Quinta-feira, Maio 31, 2007

A greve que serviu ao Governo

1. A greve não foi geral: foi parcial. Muito parcial. O PCP, por interposta CGTP, prestou com isto um enorme favor ao Governo. José Sócrates deve estar grato aos comunistas por este balão de oxigénio no momento em que mais precisava dele.
2. Ou muito me engano ou o fracasso desta greve fornece ao PCP o pretexto que faltava para afastar Carvalho da Silva da liderança da CGTP. Espantosa ironia: o homem que discordava da greve geral foi afinal, por força das circunstâncias, o rosto do fracasso dessa greve. Motivo suficiente para que a direcção comunista entenda despedi-lo com justa causa. Vai uma aposta?

Ter pedalada


Parece que o nosso primeiro-ministro se prepara para ir até Paris, para um encontro de trabalho - onde deve receber as principais recomendações sobre o que tem mesmo de ser feito durante os próximos seis meses da presidência portuguesa da União Europeia - com Nicolas Sarkozy. Estou curioso em saber se José Sócrates também aí vai fazer o seu jogging matinal, com a ligeira diferença de que em Paris não se poderão fechar os Champs-Élysées nem fazer figuras tristes. É que não é propriamente a mesma coisa que correr no Calçadão do Rio de Janeiro, na marginal de Luanda, na Praça Vermelha ou em Pequim. Em Paris, ainda por cima, há agora um Presidente que faz jogging a sério, anda a cavalo e faz mais uma série de desportos. Vai uma corridinha?

Ora aqui está

O País depois do almoço


Recebido hoje de autor desconhecido.

«Una carga erotica muy grande»

À atenção da organização da Bienal de Veneza, prestes a começar.

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Uma boa notícia

O nosso Luís Naves colocou hoje, no Prazeres Minúsculos, o seu último fragmento de Territórios de Caça. Uma novela «húngara» que constitui, sem dúvida pelo menos para mim, a melhor experiência literária já concebida expressamente para a blogocoisa em Portugal. Façam o favor a vós mesmos de reunir e ler todos os 25 posts e, depois, digam-me se não tenho razão.

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Bye-bye Nani

Como se previa, o Sporting perde Nani para o Manchester United já este ano e está em risco de ver também sair Romagnoli, se não chegar a acordo com o Vera Cruz. A saída de Tello, da forma que aconteceu, e a faltar ao respeito ao clube, não merece qualquer lamento. Mas também aí o clube é responsável por não ter chegado a um acordo para a renovação mais cedo. O Besiktas rouba um jogador sem dar um chavo que seja ao SCP. Mas a saída de Nani era inevitável, continuando o clube de Alvalade na senda da descoberta e formação de grandes jogadores que deixam Portugal mal a fama ultrapassa fronteiras. 25 milhões de euros por aquele jogador é melhor que nada, mas é pouco. Se a renovação tivesse acontecido há meses, no início da época, nada disto iria suceder e quem o quisesse levar tinha que pôr vários zeros no cheque. Vamos ver como é que Paulo Bento vai montar a equipa do próximo ano, que irá estar na Champions, onde não se joga apenas com remendos. Gostava que os senhores Filipe Soares Franco, Miguel Ribeiro Telles e Miguel Salema Garção explicassem melhor os contornos destas operações. E que nos dissessem qual a estratégia de ataque para a próxima época, se é que ela existe.

Tertúlia literária (184)

- Qual é, para si, o médico que mais se destacou na literatura portuguesa?
- Bem, nunca li nada dele mas ouvi falar muito do Doutor Jivago.

Obviamente de acordo

Com tudo quanto a Helena Matos escreveu aqui.

Os tugas (15)


- Como vai?
- Assim-assim.
- E a família?
- Mais ou menos.
- E lá no emprego?
- Uns dias melhor, outros dias pior.
- Deixe andar, que as coisas melhoram.
- Talvez sim, talvez não. E você e os seus?
- Cá vamos andando, como Deus manda.
- Vou pôr-me a caminho. Desejo-lhe muita saúde, que é o que é preciso...
- Até um dia destes. Gostei de conversar consigo.

O núcleo já não é tão duro


Notei um pequeno foco de dissidência no Governo, vindo de onde menos se esperava: o ministro Pedro Silva Pereira apareceu ontem nas televisões com uma gravata às riscas. Demarcando-se das bocejantes gravatinhas monocromáticas do Chefe Máximo. Com tanta trapalhada, cheira-me que o "núcleo duro" começa a amolecer...

Coincidência?

A senhora deputada dança?

Ao que parece, não há improviso que chegue na Assembleia da República. Hoje, às 19.30H na Sala do Senado, toca a Big Band do Hot Clube de Portugal. Já agora, aqui ficam Ella Fitzgerald e Duke Ellington em «Don't Get Around Much Anymore». Um swing à maneira. E uma sugestão para a excelente série «O Vale do Riff» do meu amigo Ricardo.

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Com tranquilidade?

Com um nono lugar entre os países mais tranquilos do mundo, temos também um Estado que é o pior pagador entre os países da UE com um prazo médio de 5 meses no cumprimento das suas dívidas. De acordo com o relatório da Intrum Justitia, 13% das PME estão em risco de fechar. Isto, é evidente, não é asssunto que o Governo mencione no debate parlamentar. É muito sexy falar do sucesso alcançado pelo pagamento célere de serviços e impostos pelos cidadãos através da internet, mas muito pouco confortável explicar como pretende o Estado fazer o mesmo.
Não é com tranquilidade que os credores (PME e não só) aguardam. É com receio. Sabem que estão metidos num ciclo de dependência, o qual pode originar que aqueles que protestam ou exigem o cumprimento dos prazos percam o próximo concurso ou oportunidade. Entretanto, os fornecedores dessas empresas aguardam também, num processo em escadinha descendente que espirala dívidas por aí fora e enche os bolsos das empresas de factoring e leva ao endividamento bancário.
Na Noruega, segundo sei, o prazo máximo de pagamento de facturas é de 15 dias. Depois disso, a conta do devedor é congelada até à resolução da dívida. A Noruega é o país mais tranquilo do mundo. Acredito que seja. Tem dois orçamentos e a segurança social paga até daqui a uma brutalidade de anos à conta das receitas do petróleo. Que nós sejamos os nonos é que já me provoca maior cepticismo. Acho é que tomamos muitos anti-depressivos.

Ligar Sócrates à terra

Mais uma vez a escolha do tema para o debate mensal de hoje à tarde recaiu sobre um tema que é de extrema actualidade e de impacto directo sobre o dia a dia de cada português: “Acesso às Tecnologias de Informação e Competitividade”. É um tema actual, modernaço e que fica sempre bem ter à mão quando não se quer discutir trapalhadas como as gravíssimas declarações do ministro Mario Lino a propósito do novo aeroporto da Ota ou o "caso Fernando Charrua".
O primeiro-ministro bem pode tentar hoje aparecer com os números do acesso à banda larga, as inúmeras casas que já têm Internet, os bairros onde há rede sem fios e as escolas mais à frente, mas o que se espera é que as oposições, e em particular Marques Mendes, o liguem "à terra". Marques Mendes, e muito provavelmente Paulo Portas, terão de obrigar Sócrates a reconhecer que nos dois casos o Governo agiu mal. No primeiro, porque é impensável que o autismo na defesa da Ota leve a "gaffes" daquele tamanho, ofensivas para populações e, sobretudo, para alguns grupos de risco em matéria de saúde. No segundo, porque o Executivo peca, pelo menos, por omissão. E a liberdade, quando exercida com responsabilidade, é um valor supremo.

Flop geral

Não adianta esgrimir com números. Bastou ontem sair à rua para perceber que a iniciativa da CGTP foi um flop. Uma greve geral digna desse nome não pode ser apenas uma greve da função pública. E se formos a ver, quem aderiu foram os do costume: administração pública, transportes, professores e pouco mais.
Se houvesse menos gente em situação precária no emprego a adesão à greve teria sido maior? Em teoria, sim. Mas na prática arrisco a dizer que não. Menos precaridade e já agora mais emprego esvaziariam as razões dos sindicatos, diminuiriam a base de contestação social ao governo, logo o número potencial de grevistas. Pelo que se conclui que uma "greve geral" convocada pelos motivos que foram invocados para esta nunca teria grande expressão. Foi um erro estratégico da CGTP que Carvalho da Silva bem soube prever...

Também posso?

Já agora, aproveito para fazer a crítica literária do livro da Lucy Pepper , O Livro das Receitas NojentasReceitas Nojentas são receitas com aspecto horroroso e nomes que fariam um porco ficar com vontade de vomitar... Contudo, são as melhores e mais deliciosas do mundo. Podes aprender a cozinhar coisas muito saborosas ao mesmo tempo que aterrorizas os teus pais, irmãos e amigos. As avós, particularmente, vão achar estas receitas um nojo... Apenas por causa do nome, pois se tiverem coragem para as provar, vão querer que lhas ensines. No fim, poderás dizer "Eu é que fiz". E deixas aos outros a tarefa de lavar a louça!»
Com ilustrações fantásticas mas igualmente nojentas, este livro tem receitas como "miolos liquidificados de escorpiões-do-deserto" (vulgo hummus), "enguias gregas picadas em iogurte", "olhos gigantes fritos", "dragão estufado", "entremeada de extraterrestre", "sopa de lava-louça entupido", "poças pegajosas de Marte", "baratas achocolatadas" e diversos batidos horrorosos.
Um livro horrivelmente nojento com receitas irresistíveis a crianças e adultos (para limpar a cozinha).
Lesmas em manteiga com folhas: "Come com amigos, ainda quentinhas, deliciosas, antes que fujam!"

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Quarta-feira, Maio 30, 2007

Mais livros

Gilles Lipovetsky, o teorizador da Era do Vazio, chega a Lisboa na sexta-feira para especular sobre a Felicidade Paradoxal.

Mau prenúncio para Costa

A vitória de Zapatero nas legislativas espanholas de 2004 serviu de prenúncio ao triunfo de Sócrates no ano seguinte, como os socialistas portugueses na altura sublinharam. O prenúncio, para eles, agora é mau: a vitória esmagadora do PP em Madrid, tanto para o executivo municipal como para o governo comunitário, constitui um augúrio nada auspicioso para António Costa em Lisboa. O PSOE acaba de sofrer a maior derrota da sua história em Madrid (16 pontos atrás do PP na eleição municipal, 18 pontos atrás do PP na comunidade madrilena, onde os populares os suplantaram por meio milhão de votos). Curiosa foi a reflexão do El País, que em editorial na edição de segunda-feira foi incapaz de disfarçar a decepção perante a derrota socialista: "Sem Madrid, a esquerda teria ganho amplamente o conjunto [das eleições]." Uma análise digna do ficcionista José Saramago. Como se Madrid, que vota à direita, fosse uma jangada de pedra, susceptível de se separar da Espanha "socialista" por um golpe de magia.

Ao comentarista que me mandou cozer(?) meias

Apesar de encantada com o pitoresco do comentário não resisto a perguntar-lhe se as suas peúgas, roídas pela luta de classes, costumam ser passajadas por uma imigrante ilegal que hoje esteve de greve. Ou os imigrantes ilegais não fazem greve? A sério?!?

Carregado de livros

Pensava espreitar apenas alguns escaparates, mas rapidamente fui fazendo compras. E vim da Feira carregado de livros. Alguns que já pretendia comprar há muito, outros que adquiri no impulso do momento.
Fica a lista:
- A Fogueira e Outros Contos, de Jack London. Tradução de Ana Barradas. Edição Antígona.
- O Céu Que nos Protege, de Paul Bowles. Tradução de José Agostinho Baptista. Edição Assírio & Alvim.
- As Lições dos Mestres, de George Steiner. Tradução de Rui Pires Cabral. Edição Gradiva.
- Artur ou a Felicidade de Viver, de Françoise Giroud. Tradução de Rute dos Santos Leite. Edição Inquérito.
- Contos do Dia e da Noite, de Guy de Maupassant. Tradução de Eugénio Vieira. Edição Guimarães.
- Contos Satíricos, de Mark Twain. Tradução de José Costa. Edição Guimarães.
......................................................................................
Além destes, a preços simpáticos, trouxe três verdadeiras pechinchas. Este é, aliás, um dos motivos que me leva todos os anos à Feira: encontrar livros a preços imbatíveis.
Quais foram? Estes:
- Fascismo e Comunismo, de François Furet e Ernst Nolte. Tradução de Francisco Agarez. Edição Gradiva.
- A Geração de 70, de João Gaspar Simões. Edição Inquérito
- Tristão, de Thomas Mann. Tradução de Hildegard Bettencourt e Fernando Lopes Graça. Edição Inquérito.
O primeiro destes três (que irei ler sem demora) custou-me 2,5 euros. Paguei apenas um euro por cada um dos restantes. Só por isto já valeu a pena deslocar-me ao parque.

Editoras aos solavancos

Fiz na sexta-feira a minha primeira incursão à Feira do Livro deste ano. Era uma tarde de chuva, poucas pessoas percorriam os pavilhões desabrigados. A meio de uma das alamedas, dois conhecidos editores, Carlos Veiga Ferreira, da Teorema (e presidente da União dos Editores Portugueses), e Zeferino Coelho, da Caminho, conversavam, aparentemente alheados de tudo. Analisariam a anunciada compra da Caminho por Miguel Pais do Amaral, que ainda há pouco se gabava de “não ter paciência” para leituras profundas? Depois da aquisição das Publicações Dom Quixote por uma empresa espanhola, o mundo editorial português vai sofrendo sucessivos abalos. De consequências imprevisíveis.

Vital Moreira prefere a ANTRAL

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Gostei de ler

Greve? Geral? De Eduardo Pitta, no Da Literatura.
Sinais. De Francisco José Viegas, n' A Origem das Espécies.
Violação dos 6 aos 13. De Carlos Abreu Amorim, no Blasfémias.
Cheira mal. De Adolfo Mesquita Nunes, n' A Arte da Fuga.
Pesos e medidas. De Francisco Teixeira, n' O Insubmisso.
O teniente-coronel Hugo Chávez e o "movimento boliviano de cidadãos". De Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas.
Os idiotas de Chávez. De Tiago Barbosa Ribeiro, no Kontratempos.
Pasmos. De Sofia Galvão, na Geração de 60.
O numerário está de volta. De José Medeiros Ferreira, no Bicho Carpinteiro.
Fanáticos. De Sérgio Lavos, no Auto-Retrato.
Debilidades semânticas. De Leonor Barros, na Geração Rasca.
Uma editora a desperdiçar qualidades. De André Moura e Cunha, no In Absentia.

O Dani faz falta

A avaliar por este post, parece que Daniel Oliveira, administrador do blogue Arrastão, não dá a Daniel Oliveira, autor dos posts no mesmo Arrastão, um salário decente e condições de trabalho condignas. Só isso explica a taxa de adesão de 100% a esta greve, com efeitos paralisadores para a blogosfera. Caro Daniel, aumente lá o Daniel ou ele ainda parte para medidas de luta mais radicais.

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Bué da cool


É já amanhã. O meu camarada Rui Pregal da Cunha e o Legendary Tiger Man animam a noite no Musicbox, ex-Texas Bar, ao Cais do Sodré.

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O dia em que Sócrates fez parar o trânsito

Foi preciso José Sócrates chegar a Moscovo para fazer parar o trânsito. Aconteceu na Praça Vermelha, onde o primeiro-ministro não prescindiu do mediático jogging que já exibira aos jornalistas portugueses em Luanda, Rio de Janeiro e Pequim. Mas o trânsito não parou devido aos méritos atléticos (ou outros) do chefe do Governo: ao bom velho estilo soviético, a polícia moscovita fechou a praça ao trânsito para Sócrates dar a sua corridinha matinal, acompanhada por um batalhão de repórteres fotográficos e operadores de câmara. Intrigante é o facto de só lhe apetecer fazer jogging quando se desloca ao estrangeiro. Por cá, tanto quanto se sabe, as "corridas" são no automóvel oficial, que não ficam tão bem na fotografia mas sempre cansam um bocadinho menos do que as outras.

Partidarite

Quando os governos são do PSD, sou contra as greves gerais. Quando são do PS, tendo a simpatizar com os grevistas, apesar dos incómodos que me possam causar. Não consigo ser coerente como os comunistas, que são geralmente a favor, nem "independente". Nem percebo para que é que estas greves servem, para além do combate político-partidário. Mas serei só eu?

Alguém que me explique

O ministro Teixeira dos Santos não tem outras ideias para ir buscar dinheiro aos portugueses que não seja taxar ainda mais as famílias? Ou está à espera que eles, inteligentemente e à tuga, dividam os 500 euricos em suaves dotações diárias não tributáveis?

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Sou a favor do direito à greve

Já aqui o disse. O que não sou é a favor da forma como os sindicatos continuam a utilizar a greve para os seus propósitos. É obvio que recorrer a ela como mecanismo praticamente exclusivo de comunicação para os seus argumentos tem efeitos perversos. Demasiado ruído, demasiada criação de anti-corpos na população pelos efeitos causados, efeitos demasiado episódicos pois, dias passados, já ninguém se recorda dos soundbytes e chavões apresentados por aqueles porta-vozes, todos clonados e leitores da mesma cartilha de palavrosa indignação. Muita emoção e quase nenhuma explanação racional do que está de facto em causa. Já agora, o Sindicato dos Jornalistas não aderiu a esta greve geral? Qual o impacto que isso teve hoje nas redacções? Imagino que nenhum. Parece que no Parlamento se vai discutir «o clima de medo» em alguns meios de comunicação. Se não fazem greve, então fazem o quê? Compram um cão?

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Os tugas (14)


- Ó amigo, tenha paciência mas vou ter de levá-lo para a esquadra.
- Então porquê, senhor guarda?
- Ainda pergunta? Você percorreu dezoito quilómetros de auto-estrada em contra-mão!
- Tem graça. Pensei que toda aquela malta que passava por mim a fazer-me sinais de luzes é que vinha de passo trocado, juro pela minha saúde. Até comentei aqui com a minha Maria que agora já não se ensina a conduzir como antigamente, quando eu tirei a carta. É um perigo um homem fazer-se à estrada com esta gentinha que anda aí.

Sou contra o direito à greve!

Desculpem, andava há anos com vontade de dizer isto: discordo que a greve seja um direito constitucional, pelo menos neste formato de Santo António das centrais sindicais. "Olha os foguetes dos professores!", "vem aí a marcha dos funcionários!", "e, para encerrar, os cabeçudos dos motoristas de autocarro e metro!", "é pró menino e prá menina", "tchibum tchibum" e o país parado e toda a gente com o dia lixado.
Se a greve fosse uma arma justa, seria o grito dos sem voz. Mas não. É apenas uma demonstração sazonal de força das centrais sindicais, sem qualquer remota relação com o marxismo.
Estou farta. Sou contra. Está dito.

Terça-feira, Maio 29, 2007

Parabéns, Inês

A Maria Inês de Almeida ganhou mais um prémio. Depois do Prémio Valorsul e do Prémio Revelação do Clube de Jornalistas, a Inês voltou a surpreender, ao arrecadar uma das bolsas "Criar Lusofonia" de 2006, com um projecto sobre "Os Anos Brasileiros de Agostinho da Silva". Pena é que em Portugal às vezes até se reconheça o valor das pessoas, mas os atrasos acabem por ser mais que muitos. Este é um País permanentemente atrasado. Então não é que a edição 2006 do concurso, patrocinada pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas e gerida pelo Centro Nacional de Cultura, não abriu ainda os cordões à bolsa? Um ano depois! Bonito, sem a bolsa não há projecto e sem o projecto, a ser desenvolvido no Brasil, não se honra a memória desse grande português que foi Agostinho da Silva.

Pois é

"O ministro Mário Lino é o melhor argumento vivo, personificado, contra a escolha da Ota."
Carlos Abreu Amorim, "Choque Ideológico", RTP N

Já está

E pronto, já estou ali, primeira a contar do fim. Posto isto tenho que começar a postar. Não está fácil. Começo a insinuar-me discretamente neste brilhante colectivo ou marco já uma posição? Podia pegar na deixa da CFA e arrasar já com o estatuto editorial do CF. Mais a mais tenho a bênção do João Villalobos e presumo que da ITM e da Miss Pearls. Mas já vi que isto não seria mesmo nada pacífico. Enfim, nada como blogar um dia atrás do outro para descobrir-me como corta-fiteira. Para já, só quero começar por dizer que integrar esta equipa é um enorme prazer.

Informação e propaganda

Como já escrevi aqui e reitero hoje ainda com mais veemência, nada temos a aprender com o jornalismo espanhol. Pelo contrário, só temos a desaprender. Numa altura em que empresas espanholas vão reforçando posições no mercado informativo português, convém sublinhar isto com toda a clareza.
Repare-se nas manchetes de ontem dos dois principais jornais espanhóis sobre as eleições municipais e regionais de domingo:
El PSOE gana poder local, pero el PP se impone en numero de votos (El País)
El PP gana las municipales arrasando en Madrid pero pierde Baleares y Navarra (El Mundo)
Bastam estes títulos contraditórios para se perceber bem o conceito de informação subjacente aos dois periódicos: o El Mundo assume-se como bandeira da oposição ao Governo, o El País assume-se como bandeira da oposição à oposição. Como é possível PSOE e PP "ganharem" simultaneamente as eleições locais? É possível, claro, quando se pratica o "jornalismo" de trincheira, que elege a propaganda política acima do rigor dos factos.
Não precisamos de jornalismo deste. Não precisamos de jornais de facção, como já tivemos inúmeros exemplos por cá - do defunto Portugal Hoje, alinhado com o PS, ao actual Jornal da Madeira, enfeudado a Alberto João Jardim, passando pelo extinto O Diário, que fazia coro com as teses mais ortodoxas do Partido Comunista. Informação e propaganda são realidades antagónicas. É bom nunca nos esquecermos disso.

É de perder a cabeça

Começo a olhar para os senhores juízes do Supremo com muita preocupação. Alguém por favor lhes faz um teste de avaliação das capacidades judicativas? Ou esta notícia não está bem explicada? Parece que o arguido tinha «uma imagem social globalmente positiva» o que, como é evidente, conta imenso. Como se viu em Santa Comba Dão, as imagens sociais positivas são um atestado de bom comportamento do caraças.

Ora pois

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Esta é forte

«A ERC está a tentar tornar-se no adorável caniche do Estado: ladra a tudo o que move e que não agrada ao seu dono». o Fernando Sobral, no Jornal de Negócios.
Ainda para o mesmo jornal, o prémio de título mais épico do dia: «Sócrates trilha os caminhos do IDE russo». É o nosso João Garcia do investimento estrangeiro, é o que ele é. E ainda por cima senhor do seu nariz.

