Sábado, Março 31, 2007

Um país que vê passar os comboios


Chego a casa cansado, de noite. Afundo-me no sofá, ligo a televisão num canal ao acaso. Aparece-me a RTP-N, está a começar um programa que nunca vi: a Liga dos Últimos – ideia de Daniel Deusdado, apresentação de Álvaro Costa. Dois ou três minutos depois, estou conquistado: é um programa brilhante. Contrariando toda a lógica das emissões “desportivas” da TV, que só sabem lançar os holofotes sobre os primeiros, esta Liga dos Últimos vai à procura dos clubes que estão no fundo de todas as tabelas. Em Portugal e até no estrangeiro.
Esta original ideia materializa-se aqui num jornalismo de qualidade. Que nos mostra um retrato pitoresco do País – não o País que figura nos telejornais, o dos casos de sucesso ou o que grita nas ruas. É um país humilde, de gente incapaz de triunfar mas que nem por isso deixa de disputar desafios. O país dos jogos Atalaia 3-Pedra 2 e Anços 0-Santa Iria 1. Um futebol onde se contam tostões em vez de se ganhar milhões. Um futebol onde é possível o treinador perder todos os jogos e mesmo assim manter-se em funções porque é simultaneamente o presidente do clube. Um futebol onde o jogo que se pratica é tão mau que os escassos espectadores desistem de olhar para a bola.
- Porque é que está de costas para o jogo? – pergunta a jornalista.
- Porque estou mais interessado na bifana – responde o desiludido tifoso, entre duas dentadas.


É um futebol de mães desiludidas com a prestação dos próprios filhos.
- Porque está aqui?
- Porque o meu filho pertence aqui à bola. O meu filho é aquele alto que está lá dentro.
É um país espontâneo, sem truques nem maquilhagens. Um país em que um dos frustrados futebolistas amadores, cantoneiro de profissão, se apresenta desta forma defronte das câmaras:
- Sou Xuxu, um dos melhores jogadores da equipa. O problema é que chega-se ao jogo, começa logo tudo a discutir, e assim não há motivação para ganhar.
Um país em que um treinador-de-trazer-por-casa, depois de levar cinco secos, desabafa assim:
- Qual é a motivação que um treinador tem em vir para aqui à chuva para treinar quando só seis jogadores aparecem para os treinos? Além de treinar, tenho também que apanhar bolas, tenho que abrir o balneário, tenho que fechar o balneário.


É um país que vê passar os comboios. Literalmente.
- Já ganhámos cá um jogo porque a equipa adversária nunca tinha visto um comboio e quando passou o comboio começou a olhar para o comboio e nós ganhámos – lembra um fervoroso adepto do Anços.
É um país que não escolhe as palavras para dizer o que pensa:
- Esse árbitro é um passarinho e o bandeirinha é um passarão. Não são capazes...
- Porquê?
- Se fossem árbitros capazes, não vinham para aqui.
Este programa conquistou-me como nenhum outro o tem feito de há muito para cá. Os últimos, neste caso, são os primeiros.
É Portugal no seu melhor.

Corta-fiteiros de sucesso

O José Carlos Carvalho e o Rodrigo Cabrita ganharam três prémios do concurso de fotojornalismo Visão-BES de 2006. Leram bem? Um, dois, três! O JCC ganhou um dos prémios mais importantes com "Vida Quotidiana" e o Rodrigo brilhou em duas categorias, numa com a reportagem da campanha presidencial de Cavaco Silva (que fizemos juntos, eu de bloco em punho, ele de máquina ao pescoço) e outra na categoria de desporto, com uma fotografia do derby Sporting-Porto do ano passado. As maravilhas estão aqui.

Gostei de ler

1. Mestres na propaganda. De João Caetano Dias, no Blasfémias.
2. Outros grandes portugueses. De Tiago Barbosa Ribeiro, no Kontratempos.
3. A "independente". De João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
4. A ASAE no clube. De Eduardo Pitta, no Da Literatura.
5. 'North by Northwest' ou o valor do vento. De Francisco Frazão, na Fábrica Sombria.
6. Uma espécie de prosa em verso. De Henrique Fialho, na Insónia.

Postais blogosféricos

1. Gosto deste blogue, Vida das Coisas. Tem boa onda, como agora se diz. Já sou visita assídua lá de casa.
2. A Cristina é "uma referência de simpatia e frescura na blogosfera", diz o João Tunes. Subscrevo.
3. Foi com muito prazer que tivemos esta semana o Rui como convidado especial de mais um jantar do Corta-Fitas. Este é um dos grandes méritos da blogosfera: proporcionar excelentes momentos de convívio entre pessoas oriundas das mais diferentes paragens.

Tertúlia literária (167)

- Porque é que nunca lês?
- Porque sou amigo das árvores. Se todos fossem como eu havia muito mais florestas do que há.

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De «O poeta e o seu tempo»


«A contemporaneidade na arte é a influência dos melhores sobre os melhores, quer dizer, o contrário da actualidade: influência dos piores sobre os piores. O jornal de amanhã já envelheceu. O que implica que a maioria dos acusados de «contemporaneidade» não merecem tal acusação, já que apenas sofrem de «temporaneidade», um conceito tão oposto ao de contemporaneidade como ao de «extratemporaneidade». Contemporâneo: omni-temporâneo. Qual de nós virá a ser nosso contemporâneo? Algo que apenas pode ser constatado pelo futuro e somente é certo no passado. Os contemporâneos são sempre uma minoria».
Marina Tsvietaieva, traduzida do espanhol por Fernando Pinto do Amaral.

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Sexta-feira, Março 30, 2007

Suécia: notas de viagem (VII)

Suécia à mesa. Em Roma, sê romano. Sobretudo à mesa. Nada de pastas ou pizzas. Nada de hamburgers. Só provei comida sueca, em restaurantes genuinamente suecos. São doses bem servidas, como convém a climas frios, com uso imaginativo de batatas e saladas. Peixe e carne com fartura. Para quem goste, há salsichas em diversas variedades. E arenque. Por mim, fixei-me num dos pratos nacionais suecos - pytt i panna, carnes diversas e batatas cortadas em pequenos cubos, com ovo estrelado e uma deliciosa salada de beterraba a acompanhar. E também no salmão, fresquíssimo - cru, marinado em molhos deliciosos ou bem grelhado, sem perder o suco. Para os gulosos, há uma lista infindável de bolos, tartes, chocolates.

A vingança do Pai Natal. Já me esquecia: comi também carne de rena. Como entrada, género fiambre. Em bife. Ou picada com arroz, tipo strogonoff. Senti sempre um irreprimível complexo de culpa. Será que o Pai Natal se vingará em Dezembro?

A quem puder interessar


Só para dizer que tenho, para oferta, um convite para o 3º Aniversário da agência de modelos Just Models, hoje pela noite dentro, no BBC. O médido proibe-me de comparecer. Disponham sempre.

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Alemanha: um caso exemplar

Na política tudo muda muito depressa. Veja-se o caso da Alemanha: a actual chanceler, Angela Merkel, é a dirigente mais popular da Europa. As mais recentes sondagens atribuem-lhe 75% das preferências populares – algo de fazer inveja a qualquer dos seus colegas da União Europeia, incluindo José Sócrates. A tímida democrata-cristã que veio do Leste e fez uma desastrosa campanha nas legislativas de Setembro de 2005, derrotando o desgastado social-democrata Gerhard Schroeder por um ponto tangencial (35% contra 34%) “passeia-se hoje entre os grandes da terra” - como há dias sublinhava o insuspeito El País - deixando-se beijar por Jacques Chirac ou massajar no pescoço por George W. Bush. Os sociais-democratas do SPD, que formam uma “grande coligação” com a CDU em Berlim, estão a ser os grandes prejudicados por esta espécie de “bloco central” à moda alemã: o seu ministro das Finanças, Peter Steinbruck, ultrapassa pela direita os democratas-cristãos, fazendo subir o IVA de 16% para 19% (ainda assim inferior a dois pontos percentuais ao da taxa vigente em Portugal) e dando luz verde ao aumento da idade da reforma, outrora um tema tabu na Alemanha. Pior que isso: como também acentua o El País, o SPD “tem tido quase tantos treinadores como o Real Madrid de Florentino Pérez". Schroeder trocou a política por uma luxuosa avença na empresa de gás russa Gazprom - prenda do amigo Vladimir Putin. Seguiram-se Franz Muntefering, Matthias Platzeck e o actual líder, o apagado Kurt Beck, primeiro-ministro da Renânia-Palatinado. Não admira que o SPD (que liderou o Governo entre 1998 e 2005) tenha hoje 556 mil militantes – uma cifra muito inferior à que tinha há 30 anos, quando dispunha de mais de um milhão de filiados, nos dias gloriosos de Willy Brandt e Helmut Schmidt.
É um caso exemplar: a incompetência tem hoje elevados custos políticos. Um caso que deve suscitar profunda meditação aos políticos portugueses, que se julgam imunes ao desaire. A popularidade esfuma-se tão depressa como surge nestes tempos marcados pelo signo do efémero.

Tertúlia literária (166)

- Quando é que você tomou conhecimento com a obra de Saramago?
- No ano da morte de Ricardo Reis.

Rosebud

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A minha sexta-feira


A musa e as suas liras. Gina Lollobrigida.

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Notícias do nosso mundo

Uma boa e uma notícia. No primeiro caso, pode ser que a partir de agora Nani se concentre mais a jogar e a falar menos, seguindo o belo exemplo de João Moutinho. No segundo, é uma pena, pois Coentrão é daquelas jovens promessas que valia a pena pôr a rodar em Alvalade para ver se pegava. Mas vejamos a coisa pelo lado positivo, a equipa do outro lado da Segunda Circular precisava mais de tempero do que a nossa. Aquilo é tudo um bocado insonso...

Ena pá!

Sou a pessoa mais sintonizada com o espírito do Tempo que existe (e a mais modesta também). Ainda não tinha desaparecido para o fundo dos arquivos o meu post sobre o grande Russ Meyer e as suas ainda maiores actrizes, quando me foi dada a portentosa notícia de que já amanhã - sim, amanhã - a banda de Manuel João Vieira volta a apresentar-se ao vivo, pelas 23h, no Cabaret Maxime. O pretexto é o lançamento em dvd da trilogia das Vixens e a inclusão de duas superstripers promete. A entrada é a 10€, com oferta de bebida.

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Vai mais um croquete?

É já no próximo dia 3 de Abril que o Nuno Costa Santos lança a versão em papel das suas melancomicidades, editada pelas Produções Fictícias. A Dona Bina e o Márcio convidaram-me para estar no Teatro Tivoli às 18.30H e eu convido-vos também. «Aforismos de pastelaria», diz ele, o autor, que promete estar presente mas falar pouco. Há ainda lugar para dois videos dos Daltonic Brothers e uma actuação dos Dead Combo. E croquetes, espero eu.
Para quem esteve na melhor festa de 2006 que foi a do meu aniversário, esclareço que o Nuno foi também o DJ responsável pela selecção de música dos anos 80 que pôs toda a gente a dançar.

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Stonehenge explicado

É um dos vídeos mais vistos do You Tube. Um norte-americano reformado da construção civil explica como se consegue mover blocos de uma tonelada com um pedaço de madeira e duas pedras que nos cabem na palma da mão. Vejam que vale a pena...

Partilha espiritual

O «Astavakra Gita» - cujo nome não consigo escrever correctamente por insuficiência do teclado - «O Cântico da Consciência Suprema», foi agora editado com tradução do sãoscrito (como ele diz e grafa), comentários e glossário da autoria do meu amigo Pedro Teixeira da Mota, primo da nossa Isabelinha. É um clássico da literatura espiritual e uma obra indiana da tradição Advaita Vedanta. «O comportamento da pessoa firme não é artificial nem reprimido e contudo brilha, mas já não é o da pessoa ignorante simulando paz, com a mente cheia de desejos», podemos nós ler. E depois, entender. Para o Pedro, um abraço estreito por esta sua dádiva.

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Lugar aos novos

A Oriana Alves (filha do Fernando Alves) é a detentora de uns olhos lindissímos e de uma simpatia contagiante. O seu namorado, Changuito, uma figura conhecida de todos os que há anos frequentam as noites e iniciativas do Teatro A Barraca. Os dois decidiram abrir, logo no início da calçada da Bica, a livraria-bar da Mariquinhas, especializada em poesia. Recentemente, editaram também através da BOCA um audiolivro de poemas de amor para crianças, da autoria do colombiano Jairo Aníbal Niño. Passem por lá, para um chá ou uma tosta mista como há poucas na capital, boa música e as palavras daqueles, vivos ou mortos, que nos mostram o mundo para além do véu da realidade.

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Friday


Lindsay Lohan.

Musica do meu tempo (4)


Simple Minds - "Don't You Forget About Me"

Quinta-feira, Março 29, 2007

Nos 50 anos da RTP (14)


A minha mais remota memória da televisão, ainda a preto e branco, é povoada por séries do velho Oeste. Séries de cobóis, como lhes chamávamos na época – ainda o termo western estava pouco vulgarizado entre os espectadores comuns. Já aqui falei de Bonanza, a minha preferida. Mas houve várias outras. Guardo delas recordações difusas, mas retenho relances do encantamento com que as via, tarde fora, nessa suave aprendizagem do mundo através do ecrã mágico da televisão. Séries como O MAIORAL (NBC, 1962-71), SHENANDOAH (ABC, 1965-66), OS MONROE (ABC, 1966-67) e HIGH CHAPARRAL (NBC, 1967-71). Que me apresentaram o herói solitário, montado num cavalo em direcção ao infinito. O herói imperfeito, muitas vezes zangado com a vida, mas sempre capaz de um gesto solidário, de um acto de abnegação. Havia então uma fronteira nítida entre maus e bons. Nada pode estar mais fora de moda em tempos de vale-tudo. Talvez por isso sinta ainda mais nostalgia destes séries simples – retratos de uma época sem lei mas em que havia uma justiça imanente e a ética não dependia das cotações da bolsa ou das manchetes matutinas. Quando me lembro delas logo recordo os versos de Shenandoah, uma das mais belas canções de sempre: “Oh, Shenandoah, I love your daughter, / Away, you rolling river! / For her I've crossed the stormy water, / Away, I'm bound away, / 'Cross the wide Missouri.”
E sinto-me eu também a cruzar o Missouri. A sulcar oceanos, a galgar montanhas, a galopar nas pradarias. Novamente como uma criança capaz de todos os sonhos.

Uma é loura, outra é morena


Fiquei a saber pelo PPM que a Atlântico faz dois anos e, ao mesmo tempo, que a insuspeita FHM também celebra os mesmos dois anitos. Pelo generoso link que o PPM fez tive acesso a um importante concurso entre as meninas que se revezam para ser capa e destaque da FHM e não pude deixar de reparar que a maioria das meninas diz que não tem namorado (será verdade?), mas há lá uma que afirma qualquer coisa como "agora não respondo, noutra altura pode ser que vocês tenham acesso a essa informação". Muito bom...
Os nossos parabéns às duas revistas, de que somos fãs por razões diferentes.

Um café por 25 cêntimos

Zapatero tramou-se. O presidente do Governo espanhol respondeu a cem perguntas que “cidadãos comuns” lhe fizeram em directo na televisão. Tudo muito escorreito, tudo muito bem arquitectado. Pena ter escorregado na resposta à mais simples das perguntas: quanto custa um café? “Oitenta cêntimos”, arriscou o líder socialista. “Isso era no tempo do seu avô”, retorquiu-lhe o “cidadão comum”. Ficou óbvio como Zapatero está divorciado da realidade.
Gostava de ver esta ideia transposta para Portugal. Aposto que nem todos os líderes políticos aceitariam o repto. E não é seguro que saibam quanto custa um cafezinho aí por fora. Em compensação devem saber os preços praticados nos bares do Parlamento: lá uma bica custa apenas 25 cêntimos.
Preço especial para os representantes do povo não irem à falência...

É outra coisa

Vi na semana passada uma entrevista de Gordon Brown à Sky News, onde o sucessor de Tony Blair se sujeitava às perguntas do pivot de serviço acompanhado por uma audiência que, em directo, ia aprovando ou reprovando as respostas do ministro das Finanças. A imagem era aterradora em termos de entrevista televisiva. Brown - que estou certo ainda vai levar uma banhada à grande e à inglesa de David Cameron, líder dos tories - aparecia na imagem ladeado por dois enormes gráficos digitais, um encarnado e um verde. Um significava a rejeição por parte dos telespectadores, outro a aprovação. Tratava-se, portanto, de um arriscadíssimo exercício político e jornalístico, com dados de audiometria em directo, ao minuto, e Brown esteve à altura. Embora tenha tido na maior parte dos casos (sobretudo quando falou de impostos e de ambiente) uma nota muito negativa (sempre a roçar os 70%), o futuro líder trabalhista não desarmou. Demonstrou grande maturidade democrática e um enorme sentido de Estado e de respeito pelos cidadãos britânicos. Diria que foi um bravo scotsman.
Quantos por cá se sujeitariam a uma prova desta grandeza?..

A manchete de f.

D. Fernanda (f.), a tão proclamada jornalista das (suas) causas, oferece-nos hoje no Diário de Notícias (DN) a manchete do dia. A senhora, provavelmente da janela do seu gabinete, vislumbrou um cartaz do PNR ali ao Marquês de Pombal, berrando uma inconsequente imbecilidade contra os emigrantes... e toca de lhe dar um bombástico relevo. Parece-me estranha esta súbita e incontida generosidade da jornalista, que assim dá voz e acalenta esta minoritária e desfavorecida causa "nacionalista".
O que é um facto, é que com apenas € 1750,00 e um cartaz, com a ajuda de f., o Sr. Pinto Coelho (por certo sem assessoria de imprensa, que se a tivesse rapava aquela hedionda barbicha) conseguiu multiplicar incomensuravelmente os resultados do seu investimento publicitário.
De resto, a magnifica fotografia do Rodrigo Cabrita na capa do DN, exprime subtilmente a insignificância do facto: o trânsito que escoa rápido pela rotunda, furtivo e indiferente àquela propaganda, como de resto estão os portugueses. Tão bem habituados a conviver com os partidos totalitaristas da esquerda.

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Jaz morto e arrefece

Maria José Nogueira Pinto bateu com a porta, rasgando o cartão de militante do CDS. O desfecho lógico de um processo que encheu de lama o partido fundado em 1974 por Diogo Freitas do Amaral e Adelino Amaro da Costa. Os pequeninos instintos políticos de alguns, o espírito de facção de outros, a falta de visão estratégica de quase todos puseram o CDS à beira do abismo, afastando-o ainda mais do seu eleitorado natural, remetido nos últimos 20 anos a parcelas cada vez mais residuais. O partido que já teve um vice-primeiro-ministro (Freitas), um presidente da Assembleia da República (Oliveira Dias), um presidente da Câmara de Lisboa (Nuno Abecasis) e o melhor ministro da Defesa de que me lembro (Amaro da Costa) é hoje palco das cenas mais indecorosas da democracia portuguesa. A demissão de Maria José é um dos últimos actos de dignidade saídos daquele ninho de intrigas - o que aliás só surpreende quem a não conheça. Daqui para a frente, só pode esperar-se o pior: a cisão do partido em dois blocos microscópicos é o cenário menos mau. Agora pouco importa se o líder será escolhido em congresso ou eleito em directas. E é irrelevante se vai chamar-se Paulo ou José. Ganhe quem ganhar, herda um cadáver. O CDS jaz morto e arrefece.

Pois...

"Paulo Portas caiu na tentação dos miúdos que abrem as prendas antes do Natal."
Mário Bettencourt Resendes, na SIC Notícias

Música do meu tempo (3)


The The - "The Beat(en) Generation"

É preciso ter azar...

O campeão nacional português de ralis despistou-se e passou hoje a ferro quatro pessoas. Os velhos traumas estão de volta.

Quando a gravata é melhor do que o acepipe

Felizmente não costumo frequentar o selecto restaurante do Clube de Empresários, em Lisboa. Não sei o que o meu amigo Duarte Calvão, gastrónomo encartado, pensa do assunto: das raras vezes que lá fui, achei aquilo caro e mau. Pelos vistos não sou o único a ter opinião negativa desta casa onde há mais gravatas de seda do que acepipes recomendáveis: a Autoridade para a Segurança Alimentar mandou fechar o estabelecimento por falta de condições higiénicas. É (facto raro em Portugal!) uma autoridade que faz jus ao título: a responsável do restaurante, que recusou obedecer à ordem, já foi constituída arguida por desobediência. E agora com licença: vou almoçar ao Galeto. Pode ser mau também, mas é muito mais barato.

Campanhã sem til

Não consigo evitá-la. Na plataforma do metro, lá surge aquela vozinha asmática, que parece de uma aluna do ensino básico, a debitar "notícias" no brevíssimo intervalo de anúncios sonoros. Penso: o que dirá a sisuda Comissão da Carteira Profissional de Jornalista desta amálgama de "notícias" e publicidade que atroa toda a rede do metropolitano de Lisboa? Tento abstrair-me: não consigo. "Começaram as demolições no bairro da Campanha", debita a vozinha. Assim mesmo, sem til na Campanhã. Felizmente o metro não tarda a chegar, as portas fecham-se. Enfim, algum sossego até à próxima estação.

Pausa poética


Conferência à Imprensa

O processo
- O que importa é virá-lo do avesso,
Mudar as intenções,
Interpretar,
Sofismar -
Deve ser rápido e sumário.
Termos, preceitos, norma,
É tudo forma,
Matéria de processo e convenção.
Ao cabo, é o Calvário
Que é preciso atingir.
Alguém tem de subir.
Eu não quis, sou juiz.

Aos senhores,
Mais propagadores
De tudo o que acontece
- De todo o que parece
Que acontece
E passa a acontecer -
E disto e daquilo-
E da Verdade, às vezes
-.......................

Reinaldo Ferreira, foto de Rui Knopfli.
N.1922/F. 1959

Quarta-feira, Março 28, 2007

O regresso da barbárie


Hoje almocei em Monsanto, no clube de ténis, onde às vezes também vou ao fim de semana, e uma das coisas que mais me impressionou - porque tem sido recorrente nos últimos tempos - foi a confirmação de que voltou a prostituição àquela zona. e em pleno dia. Tanto do lado do parque infantil, como também do lado do clube de ténis, voltaram a aparecer prostitutas a vender o que têm e sobretudo o que não têm. É pena, porque se há coisa que muita gente reconhecia à Câmara de Lisboa era a erradicação daquela espécie de Monsanto. Primeiro, a CML colocou uma série de pilares de cimento impedindo o estacionamento, depois mandou pintar uma faixa lateral na estrada com um traço contínuo amarelo. Agora voltou tudo ao que era. Parece que a vontade de resolver a questão estava mais relacionada com a proximidade da residência oficial de um determinado presidente da CML do que com o bem estar das famílias lisboetas...

Para quando uma quota para morenas?

Regresso à Assembleia da República, onde há muito não entrava. Alguns rostos conhecidos, que revejo com gosto. Mas encontro também muitos deputados que não conhecia. Deputadas, sobretudo: a bancada parlamentar do PS está cheia delas, por virtude do sistema de quotas que o partido implantou nesta legislatura. Mas reparo melhor: são todas louras. Dir-se-ia que não são portuguesas, mas luso-suecas. É uma flagrante discriminação das morenas. Eis a altura indicada para exigir da direcção socialista uma nova quota dentro da quota já existente: há que abrir lugar às morenas no grupo parlamentar. E porque não também às ruivas? Este latifúndio de louras, tão pouco representativas da identidade nacional, tem de ser combatido energicamente por um partido que se diz progressista e em sintonia com os valores do País profundo.

Música do meu tempo (2)


Prefab Sprout - "When Love Breaks Down"

Apesar dos danos irreversíveis que me causaram

Atribuo já aqui uma medalha de mérito mirim

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Força Nuno! Grande abraço

Nuno Miguel Guedes no Tradução Simultânea

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Um retrato social



Ontem, enquanto jantávamos, a RTP passou o 1º episódio do programa de António Barreto "Portugal-Um retrato social".Segundo li aqui, ali e também no Hoje há conquilhas, trata-se de um programa revelador de um país que mudou e um retrato sério das mudanças sociais verificadas em Portugal ao longo das últimas quatro décadas.
Se alguém entretanto encontrar o video do programa, faça o favor de nos dizer. Acho que por aqui todos gostaríamos de o ver.
Obrigada.

