "O jovem lateral-direito Pedro Correia, emprestado pelo Benfica, é o oitavo reforço do Olhanense, da Liga de Honra em futebol, para a época 2007/2008." Sinto a minha identidade usurpada. Um gajo que usa o meu nome e o meu apelido não consegue melhor do que jogar na Liga de Honra! Mas isto ainda é o menos... Pior é o fulano ser do Benfica, que se dignou "emprestá-lo" aos de Olhão (dúvida existencial da semana: haverá olheiros em Olhão?). Acreditem: custa mesmo a digerir. Ele não poderia ter um nome normal de futebolista - chamar-se Kaká ou Bobó?

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Cascais ruled! Grande abraço Mané, Nunos, resto da malta.

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Dasein*

Este dia está a tornar-se demasiado longo. Acabei de ler a biografia de Victor Espadinha e não tenho obra substituta à altura. Descobri que vou pagar à minha dentista o equivalente ao orçamento de um pequeno país (por exemplo a Madeira). O post prometido pela nossa Teresa tarda em chegar. Houve um debate no Parlamento, o que também não contribuiu para que sinta um particular sentido para a minha vida ou a emoção de jubilosa alegria por estar-no-mundo. Aborreço-me, enfim. Só o comunicado aos accionistas do BCP, assinado por José Manuel Rodrigues Berardo, me iluminou a manhã. Aqui, umas portas ao lado da minha, alguém colocou uma marquesa que é um sério convite à sesta. Ora bem.
*Título roubado a Martin Heidegger, esse grande maluco

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Perigosas seduções

(...) Acenam os traidores iberistas com o dinheiro, o "bem-estar" e outras tentadoras ofertas de riqueza sem esforço, pensando tolamente que os espanhóis pagariam o atraso, a desorganização e o chupismo proverbial das nossas elites desmioladas. A dar-se a união, essa seria duplamente penalizadora. Os vestígios da soberania passariam de Lisboa para Madrid, a elite portuguesa reduzir-se-ia a elite regional, sem capacidade para agir em conglomerado na defesa das suas parentelas, clientelas e conhecido tráfico de influências. Por outro lado, o Estado central tudo faria para reconstruir a memória colectiva, fragmentando-a em localismos exóticos em constante luta. (...)

Ler tudo: Miguel Castelo Branco - Combustões

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Dia K


Kate Winslet

Mais dez motivos para gostar de Portugal (II)


CANIÇADA.

Porque hoje é sexta...


Ripostar com a publicação de fotos com mancebos em pose viril sempre me pareceu uma grande falta de imaginação. Por isso andei durante umas semanas a fazer experiências, mas sentia que ainda não era bem aquilo. Finalmente hoje fez-se luz. Melhor do que olhá-los como objecto é pensá-los. Contra a exibição primária de pernas e bunbuns (a via que eles naturalmente escolheram), proponho duas ou três linhas com notas de reflexão (pronto, pronto, nada impede que os textos não venham às vezes acompanhados de fotos...) sobre o nosso assunto preferido. Caras leitoras do Corta-Fitas, a partir de hoje estão abertas as hostilidades. Daqui a pouco lançarei o meu postezinho das sextas... Eh!Eh!Eh! (Me aguardem!)

«A nod and wink culture»

Lá, como cá Há certas coisas que estão destinadas a ficar em águas de bacalhau. «Quite extraordinary»? Indeed.

Depois da Autobiografia "My life"...

O próximo livro de Bill Clinton vai chamar-se “Giving: How Each of Us Can Change the World.” É sobre cidadania e vai estar à venda a partir de 4 de Setembro. A primeira edição, da editora Knopf, terá uma tiragem de 750 mil exemplares. Coisa pouca… Uma percentagem das vendas vai ser doada a instituições sem fins lucrativos.

Oftalmologista, precisa-se

Esta sexta-feira estou a ver a dobrar.


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Quinta-feira, Julho 19, 2007

Os tugas (28)


- Detesto o nome que tu e o pai me puseram, mãe.
- Querias ter outro?
- Nenhuma das minhas colegas se chama assim!
- Como é que elas se chamam?
- Débora, Cátia, Irina, Cheila, Natacha, Vanessa, Solange, Marcela, Ágata, Soraia, Tatiana... Isso é que são nomes giros!
- Mas que mal tem o teu nome?
- Não gosto, prontos. Sofia! Nome de cota: onde é que já se viu?

Uma escrita feliz

Nalguns comentários aos meus modestos escritos mais “intimistas” aqui no Corta-Fitas, fui encontrando reacções adversas à minha “irritante” escrita “feliz”. Essas críticas acusavam-me de uma visão parcial, ou enviesadamente superficial da realidade. Uns comentários apaguei, outros não; mas até julgo entender bem essa má vontade: a herança do velho pessimismo romântico gerou uma ditadura estética, muito difícil de contornar. A descrença, o sarcasmo e a ironia são motes totalitários dos quais poucos autores escaparam com vida. De facto, “dizer bem” nos dias que correm é difícil, não vende. E no fundo podemos sempre desconstruir uma atitude nobre, um bom sentimento, decompô-lo em partes mesquinhas de modo a não comprometer os parâmetros. No outro extremo, a aberração, o grotesco, garante o sucesso do espectáculo, e relativiza a mediocridade estabelecida.
Em minha defesa, salva-me a mediania da minha escrita, a despretensão da minha existência. Ironicamente, as minhas obvias limitações literárias libertam-me de quaisquer desses deveres ou compromissos estéticos: uso a escrita por motivos profissionais, e estou nos blogues por mero divertimento.
Influenciável, durante a minha prolongada adolescência, empenhadamente alimentei a descrença e a melancolia. Mergulhado nos neuróticos fluidos rosados dos anos 70, durante muito tempo não dispensava a choraminguice de Roger Waters, os murmúrios alucinados de Lou Reed, os selváticos esgares de Patty Smith, ou uma triste balada de Nick Cave. Isso é que era cool. O Homem era mau, a guerra fria condenara-nos a todos, e a culpa era toda do pai. E o fim do mundo era já amanhã, facto que desde logo resolvia tudo. Entretanto ia bebendo da mais negra literatura, de génios como Capote, Camus, Steinbeck ou Malraux até quase perder o pé naquela escuridão. Não havia revolução, não havia resolução, antes uma natureza sem sentido. Existencialmente irrequieto, um dia deixei-me ir ao fundo do meu umbigo - o sítio mais desinteressante do universo. Quando voltei, muito mais tarde, cheguei diferente.
Porque não temos que ser obrigatoriamente infelizes. E porque a depressão é uma luxuosa patologia burguesa. O maior dos egoísmos, um enorme enfado.
Hoje, não tenho grande pachorra para o narcísico pessimismo militante. Tal e qual como a oposta euforia, ambas são perspectivas extremas da realidade, no mínimo inverosímeis. Entendo muito bem o potencial romanesco dum carácter misantropo, amargurado, bipolar. É a adrenalina de caminhar no arame, sobre o vazio, sempre pleno... de angustiadas emoções. Bem jogado, com algum charme, pode ser bom para o engate, um manancial de sedução. Assim se construíram muitos mitos e venerados ídolos do século XX. E depois, o pessoal acasala melhor enroscado, assim, cúmplice contra o mundo, românticas vitimas dos outros... sempre “dos outros”, num opaco limbo irreal.
De facto, a minha vida não produz um romance, não tem heróis ou moinhos de vento. Responsável pelas minhas escolhas, vivo numa família grande e agitada, filhos e enteados, que me fazem a vida negra ou me encantam até aos píncaros. É uma vida normal, um empenhado projecto de compromissos e fidelidade, premissas hoje tão mal vistas e pouco excitantes. Mas este é já um amor quase antigo, construído de rituais e de quotidiano, tantas vezes monótono e feito de acontecimentos singelos. Com os miúdos, os tachos, os sogros, a mobília... e tantos ruídos já tão familiares. Como quando o pequenote, de olhos esbugalhados, se encontra a primeira vez com o mar a seus pés. Ou quando, ensonado a meio da noite, encontro o olhar pisco e sereno do meu amor, sentado ali com o bebé ao colo... seguro. Imagens bonitas onde tudo ganha outro sentido. Um significado ainda maior. Estados de Graça que eu gosto de registar, para nunca esquecer.
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Um agradecimento especial ao Jorge Lima, ele sabe porquê.

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Postais blogosféricos

1. Excelentes questões aqui levantadas pelo Eduardo Pitta. Há uma certa esquerda que só se preocupa com os trabalhadores... dos outros. Lembremo-nos do despedimento colectivo que marcou o fim do jornal comunista O Diário.
2. Este texto foi escrito 45 dias antes da eleição em Lisboa. Não é para me gabar, mas bateu tudo certo. Tudo não: o Manuel do Bexiga afinal acabou por não fazer rir a malta.
3. O Amigo do Povo, um dos meus blogues favoritos, reforça-se. Quer tornar-se ainda melhor. Só posso aplaudir.
4. A Geração Rasca estraga-nos com mimos. Mas sabem certamente que nós retribuimos da mesma forma.
5. É uma despedida que só posso lamentar: a Helena retira-se da blogosfera, fechando os seus Tristes Tópicos. Mas não lhe digo adeus. Só até já.

Mais dez motivos para gostar de Portugal (I)


DORNES.

O GAVE diz que não é grave


Apesar dos erros dos enunciados nos exames de Física e Química da 1ª fase e agora nos de Biologia, o GAVE – Gabinete de Avaliação Educacional – do Ministério da Educação, responsável pela gestão do processo de realização dos exames, considera “elevada” a qualidade das provas. O Ministério da Educação, itself, também classificou de “positiva” a operação dos exames nacionais (ler tudo aqui).Nós também estamos positivamente maravilhados com isto tudo. E com os erros que aparecem sistematicamente nos manuais escolares, e com os lapsos que nos outros anos também vão sempre aparecendo nos enunciados dos exames e sobretudo com os resultados de “elevada” qualidade obtidos pelos estudantes. Prova de que nada disto é g(r)ave.

Tertúlia literária (205)

- Viste como estava a Helena Roseta quando foram conhecidos os resultados da eleição em Lisboa?
- Vi bem como ela estava. Alegre.

Gostava de saber


Chama-se Mónica e é a cara chapada da irmã, Penélope Cruz. Alguém, entre as nossas leitoras e leitores espalhados pelo mundo, me dá mais alguma informação útil? É para uma boa causa, como o são todas as que me beneficiam.

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Do dicionário (5)

Tugocépticos - Indivíduos de nacionalidade portuguesa que, sabe-se lá porquê, confiam mais nas instituições europeias do que no seu próprio governo ou Parlamento.
(Ontem o Eurobarómetro revelou que portugueses confiam mais nas instituições europeias do que nas suas)

Leiam o Raul


Porque ele sabe o que diz: «Já se percebeu que Mendes vai durar até 2009» escreve o Raul Vaz no Jornal de Negócios. É claro que vai. Rio «reserva-se» como escreve o Raul. «Manuela hesita» mas parece-me que - a essa sempre eterna carta de qualquer baralho que é Ferreira Leite - tem dado mais jeito passar pelos pingos da chuva do que tomar posições claras e inequívocas (veja-se o sucedido com a campanha de Fernando Negrão). «Sarmento avalia», mas certamente avaliará que o domínio de Mendes da estrutura do partido não lhe dá margem de manobra para uma reaparição prematura. «Marcelo tem mais que fazer». Não sei se terá, mas se há alguém que não está disposto a ser mais uma vez "gestor do intervalo" e protagonista de um filme com castings errados é ele. Pedro Santana Lopes, esse, ainda não falou. Imagino que pesará se apoia este ou aquele. Porque avançar, não avança com certeza. Ainda há demasiadas marcas do passado recente que não lhe permitem essa veleidade. E Menezes? Bem, Menezes parece que avança. Já perdeu antes, vai perder outra vez. Talvez acredite que com cada derrota ganha mais um bocadinho, dando um passo à retaguarda e dois em frente. Talvez. Seja como for, vem aí um remake do Norte contra Sul. Contam-se os soldados e os coronéis. Os generais, esses, assistirão à batalha a uma confortável distância, de binóculo e a cavalo.

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Ai sim?!

Marques Mendes, ontem na SIC Notícias, começa a entrevista assim: "Eu não acho propriamente que o partido esteja em crise".

Às vezes um advérbio de modo vale mais do que mil palavras...

Quarta-feira, Julho 18, 2007

Holla!

A silly season, a mim, dá-me uma trabalheira. Só assim se explica que não me tenha apercebido atempadamente da declaração de Saramago sobre Portugal e Espanha e do seu casamento no dia seguinte com uma espanhola. A mim não me calha nada bem estar no dote antes de ir de férias, mas deixem-me passar um pouco de corrector de olheiras e estarei fresca para quando a Dona Pilar vier passar revista aos indígenas.

Má disposição

Recebi isto como exemplo da tensão pré-menstrual masculina. A expressão é obviamente descabida e uma contradição nos termos. Cá para mim, há um passado qualquer na história do casalinho que este curto filme não conta (o que não invalida que se deva ser gentil com os bichinhos, por mais elevados que sejam os índices da testosterona).

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Retaliação


Tive uma ideia brilhante, passe a modéstia: Bute fundar um movimento de cidadãos para retirar a cara de Saramago no Martinho da Arcada. Então o homem quer ser espanhol e ter uma mesa dele no Martinho ao mesmo tempo?! Mas que é isto? Não se pode ter o Sol na eira e a chuva no nabal. Todos juntos a melgar a gerência para o rebaptismo da referida mesa. E é já. Senão, desato a dizer a toda a gente que servem batatas fritas congeladas (o que aliás não deixa de ser verdade).

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Por minutos, pensei que estava a ler a Caras

«Rosete e Carmona excluem-se de entendimentos permanentes». Antetítulo do DN.

Organizem-se!

«Marques Mendes conta com apoio de cavaquistas». Título do JN.
«Cavaquistas querem Rui Rio a liderar o PSD». Título do Público.
Confusos? «You won't be, after the next episode of...Soap»!

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Doce Figo

Apesar de Cristiano Ronaldo, José Mourinho, Durão Barroso ou José Saramago já serem suficientemente internacionais, o nosso país continua a ser o Portugal de Luís Figo.


-Where are you from? Italy? Spain?
-Portugal.
-Portugal? Oh! Luís Figo!

Fim de emissão

Já várias pessoas, inclusive neste blog, me tinham aconselhado a mudar de estação, sobretudo quando eu reclamava do teor dos noticiários da TSF. Tinham razão, mas a verdade é que nos viciamos e, há já não sei quantos anos, ligava a TSF de manhã, enquanto tomava o pequeno-almoço e ia ouvindo as notícias. Mas na sexta-feira tive uma overdose e decidi desintoxicar-me. É que no último dia da campanha eleitoral em Lisboa, no noticiário das 10 h, que deve ser dos mais ouvidos, havia uma notícia que simplesmente anunciava aquilo que António Costa prometia realizar em Lisboa até Setembro, se fosse eleito. (Diga-se de passagem que algumas das medidas que fixei, nomeadamente da proibição do estacionamento em fila dupla e em cima dos passeios, me parecem boas e tomara que sejam postas em prática).
A notícia terminou e eu fiquei à espera das promessas de outros candidados, não digo dos 12, mas pelo menos de alguns, ou de comentários de outras candidaturas, ou de qualquer coisa, mas nada. Passaram tranquilamente para outro assunto e não se falou mais da campanha de Lisboa até ao fim do noticiário.
Não sei se fizeram esta transmissão de "tempo de antena" de propósito ou por incompetência, mas seja o que for, trata-se de muito mau jornalismo. Desde então, decidi desligar-me de uma estação que ouço desde que foi fundada e mudei para o Rádio Clube Português. Eu sei que o Luís Osório é assumidamente de esquerda, que o João Adelino Faria, que conduz as manhãs do Rádio Clube, também deve ser (pelo menos, sobretudo em termos de política internacional, fiquei com essa impressão do seu trabalho na SiC Notícias, mas posso estar enganado). Porém, até agora, não tenho nada que reclamar e o nível dos noticiários parece-me muito melhor. Adeus TSF.

Terça-feira, Julho 17, 2007

Ao Nuno Sá Lourenço


Parabéns pelo teu Henrique, nascido dia 7. É mais um bebé Corta-Fitas!

Tributo

Lisboa, Campo d'Ourique
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Para a pergunta: Que trouxeste da Croácia?