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Paridade

Depois de lidos os pedidos de diversas comentadoras num post abaixo, considero que é mais do que desejável obrigatório - num espaço como este que se quer plural, democrático e atento à modernidade - acompanhar o aumento das senhoras no Corta-Fitas (gráçázz à Déus) com imagens da rapaziada a mostrar os pelos do peito e assim.
Desta forma, às segundas piscariamos o olho ao eleitorado (perdão) às visitas femininas, e à sexta abririamos ambos os olhos para aquilo (perdão) aquelas que se sabe. Tenho dito. E quem achar que isto é coisa de mariquinhas, venha cá ao escritório dizê-lo que eu conto-lhe uma história (eu ou os seguranças, muito provavelmente os seguranças).

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Kremlin


Numa próxima visita oficial à Turquia, o nosso primeiro-ministro tem de manter o nível atingido em Moscovo e poderá sempre ficar hospedado no magnífico Kremlin Palace Hotel, em Antalya. Estar a fechar aquele 'deck' para um jogging matinal é que não me parece nada bem.

Comissão de quê e para quê?

A Comissão de Honra de António Costa na sua candidatura à CML mais parece um albergue espanhol. Está lá tudo. Alguns nomes não deixam de me surpreender, como o empresário Diogo Vaz Guedes (e o Compromisso Portugal?), o arquitecto Frederico Valsassina (amigo de infância de Carmona), Maria Adelaide Lucas Pires (irmã do malogrado antigo líder do CDS e, para quem não sabe, amiga e ex-chefe de gabinete de Maria José Nogueira Pinto, o que virá aí?) e António Costa Pinto (que estranho naquelas paragens). Basílio Horta não é surpresa, nem vários jornalistas, escritores, realizadores e quejandos. Mas aquela comissão é mais própria de outros voos do que para umas simples eleições intercalares que irão investir Costa num mandato de dois anos e meio...

Segunda-feira, Maio 28, 2007

Actualidade nacional

1. A governadora-civil de Lisboa mantém-se em funções.
2. A responsável da Direcção Regional do Norte do Ministério da Educação também.
3. O ministro Mário Lino não contou hoje nenhuma piada.
4. O ministro Manuel Pinho também não.

Presidência com griffe

O Paris Match desta semana é um monumento ao marketing político. A capa mostra a família Sarkozy numa das salas douradas do Eliseu e anuncia as primeiras fotos privadas. Louros, altos, vestidos de seda em tons azul e branco, confiantes e sorridentes, a imagem do casal e dos filhos adolescentes remete de imediato para os Kennedy.
Lá dentro, a reportagem é tudo menos privada: depois da cerimónia de tomada de posse, o presidente da França organizou um concerto exclusivo. Um grupo de cordas, os músicos vestidos a rigor, ataca uma partitura do bisavô de Cécilia. Esta posa estática e misteriosa no centro da sala de festas, vestido de seda Prada, sapatos rasos e aparentando não ter maquilhagem. O único sinal da privacidade que a capa anuncia será o casaquinho de malha da primeira-dama, pousado sobre os ombros, e a pose do marido, meio curvado, com um braço aberto de quem diz: "Tudo isto é para ti".
Temos muito que aprender com os franceses.

Cada vez mais

Mais uma fita cortada cá na casa: a Teresa Ribeiro vai entrar no Corta-Fitas. Com muita e boa prosa. Espero que gostem dela. Eu gosto.

O sinal das ditaduras

Os últimos minutos da RCTV
(Via O Insurgente)

CARACAS - A emissora privada de TV Radio Caracas Televisión (RCTV) deixou de transmitir sua programação em sinal aberto no domingo às 23h59 (0h59 de segunda-feira em Brasília). Sua concessão de freqüência estatal não foi renovada pelo governo venezuelano.(...)

Os tugas (13)

- Então quanto lhe devo por esta reparação?
- Com recibo ou sem recibo?

- Qual é a diferença?
- Sem recibo é mais barato.
- Azar, meu amigo. Sou funcionário da Direcção Geral dos Impostos. Vou ter de denunciá-lo ao Ministério Público e ao ministro Teixeira dos Santos.
- Ó sotor, não faça isso, pela sua saudinha! Olhe, fica a obra feita de graça, não lhe custa nada. Foi com todo o gosto que lhe fiz esta reparaçãozinha, que nem deu trabalho nenhum. E quando precisar...
- Ah! Ah! Estava a brincar, não ligue. Faça-me lá o preço sem recibo. Também não quero dar dinheiro ao Estado, que aquilo é tudo uma corja de gatunos, só pensam é em encher-se à custa dos contribuintes honestos e cumpridores como nós.

Nas colunas


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Música do meu tempo (26)


Boomtown Rats - "I Don't Like Mondays"

Ser pobre é normal?

O número divulgado por Alfredo Bruto da Costa é assustador: 47 % das famílias portuguesas passaram por uma situação de pobreza e metade das famílias viveram pelo menos um ano em estado de pobreza. Esta notícia difundida pela Agência Ecclesia sintetiza bem as afirmações expressas pelo presidente do Conselho Económico e Social. A «normalização da pobreza», a sua escamoteação por uma sociedade orientada para o culto do bem-estar, leva um terço dos inquiridos num inquérito a associar ser pobre à falta de sorte. A um fado. A um destino inelutável porque é mesmo assim e «o que há-de a gente fazer»? «Uns têm tudo e outros não têm nada». A situação não se agravou, ainda por cima. Também não melhorou. Parece ter-se tornado uma constante da vida, embora nada colorida.
Os «tugas» a sério são estes. Os pais e mães de família que esbracejam desesperadamente todos os dias de cada mês para se manterem à tona da água. Os que têm filhos e fazem contas a cada pacote de fraldas e cada lata de leite em pó. A cada novo ano escolar, a tanta coisa que é necessária e a tantas mais que parecem indispensáveis mas não o são, numa sociedade que se alimenta do supérfluo para depois o regurgitar. E também os outros, os que estão sózinhos e vivem das reformas e com elas enfrentam o aumento constante dos bens mais essenciais de consumo, a começar pelo escandaloso preço do pão.
Metade das famílias portuguesas é metade de Portugal. A «persistência da pobreza é uma acusação moral dos nossos tempos», diz Bruto da Costa. O que podemos fazer, nós os que pertencemos à outra metade, para nos defendermos?

Domingo, Maio 27, 2007

Tão perto e tão longe


Os ciclos em política estão a ficar cada vez mais curtos. Recuemos dois anos – apenas dois anos. Como andava então a política portuguesa? Ribeiro e Castro iniciava uma liderança no CDS que se adivinhava fulgurante, Marques Mendes prometia regenerar o PSD com o seu novo mandato como presidente social-democrata, na Câmara de Lisboa Carmona Rodrigues não parecia ter rival à altura, José Sócrates gozava de uma popularidade sem mácula no cargo de primeiro-ministro e Jorge Sampaio ia fazendo as despedidas em Belém entre vaticínios seguros de que o novo titular da suprema magistratura viria da ala esquerda do regime.
Dois anos. Tão perto e já tão longe.

Postais blogosféricos

1. Parabéns ao Daniel pelo primeiro aniversário do seu Arrastão, mais polémico que nunca.

2. Um abraço ao João Espinho: a sua Praça da República em Beja completa quatro anos. Bonita idade para um blogue.

3. Este blogue é muito simpático. Acreditem: vale a pena visitá-lo.

E Portugal cobriu-se de verde

Do Corta-Fitas para o mundo,
a Taça do nosso contentamento

Elm Street


E escrevi isto há algum tempo mas o assunto veio de novo à conversa e quem sabe se por aqui não haverá outros estudos de caso.
Discutia-se o Ensino Superior, cursos, professores, cadeiras e até chegar aos pesadelos, foi um saltinho. Falo de sobressaltos, suores frios e uma infinidade de terrores nocturnos que perturbam o sono e nos transportam agitadamente para o passado. Pesadelos com cursos incabados, cadeiras por terminar, chumbos, diz-lhes alguma coisa? Pois só ali num instantinho se confessaram dois traumatizados do Direito, um com fracturas expostas de Fiscal e outro com uma hérnia com Reais. A M. coube-lhe uma cadeira tenebrosa que envolvia a divisão de palavras em árvore, gramática generativa ou algo semelhante. Foi com esta matéria completamente inútil que conheceu Chomsky e com os anos, a animosiade contra a criatura não tem parado de aumentar.
Eles andam aí: gente com suores frios, pesadelos com cursos inacabados e ninguém dizia nada? Pois, não têm blogs.

Domingo

Evangelho segundo São João 20, 19-23

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

Da Bíblia Sagrada

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À volta do mundo




Sim, Pedro,
Os Tugas são tudo isso, mas não são os piores turistas do mundo. Esses são quem? Os franceses, considerados os visitantes menos desejados nos hotéis da Europa, seguidos pelos indianos, chineses, russos e britânicos. Como vê, não figuramos na lista. Suponho que nos dediquemos sobretudo ao "mercado interno" porque lá fora até nem fazemos má figura.
A fazer fé no estudo da agência de viagens britânica Expedia, "os mais mal vestidos, contudo, são os americanos, britânicos e alemães, que insistem em usar sandálias com meias. Os melhores turistas do mundo são os japoneses, pela sua organização e bons e modos.
Seguem-se os americanos, pelo esforço em aprender a língua local, logo seguidos pelos suíços, considerados discretos e atenciosos.
Os italianos, franceses e espanhóis foram considerados os mais elegantes, muito embora os primeiros tenham sido considerados demasiado barulhentos.
Os alemães são conhecidos por arrumarem os quartos antes mesmo das empregadas chegarem, mas são os mais avarentos no que toca às gorjetas."
Acredito nisto tudo, mas parece-me que o estudo não abrange Lloret del Mar (Catalunha), onde os finalistas portugueses (do secundário) deixaram muito poucas saudades por onde andaram.
Notícia Portugal Diário

Os tugas (12)

- Olha lá, para que é que andas a dar voltas ao quarteirão?

- É que não se vê um lugar para estacionar o carro...
- Ó pá, parece que és ceguinho! Então não há aí tanto passeio?

Spooooooortiiiiiiiing

Vamos lá ganhar este jogo entre dois clubes civilizados. Até porque o Sporting não ganha um título há cinco anos, tendo perdido o último campeonato por um triz, com aquele empate infeliz do outro lado da rua. O jogo de hoje é para voltar à rota das vitórias concretizadas em títulos e taças. Vamos a isto.

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PSD: a crise segue dentro de momentos

A propósito do que o Francisco aqui escreveu, adianto o seguinte: os principais interessados na queda de Marques Mendes são os barrosistas, que espreitam na sombra. Uns assumem um colaboracionismo postiço com a actual liderança do PSD, outros não. Todos estão em articulação estratégica com Durão Barroso, que mesmo à distância mantém grandes ambições na cena política portuguesa. Fernando Negrão, como cordeiro pronto a ser imolado, prepara-se para cometer um erro fatal que só convém aos adversários internos de Mendes: o previsível convite para a sua lista, ainda que em lugares dificilmente elegíveis, a certos vereadores seriamente comprometidos com o fracasso da gestão social-democrata em Lisboa, só servirá para que um número ainda maior de eleitores lhe virem as costas a 15 de Julho. Personalidades do PSD que costumam perceber estas coisas antes de outros, como Marcelo Rebelo de Sousa e José Pacheco Pereira, já avisaram: a regeneração do PSD em Lisboa tem de passar pelo corte radical com o passado recente. A direcção do partido, por interposto cabeça-de-lista, parece não fazer caso destes avisos sensatos. Os resultados estarão à vista daqui a muito pouco tempo.

O centrinho


Acho notável a análise do Francisco, no post Lisboa à Beira do Abismo, publicado neste blogue. O texto suscita-me uma pequena observação: os partidos tradicionais vão sofrer um fortíssimo abalo. A abstenção é imprevisível, mas pode chegar a metade do eleitorado. Os independentes Carmona e Roseta vão somar cerca de um terço dos votantes (e trata-se de voto de protesto). Os pequenos partidos, juntos, terão mais de 20% (também parcialmente voto de protesto). O que deixa o centrão com o seu pior resultado de sempre, algo como um em cada cinco eleitores. Corrijam-me se estou errado, mas penso que nunca foi visto em nenhuma eleição importante deste país. O Francisco já mencionou algumas das consequências, mas penso que é o próprio regime que está a ser posto em causa (a confirmarem-se os valores das sondagens).
A votação de Lisboa, no fundo, consiste numa série de duelos: Costa devia ter um resultado muito melhor do que Roseta (o que parece difícil); Negrão devia bater Carmona (o que parece quase impossível). E há os pequenos duelos, entre Bloco e PCP, que o segundo parece capaz de vencer; entre Monteiro e Telmo, que parece ser uma promessa de derrota para ambos. Enfim, ninguém escapa: todos os partidos terão de extrair consequências.

imagem: pintura de Carlos Botelho (1899-1982)

Estilhaços no PSD

As eleições intercalares para a CML são, já o disse aqui algumas vezes, um autêntico obituário político da liderança de Marques Mendes no PSD. A questão não será ver só se ele estará acima ou abaixo dos 20%, como sustenta o Carlos Manuel Castro, nem se fica ou não atrás de Carmona Rodrigues e a quantos mandatos de distância de António Costa, como diz o Paulo Gorjão. A questão para mim é mais relevante que isso. Primeiro, há ainda que ver como fica a independente Helena Roseta, que poderá ficar também à frente de Fernando Negrão, remetendo o PSD para o quarto lugar e com apenas dois vereadores eleitos. Mas o pior será a total ausência de propostas estruturantes para Lisboa vindas daquele munícipe setubalense. Será o equilíbrio altamente periclitante entre o executivo da CML, chefiado por Costa (com Roseta ou com Carmona), e a Assembleia Municipal, liderada pelo PSD, com 33 presidentes de junta e não sei quantos deputados municipais. Tudo isto pode assacado ao PSD e à sua liderança. A forma como geriu o "dossier" da autarquia da capital foi desastrosa. Mendes provocou a queda da CML, deixou de pé a AML e não tinha sequer uma solução para avançar. Estou convencido de que um candidato forte do PSD poderia disputar taco-a-taco a autarquia a Costa, deixando Carmona em casa a afinar as motos.
Mas isso não se passou. Em vez disso, Mendes protelou e deixou andar. E agora terá problemas internos que irão começar nas listas, passarão pelos lugares (de assessores, colaboradores, etc) que deixarão de existir e irão acabar nas declarações que Menezes e Lopes farão no pós-15 de Julho. É óbvio que concordo numa coisa consigo, Paulo: Marques Mendes não irá sair pelo próprio pé. Mas julgo que não se irá safar de ir a congresso e a directas ainda este ano ou no princípio do próximo (há sempre a desculpa da presidência portuguesa da UE, de não querer dar má imagem externa). Carlos e Paulo: para além daqueles nomes, julgo que ainda poderíamos acrescentar mais três ou quatro putativos candidatos a líderes, que têm em comum o facto de não quererem ter a trabalheira de remover Mendes, blindado em 'pins', códigos, quotas e numa refiliação que irá deitar metade do populismo borda fora. Os realmente interessados deixarão que figuras como Menezes e Santana abalem a estrutura. E aparecem depois da "terra queimada".

A ler

1. "Argumentos impróprios para consumo" e "O impacto de Lisboa no futuro de Marques Mendes", do Paulo Gorjão.
2. "Isto é que é jornalismo de sarjeta", do Carlos Abreu Amorim.
3. "Copacabana, como sempre", do Francisco José Viegas.
4. "O Ranço" e "O homem de palha", do João Gonçalves.

Música do meu tempo (25)


Sade Adu - "Kiss of Life"

Sábado, Maio 26, 2007

Lisboa à beira do abismo


O estudo da Eurosondagem para o Expresso, SIC e RR levanta questões muito preocupantes e levanta o véu sobre o que vem aí na política municipal e nacional. Segundo a sondagem hoje publicada, António Costa vai na frente com números (que não revelamos aqui porque tínhamos que publicar a ficha técnica) que lhe dariam seis mandatos, insuficientes para atingir a maioria absoluta. Carmona Rodrigues é segundo, com três mandatos certos (serão eles o próprio candidato, mais Fontão e Gabriela?), e Roseta a terceira, com outros três mandatos. Negrão tem dois certos (ele e Salter Cid) e está a lutar pelo terceiro com Sá Fernandes e Telmo Correia. Ruben de Carvalho é eleito. O Bloco corre o risco de ficar fora da CML, provando-se que a entrada de Roseta na corrida atinge directamente o partido de Louçã (daí a insistência numa coligação).
O PSD, com dois vereadores eleitos (o independente Negrão e o "cavaquista" Salter Cid), irá explodir primeiro em Lisboa e na distrital, depois a nível nacional, com Santana Lopes a servir de lebre a Menezes, ou vice-versa. À espreita irão estar Rui Rio, Aguiar-Branco (que se acha um homem providencial), António Borges e, dizem-me, um ex-amigo de Marques Mendes que dá pelo nome de Pedro Passos Coelho.
Sucede que, a confirmarem-se os dados 'fantasmagóricos' da sondagem, Costa terá uma vida muito difícil à frente da CML, sem maioria no executivo e com a oposição cerrada da Assembleia Municipal de Lisboa, liderada por Paula Teixeira da Cruz. Para fazer maioria Costa precisa: ou dos três mandatos de Carmona Rodrigues, ou dos três de Roseta (imagine-se) ou dos dois do PSD com mais um da CDU. Um cenário de terror para o candidato do PS, que deixou o confortável lugar de número dois no Governo para uma aventura de dois anos e meio deste calibre. Não lhe invejo a posição. Está nas mãos de Carmona, Roseta e Paula Teixeira da Cruz. Poderá enterrar em Lisboa muitas das suas legítimas ambições à sucessão de Sócrates.

Fotografia: Lisboa, por Henri Cartier-Bresson.

Face lifting


Vale a pena deitar uma olhada no novo visual aqui dos nossos bons vizinhos Incontinentes Verbais. O Jorge Lima fez das suas, o “boneco” está de mais (não desfazendo, é um desperdício de génio o rapaz não escrever mais). Parabéns a todos!

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Babysitter precisa-se

"Os independentes são tipo fraldas descartáveis. Usam-se e deitam-se fora".
Carmona Rodrigues, Expresso

"António Costa não é vaca sagrada".
Fernando Negrão, ibidem

"Não vejo que o professor Carmona Rodrigues me traga um problema de maior, nem sei quem é o seu eleitorado". Idem, ibidem

Rir é o melhor remédio

Os comentadores do Corta-Fitas, anónimos ou não, andam cada vez com mais piada. Chegou a altura de deixar aqui uma pequena antologia dos comentários aqui recebidos esta semana. Alguns fizeram-nos sorrir. Outros fizeram-nos mesmo rir à gargalhada.
E não tenhamos dúvidas: rir é o melhor remédio.
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"15 de Julho, o grande início de férias. Que bela época para uma valente abstenção."
"Antes as chuvas bíblicas eram com sapos, agora serão com candidatos?"
"Como é que se chamará a lista de Carmona? Cidadãos Arguidos por Lisboa?"
"Lisboa a sprintar. Dê o voto a um motard."
"Para Lisboa ficar mais bonita vote num feioso como eu."
"Parece-me muito acertado que Helena Roseta tenha apostado num especialista em dinossauros para mandatário da campanha."
"Ao Sócrates é que mais valia dar outra queda e partir o joelho do que ter de gramar o Lino e o Pinho."
"Eu já bebi uns tintos alentejanos que me puseram a falar tal e qual como o ministro Lino."
"Ontem o Lino fez-me lembrar o Lula, vá-se lá saber porquê. O Lino nem cachaça deve ter bebido..."
"Se o governo trata do País, porque é que o ministro Lino ainda não foi internado de urgência?"
"Do que eu gostei mais foi dos manetas, dos pernetas e do senhor com doença pulmonar. Fez-me lembrar os bons tempos hilariantes do Santana Lopes."
"O Almeida Santos nunca foi à margem sul porque a ponte 25 de Abril pode ser destruída por um ataque terrorista. Além disso enjoa a andar de barco."
"Chiça que nunca mais passo em ponte nenhuma. Olha se um maluco se alembra de dinamitar aquilo e a coisa acontece quando eu for a passar?"
"O melhor era um aeroporto sem aviões, os quais hoje em dia são alvos frequentes do terrorismo."
"Mas 'cais' pontes, 'cais' pontes? Lembro-me como se fosse ontem do Jorge Coelho a prometer um túnel, um túnel, leram bem, entre Algés a a Trafaria. Ora, para um dinamitador dinamitar um túnel tem pelo menos de tirar uma licenciatura na UnI, que agora vai fechar, o que torna tudo mais dificultoso."
"Os licenciados na Independente que paguem a crise."
"Se eu aconselhasse o Dr Negrão mandava-o ter brancas só as patilhas."
"O Portas há uns anos nem patilhas tinha. Rapava rentinho. Hoje tem, qual campino."
"O povo é tão ignorante e indolente que pensa que o primeiro rei de Portugal foi o Gungunhana."
"Vocês sabem aquela do engenheiro? É pá, cala-te senão..."
"O melhor do casamento não é precisamente a união de facto?"
"O raio do segundo comentário é chato como a potassa."

Postais blogosféricos

1. Parabéns ao José Medeiros Ferreira e a quantos fazem o Bicho Carpinteiro: este que é um dos nossos blogues favoritos festeja dois anos de vida. Que conte muitos e bons. Até porque, como lá muito bem se diz, "a blogosfera está na primeira linha de defesa da liberdade de expressão".

2. O Réprobo escreve aqui sobre um dos filmes da minha vida, Paris, Texas. Dificilmente alguém poderia escrever melhor.

Nas colunas

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Tallulahisms


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Vento cá dentro


«De ta tige détachée,
Pauvre feuille desséchée,
Où vas-tu ?
- Je n'en sais rien.
L'orage a brisé le chêne
Qui seul était mon soutien.
De son inconstante haleine
Le zéphyr ou l'aquilon
Depuis ce jour me promène
De la forêt à la plaine,
De la montagne au vallon.
Je vais où le vent me mène,
Sans me plaindre ou m'effrayer:
Je vais où va toute chose,
Où va la feuille de rose
Et la feuille de laurier».
Antoine Vincent Arnault (1766 - 1834)
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Música do meu tempo (24)


The Cure - "Just Like Heaven"

A ler

1. "Mau gosto", do Henrique Burnay.
2. "Quem anda a tramar o PPD?", de Carlos Manuel Castro
3. "Negrão: e a lista?", do Paulo Gorjão.
4. "Entalado", do Rui Costa Pinto
5. "Dúvida lisboeta", de Carlos Botelho.

O problema do humor

- Tás a ver o que eu te dizia, ó Charrua? Temos que esperar pela altura certa para dizer uma piada.
- És o maior, Lino!