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Mas que pouca vergonha é esta?!


Quem é este Zelito Viana? Insinuações torpes, charutos fálicos
e olharzinhos matreiros? Eu já lhes conto!

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Escritos pré-cárcere (1)

Amedrontado por o meu nome poder vir a surgir nos jornais, venho aqui publicamente admitir que também eu tive uns chequezitos passados, em anos que já lá vão, pelos senhores da Universidade Independente. Assinados se bem me recordo pelo Nuno Rocha, pessoa que gostava de ter conhecido mas nunca calhou. O que eu lá fazia era fingir que sabia dar aulas de uma cadeira do curso de pós-graduação em Assessoria de Imprensa. A coisa funcionava assim: Eu chegava e balbuciava a primeira parte da aula. Duas horas depois, no intervalo, uma simpática senhora dava-me o cheque em troca de um recibo. Nunca me queixei.
Entretanto, outro dia, vi na televisão que o Rui Verde tinha sido preso preventivamente. Ora eu e o Rui fomos da mesma turma durante a minha fugaz mas marcante passagem pela Católica. Ainda afectado pelo jantar de ontem - e por um chefe de sala italiano que queria ajoelhar-se a meus pés e beijocar-me, naturalmente possuidor de um sentido de humor muito próprio - senti que havia aqui, caso alguém pretendesse estabelecê-las, conexões suficientes para ser levado a interrogatório e sovado selvaticamente por mulheres-polícia, já com farda de Verão. Antes que isso acontecesse, decidi escrever esta confissão. Conto com o vosso perdão, a compreensão das autoridades e o meu sentimento de genuíno remorso.

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Um sinistro mundo de sombras (1)


Ando a ler com muito interesse as memórias de Albert Speer, o arquitecto preferido de Hitler que se tornou ministro alemão do Armamento e foi condenado a 20 anos de prisão no Tribunal de Nuremberga. O III Reich por Dentro (edição portuguesa Livros do Brasil), o livro que escreveu enquanto esteve encarcerado em Spandau, dá-nos um retrato minucioso de um dos mais despóticos regimes de todos os tempos – um regime que vivia amarrado à vontade tirânica de um só homem, que subiu ao poder pelo voto democrático e logo suprimiu a democracia, mergulhando a Europa na mais sangrenta carnificina. Speer, que chegou a ser o virtual delfim do ditador, sentiu-se fascinado pelo poder hipnótico de Hitler. Mas, segundo revela, o fascínio deu lugar ao ódio à medida que ia conhecendo cada vez mais em pormenor os meandros do nazismo nos dramáticos meses finais, quando o ditador, entrincheirado no bunker, sem contactos com o exterior, procurava gerir a guerra consultando os mapas que conservava no gabinete e mandava avançar divisões que já tinham sido dizimadas. Speer dá-nos o testemunho de uma camarilha demente, afogada em ódios fratricidas, movendo-se por mero instinto criminoso, já sem qualquer vínculo com o povo que lhes dera o voto inicial, prontamente espezinhado. Um sinistro mundo de sombras de que felizmente nos chegou este relato em primeira mão. Para que nunca mais ninguém se iluda. Para que nunca mais ninguém se esqueça.

Um sinistro mundo de sombras (2)

Eis uma das revelações mais surpreendentes do livro: o fascínio que Hitler sentia por Estaline mesmo depois de os alemães terem sido clamorosamente derrotados pelos russos em Estalinegrado. Em 1943, escreve Speer, o ditador nazi falava do soviético “com subido apreço, não se esquecendo de salientar as analogias existentes entre a sua própria resistência e a de Estaline”. E chegou a dizer que, “depois de obtermos a vitória sobre a Rússia, o melhor que havia a fazer era confiar a administração da Alemanha a Estaline”. Escreve ainda Speer: “Em geral, considerava Estaline uma espécie de colega seu. Quando o filho do governante russo caiu prisioneiro, foi talvez pelo respeito que tributava ao pai que Hitler ordenou que lhe dessem um tratamento especial.” Tinha bons motivos para isso: se não fosse o pacto Hitler-Estaline (e que ele próprio traiu em Junho de 1941), celebrado dez dias antes da invasão da Polónia pelos nazis, em 1939, a tropa alemã não teria mergulhado o mundo na II Guerra Mundial.

Um sinistro mundo de sombras (3)

O respeito que Hitler reservava a Estaline não se estendia, naturalmente, aos líderes do mundo livre. Segundo Speer, “para ele Churchill não passava, segundo frequentemente repetia nas conferências com o seu estado-maior, de um demagogo borrachão e incompetente”. E “afirmava, com toda a seriedade, que Roosevelt não era vítima de paralisia infantil, mas de paralisia sifilítica e, por esse facto, um deficiente mental”.

Súbita nostalgia


Alguém se lembra disto?

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Momento tablóide

A FHM tem uma edição especial (mas mesmo especial!) de aniversário. E Sofia Aparício. «Aos 36 anos, continua um ícone de sensualidade», dizem eles. Basta a fotografia a duas páginas de Pedro Ferreira para perceber que têm razão. Quando renascer, quero ser o Pedro Boucherie Mendes mas com melhor feitio. Embora, uma vez, ela me tenha mostrado uma tatuagem que não se vê nas imagens da revista. Nina, nina.

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Jantar mistério

E a propósito de amigos meus, o Rui Neto Pereira continua em força com o seu Espiatorio. Gosto particularmente, por razões corta-fiteiras, do Baile Mistério na casa dos Távoras. O enredo? «Corre o ano de 1755 e a família Távora oferece um baile em honra de Soror Inácia de Mascarenhas, que vai entrar no convento das Carmelitas Descalças. Mas é apenas um pretexto para fazer oposição ao novo secretário do reino, o futuro Marquês de Pombal. E eis que surge a notícia de que D. Luís da Cunha foi assassinado. Inspirado em factos reais». Quando quiserem saber o que é ser Távora por uma noite, falem com o Rui.

Vai um croquete?

Estão hoje todos convidados para o lançamento do sétimo romance do meu grande amigo Paulo Nogueira, escritor e também cronista e crítico literário do Expresso. A apresentação vai estar a cargo de Ferreira Fernandes, redactor principal do Diário de Notícias. É a partir das 19H00, no Restaurante do El Corte Inglés, sétimo andar. O livro, editado pela ASA, chama-se «Estamos Todos Tão Sózinhos» mas podem ir acompanhados.

Do vinil ao digital numa mesa para muitos


Impressionistas? Digo, impressionados? Na ausência dos maravilhosos fotógrafos deste blog, foi a fotografia possível. Têm razão:pior era impossível. Eu estraguei o resto.
Pois foi mais um jantar de Corta-Fitas sem gravatas nem passwords. E um convidado de quem é difícil não simpatizar. Foi um prazer Rui Castro. Mesmo longe de Porto de Mós (viras à esquerda a seguir ao sinal), o Duarte não se livrou das graçolas do costume, do cabrito, das batatinhas, isso é que é comida, nem dos pratos ou dos vinhos. Ter um gastrónomo entre nós é um privilégio.
A blogoesfera tem destas coisas. Gente que se encontra dentro e fora do blogger, que se cruza aqui e ali, que se importa, que se alegra com as vitórias, que se entristece com o sofrimento, que brinda à felicidade, aos convidados, a nós e à nossa vida. O blog é um pretexto, um fantástico pretexto para sair do blogger, beber gins tónicos, sumos de tomate, comer risotto ou penne, com cortes epistemológicos entre duas garfadas.
E rir, dizer mal, dizer bem, as mulheres (as giras), os blogs, quem nos lê, quem nos comenta (obrigada a todos) e as confidências que (também) nos unem.
Falou-se dos resultados do referendo ali do lado, com a "penalização da posse e consumo do pó de talco" a ganhar com um grande margem e discutiu-se o tema do próximo inquérito. Lamentavelmente estava a falar com alguém e não percebi nada.
A grappa final foi já tarde e a más horas, mas dias não são dias e nem todas as noites são assim.
E é tudo. Foi o relato possível. O nosso bem-haja aos nossos leitores. Também são eles que nos unem. Por cá, vamo-nos cruzando entre uma draft e um publish. Foi um prazer. Uma boa noite e mais um copo de água.

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Terça-feira, Março 27, 2007

Ecos do concurso

De Badajoz para lá, eis como é vista a vitória póstuma de Salazar.

Stand up comedy in the (White) House

Lewis Black, um dos melhores humoristas dos EUA, sobre Washignton

Vemos, ouvimos e lemos


Cerca de cem mil pessoas desceram há dias à rua em Pamplona, numa impressionante manifestação, gritando em uníssono “Navarra é Espanha”. Vão de mal a pior os nossos vizinhos: o simples facto de ser necessário fazer estas proclamações é um sinal evidente de que o Estado ameaça implodir. Quem brinca às autonomias, como o primeiro-ministro Zapatero tem feito enquanto persiste em arranhar as feridas mal cicatrizadas da guerra civil, acaba queimado. Com a Catalunha a um passo da independência e outras regiões com vontade crescente de lhe seguirem os passos, Espanha é hoje uma palavra cada vez mais destituída de sentido. Valha-lhes o rei, último símbolo da unidade nacional. Mas à medida que o tempo passa talvez já nem o prestígio do monarca consiga estancar a crise, agravada pelas absurdas concessões do Governo socialista aos separatistas bascos com mãos sujas de sangue. Portugal devia acompanhar com mais atenção o que se passa do outro lado da fronteira. Vêm aí tempos muitos difíceis. Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar.

Pérolas de Lula


1. "Sexo é uma necessidade orgânica, uma necessidade da espécie humana e da espécie animal. Como não temos controle disso, o que precisamos é educar."
Lula da Silva, defendendo o uso do preservativo
2. "É preciso melhorar a massa encefálica dentro do cérebro para as pessoas compreenderem que as mulheres devem ser respeitadas."
Lula da Silva, em homenagem às mulheres
...................................................................................................
ADENDA
"Entreouvido no hospício: ‘Meu filho está cada dia pior, coitado. Antes achava que era Napoleão. Agora pensa que é o Lula'.”
Millôr Fernandes, in Veja

Postais blogosféricos

1. Este blogue merece boa nota. E uma leitura atenta, apesar da mistura estranha. Mel com Cicuta não será um pouco indigesto?
2. O Blue Lounge foi de licença sabática. Espero que o Rodrigo não demore a reabrir a loja...
3. Também o French Kissin' fechou as portas. Mas aposto que o João não conseguirá estar muito tempo longe da blogosfera. Um abraço para ele.
4. Parabéns ao João Carvalho Fernandes. Pelo quarto aniversário do Fumaças.

Prémio «Quem Manda Sou Eu e Quem Paga Vocês»

«Mário Lino rejeita atrasar concurso para a construção da Ota». (Sem fotografia, por razões que as senhoras compreenderão)

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Entre os melhores do mundo

Estava à espera que algum dos meus colegas de blogue mencionasse o jogo Portugal-Bélgica, de sábado, que terminou com uma goleada lusa por 4-0. Em Alvalade. O estádio-talismã da nossa selecção de futebol. Como nada disseram, avanço eu. Para reiterar duas ideias que já aqui exprimi noutras ocasiões: Scolari é o melhor seleccionador de sempre ao serviço da “equipa de todos nós”; esta selecção – que, recorde-se, já derrotou a brasileira – é também a nossa melhor de sempre. Digam o que disserem os detractores do técnico gaúcho, que continuam a rogar-lhe pragas, Scolari soma e segue. E desta vez emendando a mão: com Ricardo Quaresma e João Moutinho, como aqui anotei no Verão, esta selecção torna-se ainda mais forte. Foram apenas os melhores jogadores em campo contra os belgas, formando com Cristiano Ronaldo o trio-maravilha da turma das quinas. Ou me engano muito ou já não saem do onze-base.
Valha-nos o futebol para estarmos entre os melhores do mundo. A “qualificação” de que o engº Sócrates tanto fala começa aqui. À flor da relva, como diria o Gabriel Alves.

Causa e efeito

com sotaque à Schwarzenegger.

Sericotalho, bacalhau, azeite e alho

Como observou um atento anonymous, hoje há jantar corta-fiteiro. Começa tarde e a más horas e promete acabar sabe-se lá quando, tendo em conta a animação e cortacasaquice do costume. Como gosto de risotti quase tanto como de Coca-Cola e sardinhas, já escolhi os «ravioli de bacalhau, caldo de parmigiano, catalão de porco preto e camarões». Nem sequer percebo se isto é um prato só ou que diabos é «catalão». Mas a aventura é a aventura, embora amanhã seja dia de trabalho. Buá! (Título roubado à saudosa Cândida Branca Flor, com quem uma noite dancei em Rossio ao Sul do Tejo).

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Tertúlia literária (165)

- As minhas lombadas são melhores que as tuas.
- Lá vistosas são. Mas não tens nada que se compare às minhas badanas. E tomaras tu teres uns prefácios como os meus.

Museu do cinema (IV)


Não há muitos realizadores de cinema com tantas obras-primas. John Ford é único, o mais influente e imitado de todos os tempos. Nos anos 40, realizou de seguida um trio de filmes (O Vale Era Verde, Homens para Queimar, A Paixão dos Fortes) que talvez representem a culminação, até hoje, desta arte. Ford fez ainda a trilogia da cavalaria, A Desaparecida, O Homem que Matou Liberty Valance. Todas obras-primas. Conto pelo menos mais uma dezena de filmes magníficos: de Young Mr. Lincoln a Patrulha Perdida, passando por The Informer, As Vinhas da Ira ou Sete Mulheres.
A obra é vastíssima, acumulada entre 1917 e 1966 (quase meio século). Ford fez filmes de guerra, westerns, películas sentimentais, adaptações literárias. Há poucos realizadores tão versáteis e, ao mesmo tempo, que conseguissem dar aos seus trabalhos um cunho tão pessoal.
O tema preferido de Ford é a força e virtude dos seres humanos perante a adversidade: vejam-se a inesquecível Maureen O’Hara em O Vale Era Verde, Henry Fonda em A Paixão dos Fortes, sobretudo John Wayne em Homens para Queimar.
É sobre este último, realizado em 1945, que queria deixar algumas linhas. Foi o filme que mais me impressionou até hoje, não sei a razão exacta. É a história dos homens de uma unidade da marinha durante a invasão japonesa das Filipinas. No fundo, a maior derrota americana da Segunda Guerra Mundial. Ford servira na marinha durante o conflito (chegou a contra-almirante) e viu muitas tragédias semelhantes.
Na realidade, They Were Expendable desmente o título. Enquanto os combates se agravam e a derrota é consumada, a unidade tem de abandonar barcos e tripulações, deixando-os para trás. O destino dos que são abandonados é conhecido de quem vê o filme: estão condenados à morte e, apesar de tudo, aceitam o seu destino trágico. O filme é pungente sem nunca puxar à lágrima ou cair no sentimentalismo.
Homens para Queimar apresenta-nos a Humanidade no seu melhor. Não é uma exaltação da guerra, mas profundamente pacifista. Há duas cenas fabulosas nesta obra: o baile das enfermeiras, com a luz das persianas no hospital condenado; e a saída do último avião, com os dois oficiais que têm de ficar em terra, para darem o lugar aos dois atrasados, que estavam acima deles na lista dos que têm direito a viver. Ford explica-nos o que é a verdadeira coragem: por vezes, é apenas prosseguir, quando o acaso escolhe as suas melhores vítimas.

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Fora de Estrutura

A partir de agora escrevo também de Fora de Estrutura, onde ombrearei com um grupo de amigos meus, marginais cidadãos e radicais cristãos. Para uma escrita de intervenção, de evangelização. Porque os caminhos da liberdade e de vida são para ser partilhados.

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Nas colunas


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A pérola da Atlântico

Recebi, muito simpaticamente enviada pelo Paulo Pinto Mascarenhas através da nossa Miss Pearls, a versão em pdf da revista Atlântico, que estará esta quinta-feira nas bancas. É o primeiro número do seu terceiro ano. E é, indubitavelmente e como sabe qualquer pessoa que tenha tentado fazer uma revista em Portugal e falhado - como sucedeu comigo - uma aposta ganha. Dois anos depois, a Atlântico sai para a rua com 76 páginas, conseguiu incluir cronistas e bloguistas do melhor que temos por cá, ter um blogue de referência, um programa de rádio(«Descubra as Diferenças» na Europa Lx) e afirmar o seu espaço de uma forma coerente, respeitada e tida em conta. Parabéns a todos. Não sendo dos vossos, nem por isso vos admiro menos.

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Ainda o Lobo Mau


Caro Henrique, eu não defendo de forma alguma a proibição de passeios, sejam os passeantes PNRs ou outros. Por mim, até podem fazer um piquenique em frente à Loja do Cidadão. O que discordei em relação ao que escreveste - mas não apenas tu - foi que os salazaristas existentes são pouquinhos e não devem, deduz-se, ser levados muito a sério. Ora acontece que eu - entendendo em particular as idiossincracias de alguns amigos - classifico os salazaristas em geral na classe dos extremistas. E levo todos os extremistas a sério, venham eles da direita ou da esquerda. Para mim, o Lobo Mau existe. E ter medo dele parece-me uma reacção muito saudável. Abraço (na fotografia, alguém mais bem conservado do que tu e eu, et pour cause).

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Caligrafia digital

Chama-se Fontifier e, por uns módicos nove dólares, permite-nos criar uma fonte de letra para o computador baseada na nossa caligrafia, em sete simples passos. Eu já dei os primeiros quatro. A partir daqui só a pagantes...

Olha o tubarão

Hoje é dia da apresentação oficial da TubarãoEsquilo, uma «rede editorial» dirigida pelo jornalista Paulo Querido. O nome é patusco, mas o projecto parece bem a sério e com pernas virtuais para andar, os participantes são remunerados de acordo com a publicidade gerada e, se alguém percebe a potes de Internet em Portugal, Paulo Querido é certamente um deles. A todos os envolvidos, os meus desejos de sucesso.

Um blog com vistas


"In the midst of winter, I finally learned that there was in me an invincible summer."
Albert Camus (Holiday Inn Maputo)
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(Por falar em jantares, será que o restaurante se vê daqui?)

À lareira com um português


Também tenho algumas ideias sobre o concurso-de-que-todos-falam. Acontece que cheguei sempre atrasada ao blogger e como já foi (quase) tudo (muito bem) escrito, fiquei (quase) sem nada para dizer, para grande sorte dos estimados leitores. Dito de outra forma: lucky you.
Assim sendo, resta-me ali o cantinho direito da lareira e a leitura de um texto bem humorado, após um fim de semana de futebol, ainda mais futebol e só futebol: Um Portugal-França feminino visto por Almada Negreiros
Crónica de 04.10.1923 no Diário de Lisboa, intitulada “Nenette ou o “football” feminino”
Vieram a Lisboa dois “onzes” femininos, o que, apesar da aritmética, fazia mais de vinte e duas jogadoras porque também havia várias suplentes. Na “gare” dizem que foi uma enchente de alto lá com ela, tendo também comparecido um piquete de infantaria da Guarda por causa das dúvidas. Apesar disto, os conquistadores sportivos executaram à risca o seu programa de recepção que excedeu todas as expectativas. […] A verdade é que nesse dia o nosso temperamento ardente de meridionais tinha mobilizado ali para a estação a fina flor da exuberância nacional com todos os seus gestos e os mais adequados para receber raparigas desacompanhadas. Foi em cheio!

Vestindo pobremente, em magote, pelas ruas, as francesas riam, atrasavam-se, desatavam a correr:
- O que é aquilo? Perguntou uma senhora nacional com um chapéu à moda de Paris e uma obesidade tremenda desde as bochechas até aos tornozelos errados.
- São as jogadoras de foot-ball.
- Cavalonas! Mais valia que fossem aprender a coser!
(…)
O jogo foi muito mais cheio de interesse do que tinha imaginado, mas a mais interessante de todas era precisamente a que jogava pior. Isto só pode acontecer no foot-ball feminino.

Desportos & Letras: exposição bibliográfica-Biblioteca Nacional, 2004

Segunda-feira, Março 26, 2007

Americanos fora do Vietname, já!


Mal foram conhecidos os resultados do concurso da RTP, logo algumas aves agoirentas desataram a soltar a língua contra o actual regime democrático, que não permite ao bom povo as condições de vida existentes na Escandinávia: isto basta, garantem, para justificar a nostalgia por Salazar. "Há famílias que voltaram a cozinhar com fogareiros a petróleo, por não terem dinheiro para pagar o gás", alertou Fernando Dacosta. Está explicado por que motivo Salazar e Cunhal têm tantos admiradores. E eu a pensar que, apesar de tudo, em Portugal nunca se tinha vivido tão bem como agora...
"A democracia é o pior dos sistemas, exceptuando todos os outros", dizia Churchill, democrata de gema e vencedor incontestado deste concurso na Grã-Bretanha. Segundo Odete Santos, ele era afinal um grande malandro que andava a trocar correspondência às escondidas com Mussolini. Nunca vi nenhuma dessas cartas. Sei, isso sim, que Churchill escrevia imenso a Salazar e depois da guerra visitou várias vezes a ilha da Madeira. Odete tem razão: isto anda tudo ligado. O neoliberalismo e tal, fascismo nunca mais, ianques fora do Vietname, já. Vocês sabem do que é que eu estou a falar. Ah, esta última frase não era ela que dizia - era o Octávio Machado, outro grande português, apesar de baixa estatura. Não importa: parabéns à RTP mesmo assim. Para o ano há mais. Ou para o século que vem.
E agora com licença, que vou ali cozinhar com fogareiro a petróleo. Rapidamente e em força, como dizia o velho senhor das botas.

Ainda bem que o mata-mouros não ganhou

Salazar perseguiu e torturou, por vezes até à morte, os seus opositores. Nesta sessão final dos Grandes Portugueses ficou claro que o mesmo fizeram D. João II e o Marquês de Pombal - já para não falar em D. Afonso Henriques, que começou por espadeirar contra a própria mãe. Fica-se com a sensação de que vários destes "grandes portugueses" eram afinal gente pouco recomendável.
Por mim, tal como a Clara Ferreira Alves, teria votado em Fernando Pessoa (oitavo classificado, 2,4%). Um homem que nunca conheceu ninguém "que tivesse levado porrada". E além disso não era bêbado nem homossexual, como garantiu uma sua sobrinha, presente na assistência.
Também teria votado de bom grado em D. Afonso Henriques (quarto lugar, 12,4%), que a Leonor Pinhão quis transformar em herói progressista avant la lettre. Mas, aqui para nós, ainda bem que não ganhou: só o facto de ter morto todos aqueles mouros seria motivo mais do que suficiente para Portugal sofrer um atentado da Al-Qaeda. Safa!