Da ida até à Croácia (Zagreb e Dubrovnik) trouxe a cara do jovem americano que, de mochila às costas, procurava, rua acima, rua abaixo - e sem grande resultado - o hostel onde tinha marcado dormida para essa noite; o pianista do restaurante Poklisar, a quem pedimos que tocasse a música Moon River; a simpática e energética Rosa, que nos vendeu os bilhetes de barco para visitar diferentes ilhas (Sipan, Lopud, Kolocep); o capitão das mãos grandes que conduz um leme mínimo e nos conta ter um amigo na ilha Lopud que viveu 10 anos na zona da Boavista e hoje tem uma loja de recordações turísticas chamada, precisamente, Boavista; o filho adolescente do capitão, cuja voz não oiço mas imagino; o rosto do namorado russo da minha amiga Maria - de quem eu só tinha visto uma fotografia – que reconheço numa fila do aeroporto de Frankfurt; o casal sexagenário romeno, que nos fala da visita que vão fazer à Madeira e do Amor de forma ainda entusiasmada.
As viagens, no fundo, não passam de rostos que trazemos na bagagem.
E o teu, esse, vai e vem sempre.

Um bom motivo para se gostar de Espanha


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As 3 amigas


A Joana, a Teresinha e a Rita são umas chatas do pior. Já não suporto ouvir aquelas vozinhas irritantes e assépticas de queques e o seu «há coisas fantásticas, não há?». Agora, a TV Cabo lançou um casting para substituir as três meninas por outras. Leio no DN que há já mais de 1.400 candidatas, entre as quais serão escolhidas doze e, depois, vão ser todas sujeitas a uma votação final «cabendo ao público escolher». Deste modo, o pagode em casa poderá pontuar - sentado na poltrona a salivar enquanto coça os ditos - qual o trio final composto pelas moçoilas mais jeitosas, com mais carnuncha e detentoras de vozinhas provavelmente tão nhó-nhós e insuportáveis quanto as suas predecessoras. Imagino que no lugar da Joana, da Teresinha e da Rita vão surgir a Marta, a Isabelinha e a Carlota. Assim como assim, ninguém notará a diferença.
Adenda: As meninas são intocáveis. Recebi uma chuva de telefonemas de pessoas estimáveis que vociferavam a sua incompreensão quanto a este post. Pessoas - todas elas homens, é evidente - que nunca tinham dado sinal de vida sobre qualquer dos milhares de disparates que escrevi. Pronto, peço desculpa. Eu janto convosco, Joana, Teresinha, Rita. Há lobbies poderosos neste país, é o que é.

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O regime em queda livre

Isto agora não interessa nada, mas aqui entre nós, a vertigem dos apaniguados do regime tornou-se delirante. Foi o que se viu com os despudorados festejos do Partido, que apesar dos dois terços de abstenção em Lisboa festejou a vitória do Dr. Costa com uma manifestação encenada por uns quaisquer figurantes recrutados noutras paragens. Sem verdade, sem vergonha. A credibilidade é nula, e o desprezo do país pelas instituições medra, medra... como o egoísmo e a irresponsabilidade. O exemplo vem de cima.
Por mim, também não festejo este lento e progressivo desmantelamento dos mitos da República, que de caminho vulgariza valores fundamentais como os da Liberdade e da Democracia. O meu ardente desejo é que a politica se centre em ideais e nos valores da ética e do serviço à Pátria. Esta é a única maneira de relançar da auto-estima nacional, e calar os Saramagos, mercenários e outros “devoristas” da nossa praça. A prazo essa é a única fórmula eficaz de preservação da nossa estimada liberdade. Portugal anseia por Heróis, para que a história nunca acabe. E os partidos na oposição têm por certo mais uma oportunidade.

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Hora de mudança


Os partidos portugueses com representação parlamentar mostram bem o estado a que chegámos. O Bloco de Esquerda, passado o efeito novidade, vive de uns fogachos mediáticos inconsequentes e até Sá Fernandes conseguiu baixar de votação em Lisboa. O PCP continua na sua luta para sobreviver, aproveitando umas migalhas, aqui e ali, do descontentamento social com o Governo. O CDS ou acabou ou está perto disso. O PS só agrada ao círculo de interesses que roda em torno do Governo e aos militantes mais seguidistas.O PSD tem uma direcção que acaba de cometer um erro fatal em Lisboa, deitando abaixo a principal câmara do país antes do meio do mandato, por razões que se vão revelando cada vez mais incompreensíveis, dividindo o seu eleitorado e mesmo os seus militantes (eu, por exemplo, votei em Carmona).
Voltamos o olhar para a presidência da República e não vem de lá nada que se aproveite. Cavaco, fora uns “recados” que só analistas políticos e outros cientistas parecem compreender, ou não percebe o que se passa com o país de que é chefe de Estado ou finge não perceber.
Como é evidente, do PS não se pode esperar nada nos próximos tempos. O melhor que tinha para apresentar, com a sua “histórica” maioria absoluta, já está à vista de todos. A “renovação” do centro-direita protagonizada por Paulo Portas não durou nem três meses. Perante isto, ou o PSD muda e apresenta uma alternativa credível, com os seus melhores quadros a se deixarem de uma vez por todas de calculismos e a terem consciência de que já chega de andar a ganhar dinheiro nas empresas, nos bancos, na advocacia e mais não sei aonde e a dedicarem algum do seu literalmente precioso tempo ao país, ou então um dia destes somos ultrapassados pela Albânia em qualidade de vida.
Eu gostaria que fosse Rui Rio a representar essa alternativa. Se não for ele, que venha Manuela Ferreira Leite ou Aguiar Branco ou alguém com categoria para ser líder do PSD e futuro primeiro-ministro. Se não, se for para manter este estado de coisas, prefiro deixar de me enganar a mim próprio achando que o PSD é um partido diferente e melhor do que os outros e vou alegremente tratar da vidinha.

Vinte motivos para gostar de Portugal (XX)


VILA VIÇOSA.

Segunda-feira, Julho 16, 2007

Postais blogosféricos

1. Volto a chamar a atenção para o blogue do meu amigo Luiz Carvalho, grande repórter fotográfico do Expresso. O Instante Fatal, com inspiração de Cartier-Bresson.
2. Um abraço ao Luís Carmelo, pelo quarto aniversário do seu Miniscente.
3. As Letras e Manias chegaram ao fim. Só posso lamentar.
4. Alguém me explica o que se passa na Minha Rica Casinha, de portas fechadas desde 14 de Junho?
5. O Luís Tito abriu uma barbearia. E não lhe faltam clientes.
6. A essa já respondi há uns dias, Afonso. Mas voltarei a responder. De outra maneira.

Forte com 29%, fraco com 51%

Vital Moreira critica aqui os jornalistas que não transformaram os 29 pontos percentuais de António Costa numa vitória esmagadora. Esquecendo-se de que ele próprio, em Janeiro de 2006, considerou "politicamente fraca" a vitória de Cavaco Silva, com 51% nas presidenciais. O Adolfo Mesquita Nunes, que tem boa memória, põe a nu as contradições do catedrático.

Este ficou a rir-se...


... e estes dois também


Melhor do que muitas sondagens

Acertámos ao lado? Nem por isso. Na "sondagem" que até há pouco tivemos aqui na montra, António Costa foi o vencedor, embora por margem um pouco inferior à que obteve em Lisboa: 23% (menos seis do que a percentagem recolhida nas urnas). Carmona Rodrigues ficou também em segundo, neste inquérito do Corta-Fitas, com uma percentagem muito próxima da que recolheu junto dos eleitores da capital: 15% (teve 16,7% nas urnas reais). Muito diferente foi a terceira posição, que no inquérito cá de casa pertenceu a Manuel Monteiro: 13% - a mesma percentagem obtida por Helena Roseta. Os nossos leitores foram muito mais generosos com o líder do PND do que os eleitores, que quase o ignoraram. Mas a candidata independente andou muito perto do que aqui se previu: apenas menos 2,8%. Seguiram-se Sá Fernandes, com 11% (6,8% no domingo), Fernando Negrão, com 9% (15,7%), Ruben de Carvalho, com 6% (9,5%) e os outros cinco, incluindo Telmo Correia, com 10% (Telmo só obteve 3,7%).
...............................................................

Agora fica só o registo dos votos aqui entrados ao longo das últimas semanas:

Costa 267
Carmona 174
Monteiro 157
Roseta 152
Fernandes 133
Negrão 103
Ruben 67
outros 123

Participaram 1176 leitores. O novo inquérito aí está, na nossa barra lateral, sobre o tema político mais escaldante do momento. Podem começar já a votar.

A isto chama-se ter mau vinho

Portugal pode vir a ter que arrancar 17 mil hectares de vinha. Para o ministro da Agricultura, Jaime Silva, "não há nenhum problema nisso". Até quando vamos ter que aturar este homem do bigodinho?

Vinte motivos para gostar de Portugal (XIX)


MARVÃO.

A democracia e o mercado

Discordo profundamente desta perspectiva liberal de que a prática da cidadania se insere numa mera lógica de “oferta e procura” estimulada (ou não) pelos políticos da circunstância. Por tudo o que se joga, estes não podem ser comparados à “companhia de teatro" que não consegue seduzir os espectadores à sua plateia, como refere Pedro Lomba na sua crónica de hoje no Diário de Notícias.

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E o vencedor é...



O grande vencedor destas eleições é José Sócrates: A vitória de António Costa não foi expressiva e isso é óptimo para o líder do P.S. Por outro lado, a estratégia de ataque ao Governo saiu pela culatra ao PSD e provocou um ciclo de disputa interna no partido, o que é excelente para o Primeiro-Ministro. Tirando ele, Carmona Rodrigues e Helena Roseta são os únicos que têm genuínas razões para festejar. Em relação ao primeiro, no entanto, é preciso aguardar os desenvolvimentos dos processos em curso para comprovar se afectarão a vereação do ex-Presidente ou, em alternativa, para que a mesma possa fazer uma «limpeza» face ao passado. Já quanto à segunda, nada a dizer. Ultrapassou os votos comunistas e ainda elegeu Manuel João Ramos. Não sabemos ainda quanto custaram os seus outdoors, mas já podemos avaliar os seus benefícios.
Quanto aos perdedores, apenas isto a acrescentar ao que muitos já disseram: A direita preferiu a praia do Gigi e outros destinos quejandos no Algarve. Depois não se queixe. Não falando já da irrelevância de Manuel Monteiro, o PP e Paulo Portas sairam profundamente afectados e somam uma crise a outra crise. O PP arrisca-se a ser, não um partido do táxi, mas um partido cacilheiro. Que viaja de margem em margem, para cá e para lá, em piloto automático e sem passageiros a bordo.

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Lá vai Lisboa

O PS ganhou e ganhou bem. Sem a maioria absoluta que António Costa pediu ao longo de várias semanas, é certo, mas com o maior resultado do partido sem coligações em 31 anos. O facto de ter seis e não sete vereadores, como as sondagens mais optimistas pareciam atribuir, é que vai tornar o equilíbrio altamente instável, ainda para mais com uma Assembleia Municipal dominada pelo PSD. Costa precisa de ir buscar três vereadores para fazer a maioria, pelo que Helena Roseta (que conseguiu dois) não é solução. Só se estiver acompanhada por Ruben de Carvalho (CDU), que tem outros dois vereadores. O acordo que muitos dizem existir com Carmona Rodrigues, que elegeu três vereadores, parece-me pouco plausível. Talvez em várias matérias Costa se vire para o independente, só que o acordo não será mais que isso.
Até porque Carmona Rodrigues teve um resultado que pode potenciar nestes dois anos, se souber gerir os seus impulsos e fizer uma caminhada inteligente, Em 2009, no pós-Marques Mendes, poderá mesmo ser o candidato natural do PSD e constituir um perigo para Costa e o PS.
Fernando Negrão e o PSD conseguem três vereadores e o pior resultado de sempre em Lisboa (pior que Macário Correia). O partido perde a Câmara de Lisboa, entrega-a ao PS e perde cinco mandatos no executivo. Negrão, é preciso dizê-lo, fez uma campanha esforçada, embora muito marcada pela falta de conhecimento dos "dossiers". Foi praticamente lançado às feras por esta direcção do PSD, que ainda por cima se absteve de o ajudar e de aparecer em campanha. É triste.
Marques Mendes, ao antecipar as directas para a liderança do partido, julga estar a ter uma jogada de mestre, quando tudo não passa de mais um golpe de algibeira para tentar eternizar-se à frente do PSD. Com o partido controlado administrativamente através dos "pins" para o pagamento de quotas, Mendes julga ser impossível ser afastado do poder interno, que na verdade, e ao contrário do que o próprio diz, é a única coisa que o move. A única garantia de haver eleições livres e genuínas no PSD é se todos os militantes puderem votar, independentemente de terem ou não as quotas pagas por multibanco num acto de vulgar caciquismo. Ou então Mendes deve revelar a quem se apresente a jogo os "pins" e números de militante aos seus adversários internos, sejam eles Luís Filipe Menezes, José Pedro Aguiar-Branco ou Nuno Morais Sarmento.
No CDS, Telmo Correia esteve bem ao reconhecer a enorme derrota que o partido teve em Lisboa, ao não conseguir eleger sequer um vereador. Um partido que há não muitos anos deteve a presidência da CML com o saudoso Nuno Krus Abecasis. Já Paulo Portas apenas convocou um Conselho Nacional para reflexão, ignorando que na Madeira e agora em Lisboa se provou que a sua reencarnação como lider do CDS não irá correr bem. Nunca se deve voltar a um lugar onde já se foi feliz. Portas só não tem a liderança em perigo porque o CDS na realidade já não existe como partido, tratando-se agora de uma pequena agremiação "portista", onde se discute mais o tom das gravatas e os berloques dos sapatos do que se faz política. Aquela gente prefere tentar copiar Portas do que servir o País. Não irão longe.
Manuel Monteiro, ao ter um resultado abaixo do PNR de Pinto-Coelho, deveria também decretar a extinção do PND. O teatro que garantiu um deputado na Madeira não pegou em Lisboa, pelo que se prova que a malta de direita, por cá, gosta pouco de folclore. O PPM, com um fadista marialva completamente vazio, mostrou que os monárquicos estão fora daquele partido e que devem encontrar formas de ser organizarem fora deste sistema que não os compreende. Antes de mais, devem procurar a proximidade com a sociedade civil e não com um sistema que se está a revelar caduco e a necessitar de uma urgente revitalização. Os resultados de Carmona, de Roseta e o de Alegre nas presidenciais são sinais disso. Da vontade de muitos, à direita e à esquerda, quererem novas formas de intervenção política.
Uma abstenção como a que ontem se revelou é um péssimo sintoma para a democracia. Mais que um afastamento dos cidadãos com a política, é uma doença do sistema que tem que ser atacada.

Cinco notas sobre a noite eleitoral

1. A grande taxa de abstenção é um fortíssimo cartão amarelo mostrado pelos eleitores à classe política. A toda ela, sem excepção. Um cartão mais do que justificado.

2. Os dois candidatos independentes, Helena Roseta e Carmona Rodrigues, somaram 27 por cento. Uma percentagem que deve fazer reflectir a classe política. Não só em Lisboa: no País também.
3. Paulo Portas regressou há três meses à liderança do CDS a pretexto de levantar o partido. Só conseguiu afundá-lo ainda mais. Com o pior resultado de sempre em Lisboa. Ribeiro e Castro está vingado.
4. O PSD ofereceu de bandeja a vitória eleitoral ao PS na mais apetecida câmara do País. Por clamorosos erros estratégicos de Marques Mendes que em tempo útil foram denunciados em toda a parte (até aqui). Mendes só tem uma solução: sair sem mais demora.
5. Este resultado demonstra que a maioria teimosamente mantida na Assembleia Municipal de Lisboa, sendo legítima em termos formais, tornou-se ilegítima em termos políticos: a vontade dos eleitores mudou, a AM também devia ter ido a votos. A sua presidente, Paula Teixeira da Cruz, agarrou-se ao lugar, recusando ser escrutinada. Nota zero para o seu comportamento político.

Domingo, Julho 15, 2007

Dia de sombra

O nível de abstenção é escandaloso. O eleitorado lisboeta deu hoje, no que diz respeito à democracia, ao futuro da Polis e ao destino dos seus cidadãos, um vergonhoso sinal de desinteresse e egoísmo. Bem podem alguns chamar-lhe cartão vermelho aos políticos, aos partidos ou ao que for. Não basta. O que explica esta fuga às urnas, num dia sem Sol, é tão somente a falta de civilidade. Depois da capital, segue-se o País. Democracia? Um dia destes, ainda nos arriscamos a acabar todos à sombra de outra coisa qualquer.