Sexta-feira, Maio 25, 2007

Sexta-feira (tréplica)


Ainda hoje me provoca uma perigosa taquicardia. Refiro-me à princesa Leia, na imagem. Também gostei de outras personagens, os divertidos robots, um ou outro vilão de “A Guerra das Estrelas”. Adorei o primeiro filme, como qualquer adolescente dessa época, apesar de hoje reconhecer que marca o princípio da decadência de Hollywood, a obsessão pelos efeitos especiais e a pobreza das histórias. Enfim, o importante é que princesa Leia foi uma das minhas paixões (tal como a maioria, inteiramente platónica). E parece que já passaram 30 anos...

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Tempestade no deserto


Cavaco Silva apela a um debate sério e aprofundado sobre o novo aeroporto da Ota: "Seria altamente benéfico para o país que a Assembleia da República realizasse um debate aprofundado sobre este projecto com base em estudos realizados por organizações e instituições competentes, dado o impacto para gerações futuras". A questão, para os mais desatentos, sempre suscitou muitas dúvidas a Cavaco Silva. Recordo só que, num livro do jornalista Vítor Gonçalves, o actual Presidente da República lembrou que a construção de um terceiro aeroporto em Londres tinha sido alvo de um trabalho seu de análise de "custos e benefícios", durante a preparação do seu doutoramento em Inglaterra. Sucede que o trabalho académico de Cavaco apontava para a desnecessidade de tal construção. Se estivesse de acordo - quando o livro foi lançado ainda nem estávamos em pré-campanha presidencial -, Cavaco Silva teria dado um sinal. E deu o sinal contrário. As declarações de hoje do PR vêm bem a tempo de pôr o Governo na rota certa e o ministro Mário Lino na ordem. A partir de agora, o tema tem que ser discutido com seriedade no Parlamento e fora dele. Chega de conversas do tipo Sporting-Benfica.

Quando a esmola é muita...

Desculpem lá qualquer coisinha, mas só mais um bitaite sobre a minha cidade de Lisboa: o que tem o cadeirão do município para atrair o tão genuíno altruísmo de António Costa, Carmona Rodrigues, Fernando Negrão, Helena Roseta, Manuel Monteiro, Telmo Correia, Sá Fernandes, Ruben de Carvalho, Garcia Pereira, Paulo Trancoso, Gonçalo da Câmara Pereira e José Pinto Coelho? Não é gente a mais? E se o pessoal calha ir todo a banhos para a Caparica no dia 15 de Julho para desenjoar do circo? Quem vai apanhar as canas, penhorar os cacos, desligar a luz e fechar as portas do arraial?

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Referendo, qual referendo?

A propósito da vontade que alguns ainda dizem ter em fazer um referendo ao Tratado Constitucional europeu (que será revisto, presume-se, durante a presidência portuguesa da UE), veja-se o que disse o novo presidente francês, numa entrevista recente à revista Politique Internationale, número 115. Nicolas Sarkozy, com um discurso curto, directo e grosso, como diria o dr. Portas: "Ce traité simplifié, qui modifiera les traités de Nice et d'Amsterdam, pourra, comme eux, être soumis à la ratification du Parlement. Notre objectif devrait être de lancer au plus vite son élaboration de manière à l'appliquer dès les prochaines élections européennes, à partir de 2009, comme l'a confirmé le récent sommet de Berlin". E agora, dr. Mendes e eng. Sócrates? Vai uma pirueta?

Campanha a sério...

Uma coisa é certa: copiar não é nada bonito.

Vendredi


Elisabetta Canalis

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Se querem que vos diga


Eu sempre quis foi viver no Porto. Cheguei há uns anos a estar quase, quase, perto de o conseguir e - ainda por cima - ligado à Fundação de Serralves. Isso é que teria sido qualidade de vida. Enfim...Um dia, vinha eu de passar 15 dias com a namorada que estudava em Vila Real, quando qual bom samaritano decidi auxiliar na estação de Campanhã uma jovem modelo coreana que estudava moda em Paris. Tinham-lhe dito que, ao chegar a Lisboa, havia uma linha de comboio com vista muito bonita para o mar. Vai daí, ela chegou a Santa Apolónia e embarcou para o Porto. Depois de a corrigir e gabar a vista da nossa Costa do Estoril, e dado que eu só tinha para comer uma sandes de atum e zero escudos no bolso, convidou-me para jantar na Invicta desde que partisse com ela em busca de uma máquina de costura. Assim divagámos, de montra em montra, até serem horas de retomar viagem no primeiro comboio para a capital. Nunca consegui alcançar o meu objectivo de viver no Porto, mas tenho muitas noites e dias guardados na boa caixinha das minhas memórias. Um dia, só para terem um gostinho, contarei aqui como era dantes o Fantasporto.

História de algibeira (22)

Entre 15 de Outubro de 1910 e 19 de Junho de 1911, a bandeira nacional foi alvo de acérrima contenda entre os republicanos, a chamada Polémica das Bandeiras. Por forma a marcar a mudança de regime urgia mudar o mais importante símbolo nacional. Então estiveram em confronto a facção moderada representada por Guerra Junqueiro, que defendia a manutenção das cores azul e branca, e a facção radical liderada por Teófilo Braga, que defendia a adopção das cores “verde-rubra” da bandeira do PRP como nova bandeira nacional. O culminar da disputa é por todos nós conhecido, e hoje temos a bandeira que temos...

Ilustração gentilmente cedida por Carlos Bobone – Livraria Bizantina

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An-tó-ni-o

Alguém é capaz de explicar ao dr. Fernando Negrão que o candidato do PS chama-se ANTÓNIO Costa e não ALBERTO Costa? Ontem, no primeiro grande jantar da pré-campanha - em Benfica, numa coisa chamada "Katedral da Cerveja" (que mau gosto) -, Negrão referiu-se várias ao candidato do PS como ALBERTO Costa, até que à terceira ou quarta vez alguém lhe acenou da plateia e atirou, baixinho: "ANTÓNIO, o homem chama-se ANTÓNIO"...
Já agora, alguém me explica a mim as motivações inerentes ao cartaz que o PSD já distribuiu por meia Lisboa? O primeiro cartaz de Negrão tem um fundo branco e uma risca encarnada e outra azul, com os dizeres Lisboa a Sério. Ficam algumas dúvidas: o PSD achava que antes Lisboa era "a brincar", era "na boa", sempre "a partir"? E qual a razão para o PSD não aparecer nos cartazes a não ser no cantinho inferior direito, com o símbolo minúsculo? É para o candidato entrar na onda independente? Ou será para o PSD lavar as mãos da sua responsabilidade na crise que atravessa a capital?
Também não ficava mal alguém dizer ao dr. Negrão para começar a ler os jornais, ouvir as rádios e ver as televisões. Dá sempre jeito a quem é candidato a alguma coisa aparecer minimamente informado. ALBERTO Costa, perdão ANTÓNIO Costa, não se recusou a discutir a Ota. Pelo contrário, terá dito que está disponível para entrar nessa discussão que se prevê desde já acesa.

Momento cultural

Um grande amigo que partilha a minha paixão pela literatura dedicou-me em homenagem este pequeno filme, no seu As Afinidades Efectivas. Algumas mentes mais perversas poderão ver nele uma alusão aos meus polémicos posts sobre auxiliares internas de limpeza doméstica. Nada disso. É de livros e só de livros que se trata. Honny soit qui mal y pense e etc.

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A ler

1. "O Quase", de Helena Ayala Botto.
2. "Ainda se fosse para trabalhar a sério", de PMF.
3."Tempestade no horizonte", do Paulo Gorjão.
4. "Aceitam-se apostas", do Carlos Abreu Amorim.
5. "La France bling-bling", da Marta Rebelo.
6. "Isto é uma espécie de país, com música de Marques Mendes e letra de Mário Lino", do José Adelino Maltez.

Os tugas (11)


- Que te aconteceu? Estás cá com uma cara!
- Foi aquele ladrão...
- Qual ladrão?! Assaltaram-te a casa?
- Não, pá. O ladrão do árbitro. Então não viste que nos roubou um penálti do tamanho da Sé de Braga? Filho de uma cadela cheia de sarna. Estragou-me a semana, aquele estupor.
- Ó pá, não ligues. Antes isso do que um gajo partir uma perna.
- Isso dizes tu! Eu preferia partir uma perna. Mas antes partia os cornos àquele grandíssimo e alternadíssimo filho da puta.

Viernes


Marta Nieto: qué guapa es, niña. (Con su permiso, FAL)

A quem possa interessar...

A implantação da república portuguesa é um assunto pacifico e arrumado, conquanto não se aprofunde muito o assunto, não se levantem demasiadas lebres. Com noventa e tal anos de propaganda não se conseguiu mascarar a história, apenas iludir um povo ignorante e indolente. Vamos então pôr as mãos na massa, desfolhar a história e enfrentar tabus? Gloriosos tempos se avizinham!

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Sexta-feira


Daniela Pestova.

Quinta-feira, Maio 24, 2007

Em defesa de Mário Lino

Eu já fui à margem sul e não estava lá ninguém a apanhar aviões.

Cinco blogues que nos fazem pensar

Desta vez foi o Politicopata a mencionar-nos. Este simpático blogue elegeu o Corta-Fitas entre os seus cinco favoritos, no âmbito da iniciativa Thinking Bloggers Awards. Agradecemos a distinção, que já nos havia sido concedida pelo Pensamentos e pela Geração Rasca. E para manter a boa tradição, depois de o João Távora e o Francisco já o terem feito, compete-me agora eleger cinco blogues de que gosto muito. Aqui vão, por ordem alfabética:
No fundo, uma homenagem concreta a quem os faz: Ana Cláudia Vicente, Eduardo Pitta, João Gonçalves, João Paulo Sousa, Rui Bebiano e Tiago Barbosa Ribeiro.
Espero que a bola continue a rolar. Se há iniciativa interessante na blogosfera, é esta.
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Outros blogues poderiam ser referidos, como A Origem das Espécies, Blasfémias, O Insurgente e O Amigo do Povo. Não o fiz por já terem sido antes mencionados pelo João e pelo Francisco. E a excelente Miss Pearls só não surge aqui porque faz parte cá da casa.

Politicamente calmo

Ao ver e ouvir Paulo Portas na entrevista a Judite de Sousa, lembrei-me de quando o actual líder do CDS/PP impôs o slogan "Eurocalmo". Agora, o CDS é calmo em tudo, muito pacífico e bem comportadinho. Tal e qual como José Sócrates gosta. E em 2009 ele agradece.

Chega?

Já não vão aparecer mais candidatos à CML. Neste momento são 12, mais um seriam 13. E podia dar azar. Se a Carmelinda Pereira se lembra de ir a votos, estamos tramados. A nossa sorte é que a líder do POUS deve ter as férias marcadas para a segunda quinzena de Julho e prefere ir a banhos do que às sardinhas assadas dos bairros históricos...

Sahara


Um ministro diferente dos outros. Um ministro que está autorizado a brincar com títulos de engenheiro e inscrições na Ordem, bem como a cometer gaffes de qualquer ordem. Lino, Mário Lino. Está de pedra e cal e não vai borda fora.


Somos Portugueses

À atenção do Duarte Calvão e do João Távora: nasceu o primeiro think tank monárquico. Chama-se Somos Portugueses. com, é assumido e sem complexos, ao contrário do dr. Paulo Portas, que recentemente (e como já vi por aí escrito) lançou as tendências internas no CDS/PP e se esqueceu de dar espaço aos monárquicos dentro do partido. Que, como se sabe, são mais que muitos. A começar no próprio Portas e a acabar no Luís Pedro Mota Soares. Só que lançar tendências liberais é muito mais sexy...

Estes socialistas não andam bem

«Um aeroporto na margem sul tem um defeito: precisa de pontes. Suponham que uma ponte é dinamitada. Quem quiser criar um grande problema em Portugal, em termos de aviação internacional, desliga o Norte do Sul do País.»
Almeida Santos
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Ler também:
- "Eu ainda sou do tempo em que só havia aquela ponte do Dr. Salazar", de João Luís Pinto, n' O Insurgente
- "O que virá a seguir?", de Paulo Tunhas, na Atlântico
- "Ota", de Francisco José Viegas, n' A Origem das Espécies
- "Os terroristas preferem a Ota", de Jorge Ferreira, no Tomar Partido
- "Almeida Santos: o delírio", de Paulo Gorjão, na Bloguítica
- "A OTA e a dinamite", de João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos

Os tugas (10)


- Então o que deseja para o almocinho?
- Uma sopinha. E depois umas favinhas.
- E trago já uma cervejinha?
- Pode ser. Com este calorzinho...
- Vem já tudo rapidinho.
- Ainda bem. Estou com muita fominha.

Lino "vintage"

O que pensarão disto os autarcas socialistas da Margem Sul do Tejo e os deputados do PS eleitos pelo distrito de Setúbal?
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Ler também:
- "Mário Lino, o deserto e uma constatação final", de Vítor Dias, n' O Tempo das Cerejas
- "Milhões", de João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos
- "Ninguém os pára", de Tiago Machado da Graça, nos Incontinentes Verbais
- "O deserto", de Eduardo Pitta, no Da Literatura
- "O sonho de Lino", de Tiago Mendes, na Atlântico
- "Até o otismo militante deveria ter limites", de Carlos Abreu Amorim, no Blasfémias
- "Mau aspecto", de Daniel Oliveira, no Arrastão
- "Os filhos do Estado Novo", de Rodrigo Moita de Deus, no 31 da Armada

Tertúlia literária (183)

- Vais à Feira do Livro?
- A essa nunca vou. Compro tudo quanto preciso lá na Feira de Carcavelos.

Postais blogosféricos

1. A nossa Cristina, que ainda há poucos dias cortou aqui a sua primeira fita, já foi citada no caderno 2 do Público (edição de ontem). Pena que a secção dos blogues continue ali a ser feita sem identificar os autores dos textos, como se fôssemos uma cambada de anónimos. Fica o reparo, à atenção do meu amigo Miguel Gaspar, editor daquele caderno.
2. Cada vez melhor, este blogue. Ganha o direito a figurar na nossa galeria de endereços permanentes, aqui na barra lateral.
3. O meu camarada Luiz Carvalho, parceiro de várias lides jornalísticas, tem um blogue com um nome excelente: Instante Fatal. Recomendo-o desde já.
4. Parabéns ao Henrique Fialho, por dois anos de Insónia. É um dos blogues que visito com mais frequência.

Tudo boa gente

A Federação Portuguesa de Futebol, a prestigiadíssima entidade organizadora da Taça de Portugal, reservou para si própria um terço dos bilhetes disponíveis para a final no Estádio Nacional no próximo dia 27. Até aqui tudo bem se não fosse o facto de ninguém saber onde param estes bilhetes, com que critério e a quem eles vendem ou oferecem os mesmos. No seu site oficial, apenas somos avisados de que a FPF “Não vai abrir um processo de venda de bilhetes”.
Aceito que a FPF e os seus beneméritos dirigentes possam fazer o que quiserem aos 12.000 bilhetes: oferecer aos patrocinadores, aos ministros ou assessores, vender na candonga ou aos padrinhos, oferecer aos dedicados funcionários, amigos e amantes dos amigos. Mas que o fizessem de forma transparente. Sempre são 12.000 bilhetes, 1/3 da capacidade do recinto ao preço médio de 30€, dos quais ninguém nos dá “cavaco”. É também a imagem da Federação que fica em jogo, ou não?
Eu por mim, ao que tudo indica vou ter que ver o jogo pela televisão, a não ser que um certo amigo meu belenense me desenrasque dois preciosos ingressos.

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Quarta-feira, Maio 23, 2007

Hmm...

E sobre Mário Lino, posso falar? Ou jamais?

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Cavaco entra em campo

Por este andar, alguém ainda vai ver o seu terreno invadido e rasgado por uma Charrua. Cavaco Silva pronunciou-se hoje sobre o caso, de uma forma que não é habitual em meros fait-divers. A reter: "Eu não sei o que disse (o professor) ou o que não disse. Se foi uma piada em relação a um político, como é frequente no nosso País, espero que o mal-entendido seja rapidamente esclarecido".

Critérios "jornalísticos"

Helena Roseta não evitou ontem à tarde uma exclamação de espanto no hotel de Lisboa onde apresentou publicamente os cidadãos eleitores da capital que a acompanham na lista concorrente à câmara. "Não está ninguém de nenhuma das televisões?! Regista-se." De facto, só lá estava um operador de câmara da agência Lusa. Em compensação, um almoço "privado" entre Fernando Negrão e Manuela Ferreira Leite num restaurante com vista para a estação ferroviária de Santa Apolónia mobilizou duas horas antes um batalhão de repórteres. Assim vão os critérios "jornalísticos" cá na terra, perante a indiferença total dos jornalistas. E assim vai a "igualdade de oportunidades políticas" nesta excelente democracia onde em teoria todos podem concorrer.

Nota oficiosa

Ouvido o Conselho de Administradores do Corta-Fitas em reunião conjunta com a Comissão de Fundadores e a Câmara dos Lordes, estipula-se que apenas os munícipes de Lisboa deverão pronunciar-se neste blogue sobre as próximas eleições intercalares na capital. Os administradores, fundadores e os lordes também não se irão imiscuir em assuntos que digam respeito aos concelhos de Oeiras e Cascais em eleições futuras.

P. S. - A reunião decorreu à porta fechada, sem a presença da comunicação social...

Expectativa

Qual vai ser o slogan de Carmona? Na lógica de «Ou eu, ou um político!» proponho este:
Lisboa primeiro. Dê o voto a um engenheiro.
Actualização: Não houve slogan. Não houve adereços. António Cunha Vaz optou pela estratégia do pobrezinho. Só não percebo o atraso da conferência, se apenas era necessária uma cadeira. Quanto às perguntas, há muito não via tantos jornalistas bonzinhos todos juntos.

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Imparável

Manuel Pinho não acerta uma. Ricardo Araújo Pereira que se cuide: tem aqui um concorrente à altura.

Casar não é obrigatório II

Não sei até que ponto seja por razões genéticas, mas acho muito bem que o João Villalobos não se case jamais. Pelo que afirma parece-me uma atitude sábia. Que não “estrague mais nenhuma família”, e até poupe uns amargos divórcios. Pois que volteie vida fora como se sinta melhor e seja feliz. Que as suas opções e convicções lhe tragam o equilíbrio e animo na sua peregrinação terrena. Com responsabilidade. Sem infligir grandes estragos pelo caminho. Inteligente como o reconheço, só me apraz dizer isto.

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BE no supermercado

- Ora manteiga, pão, cereais, espuma de barbear, divórcio... São 27 euros.
- Estou-me a sentir um bocadinho culpado.
- Ah sim? Então, peço desculpa mas tenho que tirar o divórcio e vai ter que ir a tribunal, pelo sistema antigo. É mais caro e mais demorado, mas se se sente culpado tem que ser.
- Acho que já estou melhor. Não pode fechar os olhos?
- Não posso, não posso. Andam aí os vigilantes e depois eu é que fico com a culpa.

Poder paternal, segundo o BE (adaptado)

- Boa tarde, queria fazer um acordo de regulação do poder paternal faxavor.
- Concerteza. Ama os seus filhos?
- Mais do que nunca!
- Mais do que nunca, mais do que nunca... - peço desculpa, o sistema é novo - ora aqui está! Tem que preencher o impresso "O papá ama-vos muito mas vão ficar com a mãezinha que é melhor". É tudo?

O PSD aos quadradinhos


Luís Filipe Menezes anda mais ocupado a escrever sobre o Tintin, do que sobre a liderança do PSD. Algo se passa. Será que vai deixar o osso para outro (s)?..

O divórcio, segundo o BE

- Boa tarde.
- Faxavor
- Queria divorciar-me.
- Já não a ama?
- Já não.
- Então é só preencher o impresso "Meretíssimo juiz, já não a amo e quero ser livre para poder amar outra vez e assim ser feliz". É tudo?
- Já agora, sabe dizer-me quando é que posso amar outra vez?
- Tem que esperar que a sua ex-mulher receba o duplicado pelo correio. São quatro dias de carência.
- Maldita burocracia.

Pré-25 de Abril

João Charrua, professor social-democrata, foi suspenso pela mui socialista Direcção Regional do Norte do Ministério da Educação a 23 de Abril por ter contado uma piada em privado sobre o venerando Presidente do Conselho. Está certo. Refiro-me à data, naturalmente anterior a 25 de Abril.

Mendes que se cuide

Carmona é candidato. Se não mudar outra vez de opinião entre o fim do almoço e a hora do lanche, o autarca vai hoje anunciar a sua decisão às 18h00m, no Hotel do Chiado. As facas começaram a ser afiadas no PSD...

A genética explica muita coisa

A propósito da instituição do casamento aqui fica uma informação: Tal como a Fernanda Câncio, nunca casei. Gosto da união de facto. É sólida q.b. na parte que me diz respeito. Talvez efeito de, com a modesta idade de 18 anos e com a minha primeira namorada à séria - colega de turma, etc, o clássico - ter já casinha à espera e chegado à fase de discutir os cortinados. Serviu-me de emenda. No entanto, respeito mesmo muito quem assume um contrato e se casa, para a vida, fiel e com fé. O meu bisavô, por exemplo, casou quatro vezes e a última delas com a amante que sempre tivera. Acho que foi um gesto bonito, um gesto de amor. O casamento, entenda-se (Isto dos genes é uma coisa tramada). P.S. Aguardo, com ansiedade, a devida resposta tavorista.

Não é que precisem que os defenda, mas...

Considero discutível a chamada de capa do DN com os Gato Fedorento, com o destaque que teve. Não acho que, independentemente das audiências, um país inteiro tenha a originalidade dos rapazes à cabeça da lista das suas prioridades informativas, da forma como está o país e o mundo em geral. Não considero, sequer, que a adaptação do genérico seja «o» tema. Quem observar os sketches com atenção, repara em diversas imitações de séries cómicas da BBC, por exemplo, como aliás também o fazia Herman no passado. No entanto, não considero que isso esteja errado. Aprendemos com os melhores e inevitavelmente imitamo-los e incorporamo-los, a sua linguagem e a sua criatividade. Na comédia como na música, na publicidade, na literatura. Se o que se pretende é dizer que os rapazes não são génios, penso que era desnecessário. São excelentes profissionais. São os melhores que por enquanto visivelmente temos. E para mim chega.