Os anos da rádio

A telefonia foi para mim durante muito tempo uma inestimável companhia e uma janela para o mundo, principalmente o da música. Tenho uma leve reminiscência da primeira que me fez companhia: foi um pequeno “transístor” forrado a cabedal castanho oferecido pelos meus avós no final dos anos sessenta. Foi através da rádio que ouvi passar a música, as modas, os acontecimentos. Até a revolução e as "inventonas". Na minha telefonia, confesso, passaram também muitos domingueiros relatos de futebol, pois não havia outra forma de acompanhar a jornada desportiva. Com aquela histérica verborreia do locutor, emocionado, eu roía as unhas todas.
Criado no meio de uma família grande e com muitos irmãos, foi com a música e com os livros que delimitei o meu espaço e preservei minha empreendedora solidão. De olhar fisgado numa qualquer luzinha do aparelho passei deliciadas e indolentes horas. Era assim que os meus sonhos mais secretos voavam leves.
De ouvido na telefonia privei intimamente com muitos mais ou menos simpáticos locutores. Do Igrejas Caeiro ao Carlos Cruz, passando pelo Luis Filipe Barros, do João David Nunes à Maria José Mauperrin, passando pelo Jorge Perestrelo. Foram muitas as vozes para as quais inventei caras, sempre tão diversas das reais. Que nunca se nos deveriam ser desvendadas para evitar desilusões maiores. Olhe-se bem a figura que nos saiu da simpática voz do Nuno Markl!
Em pequeno, lá em casa na sala de estar havia um velho aparelho Grundig por debaixo da televisão. No chão, eu sentava-me de pernas cruzadas, esperando ansioso por algum sinal de vida, algum som, enquanto as válvulas aqueciam. Tudo começava quando uma pequena barra luminosa se enchia com uma estranha e líquida luz azul que assinalava a plena sintonização da frequência. Normalmente o aparelho estava sintonizado no programa 2 da Emissora Nacional (pelo meu pai), donde eu mudava para o Rádio Clube Português, que me parecia bem mais animado. Era nesta estação que ouvia umas cançonetas e com sorte apanhava a emissão dos Parodiantes de Lisboa que desesperadamente galhofavam trivialidades que eu mal entendia. Tudo isto com o patrocínio da casa Sol, na Rua da Vitória.
Carregando-se nuns botões beje marfim do grande rádio, trocavam-se os mundos que soavam como apitos díspares, sirenes várias ou misteriosos sinais de morse. E orações muçulmanas. Mas aquele rádio já tinha “frequências modeladas” e eu sentia com gosto a diferença no troar da orquestra no grande altifalante. O horário imperialista da televisão cedo acabou com estas veleidades radiofónicas.
À noite no aconchego do quarto, no meu “transístor” tocava o Quando o Telefone Toca, entre um livro da Condessa de Ségur e um álbum de Spirou em luta contra o terrível Zorglub. Foram os meus tempos de infância ao som dos Beatles, de Angie, dos Procol Harum, de Mammy Blue ou de José Cid...
Mais tarde, depois da revolução e durante o PREC, em FM (um pouco para lá dos 108 MHz), podia-se espantosamente sintonizar as transmissões da Polícia Militar. E testemunhar assim todo um mundo louco que se desconstruía. Enquanto medrava a minha ansiosa adolescência, veio o rock n’ roll do Programa 4 da RDP. O João David Nunes, o Punk Rock, o programa Dois Pontos com os álbuns inteirinhos, o Em Órbita para ouvir música antiga e… as tabelas de “tops”. Foi nessa época que descobri a MPB nos Cantores do Rádio do José Nuno Martins. Tudo isto em FM Estéreo, transmitido com os emissores de Bornes, Braga, Faro, Gardunha, Guarda, Lamego, Lisboa, Lousã, Monchique, Porto e Valença (!). Era a gloriosa alvorada do FM num país que, arquivada a revolução e a aventura marxista, despertava para o mundo. Virou-se então a vida da rádio para o Rock em Stock, com um Pão com Manteiga ao Fim-de-Semana, e o rock em português. Já entrados nos anos 80, às vezes de noite ouvia o Café Concerto de Maria José Mauperrin. Foi então que descobri as margens da cultura musical urbana, Brian Eno, Ryuichi Saakamoto e os Telectu de Jorge de Lima Barreto, entre outras doces intelectualices.
Finalmente por alturas do “boom” da liberalização da rádio, ainda me deixei cativar pela Correio da Manhã Rádio. Uma fantástica rádio digitalmente programada que me fornecia musica às toneladas. Sem palavras, sem parar. Para gravar, namorar ou estudar. Foram os meus tempos de Lloyd Cole, The Smiths e das luzidias pérolas da editora 4 AD.
Em 1988, numa trágica e inesquecível manhã de Agosto, com o Chiado em chamas, descobri a TSF. A notícia em rajadas, tipo matraca, que por muitos anos consumi com gosto.
De então até hoje oiço a rádio quase exclusivamente para fins informativos, no automóvel. Ouvir música tornou-se um ritual mais raro e quase solene. Momentos especiais arrancados à rotina familiar e com música escolhida com o meu critério e dependente da minha disposição. Mas é certo que continuo um aficionado da boa telefonia que no meu carro por momentos ainda descubro.

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Sexualmente incorrecto

Feminista de serviço, Maria Elisa lamentou várias vezes não ter havido nenhuma mulher entre os dez finalistas. "Em Inglaterra, ao menos, esteve a Princesa Diana", lembrou. "Mais valia não ter estado", contrariou-a o escritor Helder Macedo, defensor de Camões (5%, quinta posição). Foi o momento mais sexualmente incorrecto da noite.

Passado só o bife

Passado, em Portugal, só o bife. Os que de facto mereciam ganhar o polémico concurso da RTP foram ultrapassados pelos representantes do século XX português - um dos piores da nossa História, como bem assinalou Paulo Portas, defensor de D. João II. O Príncipe Perfeito ficou em sexto lugar, só com 3% dos cerca de 260 mil votos recebidos. Ainda assim melhor do que o Infante D. Henrique (2,7%), o Marquês de Pombal (1,7%) e Vasco da Gama (0,7%).

Avante, Zé Miguel

Aristides de Sousa-Mendes, terceiro classificado (com 13%) nos Grandes Portugueses, repartiu o pódio com Salazar e Cunhal. José Miguel Júdice, que o defendeu com brilhantismo, pode recandidatar-se a bastonário dos advogados. Eis um sinal de que a reeleição é certa.

Air guitar Yeeeeeah!

Já que estamos em época de disparates, mais vale um que nos faça rir...
Official Air Guitar Nation Trailer


Estreou este mês nos EUA

L' Air du Temps

«A Calvin Klein e a gigante francesa de cosméticos, Coty, uniram forças no lançamento de CK in2u, uma fragrância que foca a geração “tecnosexual”, um termo que a empresa patenteou para definir os jovens nascidos entre 1982 e 1995, que são fanáticos por internet, blogs, mensagens escritas, chats, mp3 e toda a diversidade tecnológica que permeia o nosso dia-a-dia. A nova fragrância fala-nos de como a Internet se transformou numa forma de comunicação, assim como de uma geração cuja vida amorosa é definida, em parte, pelos encontros casuais». In, Newsletter da Moda Lisboa, 26.03.2007

Este país dava um filme

«Cavaco foi ao cinema». Ou melhor, à igreja. Igreja essa que «foi minuciosamente vistoriada pela segurança do Presidente». O filme chama-se «Dot.com» e a má da fita é uma multinacional sediada em Madrid. Tudo isto é tão tuguich zeitgeist que até causa impressão. Imperdível, como escrevia o crítico.

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Portugal dos pequeninos

Não sei o que querem dizer aqueles que afirmam que o fenómeno Grandes Portugueses é “só” um programa de televisão. Estão a enganar-se a si próprios ou a mais alguém? Quem é esta gente que se entretém com qualquer escabrosos Reality Shows à semana, e ao Domingo aprova a liberalização do aborto? São os mesmos que depois votam Oliveira Salazar o “melhor português de sempre” por SMS ou na Internet?
Vivemos definitivamente num país modernaço, sem xailes ou coletes, mas com perfume caro e unhas de gel… onde se usam gravatas de marca e telemóveis da terceira geração. Mas perigosamente inculto e esquizofrénico.

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Gostei de ler

1. Pessoa de bem? De João Miguel Almeida, n' O Amigo do Povo.
2. Preconceitos de esquerda e fantasmas da direita, unidos, não foram vencidos. De José Adelino Maltez, em Sobre o Tempo que Passa.
3. A vitória do santinho. De Luís M. Jorge, em A Vida Breve.
4. Europa. De João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
5. Sair do charco. De Eduardo Nogueira Pinto, no 31 da Armada.
6. África agónica. De Miguel Castelo-Branco, no Combustões.
7. Na má horas dos "pides de Leste". De João Tunes, na Água Lisa.
8. Comunismo descartável. De Rui Bebiano, n' A Terceira Noite.
9. A política de trincheira. De Pedro Adão e Silva, no Canhoto.
10. Socialmente ignorados. De Helder Robalo, no Pensamentos.
11. Parabéns a Dinis Machado. De Vítor Dias, no Tempo das Cerejas.
12. Eu hoje acordei assim... De Carla Hilário Quevedo, na Bomba Inteligente.

Momento histórico

Foi apenas um concurso, houve logo quem dissesse. Nada disso: foi um momento histórico. A única vez em que Salazar venceu uma eleição sem chapelada.

Extremistas só a feijões

Concursos destes propiciam a atracção dos extremos. Uns por convicção. Outros (a grande maioria) só para chatear. Uns porque andam "fartos disto tudo". Outros porque gostam de ver os trejeitos de irritação do establishment político e televisivo, como aconteceu agora. Vale o que vale. A feijões, os tugas radicalizam-se; a sério, aconchegam-se no bloco central. Melhor assim do que ao contrário.

Snif, snif


O meu amigo José Manuel Barroso, na bancada dos convidados nesta emissão final dos Grande Portugueses, foi o único a contestar os méritos de Cunhal, segundo classificado e quase levado em andor por Odete Santos. Na hora de todos apontarem defeitos às personalidades que defendiam, a comunista foi incapaz de dizer mais que isto: "Era excessivamente modesto." Quase fazia chorar as pedras da calçada.

Cem anos ao serviço da humanidade


Estive a guardar para este momento o assunto verdadeiramente “quente” da semana. E cujo é o artigo, publicado na revista de domingo do Correio da Manhã, celebrando os 100 anos do soutien. Na realidade, a palavra cujo centenário agora se cumpre é brassiere, utilizada pela primeira vez em 1907, como aliás lembra o CM, pela revista Vogue.
Para um homem, a reacção perante um soutien reparte-se, em norma, nestas duas fases: Uma de admiração e espanto, boca aberta num ah! silencioso de homenagem ao divino e ao seu potencial criador. E uma outra de confronto com a realidade desvelada após a sua remoção, a qual pode ser gratificante ou quiçá de algum desapontamento.
Remover um soutien utilizando apenas uma mão foi algo que me requereu anos de treino. Não é facilmente explicável através do recurso a diagramas mas, mesmo que fosse, não partilhava convosco essa técnica tão complexa como a arte do Tai Chi, nem que me oferecessem em troca uma Coca-Cola e três sardinhas.
Reza a História que foi um objecto incendiado e vilipendiado por algumas mulheres que o associavam à opressão chauvinista. Hoje, é comovente ver os balúrdios que gastam na Intimissimi (belos posters, by the way). Mudam-se os tempos, mudam-se as copas. Mas a vida permanece, bela para a vista e suave para o tacto. Anima mundi, como diziam os antigos.

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Blair até tremeu

Às tantas, Ana Gomes (que esteve a defender Vasco da Gama) disparou contra Bush e Blair - ambos fora de concurso - numa espécie de reflexo condicionado. Downing Street terá tremido. Consta que a Casa Branca também.

Centralismo burocrático

Leonor Pinhão, que estava ali para defender D. Afonso Henriques, foi a única eficaz na demolição de Salazar ao ler ontem na RTP um regulamento dos serviços de meteorologia, aprovado nos anos 40 pelo fundador do Estado Novo que determinava a fidelidade canina ao chefe, fossem quais fossem as circunstâncias, em linguagem digna do Gato Fedorento. Algo que nunca passaria pela cabeça de Odete: entre este "centralismo burocrático" e o "centralismo democrático" a diferença afinal é pouca.

Nisto estamos de acordo

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Ia tudo preso

Odete Santos imitou na perfeição a sua caricatura do Contra-Informação berrando durante toda a emissão de ontem, que Maria Elisa conduziu com o profissionalismo habitual e doses reforçadas de paciência. A berraria culminou, no fim, quando Salazar derrotou Cunhal (41% contra 19,1%). "A apologia do fascismo é proibida pela Constituição!", gritou a comunista, que conhecia bem as regras do concurso, em que participou como defensora do antigo secretário-geral do PCP. Por ela, pelos vistos, ia tudo preso...

Sem batota

Salazar ganhou o concurso Grandes Portugueses. Parabéns à RTP: podia ter feito batota e não o fez.

Numa só palavra: Blherg!


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O passeio dos tristes

Ao contrário de ti, Henrique, eu não subestimo eventuais passeatas. E quanto ao Estado Novo termos sido nós, devo dizer que te acho muito bem conservado para a idade. Abraço no contraditório.

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Isto só com um triunvirato

«O que esta malta precisava era do Salazar, do Cunhal e do Marquês de Pombal, juntos!!! Ouviu?! Juntos!!! (perdigotos a saltar batendo recordes olímpicos)». Caramba. O que um homem é obrigado a ouvir se não quiser saltar de um veículo a 120 Km/hora. Só queria saber se, agora que o homem já ganhou, posso continuar a minha vida descansado. Se o papão já saiu de cima do telhado ou lá continua, armado com uma carabina. Os skinheads vão invadir Telheiras e o Bairro Azul? Tenho que ir olear a minha AK 47 com coronha retráctil? Não sei. Ainda não li os jornais...
Actualização às 10.38h: Já li. «Extrema-direita quer conquistar associações de estudantes» (vide capa do Público). E concorrer em listas para «transmitir aos jovens uma mensagem nacionalista sadia». Mente insana em corpo são. Nenhuma novidade, portanto.

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Domingo, Março 25, 2007

Momentos Kodak (45)


Estados Gerais da Direita em Março de 2007. Sem mais comentários.

Fotografia: Rodrigo Cabrita.

O País que temos


Helena Matos pôs o dedo na ferida. Excelente.

Música do meu tempo (1)


The Smiths - "There is a light that never goes out"

Domingo

(5º da Quaresma)

Evangelho segundo S. João 8,1-11.

Jesus foi para o Monte das Oliveiras.
De madrugada, voltou outra vez para o templo e todo o povo vinha ter com Ele. Jesus sentou-se e pôs-se a ensinar.
Então, os doutores da Lei e os fariseus trouxeram-lhe certa mulher apanhada em adultério, colocaram-na no meio e disseram-lhe: «Mestre, esta mulher foi apanhada a pecar em flagrante adultério. Moisés, na Lei, mandou-nos matar à pedrada tais mulheres. E Tu que dizes?»
Faziam-lhe esta pergunta para o fazerem cair numa armadilha e terem de que o acusar.
Mas Jesus, inclinando-se para o chão, pôs-se a escrever com o dedo na terra. Como insistissem em interrogá-lo, ergueu-se e disse-lhes: «Quem de vós estiver sem pecado atire-lhe a primeira pedra!» E, inclinando-se novamente para o chão, continuou a escrever na terra.
Ao ouvirem isto, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher que estava no meio deles.
Então, Jesus ergueu-se e perguntou-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?»
Ela respondeu: «Ninguém, Senhor.»
Disse-lhe Jesus: «Também Eu não te condeno. Vai e de agora em diante não tornes a pecar.»

Da Bíblia Sagrada

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Boa caça!


É o que desejo para o Tomaz e a sua selecção em França. Ex-camarada meu das lides escotistas (A.E.P., por favor não confundir com os escutas do C.N.E.) e cujos Lobos conseguiram ontem um apuramento histórico para a fase final da Taça do Mundo de râguebi. (A foto é do nosso Rodrigo Cabrita). Se encontrares outra em pose vencedora, estás á vontade para trocar :)

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Depois de fotografar a aura



Ontem, não resisti ao charme do Bombazina, um coelho único no mundo. Os seus criadores são portugueses e comprei-o numa banca de comércio justo, na Feira da Vida Alternativa que decorre até amanhã na Cordoaria Nacional.

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Sábado, Março 24, 2007

Sem tecto, entre ruínas

O João Pedro pôs bem o problema. O escândalo não é a transformação da casa onde nasceu e viveu António de Oliveira Salazar num museu em que se reúna alguma da iconografia do Estado Novo: não é possível apagar meio século de vida política em Portugal, marcada pela figura inconfundível do professor de Coimbra que ao tomar posse, em 1928, disse saber muito bem o que queria e para onde ia. Tanto sabia que permaneceu quarenta anos no poder, como um monarca quase absoluto. É pura estultícia presumir que isso se deveu apenas à eterna mansidão do povo português, à repressão policial ou à geopolítica. Salazar, por mais detestável que fossem as suas ideias e os seus métodos, tinha uma forte base social de apoio (evidente nas duas primeiras décadas do seu mandato) e méritos que eram particularmente valorizados na época em que ascendeu ao poder, como têm sublinhado autores tão insuspeitos como Fernando Rosas e Helena Matos. O seu legado pode e deve ser contestado. Mas querer apagá-lo da fotografia, como se jamais tivesse existido, constitui um disparate. Além de uma tarefa antecipadamente condenada ao fracasso, como se tem visto por esses concursos duvidosos que andam muito em voga por aí.
Volto ao princípio: o verdadeiro escândalo não é recuperar-se a casa de Salazar, mas manter a de Aristides de Sousa-Mendes em ruínas. Em Portugal, como dizia um famoso escritor, não se morre apenas uma vez: morre-se várias vezes. À morte física segue-se a morte civil, a perda definitiva de referências. As figuras históricas tornam-se espectros, o seu rasto esfuma-se na poeira das gerações. Aristides, que Salazar espezinhou em vida, continua a ser maltratrado pelo Portugal democrático que não sabe honrar a memória dos melhores de todos nós.

Or a nicely shaven leg...

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Mudança da hora

Nos 50 anos da RTP (13)


OS INQUÉRITOS DO COMISSÁRIO MAIGRET. Ainda antes de conhecer os romances de Simenon, de que me tornei adepto incondicional, entrei no universo inconfundível do grande escritor belga com esta memorável série francesa, da Antenne 2, produzida de 1967 a 1990 e transmitida em meados da década de 70 pela RTP. Era uma série pausada, cheia de atmosfera, com um protagonista (o actor Jean Richard) que parecia mesmo talhado para desempenhar o papel do taciturno inspector da Judiciária que nunca abandona um olhar de compaixão perante toda a série de dramas humanos que vai testemunhando. Era uma série com excelentes argumentos (o que seria de esperar), óptimos diálogos e filmada em cenários naturais, o que muito a valorizava. Nesses tempos em que se ouvia falar francês em horário nobre (e também inglês, castelhano, italiano), a nossa televisão, mesmo a preto e branco, era mais cosmopolita do que hoje, em que está circunscrita a concursos e telenovelas. Um mistério que nem o arguto comissário Maigret saberia resolver.

Tertúlia literária (164)

- Algarve escreve-se com um ou com dois éles?
- Agora escreve-se com dois, depois da reforma ortográfica do ministro Manuel Pinho.

Como é que Cavaco atura isto?

Eu votei em Cavaco Silva para ele fiscalizar o Governo (o socialista ou de qualquer outro partido), para com a sua experiência e a sua proclamada "exigência" impedir erros e ajudar a fazer o que deve ser feito. Agora, perante os disparates permanentes do ministro da Economia, como o referido pelo Pedro Correia três ou quatro posts abaixo deste (peço desculpa, mas no computador de casa não consigo fazer links), ele vai continuar a olhar para o lado e fingir que não é com ele? De Sócrates, como é cada vez mais evidente, de "exigência" não se pode esperar nada. A única coisa que lhe parece interessar é governar para as sondagens, tal como o seu padrinho Guterres, e para ganhar as eleições com uma imagem de "determinado", com poucos ou nenhuns resultados práticos. Perante estes disparates, sobretudo numa área que lhe é tão cara quanto a Economia, para mais sendo ele algarvio, como é possível Cavaco não fazer nada?

Nas colunas


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Confesso que não percebi

«E eu penso assim. Se há um conflito entre direitos meramente individuais e direitos de uma colectividade, os direitos individuais primam sobre a colectividade».
Durão Barroso, em entrevista hoje no Actual do Expresso.

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Os "gifs" do nosso contentamento

Depois da invasão de renas a pular, pais natais a bailar, luzes a piscar e corações a cintililar, eis que surge o ataque electrónico de coelhos a saltar e ovos a sorrir.
Estão por todo o lado e chegam-nos às dezenas, por mail, sms e em pop ups descarados, ruidosos e sem aviso prévio ou sentido de oportunidade.
Trazem calóricos desejos de alegria, felicidade colorida e uma florida paz ao mundo. Por mim, e pela minha arrumada caixa de correio, confesso que os dispenso e costumo apagá-los de imediato, mais enfadada que reconhecida.
Até ao Natal, ainda muitos gifs hão-de circular por debaixo das pontes.

Sexta-feira, Março 23, 2007

Promoção Corta-Fitas da semana

Aos seus pacientes leitores, o Corta-Fitas oferece a forma ideal para combater o stress. Para levar para todo o lado no portátil: Útil em qualquer sessão do parlamento ou para usar no conselho nacional do CDS, ou nas mais difíceis reuniões de trabalho. AQUI (usar som).

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Blogues em revista

Berra-Boi: “A Câmara Municipal do Porto decidiu demolir um bairro de barracas na Campanhã. O Oceano Atlântico está a fazer o mesmo na Costa de Caparica. Afinal, nem tudo corre mal em Portugal.” (Francisco Costa Afonso)
Portugal dos Pequeninos: "Em vez de se demitir do CDS/PP, por que é que Maria José Nogueira Pinto não se candidata a seu presidente? Sozinha, tem mais biografia que os outros dois juntos." (João Gonçalves)
Bicho Carpinteiro: "Antes eram duques e marqueses, depois conselheiros, agora doutores e engenheiros. Uma visita histórica aos títulos dos governantes em Portugal daria um bom programa de entretenimento cultural. Quando seremos uma República adulta em que os títulos académicos ficam à porta da actividade política, como nos países que nos rodeiam?" (José Medeiros Ferreira)
Mel com Cicuta: "Quem quer mesmo saber a verdade não pergunta, descobre." (Laura)

Manuel Pine, minister of Portugall


Achei genial a transformação do Algarve em Allgarve, para atrair ainda mais bifes à região, faltando apenas saber quem serão os primeiros papalvos a empurrar para o mar durante os meses de Verão por excesso de ocupação hoteleira. Mas melhor que Allgarve é PORTUGALL - uma ideia ainda mais genial que acabo de ter agora. Vou tratar de vendê-la já ao ministro da Economia, não vá outro génio antes de mim registar a patente e esportular uns cobres do erário público sob a bênção sorridente de Manuel Pinho. Perdão, Manuel Pine. Minister of Economy. Portugall land of football. By jove! Razão tinha o engº em pôr as criancinhas da primária a palrar como os camones. Quem sabe se a própria rainha não troca o palácio de Balmoral por uma açoteia em Almansil...

A frase


"A gente que hoje se dedica ao amável exercício de 'assassinar' Paulo Portas com certeza que já se esqueceu do seu próprio armário de esqueletos".
Vasco Pulido Valente, Público

Um enorme coração


Excepcionalmente, permito-me utilizar o espaço que me é concedido aqui para falar em causa própria. Nos próximos dias 13 a 16 de Setembro, Sua Santidade o XIV Dalai Lama estará em Portugal para 3 dias de ensinamentos e uma conferência pública intitulada «O Poder do Bom Coração», no Pavilhão Atlântico. A Comissão de Honra, hoje divulgada, reúne Adriano Moreira, António Sampaio da Nóvoa, Frei Bento Domingues, Carmona Rodrigues, Eduardo Lourenço, Marcelo Rebelo de Sousa, Maria João Pires, Mário Soares, Paulo Teixeira Pinto, Peter Stilwell e Vera Jardim. Os lugares já podem ser reservados aqui.
«Quando tiver medo da dor e do sofrimento, deve examinar se pode fazer algo para os diminuir. Se puder fazer algo, não há necessidade de se preocupar. E se não puder, também não».

Ele é que a sabe toda

Querido Rodrigo, essa de publicitares às fãs as tuas medidas sob pretexto de responder a um comentário qualquer é uma grande jogada. Se pudesse fazia o mesmo, mas a modéstia impede-me. Além disso, os homens não se medem às polegadas excepto em Inglaterra, onde os rapazinhos se catrapiscam desde pequeninos como toda a gente sabe. Pior só na Bélgica, país que já parece Marrocos. A gente dá-lhes o Henrique Burnay e recebe em troca camelos.

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Hoje é o dia dos títulos bizarros

«50 Cent e Amigos, Estádio do Restelo: D. Sebastião existe».

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Sexta


Gisele Bündchen.

P. S. - Não tinha aqui à mão nenhuma bandeira da União Europeia...

Numa agência de empregos

- Lamentamos, mas de momento só dispomos de uma vaga e os senhores são dois. Gostaria de saber onde concluíram as vossas licenciaturas.
- Eu tirei o meu curso na Universidade Independente.
- E o senhor?
- Eu recebi o curso já completo, acrescido de uma viagem para duas pessoas a Paris, como brinde da farinha Amparo.
- Ah, muito bem. Então o emprego é seu. Quanto ao senhor da Universidade Independente, tenha paciência. Volte em 2009: só nessa altura haverá vaga para primeiro-ministro.

Tertúlia literária (163)

- Achas que devo começar já a ler Lobo Antunes?
- Não entres tão depressa nessa noite escura.