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6 coisas que me chatearam nestas autárquicas

1 Abstenção. O Tuga não quer mesmo “saber”, a não ser que venha para a rambóia na cámineta do partido com as despesas pagas, "a mais" ao garrafão. Houve quem levianamente rezasse ao S. Pedro para que nos levasse o Sol, o que, como se viu, não serviu de nada. É o “sistema” posto em causa e uma brecha no regime.
2 – A eleição de Sá Fernandes, o socialista de esquerda (!). O anti-sistema a mamar do “sistema”.
3O PSD e o seu Negrão. Foi o que se viu, a noite das facas longas é já daqui a pouco. Uma telenovela a não perder, nos meses que se seguem.
4 CDS. Um partido inteiro a meter água, esvaído de ideias... e de pessoas. E aqueles cartazes que eram um susto!
5 – Um país cor-de-rosa. Com a da direita em autofagia, e uma mãozinha do 5º poder, a jacobinada vai tomando conta do "sistema". O problema é que o “sistema” já tresanda...
6 – Ver a bandeira portuguesa da monarquia arrastada nas mãos dum imbecil, como se este símbolo nacional fosse um mero franchising para obtenção de resultados... pessoais.

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Que falta de pontaria!

José Manuel Mestre, esta noite, entrevistando os apoiantes do PS que iam chegando ao hotel Altis:
- Então de que bairro são?
- Nós viemos de Famalicão, de camioneta.
- Ah, a convite do PS local?
- Pois...
Passa a outros:
- De onde vêm?
- Nós viemos do Teixoso...
Terceira tentativa:
- Nós? Viemos de Cabeceiras de Basto.
Quarta tentativa:
- Somos da Bobadela.
O infeliz repórter da SIC tencionava fazer uma inocente cobertura da festa de António Costa e acabou, involuntariamente, por apresentar um curioso apontamento de reportagem sobre as manobras de bastidores da máquina do PS, que para assegurar uma presença em força de “lisboetas” na festa do seu candidato, não hesitou em organizar umas excursões um pouco por todo o País...

Tudo a cair à volta de Mendes, diz Pacheco

José Pacheco Pereira já deu o tiro de partida, há poucos minutos, na SIC Notícias. Vindo de quem vem, o tiro é certeiro e os seus estilhaços vão certamente fazer muitos feridos:

"Sem dúvida que é um péssimo resultado para o PSD, com consequências políticas e partidárias"

"Se se confirmarem os resultados correu tudo mal a Marques Mendes"

"Não há nenhuma vantagem de estar à frente de um partido quando tudo cai à nossa volta"

Breve ponto da situação

  • Há um ano, António Costa teria certamente outros sonhos.
  • A próxima notícia é o ressurgimento de Nuno Morais Sarmento e de Pedro Santana Lopes (aliados) e o drama de Marques Mendes.

Case study


Quando Carmona Rodrigues anunciou que se recandidatava à CML eu, como muito boa gente, convenci-me de que ele se iria arrepender amargamente dessa decisão. Mas contra todas as expectativas Carmona saiu destas eleições com um honroso segundo lugar. Como é que se interpreta isto? Para mim é um mistério. Um fascínio. A prova de que os portugueses têm idiossincrasias absolutamente espantosas, que se revelam quando menos esperamos. Como povo não somos assim tão previsíveis, como às vezes gostamos de pensar. Gosto disso. Os povos demasiado previsíveis são entediantes.

Os bolos do nosso contentamento

Já estava à espera que a ASAE fosse inspeccionar a venda de bolas de Berlim e de línguas de sogra na nossas praias. Parece que não têm licenças de vendedores ambulantes. Não têm, e pelos vistos, de acordo com a notícia, não podem ter porque a capitania acabou com elas. Mais, a venda ambulante "está proibida no concelho desde 1983" de acordo com a Câmara de Almada. Não percebo nada.
Acredito que muitos deles não tenham condições mínimas de higiene para esta actividade sazonal, mas juro que nunca vi ninguém preocupar-se com isso quando chega a fome ou a vontade pura e simples de comer uma bola de Berlim ou uma bolacha americana à beira-mar. Pelo contrário, vejo caras lambuzadas, mas nunca barrigas indispostas.
Por falar nisso, o que comia agora era um pacotinho de pevides. Dos que se compram na rua, claro.

Tertúlia literária (204)

- Há que anos não te via! Por onde tens andado? Desapareceste...
- Não, tenho estado por cá. Parece-me que lês demasiados policiais.

Os tugas (27)

Circular lentamente com o sinal verde, acelerar perante o amarelo e passar com o vermelho. É certinho.

Tea time

E enquanto muitos dos Corta-Fitas trabalham ......


Só eu sei porque não fico em casa?

Às duas da tarde só tinham votado 20% dos eleitores inscritos no Liceu Pedro Nunes. Sendo StªIsabel uma freguesia-tipo, é provável que a abstenção total àquela hora fossem os tais 80% que faltam.
Sem querer interromper as últimas reflexões, aviso já que, durante dois anos, não vou tolerar lamúrias sobre Lisboa a ninguém que tenha preferido ficar em casa a fazer não sei o quê. E não me venham com falta de informação sobre as propostas dos candidatos - pelo contrário, as pessoas de fora de Lisboa é que se podem queixar de overdose de notícias sobre um tema que não lhes diz respeito - nem de falta de identificação com os candidatos porque, desta vez, há para todos os gostos e alguns bem bons.

Às vezes a vida cabe numa só frase

O André Moura e Cunha andou há tempos a compilar algumas das mais memoráveis aberturas de obras que marcaram a história da literatura. Na altura, dei também o meu contributo. Apetece-me, já fora de tempo, voltar ao assunto. Para assinalar aqui o inesquecível parágrafo de abertura que Paul Nizan escreveu em Aden-Arábia: “Eu tinha vinte anos e não permitia que ninguém dissesse ser essa a mais bela idade da vida.”
Conheço há muito esta frase. Desde os meus vinte anos. E nunca cessei de concordar com ela. Nizan – que viria a suicidar-se em 1940, com apenas 35 anos – sabia muito bem o que dizia. Há palavras que nos parecem vir do fundo da alma de um escritor. Estas que citei, por exemplo. Palavras tão antigas como o confim dos tempos e tão actuais como o sol desta manhã.

Domingo

Evangelho segundo São Lucas, 10-25-37

Naquele tempo, levantou-se um doutor da lei e perguntou a Jesus para O experimentar: «Mestre,que hei-de fazer para receber como herança a vida eterna?» Jesus disse-lhe: «Que está escrito na lei? Como lês tu?» Ele respondeu: «Amarás o Senhor teu Deuscom todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo». Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem. Faz isso e viverás». Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: «E quem é o meu próximo?»
Jesus, tomando a palavra, disse: «Um homem descia de Jerusalém para Jericóe caiu nas mãos dos salteadores. Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-noe foram-se embora, deixando-o meio morto. Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante. Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar,viu-o e passou adiante. Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte, tirou duas moedas,deu-as ao estalajadeiro e disse: ‘Trata bem dele; e o que gastares a maiseu to pagarei quando voltar’.
Qual destes três te parece ter sido o próximodaquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?» O doutor da lei respondeu: «O que teve compaixão dele». Disse-lhe Jesus: «Então vai e faz o mesmo».

Da Bíblia Sagrada

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Vinte motivos para gostar de Portugal (XVIII)


COSTA NOVA.

Jazz


Na sexta-feira, fui ver um concerto do saxofonista Joshua Redman ao Parque Palmela, onde hoje termina o Estoril Jazz, e voltei de lá de bem com o mundo. Não posso pedir mais nada à minha música preferida. Redman faz parte de uma geração que, depois dos exageros do "fusion", jazz-rock, da ECM e de experimentalismos vários nos anos 70 e 80, reconciliou o público com o jazz no início dos anos 90, de alguma maneira recuperando o espírito do "bebop".
Já tinha visto Joshua Redman, neste mesmo palco, em 1994, com um quarteto de jovens músicos fabulosos, então desconhecidos, com Brad Mehldau ao piano (poucas vezes um músico, sobre o qual nada sabia, me impressionou tanto), o contrabaixista Christian McBride e o baterista Brian Blade. Depois disso, vi mais três apresentações de Redman em Portugal, uma das quais "ao desafio" com o também saxofonista Branford Marsalis (que, há que dizê-lo, ainda brilhou mais do que ele) e confirmei o carácter excepcional da sua música, quer interpretando clássicos quer músicas da sua autoria.
Agora, ele veio apresentar o seu novo disco "Back East" e não precisou de se socorrer de standards (nos primeiros discos e concertos isso acontecia) para arrebatar-nos com sua música alegre e contagiante. Ao contrário do que fazia nesse período do início dos anos 90, em que descobria o jazz com entusiasmo, mas em que caía em demasiada intelectualização, em comparar virtuosismos instrumentais, em ler o que diziam os compêndios, recebi a música de Redman com uma descontracção que me mostrou que estou mais sábio.
Desta vez, Redman veio com o excelente contrabaixista Reuben Rogers e um baterista extraordinário, Antonio Sanchez, mas temi a ausência do piano. Porém, o entendimento entre eles foi tão perfeito que não foi preciso mais nada. Há muito tempo que a música não me dizia tanto. À saída, numa loja instalada numa tenda, comprei de enfiada cinco discos antigos de jazz. Só ao chegar a casa reparei que eram todos de saxofonistas e não foi por coincidência. Andava distraído com outras músicas, mas depois deste concerto estou de volta ao jazz. Ao jazz que se faz hoje, no meu tempo.

Sábado, Julho 14, 2007

Gostei de ler

Dia de reflexão nacional. Do Carlos Abreu Amorim, no Blasfémias.
Ah, minha querida Lisboa. De Sofia Vieira, na Controversa Maresia.
Só falta uma chapelada. Do Rui Costa Pinto, no Mais Actual.
Jornalismo 1 - Procuradoria 0. De António de Almeida, no Direito de Opinião.
A Comissão para a Idiotia Total. De Sofia Loureiro dos Santos, em Defender o Quadrado.
Oito maneiras de responder a um funcionário. Da Vera Carvalho, na Geração Rasca.
Deselogio das aspas. De Rui Bebiano, n' A Terceira Noite.
Coisas de fim-de-semana. Do Helder Robalo, no Pensamentos.
Cansei do Inverno. De Sérgio Lavos, no Auto-Retrato.
Um filme de terror. De Rui Albuquerque, no Portugal Contemporâneo.
Quatro dias e meio, cinco livros. Do José Bandeira, no Bandeira ao Vento.
Voltas da vida. Da Isabel, na Miss Pearls.

Os tugas (26)


Viagem de comboio Faro-Lisboa, no Alfa pendular. Princípio da tarde: quatro amigos do Entroncamento, sexagenários já reformados, foram almoçar à capital do Algarve e regressam à terra. Durante três horas, só falam de comida. E em voz bem alta: toda a gente na carruagem os escuta.
Alguns excertos:
A – Aqueles carapauzinhos e aquele arrozinho estavam de estalo!
B – E o porco preto também.
C – Só fiquei sem saber se era porco ou era porca.
(todos riem)
D – Valeu a pena virmos almoçar a Faro. Agora havemos de ir a Beja. Um gajo come lá, perto da estação, e volta. Uma açorda à alentejana, um ensopado de borrego...
A – E aviamos antes um pratinho de caracóis. Com orégãos, à alentejana.
C – Tem é de ser à sombra, para não derretermos.
(todos riem)
B – Eh, pá! Quando é que vamos almoçar à Farmácia? Dizem que é o melhor restaurante do País. E que tem um vinho branco de Amarante que é um espectáculo.
C – Onde é?
B – Em Matosinhos. O gordo do Preço Certo diz que é muito bom.
D – Ele deve ir lá muita vez!
(todos riem)
A – Então sempre se faz a sardinhada na terça-feira?
C – Claro que sim. Vamos reunir o grupo...
A – Vão o Mesquita, o Vasco Pedreiro, o Zé Maria Lavrador. Posso convidar o meu amigo Trindade e o meu compadre Canaca.
D – Eu levo vinho. Tenho lá vinho bom bom bom. Cinco estrelas.
B – Batatinha nova também é preciso levar?
C – Eu levo o café.
A – Eu combino aqui com o Pratas e vamos comprar as sardinhas ao Pingo Doce. Tenho que saber quantas são. Não convém comprar a mais, para não se estragarem.
B – Cinco a cada um chegam.
C – Eu como cinco ou seis, não mais.
A – Então compram-se cinquenta sardinhas: pode aparecer mais um voluntário... E cinco quilos de batatas.
B – Eh, pá! É melhor alugares uma camioneta.
(todos riem)
A – E para que horas se marca aquilo?
D – A sardinha é muito indigesta. É melhor ser ao meio-dia.
C – É conveniente arranjar tomate também?
A – Vou à praça comprar uma broazinha.
B – Ó Rodrigues, e um Serra da Estrela?
A – Faz-se uma sopinha também, se for preciso.
D – Para a sardinha não se leva cerveja, só vinho. Disso trato eu. Tenho lá do bom! Tira-se a rolha e parece champanhe.
C – Eu levo uns pastelinhos de bacalhau.
B – Isso pede cerveja. Eu levo umas cervejinhas.
A – A gente depois lava a loiça. Tenho lá um avental...
B – Tens lá um avental?! És algum maricão?
(todos riem)

Vinte motivos para gostar de Portugal (XVII)


ÉVORA.

A inevitabilidade de Deus

(...) Porque é abertura ilimitada à totalidade do ser, o fracasso do Homem provém de pensar que pode realizar-se num simples fragmento do real: o sexo, o dinheiro, o poder. Ao elevar o fragmento à totalidade, contradiz-se a si mesmo no seu ser verdadeiro. (...)

Na íntegra: "Transcender e Dinâmica Religiosa" Padre Anselmo Borges no Diário de Notícias

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Aprender a vida toda

Hoje de manhã, pela primeira vez, o José Maria foi à praia. Cuidadosamente, sentei-me com ele à beira-mar. Debaixo do seu panamá, abriu de tal modo os olhos brilhantes que por momentos receei cair lá dentro.

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Hoje não me digam nada!


Estou a pensar em como tudo começou, em como vai acabar e no papel que vou ter no meio disto tudo. Como manda a lei!

Sexta-feira, Julho 13, 2007

E quem não salta?


Liguei, sem querer, a televisão na SIC Notícias, coisa que um jornalista em férias deveria estar proibido por lei de fazer (qualquer dia estamos), e qual não foi o meu espanto ao esbarrar com os comícios de encerramento de Fernando Negrão e de António Costa. Nem queria acreditar no que via. De um lado, Fernando Negrão entra num palco aos saltos com um hino mais próprio dos campos de futebol ("e quem não salta... é do...), antecedido por um Marques Mendes sem chama (como diz o nosso Pedro, ele já sabe que vai cair, só não sabe é quando). Negrão grita "Lisboa" 300 vezes seguidas, diz que Costa vai fechar a Portela, o IPO, vai acabar com a Orquestra Metropolitana de Lisboa e promete acabar com uma empresa municipal. Hesita, faz uma pausa e solta o nome: Gebalis. A mesma empresa que foi tutelada nos últimos dois anos por um membro da sua lista, que aliás é quadro da mesma. Como o candidato do PSD não irá ganhar a CML, o tal membro da lista consegue, ao menos, regressar ao quadro da Gebalis, que não será extinta. Logo a seguir vejo uma tirada à Negrão. Depois de estar a falar durante pouco mais de um minuto e meio, diz que está a sofrer "do fenómeno Jerónimo de Sousa" e que está sem voz. A coisa fica por ali. Sem ideias, sem voz, fica tudo dito.
Antes de desligar a televisão ainda espreito António Costa a correr para o repórter de serviço, a passar pela sua mandatária da juventude (num elegante vestido encarnado) e a parar em frente às câmaras. Desconhecendo que a emissão está no ar, Costa põe a camisa dentro das calças, ajeita cinco vezes as golas da camisa, passa a mão pelo cabelo e endireita os óculos. O que vem depois não interessa. Desligo, com a certeza de que irá pedir uma maioria absoluta, irá falar no Parque Mayer e da ligação ao Jardim Botânico, irá falar na Baixa-Chiado e de como Lisboa tem desprezado a cultura. Quando os partidos políticos têm desprezado Lisboa há anos.

Homens!


Li, um dia destes, esta citação de Oscar Wilde num jornal: “A felicidade dos homens casados depende das mulheres com quem nunca se casaram”. A Wilde, que até tinha outras inclinações, perdoa-se o cinismo, mas aos eventuais subscritores, que até usam aliança no dedo, o que apetece mesmo é ajustar-lhes o nó da gravata com muiiiita força, num gesto de boa vontade e compreensão de que só o coração feminino é capaz! Não acham?