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Gostei de ler

Juntos "bufaremos" uma nação. Do Gonçalo Capitão, no 31 da Armada.
Morder o isco. Do Pedro Adão e Silva, no Canhoto.
Todo o riso será castigado. De João Paulo Sousa, no Da Literatura.
Laranjas e tangerinas. De António Oliveira, na Estrada Poeirenta.
Um bocado estranho. De Fernando Martins, n' O Amigo do Povo.
Falar já falaram, mas... De Vítor Dias, n' O Tempo das Cerejas.
Vera Jardim e a infelicidade... De Paulo Gorjão, na Bloguítica.
Pontos de fuga. Do Adolfo Mesquita Nunes, n' O Insurgente.
Provincianismo. De Tiago Barbosa Ribeiro, no Kontratempos.
Na canela dos nossos, dói sempre mais. De Cristina Vieira, na Contra Capa.
A punição à distância. Da Carla Hilário Quevedo, na Bomba Inteligente.
Clint Eastwood. De Carlos Malmoro, na Geração Rasca.
O homem era fascista, que mal tem isso? Do Miguel Castelo-Branco, no Combustões.
Um facho apagado? Do Réprobo, n' As Afinidades Efectivas.

Tertúlia literária (182)

- Comecei a ler a biografia do Salazar, escrita pelo Franco Nogueira.
- Mas tu és um homem de esquerda! Como te passou isso pela cabeça?
- Foi rapidamente e em força.
- E como te sentes?
- Orgulhosamente só.

Humilhados e ofendidos

«O que se está a passar em Lisboa é em Lisboa que se está a passar», terá dito Jorge Sampaio num almoço com António Costa. Eu diria mais, parafraseando os irmãos Dupont e Dupond: «O que se está a passar em Lisboa é que Lisboa se está a passar». Hoje, quando é esperado o inevitável anúncio da candidatura de Carmona Rodrigues, agora que o subsídio estatal para a campanha lhe resolve o problema orçamental, veremos surgir os mesmos que antes desapareceram com a pose dos ofendidos e a indignação de quem foi vítima das intrigas do aparelho, da luta partidária e etc. Só faltava, depois do omnipresente Garcia Pereira, a candidatura dos Calimeros. «Agora é que eu e a minha equipa vamos fazer aquilo que não nos deixaram fazer antes», dirá Carmona citando Cunha Vaz. Depois, esperarão para ver quantos lisboetas estão realmente tão «passados» com isto tudo que perderam o discernimento.
P.S. Este post foi escrito, como sempre, reflectindo a minha exclusiva opinião pessoal o que não invalida a obrigatória declaração de interesses pelo facto de estar ligado à campanha de Fernando Negrão.

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O eterno candidato

Garcia Pereira candidata-se às intercalares da Câmara Municipal de Lisboa, e o Natal será em Dezembro. Hoje pela manhã reconheci-lhe logo a voz de sempre na telefonia, agora com um tão mais aveludado e redondo discurso. Nem mesmo um inveterado conservador como eu se entusiasma ao acordar de manhã com estas periódicas e reverenciais novidades. Antes pelo contrário... Estas e outras rotineiras notícias mais me parecem um autêntico pesadelo em loop.

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A Ota pode baralhar as contas?

Assisti ontem ao lançamento do livro "O Erro da Ota", muito por causa da editora ser do Pedro Avillez e de um dos autores, que co-apresentou a obra, ser o meu amigo Mendo Castro Henriques. Sucede que coube a Carmona Rodrigues, o putativo recandidato à CML, dizer umas breves palavras (durante uma hora). Pelo que disse, fiquei a perceber que a Ota, como já demonstraram também Helena Roseta, José Sá Fernandes e Fernando Negrão, pode muito bem vir a ser a pedra no sapato de António Costa, completamente comprometido com o projecto enquanto ex-membro do Governo Sócrates.
Carmona ontem apresentou uma série de argumentos válidos, puxou dos seus galões enquanto "engenheiro com doutoramento em Engenharia do Ambiente", lançou vários alertas (do tipo, há um projecto escondido de vender a ANA e a TAP, se aquilo correr mal e as contas derraparem) e ainda disse que 'sim' com a cabeça quando, no fim, foi lida uma mensagem de Manuel Alegre. O ex-candidato presidencial, a caminho de Itália, disse que a Ota é "cada vez mais uma questão de interesse nacional". Acredito, por isso, que vá ser 'a' questão de interesse municipal nestas autárquicas intercalares de 15 de Julho. Ganha mais votos quem souber explicar melhor por que razão aquilo não deve avançar. Por este caminho ainda vamos ver António Costa a descolar de Sócrates e a levantar voo... Vrrruuuuuum, aí vai ele...

Música do meu tempo (23)


Everything But The Girl - "Missing"

Terça-feira, Maio 22, 2007

(Caixa 5) - Secção de Necrologia

E a história repete-se...

Hoje, na fila do supermercado, uma senhora toda vestida de preto e fios de prata contava as últimas catástrofes a uma amiga toda florida:
"O sol e o cancro da pele, os peixes gordos que evitam a cegueira (?), o uso continuado de tintas para o cabelo, os problemas da pomada retirada do mercado e os últimos chás milagreiros". Quando chegou a minha vez de pagar e me afastei, estava a descrever muito graficamente a última maleita, apontando para um joelho mártir que me abstive de observar.
Não sei qual das duas estaria mais angustiada, eu ou a senhora florida com cara de quem estava a pensar: "O que uma pessoa ouve por um pacote de arroz e uma dúzia de ovos."
- Cartão família?

NOTA:
O post no Tugir: Sopa de letras

O casamento segundo o BE

- Querida, hoje acordei a amar-te, olho para ti e sinto que o nosso casamento faz sentido.
- Caramba, Gimbas, logo hoje! Sonhei que o Paulo Varela Gomes me explicava os problemas de Lisboa, acordei preocupada com o professor da DREN que disse a piada sobre o Sócrates e agora vejo que tenho uma borbulha no queixo! Desculpa, mas hoje não te amo lá muito...
- Não há problema, caso contigo unilateralmente. Logo à noite, se estiveres mais bem disposta, também casas comigo.
- Ok, Gimbas. Mas está-me a parecer que esta semana vamos ficar pela união de facto.

Quando a direita muda de pele

A crise de credibilidade que há um mês afecta José Sócrates fez accionar o velho instinto de poder na direita portuguesa, que está em plena fase de recomposição. Começou no CDS, vai prolongar-se no PSD. Quem supunha que bastava esperar por 2009 para dar passos em frente, teve de alterar os planos. O tom dramático do último jantar de aniversário socialista veio confirmar que a instabilidade voltou à política portuguesa. O PS mantém maioria absoluta no Parlamento, mas está menos sólido e menos consistente. Daí as inevitáveis mudanças que estão a registar-se à direita – e que poderão ser muito mais vastas do que alguns imaginam. Acabou a oposição a fingir, vem aí a oposição a sério. Com um possível realinhamento de toda esta ala política. Os tradicionais estados-maiores partidários deixaram de ter a importância que tiveram: veja-se a ascensão em França de Nicolas Sarkozy, que venceu a eleição presidencial contra os barões da direita – a começar no presidente Chirac, que provavelmente nem votou nele. É a esta luz que deve ser interpretado o fim do velho CDS às mãos de Portas. E também o ciclo de convulsões internas que não tardará a estourar no PSD após o escrutínio de Julho em Lisboa. Quando o cheiro a poder começa a tornar-se intenso, uma certa direita vai até onde for preciso: pode até vender a alma. Embora numa primeira fase lhe baste mudar de pele.

Trezentos mil

Uma pausa só para assinalar que acabamos de passar a cifra dos 300 mil leitores. Vamos prosseguir.

Os tugas (9)


Dá-lhe com os faróis, dá-lhe com os faróis! Isso, atira-lhe com os máximos, afinfa-lhe com eles até o gajo cegar, mostra-lhe quem é que manda! O cabrão anda aqui a pisar ovos, ainda não sabe que o pedal do acelerador já foi inventado... Já está, já está! Eu não disse que esse monte de merda se desviava e deixava a malta ultrapassar? Uaaau!!! Adeusinho ó vai-te embora!

Ler os outros

Ainda sobre Hergé, Miguel Castelo Branco. Bom de ler!

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Este é que ganhava a eleição em Lisboa


Oliveira da Figueira. Capaz de vender areia aos beduínos em pleno deserto.

Qual igualdade de géneros?!









Ainda a respeito dos heróis de Hergé, e na sequência de uma estúpida discussão que tive no outro dia, aqui se comprova que o cão Milou é um cachorro. Macho. Alguém tem dúvidas?

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Hergé: eternamente jovem


Tintim faz parte do meu imaginário. Tinha seis anos e vivia numa cidade de província quando mergulhei a fundo no mundo mágico da BD, semanalmente, nas páginas da excelente edição portuguesa da revista Tintin, que começou a publicar-se em 1968. Com histórias de Blake & Mortimer, Astérix, Lucky Luke, Ric Hochet, Bruno Brazil, Cavaleiro Ardent, Tenente Blueberry, Spirit, Corto Maltese, Achille Talon, Olivier Rameau, Cubitus, Tanguy e Laverdure, Luc Orient, Taka Takata, Valérian, Corentin e tantas outras personagens que para sempre integrarão a minha galeria de heróis de ficção. Cada vez que folheio a minha colecção da revista dirigida por Dinis Machado e Vasco Granja regresso à infância mais remota. Como se voasse com Dorothy num tornado em direcção a Oz.
Neste mundo mágico, as aventuras de Tintim figurarão sempre num lugar à parte. A primeira que li foi uma das últimas desenhadas por Hergé - Voo 714 para Sidney. Fiquei agarrado do primeiro ao último quadradinho a esta história passada numa misteriosa ilha do Pacífico e que incluía peripécias relacionadas com extraterrestres. Nos anos seguintes, lia-as todas por ordem quase inversa à cronológica. O fascínio foi-se acentuando de aventura em aventura: Carvão no Porão, Tintim no Tibete, O Caso Tornesol, O Ceptro de Ottokar, O Templo do Sol, A Estrela Misteriosa, A Ilha Negra...
Mas o maior deslumbramento aconteceu quando li O Lótus Azul, um dos melhores álbuns de banda desenhada de todos os tempos. Uma história passada na China dos anos 30, durante a sangrenta guerra sino-japonesa, com a qualidade de um romance de Greene ou Malraux. Mal sabia eu então como essa minha inesperada introdução à China me despertaria a tal ponto o interesse pelo Oriente que me levaria a passar dez anos nessas fascinantes paragens do globo.
No dia em que se assinala o centenário de Hergé, deixo-lhe também aqui a minha homenagem. Não só como nome maior da banda desenhada ou documentarista do século XX, mas como singular revelador de mundos.

Ainda o tributo a Hergé


Quero prestar também aqui a minha homenagem a Hergé. Discordo apenas do João Villalobos quando mistifica a versão “animada” de Tintim que foi para mim uma autentica desilusão, um susto, uma afronta ao meu imaginário. É que a mim puseram-me um álbum do Tintim nas mãos antes sequer de eu saber o meu próprio nome. Afinal não fui eu que lhe dei voz e movimentos? Até fui eu que inventei as tramas, enquanto folheava atento os livros ainda sem saber ler... O Tintim na TV chocou-me desde logo com a veleidade daquela animação tão deficiente e a histérica dramatização daqueles guiões sempre simplificados. Fiquei definitivamente enciumado com a exposição pública e banalização do meu herói. Quase desde o berço que passeei por dentro daqueles quadradinhos, daquelas histórias e mistérios. Lembro-me das horas estáticas, de pernas cruzadas, em puro deleite passadas diante da ultima prancha do álbum Carvão no Porão, aquele insólito e colorido rally nos jardins de Moulinsart. As horas passadas em êxtase, fisgado num só quadradinho, invejando o pequeno carro vermelho do rebelde Abdallah em No Pais do Ouro Negro. Hergé deu-me os meus melhores amigos de toda a infância, de quem aliás fui íntimo. Com o Tintim e Milou fui crescendo e lutei contra os sovietes e contra a máfia. Ajudei a libertar os escravos e lutei contra o tráfico de droga. Fui também à lua, onde ia perdendo os meus amigos todos e não salvei o Engº Wolf de uma heróica morte. Planei arrastado por um condor pelas encostas dos Andes. Tremi de medo e gelei de frio a caminho do Tibete, num hino à generosidade. Comovi-me com o cão mais simpático do mundo, ri-me com os excessos do bêbado mais divertido de todos, o Capitão Haddock. Ao Hergé ficarei sempre grato pelos amigos que me proporcionou. Hergé será por certo responsável por muitas das mais felizes horas da minha infância, e por isso ser-lhe-ei sempre grato.

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Assim, sim

Excelente, o Prós e Contras de ontem sobre a situação catastrófica de Lisboa. Gostei, em particular, das intervenções do Paulo Varela Gomes e do Carlos Abreu Amorim. Quem não viu, se puder veja esta noite a repetição na RTP-N. Assim vale a pena haver debates na televisão. Por acaso ou talvez não, os políticos profissionais estiveram à margem deste programa.

'Bora lá?

A nossa Miss Pearls informa-nos que Miguel Castelo Branco, do Combustões, tem um restaurante de comida tailandesa que fica aqui. Proponho desde já uma incursão.

É o juntas!

«No encerramento do XXII congresso do partido, não se ouviu o tradicional "Junta a tua voz à nossa voz" - a música de Dina». Mas espera aí, «junta a tua à nossa voz» não é segundo verso a seguir a «Avante Camarada Avante»? O CDS, PP ou lá como se chama tem um hino com letra igual à do PCP? Alguém que me esclareça...

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A propósito de Moçambique


«Já todos ouvimos falar do flagelo da fome, da seca, das cheias, da SIDA, e outras doenças em Moçambique. Estive lá, faz 1 ano, e vivi com aquele povo, simples, pobre e meigo, que luta todos os dias pela sobrevivência. Lembro com carinho as crianças que estudavam com afinco, mesmo sem lápis nem livros, observei estupefacta a sede que tinham em aprender, o silêncio e o respeito nas salas de aula improvisadas, onde, sentados em esteiras espalhadas no chão, ouviam o que eu dizia e sorriam por saberem um bocadinho mais.
Recordo com saudade os abraços, os beijos, as mangas apanhadas das árvores, as capulanas compradas com sacrifício, as cantigas em dialecto, em sinal dum agradecimento sincero e puro daquelas mães que já tinham algum arroz para alimentar os seus filhos nessa semana.
Há dias a Irmã Alice, uma mulher fantástica e corajosa que trabalha com esta população, pediu-me ajuda... Estão a precisar de dinheiro para comprar leite, papas, arroz para os mais pequeninos.
Sei que todos vocês têm um enorme coração. Se ajudarem com um bocadinho cada um, todos juntos, farão muito! Neste momento, é inviável enviar bens, porque não viajo para lá tão cedo e as taxas alfandegárias são muito altas... Qualquer encomenda que se envie fica muito cara.
Com toda a sinceridade, aquilo que é mesmo necessário é dinheiro para comprar alimentos para as crianças que a Irmã Alice acolhe.
Toda a vossa ajuda (nem que seja €1) será muito importante e fará a diferença!
Do fundo do coração e em nome de todas elas, Muito Obrigada»!
Su (96 234 22 65, e-mail: susanamariaoliveira@gmail.com )

Em jeito de homenagem


Agora que se cumpre o centenário do nascimento de Hergé, não queria deixar de agradecer-lhe (onde quer que esteja) por tudo aquilo que me deu. No meu quinto aniversário, eu e os amigos tivemos direito a um visionamento de «Tintim e o Templo do Sol» no cinema Dicca, em Lourenço Marques. Nunca esqueci a primeira vez em que os desenhos ganharam para mim movimento e o eclipse do Sol salvou a vida dos meus heróis, ou a bola de fogo transportando a múmia de Rascar Capac. Os álbuns (ainda em capa dura com chancela da Casterman) já eu coleccionava e seguia apaixonadamente as aventuras do repórter do Petit Vingtiéme. Um repórter que não escrevia uma linha, valha a verdade, mas isso nada retirava ao interesse das suas aventuras.
Algures depois do 25 de Abril, comecei a coleccionar as revistas editadas pelo Vasco Granja - com uma constante simpatia e disponibilidade - e Diniz Machado. Eu e muitos outros que hoje conheço e cujas cartas ainda me fazem sorrir ao ler a rubrica «Tintim responde». Também havia lá por casa números da Papagaio, onde como bem lembra o Público de hoje Tintim nos surgia aportuguesado e com a cadela Milú transformada em cão Rom-Rom. Um abraço a Hergé pois. E o meu agradecimento pelos momentos de felicidade que trazia cada novo álbum, sentidos desde o gesto que seguia com a ponta dos dedos a costura da capa, adiando até não ser mais possível o momento de os abrir e viajar.

Agarrem-no senão ele vai!

Comecei a achar realmente graça a Carmona Rodrigues quando, no anunciado discurso de demissão, ele declarou aquele "a mim ninguém me atira borda fora!". E, de facto, ainda deu alguma luta.
Depois, foi o "vou, não vou". Não foi.
Quando hoje ouvi na rádio que Carmona Rodrigues ainda vai anunciar se é ou não candidato ri-me a bom rir, a pensar na cara do jornalista da estação quando reparasse que estava a ler uma notícia antiga. Substimei Carmona. Agora, aguardo com expectativa o que se vai seguir. Avança? Não avança? E a quem é que isso ainda interessa realmente? Lembram-se do Tino de Rans, que catalizou o congresso do PS mas depois nunca mais largava o microfone?
Leiam-lhe as letras pequeninas das regras, sff.

Segunda-feira, Maio 21, 2007

Cutty Sark

Há suspeitas de fogo posto no incêndio do Cutty Sark... Fico chocado com a mera possibilidade de alguém tentar destruir assim uma relíquia daquelas. As minhas suspeitas recaem desde já sobre uma das empresas que faz whisky escocês de má qualidade. E deixo aqui a promessa de continuar a preferir o Cutty Sark quando não tiver à mão os whiskies irlandeses de que gosto: o Jameson e o Buhsmills.

Queda para a câmara



António Pedro Carmona Rodrigues, há um ano, a descer Alfama de BTT. O "slogan" da campanha, a existir campanha, podia muito bem ser: Carmona, o homem que enfrenta as quedas...

Cheira a Lisboa


Consta que este é o maior hobby do dr. António Costa, pelo que o candidato do PS deve andar a fazer contas à vida, já que lhe falta uma peça: Carmona Rodrigues. É que só falta saber se o presidente cessante da CML é ou não candidato para ficar completo o puzzle de Lisboa. Mas o autarca, como se sabe, é pródigo em quebra-cabeças. Primeiro, fintou Marques Mendes e escapuliu-se para Londres para ir ver motas, depois voltou e terá acordado com ele a sua saída, a seguir faz um discurso inflamado a dizer que não o atiram borda fora e na semana passada sai da corrida infeliz porque os prazos cortavam as pernas aos candidatos independentes. Agora estará a reconsiderar. Tem uma de duas opções: ou avança e garante que foram alteradas as condições impostas pelo Governo Civil e que isso, por si só, é suficiente para responder aos anseios dos tais "milhares" de apoiantes invisíveis; ou fica em casa e confirma o que disse da última vez. Só que os prazos agora são perfeitamente aceitáveis, portanto não se aceita a desculpa de que não houve tempo para fazer uma lista "credível" e constituir uma equipa. A escapatória tem que ser outra.

Dragão de ouro

Pinto da Costa deve entregar o Dragão de Ouro, com carácter de urgência, a Ronny. Sem o golo com a mão que o jogador do Paços de Ferreira marcou em Alvalade, com a amável complacência do árbitro João Ferreira, o campeão de 2006/07 teria sido o Sporting.

Como num velório

Esperei ontem ver um sorriso no rosto de Jesualdo Ferreira, quando o FCPorto venceu o campeonato. Nada. O homem parecia estar num velório no momento em que falou aos jornalistas. Bem sei que esta vitória foi arrancada a ferros, mas o treinador dos "dragões" escusava de parecer tão triste.

Super Pop

Afinal, o candidato do CDS/PP à Câmara Municipal de Lisboa nas eleições intercalares entretanto marcadas para dia 15 de Julho é Telmo Correia e não Luís Nobre Guedes. Em vez do antigo "super-ministro" do Ambiente, avança o antigo "super-ministro" do Turismo, ambos no fugaz Governo de Santana Lopes. Parece que Paulo Portas vê em Telmo "um excelente orador", característica que de certo faz a diferença no embate autárquico lisboeta.
Acontece que não é a primeira vez que Portas faz uma destas, ao fazer veicular um nome nos media para depois optar por outro, porque de alguma maneira os dados em causa mudaram. Ele, que é o verdadeiro causador da confusão, fica impávido e sereno, como se não fosse da sua conta. Há uns anos lembro-me de Portas ter feito saber que o CDS iria avançar com um certo candidato nas presidenciais de 2001. Um jornal influente chegou a fazer manchete disso, sendo desmentido no próprio dia e em pleno congresso com a apresentação de outro nome. Acontece que o nome que iria avançar para as presidenciais era o do monárquico Paulo Portas, que na hora H resolveu recuar e fazer avançar Basílio Horta, que nem chegou a ir a votos contra Jorge Sampaio e Joaquim Ferreira do Amaral. O mais grave é que as notícias de Portas candidato presidencial, tal como a de Guedes candidato autárquico, são sopradas pelo próprio líder do CDS/PP. O mesmo que há uns anos se queixava de ter sido enganado por Marcelo Rebelo de Sousa, com uma suposta não-história do Conselho de Estado. Há quem não tenha emenda.

Vamos a isso!

«Primeiro-ministro pede o esforço de todos por um país mais pobre». Eu, na pequena parte que me compete, até estou disposto a esforçar-me. Mas parece-me uma tarefa difícil. Mais difícil, mais difícil, só criar 150.000 novos empregos.

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Não sei a quem é que isto interessa, mas......

...Estou a ficar com cabelos brancos nas patilhas. Iupi!

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Um sonho azul e branco


Hoje de manhã acordei com o despertador berrando que o país despertara azul e branco depois de uma longa noite de festa. Assim de repente era uma utopia minha que se cumpria, pensei eu. Veleidade que um esfregar de olhos para a crua realidade imediatamente desfez.
Parabéns aos tripeiros, honra seja feita aos vencedores. Fiquem lá então com o campeonato, que nós vamos prá semana ao Jamor arrecadar o caneco, carago!

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Um decisivo equívoco dos nossos tempos

(...) o ‘politicamente correcto’ não só funciona como censura mas também como um meio de transformar a realidade. Chamar as coisas pelos nomes é o primeiro requisito de qualquer discussão séria. Distinguir a realidade da fantasia é a primeira condição para qualquer análise política verdadeira. A ler tudo, no Insurgente por Patricia Lança.

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O outro que era eu*

«O que sei é que, passado algum tempo, nem eu concordo sempre comigo». Ó Paulo, deixe lá isso. No meu caso, nem sequer é preciso passar algum tempo. Os meus Eus de antes e depois do café da manhã, para dar só um exemplo, raramente ou mesmo nunca estão de acordo. O truque é lembrarmo-nos de que as nossas células estão em constante regeneração e, vai daí, somos na realidade permanentemente outros o que facilita bastante a explicação das incongruências :) Abraços (no plural, é evidente) *Título roubado a Ruben A.