Nas colunas




«Acontece que eu sou baiano»

João Gilberto e Caetano Veloso

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Os pombos, esses ratos com asas

Em toda a minha anterior vida, só recebi duas cartas de leitores: Uma de Américo Amorim e outra de uma senhora a desancar-me por defender o pombicídio. Além disso, tenho para amostra um fax do Paulo Branco a dizer que a minha crítica ao «Ossos» tinha sido a pior de sempre das milhões que já lera. Mais nada. Zero feed back, como se diz agora. Apenas uma penosa e avassaladora solidão. É pois, com imensa satisfação, que me congratulo com qualquer comentário, mesmo insultuoso e não assinado que seja. Aos anonymous, um grande bem hajam.

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E as emoções da horizontalidade, então? Upa, upa!

«Não saía se soubesse que D. Coisinha ia levantar-se» é um título do caramba. Parece que o Nuno Markl tinha planos para o levantamento da D. Coisinha, mas ela não sabia disso e demitiu-se. Não se teria demitido «se lhe tivessem dito que ia experimentar as emoções da verticalidade». Sou incapaz de explorar, por manifesta falta de talento, o infinito potencial metafórico deste artigo. Mas estejam à vontade para o fazer na caixa de comentários.

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Quinta-feira, Março 22, 2007

Com dedicatória (mas anónima)

Alguns anonymous lêem livros a mais, coitadinhos, faz-lhes muito mal à cabeça. O menino Joãozinho outro dia estava a ler um com umas maminhas muito feias na capa que se chamava «A Nova Desordem Amorosa» e eu fiquei tão preocupada que até me apeteceu tirar a roupa. Só depois é que percebi que já não a tinha...Que cabeça a minha ;) Só queria que fossem simpáticos com ele, porque às vezes vejo-o em frente à televisão a dizer palavrões e acho que lhe faz mal à tensão e já tem preocupações que cheguem...Beijos para os simpáticos e um puxão de orelhas para os outros, que não têm culpa de não ter tido amor em pequeninos.

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Nas colunas



(com um beijo especial a quem o merece)

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Momentos Kodak (44)

Comemorações do 95º Aniversário da GNR no Mosteiro dos Jerónimos, com a presença de José Sócrates e Cavaco Silva. Acordar cedo custa a todos...
(Maio 2006)
Foto: Rodrigo Cabrita

Se o Sr. Eng.º não for Engenheiro...

Em coerência com o que aqui escrevi há algum tempo a respeito dos títulos académicos e quejandos, não ficarei mais contrariado se o Sr. Pinto de Sousa não for Engenheiro de verdade. Mesmo que de tão prestigiada universidade. O importante é o empenho e a qualidade da pessoa em si, e sobre isso mantenho que, eng.º ou não, as minhas expectativas são muito baixas. Mas acho que covém que a malta não cometa a indelicadeza de o começar a tratar por Sô Zé…

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Un adieu français


Jacques Chirac, o único dirigente europeu ainda em funções que foi contemporâneo da II Guerra Mundial, retira-se enfim de cena após 40 anos de vida pública, iniciada em 1967, como membro do Governo do general De Gaulle. Despediu-se com um discurso ao velho estilo gaulês: grandiloquente, palavroso, cheio de auto-suficiência, mas sem qualquer vínculo com a realidade. A França de 2007 tem menos motivos para sentir orgulho em si própria do que a França de 1995, ano em que Chirac tomou posse como Presidente da República: a explosão da violência juvenil nas periferias de Paris, o chumbo do Tratado Constitucional em referendo pelo eleitorado francês e o crescimento exponencial da extrema-direita, que há cinco anos levou Chirac a disputar a segunda volta das presidenciais com Jean Marie Le Pen, contra todos os vaticínios. É uma França que ainda fala com ímpetos imperiais, como falou durante séculos, mas com uma diferença assinalável: hoje já ninguém a escuta.
Na hora da partida, Chirac recebe alguns aplausos polidos que não disfarçam a indiferença geral. Já vai tarde: este mundo deixou de ser o dele.

Será que os deputados ganham à linha?

Chegam hoje ao fim os trabalhos da Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar ao Processamento, Disponibilização e Divulgação de Registos de Chamadas Telefónicas Protegidos pela Obrigação de Confidencialidade. O nome da comissão é que parece não ter fim. Dir-se-ia que os deputados ganham à linha lá por São Bento: um nome com vinte palavras! Aqui para nós, a minha preferida é Disponibilização.

Nos 50 anos da RTP (12)


CASEI COM UMA FEITICEIRA. Eu tinha que falar nesta série: alguns dos meus momentos mágicos como telespectador infantil foram passados a vê-la. Mal podia esperar pelo cair da noite de sábado para me pôr defronte do ecrã à espera de ver Samantha, a feiticeira casada com Darrin, um americano médio que nada percebia de feitiços. Ela, sim: bastava-lhe um gracioso movimento de nariz para conseguir tudo quanto queria. Tantas vezes tentei que o meu nariz mexesse assim: nada. Nem um milímetro. Casei com uma Feiticeira (Bewitched, no original) foi produzida pela ABC americana entre 1964 e 1972. Mas muitos anos depois, em frequentes reposições, continuava a seduzir os espectadores veteranos e a cativar novos públicos. Aqui há uns tempos houve uma longa-metragem baseada nesta série: apesar de Nicole Kidman ser a protagonista, não fui ver. Para que a magia antiga se não quebrasse. A minha feiticeira será sempre Elizabeth Montgomery - a adorável, sedutora e malograda Elizabeth Montgomery. Se a reencontrar por acaso num qualquer canal memória já sei que volto a sentir-me novamente um miúdo de oito anos de olhos fitos no ecrã, encantado para sempre com aquele nariz da bruxa mais bela que jamais conheci.

Smashing news Bruce!

SYDNEY (Reuters) - A 16th century maritime map in a Los Angeles library vault proves that Portuguese adventurers, not British or Dutch, were the first Europeans to discover Australia, says a new book which details the secret discovery of Australia. Em português, aqui.

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Tertúlia literária (162)

- No ínicio era o verbo.
- No meu tempo era o metro.

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Tertúlia literária (161)

- Gostas de poesia?
- Prefiro a música que tu me dás.

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Quarta-feira, Março 21, 2007

Bom de ler



Só agora consegui ler A Queda do Império Romano – O fim da Civilização de Bryan Ward-Perkin da Alêtheia Editores. A investigação com o pragmatismo dos números e a leitura de um arqueólogo. Gostei do estilo de escrita simples e luminosa. Que desmistifica as interpretações politicamente correctas da História "New Age". É também um alerta sobre a fragilidade das organizações sociais sofisticadas... Como a nossa.

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Informação e propaganda

O Governo embandeirou em arco com o anúncio da baixa do défice para 3,9%. Contenta-se com pouco: Portugal continua a ser o único país da zona euro que não cumpre o limite de 3% por cento imposto pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento. Pior que isso: os números agora divulgados confirmam que as três únicas promessas quantificadas que José Sócrates fez na campanha eleitoral de 2005 estão longe de ser cumpridas. Quais foram? Lembro-as aqui: criação de 150 mil novos empregos, crescimento de 3% do produto interno bruto e redução do défice orçamental para 3%. Até agora, saldo negativo: o desemprego regista a maior taxa das últimas duas décadas, o crescimento económico queda-se em 1,3% e o défice está ainda nove décimas percentuais acima do prometido. Convém não haver falhas de memória para evitar confusões entre informação e propaganda.

Estrelas de cinema (5)


DREAMGIRLS *
Há muitos anos que não via um Óscar para Melhor Actriz Secundária tão mal atribuído. Um galardão que distinguiu Ingrid Bergman, Vanessa Redgrave, Meryl Streep, Teresa Wright, Gloria Grahame, Eva Marie Saint, Shelley Williams e Jessica Lange - nomes grandes da história do cinema - foi desta vez parar às mãos de uma menina chamada Jeniffer Hudson pelo seu desempenho na fita de estreia. Dreamgirls, de Bill Condon. A menina, que é "afro-americana", rouba cada cena do filme em que participa. Um filme musical, que tem a ambição de recriar os clássicos do género. O problema é que existe um abismo entre a intenção e a prática. O argumento (que pretende revisitar, sem nunca o assumir, a carreira das Supremes) é canhestro, a música é sofrível, os desempenhos fazem bocejar - com excepção de Eddy Murphy, num surpreendente rasgo fora do género de papéis a que nos habituou. Péssimo é o tom racista deste filme que celebra a supremacia negra (os poucos brancos que aqui surgem são medíocres ou corruptos). Mas o pior mesmo é a menina Jeniffer, que foi descoberta num concurso televisivo e faz os impossíveis para dar nas vistas. Pena não ter sido dirigida por um realizador de talento: deixada assim, à rédea solta, massacra os tímpanos dos espectadores num festival de berraria desenfreada. Qualquer semelhança entre cantar e isto é pura coincidência. O Óscar que lhe foi atribuído só pode justificar-se pelo preenchimento da inevitável quota reservada a "afro-americanos" pela Academia de Hollywood. A menos que aqueles que votaram nela sejam todos surdos...

Tertúlia literária (160)

- Ando a ler a Guerra e Paz. E tu?
- Ando a ler sobre o que se passa no CDS.

Há dias assim

Hoje não faltam efemérides:
OMS - Dia Mundial do Sono
UNICEF - Dia Mundial da Infância
ONU:
Dia Internacional Contra a Discriminação Racial
Dia Mundial da Floresta (Dia Mundial da Árvore)
UNESCO:
Dia Mundial da Poesia
Dia Universal do Teatro

Com este sol e com esta luz, quem pode dizer que "uma andorinha não faz (traz) a primavera"?

A propósito do silicone

Despeço-me até amanhã com esta pérola vinda da Noruega através do Hugo, a quem muito agradeço. Como diz alguém num dos comentários: «Men, etter en kjapp ordbok konsultasjon, så har jeg rett allikevel. I winz0r». Não podia estar mais de acordo.

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Gostei de ler

1. José Sócrates anacrónico. De Fernando Martins, n' O Amigo do Povo.
2. A remodelação. De Paulo Gorjão, na Bloguítica.
3. O sr. Amaral. De João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
4. Mulheres na política. De Sérgio de Almeida Correia, no O Bacteriófago.
5. Orgulho. De Jorge Ferreira, no Tomar Partido.
6. Caldeirada à Caldas. De Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas.
7. Fim. De Rui Castro, nos Incontinentes Verbais.
8. Os gauleses estarão loucos? De Marta Rebelo, na Linha de Conta.
9. Hobsbawm e a fé da esquerda. De Miguel Morgado, n' O Cachimbo de Magritte.

Nas colunas

E porque esta Primavera começa complicada

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CDS: é tempo de fechar a loja

O CDS, rachado ao meio, afogado em mesquinhas questiúnculas internas, fornece hoje aos portugueses o pior retrato que pode haver em política: um partido pequenino, que se torna mais minúsculo ainda pela falta de qualidade dos protagonistas que se guerreiam em busca das migalhas que sobram e do eco cada vez mais remoto do prestígio que tiveram os seus fundadores, Diogo Freitas do Amaral e Adelino Amaro da Costa. Nenhum dos actores actuais está à altura deste legado histórico: o tumultuoso Conselho Nacional de domingo, que terminou em berraria, insultos e quase confrontação física, só demonstra que este partido deixou de poder cumprir o papel que devia no espectro político português. Inútil tentar descortinar quem tem razão neste telenovela mexicana: aquilo já não tem conserto. Apetecia-me sugerir a Ribeiro e Castro que reunisse a banda num lauto jantar de despedida, à maneira do que fez o Movimento de Esquerda Socialista nos idos de setenta, e fechasse a loja com esse copioso repasto. Só há um problema: da maneira como as coisas andam, eles não conseguem entender-se nem na escolha de um restaurante para jantar.

Eu, poeta com silicone

A. Dasilva O, no JN.

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Filho és, salvador da Pátria serás

Grande destaque da Ilídia Pinto hoje no DN. «Ninguém melhor do que um filho para herdar». Talvez Ângelo Paupério, o superadministrador de 150 empresas não concorde com o título. Mas a escolha era, de facto, esperada. Paulo Azevedo, o homem que disse «um dia ainda nos vão pedir para salvar a Pátria» herda o cargo de CEO, mas Belmiro deixa claro que não vai para sítio algum e continuará bem presente. Já agora, os editoriais do DN são para continuar sem assinatura? Gostei muito da frase de hoje sobre aqueles «que na vida nacional se passeiam como libélulas». É um desperdício não conhecermos o seu autor.

Coisas estranhas que se ouvem ao jantar

- Sonhos, por favor.

Coisas estranhas que se pedem de tarde

Mil folhas

Coisas estranhas que se pedem ao almoço

Ovo a cavalo

Coisas estranhas que se ouvem de manhã

- Dois suspiros, for favor.

Karaoke-Fitas

Terça-feira, Março 20, 2007

Adiantados

No nosso blogue já é quarta-feira para efeitos de contagem de audiências (há quem se preocupe com isso entre os nossos leitores). O que é espantoso. Adiantámos a hora de Verão ou atrasámos a de Inverno, ou vice-versa. Não sei muito bem como é que isto aconteceu com um blogue altamente rigoroso como o nosso. Alguém sabe como é que acertamos o nosso Patek Philippe?

Desequilíbrio hormonal?

Estou tapado com uma mantinha a comer um Cadbury Fruit & Nut e a lacrimejar porque o Dr. House resgatou uma criancinha das garras da morte. Para que saibam, normalmente só soluço em filme de mercenários, na cena em que o melhor amigo morre mesmo quando estava prestes a embarcar no avião. Diagnóstico, precisa-se. A Primavera não explica tudo.
Actualização (21.57) : Está a dar «Os Canhões de Navarone» no Hollywood. Snif, snif...Lembro-me disto em ecrã de 70 milímetros, isso sim era cinema...chuif...

Amanhã

Dia Mundial da Poesia na Casa Fernando Pessoa





Programa aqui.

Cenas

João (Villalobos),

Não penses mais nisso e, quando puderes, dá um salto a este blogue que me foi sugerido pelo nosso amigo comum Tiago Salazar. Fiquei estupefacto, não fazia ideia que havia disto por aí...
Repara só no número de comentários de alguns posts. Há um com 214. Nada mau, havemos de lá chegar.
Abraço

Um bifinho no Snob e não se fala mais nisso

O Francisco Mendes da Silva demitiu-se do 31 da Armada. Espero que os rapazes não comecem a desentender-se. Ponham os olhos em mim: O nosso FAL apelida-me de autista e eu o que faço? Sorrio e encolho os ombros convicto de que ele, um dia, verá a luz e alcançará a suprema sabedoria de que gozamos, nós os iluminados.

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O regicídio, a propaganda e a RTP

Soube hoje que a RTP prepara uma série de seis episódios sobre o rei D. Carlos, de cujo cruel assassinato se assinala em 2008 cem anos. Como é que a televisão vai tratar o monarca e o seu período histórico?
A leitura da História, sabemos todos, dificilmente se desliga das modas e preconceitos conjunturais relativos à época em que ela é escrita. Mais, sabemos bem como são tratados os acontecimentos e os seus protagonistas quando se pretende simplificar a mensagem, tendo em vista os grandes públicos, menos preparados. A História serve quase sempre de propaganda. Basta constatar os preconceitos e o simplismo com que é abordada a Igreja e o papel do clero medieval nos manuais escolares para o ciclo preparatório. Sinais dos tempos, herdeiros da triunfante estética marxista no século passado.
O argumento desta série “O Dia do Regicídio” está a ser escrito por Filipe Homem Fonseca e Mário Botequilha, senhores de quem não conheço obra. Antes, reconheço a dificuldade de transcrever para um guião novelesco uma realidade social e politica tão complexa. Espero o mínimo de rigor e honestidade na abordagem romanesca do trágico e decisivo evento histórico. Espero que se apresentem os factos fundamentais sem desvios ideológicos. Mesmo tendo em conta o dramático desfecho, que compromete essencialmente os percursores do inquestionável regime, da bandeira, sob a qual vivemos. Esperemos que o regime vá perdendo os complexos e a História possa ser mais assumida. Em banda larga, horário nobre e aos olhos de todos.

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De peso


Eventualmente poderão conhecer este actor, defensor de causas e dono de uma acrobática biografia. Por estranho que pareça, conheço uma data de homens (todos igualmente estimáveis) fans do herói aí do lado. Nenhuma mulher na fan list. Isso deve querer significar alguma coisa. Este fim de semana, não bastava um filme pela calada da noite e ainda fomos brindados com uma matinée, que tive que gramar durante os últimos quinze minutos para escrever isto. Até cheguei a pensar que o homem tinha morrido e seria uma espécie de homenagem.
Pois o homem não só está perfeitamente vivo como também canta. É isso mesmo. Deve ter-se retirado dos filmes de acção (compreende-se), engordou (também se compreende) e agora canta não sei bem o quê.
Homem de poucas falas e de raras emoções, perito em artes marciais, justiceiro, zelador da ordem e da lei, é visto em múltiplos cenários, melhor que um MacGyver, seja com espada, metrelhadora, canivete suiço, correntes e até, quem sabe, com uma lima das unhas.
Está mais velho e gordo, mas mantém o mesmo ar cool com o casaco de pele preta, cabelo comprido apanhado, sabedor de muitas línguas estrangeiras, é um regalo vê-lo bater-se com bravura contra a escória dos gangs urbanos, lutando com cowboys arruaceiros, esquartejando ninjas temíveis ou limpando o sebo a rufias a soldo.
Não se lhe conhece nenhuma mulher. No entanto, paira sempre no enredo a memória de um amor assassinado (geralmente uma asiática) cuja morte ele quer vingar. Julgo que os scripts também devem incluir crianças lindas e inteligente, assim como alguns bichos amigos do homem. A causas (dele) estão por lá muitas vezes: os danos ambientais, as reservas naturais, a defesa de povos indígenas, os desastres ecológicos, a protecção dos animais e a defesa das espécies. Suponho que agora acompanhe isto tudo à viola.
Já não sei mais nada. Como diria o velho Steven atirando com um dardo à jugular de um meliante: " See you in hell".

A ler

1. "O Pecado da Soberba", por Pedro Marques Lopes. Concordo com a maior parte dos argumentos invocados. Também acho que o Paulo chega lá de qualquer maneira, já o escrevi aqui no Corta-Fitas, mas parece-me que o fim de semana passado foi a prova provada de que aquele pequeno partido "não tem emenda".
2. "Pronto, Está Bem", por Jorge Ferreira. As facas estão mesmo afiadas. O Jorge, que foi quase tudo no CDS e no PP (até foi líder parlamentar, com Portas na bancada), perdeu o pudor que levou a que nos últimos anos não falasse de questões do partido que foi o seu. Para ele, "o CDS não passa hoje de um assunto de delito comum". Mais, ele diz que o partido "foi invadido, silenciosa e metodicamente por um grupo de 'talibans' políticos que boicota, sabota, põe e dispõe". Já Portas, porque é de Portas que se fala, é descrito como "um Narciso patológico", "formado na pior escola do vale tudo. Assim uma espécie de Vale e Azevedo da política". Chega? Não. Jorge Ferreira chama-lhe "um pária partidário que vive dos piores vícios dos partidos". Ui, é só fel...
3. "Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Longa e Escura", por Helena Ayala Botto.
4. "Carta Aberta ao Dr. Paulo Portas e Dr. Ribeiro e Castro", por Francisco Velozo Ferreira.
5. "Ota Torta", por Paulo Gorjão.
6. "Descanse António Braga - Os Vício-Consulados", por Carlos Albino.
7. "Ponto Final", por João Gonçalves, e "Pontos nos II", por Eduardo Pitta.
8. "Publicidade Relativista", por Palmira F. da Silva. Post publicado no blogue "De Rerum Natura", altamente recomendado pelo Carlos Abreu Amorim.

Wonderful World


Ao João Villalobos e à sua infinita adoração (mesmo que autista) por Marques Mendes
.

Contribuir com os meus impostos...

...para financiar partidos destes?
Não Obrigado!










P.S.: Obviamente inspirado na última campanha de referendo


Traviata - Choeurs des Bohémiens
Premier de deux extraits de "L'Opéra imaginaire" Interprété par Le Coro dell'Accademia di Santa Cecilia de Rome

Vamos ao que interessa, que já se faz tarde

E para eu e o João Morgado Fernandes nos tratarmos por tu, só falta ele responder acertadamente a uma pergunta: ««Lifes Rich Pageant» é um grandioso álbum, ou não? O resto é conversa....Ou o princípio de uma bela amizade.

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Segunda-feira, Março 19, 2007

Sabem que mais? Batatas!

Estou assim a modos que um bocadinho farto dessa conversa do «não há oposição» e do «Oh, já estou cansado de esperar por um D. Sebastião, quer venha ou não». Não tenho querido expressar-me porque, sabe quem me conhece e vocês agora, estou profissionalmente ligado ao PSD e a Marques Mendes. Mas ninguém me encomenda sermões e muito menos os censura. Dito isto, acho que já chega de tomarem a nuvem por Juno. José Sócrates tem oposição: Não é uma oposição como gostariam os santanistas, os menezistas, os borgianos, os cavaquistas, os portistas e tutti quanti? Azar o vosso e azar o deles. Quem continua a martelar no mesmo, ou seja, de que em volta ou contra Sócrates só existe o deserto, não enxerga a realidade partidária nacional e o aparelho do PSD. Quanto ao CDS-PP e ao hipotético novo partido da direita, do centro-direita ou lá o que queiram chamar-lhe, é um tema muito útil para desbloqueador de conversa ou vender papel, mas para o resto tão útil como um GPS no deserto do Gobi.
As eleições de 2009 vão ser decididas de acordo com o diferencial entre o que foi prometido aos portugueses e o que foi alcançado pelo Governo. E o Governo não alcançará o que prometeu porque chegou ao meio da legislatura e chegará ao seu fim sem fazer as reformas que devia ter feito e com um modelo de crescimento assente nas exportações, não na criação de riqueza. Em suma, dependente da permanência da Autoeuropa e dos seus sucedâneos. Não gera emprego, não gera conhecimento, não gera inovação, não gera empreendedorismo. Gera, isso sim, perda de poder de compra, a mesma burocracia de sempre e uma esquizofrenia entre o dito e o não feito que os portugueses sentem todos os dias.
As eleições de 2009 serão decididas entre José Sócrates e Luís Marques Mendes. Depois, Jerónimo de Sousa se a saúde o permitir e o inevitável e inefável Francisco Louçã. Querem mais oposição do que aquela que existe e vai existir? Estão nervosos, carentes, necessitados de inspiração para um qualquer desígnio colectivo? Juntem-se a Paulo Portas e Santana Lopes. Depois, não venham é pedir batatinhas.

Quantas vezes pode um partido morrer?

Lamento a algazarra e o mau aspecto com que se reveste a tomada de poder no CDS. Ao estilo de assalto “à pirata” responde-se com uma estratégia de “terra queimada”. Sei que é fácil falar quando se está do lado de fora, mas o facto é que o espectáculo é degradante. Só que Portugal continua adiado…
Enquanto isso, os partidários do rotativismo regimental rejubilam com a morte da direita portuguesa. Provavelmente uma vez mais confundem o seu desejo com a realidade.
Enquanto Portugal continua adiado… sem estratégia e sem oposição.

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Alguém sabe a resposta?

«Analistas estrangeiros perguntam-me: O que fizeram ao dinheiro nos últimos 20 anos?». Carlos Andrade, economista-chefe do BES, em entrevista ao Semanário Económico e a propósito da aplicação dos fundos comunitários por Portugal.

E agora, José?


Guardada para o regresso do José Nero Fontão, tenho aqui uma garrafinha de Chateau Lafite 1789 que pertenceu a Thomas Jefferson. Corre sérios riscos de estragar-se.