Lisboeta à força

O Carlos Abreu Amorim, recenseado bem longe de Lisboa, não vota. Mas deram-lhe dois dias de reflexão. Ele explica aqui o que acha da insólita oferta.

Publicidade: Por detrás das máquinas



"Life's too short for the wrong job"
No Elba Everywhere

Eis a questão

"Lisboa está suja porque Lisboa é suja ou porque os lisboetas a sujam?" Uma excelente questão levantada pelo Francisco José Viegas, em comentário ao que aqui escrevi.

Tertúlia literária (203)

- Leste aquele livro do Saramago até ao fim?
- Não consegui. Pus ponto final naquilo.
- Foi chato teres feito isso, pá.
- Porquê?
- O Saramago detesta pontos finais.

Qualquer dia vai tudo para a fogueira

Tem chamada de capa no DN de hoje: O álbum Tintim no Congo foi proscrito das prateleiras de livros infantis em Inglaterra. Acusada de racista, pela Comissão pela Igualdade Racial da Grã-Bretanha (CRE), esta história de BD infantil, desenhada nos anos 30 por Hergé, reflecte um discurso estético e politico da época. Na sua trama algo ingénua e de traços ainda primários, encontramos a realidade e os mitos de uma África profunda e atrasada (face aos cânones ocidentais). Talvez afinal Cocô, o leal amiguinho africano, também seja um sinal de submissão civilizacional. No cúmulo do tão genial quanto absurdo guião, quando os chimpanzés raptam o Milou, Tintim acorre matando com uma carabina um exemplar, para vestir-lhe a pele e deste modo imiscuir-se no seio da comunidade assim resgatando o seu fiel amigo. Um delírio. Esta sequência (que no mínimo é uma imundície), entusiasmou várias gerações de tolas criancinhas e prazenteiros adultos... racistas e desrespeitadores da natureza.
Parece-me é que este puritanismo politicamente correcto, a prazo, compromete profundamente a nossa liberdade. Esta nova e omnipresente inquisição é patética e preocupante.
Afinal, quando folheamos o Tintim no Congo com gozo, devemo-nos envergonhar de quê? Do passado e da nossa história? Ou antes das guerras fratricidas, das fomes, da escravizante degradação humana que grassa hoje no continente africano livre e independente... diante do olhar cruelmente insensibilizado, quase indiferente, do ocidental opulento, modernaço e moralista?

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Vinte motivos para gostar de Portugal (XVI)


MONSARAZ.

Sexta-feira 13


E nem um caroço de maçã à vista!

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Friday


Bar Refaeli.

QI adolescente

- Eu cá aprecio muito a inteligência. Uma pessoa inteligente cativa-me logo.
- E que qualidade sua destacaria para ser apreciada por uma pessoa inteligente?
- Não percebi.
- Dito de outro modo, imagine que aparecia aqui uma pessoa muito inteligente. Porque é que essa pessoa se interessaria por si?
- Bom, o facto de eu ter tanta estima pela inteligência é uma prova de que também sou muito inteligente. E as pessoas muito inteligentes gostam de falar umas com as outras.
- Tenho que ir andando, deixei uns tremoços ao lume.

Quinta-feira, Julho 12, 2007

Clubite à beira da piscina

A minha conversa de hoje ao almoço, à beira da piscina, enquanto olhava para o mar, arrepiou-me. Mesmo com os trinta e tal graus que se faziam sentir. Tentava explicar a uma amiga, que é de Coimbra, que ser da Académica é muito respeitoso, mas que essa conversa do seu "segundo clube" ser o Benfica é que não se compreeendia. Dizia-me que a simpatia pelo tal "segundo clube" surgiu por causa do marido (ou ex-marido) e eu, em vão, tentei explicar-lhe que não faço ideia do que possa ser essa coisa do "segundo clube", porque pura e simplesmente nunca tive nenhum. Sou do Sporting Clube de Portugal desde que me conheço. Em miúdo desenhava os carros do costume, umas pessoas com braços e pernas compridas, umas casas com chaminé, árvores e... jogadores com camisolas listadas de verde e branco. Sou assim e, ao contrário do que diz a música, não sou doente. Mas não me entra na cabeça aquela lenga-lenga sobre os "segundos clubes", em especial quando os ditos vão à final da Taça de Portugal ou coisa do género.
Expliquei à minha amiga que quem é do Sporting, pelo menos isso acontece comigo, não consegue ter "segundo clube". Acho que se pode ser do Benfica e do Belenenses (tive uma namorada que era, bem como a família toda, tudo boa gente) até porque os clubes eram só um antes da cisão de há cem anos. Pode-se ser do Porto e do Salgueiros, do Paços de Ferreira, do Leixões ou do Freamunde. Quem é da Académica é também do Porto ou do Benfica. Mas não se pode ser do Sporting e do Olivais e Moscavide, do Estoril (eu sei que o nosso actual presidente já liderou o Estoril Praia, mas há sempre uma excepção à regra), do Sassoeiros ou do Atlético. Assim como ninguém que é do Sporting tem o Belenenses como "segundo clube". Do Sporting ou se é ou não se é. Ponto final.

A realidade, agora mesmo

Intendente, 18.30

A hora de ponta é a hora maior. É quando a rua fica nervosa, os dealers medem a distância, e a praça, a poeira, os cheiros e a desconfiança tocam no fundo. Ao longe, todos tomam posição. É preciso um recanto, um esconso, o limão é podre. Não existem rostos, nem traços de lembrança. Caminha-se em frente, a raiva espetada. Ninguém vê, ninguém sabe. Os nomes são falsos, becos saturados de cansaço. Eles chegam, andam, um vai e vem, a praça é feita de centímetros. O que vale é o delírio, o esquecimento. As horas são soltas, violentas, ritmadas pela música que se ergue dos bares. O sorriso já não vale, é uma cumplicidade. Tudo vai em frente, atado, a rastejar. A hora de ponta está inquinada de fel, gesso, pó de talco e cortes de vazio.


Texto de Gito no Fora de Estrutura, a visitar para outras perspectivas.

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As sete pragas lisboetas


Nesta eleição para a Câmara de Lisboa tem-se falado só do que não interessa aos munícipes. Fala-se do aeroporto da Ota, fala-se do aeroporto de Alcochete, fala-se no currículo de um como governante, fala-se no currículo de outro como opositor ao Governo, fala-se na necessidade de punir Sócrates, fala-se na possibilidade de premiar Sócrates, fala-se nos cartazes de beltrano, fala-se nos cartazes de sicrano.
Como jornalista, interessa-me tudo isto. Como munícipe de Lisboa, nada disto me interessa. Como eleitor, mais interessado na resolução de problemas concretos do que no blablá politico-ideológico, votarei em quem me parecer a pessoa mais indicada para me livrar das sete pragas lisboetas. Que passo a enunciar.


Carros – Estacionados em segunda fila, obstruindo faixas de rodagem e tudo quanto é passeio, obrigam vezes sem conta os transeuntes a circular... no asfalto. É urgente acabar com o estacionamento selvagem.
Lixo – Toneladas de entulho amontoam-se na cidade. Sem remoção eficaz em tempo útil. É urgente pôr fim a tanto lixo.
Ruínas – Milhares de prédios lisboetas ameaçam ruir a qualquer momento. Tornando ainda mais desoladora a paisagem urbana, fazem da reabilitação uma palavra vã. É urgente eliminar esta absurda imagem de uma Lisboa pronta-a-cair.
Pichagens – Alguns chamam-lhes grafitti: eu chamo-lhes poluição visual. É urgente pôr termo a esta estúpida mania de uns quantos meninos que adoram conspurcar paredes.
Descargas – A qualquer hora, frente a qualquer estabelecimento comercial da cidade, estacionam veículos de abastecimento. É urgente estancar esta “inciativa privada”, impondo horários fixos para cargas e descargas que não façam entupir ainda mais o trânsito.
Jardins – A cidade tem alguns jardins, mas quase todos são infrequentáveis. Por terem um aspecto desleixado e deprimente. É urgente pôr um ponto final à desolação dos espaços verdes e torná-los acolhedores.
Esterco – Poder-se-ia apelar ao civismo e ao bom-senso dos lisboetas para pôr fim à caca de pombo e à merda canina em todos os recantos e todos canteiros da cidade. Infelizmente os donos dos bobis que os levam a cagar nos passeios fronteiros a casa não aprendem e as velhinhas que adoram dar milho aos pombos também não. É urgente impor coimas que façam doer. A sério.

Coisas simples, dirão. Coisas demasiado complexas, digo eu. Quero lá saber da Ota. Resolvam-me antes o que mencionei acima e cá estarei para aplaudir.

Mostrar as pe(r)nas


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Um candidato com sentido de humor

Pedro Quartin Graça concorda com a fraca nota que lhe atribuí pelo bronzeado na análise ao debate de segunda-feira, na RTP, que reuniu todos os candidatos à Câmara Municipal de Lisboa. Fala também da cor da gravata que usou nesse debate e do modo como prefere fazer a barba. Podem ler tudo nesta caixa de comentários. E registar o sentido de humor do candidato. Há cada vez menos assim.

História de algibeira (25)

Na imagem acima, o Benz da Casa Real, de 1907. Este automóvel foi utilizado pelo Rei D. Carlos e conduzido pelo motorista Luís Francisco, o "Ponta da Unha". O célebre Benz ainda serviu o Rei D. Manuel II e depois da proclamação da República, o Presidente Manuel de Arriaga. Subia envolto em densa fumarada a Calçada da Ajuda com força e potência do seu motor mas já sem o brilho e o aparato dos bons velhos tempos.

In Apontamentos Memoriais de João Pinto de Carvalho. Notas e imagem daqui

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Tertúlia literária (202)

- Gosto do Mia Coito.
- Não é Coito.
- Não é Coito?
- Não. É Couto.
- Se não é Coito, assim já não gosto tanto.

Noites de memória

São frescas as noites de Lisboa. Corre sempre um vento, uma aragem do rio, traz-se um agasalho pelo sim e pelo não, e que ainda me faz sorrir. Como tantos que vieram das terras dos alertas laranja dos tempos modernos, ainda estranho estas noites.
Para muitos, o passeio era na avenida, outros habitavam os bancos escondidos nas copas das árvores em conversas de voz baixa. Na escuridão das casas fugia-se do calor das lâmpadas e das picadas das melgas. Era assim o Verão. O dia quente que não arrefecia à noite as ruas, as casas, e o mês da praia que nunca mais chegava para nos libertar o corpo do calor.
Eu, que não sei de que terra sou, trago na memória ruas escuras das noites da minha aldeia em vozes baixas nas ombreiras das portas, à espera de um vento e do sono, para mais um dia acordado ao toque do sino e dos galos da vizinhaça. Eram tempos de poucas mudanças e muitas certezas. E o vento que não corria e o calor que fazia: "vai com Deus, Maria."


(Fotog: Esplanada Noobai e vistas para planície)

Está um calorzinho...

Será que o Verão faz aumentar nas conversas o número de diminutivos? Pode ser impressão minha, mas andam por todo o lado as saladinhas, o peixinho, a frutinha, o geladinho e até o livrinho.
Vendo bem, não corre nem um ventinho...
fotografia do BERRA BOI

Eu já, mas não consegui

«Já tentou hoje?». Título do artigo de Pedro Lomba, no DN.

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E ele? Como é que ficou?

«Costa levou Goucha às mulheres e elas ficaram felizes». Título do Público, pág. 10.

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Erle Stanley News


Os jornalistas utilizam mais vezes a palavra «caso» do que o próprio criador de Perry Mason. E olhem que Erle Stanley Gardner escrevia que se fartava.

Vinte motivos para gostar de Portugal (XV)


AZENHAS DO MAR.

Ouvir os outros

Ontem lá me liguei com o Rádio Clube Português, (através da Internet que as frequências modeladas desta estação não chegam ao Estoril) mesmo a horas para ouvir o nosso João Villalobos a comentar com o Alexandre Honrado uma série de noticias e assuntos na ordem do dia. E o melhor do programa foi mesmo ouvir o meu homónimo serenamente a falar do que sabe, nunca cedendo ao cinzentismo do politicamente correcto, da cultura de magazine imperante. Desempoeiradamente falou de Budismo sem ter de desancar o Papa, como tão insistentemente pretendia o apresentador. Falou da sua profissão, consultadoria de imagem, com pragmatismo e objectividade surpreendentes. Sem prescindir do sentido de humor. Anunciou-nos que se prepara para, uma vez mais, contrariar a generalizada infertilidade nacional, desta vez com um livro de poesia: “As mulheres bonitas não viajam de autocarro”. Prevê-se o parto lá para Setembro.
Concluindo, não foi um João Villalobos narciso, das criadas em lingerie, das Vampiras Lésbicas ou de outros irreverentes fetiches. Gosto de quando o João Villalobos prescinde um pouco das suas máscaras. E de facto nunca me incomodaram verdadeiramente os nossos diferentes alinhamentos filosóficos e opções existenciais. Antes do mais partilhamos a admiração por duas decisivas bênçãos divinas: a inteligência e... essa fatal e sempre perturbadora atracção, a beleza feminina.

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Os tugas (25)*

-Vais votar p’rá Cambra?
- Eu?! Não tinha mais que fazer, perder o meu rico tempo a votar nessa cambada de chulos, que não querem é fazer nenhum! E tu, pá? Vais votar?
- Não, no domingo não devo estar cá.
- Estás de férias?
- Não, só gozo férias em Agosto, mas a partir de amanhã meto uns dias de baixa, aproveito e dou um pulo até ao Algarve com a família.

*Pedro, depois discutimos a questão dos direitos de autor :-))

Quarta-feira, Julho 11, 2007

Assuntos internos

Se alguma vez nós, jornalistas, nos dedicarmos a assinalar o ponto negro da profissão, não tenho dúvidas de que será o Processo Casa Pia. Olhando para trás - e tentando ignorar o ruído causado pelas fontes da investigação, fontes da justiça, fontes políticas e as antigamente chamadas fontes bem informadas - a lama das notícias da Casa Pia atingiu todo o tipo de gente. Jogadores de futebol, deputados, actores, ministros, médicos, apresentadores de televisão e até o Presidente da República foram alvos das notícias das televisões e dos jornais sobre o caso. Se alguma vez a Justiça condenar todas as pessoas que, directa ou indirectamente, foram atingidas, chamem o Oliver Stone para realizar o país.
As nossas convicções pessoais e o desfecho dos casos na Justiça são irrelevantes para esta reflexão. Julgo que teremos que admitir que alguma coisa correu mal.
O processo Casa Pia deve ser o ponto de partida para pensarmos nas regras que nos devem reger e nos limites que temos que nos impor. Não tenho dúvidas de que o novo Estatuto dos Jornalistas é a resposta inevitável do sistema aos excessos do caso Casa Pia. Já tenho dúvidas sobre a resposta dos jornalistas: considerar que está em causa a liberdade de informar e avançar com a auto-regulação, ou participar na discussão dos limites e das regras para evitar que esteja em causa a liberdade de informar? Pergunto.

Para a Croácia com amizade

Foi esta maravilhosa localidade croata, Rovinj , que Julio Verne escolheu para cenário do seu romance de aventuras Mathias Sandorf, o resistente húngaro.
Há duzentos anos, um romano anónimo escrevia : "In Istria, the Roman patricians feel like gods...".
Actualmente, diz-se "We went to Croatia and all we got was this lousy T-shirt". Anyway, "Croatia is for lovers".
(Post com uma dedicatória especial)

Humor de intervenção

Sobre uma estranha espécie de pinguins que o Jorge Lima encontrou lá para a zona de Oeiras. Os seus fetiches e... a infertilidade!

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Beleza pura*

«HAL9000 um grupo italiano especializado em restauro e preservação de obras de arte, colocou na net uma gigantesca imagem de 8,6 Gigapixels de um fresco italiano de 1513, existente na Igreja de Santa Maria delle Grazie, em Varalli Sesia, na Itália, da autoria de Gaudenzio Ferrarri, um dos grandes mestres do Renascimento. O grupo afirma ser a maior fotografia de alta resolução do mundo. O resultado final é surpreendente.A possibilidade de ampliar a imagem até ao mínimo pormenor, leva o visitante a conhecer a obra de arte com um detalhe que, de outra forma seria impossível». Obrigado ao Marcelo Medeiros pelo texto e informação.
*Título roubado a Caetano Veloso

Os tugas (24)

- Então, pá, vens ou não vens?
- Vão andando sem mim, já vou lá ter. Primeiro tenho que ver se consigo tirar a porcaria de uma pastilha elástica que me ficou colada à sola.