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Descanse em paz

Mais uma vez o IPPAR e Isabel Pires de Lima impediram a investigação às ossadas de D. Afonso Henriques. Acho muito bem. Das duas uma: Ou os restos pertencem ao nosso Fundador ou não pertencem. No primeiro caso fica tudo na mesma. Já no segundo, ficariamos a saber que são de outro gajo qualquer e damos o primeiro dos Afonsos como desaparecido em combate. Não seria bonito. Já basta ter perdido o concurso dos Grandes Portugueses. Somar a isso os danos irreversíveis, para o nosso inconsciente colectivo, da perda irrecuperável do primeiro pai era capaz de ser um bocado tramado. Deixem lá estar os ossinhos sossegados, se fazem favor. Mais orfãos do que já somos é que não. Investiguem antes o Zé Manel dos Ossos, que fica mesmo ali ao lado.

Domingo, Maio 20, 2007

Diz que é uma espécie de entidade civil

Corrijam-me se eu estiver a perceber mal, mas a governadora civil de Lisboa marcou uma data para as eleições que, prejudicando Helena Roseta, favorecia António Costa. Depois, foi obrigada a mudar a data e ficou nas calmas. Finalmente, apareceu ao lado de António Costa a apoiar a candidatura deste "na qualidade de cidadã". Pode-se fazer isto?!?

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Tempestade perfeita


Os grandes partidos portugueses parecem caminhar alegremente para um valente susto nas eleições de Lisboa. Adivinham-se votos de protesto, candidatos independentes a minarem os resultados tradicionais, maus candidatos em cada partido (com uma excepção, António Costa), apenas um candidato com experiência lisboeta (o do PCP), discussão de assuntos laterais e discursos populistas (e ainda não vimos os previsíveis golpes baixos). A campanha será curta, com grande separação da realidade, disparates em doses cavalares e uma previsível data de votação em dia de praia, com um quarto da população de férias. Cenário para uma tempestade perfeita?

Domingo

Evangelho segundo São Lucas 24, 46-53

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois testemunhas disso. Eu vos enviarei Aquele que foi prometido por meu Pai. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos com a força do alto».
Depois Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-Se deles e foi elevado ao Céu. Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para Jerusalém com grande alegria. E estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus.

Da Bíblia Sagrada

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Blogosfera futura, os tomates


Mas isto serve para quê? Chamem-me onanista mas não podia estar-me mais nas tintas para «assegurar o máximo de dados, alertas e felicidade» aos usuários deste blogue. Aliás, só a utilização da palavra «usuários» já pedia um castigo. E, se os ditos «usuários» são ou não felizes, isso é lá com eles e nada comigo. Quanto aos dados, tenho todo o gosto em colocá-los sobre a mesa numa partidinha de poker. Já os alertas, esses, deixo-os para o Serviço Nacional de Protecção Civil. Estão com medo de alguma coisa, os senhores? Ou é só ocupação dos tempos livres?

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Ça va changer


Não, não me enganei no dia da semana. É RACHIDA DATI, a nova ministra da Justiça francesa. À primeira vista, arrisco dizer que Nicolas Sarkozy fez uma boa escolha.

As palavras dos outros

"No cúmulo do poder, este 'duro', 'determinado', 'corajoso' e 'decidido' primeiro-ministro está sozinho. Com um partido vazio, porque ele o esvaziou, e um governo nulo, porque ele o anulou, é uma ficção. Quis ser tudo e mandar em tudo, sem perceber que se arriscava a não ser nada e a não mandar em nada."
Vasco Pulido Valente, Público

O que é a justiça?

«A plebe que salvou Barrabás? O conselho de guerra que condenou Dreyfus? A justiça coxeia, chega tarde. Segundo Antón Castán, a justiça anda tão devagar que envelhece no caminho. Quando chega, ninguém a reconhece, porque chega transformada em injustiça. A justiça é como o guerreiro chinês que lutava pela vida de um imperador cuja dinastia tinha terminado há mil anos». Jesús Zárate, «A Prisão», Ed. Oficina do Livro

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Sábado, Maio 19, 2007

...(...)...

Participo num almoço restrito de aniversário mas não na conversa. Sempre a mesma. Ou melhor, circular e intervalada pelas condições das pistas de ski lá onde o Rei de Espanha desliza e as qualidades diversas dos vinhos servidos. Quanto ao resto, a pequena Madeleine. Que pode estar aqui ou acoli, e que os pais disseram isto mas a judiciária aquilo, e que os ingleses assado cozido e frito e que a esta hora já está morta, ou então viva mas no harém de um sultão qualquer.
Sinto-me monstruosamente indiferente. Saturado. Despojado de reacção perante estas conversas onde cada um troca o habitual lugar de treinador de bancada pelo de Sherlock Holmes por um dia. Sinto-me monstruosamente indiferente mas, depois, penso que monstruosos são os outros, esses que tiram um mórbido prazer de repetirem ad nauseam os detalhes deste drama para ocuparem o vazio gerado entre cada garfada. Afinal, a vida continua. Para ela é que talvez não.

Os tugas (8)


Na pressa do metro, um indivíduo já com idade para ter boas maneiras cavalga, atropelando quem vê à frente, na ânsia de ser o primeiro a passar os torniquetes. De caminho, carimba uma senhora com uma violenta patada e mal ouve um protesto dela riposta em voz bem alta: "Se não fosse mulher, partia-lhe a cara." Não contava com o marido da senhora, que do lado de lá do torniquete o desafia: "Eu sou homem. Anda cá partir-me a cara."
Não foi. Deixou-se estar. Até se diluir na multidão que desembarcou do metro seguinte. A pressa deu em vagar para este "herói" do subsolo, com cascos em lugar dos pés.

No país dos valentins

A governadora-civil de Lisboa, Maria Adelaide Torradinhas Rocha, tomou a decisão de marcar a eleição em Lisboa para o dia 1 de Julho - uma decisão ilegal, como o Tribunal Constitucional ontem considerou, por ferir o direito à igualdade de oportunidades entre forças políticas, garantido na lei fundamental do País. Pensei que a senhora, ao ver assim desautorizada pela instância judicial suprema a única decisão de que há memória de ter tomado nos dois anos que leva de funções, anunciaria hoje o seu pedido de demissão. Afinal, nada disso: limitou-se a marcar nova data para a eleição (15 de Julho) e a encolher os ombros, declarando-se sorridentemente "de consciência tranquila". Nada de renúncia, claro: no país dos valentins e das felgueiras, todos vivemos de consciência imperturbável...
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Ler também:
- "É para isto que há tribunais", de Carlos Abreu Amorim, no Blasfémias
- "Eleições intercalares e limitadas", de José Medeiros Ferreira, no Bicho Carpinteiro
- "Consciência tranquila", de Coutinho Ribeiro, n' O Anónimo
- "Para o largo", de João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos
- "Ainda está em funções?", de Rui Costa Pinto, no Mais Actual

A frase

"Nem o primeiro-ministro se chama Tony, nem eu me chamo Gordon".
António Costa, in 'Expresso'

Música do meu tempo (22)


The Cult - "Wild Flower"

Sexta-feira, Maio 18, 2007

Algumas dicas práticas para Marques Mendes

Eu acho que Marques Mendes tem feito um bom trabalho como líder da oposição. Ponderado, tem resistido a cavalgar algumas ondas tentadoras e comporta-se, em geral, como um corredor de fundo.
Não conseguiu evitar alguns pequenos erros, julgo que por descurar os pormenores (por exemplo, que ideia foi aquela de, numas jornadas, aceitar falar num palanque rodeado pela frase "Objectivo: crescer 3%"?; ou decidir que "arguido não entra" sem antes fazer uma lista de arguidos reais e potenciais em quatro anos?).
O processo da câmara de Lisboa, no entanto, correu-lhe mesmo mal. Mas há que aprender com os erros:
1 - Nunca anunciar uma demissão sem o demitido estar ao lado a acenar com a cabeça que sim;
2 - Nunca convidar ninguém sem tomar precauções mínimas prévias.
Por exemplo, quer convidar Fernando Seara para candidato a Lisboa? Primeiro que tudo, há que arranjar alguém de confiança que vai jantar com o visado. A conversa pode ser mais ou menos assim:
- É pá, Fernando, há um grupo de pessoas no PSD que me pediu para te sondar. Gostávamos que fosses candidato a Lisboa e queríamos propor o teu nome ao Mendes. O que é que achas?
- Blá blá, tenho que pensar, blá blá
- Então diz-me qualquer coisa ainda hoje, porque eu tenho medo que o Sicrano (nomear alguém profundamente irritante para Seara) se antecipe.
- Blá blá, esse gajo é um garganeiro, blá blá
- Então já sabes. Entretanto, bico calado. Leste o livro do professor, sabes como são estas coisas. O Mendes, então, fica uma fera! Se sair alguma coisa nos jornais é razão para já nem querer ouvir falar de ti!
Muita maçada se teria poupado.

Uma grande alegria!

As coisas mesmo importantes não se adiam por muito tempo. Nem as tomamos como facultativas. Cumprem-se primeiro, podem ser questionadas depois. Não perguntei a nenhuma das nossas crianças se queriam ou não ser portuguesas. E se queriam ou não o nosso amor de pais. Ou que língua queriam falar. Por amor tomámos isso tudo antecipadamente por acertado.
Por ora lá em casa, vivemos em grande expectativa, a azafama é grande com os últimos preparativos e detalhes a cuidar. As roupas estão engomadas, os livrinhos já estão impressos, já chegaram as flores e até o coro está ensaiado - a primalhada vai dar conta do recado. Os miúdos mais velhos são os padrinhos e estão devidamente industriados. É que amanhã o nosso miúdo pequeno vai a baptizar na Capela de S. Marcos. Para ser mais um dos “de Cristo”. Para ser um dos nossos e aprender a esperança.
O tempo é já de festa. Graças a Deus.

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Aquele abraço

A cena indescritível protagonizada por um grupo de secretários de Estado e um ex-ministro que se candidata em Lisboa é, para mim, de uma notória falta de sentido de Estado. Eu sei que as televisões adoraram, que toda a gente hoje em dia acha normal que um grupo de governantes e homens de responsabilidade na alta hierarquia do Estado se abrace à boa maneira da liga de basketball norte-americano, mas eu não vou nessa. Eu vou continuar a ser antiquado e a achar que nestas ocasiões deve haver sempre um certo respeito e contenção. Os abraços e os give me five podem esperar por um qualquer jantar de despedida em restaurantes como o Terreiro do Paço ou o Eleven. Em Belém a etiqueta é outra.

Guedes, o ambientalista

Luís Nobre Guedes poderá ser o candidato do CDS/PP à Câmara Municipal de Lisboa nas eleições intercalares de Julho (o dia, já se verá). O mesmo que foi o financiador de O Independente, o braço direito na tomada do PP de Monteiro, o ás no Governo com Santana Lopes, como "super-ministro" do Ambiente, depois injustamente envolvido (e absolvido em tempo recorde) no caso dos sobreiros. Agora, Nobre Guedes avança para Lisboa e vamos de certeza vê-lo em calções a fazer jogging - à Sarkozy - junto ao rio Tejo, a plantar árvores e flores pela capital inteira. Grande fã de David Cameron, Guedes quer aplicar o Vote Blue, Go Green dos novos tories em Portugal. Paulo Portas agradece mais uma ajudinha do grande amigo. E a mudança do símbolo do CDS segue dentro de momentos...

Lisboa está a mudar


A ler

1. "Preocupo-me com ele", de Helena Ayala Botto.
2. "Critérios", do Paulo Gorjão.
3. "Altos e baixos", de João Caetano Dias.
4. "Papel de parede lisboeta", da Marta Rebelo.
5. "O poder corrompe?", de José.

Os tugas (7)

Diálogo num táxi:
- Está muito calor e os vidros estão todos fechados. Não se importa que abra este?
- Olhe que as correntes d'ar fazem mal. Podem até mandar uma pessoa para o hospital. Um resfriado, uma pontada, uma pneumonia...
- Deixe lá entrar um pouco de ar para refrescar isto. Não se aguenta.
- Abra lá, abra lá! Mas depois eu é que me constipo. E quando sair não se esqueça de fechar o vidrinho outra vez. Destesto correntes d'ar.

Sexta, por exemplo


MONICA BELLUCCI. Em qualquer dia da semana, a qualquer hora do dia, a qualquer minuto de qualquer hora.

Sexta-feira



Lindsay Lohan.

Casar não é obrigatório!

"Ondas de paixão" Pedro Picoito no Cachimbo de Magritte:
O efeito mais perverso do "divórcio na hora" é a sentimentalização do casamento. Ao trocar a figura jurídica do divórcio litigioso, sempre traumático, pela piedosa ficção do divórcio por "fim do amor", cláusula puramente subjectiva, a lei torna-se arbitrária e parcial - a favor do lado que quer o divórcio. Não há nenhum outro caso em que a oscilação afectiva sirva de fundamento à denúncia de um contrato. Mas, se houvesse, alguém devia explicar aos incorrigíveis românticos da nossa esquerda que o contrato de casamento nada tem a ver com o amor. Pelo menos, tal como o imaginam no Bloco: suspiros, palpitações, passarinhos a cantar e aquele fogo mais forte do que todos os conselhos da nossa mãezinha nas pontas dos dedos e de outras extremidades suspeitas. (...) A não perder na integra aqui.

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Os tugas (6)

- Filho, queres um Sumol ou um galão c'a sande?
- Pode ser um Sumol...
- Bebes um galão que é por causa das coisas!

Quinta-feira, Maio 17, 2007

Louvor às rotinas e aos rituais

Sou uma pessoa basicamente indisciplinada e logo assim bastante desorganizada. Quando era miúdo, lembro-me bem, só não perdia a cabeça porque estava agarrada. E assim se manteve até hoje nem sei bem como. Então a minha cabeça voava, voava. Sempre fui um sonhador, um idealista, com traços de meio poeta. Focado numa qualquer paixão de circunstância, perdia-me facilmente. Estas características cedo me guiaram ao caos. Até ao liceu não me lembro de ter agendado um teste e estudar a sério o que fosse. Cada um era uma surpresa aterrorizadora, descoberta no corredor antes de entrar para a aula. As minhas notas eram imprevisíveis. Era capaz do melhor e do pior. Vesti muitas meias desemparelhadas, perdi documentos importantes, cadernos, livros e até deixei a minha mochila viajar sozinha de autocarro até ao Bairro Madre de Deus. Chegado ao auge da adolescência, com as experiências inerentes ao estatuto, com as borgas mais ou menos alcoólicas ou psicadélicas, o caos chegou ao rubro. Por essa altura experimentei uma precoce e traumática experiência laboral, como paquete de uma conhecida empresa de promoção de torneios desportivos. Resultado: depois de várias broncas e humilhações descobri que só havia uma maneira de sobreviver no mundo concreto real e cruel: pousar os pés no chão e organizar-me. Foi duro e levou muito tempo.
Hoje, passada a tormenta e digamos que bem sucedido, considero-me um homem feliz em grande parte graças às rotinas que afincadamente criei, e aos rituais que aprendi a referenciar. Hoje, deixo o telemóvel no mesmo sítio todos os dias. A carteira e os meus pertences apenas em caso de catástrofe não estarão no sítio previsto. Doeu muito mas hoje sou surpreendentemente organizado, quase como um computador (a minha descoberta dos computadores foi determinante para a minha organização mental). O meu telemóvel ou o portátil apitam sempre quando tenho uma reunião ou outro compromisso. Ou quando um familiar ou amigo faz anos. Desta forma ainda não falhei um aniversário de casamento. Raras vezes chego atrasado a algum sitio. Com o tempo aprendi a dominar o tempo. Deito-me a horas e levanto-me com as galinhas. Com um sempre delicioso café, sempre à mesma hora, com os previsíveis (e também às vezes deliciosos) programas familiares, um trabalho exigente e cansativo, levo afinal uma vida bastante previsível. Quando faço uma noitada fico quase dois dias doente.
Hoje sou o mais certinho dos seres vivos. Convicto, contente e sem arrependimento. Agora, promovo animadamente os rituais e rotinas, como se fossem as linhas e as margens de um caderno onde escrevo a minha vida. Que inspiram e suportam segurança e um projecto de vida. Rotinas e rituais que afinal são garantia de liberdade... proporcionando por vezes umas boas fatias de pacíficos tempos livres. Que servem até para com eles eu quebrar uma sólida rotina e falhar algum importante ritual.

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O tribunal mais político do País

Seria muito interessante saber o que os juízes do Tribunal Constitucional pensam do seu ex-colega Rui Pereira, há seis semanas eleito para um mandato de nove anos e agora transferido para o Governo, onde é o novo ministro da Administração Interna. Como já aqui sublinhou o Francisco, nunca como agora o Palácio Ratton foi um tão notório apeadeiro de personalidades com ambições políticas, ao serviço de objectivos partidários. Instância última do poder jurisdicional, este tribunal desprestigia-se cada vez que vê um dos seus membros trocá-lo por uma função política, por mais apetecível que seja. Os que lá se mantiveram acharão bem isto? Aposto que não. Mas é bom que falem agora. Ou que se calem para sempre.
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Ler também:
- "Preocupações", de Jorge Ferreira, no Tomar Partido
- "Uma séria machadada no Tribunal Constitucional", de Carlos Abreu Amorim, no Blasfémias
- "A independência constitucional, R. I. P.", de José, na Grande Loja do Queijo Limiano
- "Revolving door", de Vital Moreira, na Causa Nossa
- "O Estado ao serviço do Partido Socialista", de André Azevedo Alves, n' O Insurgente
- "Um desapontamento crescente", de Paulo Gorjão, na Bloguítica

A fraqueza de Carmona

A desistência de Carmona Rodrigues em ser candidato à Câmara Municipal de Lisboa nas eleições intercalares de 1 de Julho é um enorme balão de oxigénio para Marques Mendes. Fernando Negrão, caso Carmona não mude novamente de opinião entre a hora do lanche e a do jantar, pode aspirar assim a disputar o segundo lugar com Helena Roseta, bem como o papel de liderança da oposição no futuro executivo autárquico da capital.
Para já, vamos ver a qualidade da equipa de Negrão, pressionado que está pelo elenco de luxo que António Costa vai apresentando a conta gotas. Convenhamos que ter José Miguel Júdice como mandatário da campanha, José Luís Saldanha Sanches como mandatário financeiro e Manuel Salgado como candidato a vereador não é bem a mesma coisa que ter as Marinas, os Prôas ou os Liparis desta vida.
Menos do que ter Manuela Ferreira Leite como mandatária e um ou dois nomes fortes (que não sejam do aparelho) na lista, fará da candidatura de Negrão um vê se te avias...

Nas colunas

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A seguir

A série Os Livros da Minha Vida. De José Pacheco Pereira, no Abrupto.

As palavras dos outros

"A designação de António Costa para Lisboa ergue a suspeita de que Sócrates quis remover um émulo poderoso. Manigância com antecedentes: lembremo-nos das ciladas a Mário Soares e a Manuel Alegre. Maquiavel advertiu que, em política, não há moral. Sócrates não leu: mas aprendeu de ouvido."
Baptista-Bastos, in Diário de Notícias

As eleições de Lisboa


Ainda a procissão vai no adro, mas já parece evidente que as eleições de Lisboa vão mudar o cenário político. Os dois maiores partidos registam crescente dificuldade em manter a unidade. O PSD tem problemas adicionais, pois a sua divisão ameaça tornar-se permanente. A questão pode estar relacionada sobretudo com o afastamento do poder e rivalidades internas, mas penso que pode ser mais grave: trata-se da ausência de ideologia e, portanto, de argamassa. O PSD anda à procura de ideias e não encontra as causas que levam as pessoas a votar num partido. Com a derrota que se adivinha em Lisboa, (o candidato não é mau, é péssimo) Marques Mendes terá a sua liderança muito ameaçada.
Os problemas da direita vão mais longe. Na luta pelo poder dentro do CDS, o então presidente do partido avisou que dificilmente o eleitorado votaria em 2009 naqueles que perderam em 2005. A frase ameaça tornar-se profética. Após ter sido copiosamente derrotado na Madeira, Paulo Portas prepara-se para ser irrelevante nas eleições de Lisboa.
As dificuldades à esquerda são também visíveis, mas penso que terão efeitos apenas a médio prazo. O aparecimento da candidatura de Helena Roseta, depois do que se passou nas presidenciais, revela que o PS tem uma crise inversa da do PSD: ali, a questão é ideológica e promete uma divisão a prazo. Se o PS não estivesse no poder, os problemas seriam bem mais sérios e a ala esquerda já teria feito estragos.
Nestas eleições, continuaremos a ver a luta entre Bloco e PC, com vantagem para os segundos.
A capital é um dos mais importantes centros de poder do País. António Costa tem todas as condições para vencer a eleição, sobretudo se conseguir manter o debate nas questões de Lisboa. Por outro lado, faltam dois anos para as legislativas e a direita já não tem muito tempo para se reorganizar. O Bloco, para sobreviver, terá de entrar em outras questões, na ecologia, por exemplo, mas também ganhar mais eleitorado na ala esquerda do PS, aproveitando o descontentamento com as políticas de José Sócrates. No CDS, dificilmente será esquecida a luta interna, uma verdadeira vitória de Pirro para Paulo Portas. E o PCP, de forma paradoxal, resiste nas bases, sonhando com o dia em que será crucial para formar um governo de esquerda.

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Os tugas (5)

- Farto disto, pá. Os políticos andam todos a roubar. Gatunos do caraças. País de merda, pá. Não há meio de endireitarem isto. A culpa é do povo português, que é estúpido. Cambada de calhaus. Escolhem sempre a mesma corja para mandar, pá.
- Vais votar dia 1?
- Nem penses. Nessa altura já estou na praia com a Maria e os miúdos. Que se lixe esta porra, pá.

Carmona quer enfrentar Mendes

A confirmar-se a candidatura independente de Carmona Rodrigues à Câmara Municipal de Lisboa, acredito que será um duelo muito mais contra Marques Mendes do que contra António Costa, Helena Roseta ou o seu rival José Sá Fernandes. Muito menos contra Fernando Negrão. Negrão será enfrentado, mas como forma de chegar mais alto. De chegar a Mendes.
Para isso Carmona conta com a experiência adquirida na CML para, nos debates, falar cara a cara com Costa, Roseta, Sá Fernandes e Ruben de Carvalho. Negrão, que quererá, como ontem, vir invocar o que Costa fez no Governo, poderá ficar a falar sozinho. Terá, isso sim, que sair de Setúbal (onde mora e é eleitor) e vir conhecer Lisboa. Saber se o túnel do Marquês melhorou ou não a circulação automóvel, se há solução para a Baixa-Chiado, para os bairros sociais, para o caos financeiro. Depois, noutros 'fora' pode confrontar Costa com o que quiser.