A agonia do CDS

O triste espectáculo da luta pelo poder no interior do CDS revela pouco respeito dos ilustres conselheiros pelos seus eleitores. Acho que não vale pena comentar as manobras e intrigas de pequena substância. No entanto, a agonia do partido da direita pode ter consequências. Se o combate interno continuar neste nível ao longo de muitas semanas, até se definir a vitória final de Paulo Portas (resultado que parece quase inevitável), tudo indica que a futura liderança terá uma espécie de vitória de Pirro. Presidirá a ruínas. Se Ribeiro e Castro resistir e vencer, só o conseguirá à custa da incineração do próprio partido. Enfim, ou um deles desiste ou o CDS acaba.
O fim deste partido altera o cenário político. Em primeiro lugar, será mais um passo para a bipolarização, no fundo um sistema semelhante ao espanhol. Este é suavizado pelos partidos autonómicos, sobretudo os conservadores catalães; no caso hipotético português, restariam apenas o PCP e o Bloco de Esquerda, um em declínio e o outro demasiado pequeno.
Mas o fim do CDS perturba toda a direita. Provavelmente, o PSD tornar-se-ia mais populista, lutando por absorver o eleitorado deste sector, que controla apenas parcialmente. Isso obrigaria os social-democratas a perderem o centro que costumam disputar (é a questão do lençol demasiado curto, que ou tapa a cabeça ou os pés). Por outro lado, o aparecimento de novos partidos só resulta em situação de crise nacional, que manifestamente não existe (o País tem problemas muito graves, mas não está em crise de regime).
Em resumo, o esvaziamento do CDS leva-nos mais um bocado na direcção do sistema espanhol, de dois grandes partidos (um à direita e outro à esquerda). Só que em Portugal não há feridas da guerra civil nem razões para a crispação que alimenta aquele modelo. Os ódios terão de ser inventados.

Rapazes sérios

Os Gato Fedorento recusaram encontrar-se com José Sócrates, a pedido do mesmo. Terão respondido que o farão quando ele já não for Primeiro-Ministro, ou eles humoristas. Este gesto só lhes fica bem. Quem ontem viu o «Best Of» dos Gatos, entendeu bem a mensagem. Os sketches seleccionados foram apenas os que parodiavam os nossos políticos (com excepção de Valentim Loureiro). E, no final, revimos a figura do «censor». Há, como sabemos, várias formas de censurar. Uma delas é convidar a(s) pessoa(s) em causa para um almoço ou um jantar, impor-lhes um amistoso charme e oferecer-lhes um lugar cativo à mesa dos poderosos, desde que entendam bem as regras da etiqueta. Com Herman, resultou e teve o efeito que se viu. Com os Gato Fedorento pelos vistos não resulta. Rapazes sérios, estes nossos comediantes.

Nas colunas


El Perro del Mar
(Com um «muito, muito obrigado» ao JMF)

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Ainda o «destrambelhado»

«Insisto, embora isto me valha muita acrimónia. Mendes devia formalizar um convite a Santana Lopes para presidir ao grupo parlamentar. Se recusasse, problema dele». O João Gonçalves, por vezes, manifesta de forma radical o seu lado de anarquista de direita. No fundo, ele gostava que isto fosse tudo com as couves, para depois ser outra coisa qualquer. Caro João, olha que não se trata de «acrimónia». Apenas lucidez. Defender o circo era para os romanos. Mas esses, pelo menos, tinham pão.

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«Não sou eu, é a realidade que se engana»

«Se eu olhar à minha volta e chegar à conclusão» de que «sou eu que estou melhor colocado para assumir a responsabilidade da liderança do meu partido, não fujo», terá afirmado Pedro Santana Lopes. Digo «terá» porque, se realmente o afirmou, é um caso clínico de amnésia e alheamento da realidade. PSL esqueceu já o que fez quando foi primeiro-ministro? Acha que os militantes do partido e os portugueses o esqueceram? Não sabe que foi o maior responsável pela vitória socialista com maioria absoluta e a situação em que hoje nos encontramos? Não recorda o que fez enquanto ocupou o Palácio de S. Bento? Santana Lopes não tem amigos? Um dvd para rever episódios gravados? Alguém que lhe explique, como se tivesse os cinco anos que parece muitas vezes ter, que Portugal já deixou de ser um recreio para meninos mal comportados? Há alturas em que, francamente, nem Job teria paciência para ser português. Eu, quando olho em volta e vejo Santana Lopes, não tenho só vontade de fugir. Fujo mesmo.

WalkLucía, por supuesto


Um conselho aos rapazes do turismo andaluz. Ponham os olhos na criatividade revelada pelas altas instâncias do nosso turismo e esqueçam todas as restantes línguas do planeta, incluindo a vossa. Se Portugal tem agora o AllGarve, o que esperam para baptizar a WalkLucía?

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Domingo, Março 18, 2007

Campo d’ Ourique

Campo d’ Ourique foi durante muitos anos o centro do meu mundo. Um mundo quadriculado e plano, bom para andar de bicicleta, com o melhor cinema de Lisboa, o Europa. Sempre me pareceu o bairro perfeito, onde morava parte da minha família, se circulava com relativa segurança e possuía a mais útil carreira de autocarro, a nº 9, directa para a Avenida da Liberdade e para o mundo. Cresci num terceiro andar, com a escola da câmara logo ali em baixo. O ruído da agitada reinação nos recreios da manhã ou da tarde inspiraram por certo a minha infância feliz.
Com uma família conservadora e os irmãos em casa, foi muitas vezes com os miúdos da rua que eu aprendi os mais fascinantes segredos da vida. No meio de jogos e correrias, de bicicleta ou com a bola nos pés. Ali ao lado da minha casa, ficava a Praça Afonso do Paço, um rectângulo inclinado com descampado ao meio, perfeito para o deslizar da minha reluzente bicicleta. Era ai que marcávamos o alcatrão com autódromos pintados a giz, nos quais nos debatíamos em corrida com os melhores e mais afinados modelos “matchbox” de cada um. A cada saída da pista, retornávamos a última meta atravessada. O primeiro a completar uma volta ganhava. Ao cair do sol de Setembro, mesmo antes de recolher a casa, ainda valia galgar o muro lá em baixo na encosta e trepar à copa da figueira para apanhar os últimos figos doces. E assim romper umas calças e esfolar um joelho.
Mais tarde, mais crescido, quantas vezes à saída da Escola Manuel da Maia, ainda roubávamos tempo e ao fundo da Coelho da Rocha parávamos para a futebolada da ordem. Marcadas as balizas com as mochilas, dois para dois com "guarda-redes avançado", esgalhávamos um animado desafio, que com sorte não terminava com os atletas em fuga depois de partido um vidro.
O nosso pesadelo morava ao lado, ali em baixo da rua Maria Pia. Os “índios” do Casal Ventoso permaneceram toda a vida uma ameaça constante, signicavam o fim da brincadeira, em fuga ou em lágrimas. Uma bola de futebol, mesmo de plástico de má qualidade, era um bem escasso que atraía demasiadas atenções. Os jogos eram disputados com "um olho no burro e o outro no cigano". Nem de longe imaginávamos então o protagonismo que esse malfadado bairro inevitavelmente tomou nas nossas existências.
A minha vida em Campo d’ Ourique também se jogava às escondidas ou à bola nos pátios e jardins da magnifica Igreja do Sto. Condestável. Isso acontecia a seguir à catequese, antes da missa vespertina ou quando de passagem para a Travessa do Patrocínio, a casa dos meus avós. Este omnipresente templo neo-gótico que se vislumbrava da minha janela (construído com a colaboração do meu avô José, engenheiro civil), foi o palco dos meus primeiros e íntimos passos de aprendizagem espiritual.
Depois Campo d’ Ourique também me lembrará sempre o Jardim Maria da Fonte (da Parada), ao qual lá em casa chamávamos o Jardim das Rãs. O Eduardo dos Livros onde se podia comprar um número atrasado do Diário de Notícias, trocar uns livros do Patinhas, comprar cromos mais difíceis ou até Valores Selados. E havia os esplêndidos bolos da Aloma. E a Laranjina C, mas isso já é outra história. De Campo d' Ourique foram os meus primeiros amores e foi a minha primeira namorada.
E havia a Compasso, loja onde se encontravam todos os discos, livros e artefactos que fariam a felicidade de qualquer pessoa. Eram longos os momentos de deliciosa cobiça que nos concediam na loja, a mim a ao meu irmão. Era assim que plenos de desejo e de bolsos invariavelmente vazios, folheávamos as últimas novidades da BD e pedíamos para rodarem um LP meticulosamente escolhido nos infindáveis escaparates da música.
Assim, foi em Campo d’ Ourique que eu cresci. Que me fiz rapaz, a bem e a mal. Que atravessei e palmilhei tantas vezes, tantos quilómetros. Para ir à escola, ao liceu, à praça e à farmácia, aos meus avós, à igreja. Para todo o lado e para o inferno também. Finalmente para mim prevalecerá sempre uma alegre recordação deste bairro burguês de toponímia republicana, mas afinal tão luminoso e desempoeirado, feito à medida das pessoas. Um sítio onde se pode ser feliz.
Fotografias daqui

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Um elenco de ministros fatigados

O Governo entra no terceiro ano de vida com nítida perda de fôlego. Há ministros inexistentes, como Nunes Correia (Ambiente) e Mariano Gago (Ciência), que se limitam a gerir bem o silêncio. Outros parecem implorar para ser substituídos, como Isabel Pires de Lima (responsável por crescentes trapalhadas na cultura), Correia de Campos (prova viva de que o Executivo vai mal de saúde) e Manuel Pinho (uma irrelevância política, que tem apenas a seu favor o facto de divertir os portugueses cada vez que abre a boca a propósito ou a despropósito dos enredos da economia). Mas o caso mais complicado é o de Mário Lino, que continua a espalhar-se ao comprido na questão do putativo aeroporto da Ota. Escamoteando relatórios oficiais que chumbam o empreendimento, ignorando as prudentes advertências do Presidente da República e ensaiando uma fuga em frente ao assumir o projecto como uma incumbência "pessoal", com requintes de Rei-Sol, o titular das Obras Públicas vê-se agora no centro de todas as polémicas, ouvindo até remoques do ex-ministro das Finanças, Luís Campos e Cunha, que há dois anos se sentava ao seu lado no Conselho de Ministros. José Sócrates tem três meses para remodelar este elenco de ministros fatigados: depois de Portugal assumir a presidência da União Europeia tudo se tornará bem mais difícil.

Domingo

(4º da Quaresma)

Evangelho segundo S. Lucas 15,1-3.11-32.

Aproximavam-se dele todos os cobradores de impostos e pecadores para o ouvirem. Mas os fariseus e os doutores da Lei murmuravam entre si, dizendo: «Este acolhe os pecadores e come com eles.»
Jesus propôs-lhes, então, esta parábola:
«Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde.' E o pai repartiu os bens entre os dois.
Poucos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma terra longínqua e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada.
Depois de gastar tudo, houve grande fome nesse país e ele começou a passar privações. Então, foi colocar-se ao serviço de um dos habitantes daquela terra, o qual o mandou para os seus campos guardar porcos.
Bem desejava ele encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. E, caindo em si, disse: 'Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome!
Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus jornaleiros.' E, levantando-se, foi ter com o pai. Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos.
O filho disse-lhe: 'Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho.' Mas o pai disse aos seus servos: 'Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha; dai-lhe um anel para o dedo e sandálias para os pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o; vamos fazer um banquete e alegrar-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado.' E a festa principiou.
Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se de casa ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. Disse-lhe ele: 'O teu irmão voltou e o teu pai matou o vitelo gordo, porque chegou são e salvo.'
Encolerizado, não queria entrar; mas o seu pai, saindo, suplicava-lhe que entrasse. Respondendo ao pai, disse-lhe: 'Há já tantos anos que te sirvo sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos; e agora, ao chegar esse teu filho, que gastou os teus bens com meretrizes, mataste-lhe o vitelo gordo.'
O pai respondeu-lhe: 'Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado»

Da Bíblia Sagrada

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Nos 50 anos da RTP (11)


MODELO E DETECTIVE. Por mais anos que passem, por mais séries que veja, nenhuma me empolga como esta me empolgou na segunda metade dos anos 80. Moonlighting, no original, foi uma produção da ABC, exibida nos Estados Unidos entre 1985 e 1989, com um inesquecível tema musical (de Al Jarreau) e dois actores em estado de graça: Cybill Shepherd e Bruce Willis. Ela suscitou-me uma precoce paixão cinéfila, daquelas de caixão à cova, quando a conheci no fabuloso Taxi Driver, de Scorsese. Ele viria a protagonizar um dos melhores filmes desses anos 80 - Assalto ao Arranha-Céus, de John McTiernan. Encontraram-se aqui, no mais original escritório de detectives de todos os tempos, numa comédia disfarçada de policial onde a trama era o que menos interessava. O que me fazia beber cada momento de cada episódio era saber se aqueles permanentes arrufos entre Maddie Hayes e David Addison alguma vez desaguariam no romance que parecia sempre iminente e que à última hora sempre resvalava para nova discussão acalorada. Era, no fundo, uma série sobre o desejo sexual disfarçado sob os mais diversos pretextos, à maneira das geniais screwball comedies de Howard Hawks. Amei esta série mal sabendo que um dia viria eu próprio a protagonizar um enredo muito semelhante. Sem ela ser modelo, sem eu ser detective. Quem diz que a vida não imita a arte?

Sábado, Março 17, 2007

Porto 0 – 1 Sporting

Os miúdos fizeram de Helton a figura do jogo.

Allez Soprting!

(Fotografia daqui)

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Efeméride

Em jeito de modesta homenagem ao dia de Hoje, dia de St. Patrick (Paddy para os amigos). Façam o que fizerem, não tentem cantar isto num bar irlandês.

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Mendes ao Sol

"Mendes impõe agenda"
Título da página 9 do Sol

"Líder do PSD cala oposição interna"
Postítulo da página 9 do Sol

"Mendes defende suspensão da Ota"
Título da última página do Sol

"Azevedo Soares: estamos a fazer uma boa oposição"
Título da página 8 do Sol

"O vice-presidente do PSD recusa que haja instabilidade no partido"
Postítulo da página 8 do Sol

"Ferreira Leite alvo de críticas no PSD"
Título da última página do Sol

"A ex-ministra das Finanças de Durão Barroso foi duramente criticada pelos deputados sociais-democratas, esta semana, na reunião da bancada parlamentar. Tudo porque Manuela Ferreira Leite acusou Marques Mendes de 'total irresponsabilidade' ao exigir ao Governo de José Sócrates a redução do IVA e do IRC. Os deputados não gostaram de ouvir as críticas da ex-ministra e chegaram mesmo a considerar 'inqualificáveis' as afirmações feitas."
Notícia do Sol (última página)

"A ex-ministra das Finanças transformou-se numa espécie de franco-atiradora da política nacional, disparando, regular e publicamente, críticas e farpas em várias direcções, incluindo o seu próprio partido."
José António Lima, no Sol (página 5)

"Bom tiro de Marques Mendes no balanço dos dois anos de Governo: baixar IVA e IRC."
Marcelo Rebelo de Sousa, no Sol (página 63)

"Já noutros textos mostrei que existe folga orçamental mais do que suficiente para que esta proposta seja exequível (e, portanto, responsável)."
Miguel Frasquilho, vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, no Sol (página 27)

Suécia: notas de viagem (VI)


Uppsala. Vale a pena apanhar o comboio, prático e confortável. Ir por exemplo a Uppsala, cidade universitária - a quarta maior da Suécia. A 45 minutos de Estocolmo. Verde a perder de vista - uma vez mais, que enorme diferença em comparação com os espaços verdes tão escassos e tão maltratados em Portugal! No regresso, em vez de comboio, é melhor viajar de autocarro. E passar na pitoresca aldeia de Sigtuna, a mais antiga do país. Retrato de uma Suécia diferente, calma e campestre, com casas de madeira e onde toda a gente se conhece. E um belíssimo lago adjacente a perder de vista que no Inverno está inteiramente gelado. Más noticias para os patos e cisnes que lá residem...


Saramago tinha razão. Confirmei in loco: o inventor da dinamite chamava-se Alfred Nobél (como pronunciam os suecos) e não Nóbel (como nós dizemos correntemente, talvez por influência americana, ao arrepio das regras fonéticas portuguesas). José Saramago tinha razão.

Museu do cinema (III)



Este é um museu muito pessoal e nem sei bem se existe um bom critério para colocar aqui objectos. A série devia chamar-se “O Meu Museu do Cinema”. E, logo no primeiro post, a prosa devia estar centrada no filme do Bogart.
Mas eu pretendia escrever sobre Casablanca, mesmo que demorasse semanas. Não é uma obra-prima do cinema, mas um filme de cenas, com momentos sublimes, outros divertidos e ainda alguns instantes pouco sérios. A história é relativamente banal e, se não fosse pelos diálogos certeiros e, acima de tudo, a esplendorosa Bergman, Casablanca não teria o fascínio que lhe mereceu ser uma espécie de ícone da cultura contemporânea, o primeiro título que ocorre a muita gente, quando alguém quer referir um bom filme clássico.
Quem mais me fascinou, a ponto de ter escrito um romance sobre ele, é a personagem de Viktor Laszlo, o marido. Trata-se de um combatente da liberdade, uma figura algo quadrada, sem espessura. Na realidade, nunca o compreendemos. Um dia, após ver o filme, achei estranho que aquele nome, que só pode ser húngaro, seja dado a uma personagem de origem checa. Tento explicar melhor: quando Casablanca foi filmado, pretendia-se fazer um filme de propaganda, onde os nazis eram os maus (e, portanto, também os seus aliados húngaros). O realizador de Casablanca era um judeu húngaro que, nos EUA, mudou o seu nome para Michael Curtiz. Começou a carreira durante a Primeira Guerra Mundial, a fazer filmes em Budapeste, quando ali existia uma indústria emergente de alguma dimensão. Após algumas aventuras, Curtiz emigrou para os Estados Unidos e foi um dos tarimbeiros de Hollywood, um especialista em filmes de acção, com orçamentos baixos, histórias simples e ritmo eficaz. Para mais me espantar, a história de Casablanca foi escrita por um duo de irmãos, também de uma família de judeus húngaros. Enfim, para simplificar: aquele nome, Viktor Laszlo, não devia estar ali. Todos sabiam que não podia ser checo. E, se fosse checo, devia chamar-se Vaclav, ou algo semelhante.
E qual é a história de Casablanca, do ponto de vista desta personagem que não devia estar ali? O combatente da liberdade, em vez de salvar o mundo, não consegue sequer salvar o seu casamento. Existe nele um estranho desejo de sair do filme, de partir ou de morrer. Ele percebe (sabe anteriormente, mas tem de perceber no final) que a sua mulher lhe foi infiel. Depois, viajam ambos para Lisboa, para viverem o verdadeiro filme.
Qual a razão de não lhe terem mudado o nome? Haveria um Viktor Laszlo a quem aconteceu aquilo? Em resumo, a situação, em si, é de uma enorme banalidade, mas eles partem para Lisboa e é em Lisboa que saímos da fantasia Bogartiano-Bergmaniana, para entramos na inevitável realidade do autêntico Viktor Laszlo e da sua mulher. A Lisboa que está fora da guerra, mas que parou no tempo, numa ansiedade em relação ao que vem de fora.
Estas especulações foram o ponto de partida para o primeiro livro que escrevi, “O Silêncio do Vento”, um romance publicado em 1999. É por tudo isto que gosto de Casablanca. Gosto da canção, gosto de Curtiz, e daquele Viktor Laszlo que só podia ser húngaro, mas a quem ninguém se atreveu a mudar o nome, porque talvez fosse a reminiscência original do filme, o ponto de partida de uma bela amizade.

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Sexta-feira, Março 16, 2007

Coisas fantásticas

Rever estes sons tantos anos depois.


Nos 50 anos da RTP (10)


SKIPPY. Sempre gostei de séries com animais. A minha infância esteve cheia delas. Lembro-me: havia um golfinho chamado Flipper, um leão chamado Daktari, um cavalo negro chamado Fúria, até um urso pardo chamado Gentle Giant. Mas, entre as séries que a RTP exibia nas tardes de fim de semana, nenhuma me seduziu tanto como esta - produzida entre 1966 e 1968 pela CTVA australiana - que tinha um canguru como personagem principal. Chamava-se Skippy, este marsupial que seguia o jovem dono como se fosse um cão. Foi quanto bastou para sentir uma vontade enorme de ter também um bicho destes. O problema é que cangurus livres como o vento só existem na Austrália - talvez por isso os do Jardim Zoológico de Lisboa nunca me despertaram interesse. Se não podiam vir eles cá, fui eu lá. Um dia, nos arredores de Darwin, já a cidade cedera lugar à savana, aconteceu um momento mágico: um canguru veio ao meu encontro. Lá estava ele - o "meu" Skippy. Demorou-se só o tempo necessário para lhe disparar uma fotografia e logo me virou as costas, indo à sua vida. Mas bastou este momento para justificar a minha deslocação à Austrália. Ainda hoje penso nisto. E logo me vêm à memória os versos do tema musical da série: "Skippy, Skippy, Skippy the bush kangaroo / Skippy, Skippy, Skippy a good friend true."
Desconfio que não preciso de procurar mais: o meu Rosebud é mesmo este.

Os ninjas das feiras

Eh pá, eh pá! Esta imitação aqui em baixo é de escangalhar a rir mas eu tenho que interromper porque só agora é que peguei no Correio da Manhã e descobri que as nossas lotas e mercados estão cercados por ninjas!!! Mercenários assassinos, filhos da matriarca do piorio ao serviço da ASAE...Não vislumbrei, nas fotografias, nem shurikens nem espadas. Mas pronto, são ninjas. Se eles dizem a malta só tem é que acreditar. Aguardo ansiosamente a altura em que a ASAE enviará pilotos kamikase esborracharem-se sobre a Feira de Carcavelos. Sayonara Lacostes de imitação. Longa vida para o Imperador!
Disseram-me à boca pequena que o jantar de Paulo Portas já passou a barreira psicológica dos 1.000 convidados confirmados. Se os ninjas lá forem controlar o catering, isto vai ser uma bela de uma carnificina.

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In Memoriam

Uma imitação delirante do comentador desportivo despedido pela RTP

Portugal no Tube IV

Velhos tempos

O mestre e o "aprendiz"

Digam o que disserem, José Ribeiro e Castro teve esta semana a sua jogada de mestre enquanto presidente do CDS/PP: a inauguração da galeria dos antigos líderes do partido, onde volta a constar a fotografia de Diogo Freitas do Amaral (mandada retirar pela anterior direcção), bem como a de Paulo Portas. Pode ter sido a única jogada de que muitos se vão lembrar, agora não se pode negar que foi bem feita.
Agora, Paulo Portas de aprendiz não tem nada. Com esta dicussão espúria à volta das directas ou do congresso, Ribeiro e Castro só está a adiar o inevitável. Portas chega lá com ou sem directas, por uma simples razão: o aparelho é dele. Ao longo de mais de sete anos, Portas - sozinho, acompanhado ou por interpostas pessoas (como João Rebelo, que é, no meu entender, o verdadeiro "dono" do partido) - palmilhou o País de lés a lés com conversas, almocinhos, jantarinhos, palmadinhas nas costas, oferendas várias, oblatas de lugares e alguma tagarelice à mistura. O que resultou.
O velho partido democrata-cristão de Freitas e de Amaro da Costa (em cuja linhagem Ribeiro e Castro entronca) foi substituído por uma agremiação de jovens e menos jovens liberais, conservadores e anarco-marialvas que têm uma sede constante de poder. Sede essa que num pequeno partido como o CDS é vista (e/ou confundida) com energia renovadora e com a vitalidade que Ribeiro e Castro (um homem sério demasiado só ou mal acompanhado) não demonstra.
Dirão muitos que Portas estará a tentar desapossar um líder do seu poleiro. Fora do timing, contra os estatutos, à revelia do status quo. Eu pergunto: mas não é assim que se faz sempre que se quer conquistar um partido? Ou seria mais salutar esperar que essa ou qualquer outra liderança caísse de podre?
Uma outra questão é o que quer Portas? Ao que vem nesta segunda encarnação? Como me dizia há anos uma das poucas figuras de referência daquele partido, Portas é como os gatos. Tem sete vidas. Eu acrescento: ele não é um gato persa, não é de ficar ao colo, no quentinho, à espera que o prato seja servido. É gato de rua que caça ratos.
Mais curioso vou estar em relação ao rumo que quer imprimir. Ao relacionamento com o PSD e, sobretudo, à atitude que irá adoptar face ao inquilino de Belém. Se, no meio dos disparos contra Sócrates (certamente mais certeiros que os de Marques Mendes e Ribeiro e Castro), Portas resolver afrontar Cavaco Silva como parte do problema, irá dar-se mal. Muito mal.

Postais blogosféricos

1. O Prémio Camões não é um prémio - é uma comenda. Diz o Eduardo Pitta, a propósito do galardão agora concedido a Lobo Antunes. Nada mais certo.
2. Chama-se Within a Sky Full of Earth. É um novo blogue de Macau que recomendo desde já.
3. Entrada deste blogue na nossa barra lateral, com uma saudação ao João Tunes. Passa a leitura diária cá na casa.