Vinte motivos para gostar de Portugal (XIV)


PORTINHO DA ARRÁBIDA.

Tertúlia literária (201)

- Pareces deprimida... Precisas de ajuda? Empresto-te já um livro do Paulo Coelho.
- Nem penses. Fiquei assim precisamente por ter lido demasiados livros do Paulo Coelho.

Nas colunas

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Post pantagruélico

O meu amigo Réprobo desafia-me a revelar quais foram as minhas últimas cinco refeições. Nem pensar em responder-lhe. Após negociação, consegui adulterar o conceito e falar sobre cinco pratos que hoje (cada dia tem o seu paladar) deglutiria com prazer. Assim está bem. Aqui vão:
1. Uma catchupa no Melody, mais conhecido como «Bar dos Pretos» ou «o Zé Pedro», em Cascais. Só por encomenda e um segredo cascalense até agora bem guardado. Peçam o picante da casa se forem capazes.
2. O cação no Manuel Azinheirinha, no Escoural (há deputados que vão lá para almoçar, imaginem).
3. O bacalhau podre apodrecido na adega e um arroz de carqueija no Cortiço, em Viseu.
4. Os ossos do Zé Manel em Coimbra (cheguem cedo).
5. Um cantaril fresquinho no Mar do Peixe, na Aldeia do Meco.
E como isto é uma daquelas irritantes «cadeias», vou martirizar:
O Luís Rodrigues, o Rodrigo Moita de Deus, a Rita Barata Silvério, o Nuno Miguel Guedes e o Hélder Robalo, para retribuir e compensar a minha ignomiosa falta. Na minha versão de resposta ou no formato original proposto. À escolha do freguês.

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Com essa idade e ainda tanto para aprender

«É o primeiro cargo que aceito e é de borla». José Miguel Júdice

Lido hoje no D.N.

«O traseiro é um pau de dois bicos para as mulheres», pág. 7. «Pau»? «Dois bicos»? Não podia ser antes «um gelado do Santini com duas bolas»? Espera, também não soa bem...E que tal «um automóvel com airbag duplo, sendo que ambos para o passageiro»? Hmm...também não expressa a ideia da breve notícia. Enfim...concedo que não tenho alternativa de jeito. Mas, por favor, levarem no traseiro injecções de poliamida, um material que se usa no fabrico de peças de vestuário, francamente. Senhoras, tenham juízo. Nós não merecemos esse tipo de sacrifício.

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Terça-feira, Julho 10, 2007

Pôr Ordem nisto

Estou de férias e acabei por saber através de um post do João Villalobos, aqui um pouco mais abaixo, que o "Conselho Regulador" da Entidade Reguladora para a Comunicação Social já emitiu uma deliberação sobre as "questões suscitadas" pelo livro de Manuel Maria Carrilho, Sob o Signo da Verdade, publicado em Maio de 2006. Curiosa forma de funcionar esta da ERC: divulga o seu relatório em cima das eleições autárquicas de Lisboa e não ouve mais do que meia dúzia de protagonistas. De jornalistas, fica-se pelo director de informação da SIC. Eu, que fui visado numa página inteira do livro, não fui ouvido, apesar de ter sido difamado pelo autor. Bela entidade esta. Venha a Ordem dos Jornalistas e depressa. Para pôr ordem nisto e para os jornalistas passarem a ser ouvidos, nem que seja através da sua nova estrutura representativa.

Os Fernandos não são todos iguais

Com outro Fernando (Seara, em vez de Negrão), o PSD arriscava-se a ganhar a eleição de Lisboa. Mas também é verdade que Seara nunca aceitaria encabeçar a lista que Negrão aceitou.

Se as sondagens ganhassem eleições...


Parabéns à RTP. Porque foi o único canal de televisão que reuniu os 12 candidatos à Câmara Municipal de Lisboa. Só foi pena o solitário jornalista escolhido pela estação pública, na RTP N, para comentar o debate (porquê só um? E porquê um comentador... do Porto?) ter partido do princípio de que o PS já ganhou a eleição. "António Costa pode vir a escolher alguns destes candidatos para a sua equipa de vereadores", disse este jornalista, Ricardo Jorge Pinto. Como se nem valesse a pena o pessoal votar. É verdade que as sondagens dão Costa à frente. Mas se as sondagens ganhassem eleições, João Soares ainda hoje era presidente da Câmara de Lisboa.

Tara perdida

Prometo que amanhã na entrevista ao RCP não vou falar disto. Nem pronunciar a palavra proibida que começa por «cri».

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Ouçam lá

Há anos que não vejo o Alexandre Honrado. Mas amanhã lá estaremos à conversa no «Da Noite Para o Dia», no Rádio Clube Português, entre as 21.30h e as 23h. Quem quiser poderá ouvir a minha maviosa voz a perorar sobre a vida, o universo e tudo o mais (o tema de eleição para quem não tem especialidade alguma). Segundo parece terei também que comentar algumas notícias de imprensa. Valha-me Santa Bárbara, porque vai trovejar.

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Os 12 candidatos na RTP

ANTÓNIO COSTA
Sinais particulares: Só ele e Telmo Correia usavam aliança.
A frase: "É fundamental ter boas condições de governabilidade."
Bronzeado (de 1 a 10): 9
CÂMARA PEREIRA
Sinais particulares:
O mais despenteado. Apareceu sem Elsa Raposo.
A frase: "Eu e a doutora Helena Roseta ficamos aqui no cantinho à espera de poder falar."
Bronzeado: 4
CARMONA RODRIGUES
Sinais particulares:
Penso rápido no indicador direito. Gravata vermelha viva igual às de Manuel Monteiro, Quartin Graça e Ruben de Carvalho. O laranja já era...
A frase: "O túnel não é meu."
Bronzeado: 7
FERNANDO NEGRÃO
Sinais particulares: O mais grisalho. Um dos mais nervosos (não parava de rolar com a caneta).
A frase: "É preciso meter as mãos na massa."
Bronzeado: 8
GARCIA PEREIRA
Sinais particulares: O mais zangado.
A frase: "O porto de Lisboa é uma instituição feudal."
Bronzeado: 6
HELENA ROSETA
Sinais particulares: Vestida de vermelho. Não levou boné.
A frase: "Sou bem educada, não gosto de interromper."
Bronzeado: 5
MANUEL MONTEIRO
Sinais particulares: O que falou mais alto. Gravata vermelha viva igual às de Carmona Rodrigues, Quartin Graça e Ruben de Carvalho.
A frase: "Respeito muito quem é lilás e cor-de-rosa."
Bronzeado: 4
PINTO COELHO
Sinais particulares: O único de pêra. Diz "nós", como os comunistas. Usa pulseirinha efeminada (será gay?).
A frase: "Uma cidade bombardeada ou entregue a estes do costume vem a dar no mesmo."
Bronzeado: 8
QUARTIN GRAÇA
Sinais particulares: Barba mal feita. Gravata vermelha viva igual às de Carmona Rodrigues, Manuel Monteiro e Ruben de Carvalho.
A frase: "Não falei tudo o que queria."
O bronzeado: 5
RUBEN DE CARVALHO
Sinais particulares: Gravata vermelha viva igual às de Carmona Rodrigues, Manuel Monteiro e Quartin Graça. No caso dele a cor fazia mais sentido.
A frase: "Chamar à Câmara de Lisboa uma câmara falida não faz o menor sentido."
Bronzeado: 6
SÁ FERNANDES
Sinais particulares: Não parava quieto. Claramente o mais afectado por não se poder fumar nestes debates.
A frase: "Quem acha que não cumpri os meus compromissos com os eleitores não deve votar em mim."
Bronzeado: 7
TELMO CORREIA
Sinais particulares: Só ele e António Costa usavam aliança.
A frase: "A Câmara tem quase tantos assessores como o número de deputados da Assembleia da República."
Bronzeado: 8

Vinte motivos para gostar de Portugal (XIII)


MÉRTOLA.

Debate CML (3)

Uma dúvida:
A senhora jornalista dizia repicar ou replicar? É que as respostas até ao momento têm sido contraditórias: 3-1 e ganha o picar de novo.
Obrigada.

Debate CML (2)

O debate foi equilibrado, bem moderado por Fátima Campos Ferreira, que já leva uma grande experiência na coordenação de demasiados intervenientes. Carmona esteve bem mais sereno do que no anterior debate televisivo em que participou (na Sic Notícias). Negrão, novamente nervoso. Quando à combatividade falta segurança, o que passa é apenas agressividade. O candidato do PSD levou o tempo a disparar contra António Costa e a esbarrar na sua transbordante autoconfiança.
Ruben de Carvalho esteve igual a si próprio. Helena Roseta abriu muito bem o debate, mas acabou por perder protagonismo a favor das picardias de alguns dos seus oponentes. Sá Fernandes foi eficaz a gerir o seu tempo de intervenção, tendo criado oportunidades para passar todos os seus recados. A prestação de Telmo Correia esteve ao nível do debate da SIC Notícias em que já havia participado: descontraído, confiante e bem-humorado, fez bem o seu papel.
E os pequeninos? Contrastantes e retóricos qb. O Manuel Monteiro (ainda?) ressentido. O Garcia Pereira assertivo como só um MRPP. O Pedro Quartin Graça muito verde para estes debates. O Gonçalo da Câmara Pereira talvez se exprimisse melhor a cantar. O tipo do PNR (como é que ele se chama?) um cromo (como disse aqui em baixo a CFA).
Na Praça do Município um ecrã gigante transmitiu todo o debate. Mas a vê-lo, nem os pombos. Mau augúrio para domingo?

Debate CML na RTP


Quando se discutia a autoridade da Administração do Porto de Lisboa, que só tem complicado a vida à CML, alguém deixou escorregar que nada como "uma câmara de Lisboa com uma autoridade política" para ultrapassar esses problemas. Quem? O António Costa, claro.
"Uma câmara com autoridade política" foi o eufemismo que lhe saiu para afirmar que trazer o Governo para dentro da câmara pode - na sua opinião - ter as suas vantagens... Nas entrelinhas passou ao eleitorado um recado que feito de uma forma mais explícita provocaria a fúria imediata dos seus oponentes.

Segunda-feira, Julho 09, 2007

O cromo

Acabei de ouvir do Sr. Pinto Coelho que deixar um dos outros candidatos ser presidente da câmara equivale a um bombardeamento dos americanos sobre Bagdad. Saddam Hussein, se fosse lisboeta, votaria no Sr. Pinto Coelho.

Família feliz

Vejo nos jornais de hoje que os chineses mais endinheirados e mais poderosos estão a transgredir a lei de limitação de nascimentos. A informação deverá ter origem numa única fonte oficial, uma vez que todas as agências usam o mesmo caso extremo: um deputado teria mesmo - grande maluco - quatro filhos, de mulheres diferentes.
O aparelho já reagiu: exige que sejam endurecidas as medidas contra os faltosos. O controlo de natalidade através da política do filho único ainda vai estar em vigor nas gerações nossas contemporâneas.
É por isso que me dá especial prazer entrar nas lojas chinesas e observar as crianças a correrem no meio dos cabides, a dormirem atrás do balcão, a porem as mochilas às costas para irem para a escola...
Não partilho nenhuma das teorias que promovem a maternidade ou paternidade à qualidade de resposta para a condição humana - ou, dito de outra forma, há poucas coisas que me irritem mais do que as mulheres que dão entrevistas a dizer que, desde que foram mães, descobriram a razão da sua existência e outras tretas do género. Mas ter o Estado a dizer-nos que só podemos ter um filho?!? Presumo que só apeteça emigrar para um país qualquer, pode ser Portugal, e desatar a procriar. Eu, era o que faria.

Vai ser fogo

1. Com a campanha para Lisboa na recta final, Marcelo Rebelo de Sousa, no seu habitual comentário na RTP, já dá por garantida a vitória de António Costa. Na sua opinião, só falta saber se o socialista ultrapassa a fasquia dos 35 por cento. Marcelo é apoiante de Fernando Negrão, o candidato que Marques Mendes escolheu. Mas não parece.
2. Falta ainda uma semana para serem digeridos os votos em Lisboa. Mas Manuela Ferreira Leite – mandatária de Negrão – vai já aproveitando para se demarcar do veredicto das urnas. Apressando-se a deixar “cair” para o Expresso, através de "fonte próxima", que defende uma “terceira via” à liderança do PSD. Ou seja, Menezes não serve. Mas Mendes – o líder que se lembrou de escolher Negrão – também não.
3. Ao que tudo indica, o dia 16 de Julho será bem animado nas hostes laranjinhas, que este ano prometem rivalizar com os tradicionais incêndios de Verão. Vai ser fogo.

Gostei de ler

Algo está podre. Da Leonor Barros, na Geração Rasca.
O desassossego de um homem bom que só pensa em estar tranquilo à beira-mar. Do Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas.
Dos grunhidos da populaça ao mundo do tédio. Do José Gomes André, no Bem Pelo Contrário.
Sagrada Família. Do André Carvalho, na Geração Rasca.
Sol encoberto. De Vasco Lobo Xavier. No Mar Salgado.
Gambrinus. De Eduardo Pitta, no Da Literatura.
Urbanos e depressivos. Do Tiago Barbosa Ribeiro, no Kontratempos.
O castelo. Do Vítor Matos, no Elevador da Bica.
Uma ida à Livraria Bertrand no Chiado num domingo à tarde. Do Francisco Valente, n' O Acossado.

Vinte motivos para gostar de Portugal (XII)


CONSTÂNCIA.

Campanha de rádio


Mais detalhes aqui. «Fantasma» ou não, é uma grande ideia de campanha.

Os meus livros

A mim ninguém me pergunta o que estou a ler. Acho mal. Só por isso vingo-me deixando aqui as minhas escolhas entre os anunciados best-sellers para este Verão. São só cinco os escolhidos, não é verdade? Então aqui vão:
«Fui tramado e Fontão é o meu Fado», de Carmona Rodrigues, Edições ACP com prefácio de Carlos Barbosa.
«A Acupunctura Urbana e os Condomínios Bonsai», de Helena Roseta, edição da autora e prefácio da autora (disponível em sistema print on demand).
«Viver com Simpliscidade Cansa», de António Costa, Edições Ideiafix. Com poster desdobrável de Margarida Vila-Nova e capa com Margarida Vila-Nova.
«Tudo o que penso e por extenso», de Fernando Negrão, Edições IBLL-TPC. Todos os exemplares são autografados pelo Eusébio.
«Um Zé, outro Zé e obras paradas ao pontapé», de José Sá Fernandes, Edições Fundo do Túnel. Com prefácio do Arquitecto Ribeiro Telles e mapa anexo das hortas de Lisboa, classificadas de acordo com a qualidade das couves galegas.

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Uma certeza

Definitivamente o nosso olhar só se completa com os olhos dos outros. Para não cegar. Procurar a verdade equacionando as distintas perspectivas é um acto do mais elementar bom senso. A cada momento. Mesmo quando a ideia nos parece um ignóbil insulto às nossas ancestrais certezas. Pretensiosos fetiches aos quais nos agarramos em desespero. Para depois, com uma arrogância sem limites, despacharmos a incómoda perspectiva alheia. Tornada verdadeira ameaça. Com a qual tememos conviver, sem a crer sempre despachar, eliminar, por causa do medo de “não ser”... ou de morrer.

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Não podiam esperar mais uma semaninha?


Quase no fim desta campanha eleitoral surge a decisão da ERC sobre a questão levantada por Manuel Maria Carrilho nas eleições anteriores. Excelente timing. A decisão (139 páginas com sumarentas e suficientes declarações para eu escrever um blogue inteiro sobre o assunto) pode ser lida na íntegra aqui. Voltarei a falar nisto. Depois das eleições, como é evidente.

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Cantigas da terra

Fundamentalismo verde há só um: o Sporting e mais nennhum.

Domingo, Julho 08, 2007

Brutos!

E vaiar a estátua da Liberdade na cerimónia das 7 Maravilhas não é uma grande má educação? Além de ser uma senhora e de ter um nome lindo, tem uma costela europeia da qual nos devemos orgulhar e, dentro do género, não é mais feia do que o Cristo Redentor do Brasil. Ou acham-na parecida com o Sócrates?

Ó João, já agora...