Música do meu tempo (21)


The Mission - "Butterfly On A Wheel"

Quarta-feira, Maio 16, 2007

Para o João Queiroz

Há muitos anos, numa das minhas mudanças de casa, um amigo apiedou-se das paredes nuas do meu T1 e ofereceu-me um quadro, um original pintado por um seu amigo de infância. Era um perfil severo e pencudo, traçado em fundo azul. "Espinoza", anunciou o meu amigo. Ao autor, João Queiroz, previa um bom futuro.
O enigmático perfil de Espinoza passou a acompanhar-me para todo o lado e a ocupar um lugar de destaque em todas as minhas casas de tal forma que, quando começaram a falar, os meus filhos peguntaram se era o pai, julgo que induzidos em erro pelo excessivo nariz de ambos.
Recentemente, em nova mudança de casa, retirei mais uma vez o Espinoza da parede para ser embrulhado e transportado. E só nesse momento reparei nas letras pequenas, traçadas a faca no fundo azul: Wttg.

João Queiroz,
Vi hoje no jornal que tem uma exposição no espaço Tranquilidade do Chiado. Segundo li, são paisagens. Quando fizer uma exposição de retratos, o Wittgenstein está comigo.

O aeroporto fica onde está

Novo aeroporto na Ota? Parece que não. Pelo menos a avaliar pelas opiniões aqui recolhidas nas últimas semanas. Na última sondagem do Corta-Fitas, que pretendia saber onde deve ser localizado o novo aeroporto internacional de Lisboa, apenas 65 leitores (18% do total) optaram pela Ota. Um pouco mais do que aqueles que preferem que o aeroporto fique no Porto (61, 17%) ou nas Faias (14, 4%). Mais aplaudida é a solução que o PSD agora defende: o Poceirão, na margem sul do Tejo (99 votos recolhidos, 27%). Mas a opção que ganhou mais simpatias foi esta: o aeroporto deve ficar onde está. Com 124 votos (34% do total). Sábia opção...
Recebemos 363 votos neste inquérito. O novo já aí está, na nossa barra lateral. Vamos a votos?

Nas colunas


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Político não entra


O Miguel sugere a Marques Mendes e Paulo Portas que escrevam no Corta-Fitas para desenjoarem. É um bom conselho aos dois políticos. Mas fica o aviso: aqui é reservado o direito de admissão.

Novo inquérito

Estreia hoje um novo inquérito no Corta-Fitas sobre as eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa. Pleno de actualidade, aqui ao lado na barra lateral:

Qual o candidato ideal para liderar a Câmara Municipal de Lisboa?

António Costa
Carmona Rodrigues
Fernando Negrão
Helena Roseta
Manuel Monteiro
Ruben de Carvalho
Sá Fernandes
Outro

P. S. - Como Paulo Portas está a fazer caixinha e ainda não avançou com nenhum nome, pode ficar com o "outro". Pelo menos até ao congresso do CDS/PP, onde promete fazer revelações bombásticas...

Momentos Kodak (51)


O que está aquela mão ali a fazer:

A ) a afastar uma mosca.
B ) vai dar um calduço.
C ) para a direita é que é o caminho.

Foto: Rodrigo Cabrita

Postal não ilustrado

Da minha janela vê-se o mar. Está furiosamente belo, o mar. Como escreveu Giuseppe Ungaretti, alexandrino mas filho de italianos e um dos melhores poetas da sua e de todas as línguas: «M'illumino d'immenso», aqui. O ocaso do Sol principia. Não há televisão ligada, nem música outra que não a das próprias vagas. Há um computador e uma placa 3G da Vodafone, isso há. Mas nada mais. E lá em baixo o silencioso chamado de uma praia deserta, convidando. A quê, isso já não é da vossa conta, seus bisbilhoteiros.

História de algibeira (21)

A Rainha D. Amélia (...) foi na opinião dos seus contemporâneos a rainha mais bela do seu tempo. (...) em 1898, aos 33 anos, apareceu ao escritor Eça de Queirós como “terrivelmente linda – e extra-amável”. Foi também uma das rainhas menos afortunadas. Cumpriu o seu papel oficial durante vinte e um anos, apenas para ver o marido e o filho mais velho morrerem à sua frente , assassinados durante um atentado em que ela teve de se defender batendo na cara de um dos pistoleiros com um ramo de flores. Aconteceu a 1 de Fevereiro de 1908, na Praça do Comércio, em Lisboa. Aos 43 anos, D. Amélia vestia-se de negro.
Pouco tempo depois (...) a mulher do representante diplomático de França em Portugal encontrou a rainha no Palácio das Necessidades, em Lisboa. (...) Acabara de enterrar o marido mais velho num país onde ninguém mostrava grande pena pelo destino da família real. O filho mais novo, que tinha sido ferido no atentado e era agora o rei de Portugal parecia ameaçado. Outros talvez se tivessem entregue ao desespero, desistido, fugido. Mas D. Amélia sabia que não era uma pessoa qualquer. Como explicou à mulher do diplomata francês: “Quando on est dans le métier, on ne lâche jamais.” Era uma rainha, nascida de uma família real. Não ia desistir, ia aguentar até ao fim, enfrentar tudo, cumprir o seu dever.

Excerto da introdução de Rui Ramos ao livro Rainha D. Amélia Memórias Inéditas de Lucien Corpechot, Editora Caleidoscópio Abril 2007.

Imagem: D. Amélia em visita ao Dispensário de Alcântara - daqui

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Tudo simplex, um dia de trabalho perdido.

Instruído pela repartição de finanças, hoje pela fresca dirigi-me à Segurança Social de Cascais para obedientemente me inscrever como trabalhador independente. Sete foram as horas de espera para entregar os ditos papéis a uma ríspida funcionária. Perguntei-lhe por que não tornar o raio da formalidade um acto mais simples, automatizado até, e foi-me explicado que os dois organismos não cruzam dados (deve ser muuuito difícil pensei eu). Acrescentou contrafeita que estes serviços “simples” deverão estar disponíveis pela Internet em breve. O país espera.

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Sarkozy arrive, Chirac s'en va



Passation de pouvoirs entre M. Chirac et M. Sarkozy (video)

A dúvida

José Sócrates, que não foi fazer comícios à Madeira por se tratar de uma eleição regional, participará na campanha de Lisboa, onde a eleição é municipal?

Portas abertas: do TC para o MAI

Sobre o que escrevi aqui ontem, leia-se hoje o meu amigo Carlos Abreu Amorim e o constitucionalista Vital Moreira. Insuspeitos de algumas vez terem estado de acordo...

À quinta no 5

A Marta Rebelo não pára de nos surpreender. Agora vai estar no Cinco Dias às quintas-feiras. Indispensável.

Tertúlia literária (181)

- Sou viciado em badanas. Sempre que vejo um livro vou logo espreitar a badana.
- Isso acontece-me com o frontispício. Não consigo resistir a um bom frontispício.
- O que é um frontispício?
- Digo-te se primeiro me explicares o que é uma badana.

O fim da era Mendes

A escolha de Fernando Negrão como candidato do PSD nas eleições intercalares à Câmara Municipal de Lisboa pode ser o princípio do fim da era de Luís Marques Mendes à frente do partido. Tendo contribuído de forma decisiva para a queda de Carmona Rodrigues, o facto de Mendes não ter conseguido seduzir ninguém para a batalha em Lisboa contra António Costa é um péssimo sinal. Revelou que está sozinho ou, no limite, muito mal acompanhado. Perante o rol de recusas que recebeu, Mendes deveria ter dado o exemplo. Era candidato. Como responsável máximo pela situação e pela gestão caótica do dossier, deveria ter-se chegado à frente. E ele próprio seria um candidato muito mais forte contra António Costa do que Negrão. Mendes teria tido francas hipóteses de ganhar: com a esquerda dividida e Carmona Rodrigues indeciso quanto a uma candidatura independente, o líder do PSD mostrava os dentes aos seus adversários internos e provavelmente arrumava a questão das directas de 2008. Teve receio, não teve coragem. Os grandes políticos vêem-se sobretudo nestes momentos.

Música do meu tempo (20)


Simply Red - "You Make Me Feel Brand New"

"Falar de blogues"-Amanhã

17 de Maio, às 19 horas, na livraria Almedina, Atrium Saldanha, Lisboa

Há cronistas que têm blogues. Porquê? O que acrescenta o blogue à crónica na imprensa e ao comentário na televisão?

Abrupto, José Pacheco Pereira
Bicho Carpinteiro, José Medeiros Ferreira
Bomba Inteligente, Carla Quevedo
Glória Fácil, Fernanda Câncio

Há partidos com problemas sérios

Reunião da célula de Lisboa do PNR.
- Companheiros, vamos apoiar o Negrão?
- Não podemos, é contra os estatutos.

Terça-feira, Maio 15, 2007

A enésima escolha

Marques Mendes encontrou finalmente um candidato para Lisboa: Fernando Negrão. Depois das recusas de Manuela Ferreira Leite, Paula Teixeira da Cruz, Joaquim Ferreira do Amaral, Eduardo Azevedo Soares, Fernando Seara, Marcelo Rebelo de Sousa, Alexandre Relvas, Álvaro Barreto e José Pacheco Pereira, entre os que foram efectivamente convidados e os que só foram sondados.
Negrão, note-se, nem sequer é filiado no PSD - tal como Carmona Rodrigues, cuja relação com o partido produziu os resultados brilhantes que hoje todos conhecemos. Nenhum militante social-democrata quis dar o passo em frente, ajudando Mendes a descalçar a bota. Negrão é uma pessoa estimável, mas incapaz de ombrear com o peso político do candidato socialista, António Costa. O PS agradece certamente esta escolha do PSD. Assim tudo se torna mais fácil.
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Ler também:
- "O Barrete", de João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos
- "Fazer do céu cebola", de Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado
- "Escutas", de Gabriel Silva, no Blasfémias
- "Cenário negrão para o PSD em Lisboa", de André Carvalho, na Geração Rasca
- "Onde está a militância laranja?", de Coutinho Ribeiro, n' O Anónimo

Cá vai, cá vai....

Razões de força maior - género tempestades de areia, trânsito e não ter tomado nota da password - impediram-me de chegar mais cedo a este blog que tão generosamente me acolhe no seu seio.
É, pois, com os dedos trémulos de emoção que me atrevo a partilhar uma suspeita sobre as intenções do nosso Primeiro. Despachado o António Costa para o buraco que é a Câmara de Lisboa, para o qual foi aliciado com sonhos de protagonismo e outra quinquilharia do género, falta arrumar o Mário Lino, autor da péssima piada sobre a validade do seu canudo de engenheiro quando comparado com o do nosso Primeiro. Suspeito que vai para vereador dos espaços verdes, ou assim.

Vamos ao que interessa

Sarkozy, Câmara Municipal, o que pensam as bifas das nossas preciosas moçoilas portuguesas, tudo isso está muito bem. No entanto, vejo-me obrigado a dar voz institucional aos nossos justamente impacientes comentadores. O que a malta quer mesmo saber é: QUANDO É QUE ESCREVE A CRISTINA FERREIRA DE ALMEIDA?

Pereira e Costa, Lda.

Rui Pereira acabou de decretar a morte política do Tribunal Constitucional. Nomeado há menos de dois meses para um mandato de nove anos, o jurista bate com a porta para integrar o Governo como ministro da Administração Interna. Isto depois de ter insistido com José Sócrates durante semanas para fazer parte da short list do PS para aquele órgão, afastando assim nomes como Vitalino Canas. Pereira lá entrou, mas não conseguiu o seu objectivo, que era chegar a vice-presidente do TC, para, numa lógica de médio prazo, vir a presidir ao órgão. Rui Pereira, recorde-se, já tinha sido hipótese para Procurador-Geral da República, proposto por Sócrates, numa tentativa de remover Souto Moura antes do prazo de validade. Na altura, Jorge Sampaio impediu que as intenções do PS se concretizassem.
António Costa prova a sua vocação para salva-vidas do secretário-geral. Em três anos é cabeça de lista ao Parlamento Europeu e larga Estrasburgo para vir para o Governo, como seu número dois. Agora larga o MAI para ir para os Paços do Concelho, evitando mais uma derrota política de Sócrates. O País soma e segue.

Sarkozy em directo

Parece que, segundo a Embaixada de França, o France 24 vai transmitir em directo (via Internet e televisão) o discurso do fim de mandato de Jacques Chirac (hoje às sete da tarde) e a cerimónia da passagem do poder para Nicolas Sarkozy, amanhã a partir das 10 da manhã. Isto, sim, é serviço público.

As portuguesas serão mesmo assim?

Com a devida vénia à nossa Miss Pearls, a quem fui roubar isto, aqui fica um controverso olhar britânico sobre as mulheres portuguesas. Quem quiser, faça o favor de comentar. Eu fiquei sem palavras.

Sugestão para Lisboa


O PSOE, campeão da introdução das quotas femininas na política espanhola, vai ainda mais longe nas próximas eleições autárquicas e regionais. Não basta haver mulheres: é preciso que sejam muito giras. No País Basco, o partido de Zapatero incluiu nada menos do que a vistosa Miss Euskadi, Azucena Ordoñez (delicioso nome!), a abrilhantar a lista. "Sus casi perfectas medidas no son un requisito esencial, aunque sí ayuda, para cruzar la pasarela de la política", escreve o diário El Mundo, numa prosa compreensivelmente arrebatada. Fica o exemplo, à consideração de todos os partidos concorrentes à Câmara Municipal de Lisboa. A começar no PSD, que só falta pôr anúncios nos jornais a implorar por um cabeça-de-lista com carácter de urgência...
Foto: El Mundo

Pela democracia e por Lisboa...

Não haverá por aí nenhum voluntarista e patriótico advogado que interponha rapidamente uma providencia cautelar ao Dr. Sá Fernandes inibindo-o de boicotar impunemente a governação da câmara por mais dois anos? Alguém, utilizando as artimanhas deste inqualificável edil, lhe deveria assacar as responsabilidades por tanto prejuízo causado à cidade de Lisboa.

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Tertúlia literária (180)

- Leu o Memorial do Convento?
- Não. Sou agnóstico.

Costa, o imbatível?

António Costa é, obviamente, um excelente candidato do PS à Câmara Municipal de Lisboa nas eleições intercalares de 1 de Julho. Melhor só António Vitorino ou talvez Jorge Coelho, noutras circunstâncias. Costa é credível, tem peso político, não é nenhum vendedor de banha da cobra como muitos que militam no PS. Sucede, porém, que é o número dois do executivo, é o suporte político de José Sócrates, é o seu Norte. É a referência de bom senso, quando muitos naquele Governo se pautam por um seguidismo cego face a Sócrates. Costa tem voz própria, gere 'dossiers' muito importantes ao nível da Administração Interna e é fundamental numa altura em que Portugal prepara a presidência da União Europeia no segundo semestre deste ano. Por isso, compreendo as reservas que certa imprensa diz que Cavaco Silva tem em relação à saída daquele nome do executivo. Compreendo também que a matéria deveria ter sido primeiro analisada com o Presidente da República, antes de o ser nos órgãos próprios do PS. Mas Sócrates está encurralado com a candidatura de Helena Roseta e com a provável profusão de candidaturas à esquerda. João Soares, António José Seguro, Ferro Rodrigues, Maria de Belém, Ana Paula Vitorino ou qualquer outro deste género não oferecem garantias de uma vitória. Costa sim.
Mas Costa não é imbatível, ao contrário do que o PSD vai julgando por estes dias. Desde que se soube que o Secretariado do PS, vulgo Sócrates, tinha escolhido o ministro que Marques Mendes perdeu o controle do processo de escolha do candidato do PSD. Com um óbvio nervosismo, Mendes deixou que várias figuras próximas de si sondassem candidatos, fizessem contactos e acabou por acontecer o insólito: Fernando Seara, que nem sequer era a primeira escolha, a dizer nas televisões que foi convidado e que por "motivos pessoais" não aceita. A partir de agora qualquer nome que não seja de primeira água será uma segunda escolha. Porque Costa não é imbatível, mas será um osso muito duro de roer. O PSD tem que apelar aos seus melhores quadros. Ao nível de uma Manuela Ferreira Leite ou de uma Paula Teixeira da Cruz. Tudo o que vier por aí abaixo estarám condenado ao mais humilhante dos resultados. A ex-ministra está bem no seu lugar de administradora de um grande banco espanhol. A advogada tem certamente motivos fortes para não aceitar. Só que pertencer a um partido como o PSD não tem só vantagens, há sacrifícios que se têm de fazer. E este era, ao mesmo tempo, o grande desafio.

Saiba mais

GEMINAÇÃO VILA DAS AVES - SAINT-ETIENNE-LES-REMIREMONT

A convite das entidades autárquicas de Saint-Etienne-Les-Remiremont, o executivo de Vila das Aves promoveu a deslocação de um grupo de 35 pessoas àquela cidade francesa, a fim de aí se comemorar o 20º aniversário da assinatura do protocolo de geminação.
Concluindo uma viagem de 25 horas, em autocarro, o grupo chegou ao seu destino, pelas 10.30 do dia 28 de Abril. Depois de uma acolhedora e, díriamos mesmo, fraterna sessão de boas vindas, pudemos degustar sabores franceses num almoço servido no Pavilhão de Desportos, onde funciona diariamente o Restaurante Escolar.O restante tempo foi de repouso e convívio nas famílias de acolhimento – ocasião propícia para partilhar conhecimentos dos respectivos países de origem e (para alguns) o alegre reviver de momentos vividos em comum, seja em Vila das Aves, seja em Saint-Étienne.

(informação e fotografia retiradas do site da freguesia)

Segunda-feira, Maio 14, 2007

Imagine-se o absurdo...

...na última jornada o Futebol Clube do Porto está a ganhar ao Desportivo das Aves nas Antas por um a zero. O povo nas bancadas antecipa euforicamente a festa do título. Entretanto o Sporting está a ganhar ao Belenenses mas isso já pouco importa.
De repente, o insólito acontece: de um cruzamento fortuito o ponta de lança do Aves mete a bola dentro da baliza... com a mão! A equipa de arbitragem, num colectivo lapso de vista, valida o tento e o Porto termina o jogo empatado.
Quem seria o campeão?

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No domingo, somos todos avenses

Vila das Aves
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Vila das Aves

Brasão
Concelho Santo Tirso
Área 6,07 km²
População 8 492 hab. (2001)
Densidade 1 399,0 hab./km²
Orago S.Miguel Arcanjo
Freguesias de Portugal

A Vila das Aves é uma freguesia portuguesa do concelho de Santo Tirso, com 6,07 km² de área e 8 492 habitantes (2001). Densidade: 1 399,0 h/km². Foi elevada a vila em 4 de Abril de 1955, sendo até aí conhecida somente como Aves.
Aqui se situa a Escola da Ponte, uma escola básica particular que segue o paradigma da educação inclusiva.
O Clube Desportivo das Aves é o clube de Vila das Aves.

Já vi

Maria João Avillez entrevistar Maria José Nogueira Pinto na SIC Notícias.

Gostaria de ver

Judite de Sousa entrevistar Fernando Seara numa Grande Entrevista da RTP.

À boca da urna

As eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa estão marcadas para o dia 1 de Julho, o que fará desta campanha a mais curta da história recente. Embora alguns já estejam preocupados com o prazo mínimo para a regularização das candidaturas, com apresentação de assinaturas incluída, eu acho óptimo que a campanha seja rápida, curta, directa e forte (como diria o dr. Portas). Lisboa só ganha com isso. Espero é que os partidos aproveitem para fazer menos poluição mediática, com um recurso mais limitado a cartazes, outdoors, autocolantes e saquinhos de plástico. Lisboa também agradece. E os nossos bolsos - que indirectamente suportam as subvenções estatais a que os partidos têm direito de tempos a tempos - também.

Gostei de ler

O provedor e os dois coelhos. De João Tunes, na Água Lisa.
Casos de polícia - Homicídios políticos. De Laura Abreu Cravo, na Atlântico.
Tony Blair, um caso clínico? De António Oliveira, na Estrada Poeirenta.
Casablanca. João Caetano Dias, no Blasfémias.



Questão polémica

«Pode sempre tentar a Sapa»!!!? As queijadas da Sapa são muito melhores do que as da Periquita, por quem és! Os travesseiros, tudo bem... Mas as queijadas, senhor? Já agora, uma votação para os 5 doces regionais que nos fazem salivar seria muito mais profícua do que essa dos blogues que anda para aí, e que lembra o Festival Eurovisão da Canção com cada um a dar votos aos vizinhos. A minha lista é esta:
Queijadas da Sapa, na Volta do Duche em Sintra.
Beija-me Depressa nas "Estrelinhas", frente ao Nabão em Tomar.
Pão de Ló na bomba da Repsol, ex-Sacor, em Rio Maior.
Pão de Rala no Alpendre, em Arraiolos.
Dom Rodrigos no Charneco, em Estombar, Lagoa.

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Dias portugueses

Algures numa praia cheia nos arredores de Lisboa, quatro motas de água circularam livremente junto aos banhistas. Depois chamam-lhe acidentes ou fatalidades. Vão para o raio que os parta.

Algures nuns subúrbios totalmente caóticos e indescritíveis, sai de uma vivenda (igualmente indescritível) um sujeito com uma tshirt da selecção, com uma super bandeira da selecção nas janelas e, num acto de amor à Pátria, despeja o lixo numa lixeira a céu aberto a 15 metros de casa (com sofás velhos, colchões, fogões e toda a espécie de porcarias.)

Algures numa praia nos arredores de Lisboa, uma jovem usa uma tshirt da selecção com os dizeres "Até os comemos". O que comeram não sei, mas as latas e as garrafas lá ficaram, vazias. Mais amiguinhos da pátria.

Algures na estrada para Lisboa, numa fila com algum trânsito, sai um casal de um carro, aproxima-se aos gritos do carro da frente, desatam aos pontapés ao carro e ao sujeito que se encontra dentro do carro através da janela aberta. Tão assustada, nem ohei para as t-shirts.

Algures num bairro "fino" da cidade, vejo duas carrinhas em movimento com os condutores animados ao telemóvel. Instaladas nas cadeirinhas, duas crianças por viatura. Não, não e não.

Algures numa rua no centro da cidade, um sujeito tenta estacionar em cima da passadeira. Uma transeunte ajuda-o e ajeitar a viatura: "um nadinha mais para trás. Isso. Bem em cima das riscas. Perfeito, disse ela rindo-se. " Finalmente entendeu. Estava difícil.
(Baseado num post escrito em Junho 2006 )

A vantagem de Seara


Fernando Seara poderia sempre trazer a Periquita para Lisboa, não? Desde pequenino que adoro os travesseiros e as queijadas e, como já não temos lá casa (foi-se em pleno PREC), dava sempre jeito, poupava-se na viagem e naquele trânsito infernal do fim de semana. Também evitava o IC-19, que não há meio de virar auto-estrada. Aceite lá o desafio do dr. Mendes, caro amigo, e, se não conseguir trazer a Periquita, pode sempre tentar a Sapa, o Gregório ou a Casa do Preto. Eu que fui baptizado ali em S. Pedro de Sintra ficava-lhe muito agradecido...