Para saudar o regresso do FAL

Ofereço uma rodada de Krug 1990, que era o que estava aqui mais à mão.

Back on the blog

Que caminho é este?

No seguimento do propalado fim da História, assumimos conformadamente a liberal e democrática segmentação social, das classes que agora se designam como A, B, C, D… com base na capacidade de consumo do indivíduo. Nada é mais importante, nem a felicidade das pessoas. Esta perspectiva geométrica, mecânica e utilitária da sociedade torna-se cada vez mais implacável, imperial. No "moderníssimo" Portugal de hoje, a felicidade pechisbeque está acessível a (quase) todas as bolsas. Em doses individuais e empoacotadas com diferentes cores, calibres ou sabores. Com a chancela dos democráticos poderes neo-liberais e tecnocratas, do novo rotativismo.
Bom fim-de-semana.

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Momento tablóide


A carta astral do Primeiro-Ministro,
Virgem ascendente Carneiro, aqui.

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Todos, mesmo todos?

«Nós sabemos que todos os engenheiros fogem aos impostos». Augusto Guedes, presidente da Associação Nacional de Engenheiros Técnicos, em entrevista à Revista da Qualidade, distribuída hoje com o Público.

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Até parece que não tem o telefone directo

«Duvido que o primeiro-ministro ainda tenha muito tempo para ler jornais. Mas há seguramente quem o faça por ele. Peço, assim, a quem faz o 'clipping' de José Sócrates que lhe leve este recado meu: e que tal escolher o Aeroporto da Ota para o próximo debate mensal no Parlamento?». Ricardo Costa no Diário Económico.

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Nas colunas


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Cachopa é uma palavra bonita


Com um obrigado ao Nuno Costa Santos pela descoberta, aqui fica a informação de que Brava Dança é agora também um blogue, onde Jorge Pereirinha Pires e José Francisco Pinheiro nos oferecem diversas pérolas, entre as quais esta.

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Já é sexta


EVA MENDES. Porque sim.




Sexta-feira é o dia em que a virtude prevarica.


"Flor de Obsessão"- Nelson Rodrigues




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Zurrapa experimental

Hoje à mesa do jantar deparei-me com duas garrafas de cerveja, como se não bastasse “sem álcool” ainda com “sabor a pêssego”. "Veio com a encomenda do Continente… foi oferta”, esclareceu-me a minha extremosa mulher com um meio sorriso. “Deve ser parecido com um panaché”, acrescentou. Esta última palavra soou-me a insulto de rua…
Ainda nos fartámos de rir, com alguns trocadilhos… e da mistela propriamente dita. O Francisco ainda emborcou meia garrafa. Um acto heróico, atrevimento próprio dos seus 14 anos.
Receio que, para a próxima vez, a promoção do Sr. Belmiro seja vinho tinto sem álcool com aroma de camomila, ou café com melancia. Quem sabe onde pode chegar a tão propalada e “chic“ diversificação?

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Quinta-feira, Março 15, 2007

Para lamentar

É um erro levar crianças e adolescentes à sala das sessões da Assembleia da República: com esta insistência estamos a formar uma geração antiparlamentar. Foi nisto que pensei esta tarde, ao assistir a uma chatíssima reunião plenária em que se discutia a proposta de lei nº 72/X, que "define as competências, modo de organização e funcionamento do Conselho das Comunidades Portuguesas". Discutir é uma maneira (errada) de dizer: vendo bem, ali não se discutia nada. Havia quem monologasse na tribuna, enquanto nas bancadas escassamente povoadas os representantes do povo bocejavam, liam o jornal, disparavam larachas aos colegas do lado ou palravam ao telefone. Às 17 horas, contei-os: havia 33 deputados do PS (num total de 121 que integram a bancada), 11 do PSD (que tem 75), quatro do PCP (12), dois do CDS (12), dois do Bloco de Esquerda (oito) e um dos Verdes (dois). Total: 53. Ou seja, só 23 por cento dos 230 parlamentares se dignaram estar ali.
Tudo isto é normal em São Bento, sobretudo num dia em que joga o Benfica, como era o caso. Só podiam ter poupado os 50 alunos da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes (de Portimão) e os 170 alunos do Instituto Nun' Álvares (de São Tirso) àquele lamentável espectáculo. Olhei para as galerias: lá estavam eles, enfastiados até ao tutano, com cara de tirem-me-daqui. Depois queixem-se de que os putos não votam e rapam o cabelo quando ficam crescidinhos. Estas visitas ao Parlamento só podem deixá-los traumatizados...

Suécia: notas de viagem (V)


Carros. Param assim que cai o sinal vermelho. Nem um só estacionado em cima do passeio. Apenas uma vez ouvi uma buzina. Os taxistas dominam perfeitamente o inglês e têm um porte civilizado. Que diferença em relação a Portugal!
Roupa. Os preços de muitos artigos são equivalentes aos portugueses, incluindo na roupa. Na grande cadeia sueca de armazéns H&M, também já instalada entre nós, verifico os rótulos: tudo "made in" China, Índia, Indonésia ou Bangladeche. Nem uma só peça de roupa produzida na Europa. Ninguém tenha dúvidas: a globalização veio para ficar.

Tertúlia literária (159)

- Então a mensagem?!
...---...

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Tertúlia literária (158)

- Que andas a tomar?
- Lobo Antunes. É um excelente analgésico.

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Momento tablóide

«Lobo Antunes, o mestre da língua». Este título do Jornal de Notícias recordou-me, não sei porquê, uma altura já lá vão alguns anos em que Lobo Antunes manifestou interesse em que a minha ex-mulher (que na altura ainda o era) conhecesse os seus apartamentos em Paris ou Nova Iorque. Quando ela me confidenciou o avanço entendi-o perfeitamente e, no lugar dele, não posso em boa fé afirmar que não teria feito o mesmo. Embora, especulo, talvez tivesse sugerido um hotel mais pertinho (mas isto sou eu, corroído pelo pragmatismo). Enfim...os mestres é que sabem e belas há muitas (embora como ela não outra igual). Quando foi lançado «Eu hei-de amar uma pedra», no São Luís, urinámos lado a lado. Não achei oportuno mencionar o assunto.

Só eu sei...


Para lá do mau momento desportivo que o Sporting atravessa, é curioso observar que este é o clube que mais jogadores empresta à Selecção Nacional. No Sporting, não somos “os máiores”, somos diferentes!


Os convocados para os jogos com a Bélgica e Sérvia são:

Guarda-redes: Ricardo (Sporting) e Daniel Fernandes (PAOK Salónica)
Defesas: Miguel (Valência), Paulo Ferreira (Chelsea), Ricardo Carvalho (Chelsea), Jorge Andrade (Deportivo), Fernando Meira (Estugarda), Manuel da Costa (PSV Eindhoven) e Caneira (Sporting)
Médios: Petit (Benfica), Raúl Meireles (FC Porto), Tiago (Lyon), João Moutinho (Sporting), Deco (FC Barcelona) e Hugo Viana (Valência)
Avançados: Cristiano Ronaldo (Manchester United), Simão (Benfica), Ricardo Quaresma (FC Porto), Nani (Sporting), Nuno Gomes (Benfica), Hélder Postiga (FC Porto) e Hugo Almeida (Werder Bremen).

Fonte: Jornal de Notícias

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Não é Sexta-Feira mas não interessa nada


"Certas mulheres nos causam a vontade de fazer alguma coisa por elas: uma demonstração de valor, um exemplo extremo de serviço galante, como se bater num duelo e perder um braço ou uma perna por elas, ou pelo menos um bigode.

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Icy post com rolitos de baunilha

Abriu a saison do post com gelado. Não sai nada de jeito, mas garanto que sabe muito melhor.

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Tertúlia literária (157)

- No seu tempo de escola estudou Os Maias?
- Não. No meu tempo de escola só falávamos da Abelha Maia.

Postais blogosféricos

1. Estas meninas merecem parabéns. Pelo blogue e pelo aniversário há dias celebrado.
2. Um abraço ao Sérgio, que tal como eu também mantém o culto da amizade. Um traço comum que nos ficou do Oriente.
3. O Luís merece ser presidente honorário da Associação de Amizade Portugal-Suécia. Espero que me aceitem como sócio.

Andreia Elisabete?

Eu não sabia disto mas, sendo assim, proponho que devolvam já a criança à raptora. Antes isso, do que marcar a miúda com um nome destes para o resto da vida.

1+1=1?

Lido no blogue do MAI: «Com a solução proposta pelo Governo, o homem (ou mulher) que tenha a responsabilidade de ser a pedra angular do Sistema Integrado de Segurança Interna não concentra “todos os poderes policiais".
Lido nas notícias de hoje: Maria José Morgado vai coordenar DIAP e Apito Dourado.
(Título roubado a Almada Negreiros)

Há maneiras mais simples de dizer «não comprem»

«Lobo Antunes repega em coisas que já tinha feito em livros anteriores relativamente ao passado colonial português. É um mosaico de vozes que uma vez mais trabalham sobre o falhanço, o malogro, a solidão. Cada uma das personagens vive isolada como se houvesse uma espécie de muro invisível que faz com que falem para si mesmas. Não há inter-relações, não há diálogos». No Público de hoje, sobre «O Esplendor de Portugal».

Não há sorvetes mas há survias

Meus. Cotas amigos. Malta que levava porrada dos chuis de choque em Cascais sempre que havia um concerto e mesmo que fosse da Joan Baez: Os tempos mudaram. Deixem em casa os vossos calhaus de calçada, soqueiras e naifas. Agora, até podem levar os putos ao concerto dos Metallica, à borlix. À pala. Não pagam nestum. Népia!!! Altamente. (A isto chama-se ter olho e criar uma nova geração de consumidores da bejeca).

Alguém que a deixe comentar um derby

«Uma pujança metafórica sempre em crescendo». Isabel Pires de Lima, sobre a escrita de António Lobo Antunes, no Público de hoje.

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Quarta-feira, Março 14, 2007

O que faz a saudade

Durante anos, ouvi os acordes do xilofone. Mesmo depois da casa estar vazia, das malas feitas. E, uma vez, uma só vez, corri atrás do som que me trouxe a memória, certa que encontraria Celeste, sorridente e compreensiva, no quarto da costura. Naquele jardim de inverno onde se acertavam vestidos e sobravam retalhos de todas as cores e tecidos. Corri para o vazio, para uma sala de jantar em silêncio.
O mar levou-me a amizade sincera, os anos trituraram os sentimentos e os interesses. Quando regressou, trazia sotaque na voz e lembranças da América na bagagem. Só não trouxe os acordes do xilofone, nem os braços calorosos que me acolhiam. Deixei de sonhar, de esperar. O vento ficou mudo, sem som, sem aquele toque mágico nas teclas de madeira.
Era nova demais para perceber os estragos da distância, para saber que o Atlântico anula vontades. Boston, uma cidade que não conheço a cor, nem o cheiro, moldou o coração da vizinha roliça, que dividia as contas da electricidade com a minha mãe. Partiu gente como nós, regressou emigrante, de pulseiras de ouro e presunção na alma.
Ingénua ainda, desci de dois em dois, os degraus dos muitos lances de escadas, abri o portão, voei para a memória de infância e cai num lago gelado. Nesse imenso lago gelado que envolve os desconhecidos, que submerge os que nos fogem, os que perdemos, os que nos perdem.

Nos 50 anos da RTP (9)


FAWLTY TOWERS. Tenho saudades desta série produzida pela BBC, entre 1975 e 1979. Porque me fazia rir até às lágrimas. Com o genial John Cleese no papel de um proprietário de hotel onde vigorava a lei de Murphy: tudo quanto podia correr mal... corria mesmo! Delirante até mais não. E confesso: ainda hoje sinto pena do criado (criado sim, não empregado) Manuel, vítima da prepotência do “patronato reaccionário”, como se costumava dizer no linguajar de então, nesse final dos anos 70, quando a revolução se afundara e deixara por cá apenas uns restos desgarrados do seu jargão.

Suécia: notas de viagem (IV)


Fumo. Não falta por aí quem entre em êxtase com as medidas “fracturantes” postas em prática na Escandinávia em nome do progresso. Pois aqui está uma que nunca vi esses fãs inveterados dos países nórdicos reivindicarem para Portugal: a interdição total de tabaco nos espaços fechados. Os suecos não fumam em cafés, restaurantes, pubs. Já para não falar em museus e transportes públicos. Zonas para fumadores e não-fumadores? Nada disso: quem quer fumar vai lá fora. E não pensem que os estabelecimentos estão vazios: tal como aconteceu na Irlanda, esta medida foi um sucesso.

Álcool. É a grande perdição dos suecos. O alcoolismo tornou-se um problema social tão forte, entre as décadas de 60 e 90, que hoje a venda de álcool está fortemente restringida. O imposto sobre bebidas alcoólicas é pesadíssimo, os locais de consumo estão circunscritos, a venda a menores é rigorosamente interdita. E garanto-vos: a cerveja deles é muito má, o que deve integrar o mais recente pacote de desincentivos ao consumo. Valeu-me a caríssima cerveja Karlovacko, fabricada na Croácia, e que – segundo garante no rótulo – já foi medalhada num concurso internacional realizado em... Lisboa!

Nota zero na escola da vida

Ou ainda: As mulheres fortes como vanguarda da classe trabalhadeira.
«Tenho pesquisado - como apoio ao trabalho terapêutico - os motivos pelos quais se diz que as mulheres fortes intimidam os homens. Não encontrei até agora nada de interessante, nada que ultrapasse os chavões habituais (inversão do instinto de predador e outras psico-larachas semelhantes). Qualquer homem deveria adorar ir para a cama com uma mulher forte * (rica, poderosa, inteligentíssima, etc), pois nenhum outro sítio é mais socialista, igualitário e utópico. No dia seguinte, claro, a realidade prossegue». No Mar Salgado.
Qual é o «sítio»? A cama ou a mulher? É que se for a segunda, compreende-se o insucesso da investigação.

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Puxando a discussão para cima

O sucesso de um blogue, a qualidade ou mérito dos seus conteúdos, não se definem pelo número de comentários alcançados. Ainda para mais de anónimos. Para esta conclusão, basta consultar as estatísticas.
No Corta-Fitas é a diversidade que faz falta, é a diversidade que promovemos. Com frontalidade e em liberdade.

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Querer nem sempre é poder



Uma Lisboa iluminada e eu num restaurante habitualmente agradável mas hoje infestado por um grupo de adolescentes, jovens adultos, pequenos animaizinhos tão descontrolados que nem os saltos hormonais as desculpam (sim, elas gritam sempre mais alto. Desconhecem os decibéis adequados da fala). Leio e abstraio, ou tento abstrair-me.
Há duas revistas com que sonham desde sempre os melhores editores e fotógrafos que temos, os mestres gráficos, sem que alguma vez tenham conseguido emular uma delas: A New Yorker e a Vanity Fair. Ou mellhor, a Atlântico será em essência a primeira e mais meios tivesse mais alcançara. A segunda, essa, não é para pobrezinhos. Um homem saliva com a publicidade mas é com as reportagens que atinge o orgasmo. Elas têm todo o tempo do mundo, todo o espaço. A Vanity Fair vai directa aos mecanismos de prazer no cérebro e daí espalham-se os tremores para todo o corpo.
Este número que li foi o que tem capa de Março, dedicado aos Óscares e a Hollywood. Mas não é pela fotografia de Warren Beatty por Herb Ritts que falo, Warren em meias brancas, imaginem vós ó consciências bobones do correcto pronto-a-vestir. Nem do dossier deslumbrante de fotografias de Annie Leibovitz, «Killers kill, dead men die» numa homenagem ao film noir, com os actores e actrizes de hoje (ver imagem junta). Não.
Falo do perfil traçado por Michael Wolff da mulher que ascendeu e caiu no império Murdoch. Judith Regan, a bitch que liderava a Harper Collins e cujo descalabro está umbilicalmente ligado ao livro de O. J. Simpson que não chegou a atingir os escaparates, tal era a sua obscena manipulação dos reflexos salivares de uma nação tablóide.
Uma revista que se lê porque toda a informação é nela servida com o savoir faire de um (mais do que um) verdadeiro chef da prosa e o empratamento de fotografias que estão para além da classificação das estrelas. Beleza pura (onde é que já ouvi isto?).

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A vida para além do blog


Estimados leitores, caros amigos,
Não sei onde se encontram neste momento, mas tenho a certeza de que as esplanadas de Lisboa estão inundadas de óculos escuros e bebidas com gelo. São os templates privilegiados de uma cidade com luz e rio com os guarda-sóis do nosso contentamento.
Deixo a janela do blog aberta e vejo quem passa. Por mim, estejam à vontade.

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Gostei de ler

1. PSD no labirinto do fauno. De Henrique Raposo, na Atlântico.
2. Sexy ou de táxi? De Marta Rebelo, na Linha de Conta.
3. Verdade ou impostura? De Fernando Martins, n' O Amigo do Povo.
4. E se ganha o Salazar? (2) De Pedro Picoito, n' O Cachimbo de Magritte.
5. O complexo. De Eduardo Pitta, no Da Literatura.
6. Estão a mangar com o pagode. De Jorge Ferreira, no Tomar Partido.
7. No pasa nada. De Henrique Fialho, na Insónia.
8. Estado de sítio. De Francisco Valente n' O Acossado.
9. A espada e o crisântemo. De Miguel Castelo-Branco, no Combustões.
10. Diário de um Escândalo. De Sérgio Lavos, no Auto-Retrato.

Tertúlia literária (156)

- "Sigamos o cherne."
- Seria bom sinal se o seguíssemos. Era porque tínhamos um tachinho garantido em Bruxelas.

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Dan Brown, tremei!

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Para quem não leu

A Sacramentum Caritatis é um documento belissimamente escrito. Mas, bastante para além da sua irrepreensível forma, esta primeira exortação do Santo Papa é um manual de procedimentos para que a Igreja Católica possa recuperar a sua operacionalidade espiritual. Ele realça a necessidade de entender a liturgia como um cerimónia sagrada e de aqueles que nela participam o fazerem com a consciência plena do acto que celebram. O que Bento XVI pede, aos seus padres como aos seus fiéis, é que entendam a Verdade que os une e as implicações do colocar-em-acção da sua prática. Que interiorizem a forma como a Igreja Católica e Apostólica Romana, sendo uma religião, age no Mundo, espiritual e temporal. Sendo o que é pedido imenso, é nada mais. E muito menos se resume a isto.

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Águas de Março - Elis Regina & Antonio Carlos Jobim

(Espectáculo de homenagem a Elis Regina - Lisboa, Teatro Tivoli 23 a 24 Março)

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O chá, as camélias e o mar




Nunca tinha visto uma plantação de chá nem tantas cameleiras juntas. Por sua vez, este mar da Ribeira Quente que aqui veêm, já foi testemunha em 1997 de uma grande catástrofe. O homem, a natureza e os elementos têm juntos grandes momentos de beleza e também de enorme tragédia.
Pelo caminho, vindos de um carreiro, com capas garridas, os romeiros da Quaresma, grupos de homens que durante sete semanas da Quaresma percorrem a ilha a pé rezando junto das igrejas e capelas. Depois da beleza das paisagens, da terra que a gente não pode domar, da lagoa encantadora, ferida pela inépcia humana, dos pastos verdes que percorrem a ilha e lhe dão alimento, foi a imagem desta devoção que se mantém comovida no regresso e que a intimidade me impede de revelar.
Para além da terra, do mar, das fumarolas, foram as gentes desta ilha verde que me prenderam. Curiosamente, algo semelhantes às da minha terra: a insularidade e a interioridade.

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Terça-feira, Março 13, 2007

"Da Literatura" em forma de livro



Ainda não está nas livrarias. Mas vai estar lá para o fim de Abril.
Pelo Eduardo Pitta, uma selecção de posts publicados no blog Da Literatura nos últimos dois anos. Intriga em Família será mais Eliot ou mais Hitchcock? Inconveniente é com certeza. Falta pouco para conferir.
A gente espera, Eduardo.

Impressões Musicais (11)

Chegou pelo Natal o meu exemplar de Modern Times de Bob Dylan. Só no início de Fevereiro ganhou o lugar de “álbum de cabeceira”. De audição intensiva. Deste disco (como de toda a música pela qual me apaixono) tenho feito uma lenta e mastigada descoberta. A música cativa-me com vagar, não dava para crítico, eu.
Este amor começou com Spirit on the Water, um blues bem primário, displicente e tronchudo como já não há. Depois foi Workingman's Blues #2 que me fez parar. Embrenhar. Escutar. Reler. (É fascinante como este tema encanta o Zé Maria, que tão bem o embala, consola e delicia aqui na alcofa aos meus pés.) Depois é Beyond the Horizon. Onde se vislumbra a redenção: Beyond the horizon, behind the sun, At the end of the rainbow life has only begun, In the long hours of twilight 'neath the stardust above, Beyond the horizon it is easy to love. Uma delícia!
Desde Infields (de 1983 com Jokerman) que eu não prestava atenção a Bob Dylan. Nem sempre entendi o que me quer dizer, o meu inglês nem sempre o alcança… Depois, dizem que ele é de intervenção. Eu às vezes também sou... e daí?

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Um vendaval à direita

Paulo Portas anunciou que tenciona regressar à liderança do CDS. Mas quem deve receá-lo não é Ribeiro e Castro: o ainda líder do partido limitou-se a assegurar um período de transição entre Portas I e Portas II, acautelando o lugar no Parlamento Europeu a que nunca renunciou, como se soubesse de antemão o que o esperava. Em Bruxelas nunca deixou de estar, em Bruxelas permanecerá depois de ceder a batuta a Portas. Quem mais deve recear este virar de página no CDS é o líder do PSD. Marques Mendes sabe que, a partir de agora, tudo será bem diferente à direita. Acabaram os "pactos", inspirados ou não por Belém, e chegou o tempo da ruptura. Com mil piscadelas de olho mediáticas e uma ânsia de poder inigualável, Portas promete ser com Sócrates o que o agora apagado Francisco Louçã foi com Durão Barroso e Santana Lopes: um factor quotidiano de desgaste. Há quem diga que a oposição deve ser dialogante e engomadinha e bem comportada: a persistente subida de Sócrates nas sondagens demonstra o tremendo equívoco de se pensar assim. Portas, perseguindo o sonho de federar as direitas, sabe bem que este é o momento indicado para pôr tal desígnio em marcha. Mas ou muito me engano ou não tardará a levar troco do PSD. E não será Marques Mendes a dá-lo: nas fileiras sociais-democratas tudo a partir de agora começará a mexer também. A política tem horror ao vácuo. E vácuo é o que menos falta hoje na direita portuguesa.

Nos 50 anos da RTP (8)


O TAL CANAL. Nunca Herman José foi tão divertido como n' O Tal Canal, programa de humor torrencial e anárquico, polvilhado de nonsense, com um espantoso naipe de actores que por vezes nos faziam rir até às lágrimas nesta que foi a maior sátira desde sempre feita à televisão portuguesa. Feita por ela própria, o que só acentua o mérito deste programa, exibido em 1983. Herman, no auge da criatividade, compôs aqui figuras de que jamais nos esqueceremos - do cantor de charme Tony Silva ao menino Nelito, do comentador desportivo José Esteves ao jornalista Carlos Filinto Botelho. E ainda assinava os textos, numa equipa de autores que incluía António Pinho, Tó Zé Brito e António Tavares-Teles. A rever, sempre que possível, num qualquer "canal memória" que nos surja à mão. E a comparar com o Herman actual, que deixou de ser irreverente para se tornar irrelevante.

Tertúlia literária (155)

- Lês?
- Vejo até muito bem. Ouvir é que nem por isso...
- Perguntei se lias.
- Olha, não sei se vá. Talvez não. Aquilo está cheio de pseudo-intelectuais, daqueles que andam sempre com um livro debaixo do braço. E eu o último livro que li foi um Tio Patinhas em 1979.

Já chegou ou talvez não

Tive mais sorte que o meu amigo Duarte: esta manhã só levei com sete minutos de abertura de telediário, na SIC Notícias, sobre o caso "da bebé" de Penafiel. Como recompensa por não ter mudado de canal, fui brindado com um dos mais deliciosos directos a que assisti até hoje. Uma repórter destacada para acompanhar a chegada da mãe "da bebé" ao tribunal de Penafiel saiu-se com esta: "É bem possível que esteja a chegar, se é que ainda não chegou."

Nem o Ricardo Araújo Pereira faria melhor.