...Como é que se faz quando não se vai de elevador e se opta pelas escadas? Subimos primeiro para não espreitar debaixo das saias das senhoras ou depois para amparar-lhes a queda? Em dúvida opto normalmente pela segunda, mas não estou lá muito certo que não seja a líbido a corromper-me a etiqueta. Obrigado.

Crónica da boa educação

Como bom conservador que se preza sou pouco crente na humanidade e prezo muito a boa educação e uma boa dose de protocolos na organização social. A prática de uma certa ordem parece-me ser a única forma de pontualmente não ficarmos ao molho entalados na porta de um elevador. Por exemplo: senhoras, sempre primeiro. Com esta regra dei-me mal na infância, já que tenho três irmãs mais novas, que sempre quando podiam abusavam do seu estatuto. Talvez como vingança às arbitrariedades tantas vezes infringidas pelo meu sarcasmo e força bruta. Pior era quando ficava com um fim de tarde estragado, uma peladinha de rua interrompida, para ir buscar uma das petizas à casa da amiga em Cascos de Rolha...
De notar que fiquei com a lição bem estudada: senhoras e mais velhos sempre primeiro, num cómodo lugar de autocarro ou no atravessar de alguma porta ou caminho estreito. Quantas vezes, uma senhora de humilde condição, nas zonas de serviço dos hotéis por onde passei, se surpreendeu com a inquestionável precedência que eu lhe atribuía, fosse à chegada ao refeitório ou para entrar num elevador de serviço. Nunca cedi, com respeito ao princípio que tão duramente me foi incutido.
Na rua, um dia a minha avó ensinou-me que um homem acompanha uma senhora do lado de fora do passeio, atribuindo-me um estatuto de "príncipe protector", de alguma ameaça que viesse do asfalto ou da calçada (e se o pilantra atacasse por um qualquer vão de escada?). Por vezes imaginava até onde iria a minha valentia, se tivesse que pôr em prática os meus galhardos dotes físicos na defesa da minha dama de circunstância.
Confesso que às vezes é difícil aplicar uma regra e evitar o equívoco. Tudo era fácil e claro quando eu era mais jovem: toda a gente me passava à frente. Hoje, quarentão, quantas vezes no edifício de escritórios onde trabalho, hesito passar à frente de algum executivo de fato engomado e cabelo grisalho, criando-se facilmente uma embaraçosa e interminável indecisão... Até que um qualquer jovem insolente com desprezo por estes rituais, descomplexadamente nos passa, tomando-nos despudoradamente o disputado lugar. Quantas vezes no comboio me aconteceu, enquanto hesitava sentar-me no precioso assento, perscrutando por uma última vez um candidato mais necessitado, ser surpreendido por uma qualquer jovem pré adolescente gananciosamente tomando o lugar. E quanto vale aquela tão aprazível meia hora de comboio sentado a ler um bom livro até ao Cais do Sodré...
Trabalhei mais de vinte anos na hotelaria, em tempos colaborei com o MNE, ajudei a organizar Cimeiras de Estado, e serei por certo o último a questionar a eficiência dum bom Protocolo. Mas é cá mais “em baixo”, na terra de todos os dias, na estrada, nas escadarias do meu prédio, no almoço de trabalho, numa qualquer solenidade familiar, que todos os negros equívocos e incontidos caprichos se podem revelar desastrosos para a harmonia social. Dar a primazia ao outro, na condição do respeito mútuo, são, sem dúvida, códigos de comportamentos “ortopédicos”, mas os únicos possíveis. São os que efectivamente nos podem ajudar a disciplinar e reprimir mesquinhos impulsos sentimentais ou de poder. Que ordenam e regulam os nossos instintos mais primários, quantas vezes inexplicavelmente destrutivos e violentos. Em última análise, é a preponderância da civilização... de um frágil verniz que evitará que os convivas se atirem selvaticamente ao último croquete, deixando a mão do primeiro trespassada por 13 vorazes garfos. Como seria de esperar que acontecesse com uma pequena comunidade numa qualquer caverna em Neandertal com um pernil de javali. Mas isso era só antigamente...

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As Emoções Básicas (Crónica) VI


A Europa

(Aviso: quem não tiver pachorra para 800 palavras, siga para um blogue ao lado)
Duas semanas passadas sobre um acordo importante e a uma semana decorrida de presidência portuguesa da UE, muito se tem escrito sobre Europa. Os textos que li eram sobretudo de dois tipos: de um lado, estavam os defensores do futuro tratado europeu e críticos do referendo; do outro, os críticos do tratado e defensores do referendo.
Há evidentemente muitas matizes nos argumentos, mas o primeiro grupo acha que são muito substanciais as alterações ao Tratado Constitucional (TC, para quem não se recorda, texto chumbado pelos franceses e holandeses), o que justifica não haver a consulta popular que tinha sido prometida para o falecido documento; o segundo grupo lembra que o povo deve ser consultado por uma questão de democracia, afirma que não existe debate e lamenta o conluio dos chefes de governo numa decisão não-democrática.
Este é um tema muito difícil de abordar, na medida em que as duas teses ocuparam todo o espaço de reflexão. O ruído é tão intenso, que parece impossível explicar que ambos os lados da barricada imaginária têm razão e, paradoxalmente, estão desprovidos dela.
O ponto que não vi referido em lado algum (não tendo lido tudo, peço antecipadamente desculpa a algum autor que o tenha afirmado) é algo de muito simples: não há nenhum chefe de Governo que não deseje o novo tratado. Nem sequer os gémeos polacos, ao contrário do mito que se tenta impingir. Os líderes eleitos são todos pró-tratado.
Há um aspecto pouco compreendido sobre a União Europeia que convém reter: o conselho europeu é, de longe, o órgão mais importante da UE.
Se fizermos o exercício de comparar o sistema europeu ao americano, verificamos isso mesmo. O tribunal de justiça tem muito menos influência do que o supremo, com decisões importantes de cinco em cinco anos; nos EUA, o órgão mais relevante é a presidência, que não existe na Europa; o chefe de Estado forma um Governo, que é infinitamente mais poderoso do que o seu quase equivalente europeu, a comissão, que no fundo é uma entidade ao serviço do conselho e do Parlamento; a câmara baixa do congresso americano tem um poder vastamente superior ao do Parlamento europeu; mas as coisas invertem-se na câmara alta: o senado é menos influente no sistema do que o seu equivalente europeu, o conselho. Basta uma visita a um conselho para perceber isto: na política europeia, aquela é a entidade decisiva.
Ora, não há um único primeiro-ministro que não queira o novo tratado. Isto já era assim há dois anos, quando os chefes de governo eram quase todos diferentes; houve eleições, mudaram os responsáveis, mas a política é a mesma. Há dois anos, quando foi aprovado o TC, um terço do conselho europeu era diferente do actual. A senhora Merkel tinha acabado de chegar. Quem assinou por Portugal foi Santana Lopes, mas quem lançou a negociação, do lado português, foi o governo de Durão Barroso. E, no entanto, o novo tratado será praticamente igual ao que foi chumbado pelos franceses.
[Não consigo evitar um tema que me faz urticária, quando ouço os críticos do novo tratado dizer que esta é uma questão democrática e que "os povos rejeitaram" o tratado. Alguém me explica por que razão os franceses têm de decidir pelos portugueses e, aliás, por todos os outros?]
Esta crónica vai longa e estará certamente a provocar nos leitores alguma perplexidade. Sempre fui contra o referendo, por saber que ninguém iria discutir o tratado. Acho que a palhaçada da democracia, o seu simulacro, é algo de perigoso, que abre caminho ao populismo.
Na realidade, a decisão de Bruxelas, há duas semanas, não é anti-democrática, mas resulta de uma negociação que dura há cinco anos, com dois anos de suspensão. Estão envolvidos 27 países e, talvez, mais de 40 primeiros-ministros. Não me atrevo a calcular o número de partidos que participaram.
À presidência portuguesa cabe concluir o novo tratado reformador. Há políticos que exigem referendar esse tratado de Lisboa, embora não expliquem o que faríamos se a resposta fosse não. Levantam os braços, enrolam os olhos, como se a questão fosse espúria, e depois atiram um "logo se vê, o importante é dar voz aos povos", como se os povos não se tivessem pronunciado.
Li muitos comentários, sobretudo em blogues, onde surge o vago argumento anti-europeu, no fundo, o instinto essencial da nossa elite, que sempre teve aversão à Europa. No género, estão-nos a enganar, isto é uma choldra; mas mais subtil, onde se insinua que podia ser uma boa oportunidade para dizermos não a esta certa Europa dirigida por directório dos poderosos e onde os "povos" nunca têm a palavra, pois o poder vem de cima para baixo, e etc.
Apetece dizer que isto ainda vai acabar mal. Um dos lados tenta afirmar o indefensável, de que TR não é a continuidade de TC; o outro lado parece não compreender que o destino de Portugal está intimamente ligado ao futuro dessa estranha entidade chamada União Europeia, onde tudo é negociação e acordo. É complicado, sim. Mas não há volta a dar. Teremos isso ou o regresso ao passado.

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Domingo

Evangelho segundo São Lucas 10, 1-12.17-20

Naquele tempo,designou o Senhor setenta e dois discípulose enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir.
E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da searaque mande trabalhadores para a sua seara. Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. Quando entrardes nalguma casa,dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles: senão, ficará convosco. Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, curai os enfermos que nela houvere dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’. Mas quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: ‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos péssacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’. Eu vos digo:Haverá mais tolerância, naquele dia, para Sodomado que para essa cidade».
Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo:«Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome». Jesus respondeu-lhes:«Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiõese dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano.Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antesporque os vossos nomes estão escritos nos Céus».

Da Bíblia Sagrada

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Sábado, Julho 07, 2007

Nas colunas

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Mais livros

Caro João Távora,
Está desculpado. Não é trabalheira nenhuma escrever sobre livros que vou lendo conforme me dá na real gana, seja porque estão disponíveis na biblioteca do meu bairro ou porque me são emprestados por amigos e que devolvo sempre rigorosa e pontualmente. Vou comprando alguns, claro, alguns por curiosidade, outros pelos temas, por quem os escreve e muitos sem razão aparente. Bem vistas as coisas, não é preciso haver razão para tudo. Acho mesmo que "O guia dos 50 melhores fins-de- semana" que encontrei há pouco no quiosque, estava ali à minha espera. No fim de contas, também é um livro, com páginas lindíssimas de fantasia(s) e locais de encantar.
Então aqui ficam alguns livros que li ultimamente, o que pode significar há mesmo algum tempo e, como pode constatar, pouco têm em comum:

De Manuel Vázquez Montalbán, um dos meus autores policiais (e não só) favoritos, já falecido, os seus últimos livros: Milénio I - Rumo a Cabul e Milénio II - Nos Antípodas.
De José Luís Pinto de Sá, o livro de memórias "Conquistadores de Almas" da Guerra e Paz, sobre as sua militância maoísta durante as crises académicas de finais dos anos 60, princípios de 70.
O último livro do sociólogo José Machado Pais "Nos Rastos da Solidão", importante para perceber outras formas de vida com as quais nos cruzamos na rua sem as olhar: os sem-abrigo , os bêbados, os vagabundos, os doentes mentais, os idosos, todos solitários.
Com Alain de Botton andamos nos aeroportos por esse mundo fora com o livro "A arte de viajar".
De Patrick Wilcken, "Império à deriva", um livro sobre a presença da corte portuguesa no Brasil entre 1808 e 1821. Absolutamente delicioso e muito bem documentado.
Para o João Miguel Almeida e Fernando Martins do Amigo do Povo, Luis Carmelo, Luís Aguiar-Conraria do Destreza das Dúvidas e ao Gato Maltês, não querem escrever alguma coisa sobre alguns dos vossos livros? Tenham paciência.
(Imagem: Tom Hunter- Woman Reading Possession Order- Saatchi Gallery)

Do dicionário (4)

Flexinsegurança – adaptação portuguesa do conhecido modelo dinamarquês conhecido como “Flexigurança”

Cinco leituras de Verão


Desafiam-me quase em simultâneo o Carlos Manuel Castro e o Pedro Picoito para indicar aqui as minhas últimas cinco leituras. Um desafio a que acedo com gosto. Aqui vai:
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1. PROVA DE VIDA (Tinta da China). Pedro Mexia reúne aqui os textos publicados em dois blogues - incluindo o actual, Estado Civil. Uma prova evidente, para além da confirmação do talento do autor, de que a blogosfera pode ser (e é, em muitos casos) semente de excelentes textos literários. Um pouco à semelhança do que ocorria há uns anos, com os suplementos culturais dos jornais, entretanto extintos. Escritos com frequência para consumo imediato, estes textos resistem com êxito à mais dura das provas: a prova do tempo.
2. ALEXANDRE O'NEILL - UMA BIOGRAFIA LITERÁRIA (Dom Quixote). Quem dizia que os portugueses não gostam de biografias? O bom acolhimento desta obra demonstra precisamente o contrário. Maria Antónia Oliveira levou anos a investigar os mais diversos aspectos relacionados com o escritor (não se esgotando na sua faceta "literária", longe disso). Valeu a pena o esforço: O'Neill surge aqui num retrato muito completo, que nos desvenda o homem complexo e torturado que se ocultava sob a capa de um singular criatividade, tanto na prosa como na poesia. Um livro muito interessante. E muito bem escrito.
3. A FACE DA GUERRA (Dom Quixote). Os leitores portugueses passam enfim a ter acesso a alguns dos melhores textos jornalísticos do século XX, assinados por Martha Gellhorn como repórter de guerra. Martha foi a terceira "senhora Hemingway": o autor de Por Quem os Sinos Dobram alimentou uma feroz rivalidade com ela, julgando-se superior como repórter. Não era, como documentam estes textos, indispensáveis a todos os jornalistas, mesmo aos que nunca frequentaram palcos de guerra. "Quando era jovem acreditava na perfeição do homem e no progresso, e encarava o jornalismo como uma luz orientadora", escreveu ela (aos 50 anos) na primeira introdução à obra, em 1959. A realidade encarregou-se de desfazer muitas destas ilusões.
4. A HARPA DE ERVAS (Círculo de Leitores). Uma novela de Truman Capote, ainda dos seus anos de aprendizagem como escritor de primeiro plano que viria a ser. Mas já aqui se detectam claros indícios do grande fôlego que revelaria em obras lapidares, como A Sangue-Frio e Música para Camaleões. "A infância é o grande tesouro de um escritor", dizia Graham Greene. A prova está bem evidente nesta nostálgica digressão de Capote pelos seus verdes anos - a única época da sua vida em que foi feliz. A tradução, sem dúvida "datada", de Cabral do Nascimento não retira brilho nem fascínio ao texto original.
5. O DIABO NÃO DORME (Minerva). Romance de Pearl S. Buck, com a chancela de uma velha editora: comprei-o há um mês, a preço de super-saldo, na Feira do Livro de Lisboa. Desta obra de 1962, logo editada em Portugal, fez-se um filme com William Holden. É uma trama que nas mãos de outro autor daria pano para mangas: dois padres católicos em confronto com guardas vermelhos na asfixiante China de Mao. Mas a senhora Buck, com o seu zelo missionário, não consegue levantar voo nesta história que se lê bem mas sabe a conto para crianças: ficamos com um sorriso nos lábios e a certeza de que na vida real nada se passaria assim. Excelente tradução de Eduardo Saló num tempo em que os livros apareciam ao público sem uma única gralha. Tempos que já lá vão...
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Para manter as regras do jogo da blogosfera, aqui lanço o repto a outros bloguistas, na expectativa de que também nos revelem as suas mais recentes cinco leituras: a Leonor Barros e a Nancy (da Geração Rasca), o Vítor Matos (Elevador da Bica), o Leonardo Ralha (Papagaio Morto) e o José Medeiros Ferreira (Bicho Carpinteiro). De acordo?
Foto: Martha Gellhorn (1908-1998)

Por uma Ordem de Jornalistas

O Daniel Oliveira é daqueles cidadãos que tem opinião sobre tudo. E expressa as suas opiniões sempre em termos muito veementes, parecendo permanentemente indignado com o mundo. Não acho nada de mal nisso, antes pelo contrário: num país em que as pessoas se habituaram a falar em surdina e a não emitirem opiniões desassombradas, reconheço-lhe desde logo o mérito de dizer alto e bom som o que pensa. Podemos concordar ou discordar, mas sabemos o que dali vem.
Neste caso, estou em franco desacordo. Nos seus habituais termos muito categóricos, insurgiu-se o Daniel no Arrastão sobre a possibilidade de vir a ser constituída uma Ordem de Jornalistas. Oh, horror! Oh, sacrilégio! Todas as profissões podem ter ordens que as representem e se constituam em parceiros sociais perante o poder político. Os advogados, os arquitectos, os engenheiros, os farmacêuticos, os enfermeiros, os psicólogos, os engenheiros, sei lá que mais. Só aos jornalistas isso deve ser interdito, proclama o Daniel. E então porquê? Porque há 15 anos houve um referendo à classe que chumbou essa perspectiva. E porque os jornalistas não são profissionais liberais.
Lamento, Daniel, mas nenhum destes argumentos colhe. Um referendo há 15 anos deve bloquear ad eternum uma decisão? Lembra-te só: de então para cá quanta coisa mudou no mundo? E não eras tu próprio que defendias, com o vigor do costume, que o referendo que chumbou o aborto em 1998 não tinha carácter vitalício? Tanto assim era que este ano o eleitorado português decidiu em sentido contrário. Acredita que um novo referendo aos jornalistas produziria hoje resultados bem diferentes...
Dizes também que os jornalistas não podem ter Ordem por não serem profissionais liberais. Desculpa lá, mas não pode haver argumento mais esfarrapado. Tu acreditas que os engenheiros & advogados & e arquitectos & médicos & enfermeiros & psicólogos inscritos nas respectivas ordens profissionais, e por elas representados, são na sua esmagadora maioria profissionais liberais? Deixa-me rir, meu caro.
Os jornalistas precisam de uma Ordem precisamente para que nenhum governo (n)os tente meter "na ordem". Temos um código deontológico que só por uma ordem profissional deve ser aferido - não por nenhuma estrutura administrativa parcialmente tutelada pelo Governo, como José Sócrates pretende instituir, concretizando o que nenhum Executivo anterior ao dele se atreveu a fazer. E precisamos de uma Ordem para pôr ordem - sim, ordem - no acesso à profissão, que hoje se assemelha a um albergue espanhol: não há cão nem gato sem carteira de "jornalista".