Os tugas (4)

- Ó mãe, para onde deito este papel?
- Ó filha, não me chateies. Deita para o chão!

Os tugas (3)


Ela já é muito gorda (agora diz-se hiperobesa), mas vai comendo com sofreguidão uma grossa barra de chocolate de leite com avelãs para acentuar ainda mais as curvas e contracurvas. Previdente, comprou uma igual para a filha: há que manter a Tugalândia no primeiro lugar europeu da obesidade juvenil feminina.

Blogger, O Pensador

Corre por aí um novo concurso onde o Corta-Fitas foi brindado (e já é a segunda ou terceira vez) com um elogioso prémio. Desta vez, o excelente Geração Rasca elegeu-nos (muito bem acompanhados) como um dos cinco melhores Thinking Blogs. Como a iniciativa me parece louvável, aqui vão cinco blogues de que gosto muito e outros cinco de que gosto imenso (não vou incluir aqui o da nossa Miss Pearls para não ser acusado de favorecimento)...

Blasfémias
Bloguítica
Atlântico
Origem das Espécies
Grande Loja do Queijo Limiano

Portugal dos Pequeninos
Geração de 60
Tugir
31 da Armada
A Lasciva

P. S. - Como é evidente, a lista é demasiado curta, por isso optei por pôr mais cinco, dos quais gosto tanto como os outros. Ainda estou aqui a pensar em mais uns dez ou 15, mas não quero abusar...

Tertúlia literária (179)

- Comecei a ler Uma Família Inglesa.
- Então porquê?
- Por causa daquilo que aconteceu lá no Algarve.

Hemisfério feminino

Gosto muito do que escrevem a Leonor Barros, a Laura Abreu Cravo e a Ana Cláudia Vicente. Três prosas no hemisfério feminino da blogosfera que nunca me canso de ler. Antes pelo contrário.

Aves raras


O campeonato português de futebol, vulgo Liga Bwin, está, como diz o povo, "ao rubro". Ontem alguns de nós aqui éramos "pacences", a partir de hoje somos todos "avenses". Ou lá como é que se chamam os bravos habitantes de Vila das Aves. Diz-me um amigo meu que o Desportivo das Aves é um clube diferente dos outros. Cumpridor, zeloso dos seus compromissos fiscais e outros, só se mete naquilo onde acha que pode sair vitorioso ou honrado. Espero que cumpra no Dragão, na última jornada. Aquela que dará o título ao Sporting Clube de Portugal. Este ano bem merece.

Música do meu tempo (19)


Lloyd Cole and The Commotions - "Forest Fire"

Recomendação

Li neste fim-de-semana o livro Avenida Paulista, com as crónicas que João Pereira Coutinho escreveu para a Folha de São Paulo e Folha Online, que saiu com a última edição da revista Sábado. São extraordinariamente bem escritas, inteligentes e com um humor raro de encontrar em Portugal. São até melhores do que aquelas que o autor publica nos nossos jornais. O que, por um lado, me deixa com inveja dos brasileiros, mas, por outro, me enche de satisfação por ver que podemos "mostrar" no Brasil pessoas desta categoria.

Imagens



Fátima - Maio de 2007.

Domingo, Maio 13, 2007

Domingo

Evangelho segundo São João - 14, 23-29

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou. Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes que Eu vos disse: Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu. Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis».

Da Bíblia sagrada

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Os tugas (2)

Aos domingos o tuga veste o casaco de fato de treino, arrasta o chinelo durante meio quarteirão e regressa à toca satisfeito: diz à patroa que esteve a praticar desporto.

Os tugas (1)


Sessão matutina de acordeão no metro. Começa com "Over the Rainbow", mas logo resvala para Quim Barreiros. Percebo bem o ceguinho: por cá não há outro meio de conseguir esmola.

Fernando Santos ainda acredita que o Benfica pode ser campeão. Nada mais apropriado em dia de Nossa Senhora de Fátima.

Pensamento do dia

Hoje, somos todos pacenses.

Sábado, Maio 12, 2007

Momentos Kodak (50)

90.º aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima.
(Maio 2005)
Foto: Rodrigo Cabrita

12 de Maio


Hoje, antes que termine esta data especial para todos os budistas, deixo-vos uma oração:
«Pelo poder e pela verdade desta prática,
Que todos os seres venham a alcançar a felicidade e as causas da felicidade,
Que todos os seres se livrem dos desgostos e das causas dos desgostos;
Que todos eles nunca sejam separados da felicidade sagrada que é sem desgostos,
Que todos eles possam viver em igualdade, sem demasiados apegos e sem demasiadas aversões.
E que vivam a acreditar na igualdade de todas as vidas». OM

Desaparecido em combate

Ao longo de todo este processo pré-eleitoral em Lisboa, Manuel Maria Carrilho andou desaparecido em combate. O que aliás já se adivinhava, dada a sua anterior deserção num momento crucial, defraudando as expectativas dos (poucos) eleitores que nele confiaram há dois anos. O facto de o seu nome nem sequer ter surgido agora na lista dos candidatos a candidatos pelo PS só confirma que o próprio José Sócrates reconhece hoje o enorme disparate que cometeu ao dar-lhe luz verde para avançar como cabeça de lista do partido à câmara da capital nas autárquicas de 2005.

O corredor de fundo e o beco sem saída

A entrada de Helena Roseta na corrida autárquica a Lisboa já teve um mérito: forçou José Sócrates a encontrar um candidato socialista de primeiro plano e a abandonar as tentativas de lançamento de actores secundários para o lugar até agora ocupado por Carmona Rodrigues. Isto se quiser evitar uma quarta derrota eleitoral consecutiva (depois das autárquicas, das presidenciais e das regionais na Madeira). Percebo que António Costa esteja com vontade de avançar: sai na hora certa de um governo que começa a meter água por todos os lados e prepara-se para voos mais altos num local adequado. Se há corredores de fundo na política portuguesa, Costa é um deles. E se há coisa que os corredores de fundo detestam são becos sem saída.

Descubra as diferenças

"Sou contra a judicialização da política", declarou Paulo Portas. "Peço aos lisboetas para dizerem não à judicialização da política", disse Carmona Rodrigues no mesmo dia e quase à mesma hora. Pode ter sido mera coincidência, admitem alguns. Eu não. Há muito que deixei de acreditar em coincidências.

Vá lá, mãozinhas à palmatória


Vivo e trabalho na zona directamente afectada pelo túnel do Marquês e durante seis anos ouvi tudo e mais alguma coisa sobre ele. Que não ia resolver nada, que não tinha segurança, que a inclinação era proibida pela União Europeia, que passava a não sei quantos centímetros do túnel do metropolitano, que ia aumentar a poluição, etc, etc. Depois, quando abriu, depois de mais não sei quantos alertas de "especialistas" em segurança, o trânsito melhorou imenso e as pessoas gostaram. Mas os jornalistas, entre os quais alguns com quem falei pessoalmente, e outra "vozes autorizadas", de má vontade, lá alertaram: "tá bem, isto é dos feriados, a cidade está vazia, deixa chegar uma semana normal e vais ver se resolve alguma coisa". Pois bem, essa semana "normal" acabou de passar e eu testemunhei pessoalmente, de carro e andando a pé por ruas antes totalmente engarrafadas na hora de ponta do fim da tarde (Joaquim António de Aguiar, Castilho, Alexandre Herculano, Braamcamp, Barata Salgueiro, Av. da Liberdade, Rodrigues Sampaio, Fontes Pereira de Melo, António Augusto Aguiar, a própria rotunda, entre muitas outras), a extraordinária melhoria que o túnel veio trazer. Todos os especialistas que andaram entretidos durante anos a pôr defeitos na obra estão caladinhos que nem uns ratos, a começar pelo "inqualificável" José Sá Fernandes (para usar o termo que ele gosta tanto de aplicar aos outros...) que no dia da abertura punha um ar grave e, como tem que dizer sempre qualquer coisa quando lhe põem um microfone à frente, aconselhou os autombilistas a andarem a 30 km/h no túnel. Uma jornalista, quando lhe perguntei, "então que tal o túnel?", lá respondeu contrariada que já tinha havido dois "acidentes"...ou seja, dois toques entre dois carros....Ou seja, não há nada a fazer. Por honestidade intelectual, já não espero nada dessas pessoas, no reconhecimento dos erros que alimentaram durante anos. Mas, apesar de tudo, esperava um mínimo de decência.

Sexta-feira, Maio 11, 2007

A ler

1. "Sem limites", do Vítor Cunha.
2. "Céu muito nublado em Lisboa", do Paulo Gorjão.
3. "E agora, Lisboa!", de Sofia Loureiro dos Santos.
4. "O tempo da Justiça", de Pedro Norton.
5. "Obama passa Hillary pela primeira vez", de André.
6. "O mesmo problema", do Carlos Furtado.
7. "Tem de ser regulamentado!", do Carlos Abreu Amorim.

Boas vindas

A Cristina Ferreira de Almeida, minha querida amiga de longa data, juntou-se a nós e cabe-me a mim dar-lhe as boas vindas. Não vem preencher nenhuma quota, nem ela é do género de escrever "no feminino" ou algo no género. O que interessa é que diz o que tem a dizer com muita personalidade e sem medos. Espero que encontre neste blogue um lugar onde se sinta sempre à vontade. Por acaso, não sei se ela é do Sporting e agora, no caso de não preencher esse importante requisito, já é tarde para lhe retirar o convite.

Sexta-feira


Adriana Sklenarikova.

Costa sob pressão

Alegadamente, os membros do Secretariado do PS querem António Costa para candidato à Câmara Municipal de Lisboa. Primeira explicação: os membros do secretariado, o órgão de cúpula socialista, não contam. Quem decide é José Sócrates. O facto de ser atribuído esse desejo a um colectivo partidário e não ao seu líder, que é simultaneamente primeiro-ministro, significa, antes de mais, o receio de que Costa não aceite. O respeitinho e, ao mesmo tempo, a falta de coragem de Sócrates em assumir a sua vontade.
A verdade é que Sócrates está num beco sem saída, depois do anúncio de candidatura de Helena Roseta e das recusas de Ferro Rodrigues e supostamente de António José Seguro, um nome que o primeiro-ministro nunca quis, mas que chegou a testar em sondagens. Resta quem? João Soares? Talvez. Ana Paula Vitorino? Um suicídio. Edite Estrela? Um desastre ambulante. Maria de Belém? Faria certamente uma campanha animada, combativa e certeira, só não se sabe se seria suficiente. Mas António Costa é um upgrade, é a demonstração de que Sócrates teme o "efeito Roseta". Por isso, resolveu chamar o seu melhor nome. O número dois do Governo. O homem que o substitui nas ausências para férias no Quénia, no Brasil ou na neve. O bombeiro para todo o serviço.
Só que António Costa, se for realmente inteligente, como penso que é, não aceita. Ao trocar o cargo de ministro de Estado e da Administração Interna pelo de candidato à CML estará a rebaixar-se mais do que a acudir ao primeiro-ministro. Estará também a hipotecar o futuro, no cenário pós-Sócrates, lá para 2013. Tudo porque uma vitória em Lisboa, apesar do marasmo no PSD, é tudo menos segura a partir do momento em que Roseta entrou na corrida.
Costa está neste momento entre duas apostas: na casa preta, a de vir a ser uma espécie de Fernando Nogueira daqui a uns anos; na casa vermelha, a de arriscar tudo o que tem e não tem numa luta imprevisível que, se for bem sucedida, lhe dará dois anos e meio de dores de cabeça e nenhum poder. Nem político, nem estratégico.

Música do meu tempo (19)


The Cars - "Drive"

Quinta-feira, Maio 10, 2007

Alguém falou em circo?

Fui eleito pelas pessoas da minha cidade. Saio agora com o voto dos partidos

Digam não à vaidade, aos jogos partidários e à jurisdição política

"Vi-me transformado de bestial em besta e no bode expiatório de todos os interesses que giram em torno desta câmara. Mas não abandonei o barco e continuo a acreditar que o tempo me dará razão" - Carmona Rodrigues.

... Das ist Portugal.

O circo continua

Em Portugal, nada parece acontecer até às 20 horas de cada dia. Sucedem-se, neste instante, as conferências de imprensa “em directo”, sem intervenção jornalística: os repórteres limitam–se a estender os microfones. E já nem arriscam perguntas, na certeza antecipada de não haver respostas. É uma esquizofrenia tipicamente portuguesa. Que só perdura por culpa exclusiva das nossas televisões. Na ânsia do “directo”, fornecem tempo de antena gratuito a qualquer um. Que tanto pode ser o primeiro-ministro como o presidente do Benfica, tanto pode ser o presidente demissionário da Câmara de Lisboa como o director da cooperativa que "dirige" a Universidade Independente, tanto pode ser o líder do PSD como um indivíduo barricado não sei onde a reivindicar não sei o quê. O circo continua. Sempre com hora marcada: as oito da noite. Antes da telenovela.

A situação mudou



Paulo Gorjão, em Bloguítica, elogia a posição de Marques Mendes sobre o novo tratado europeu e lembra afirmações do líder do PSD, segundo o qual deve haver referendo em Portugal “qualquer que seja o conteúdo” do tratado, por ter sido esta a promessa de todos os políticos. Escreve Paulo Gorjão: “Ao contrário do que mandaria o manual pragmático de regras de procedimento, Marques Mendes, voluntariamente, retirou a si próprio qualquer margem de manobra numa questão de princípios. Ainda bem”.
Concordo com o que escreve o autor de Bloguítica, mas discordo do elogio. Penso que a posição de Marques Mendes constitui um erro político.
Confirmada a eleição de Sarkozy, os líderes europeus tentarão aprovar um tratado limitado ao que consideram essencial: as regras institucionais da UE. O plano A inclui presidência fixa, comissão de pequena dimensão, MNE vice-presidente da comissão e alargamento das maiorias qualificadas. Será mais fácil fazer cooperações reforçadas e haverá políticas comuns em novos domínios, como justiça e imigração.
Isto será vendido como mini-tratado, tem tudo o que é necessário e pode ser ratificado pelos parlamentos nacionais (em França ou no Reino Unido).
Feita esta negociação, que até pode coincidir com o fim da presidência portuguesa, Marques Mendes terá o seu bizarro referendo, que presumivelmente servirá para dizer “sim”. E se o povo português disser “não”? Volta tudo à estaca zero?
Os políticos devem cumprir as promessas, concordo, mas não devem cumprir aquelas que a realidade entretanto tornou irreflectidas.

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Estrelas de cinema (7)


BABEL *****
A grande injustiça da noite dos Óscares de 2007 (confirmei agora) foi o facto de esta longa-metragem ter ficado ofuscada na corrida às principais estatuetas pela vitória de Entre Inimigos – uma fita menor do grande Martin Scorsese. Babel – filme maior do mexicano Alejandro González-Iñárritu – é um fabuloso retrato do nosso tempo. Um tempo marcado pela angústia, pela incerteza, pela indefinição, pela aparente dissolução dos laços sentimentais, pela consciência clara de que o velho mundo morreu e o novo que vai emergindo tem contornos ainda obscuros. Falado em quatro idiomas (inglês, castelhano, árabe e japonês), faz jus ao título com este singular toque de originalidade, destinado a sublinhar que continua a ser muito mais o que nos divide do que o que nos une apesar dos apelos politicamente correctos em defesa de um mundo sem fronteiras. Que pode haver de comum entre o viúvo japonês de classe média-alta residente em Tóquio e o humilde pastor marroquino que cria cabras entre cardos? Babel fala-nos disto. E também dos subtis traços de união entre fenómenos que à partida ninguém diria interligados. Nada acontece por acaso.
O filme de Iñárritu é muito bom pelo argumento, pela narrativa, pela montagem, pela banda sonora. E também pela excelente qualidade dos seus intérpretes, com destaque para a japonesa Rinko Kikuchi e a mexicana Adriana Barraza, que ombreiam com a nata de Hollywood, representada nesta película por Cate Blanchett e Brad Pitt. Há aqui amor ao cinema. A um cinema ancorado no real – um cinema com poeira e lágrimas e suor e sangue. Nada de academismos decorativos: o compromisso de Babel é com a arte. Mas também com a vida.

A ler

1. O Triunfo da Ciência Arguidológica, de João Caetano Dias: "Há que saber separar o arguido trigueiro do arguido de joio. O facto de Jaime Soares se ter mantido em funções até hoje e não ter sido atirado pela borda fora pelo presidente do PSD, é uma prova da refinada capacidade de avaliação arguidológica do líder laranja".
2. Pedra de Roseta, de Paulo Gorjão: "Se o desempenho eleitoral de Roseta conduzir a uma votação final em que o PSD obtenha mais votos do que o PS, automaticamente os grandes derrotados serão os socialistas e José Sócrates em particular".
3. O Mal Amado, de Rui Ramos: "A política é o contrário da natureza: tudo se cria e tudo se perde, mas nada se transforma. Assim foi com Blair. Não houve queda e decepção, porque nunca houve apogeu e entusiasmo".
4. Coisas que me comovem, de Helena Ayala Botto: "Imaginar o sorriso de mosca gigante na cara de Manuel Monteiro por ter metade dos deputados que tem Paulo Portas na Madeira".
5. Óleo para fritura..., de Nuno Ribeiro da Silva: "Na América, a Venezuela, a Bolívia, o Equador e o velho de Cuba, insultam os Estados Unidos e interferem desesperadamente na política interna das duas clássicas potências regionais, o grande Brasil e a Argentina".
6. Um homem do fado, caça e das toiradas só podia ser um dos nossos, do Rodrigo Moita de Deus: "Em nome da direita portuguesa queria agradecer, penhoradamente, ao Dr. Manuel Alegre. Depois de ter sido o único candidato que verdadeiramente nos representou nas últimas presidenciais, o seu contributo para uma candidatura de Helena Roseta pode conseguir o que todos julgavamos ser impossível: uma vitória do PSD na câmara de Lisboa".

A saída de Blair

Tony Blair anunciou oficialmente a sua saída (que será a 27 de Junho) num discurso de grande qualidade, onde mostrou mais uma vez os seus enormes dotes de orador. Penso que Blair foi um dos melhores primeiros-ministros britânicos do pós-guerra e, certamente, um líder que ficará na história (onde muitos só conseguem acesso às tradicionais notas de rodapé). É ainda cedo para fazer um balanço, mas o Reino Unido é hoje um país mais próspero e influente, sem ter perdido o seu lugar na Europa. Blair também mostrou novos caminhos à esquerda e não é de todo líquido que Gordon Brown, o seu sucessor, não possa vencer as próximas legislativas. Há ainda outro ponto: após dez anos no poder, e apesar das controvérsias (sobretudo o erro do Iraque), o primeiro-ministro britânico deixa o seu país numa situação política sólida, sem divisões insustentáveis ou excessos ideológicos.

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Música do meu tempo (18)


The Go-Betweens - "Streets of your town"

Homens (2)

Com um brilhozinho nos olhos
Perto de minha casa há uma florista. A avaliar pelo entra-sai, há muita clientela a comprar flores(e a que preços!). Mas hoje, não é a clientela no geral que me interessa. São os homens. Reparo com atenção quando saem com os seus ramos de flores (gostam muito do rosas, os cavalheiros), com alguma timidez, embaraço, sem jeito, a atravessar a rua em passo de corrida, pode ser que ninguém os veja, Deus queira que ninguém os aborde. O homem com quem hoje me cruzei, por exemplo, com um valente ramo de flores, quase que poderia dizer que sorria. Um sorriso apertado, envergonhado, indecifrável, mas era um sorriso. Como se o acto de transportar aquele ramo não estivesse na sua natureza, receoso que alguém lhe adivinhasse os pensamentos, o destinatário, lhe descobrisse a intenção, lhe capturasse o momento. No entanto, aquele homem sem jeito e possivelmente sem hábitos de florista, sorria. Aquelas flores tinham uma história, talvez fossem o início ou o mais um momento de uma história. Um romance, pensei logo. Um ramo de flores para fazer alguém feliz. E quando o homem se cruzou comigo, percebi que a felicidade era também aquele momento. Onde estarão agora aquelas flores? Abandonadas, espero, mas não esquecidas. Como lhes compete.

Com um brilhozinho nos olhos
dissemos sei lá
o que nos passou pela tola
do estilo: és o number one
dou-te vinte valores
és um treze no totobola
e às duas por três
bebemos um copo
fizemos o quatro e pintámos o sete
e com um brilhozinho nos olhos
ficámos imóveis
a dar uma de tête a tête
.
(Já editado)

Homens (I)


O blogue hoje acordou mais tarde, sem praticamente ninguém na Câmara, mas cheio de vontade de dançar.
(Hugh Grant "Love, Actually")

Mal podemos esperar

O "site" do CDS parece estar finalmente a funcionar e ontem alguns tiveram o privilégio de aceder à moção de Paulo Portas por essa via. Uma moção onde o presidente do CDS diz pretender fazer um congresso em 2008, que seja de reformulação total. É aí, acredito, que as setas e a bola do símbolo vão dar lugar à árvore, para ficar igualzinho aos logos da UMP e dos 'tories'.
Entretanto, o "site" do CDS já está conforme com os desejos do líder de transformar o partido numa organização muito modernaça. Tem actualizações constantes e algumas pérolas notíciosas, como esta: "Frontal e duro. É esta a posição que Paulo Portas tomará quando se pronunciar sobre a actual situação na Câmara Municipal de Lisboa que, segundo este, será para breve. O líder dos democratas-cristãos tem mantido o silêncio em relação a toda a agitação vivida na autarquia de Lisboa nos últimos dias. E, sobre quando irá falar sobre toda esta crise, o líder do CDS-PP disse apenas que 'não falta muito', para além de que, o que tem para dizer 'é curto, directo, frontal e, em alguma medida, duro'."
O estilo da escrita não é bem a do antigo Independente, mas ao menos é "curto, directo, frontal e duro"... Pelo menos em "alguma medida". Só não percebo é todo o secretismo e reserva a falar com o "site" do próprio partido. Qualquer dia ainda temos Portas a responder desta maneira a um dos meninos que fazem o "site": "Sobre isso, não presto, neste momento, quaisquer declarações". O Paulo não tem mesmo noção.

Mail


O blogue hoje acordou mais tarde porque fomos ao correio buscar este postal que o João Villalobos nos mandou do Baleal. Isto não se faz! O resto do blogue a trabalhar no duro e o João naquelas andanças. Grandes férias...