Ainda o momento transformista


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Uma pergunta

Se eu sou inteligente, «alto e lingrinhas», por que é que não fui convidado?

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E a AR muda-se para o Trumps

Wanna dance?

«Big Money Still Learning to Lobby», no New York Times.

Segunda-feira, Março 12, 2007

As duas Espanhas

«Division y crispación en el acto de inauguración del monumento del 11-M» - é este o título de uma excelente reportagem de capa hoje publicada no diário El Mundo. Uma reportagem que diz tudo sobre o estado de crispação existente em Espanha, quando faltam apenas dois meses para as eleições autárquicas. Rodríguez Zapatero e Mariano Rajoy cumprimentaram-se tão friamente que não olharam um para o outro nem trocaram uma palavra durante um fugaz aperto de mão ocorrido na inauguração do memorial ao bárbaro atentado de 11 de Março de 2004, em Madrid, que provocou 192 mortos. Uma deputada comunista e um seu colega do Partido Popular trocaram mimos dignos do Mercado do Bolhão. Entre os anónimos que assistiam, não faltou quem gritasse palavras insultuosas aos dirigentes dos dois principais partidos espanhóis. Alguém berrou «Viva a República» na presença da família real. No meio desta bagunça, voltam a ser ressuscitados os fantasmas da guerra civil. «As duas Espanhas» a que a extensa reportagem de Rafel J. Álvarez faz referência do primeiro ao último parágrafo. Esta crispação é uma «conquista» de Zapatero, que pôs fim a um consenso nacional de três décadas ao admitir negociar com os terroristas da ETA. O troco foi-lhe pago em sangue, a 30 de Dezembro, com mais um atentado mortífero da organização assassina que pretende a «independência» do País Basco. E desde então a estrela do dirigente socialista não pára de empalidecer. Nada que surpreenda quem acompanha com alguma atenção a política espanhola. O que continua a surpreender-me é o desinteresse das televisões portuguesas em relação ao que se passa tão perto de nós. Como se Madrid estivesse noutro continente e as correntes de ar no país vizinho não pudessem provocar sérios resfriados deste lado da fronteira.

Vontade de chorar


Um trabalhador chega a casa, liga a televisão e os três telejornais abrem com uma história de rapto de um bebé, com direito a directos e tudo. Neste momento, 12 minutos passados, é a RTP do serviço público quem se mantém neste importante acontecimento. E, para a irritação ser total, todos se referem a "uma" bebé. Já agora, porque não "um" criança, quando se raptar um rapazinho?

Importa-se de explicar?

«Quando formos derrotados seremos felizes para toda a vida». Desabafo de José Sócrates aos deputados do P.S. no dia 28 de Fevereiro, citado no Correio da Manhã de hoje, página 27.

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Museu do cinema (II)

O realizar japonês Akira Kurosawa (1910-1998) é um dos inventores desta arte a que chamamos cinema. As suas histórias são sublimes e consegue um misto de beleza formal e perfeição de detalhes que, até hoje, poucos alcançaram. Acima de tudo, na obra de Kurosawa paira uma sabedoria rara. Ele podia ter sido um grande escritor e Cão Danado (1949) foi inicialmente concebido como novela, só depois transcrito para a linguagem cinematográfica. O trabalho é praticamente perfeito, não há uma imagem em excesso ou uma cena que nos deixe confusos. Embora a história seja muito simples, o que está ali em causa possui a extrema complexidade de uma meditação sobre a queda nos infernos da alma.
Com realismo bruto, muito inovador para a época, Kurosawa conta a história quase banal de um polícia novato a quem é roubada a pistola. O filme desenvolve-se em cenas, baseado na busca incessante e cada vez mais ilusória da arma roubada, o que obriga o polícia a descer ao mais fundo dos abismos, sob um calor opressivo, encontrando no percurso personagens negras, mas também a sua raiva íntima. A própria perdição está apenas a um passo.
Podia lembrar outros filmes marcantes de Kurosawa, sobretudo A Sombra do Guerreiro (1980), um dos mais belos filmes da minha juventude, ou Rashomon (1950), ainda hoje de uma modernidade difícil de copiar, mas menciono Cão Danado pela sua universalidade. Realizado durante a ocupação americana, esta obra era também um documento sobre a mudança rápida (e o choque dessa mudança) num país que perdera a guerra e que tinha de reencontrar o seu lugar no mundo.
Kurosawa é o mais ocidentalizado dos três mestres do cinema japonês (refiro-me ao trio que também integra Kenji Mizoguchi e Yasujiro Ozu). Mas este podia ser um filme brasileiro ou indiano. Faz, por vezes, lembrar o esplendoroso Ladrões de Bicicletas, de Vittorio de Sica, mas mais violento e desencantado, menos sentimental. Sendo do ano anterior, a película italiana deve ter sido uma importante influência. Isto não retira nada à profunda originalidade de Kurosawa, que nos diz, neste Cão Danado, que todos nós podemos perder alguma coisa e andar à procura daquilo que nos foi roubado, sem sabermos que nunca tem a importância que lhe damos. E, no percurso de busca, no momento de nos debruçarmos sobre o inferno, arriscamos perder ainda mais do que a simples inocência.

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Que fique bem claro

Em resposta a esta pergunta, e apesar da participação dos por mim muito estimados Rui Zink e Carlos Quevedo, Bela e o Mestre só mesmo estes dois. Mai' nada!

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Um dia é da caça...


Uma dupla de realizadores decidu fazer um documentário
sobre Michael Moore.
Ele, ao que parece, não achou muita piada.

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Um momento Moda Lisboa

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Manifesto


Eu também sou contra o SISI, mas a favor da SISSI.

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Toca e foge


A vida de Sérgio Varella Cid cedo foi ditada pelas cartas. Não as do Tarot, mas as do Blackjack, também conhecido por 21. No Blackjack, podemos ganhar muito mesmo muito ou «rebentar». E o genial pianista - que aos 3 anos surpreendeu o pai transpondo uma passagem do Concerto Nº3 de Beethoven – rebentou com a vida e a carreira. O subtítulo desta biografia, aliás, explica-nos desde logo ao que vamos: Esta é «a história de um prodígio português que se perdeu». Sérgio Varella Cid perdeu-se a dobrar: Primeiro arruinando tudo na mesa dos casinos, depois desaparecendo em circunstâncias misteriosas no Brasil em 1981, talvez assassinado. Ou talvez não.
Contemporâneo de Sequeira Costa, Varella Cid nasceu em 1935. Neste livro, Joel Costa segue-lhe a vida desde a infância e resume inúmeras conversas com amigos, conhecidos e familiares na tentativa de traçar um retrato que se mantém até ao fim difuso. O retrato de um génio que não respeitava as regras, de um adicto e como tal efabulador da realidade, de um burlão que amava os prazeres da vida mais do que a estabilidade da sua família e dos amigos. Amigos esses que, mesmo enganados, ainda hoje e muitas vezes perante a estupefacção do autor, se mantêm fiéis a essa amizade e à sua memória.
A leitura é por vezes constrangedora. Interrogamo-nos sobre a razão que leva um homem com tudo para sobressair, para ser feliz, a destruir ele mesmo essa felicidade. Mas essa é a resposta do Milhão de Euros, a resposta para acabar com todas as paixões, sejam elas o jogo, o álcool ou as drogas. A vida de Sérgio Varella Cid foi assim porque ele era assim e não quis ou não soube deixar de o ser. No dia 11 de Março de 1965, o músico toca no Sheffield City Hall. Na sala ao lado, o barulho de uma banda perturba-lhe o concerto de piano. Chamavam-se Rolling Stones. Hoje, ainda por cá andam. Varella Cid não. Ou talvez sim. (A publicar na revista Blitz)

Uma fonte nada anónima

A Helvetica celebra os seus 50 anos.
(E eu sem a fonte no meu Blogger).

Pedir o óbvio

O meu nome é um dos 7.500 que constam da petição entregue na Assembleia da República. Pede-se à nossa administração pública que faça o que obviamente já deveria ter feito, e adopte as normas existentes nos países «civilizados» para o acesso dos deficientes aos serviços disponíveis via Internet. Em muitos casos, como explica Mariana Rodrigues hoje numa notícia sobre o assunto no Público, bastaria a existência de um suporte áudio. Parece pouco, não parece? E é mesmo.

Domingo, Março 11, 2007

Júdice sem papas na língua

A entrevista da semana foi ontem publicada na revista Única, do Expresso. Com José Miguel Júdice, desassombrado como nunca, a dizer o que pensa. Sem respeitinho de qualquer espécie.
Sobre Cavaco Silva: "Mudou o paradigma [quando era líder dos sociais-democratas] para assegurar a maioria absoluta e o PSD passou a ser o partido dos consumidores."
Sobre Marcelo Rebelo de Sousa: "Acho que o Marcelo quer ser líder do PSD, conheço-o como as minhas mãos."
Sobre Marques Mendes: "Se Sócrates falhar, acha que os portugueses se vão virar para o Marques Mendes e dizer: agora faz tu?"
Sobre Durão Barroso: "O seu Governo foi um falhanço reformista absoluto."
Sobre Paulo Portas: "O povo da direita tem empatia com Cavaco, enquanto pai autoritário. E ninguém quer o Portas para pai. Além disso, ele veste-se como nenhum português se veste. Não se pode ganhar eleições com aquele lencinho no bolso."

Suécia: notas de viagem (III)


O melhor. Não pretendo fazer um roteiro turístico, mas mencionar apenas o que vale mais a pena ver em Estocolmo. O Skansen - o primeiro museu ao ar livre do mundo, que reproduz aspectos mais significativos da Suécia num fabuloso parque natural. Lá estão também os bichos mais relevantes da fauna sueca - incluindo ursos, lontras, focas, renas, alces, lobos, bisontes, linces e javalis. É um prazer deambular pelo museu, instalado na ilha de Djurgården. Imperdíveis são também as visitas ao Museu Nacional, ao Moderna (museu de artes plásticas, com excelentes quadros de pintores suecos, como Anders Zorn, Ernst Josephson e Carl Larsson), e os passeios de barco. Há vários percursos à escolha - desde o mais básico, através dos canais da cidade, até uma digressão por muitas das 24 mil ilhas que compõem o labiríntico arquipélago de Estocolmo.
Nobel. O Museu Nobel, instalado no edifício da Academia Sueca, é uma decepção: quase nada tem de interesse. Tal como o pretensioso edifício da Câmara Municipal, célebre por albergar anualmente o banquete aos galardoados com o Nobel. E o palácio real em Estocolmo: achei-o feio. Muito diferente do deslumbrante palácio de Drottningholm, nos arredores da capital, onde desde 1981 vivem o rei Carlos Gustavo, a rainha Sílvia e os três filhos, com um imenso lago e um bosque anexo. Só este justifica uma visita.

O estado da graça

A máquina da propaganda do governo, com a cumplicidade dos seus agentes arregimentados, abalançada pela grossa vitória situacionista do sim ao aborto, empenhou-se nas últimas semanas num fabuloso esforço de comunicação dedicado ao nosso grande timoneiro, o Sr. Pinto de Sousa. Ontem foi a vez de o Sol incidir os seus raios nesta cinzenta e vulgar personagem que as circunstâncias do acaso liberal conduziram ao poder. Antes fora o Expresso a biografar este nosso extremoso líder, e hoje ele mesmo é protagonista nas páginas do Diário de Notícias. Há dias uma fotografia do jovem e singelo José, de "téni" azul celeste, tirada nos anos 80 em Paris foi primeira página do jornal Metro. Uma ternura...
Mas eu atrevo-me a adivinhar esta ocasião como um marco, o “ponto de viragem”. Agora, depois de esforçadamente ele ter atingido o cume da escala mediática, famoso entre as mais famosas nulidades aqui do quintal, suspeito que apenas lhe resta um lento e ruidoso percurso inverso. Promovida a idealização da figura perante um povo crédulo, sedento de novas perspectivas; meticulosamente construído um monstruoso ídolo com pés de barro, aguardam-se naturalmente as progressivas e dolorosas reacções de desilusão. Que serão impiedosamente cobradas com o mais alto juro. Porque a realidade tem mais força do que a efabulação.

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Gostei de ler

1. A vida como ela é. De Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado.
2. O querido líder. De João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
3. O recado. De Eduardo Pitta, no Da Literatura.
4. O estilo. De Jorge Ferreira, no Tomar Partido.
5. Cavaco. De Coutinho Ribeiro, n' O Anónimo.
6. Só celebrações. De José Medeiros Ferreira, no Bicho Carpinteiro.
7. História da Europa. De Francisco José Viegas, n' A Origem das Espécies.
8. O historiador e a Revolução. De Miguel Morgado, n' O Cachimbo de Magritte.

Nos 50 anos da RTP (7)


O POLVO. Entre O Padrinho, do galardoado Coppola, e o "apito dourado" português (uma trama sem fim à vista), uma série italiana de rara qualidade preencheu os serões televisivos portugueses na segunda metade dos anos 80. Esta produção da RAI (1984-92) era de um realismo brutal, denunciando com desassombro nunca visto a acção criminosa da Mafia, cheia de ramificações no coração do poder político e policial, e a impotência judicial em pôr-lhe fim. La Piovra, no original, tinha inúmeros trunfos: o tema, o argumento, a montagem, a banda sonora do mestre Ennio Morricone e a magnífica interpretação de Michele Placido, no papel do inesquecível comissário Corrado Cattani. Um homem impoluto nos dédalos da corrupção.

Domingo

(3º da Quaresma)

Evangelho segundo S. Lucas 13,1-9.

Nessa ocasião, apareceram alguns a falar-lhe dos galileus, cujo sangue Pilatos tinha misturado com o dos sacrifícios que eles ofereciam. Respondeu-lhes: «Julgais que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros galileus, por terem assim sofrido? Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos igualmente. E aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé, matando-os, eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos da mesma forma.» Disse-lhes, também, a seguinte parábola: «Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e foi lá procurar frutos, mas não os encontrou. Disse ao encarregado da vinha: 'Há três anos que venho procurar fruto nesta figueira e não o encontro. Corta-a; para que está ela a ocupar a terra?' Mas ele respondeu: 'Senhor, deixa-a mais este ano, para que eu possa escavar a terra em volta e deitar-lhe estrume. Se der frutos na próxima estação, ficará; senão, poderás cortá-la.'»

Da Bíblia Sagrada

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Sábado, Março 10, 2007

Suécia: notas de viagem (II)


Transportes. O imposto sobre combustíveis é caríssimo. Aliás, a Suécia deve ser recordista mundial em taxas fiscais. "Há hoje apenas três países comunistas no mundo: a China, Cuba e a Suécia", ironiza um português que vive em Estocolmo. O certo é que os transportes públicos funcionam com uma eficiência irrepreensível. E garantem-me que em domínios tão diversos como a saúde, a educação e a habitação o Estado satisfaz as expectativas dos contribuintes. Pudéssemos nós dizer o mesmo em Portugal...
Ciclovias. Só na China vi mais bicicletas. Os suecos pedalam imenso, o que ajudará a explicar o facto de serem tão elegantes. Há ciclovias por toda a parte. Em Lisboa, vergonhosamente, apenas existe uma - e incompleta.
Animais. Nos museus, nos centros comerciais, no metro, vejo cães com trela, acompanhados pelo dono. Como vi em Viena ou Budapeste. Algo impensável em Portugal, onde as restrições à circulação de animais - mesmo com trela e açaimo - são a regra dominante. Tudo se explica por uma considerável diferença de civismo. Desde logo porque os suecos - tal como vi no Japão, por exemplo - são incapazes de levar o cão à rua sem o respectivo saco de plástico. Em Portugal os donos ainda assobiam para o lado e fingem que não vêem os "presentes" dos bichinhos de estimação. Não há saco...

Nos 50 anos da RTP (6)


BONANZA. A família Cartwright - formada pelo patriarca Ben e pelos filhos Adam, Hoss e Little Joe - vivia no rancho Ponderosa, com incursões esporádicas a Virginia City, onde enfrentava toda a casta de vilões. Um roteiro simples para a mais mítica série de western já transmitida em televisão, com aficionados em todos os continentes. Era uma produção da NBC - a primeira a ser toda filmada a cores - que remontava quase à era dos pioneiros. Um tempo irrepetível, em que eram nítidas as fronteiras entre bons e maus. Bonanza preencheu muitas tardes infantis e juvenis de fim de semana em Portugal, quando a RTP (ainda a preto e branco) a incluiu na sua grelha, nas décadas de 60 e 70. A música do genérico, composta pelo agora falecido Ray Evans, perdura na memória de todos quantos assistiram a esta saga galardoada com três prémios Emmy, rodada entre 1959 e 1973.

De São Miguel: também uma viagem

Daqui desta terra estranha de onde sai vapor e há água a borbulhar por todo o lado, onde tudo é verde e pastorícia, curvas, mar e neblinas, onde vive um povo generoso, algures perdida no Atlântico, sentada em cima de um vulcão adormecido, com licor de ananás, cigarros mais baratos e banhos de cor de sépia.
Tudo isto no Parque Terra Nostra, um lugar bem perto do céu sem anti-ciclones e sem precisar de roaming.

Postais blogosféricos

1. Pode um blogue fazer serviço público? Pode. É o que tem feito O Carmo e a Trindade. Por exemplo, aqui e aqui.

2. Serviço público é também o que faz o Dolo Eventual, que continua a mostrar-nos as mais belas rotundas de Portugal. O País no seu melhor.

3. Registo com muito agrado o regresso - após breve e comentada ausência - do Pedro Mexia à blogosfera. Mantendo o seu Estado Civil.

4. O Bruno Gonçalves fechou o Bodegas mas não tardou a reaparecer em cena com novo blogue: O Inominável. A seguir com atenção.

5. Espreitem o que vai escrevendo o José Raposo no Suburbano. Verão que vale a pena.

Sexta-feira, Março 09, 2007

Suécia: notas de viagem (I)


Água. De todas as capitais europeias que conheço, Estocolmo é a que tem uma relação mais intensa com a água. Lagos, rio, canais - e o imenso Mar Báltico a banhá-la. Um deslumbramento.
Comparações. Praga é talvez a capital mais fascinante. Paris tem um charme inultrapassável. Roma é vida e júbilo em estado puro. Viena e Budapeste revelam vestígios da antiga imponência imperial ao virar de cada esquina. Berna é uma pequena jóia. Mas Estocolmo, loura de olhos azuis (as cores da bandeira sueca), é de uma beleza incomparável.
Gamla Stan. A Cidade Velha, em sueco. A melhor zona para comer, fazer compras ou simplesmente passear. Não cansa nunca.
Saúde. Olha-se para os suecos e logo se vê que são pessoas saudáveis. Que respiram bom ar. Que praticam desporto. Durante uma semana, praticamente não vi uma pessoa obesa. Que diferença em comparação com o panorama português...
Natalidade. Crianças, muitas crianças. Carrinhos de bebés em todo o lado. Enquanto a Europa católica esqueceu o preceito de Cristo, a luterana sueca pô-lo em prática. "Ide e multiplicai-vos." Eles multiplicam-se, garanto-vos. Os incentivos à natalidade postos em prática pelo Governo de Estocolmo foram um sucesso. Um exemplo a meditar. E a seguir. Se há domínio em que o Estado deve intervir, é mesmo neste.

Gostei de ler

1. Do Gana a Timor: 50 anos de fracassos. De Miguel Castelo-Branco, no Combustões.
2. A história higiénica. De José Raposo, no Suburbano.
3. O "terceiro homem"? De Filipe Nunes, no Canhoto.
4. O regresso da propaganda. De José Gomes André, no Bem Pelo Contrário.
5. Repensar os mecanismos de comunicação dos partidos. De Paulo Gorjão, na Bloguítica.
6. Que fascismo para Salazar? De Tiago Barbosa Ribeiro, no Kontratempos.
7. Porque não assinei. De José Medeiros Ferreira, no Bicho Carpinteiro.
8. Fantasias e loucuras. De Manuel Pinheiro, n' O Cachimbo de Magritte.
9. Abuso? De Eduardo Pitta, no Da Literatura.

Alegadamente suspeito

"Detido alegado suspeito de atentado de Casablanca", titula a alegada agência Lusa num alegado take alegadamente distribuído às 11.55 de hoje. Achei uma delícia este título. Perdão: este alegado título. Sempre pressenti que um dia ainda haveria de ler uma coisa assim.

Tanta testosterona ainda os mata

Perderam-se, os rapazes. No 31 da Armada discute-se quem representa o verdadeiro macho latino. Sinto medo. Sinto muito medo.

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Perguntar não ofende

Quantas linhas vai ter Salazar no novo Manual Europeu de História?

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Pois, claro que sim

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Nas colunas


com um abraço ao Designorado pela descoberta.

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Nos 50 anos da RTP (5)


O PLANETA DOS HOMENS. Este foi o programa semanal da Globo que revelou aos portugueses o imenso talento de Jô Soares, que em parceria com Agildo Ribeiro fazia da irreverência um lema de conduta antes de se transformar na instituição bem instalada em que se tornou. Em plena ditadura brasileira, entre 1976 e 1982 , Jô torneava o espartilho da censura com doses generosas de mordacidade que jamais deixavam de fazer sorrir pela intenção colocada nas entrelinhas, popularizando expressões rapidamente adaptadas ao nosso linguajar comum, como "Não me comprometa" ou "Tem pai que é cego..." Um sucesso de audiência, cá como lá, no final da década de 70. A anos-luz de uma certa boçalidade que impera agora.

Sexta-feira


Com a Primavera à porta, a top model brasileira Ana Hickman é muito bem vinda ao Corta-Fitas.

Há que dizê-lo com frontalidade


O ípsilon de hoje tem 72 páginas. Todas boas, tirando o Jorge Mourinha
a falar mal dos Heróis do Mar. Tsc, tsc.

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Parece que nasceu em Vilar de Maçada

«E será que Sócrates, afinal, é português? Que desiste de nadar, quando a costa já está perto? Que fala, fala e não o vemos fazer nada? Que, no fundo, acorda já cansado? Que começa a achar que os portugueses não o merecem?». José Miguel Júdice, hoje no Público.

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Sinais da primavera

Hoje, percorrer a linha do Estoril e galgar a Avenida da Liberdade debaixo deste sol radioso e céu transparente encheu-me a alma e conciliou-me com a vida. Os telhados vermelhos, as janelas resplandecentes, a passarada, o arvoredo e as flores por entre o trânsito implacável produzem um quadro vigoroso e quase belo.
Estes tempos da primavera são a verdadeira bênção de Deus e o que o clima do meu país tem de melhor: uma temperatura amena e plausível, um ambiente cheio de luz e de cor e… a promessa do Verão, excessivo e apaixonado, da praia e dos mergulhos no mar. Com tudo isto, não entendo as razões para o tão proclamado carácter medroso e deprimido das nossas gentes. Com a herança deste território e fantástico clima, não nos bastaria a todos um pouco menos de fado e mais de saudável realismo, para a realização dos nossos desígnios?

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Quinta-feira, Março 08, 2007

Um partido incompreensível

Em 1974 e 1975, familiares e amigos diziam-me que eram do CDS porque "não havia nada mais à direita". Apesar da minha juventude, parecia-me uma posição "ideológica" que deixava a desejar... Depois, fui para o Brasil, onde fiquei até 1985, e durante esse período parece que Freitas do Amaral, honra lhe seja feita, e outros como Amaro da Costa, Adriano Moreira ou Lucas Pires (a falta que ele faz, sobretudo neste período), converteram os militantes "centristas" à democracia. E foram leais e úteis com Sá Carneiro e a AD. Durante o cavaquismo, apesar de eu ser então abstencionista, nunca percebi a guerra que O Independente e Paulo Portas fizeram a Cavaco e aos governos que, embora com insuficiências, tornaram Portugal num país mais desenvolvido e liberal. Do tempo de Manuel Monteiro e do PP nem vale a pena falar. Tudo me repugnava, o discurso anti-europeu e anti-político, o populismo desbragado. Depois, a sustentação que deram aos orçamentos guterristas que desgraçaram o país por anos e anos, o queijo limiano, as grandes afirmações de "valores" de direita para depois se acomodarem em cargos dados pelos socialistas no poder, o apoio à candidatura de Jorge Sampaio contra Cavaco dado por "notáveis" do partido. Diziam que fizeram isso tudo para "sobreviver" às tentações hegemónicas do PSD. Mas sobreviver a qualquer custo vale o quê em política? Nos governos de aliança com o PSD, portaram-se lealmente, Portas inclusive. Por isso, com tantas contradições, tenho dificuldade em perceber o que é o CDS, onde tenho amigos e cúmplices políticos, mas onde não me revejo de forma alguma. Parece que agora Portas quer ser o Cameron português e os comentadores acham que nós no PSD nos devemos preocupar com isso. Não vejo bem porquê. Tal como o Luís Naves já escreveu aqui no Corta-Fitas, parece-me mais que Portas percebeu que o governo Sócrates começou a tropeçar valentemente perante o eleitorado, devido sobretudo à falta de resultados das suas políticas, e quer naturalmente aproveitar a onda. Não vejo mal nenhum nisso e talvez ele até seja útil na oposição, até porque a Comunicação Social próxima dos socialistas costuma ajudar Portas e outros dirigentes do CDS (Maria José Nogueira Pinto em Lisboa é um bom exemplo) quando acha que isso vai prejudicar o PSD. Mas alguém tem dúvidas sobre em quem votaria a esmagadora maioria dos portugueses não-socialistas perante a hipotética escolha entre Portas e Marques Mendes para primeiro-ministro?