O charme de Carme


A catalã Carme Chacón, 36 anos, transita de vice-presidente do parlamento espanhol para ministra da Habitação. Um charme.

Remodelação: o exemplo espanhol

A oito meses das próximas legislativas espanholas, Rodríguez Zapatero correu com quatro ministros do Governo, exercendo o seu direito à remodelação. "O presidente dá um gole de autoridade política após sair airoso no debate da nação", titula hoje o suspeitíssimo El País, às vezes mais zapaterista do que o próprio Zapatero. O José deste lado da fronteira bem podia pôr os olhos no José do lado de lá: há quatro ministros que estão mesmo a implorar substituição. Refiro-me a Correia de Campos, Mário Lino, Manuel Pinho e Jaime Silva.
P. S. - Pensando melhor, Pinho pode ficar mais algum tempo: serve para a gente ir gargalhando de vez em quando.

Vinte motivos para gostar de Portugal (XI)


TORRE DE MONCORVO.

Encontro imediato

Ontem dei de caras com o ex-Presidente Jorge Sampaio. Ia eu a tirar o carro do parque de estacionamento, andei uns metros e surge um senhor na primeira passadeira, de passo calmo, ligeiramente curvado e que deixo passar. Quando vejo que é Jorge Sampaio, baixo o vidro (estava de ar condicionado ligado, que não dispenso nesta altura) e tiro os óculos escuros. Cumprimentamo-nos, troco dois dedos de conversa com o antigo Presidente da República, despedimo-nos com cortesia (já não o via há uns meses) e arranco a pensar que Sampaio tirou um peso enorme das costas. Está mais simpático, menos sisudo. Passeia-se às sete e tal da tarde no meio de Lisboa a uma sexta-feira, sem um único segurança e também sem assessores. Fico a pensar que ter deixado a política activa fez-lhe bem. Antes assim.

Música de todos os tempos (9)


Sheena Easton - "For your eyes only"

Na mesa de cabeceira

Acedo de bom gosto ao desafio do Pedro Picoito enumerando os últimos cinco livros que li. O problema que se me põe é que tenho na mesa de cabeceira várias leituras em aberto, sem contar com a minha empreitada em curso, a leitura das aventuras de Tintim à minha filha pequena (anda fascinada). Assim, como o Pedro, também vou misturar livros que estou a ler com outros que já li.
1 Memórias Inéditas da Rainha D. Amélia, por Lucien Corpechot e Introdução de Rui Ramos, da editora Caleidoscópio em 2007. Além de tudo mais, trata-se de uma impressionante perspectiva, tão verdadeira quanto subjectiva, com um toque quase intimista, dos últimos anos da monarquia.
2- The Long TailHow endless Choice is Creating Unlimited Demand. Por Chris Anderson - RH Business Books 2006. Sobre as infinitas potencialidades dos inumeráveis nichos, num mercado do tamanho do mundo, dramaticamente acessível pelas novas tecnologias de comunicação e comércio.
3Longe do Abrigo, por David Lodge – Asa. Dizem que é uma obra autobiográfica deste autor com quem tanto me divirto. A infância e início de adolescência de Timothy, durante a II Grande Guerra e nos primeiros anos do pós-guerra. O retrato de uma Inglaterra conservadora e provinciana, em tempos de austeridade e sacrifício em contraste com a opulência e o optimismo quase imbecil dos “invasores” americanos. Este é o redentor choque do ingénuo Timothy num Verão em Heidelberg de férias com a irmã Kath no meio da comunidade americana.
4A Ponte dos Suspiros, de Fernando Campos – DIFEL. Um delicioso romance histórico, em que acompanhamos D. Sebastião, depois de Alcácer Quibir, deambulando humilhado pela Europa. Em Lisboa, encapuçado, presencia as suas próprias exéquias fúnebres...
5A Revolução Liberal 1834 – 1836 – Os “Devoristas” de Vasco Pulido Valente – Altheia Editores, 2007. Um gosto em conhecer a minha história, e perceber um pouco da “genealogia” da escumalha contemporânea.
Como se vê, sou uma pessoa de gostos simples.
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Finalmente, passo “a bola” à Isabel Goulão, ao Paulo Pinto Mascarenhas, ao Paulo Cunha Porto, ao João Gonçalves e à Mafalda Miranda Barbosa. Desculpem lá meter-vos nesta trabalheira...

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Sexta-feira, Julho 06, 2007

Conversas de cabeleireira

1º Episódio

Dinheiro e Separação

- Estou a pensar separar-me mesmo do M.
- Então?
- Nunca está em casa, quando a minha família vai lá jantar ele vai para o computador, é pouco social e já é a terceira vez que fico no hipermercado continente sem dinheiro pois ele não me transfere dinheiro. Já chega de humilhação. Sinto que com ele pareço uma sopeira que é óptimo ter como mulher para mostrar aos amigos e cuidar dos filhos.
- Mas ele anda com dificuldades?
- Acha? ele até tem um avião privado com um sócio!
(Silêncio)
- Já pensou que pode ter uma amante?
- Já, mas nem sei se quero saber nem como posso saber…
- É fácil. Vá espreitar no telemóvel, ou vá atrás dele, ou coloque um detective a tratar do assunto. É para isso que eles servem…
- Acho que vou simplesmente separar-me dele. Mas por um lado fico a pensar nas minhas filhas, depois também quero ficar com a casa e ele diz que não me quer dar…
- Nem que vá para uma casa mais pequena…
- Pois… tenho que pensar e não arrastar mais... falta-me coragem.

Outros retratos

Jaime Nogueira Pinto vai lançar António de Oliveira Salazar - O Outro Retrato (da Esfera dos Livros) daqui a uns dias. Na sinopse da obra pode ler-se: "Eu tinha 22 anos quando Salazar abandonou o governo, em 27 de Setembro de 1968, e 24 quando ele morreu, em 27 de Julho de 1970. (…) Na memória tenho aquela voz característica, com convicção mas ainda clerical e guardando sempre um fundo de pronúncia beirã. Durante 40 anos, António de Oliveira Salazar comandou os destinos de Portugal. Mais de três décadas após a sua morte, o seu nome continua a suscitar polémica. Defendido por uns, acusado por outros, idolatrado ou odiado, símbolo de uma época de ouro recordada com saudade ou da estagnação e do 'atraso português'?"
Não vou poder estar no dia 10, às 18h30, na Biblioteca Universitária João Paulo II na Universidade Católica, porque nessa altura estarei longe, a gozar férias. No regresso, compro de certeza o livro.
Entretanto, O Futuro Presente, o blogue de JNP, Nuno Rogeiro, António Marques Bessa, Bernardo Calheiros e de Miguel e Diogo Freitas da Costa, passa a constar da nossa barra lateral.

Porque hoje é sexta-feira...

Alice Neel - "Self-portrait", 1980
National Portrait Gallery, Washington

A frase da semana

"Ahmadinejad, o Irão e os persas: ficam muito mal na fotografia ao lado de Chavez."
Filipe Nunes Vicente, Mar Salgado

Vinte lindas meninas

Depois da série Vinte motivos para gostar de Portugal, estou a pensar iniciar outra. Intitulada Vinte portuguesas... de sucesso, digamos assim. Agradeço sugestões desde já.

Lampiões prometem uma época... cheia de estilo

Recebida por correio electrónico, de fonte anónima

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Vinte motivos para gostar de Portugal (X)


PIÓDÃO.

E eu gosto destes

Não é fácil seleccionar apenas sete. Depois de me retorcer na cadeira, cheia de vontade de juntar a esta short list uma adenda com outros tantos blogues, o resultado foi este:

A Terceira Noite
Kontratempos
Estado Civil
Ana de Amsterdam
Bloguítica
Tugir
Blasfémias


Aproveito para agradecer em nome de toda a equipa do CF ao Luís Novaes Tito, do Tugir, por nos ter nomeado

As emoções básicas (crónica) V



De como gostamos da violência
De onde vem a raiva contemporânea, essa intensa ira que nos corrói? Toda a cultura popular é feita de imagens de extrema agressão; a informação, o entretenimento, o que nos chega pelos espelhos que nos rodeiam, tudo é feito de grotesco, desumano e distorcido.
Seja qual for a comparação, os contemporâneos vivem melhor do que nunca. Viajamos, temos acesso a um bem-estar jamais visto, a confortos que no passado pertenciam apenas aos poderosos. E, no entanto, quase ninguém parece satisfeito, como se toda a gente fosse insaciável, todos ao mesmo tempo.
Confesso que me confunde, esta insatisfação quase revoltada. Há quem explique a ira contemporânea pela vaidade intranquila, a perturbação de ver os outros subir na vida. Seria, pois, a inveja a dominar o nosso mundo.
Mas a explicação não me parece suficiente para se compreender a inundação de imagens de extrema violência.
Abro a televisão e ali passam resumos de filmes: são extractos breves do essencial, uma sequência rápida de efeitos especiais onde se podem ver pessoas a ser desfeitas, pedaço a pedaço, com volúpia...
Ainda não tinha visto um filme muito popular há dois anos: A Guerra dos Mundos, de Steven Spielberg, baseado em H. G. Wells. Gosto muito do livro original e também gostei de um filme dos anos 50 em que a invasão marciana era uma espécie de metáfora do seu tempo da guerra fria (os americanos eram pacíficos, quase ingénuos, bonzinhos e inocentes). Na nova versão (que vi um dia destes) para meu espanto, Spielberg corta Wells às postas e faz do original gato-sapato. O filme é uma xaropada sentimental sobre um mau pai que protege as suas irritantes criancinhas, as quais guincham histericamente todo o filme, enquanto o absurdo progenitor anda de um lado para o outro a atropelar refugiados como ele. Torci pelos invasores. Na versão de 50, os americanos ajudam-se uns aos outros, estão do mesmo lado, querem defender o seu país. Na versão pós-11 de Setembro, é cada um por si. Tom Cruise chega a matar um homem que lhe salvara a vida.
De onde nos vem esta raiva? É este um sinal de algo mais fundo?
A TV passa uma genial série, Roma, onde a violência está de tal modo integrada na história, que faz sentido. Acho que a série tem um argumento impressionante, muitíssimo bem feito, com personagens desenhadas ao pormenor, de enorme riqueza de nuances psicológicas. Mas o que me fascina, nesta série de TV, é a forma como os argumentistas falam de nós, parecendo que nos contam uma história sobre o fim da república romana e a guerra civil que levará ao império. (Não posso deixar de referir a excelência deste programa, dos actores à realização, passando pelo texto, os figurinos, gráficos ou fotografia).
O fundo histórico é um pretexto (e nem me refiro aos erros). O que é ali importante é a exibição da ira contemporânea, cuja origem não é de todo clara.
Não assenta na divisão em classes, pois todas as classes a possuem na mesma proporção. Não é o hedonismo dos ricos, pois também os miseráveis são cruéis. Não tem a ver com a natureza humana, pois tanto os bons e inocentes, como os maus e hipócritas, adoram a violência e vivem na violência.
Mas atravessa toda aquela história um lugar comum da ira: a ausência de valores. O único verdadeiro idealista, o judeu Timão, após uma carreira de matança insensata, tenta libertar-se do horror, mas tragicamente sem o conseguir. É o único que o tenta fazer, nesta história sobre o poder e a traição, sobre ambições sem limites e o elaborado acaso. Roma é um espelho do mundo contemporâneo, que também se debate numa espécie de guerra civil: vive numa crise insondável, com nostalgia de um passado feito de heróis destemidos e honrados. Um passado inatingível. É um mundo sem esperança, que desconhece ainda estar a criar a sua própria destruição.

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10 coisas que aprendi ontem à noite


1. O livro do PRD é muito bom. Vou lê-lo logo que possa, por exemplo hoje no comboio.
2. A Marta não gosta mesmo que a chamem de «a nossa Ségolène».
3. O Carlos Oliveira Santos fica bem de calções. Quem não conhece o Carlos Oliveira Santos não conhece a História de Portugal.
4. O Rodrigo Moita de Deus gosta muito de ler-me. Eu gosto ainda mais de lê-lo e isto é o mais perto de uma relação amorosa que havemos alguma vez de conseguir.
5. Ainda estão por nascer génios mais simpáticos do que o Carlos Quevedo e o Nuno Miguel Guedes.
6. A Ana Mesquita está sempre, mas sempre, tão bonita e com um sorriso tão doce e caloroso que me faz sentir acabadinho de sair do liceu.
7. A minha mulher é uma santa. Às vezes esqueço-me, mas depois lembro-me outra vez.
8. Na esplanada dos Meninos do Rio está-se muito bem, em especial na refrescante companhia da nossa Miss Pearls.
9. No restaurante VírGula estreou-se a picanha.
10. O João Gonçalves, afinal, não está zangado comigo.

Fim de semana e um quiz



What's this blog rated?

Online Dating

Corta-Fitas: Para todas as idades (e sensibilidades)

À sexta-feira descobre-se


Que a Sétima Maravilha do Mundo é Sportinguista. Jennifer Lopez.

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Músicas do tempo do FAL


Lionel Richie, «Three Times a Lady»
(Sim, ele tem um ar foleiro. Mas as música são Graaandes!
E os anos 80 foram foleiros. So what?)

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É rosa, senhores

O Glorioso de cor-de-rosa? Já chegámos à China? Já?!?!

Sexta-feira


Yamila Diaz-Rahi.

Quinta-feira, Julho 05, 2007

Momento irrepetível


A agência Magnum - expoente máximo da arte fotográfica - foi fundada em 1947, faz hoje 60 anos. Que melhor homenagem aos mestres fundadores do que reproduzir aqui a célebre foto de Stuart Franklin, hoje director da agência, tirada na dramática noite de 4 de Junho de 1989, na Praça Tiananmen, quando os tanques comunistas afogaram em sangue os protestos estudantis? O homem anónimo enfrentando de mãos nuas a sinistra fileira de tanques, naquele momento irrepetível, sobreviveu como um dos mais poderosos ícones do nosso tempo.

Aqui vão os meus 7

Três vezes distinguidos aqui pelos nossos simpáticos vizinhos Incontinentes Verbais como Maravilha da Blogosfera (obrigado Rui, obrigado Joana, obrigado Sara), obrigam-me a alinhar na brincadeira e escolher os meus mais maravilhosos blogues do momento...
São estes:
O Insurgente
Combustões
As Afinidades Efectivas
O Cachimbo de Magritte
Mel com Cicuta
Mar Salgado
Tomar Partido

Obrigado e não parem!

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Informação é liberdade

Só para dizer que subscrevi este abaixo-assinado - o mais importante produzido pela classe jornalística portuguesa nos últimos anos - a que o Francisco também já aqui fez referência. Para ler e divulgar.

Agora sim, o Verão

Finalmente chegou o bom tempo. Óptimo para um gin tónico ao fim da tarde.