A amizade não tem preço

Leio na revista Veja estes dados fornecidos pela Gallup que devemos reter:
- Durante a adolescência, passamos mais de 30 por cento do nosso tempo com amigos. Na vida adulta, menos de 10 por cento.
- Ao longo da vida, acumulamos cerca de 400 amigos. Mas mantemos contacto com menos de 10 por cento deles.
- Temos uma ligação directa, em média, com pelo menos 30 pessoas. Destas, só seis são consideradas amigos próximos.
- Quem tem um melhor amigo no escritório é sete vezes mais criativo no trabalho.
- Quem tem um sólido círculo de amigos é 70 por cento mais feliz no casamento.
- A tensão arterial das pessoas mais solitárias é três vezes mais alta do que a das que vivem acompanhadas.
- Acima dos 65 anos, há três vezes mais mortes entre os solitários do que entre os que convivem regularmente com amigos, parentes ou cônjuges.
São dados impressionantes. Que só dão razão à sabedoria dos antigos: a amizade não tem preço. Saibamos cultivá-la o melhor possível. Em todas as estações do ano, em todas as estações da vida.

Nos 50 anos da RTP (4)


A JÓIA DA COROA. Uma fabulosa recriação dos anos finais do domínio britânico na Índia - uma teia de amor e ódio sabiamente tecida nesta produção da Granada, exibida originalmente na ITV em 1984 e nesse mesmo ano retransmitida pela RTP. O romance homónimo de Paul Scott constituía um excelente ponto de partida, a produção tinha a tradicional qualidade britânica e o elenco era de cinco estrelas - incluía Art Malik, Om Puri, Geraldine James, Saeed Jaffrey, Tim Pigott-Smith, Charles Dance e ainda dame Peggy Ashcroft, galardoada meses depois com o Óscar de Melhor Actriz Secundária pelo seu desempenho em Passagem para a Índia, de David Lean, outra recriação da Índia dos vice-reis. Mais de duas décadas depois, Portugal ainda não produziu uma série de idêntica qualidade sobre o conjunto de luzes e sombras do nosso passado colonial.

Tertúlia literária (154)

- Tens lido?
- Muito pouco. A última coisa que li foi as Cartas de Iwo Jima.
- Mas isso não é para ler: é para ver!
- Eu não te disse que tenho lido pouco?

Momentos Kodak (43)

Arredores de Nampula, Moçambique.
(Março 2004)
Foto: Rodrigo Cabrita

Traumas e paranóias

Mesmo sem ter lido a posta em causa (é inútil), concordo inteiramente com o João Gonçalves.

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Alguém discorda?


«Man can never know the kind of loneliness a woman knows. Man lies in a woman's womb only to gather strength, he nourishes himself from this fusion, and then he rises and goes into the world, into his work, into battle, into art. He is not lonely. He is busy». Anais Nin

Um dia como os outros

Pela manhã olho a capa do jornal, e lá estão elas, muitas mulheres, nas mais variadas figuras e cores, patrocinadas por uma qualquer pomada ou sabonete. O dia da mulher que hoje se proclama parece-me uma confrangedora instituição paternalista da cartilha regimental. Mas para mim a mulher é muito mais do que um mera descoberta do marketing comercial ou político e que não merece decerto este folclore anual tão hipócrita.
De resto, a mulher (em abstracto) é indubitavelmente para mim a mais arrebatadora, bela e fascinante criação do mundo. Finalmente, perante as mulheres (em concreto) da minha vida, hoje como ontem, curvo-me sempre grato e venerador. Com muito amor.

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Como eu as celebro


Apreciando judiciosamente a nova campanha da Vodafone, que até 28 de Março junta Soraia Chaves e Merche Romero. Na televisão, no cinema, na internet, não teremos como fugir o que é uma chatice. Como cantava a malta do «Fame», celebrate life. (A foto é muito pudicazinha porque sexta-feira é só amanhã).

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Como eles as celebram

«Um ser humano é um ser humano que é um ser humano. Não é mais ou menos isso por ser um homem, uma mulher ou o que ele decidir ser. Dito isto, só não as deixem conduzir», escreve o João Gonçalves, aqui.
«Neste dia internacional da mulher, saúdo todas as senhoras deste mundo, independentemente do credo político ou religioso, da orientação sexual, da classe social, do grupo etário, das habilitações literárias, da profissão, ou das opções clubísticas. Um grande bem haja, porque a vida não está fácil», escreve o Fernando Martins, aqui.

Tanatos e Eros

Hoje é o Dia Internacional da Mulher e comemoram-se os 30 anos da Companhia Nacional de Bailado. Para mim, no entanto e até decidir escrever sobre o primeiro tema - já que o segundo não é «a minha praia» - o assunto mais importante do dia são as alheiras.
O Público ocupa uma das suas páginas com um artigo (muito bem escrito aliás) da Rita Sousa. Um grupo de «cientistas portuguesas» (mulheres, entenda-se) revela que «a qualidade microbiológica das alheiras portuguesas pode ser considerada preocupante em termos de segurança alimentar». Julgo que as mulheres ainda não entenderam que há certas coisas que os homens preferem ignorar. São muitas, devo dizê-lo. E a «qualidade microbiológica» daquilo que ingerem é definitivamente uma delas. Homem que é homem não quer saber da ASAE, se o azeite vem em garrafinhas seladas ou não, e se a sandes de courato foi aprovada pelos laboratórios competentes. Nenhum ser do sexo masculino, em são juízo e na posse de todas as faculdades, espera de uma alheira que esteja microbiologicamente saudável ou lhe faça bem de qualquer espécie. Dito isto, nem eu sou tão chauvinista ao ponto de não admitir que há mulheres que apreciam alheiras de caça. São seres que me despertam amor. Mas falta-lhes sempre o fascínio e a pulsão de morte, o apelo pelo tanatos alimentar. Uma delas chegou ao ponto de oferecer-me um fiambre alemão de produção biológica. Faleceu em cima da mesa da cozinha, ignorado e desprezado. Sem análises, coitado.

Tantos anos de televisão

A televisão fez ontem meio século em Portugal. Lembro-me daquela caixa de madeira escura e polida que depois de largos segundos a aquecer as “válvulas” se acendia numa brilhante paleta de tons cinzentos. Lá em casa, um histérico chamamento (que soava qualquer coisa como “DESANIMADOS!!!”) interrompia quaisquer que fossem as nossas actividades e punha-nos aos cinco irmãos numa correria para um bom lugar em frente ao aparelho. Este momento mágico decorria ao final da tarde quando a generosa RTP nos presenteava com um ou dois “cartoons” do Pica-pau, do Super Rato, ou, com sorte, do Perna Longa. Nesse tempo, quando em família assistíamos a um western na Noite de Cinema, era certa no dia seguinte a brincadeira com os "John Waynes" em correria no recreio da escola. E os festivais da canção, autênticos acontecimentos nacionais? Uns anos mais tarde, lembro-me bem da sensação de ir à mercearia durante a hora da novela, e ouvir ao longo da rua o genérico da Gabriela ecoando unânime e plurifónico, saindo de cada casa, de cada janela, a voz de Gal Costa: Eu nasci assim
Recordo também com alguma saudade as emoções das noites eleitorais, que significavam uma "directa" autorizada e garantida com direito a ceia madrugadora. Fantásticas e tensas noites longas em que se jogava o futuro da nação com os votos e as freguesias em crescendo nos placards magnéticos. E o Eládio Clímaco. E depois, lá para a frente, indignávamo-nos com as reacções unanimemente vitoriosas por parte dos partidos contendores. Ao raiar da manhã, sob a ordem do meu pai, normalmente apreensivo com os resultados, desligávamos a TV já fervente, desvanecendo-se as imagens prateadas num decrescente alvo branco, emitindo um ligeiro e agudo silvo final.
A televisão tinha o seu lugar, que nunca era maior que o nosso: não dava mais de meia hora de desenhos animados por dia; o teatro à segunda-feira, o cinema à quarta, a tourada numa quinta, ao sábado os telediscos… a fórmula 1 e o Fittipaldi ao Domingo. Uma seca, diriam os meus miúdos.
Hoje, na era dos computadores individuais e dos canais temáticos, dificilmente a família se junta toda espontaneamente em frente ao ecrã. Por vezes alugamos um DVD consensual (?!), ligamos o amplificador e fazemos um serão familiar. (Com um pouco de pressão e chantagem ainda lêem uns romances, e certamente ainda sentirão atracção pelos clássicos – espero eu.)
A única televisão cá da casa, um elegante aparelho espetado na parede da sala, perde influência real. Só a mais pequena, com os seus “canais animados”, se lhe mantém fiel. De resto, os computadores com os YouTubes e Chats da vida, remetem os miúdos para os seus recantos isolados, para os seus mundos e fascínios. Desconfio que a televisão que hoje festejamos, além de ser outra, está a acabar. No futuro, será o “audiovisual interactivo”, qualquer coisa parecida com uma mistura de YouTubes, Blogues e Chats que veremos num ecrã individual. Cada vez mais personalizado, particular e… egocêntrico. Veremos.

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Quarta-feira, Março 07, 2007

In memoriam

«Não posso seduzir se não tiver já seduzido; ninguém me pode seduzir se não tiver já sido seduzido. Ninguém pode jogar sem o outro: é a regra fundamental. Enquanto eu posso amar sem ser amado, é problema meu. Se não te amo, é problema teu. Se alguém não me agrada, é problema seu. É por isso que o ciúme é como que uma dimensão natural do amor e é, em compensação, estranho à sedução». Jean Baudrillard, As Estratégias Fatais.

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Leiam que não se arrependem

Dois dias depois (ufa!), acabei finalmente de ler os cento e muitos comentários à questão: Três manganões apalparem uma senhora de mini-saia a caminho do Cais do Sodré sem o seu consentimento é ou não crime?, colocada pela fernanda câncio aqui. Uma história que é assim uma espécie de Babel, só que neste caso a culpa é de um táxi que não apareceu. Na minha opinião, um final feliz era usar aquela grua matulona que há ao pé do Lux para pendurar os rapazes pelo escroto. Mas isso, se calhar, também é ilegal. Já não se pode fazer o quer que seja neste país.

Morte anunciada


Atingido por um sniper à saída do tribunal. It figures.

Uma ideia simplex

Outro dia li um perfil do nosso Primeiro-ministro no Público. A fazer fé no texto, escrito após conversa com vários dos seus colaboradores, o nosso Primeiro gosta que as pessoas lhe transmitam a informação assim de forma muito resumida e sintética, de preferência em duas ou três linhas.
Corremos o risco, deste modo, de ir ter um senhor super-polícia cuja função será resumir toda a informação relativa à segurança do País num Post It. Desde já, sugiro a esse senhor que escreva no papelinho autocolante amarelo a frase cunhada por Vasco Pulido Valente: «O Mundo está perigoso». Serve para tudo, nunca fica desactualizada e o nosso Primeiro não terá dificuldade em decorá-la.

Nas colunas

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Ora aqui está

Uma fantasia muito pouco feminista, acho eu. E pelo menos um dos homens tem um cabelinho de soldado das Waffen SS que vou ali e já venho. Mas discutir erotismo com o Daniel Oliveira está acima das minhas capacidades. Não sou nenhum Baudrillard, que Deus o guarde.

Especulação


Parabéns à RTP



A memória mais antiga que retenho, como em Moçambique não havia televisão (mas havia a rua e o cinema e a praia e muito mais) é esta: Franjinhas e o Carrossel Mágico. Muito fofos :)

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Amor e sapatilhas

A bit depressing, tough. Just warning.

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Ler os outros

Patrícia Lança n’ O Insurgente:

No século XXI ainda há quem pensa que procurar ou enunciar a verdade sobre determinados assuntos são provas de perigosas tendências fascistas. Ainda há gente cuja abordagem da política assemelha-se ao espírito clubista característica do desporto. Para iluminar as mentes mais turvas segue uma primeira listagem de alguns factos pouco conhecidos nos meios futebolísticos. Mais

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Grave você também.

Tertúlia literária (153)

- O Equador desiludiu-me.
- A mim também.
- Estava à espera de outra coisa.
- Também eu.
- Bolas, tens de estar sempre a plagiar-me?

Nos 50 anos da RTP (3)


O BEM AMADO. Algumas telenovelas brasileiras deixaram imensas saudades no público português, que começou a acompanhá-las com regularidade a partir de 1977, ano da estreia na RTP de Gabriela. Uma das que tiveram mais popularidade, nas duas margens do Atlântico, foi O Bem Amado - uma produção da Globo (1972/73), escrita pelo dramaturgo Dias Gomes. A figura de Odorico Paraguaçu, prefeito de Sucupira, integra a galeria das melhores personagens que vimos desde sempre em televisão, interpretada pelo grande actor Paulo Gracindo. Uma poderosa sátira política que divertiu e deu que pensar, corria por cá o início dos anos 80. Um tempo muito diferente, em que uma telenovela por noite já bastava.

Um Português na Dinamarca

O Elba Everywhere sobre os recentes conflitos em Copenhaga.


Terça-feira, Março 06, 2007

Postais blogosféricos

1. Muitos blogues portugueses parecem ter nascido sob o signo Peixes. Cá estou, portanto, a enviar um abraço de parabéns ao Rui Bebiano. Motivo: A Terceira Noite festeja o primeiro aniversário. Sempre de leitura imprescindível, hoje como ontem.
2. Abraço também ao Filipe Moura, pela entrada do seu blogue, O Avesso do Avesso, no segundo ano de vida.
3. E fica outro registo: a entrada de Vítor Dias na blogosfera, com o seu O Tempo das Cerejas, já inscrito na barra lateral do Corta-Fitas. Mais um blogue nascido sob o signo Peixes. Para não variar.

História de algibeira (18)


1907 - Azedo Gneco discursando num comício republicano realizado no antigo recinto do teatro do Rato, em Lisboa.
O tipo à direita deve ser o “sigurança”.
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Foto daqui

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Rever a História



Aprecio os textos de António Figueira, no excelente blogue 5dias, mas discordo inteiramente do que ele escreveu num post intitulado Feridas de Guerra II, sobretudo deste parágrafo:


Partilho da indignação em relação à maneira como os russos são tratados nos países bálticos. Numa visita à Letónia, fiquei chocado com as discriminações que atingem os russófonos e os não-cidadãos de origem russa. Considero mesmo que estes países não deviam ter aderido à UE enquanto não resolvessem o problema das minorias étnicas (os russos na Letónia representam um terço da população, a maioria sem direito de voto).
Mas as conclusões de António Figueira em relação ao incidente que motivou o seu post e, sobretudo, as ilações que tira sobre a Europa Central e de Leste parecem-me incorrectas.
Acho que há uma atitude dos países da Europa Ocidental (neste caso, os bons democratas) que tentam continuamente explicar aos de leste (os maus democratas), e de forma bastante paternalista, o que é aceitável e inaceitável na gestão das suas sociedades. Neste caso, é invocado um pretenso “consenso” histórico, segundo o qual o que conta é quem lutou pelo “anti-fascismo” (os soviéticos lutaram; e os nacionalistas católicos polacos, não lutaram?)
Em resumo da tese, o antigo regime comunista era um “mal”, mas estava do lado “bom”, pois combateu o nazi-fascismo. Por isso, o novo consenso “anti-comunista” que estes países desejam deve ser recusado por todos nós, os bons democratas ocidentais.
Se eles argumentam que sofreram e não gostam de foices e martelos, estão a perturbar a História. Portanto, nada de ajustes de contas, pois a Europa dos bons democratas não aceita desvios ao seu consenso histórico. Lembrar as deportações para a Sibéria, por exemplo, (só porque as pessoas eram de etnia estónia), isso provavelmente será “artilharia ideológica da guerra fria tardia”. Enfim, o statu quo só serve se for o nosso, não o deles.
Estou talvez a ser injusto em relação ao texto de António Figueira e a caricaturar excessivamente o que ele quis dizer, por isso tento precisar a minha crítica: Nos países ex-comunistas, o “anti-comunismo” equivale a contestar o antigo regime. O paralelo com Portugal é possível: um português pode contestar o antigo regime fascista e o mesmo se aplica a um estónio em relação à ocupação soviética. Os soviéticos foram libertadores, mas o regime que impuseram era absolutamente opressivo. O mesmo raciocínio aplica-se a todos os países que ficaram sob domínio de Moscovo, que pagaram a factura de meio século de atraso e ditadura.
Acho que a revisão do passado na região não tem nada a ver com a perturbação dos consensos históricos europeus, mas apenas com o direito de cada povo de, livremente e sem tutelas, escrever e interpretar a sua própria História.

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Nos 50 anos da RTP (2)

OS MARRETAS. Corria o ano de 1976 quando a ITV britânica punha no ar a primeira emissão de um dos mais originais programas desde sempre exibidos na televisão: The Muppet Show (intitulado Os Marretas, na feliz tradução portuguesa). Foram cinco anos hilariantes que trouxeram ao nosso convívio o sapo Cocas, a Miss Piggy, o urso Fozzie e tantos outros bonecos (incluindo aqueles dois velhotes, sempre rabugentos, a protestarem contra tudo e todos, à semelhança de muitos opinion makers da nossa praça). Música e humor andavam de mãos dadas nesta série para todas as idades, que se prolongou até 1981 e teve como atracções especiais alguns dos maiores nomes do espectáculo de todos os tempos - Gene Kelly, Lena Horne, Ethel Merman, Vincent Price, Julie Andrews, Harry Belafonte, Liza Minnelli, Charles Aznavour, Peter Ustinov, Paul Simon, John Denver, John Cleese, Steve Martin, Alice Cooper e centenas de outros. Os felizardos espectadores da RTP puderam acompanhá-la nas décadas de 70 e 80.

Passou-se

«Decido por fim sacudir-me para ver se me livro dessas visões distorcidas do tempo e do terrivel mau gosto na boca e vou à janela e vejo bichas e bichas enormes, paralelas...»

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Isso é porque temos ordenados baixinhos

«Lisboa é a grande cidade mais barata da Europa Ocidental»

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Nas colunas


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O mais velho meio de comunicação do mundo

É de escangalhar a rir aquilo em que as pessoas acreditam. E as mensagens que enviam a outras pessoas que também acreditam nas mesmas baboseiras e assim por diante, num exponencial aumento da parvoíce . Acabo de telefonar para a esquadra do Calvário, só para confirmar o evidente a umas centenas de crédulos aqui na chafarica: NÃO. Se digitarmos o pin do nosso cartão Multibanco ao contrário isso NÃO faz com que a PSP venha a correr salvar-nos dos ladrões. (O senhor agente da autoridade riu-se com gosto. Sabe bem fazermos um polícia feliz).

Desculpem a ausência

Mas estava embrenhado na minha leitura.

Memórias urbanas


Sempre que necessito deslocar-me dentro de Lisboa, o meu transporte favorito, se por lá passar, é sem dúvida o Metro. Mas quando tal não é possível, o Táxi é uma solução bem eficiente, em certos casos até económica, se considerarmos os preços do estacionamento. Se com alguma sorte o motorista não for excessivamente intrusivo, esta alternativa torna-se até quase perfeita. Mais, quando algures na cidade procuro um Táxi, e se puder escolher, garanto-vos que escolho um Táxi "verde e preto", que é a cor verdadeira dos táxis.
Assim como quando eu era pequeno considerava que o português era "a" língua “verdadeira” e aquelas incompreensíveis verborreias dos filmes de TV umas exóticas e deficientes tentativas de comunicação, os táxis beges são para mim uma espécie de degeneração estrangeirada dos “verdadeiros” táxis. É que, no meu tempo de criança, um Táxi era simplesmente um Mercedes 180 "verde e preto", de bancos corridos em cabedal e com uma fascinante manete de mudanças saída do volante cor de marfim. Quanto muito nessa altura cheguei a admitir a modernice dos “Datsuns”, umas revolucionárias banheiras com rodas que apareceram nos anos 70… mas sempre na condição alegre e tradicional do “verde e preto”.
Depois, nos anos 90, umas luminárias cá do burgo (nunca entendi bem a verdadeira história) decidiram que se pintassem todos os táxis de "cor-de-burro-quando-foge”. Hoje, é com uma confortável satisfação que vejo crescer o número de táxis “verdadeiros” na minha cidade. Coisas minhas, coisas cá deste intrépido e incurável conservador.

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Quando o telefone toca

Ainda bem que as ligações telefónicas entre Havana e Caracas funcionam. É a única maneira de os cubanos irem sabendo, de dois em dois meses, como está a saúde do "líder máximo", Fidel Castro, há oito meses escondido num putativo hospital do país, numa inequívoca prova da transparência do regime comunista. E ainda bem que o candidato a Castro da Venezuela se presta a desempenhar esta missão de pombo correio. Valha a verdade: ao menos nisto Hugo Chávez é eficiente. Aguardemos com expectativa o telefonema seguinte, em jeito de cenas do próximo capítulo de qualquer telenovela venezuelana. Acentua-se o suspense. Será que a voz do "comandante" estará mais débil? Será que consegue superar a misteriosa doença, que constitui segredo de Estado? Socialismo o muerte? Queira Marx que ninguém se esqueça de pagar a conta do telefone...

Tertúlia literária (152)

- Leu O Delfim?
- Vi o filme.
- Não é a mesma coisa...
- Pois não. O filme tem a Alexandra Lencastre.

Momentos Kodak (42)

Esta foto remonta ao ano de 2004. No mar da cidade de Maputo, a velha Lourenço Marques, três crianças "banham-se" descontraidamente numa paz recente que nem todas têm a sorte de experimentar. É o caso de nove milhões de crianças um pouco por todo o mundo. Nove milhões de crianças!!! Podemos fazer alguma coisa? Podemos. Ter um mundo um pouquito melhor? Talvez. Parece o slogan Rock In Rio, mas hoje sinto-me com forças para tentar ajudar. Chamo a atenção para o http://www.ninemillion.org/. Passem lá, leiam tudo com atenção, enquanto ouvem a tranquilizante música dos Sierra leone´s refugee all stars. Vale a pena.

Fotografia: Rodrigo Cabrita

Segunda-feira, Março 05, 2007

Obras em casa

Refiro-me às obras em casa dos outros, claro. Que as nossas nunca incomodam ninguém, como todos sabemos.
Geralmente chegam às 9 em ponto num Sábado. Começam com umas marteladas e vão gradualmente subindo de tom e de som. Ainda pela fresca, surge o black & decker que, juntamente com as marretas(?), vão ser os nossos maiores inimigos nos próximos dias. Por esta altura devemos estar na fase das paredes, louças de cozinha e casa de banho. Calculamos nós. Há-de passar-se a outros níveis, nomeadamente, o soalho e as novas canalizações. Dois dias depois deste inferno, audível por todo lado, suspiramos por ir trabalhar, sair de madrugada e regressar após a saída dos homens das obras, transformados em peles-vermelhas ou mesmo brancas, dependendo da nova cor das paredes.
Os proprietários mais gentis têm o cuidado de colocar um papelinho na entrada do prédio ou nas caixas de correio da vizinhança a pedir desculpas pelo incómodo causado. No entanto, quando o pó começa a entrar, espalhando espessas camadas cinzentas por todo o lado, essa gentileza é rapidamente esquecida para dar lugar a ruidosos insultos abafados pelo ritmo dos martelos e de outros inomináveis instrumentos.
Por altura da instalação dos novos móveis da cozinha, já ninguém cumprimenta os proprietários. Os mais gentis, acabr