Tintim e os conservadores liberais

"Nos livros de Tintim, encontro a mistura mais acertada das três principais qualidades de um conservador liberal: a vontade de saber muito, a determinação de acreditar em muito pouco e a convicção de que nenhum ideal humanitário nos deve fazer esquecer as pessoas reais que estão à nossa volta. A mistura de curiosidade e cepticismo assegura-nos que a disponibilidade para nos deixarmos maravilhar não acabará na prostração dogmática, nem que a resistência às ortodoxias resultará em secura e cinismo."
Rui Ramos, in Atlântico, Julho 2007

Não posso estar mais de acordo com o historiador. Por estas e mais umas tantas razões devorava em novo a colecção toda do Tintim. Em português e em francês, com capa dura ou mole, à noite ou de dia, no Verão ou no Inverno.

As minhas 7 maravilhas da blogocoisa


A nossa Isabel a.k.a Miss Pearls. Por todas as razões.
A lebre maria pela beleza sempre no fio da navalha do seu There's Only One Alice.
A Ana Cláudia Vicente e a sua prosa em filigrana no Quatro Caminhos.
A inteligência luminosa dos textos de Laura Abreu Cravo no Mel com Cicuta.
O salero e o picante da Rita Barata Silvério no Rititi.
Ex aequo: A dupla Fernanda Câncio/Marta Rebelo no Cinco Dias. Pela adrenalina que injectam na «irmandade da pilinha».
e último, excepção masculina por razões tão óbvias que prescindo de as explicar: Miguel Marujo e o seu E Deus Criou a Mulher. Deo Gratias.

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Assim não dá

- Sabes o que significa CCDPCMO?
- Não. O que é?
- Centro de Cultura e Desporto do Pessoal da Câmara Municipal de Olhão.
- Chiça. Essa sigla é que o Negrão não fixava nem à lei da bala!

Postais blogosféricos

1. O duo bem afinado que produz A Arte da Fuga apagou três velas do bolo de aniversário. Daqui vai um abraço ao António Costa Amaral e ao Adolfo Mesquita Nunes, com votos de que esta música continue a ser uma das melhores da blogosfera.

2. E também para a Geração Rasca - com um elenco cada vez maior e melhor - seguem os meus votos de parabéns pelos dois anos de existência. É um dos blogues que consulto diariamente.

3. Outro blogue de consulta obrigatória é a Bloguítica. Os meus parabéns ao Paulo Gorjão pela celebração do quarto aniversário.

4. Last but not the least: um abraço ao Carlos Abreu Amorim. Por isto.

Olé

Acabo de passar há pouco ali no fundo do Parque Eduardo VII (de frente para o Marquês de Pombal), onde costuma estar a base da Feira do Livro, e qual não é o meu espanto quando vejo uma enorme estrutura dedicada à promoção do turismo em... Madrid. Com espanholas vestidas a rigor, um parque infantil insuflável e uma atenção especial a tudo o que há de melhor na gastronomia, monumentos e História da capital dos nuestros hermanos. Isto em pleno centro de Lisboa, no pico da nossa época turística e no meio de uma campanha para a câmara. Quem sabe, sabe. E nós vamos cantando e rindo.

Rosa Choque


Esta é um pouco homofóbica mas para o efeito pretendido serve.

Recebida por correio electrónico, de fonte anónima

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Carpe diem


Victoria Abril, uma das mais talentosas (chamemos-lhe assim) actrizes espanholas de todos os tempos, festejou ontem 48 anos. Uma criança comparada com Gina Lollobrigida, já chegada aos 80, ou a inesquecível Eva Marie Saint (de Há Lodo no Cais e Intriga Internacional), acabada de fazer 83. O tempo passa, minhas amigas. Carpe diem, carpe diem.

Rosa-bebé


Sempre achei que aquelas "papoilas saltitantes" iam acabar vestidas de rosa-bebé. Desconfio que na próxima temporada vão sofrer mais golos, alguns dos quais marcados na própria baliza.

Vinte motivos para gostar de Portugal (IX)


VIANA DO CASTELO.

Londres: a experiência

E enquanto por cá andamos em 2ª fila, sugiro a leitura deste artigo de Ken Livingstone, Mayor de Londres, quatro anos depois de ter entrado em vigor a taxa de £5 (actualmente é de £8) para todos os carros que entram no centro da cidade:

(...) The negative side effects predicted by opponents never materialized. The retail sector in the zone has seen increases in sales that have significantly exceeded the national average. London’s theater district, which largely falls within the zone, has been enjoying record audiences. People are still flocking to London — they’re simply doing so in more efficient and less polluting ways.
There has been a marked shift away from cars and into public transport and environmentally friendly modes of travel. There has been a 4 percent modal shift into use of public transport from private cars since 2000. Simultaneously, the number of bicycle journeys on London’s major roads has risen by 83 percent, to almost half a million a day. Cycling has become something of a boom industry in London, with improvement in health for those involved and substantial benefit for the environment.(...)
*
Debate na televisão: Ken Livingstone responde a Simon Rockman (video de dois minutos.)

O capacete de esquerda

Parece que Maria Elisa se prepara para voltar à RTP1 com três novos programas, um deles já no próximo domingo sob a fórmula de um grande debate informativo sobre o ambiente e o aquecimento global. Outro, em Outubro, irá centrar-se em grandes acontecimentos que marcam a agenda nacional e o terceiro, para Janeiro de 2008, é um projecto próprio. Até aqui, nada de extraordinário, não fosse eu tê-la visto ontem numa iniciativa da campanha eleitoral de António Costa em Lisboa. A ela e a mais alguns jornalistas no activo, que têm todo o direito de exercer os seus direitos de cidadania, desde que não estejam a tratar no momento a causa que ali defendem.
Elisa ainda não está, mas fico curioso para saber a reacção de alguma comunicação social e de alguns comentadores, justamente aqueles que a condenaram por ter aceite o convite de Durão Barroso para integrar a bancada parlamentar do PSD como deputada e depois ter rumado a Londres para a nossa embaixada, onde foi conselheira cultural até há pouco tempo. Quando era com o PSD estava tudo mal, agora que é com o candidato do PS está tudo bem, não é? Queria ver o que seria se o Luís Delgado ou a Inês Serra Lopes, só para dar dois exemplos, aparecessem assim de repente a apoiar o Fernando Negrão, o Carmona Rodrigues ou o Telmo Correia. Caía o Carmo e a Trindade.
Por essas e por outras é que de vez em quando dou razão ao Paulo (Portas), que me dizia há uns tempos que este País continua a viver, em termos culturais, sociais e comunicacionais, com um "capacete de esquerda". A expressão é dele e continua a fazer todo o sentido.

Não me sinto é nada bem...

Como a nossa secretária de Estado da Saúde, eu hoje também saí de casa cheio de “sensibilidade social”. Sei lá, assim muito cordato, conformado, laico, republicano e piedosamente socialista. Hoje vou-me portar bem, não vou embirrar com o regime, a Glória Fácil nem com o Daniel Oliveira.

PS – Não, não me estou a fazer a um lugar na função pública, é mesmo só ironia e vontade de receber depressa a devolução do IRS.

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Quarta-feira, Julho 04, 2007

Conto menor(zinho)

A Meredith era casada com Clark, um estupor que durante anos e anos a ignorou. Acontece que o Clark era um palerma muito distraído: anos a fio, a Meredith guardava em silêncio todo o dinheiro que, quase diariamente, o Clark deixava esquecido nos bolsos das calças e dos casacos, moedas e às vezes uma nota dos trocos. A verdade é que o Clark nunca soube como é que de vez em quando a Meredith aparecia com sapatos novos ou perfumes caros. A bem dizer, ele pouco olhava para ela e quando o fazia, tornava-a invisível.
O Clark embeiça-se pela colega da repartição e um dia chega a casa e informa a mulher, em tom acusatório, que vai viver com ela.
Adivinhem qual foi a primeira coisa que a Meredith lhe disse?
(Já editado com alterações)

O meu 4 de Julho

Tête a claques


(o boneco é a cara chapada do Castelo-Branco)

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Com dedicatória


Maravilhoso, como diria o outro

Depois do Pedro Correia já ter feito a sua escolha, eis a minha selecção criteriosa das Sete Maravilhas da Blogosfera, uma nova eleição que corre por essa net fora e onde já fomos simpaticamente citados e escolhidos por alguns blogues de muito respeito (e que aproveito para saudar):

1. A Origem das Espécies
2. Bloguítica
3. Atlântico
4. Grande Loja do Queijo Limiano
5. Portugal dos Pequeninos
6. Incontinentes Verbais
7. Geração de 60

Tem tudo a ver

Não é que a matéria me interesse muito, mas depois da barulheira toda lá fui espreitar o tal equipamento alternativo do outro clubezito da Segunda Circular - se bem que para mim só há um. Cheguei à conclusão que não há razão para tanto alarme. Afinal, as camisolas condizem na perfeição com quem as vai "envergar"...

4th of July


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O mártir e a seita

Ontem, ao praticar aquele desporto que dá pelo nome de zapping, acabei por ver na televisão o Jerónimo de Sousa numa "arruada" com o Ruben de Carvalho na zona do Castelo, depois vi o dr. Paulo Portas (muito preocupado com o botão da camisa) ao lado do seu "escudeiro" Telmo Correia numa visita à associação Ajuda de Mãe e mais tarde fiquei a saber que José Sócrates vai estar num comício com o seu candidato António Costa lá para os lados do Parque Mayer. Como Helena Roseta e Carmona Rodrigues têm a sorte de não ter líderes e não estou muito preocupado se Louçã vai estar ou não com Sá Fernandes, porque o líder do Bloco normalmente não vira a cara à luta, só fiquei a pensar onde andará por estes dias Marques Mendes, que ainda não foi visto nas ruas de Lisboa ao lado de Fernando Negrão. Tirando uma convenção realizada dentro de portas e recheada de gente do aparelho, Mendes estará a ver se passa entre os pingos da chuva para não aparecer ao vivo e a cores no terreno. Como mais ninguém tem andado com Negrão - à excepção, dizem-me de Fernando Seara, que foi até à Feira do Relógio com o candidato e as pessoas só o conheciam a ele e perguntavam-lhe pelo seu Benfica -, temo bem que o juiz, deputado e vereador de Setúbal se torne num autêntico mártir desta direcção do PSD. Só que, depois "sacrificado" no dia 15, veremos se a "seita" se salva.

Prémio de Gestão para Metropolitano, um 'must'


Já há muito que uma percentagem razoável dos utentes do Metropolitano de Lisboa que usam passe se habituaram a pagar bilhete no dia 1 de cada mês, evitando assim as longas filas que se formam nesses dias para fazer o carregamento dos cartões. Desde que essa rotina se instituiu sempre me interroguei sobre quanto é que o Metro encaixava com estas contribuições forçadas dos meninos que têm aulas cedo e não podem apanhar falta ao primeiro tempo e dos que não querem chegar atrasados ao emprego por culpa de um sistema que certamente poderia funcionar mais a contento dos seus utilizadores.
Não satisfeita, a administração do Metro decide agora alterar as regras para muito pior: a partir de meados de Junho, os utentes só podem carregar os cartões do passe em quatro estações. Resultado: Se as filas eram grandes, agora são imensas. Se a situação era incómoda, agora é inqualificável.
Só que vendo a coisa pelo lado da gestão, facilmente se conclui que se o encaixe que o Metro fazia no dia 1 de cada mês era elevado, agora será muito maior! É um autêntico ovo de Colombo esta ideia, que devia até ter direito a prémio. Proponho já um: o da Chico-espertice 2007. Que tal?

Vinte motivos para gostar de Portugal (VIII)


CASTELO DE VIDE.

História de algibeira (24)

O Instituto de Socorros a Náufragos foi fundado e presidido por Sua Majestade a Rainha Dona Amélia por Carta de Lei de 21 de Abril de 1892. Ficou célebre a intervenção da Rainha num emocionante e bem sucedido salvamento de um pescador na praia do peixe em Cascais.

Foto daqui

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Uma questão de honra

Kanoff, meu. Já estou pelos cabelos. És tu e eu. Amanhã, em frente ao Museu da Marinha. A arma pode ser o florete porque nunca aprendi sabre nem espada. Escolhe os padrinhos. Plagiar-me a mim ainda vá que não vá, mas fazer isso à nossa Maria Inês foi a gota de água. E não levas link que é para aprenderes. Totó.
P.S. Esqueci-me da hora. Pode ser ao meio-dia e ficas tu contra o sol que até te lixas.

Foi ali, na mesa da direita


Se habitualmente a comida de hotel é o que se sabe, há excepções. E uma delas é claramente o restaurante A Viscondessa do Meliá Palácio da Lousã. A capacidade de escolher ingredientes fresquíssimos e uma mão para os condimentos como poucos, é o que tem este chef Orlando Castro. O meu obrigado ao nosso João Távora pela sugestão.

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Nas colunas

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Terça-feira, Julho 03, 2007

É a diplomacia, estúpido!

Vetar os aviões da TAP no seu território é apenas o princípio de uma reciprocidade plena desejada pelo governo angolano nas relações com Portugal, mas fontes do Futungo de Belas garantem-me que vêm aí outras medidas:
- Angola não vai tolerar que doentes angolanos venham para hospitais portugueses até que Portugal mande também alguns dos nossos para os seus hospitais;
- Os estudantes angolanos bolseiros vão regressar a casa até que Portugal decida mandar jovens tirar a licenciatura em Luanda;
-Os angolanos só voltarão a falar português quando os portugueses dominarem umbundo, quimbundo, quicongo ou tchokwe (facultativo);
- O Mantorras fica, mas levam-nos o Simão Sabrosa.

Os tugas (23)

Diálogo entre um avô e um neto adolescente:
- Olha lá, João, um dia destes ensinas-me a mexer na internet. Está bem?
- Está bem, avô. É fácil...
- Pode-se combinar, lá na internet?
- Combinar o quê, avô?
- A... queria saber se podemos combinar um almoço com alguém.
- Podemos, sim. Eu ensino-lhe.
- E pode-se falar com as pessoas?
- Também.
Passam uns minutos. O avô insiste, desta vez baixando um pouco o tom da voz:
- Olha lá, João. E pode-se namorar lá na internet?
- Claro que sim. Não me diga que o avô gostava de arranjar uma namorada. Olhe se a avó sabe...
E logo o velho, olhando em volta, visivelmente embaraçado:
- Não, não, era só para saber. Deixa estar: isso são modernices de mais para mim. Eu já nasci no outro século!

Vinte motivos para gostar de Portugal (VII)


CHAVES.

Depois queixem-se

Isso por cá não pega, Sr. Negrão

Lembram-se quando, nas últimas legislativas, o PSD criou um outdoor que mostrava caras de figuras conhecidas do PS com uma frase do género "Quer que estas pessoas voltem ao governo?". Um amigo que, por motivos de trabalho, viaja muito para o interior do país, contou-me que em vários sítios ouviu apoiantes do PSD olharem para o cartaz e lamentarem-se: "Isto é só propaganda do PS! Então nesta campanha não há cartazes nossos?".
Em Portugal, o humor é uma arma, mas daquelas que explodem nas mãos de quem as dispara. Se Woody Allen fosse português e escrevesse "Não só Deus não existe, como tentem lá arranjar um canalizador ao fim de semana", receberia certamente uma série de amáveis mas crispadas respostas do tipo "O senhor pode ser muito culto, mas não conseguiu provar a relação entre as duas afirmações" ou, pior, "É desprezível que, para fundamentar o seu ateísmo, se socorra de uma profissão cujos efectivos são lamentavelmente baixos". Já para não falar do sindicato dos canalizadores que, obviamente, exigiria desculpas públicas.
Vem isto a propósito da satisfação dos intelectuais portugueses com o último cartaz de Fernando Negrão, revelador de "sentido de humor" e de "capacidade de se rir de si mesmo". Dinheiro deitado à rua, diria eu. Ponha lá a fotografia com ar de pessoa séria e uma treta qualquer sobre amar Lisboa e talvez ainda lá vá.

O primeiro acto

Não sei se é impressão minha, mas parece-me claramente que José Manuel Durão Barroso se prepara para ter um papel muito mais activo durante a presidência portuguesa da União Europeia do que teve em ocasiões anteriores. No fecho das contas, daqui a seis meses, se verá quem assumiu o papel de actor principal e quem ficou com o supporting role. José Sócrates que se cuide. E Marques Mendes também.

Adivinha

A quem e em que situação se faz constantemente a pergunta:

- Estás nervosa?