Quarta-feira, Maio 09, 2007

Lisboa de saias

Acabo de ouvir Maria José Nogueira Pinto numa entrevista a Alberta Marques Fernandes no canal 2 afirmando com um vivo brilho nos olhos como gostaria de voltar à Câmara numa lista independente e de “salvação” para Lisboa. Depois de Helena Roseta, não seria esta a outra figura de proa, capaz de liderar uma lista que dignificasse este imprevisto acto eleitoral? Será Marques Mendes capaz de por momentos desligar “o aparelho” para dar ouvidos a uma alternativa à direita capaz de recuperar Lisboa?

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Agora é que são elas

O anúncio da candidatura independente de Helena Roseta à Câmara Municipal de Lisboa veio baralhar todas as contas dos principais partidos. PS e PSD, que neste momento ainda não têm candidato, correm o risco de ter um independente a entrar directamente no seu espaço político, isto a confirmar-ser também a candidatura de António Carmona Rodrigues. Caso este não avance, o que acredito, o PS tem um problema grave em mãos e poderá mesmo ver a CML voltar às mãos do PSD. Agora sim, Paula Teixeira da Cruz deve avançar. Tem o caminho livre, pelo menos até haver uma decisão definitiva de Carmona.Helena Roseta poderá fazer uma boa campanha. É combativa, domina os assuntos (é bastonária da Ordem dos Arquitectos) e entra num eleitorado que até pode secar candidaturas como a de José Sá Fernandes. Não duvido que venha a ser eleita vereadora. Tem a vantagem de ter toda a estrutura de campanha que serviu Manuel Alegre nas últimas presidenciais e que rendeu cerca de um milhão de votos. O Movimento de Intervenção e Cidadania (MIC) é uma máquina que tem estado a aquecer os motores, agora poderá carburar e destilar todo o seu ódio e discordância pelas propostas políticas do PS da era Sócrates. Alegre vai estender uma passadeira vermelha para Roseta chegar aos Paços do Concelho.

Estes é que dão que pensar

Ao ler este post do João Villalobos, fiquei quase deprimido. Então essas renas e veados têm quase tanta audiência como nós? Então uma coisa dessas merece uma visita que seja do nosso João? Por amor de Deus, concentra-te mas é em blogues como este, este e este. Ficas mais bem servido.

Dúvidas que fazem pensar

Uma visita ao Blogómetro e o que descubro? O Corta-Fitas ultrapassou em visitas o Renas e Veados. É um espaço que não visito com a assiduidade devida. É um blogue que faz pensar. Pensar, por exemplo, no horrivelmente doloroso que pode ser depilarmos o rabo. E o que se pode ler, nesse espaço dedicado a homens que gostam de outros homens de uma forma diferente da padronizada pelas constragendoras leis da nossa obsoleta sociedade? Por exemplo, coisas como esta: «Seria Jesus homossexual? Já aqui colocámos esta dúvida, cuja resposta é afirmativa no entender de alguns historiadores». No meu entender, que não sou historiador, os homossexuais estão a ficar cada vez mais como os maçons, no que toca ao revisionismo histórico. Para um maçon, toda a gente com o nome na enciclopédia vestiu avental. A estes senhores do R&V, pelos vistos nem Jesus escapa. Chamem-me o que quiserem, mas acho que deviam era preocupar-se com o que é de César, já que a mulher dele não vos interessa.

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Teaser

O Corta-Fitas vai conhecer novos e interessantes desenvolvimentos. Muito em breve. Stay tuned.

Isto sim, dá que pensar

Uma loura ou talvez três

Salma Hayek vai ter de esperar. Afinal parece-me que acertei ao lado: as candidatas a Lisboa vão ser louras. Pelo menos uma. Ou talvez duas. Ou mesmo três.

Pensieri, pensieri...

Teve hoje lugar um almoço corta-fiteiro em Campo de Ourique, por decisão da ala Tavorista. Parece que ainda ninguém regressou do dito almoço e continuam às voltas com a cataplana de marisco e as imperiais fresquinhas. Por isso, e só por isso, eu que estou de férias decidi escrever. E sobre o quê? Bem, sobre a escolha dos 5 blogues que nos fazem pensar e que se espalha pela blogocoisa, em jeito daqueles esquemas piramidais de venda directa. A escolha despertou-me uma interessante pergunta interior: Quero eu ler um blogue que me faça pensar? Nem por isso. E, mesmo não querendo, sucede-me ler um blogue e ele suscitar-me pensamentos? Também não. Vários provocam-me gargalhadas e muitos outros impropérios mas pensamentos, isso, é mais difícil.
Tomemos, num exemplo completamente ao calhas, o nosso próprio blogue e o excelente post de análise do PP, CDS ou lá o que é pelo nosso FAL. Reconheço que é um texto muito bem escrito e elaborado e li-o com muita, mesmo muita atenção. Mas depois, digamos uns 5 minutos mais tarde, obliterei-o da minha memória. Não penso nele nem em Paulo Portas, no PP ou lá como se chama.
Ora, isto que sucede comigo deu-me paradoxalmente que pensar. E concluí que sou preguiçoso que se farta. Não apenas na minha recusa de ginásios mas também, pelos vistos, na recusa de utilizar estes espaços gratuitos que são os blogues como aparelhos de exercício mental. Sofro de défice de reflexão, autodiagnostiquei-me. Vou partir em busca dessas maternidades dos neurónios, dessas salas de convite à reflexão e à aprendizagem interior. Vou começar a pensar e tornar-me uma pessoa melhor. Infelizmente, ao que parece, o Aqui Há Gatas já não existe. Mas não desistirei.

Portas e os seus novos ídolos: Copiar é feio

É a segunda vez que Paulo Portas o diz. À primeira ainda dei o benefício da dúvida, para ver se alguém de bom senso explicava aquilo melhor de tão ridículo me pareceu. Como isso não aconteceu, achei por bem explicar que isto que vem aqui escrito não faz sentido nenhum. Por muito que o dr. Portas faça o seu marketing político de trazer por casa, ninguém no seu perfeito juízo vai engolir essa de o novo CDS vir a ser construído à imagem e semelhança da UMP de Nicolas Sarkozy ou dos Tories de David Cameron.
E porquê? Desde logo porque os dois partidos de que fala o dr. Portas em história, tamanho e importância não terem nada a ver com o seu revisitado CDS. A UMP (União para uma Maioria Presidencial) é uma renovação/transfiguração do RPR (Rassemblement pour la République) de Chirac, partido poder de sempre em França, que por seu vez já era uma evolução depurada do gaullismo - que conheceu várias formas desde o original Rassemblement du peuple français (RPF) do general De Gaulle. O Partido Conservador inglês remonta aos finais do séc. XVII e, até era escusado dizer, é dos partidos a nível mundial que mais pergaminhos tem na governação, na defesa da democracia parlamentar e no sedimentar dos ideais justos na Europa e no Mundo. Na primeira versão, o dr. Portas não se cansou de garantir que era um fiel admirador de Winston Churchill e de De Gaulle com três ou quatro décadas de atraso. Na segunda, só fala em "Sarko" e Cameron, com cinco ou seis anos de décalage e já depois de ter passado pelo Governo com responsabilidades e sem seguir nenhum dos modelos passados ou presentes.
Uma coisa é o dr. Portas andar muito excitado com a vitória do brilhante Sarkozy em França e com a iminência da derrota de Gordon Brown aos pés do Vote Blue, Go Green de Cameron, outra é querer revelar alguma semelhança, por mais leve que seja, com estes dois grandes partidos. Pode custar muito ao dr. Portas ouvir algumas verdades, mas o CDS não passa hoje de um partido marginal do sistema político, sem qualquer representação autárquica ou influência no aparelho do Estado. É um partido que não aspira a ser mais do que muleta do partido que ganhar as legislativas seguintes, desde que esteja disposto a sentar uns quantos supostos democratas-cristãos para comer à mesa do Orçamento.
A UMP e o Conservative Party são dois enormes partidos, enraízados nas respectivas sociedades, com grandes estruturas, com dirigentes locais reconhecidos, com quadros bem formados. Não são partidos de opereta de um só tenor.
Eu sei que ainda vamos ver o dr. Portas passar de infoexcluído a grande manobrador das novas tecnologias. Eu sei que ainda terá um blogue como Cameron tem, só para responder às questões dos militantes e potenciais eleitores. Eu sei que o dr. Guedes ainda irá aparecer como o grande defensor do Ambiente, como "excepcional" ex-ministro que foi. Eu sei que o dr. Portas ainda vai aparecer nos bairros problemáticos, como a Cova da Moura, sem gravata a dar-se ares de Sarkozy à portuguesa. Eu sei que até é capaz de aparecer por aí todo desportivo (quem sabe até montado a cavalo?), tal como o novo presidente francês. Mas tudo irá soar a déjà vu. Não basta recauchutar os pneus do velho CDS para aquela carripana de repente passar a andar bem. É preciso ter ideias novas, não basta copiar o que está feito. É preciso ter alguma noção de portugalidade. E para fazer alguma coisa a partir do que já existe, era bem mais inteligente fazê-lo em alguma coisita que conte, que tenha peso. Que chegue lá.

Nani, o novo Giggs

Parece que o Manchester United vai enviar representantes seus a Lisboa para avaliarem a contratação de Nani, referenciado como mais que provável substituto de Ryan Giggs, no limiar dos seus 34 anos. A confirmar-se esta informação, parece-me que o Sporting Clube de Portugal terá que agir de modo muito diferente daquele que foi evidente na venda de Cristiano Ronaldo. Segundo julgo saber, o contrato com Nani terá sido renovado com uma cláusula de rescisão alta, pelo que desafio desde já os actuais dirigentes do Sporting a terem uma de duas decisões: Ou não vendem de todo o jogador este ano, valorizando o seu passe na temporada que vem com a participação na Champions League; ou então obrigam os ingleses a pagar o que for preciso para libertar o jogador. É assim que fazem os grandes clubes. O presidente Filipe Soares Franco tem de fazer ver que o Sporting não é filial do clube de Manchester.

O importante é Madeleine

Resisti quase quatro dias. Ontem, pela primeira vez, enterrei-me tenso no sofá a inteirar-me mais a fundo sobre o “Caso Madeleine” na SIC Notícias. Esta coisa quase me dá vómitos. Há um certo número de notícias às quais habitualmente resisto, "passo à frente", por confessa fuga ao incómodo da dor e ao desesperante sentimento de impotência. Normalmente escapo-me instintivamente às novelas dos incêndios de Verão, das pedofilias e demais aberrações... como o diabo da cruz.
Parece-me no entanto que, por mais incómodo que seja, o caso Madeleine é uma notícia. O caso, graças a Deus, é muito invulgar em Portugal. A mediatização destes factos é inevitável, e sem dúvida do interesse público. E não me parece que a atenção popular ao drama para já reflicta qualquer tipo de alienação de massas. Antes, acredito que o povo dispensaria de bom grado a novela decorrente e anseia apenas por um urgente final feliz. Porque quase todos somos afinal pessoas sãs e razoáveis.
Também por essa razão, como pai, recuso-me a hipotecar a liberdade da minha família cedendo à paranóia e aos “fantasmas”. Sei de antemão que o meu país (e a vida) não é, nunca foi um jardim celeste, mas nada justifica a cedência à opressão do medo, que impeça as nossas crianças de fazerem o seu caminho de crescimento, de autonomia com liberdade.

PS - Rezo a Deus por Madeleine e pelos seus pais.
PS 2 - Qualquer criança desaparecida, enquanto houver esperança, merece todos os recursos possíveis - o resto não interessa mesmo nada.

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Música do meu tempo (17)


The Church - "Under The Milky Way"

O valor do dinheiro

"A Comissão Europeia calcula que o poder de compra dos trabalhadores por conta de outrem em Portugal registou a maior descida dos últimos 22 anos, durante o ano passado. De acordo com o relatório semestral ontem divulgado, os salários reais portugueses caíram 0,9%". Esta notícia veio na imprensa de ontem e deveria impor mais respeitinho a Manuel Pinho e a Teixeira dos Santos quando invocam os números do passado. E, já agora, mais contenção quando puxam pelos seus galões. Já nem falo do primeiro-ministro, esse está sempre mais ocupado com questões fracturantes. Que eu saiba, a matéria não mereceu grandes comentários do Governo ou da oposição. Acho que o tema nem sequer é digno de levar ao Parlamento num agendamento potestativo ou num debate mensal. Afinal de contas, 22 anos é pouco tempo. Até parece que foi ontem...

Terça-feira, Maio 08, 2007

You' ve got the look?



O DN deste último Sábado trazia uma série de estudos com algumas percentagens, tipo número de pessoas que comem mais frutas e vegetais, pessoas que comem menos gorduras e percentagem de pessoas que se preocupam em ter estilo todo os dias.
Pois aqui na secção estilo, num estudo feito a 46 países, nós, os portugueses, somos praticamente imbatíveis. À nossa frente só os Brasileiros (87). Nós batemo-nos com uns dignos 79 %, seguidos da Grécia, China, Bélgica, Túrquia,Rússia, França, Argentina e Malásia.
Estamos assim no Top mais dos mais stylish e mais fashion. Isto é : "todos os dias, 79% dos portugueses olham ao espelho e analisam qual é a roupa que devem usar e qual é o penteado adequado para lhes dar um look com estilo".
Está bem que isto do estilo está mal explicado, há muitos looks, blá, blá, blá, mas já agora:
E você? Preocupa-se com o seu look?

Música do meu tempo (16)


Transvision Vamp - "I Want Your Love"

A minha candidata à Câmara de Lisboa


SALMA HAYEK. Voto nela. Para qualquer cargo.

As palavras dos outros

"A América envergonha os europeus (e, em particular, os franceses) porque foi ela que nos libertou do nazismo e do comunismo".
Bernard-Henri Lévy*

*Com a devida vénia à Marta, que transcreve esta frase no seu blogue

Ganhar na rua o que se perdeu nas urnas


Violentos distúrbios em França, pelo segundo dia consecutivo: 730 viaturas destruídas e 78 polícias feridos só em Paris. É clara a intenção da oposição informal de fazer marcação imediata de terreno contra Nicolas Sarkozy, obtendo a vingança das ruas contra o veredicto das urnas. O presidente eleito tem uma tarefa muito difícil pela frente: reformar o mais irreformável país europeu, em que o défice da oposição política é compensado pelas pressões sociais, manifestadas nomeadamente através do poderoso aparelho sindical. Como enfrentar este desafio sem perder a sua base eleitoral de apoio é o teste mais sério à liderança de Sarkozy. Que - não esqueçamos - ganhou este escrutínio também pelo mérito de falar claro num país onde os políticos adoram enrolar as palavras. Bastou-lhe chamar escumalha à escumalha para fazer toda a diferença.

Postais blogosféricos

1. O Mar Salgado festeja uma bonita idade para um blogue: quatro anos. Motivo de sobra para daqui enviar um grande abraço a todos os seus autores.
2. Também o Abrupto, de José Pacheco Pereira, está de parabéns. Por festejar igualmente quatro anos de actividade ininterrupta.
3. Mais jovem, mas não menos digno de felicitações, é um dos meus blogues regionais favoritos: o Amigos de Peniche, que acaba de entrar no segundo ano de existência. Um abraço daqui para lá.
4. O João Fernandes voltou à blogosfera. De onde praticamente nunca chegou a sair, afinal. Still Kissin' after all these years...
5. Gosto deste blogue.

O país de Sócrates e Manuel Pinho

Está bem retratado aqui.

O triunfo da ignorância

A ignorância dos nossos compatriotas é por vezes quase exasperante. Uma sondagem da Marktest feita no rectângulo lusitano e divulgada sábado no Público revelava que apenas 17,3% dos inquiridos sabia indicar com exactidão o número de países que integram a União Europeia: 27. Houve 57,1% a fornecer respostas erradas, enquanto 25,7 admitiram não saber ou recusaram pronunciar-se. Esta sondagem dá-nos um retrato fidedigno do País. Um país que sabe muito de futebóis e telenovelas, enquanto persiste em ignorar quase tudo o resto.

Tertúlia literária (178)

- Não consegui ler o Amor de Perdição até ao fim.
- Nem eu. Perdi-me pelo meio.

Thinking Blogger Award

O simpático e benevolente Helder Robalo ao distinguir o Corta-fitas como um dos seus '5 Blogs That Make Me Think', coloca um desafio à rapaziada aqui da casa a escolher outros cinco blogues "inteligentes":

Não sendo possível uma escolha justa de cinco blogues "de fazer pensar", muito menos que seja representativa das diversas opiniões conviventes no Corta-fitas, teimosamente aqui exponho e arrisco a minha selecção:

a) Origem das Espécies
b) Mel com Cicuta
c) Combustões
d) O Insurgente
e) O Amigo do Povo

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Segunda-feira, Maio 07, 2007

Telegrama solidário a Jacinto Serrão

Sinceros pêsames pesada derrota eleitoral PS Madeira com menos treze pontos percentuais STOP Sentimento desânimo certamente agravado por ausência secretário-geral partido STOP Sócrates não foi Funchal invocando dificuldades agenda apesar dos seus insistentes apelos STOP Podia ser ainda pior pois presença Sócrates Madeira só teria prejudicado PS e afundado partido talvez abaixo percentagem CDU e CDS STOP Mantenha ânimo e tal como Carmona não se deixe afundar nem vá borda fora STOP Creia-me seu sincero admirador.

Vitória, disse ela

Após o veredicto das urnas em França, sabe bem reler a arguta apreciação que o Causa Nossa, pela pena de Ana Gomes, fez do decisivo debate televisivo Nicolas Sarkozy-Ségolène Royal, dando a vitória, sem sombra de dúvida, à candidata socialista. Com uma linguagem nada diplomática. Na mouche, como acaba de se confirmar...

Dúvida existencial

Se Marques Mendes também for aguido nalgum processo pedirá de imediato a demissão do cargo de presidente do PSD?

Tertúlia literária (177)

- Quem é o teu herói literário favorito?
- D’Artagnan. Por se integrar bem no colectivo. Já sabes: sou de esquerda...
- Pois o meu herói é Robinson Crusoe. Por ser individualista. Já sabes: sou de direita...

Gostei de ler

1. Eleições em França. De Tiago Barbosa Ribeiro, no Kontratempos.
2. Tenham medo. Do Francisco José Viegas, n' A Origem das Espécies.
3. Sarko. Do Pedro Mexia, no Estado Civil.
4. Ser claro. Do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
5. A violência. De Francisco Valente, n' O Acossado.
6. Lendo, vendo, ouvindo. De José Pacheco Pereira, no Abrupto.
7. Duas versões da democracia? De Miguel Morgado, n' O Cachimbo de Magritte.
8. Va chercher. De Luciano Amaral, na Atlântico.
9. Os desafios que se colocam a Lisboa. De Carlos Manuel Castro, no Tugir.
10. Uma solução para Alberto João. De Carlos Abreu Amorim, no Blasfémias.
11. E agora, José? Ficas-te? De Henrique Burnay, no 31 da Armada.
12. Foyle's War. Da Isabel, na Miss Pearls.
13. Crónicas. Do Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas.

Wishful thinking


Com um obrigado ao Jorge Colombo, aqui fica aquela que esperava vir a ser a vista em redor do meu toldo, a partir de hoje. Não vai ser. O País não deixa. O País exige que eu trabalhe. Mas o País não perde pela demora e, se não for hoje, amanhã será. A linha que separa a deserção do patriotismo já é, para mim, igual em espessura à de um fio dental. Debaixo do pavimento, a praia!

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Sobre "O Amor"

A propósito da minha dominical citação dos evangelhos de ontem versando o mais crítico e decisivo mandamento de Cristo, recebemos na caixa de comentários várias “bocas” mais ou menos anónimas, entre elas esta belíssima intervenção de Joshua:

O amor hoje é um conceito esvaziado: está demasiado associado ao prazer para representar a mais elevada forma de olhar cada ser humano com que nos cruzemos, nele reconhecendo a dignidade de criatura e de filho amado de Deus assim como sede de uma Promessa de eterna comunhão na glória n'Ele.
O amor é hoje uma subtileza rara e um conceito conspurcado: implica a arte de ser pequeno, autêntico e simples, mas funciona segundo uma lógica de paladar, tacto, consumo, desaparecendo nele a dimensão de generosa festa serena feita de encontro e densa integridade.
Remontar à pureza dos conceitos faz-me sonhar com banhos de Latim, Grego e Aramaico, para que as distinções se façam e se descubra a frescura de palavras como estas citadas, tão cruciais, e no entanto aparentemente banalizáveis com as cunhagens modernas superficiais.
Abominar a tirania, a violência, a oprimência seja em que contexto for já será um bom começo para o que nos devemos uns aos outros.

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Algumas notas

1. Alberto João Jardim ganhou, como se previa, mas com um resultado que é o seu segundo melhor de sempre. Para quem alcança a nona vitória consecutiva, é obra superar a barreira dos 65%, um número pouco usual em democracia e que dá que pensar. Jardim sobe quase dez pontos percentuais em relação a 2004, atestando ainda que pode existir uma certa leitura nacional dos resultados, ao contrário do que Vitalino Canas, porta-voz do PS, veio dizer. Alberto João está acima do seu patamar não só porque Jacinto Serrão, líder do PS-Madeira, não existe, mas também porque há constestação a José Sócrates. Jardim concentrou em si o voto contestatário do centro-esquerda até ao centro-direita. Daí o CDS ter uma queda evidente. À esquerda, a CDU também sobe e passa a terceira força política.
Por mais que Sócrates tente esconder, Jardim demonstrou-lhe que não foi bem recebido na Madeira o corte de mais de trinta milhões de euros no Orçamento por causa da Lei de Finanças Regionais. Por isso Sócrates não teve coragem de ir fazer campanha à Madeira.
Já Marques Mendes, como previa, colou-se completamente ao resultado de Jardim. Não é bonito de se ver.
2. Em França, Nicolas Sarkozy ganhou e fez um discurso enorme na hora da vitória. Realce para o empenhamento na luta contra a miséria, para o aviso aos EUA para se esforçarem mais contra o aquecimento global e para o reforço do ideal europeu. Sarkozy mostrou-se preocupado com o frágil equilíbrio do Mediterrâneo e saiu-se com uma frase que não esqueço. Qualquer deste género: "A quem não ganhou hoje, respeito e um sorriso".
3. Cristiano Ronaldo é campeão de Inglaterra em futebol. E José Mourinho interrompe a sua série vitoriosa na primeira liga inglesa. Os dois foram peças-chave nos títulos alcançados. Um deles terá de mudar de clube e de campeonato.

Música do meu tempo (15)


Brian Ferry - "Slave to Love"

Domingo, Maio 06, 2007

Monsieur le Président


Nicolas Sarkozy - 53%; Ségolène Royal - 47%.
"Sarko" é o 23.º Presidente da República francesa.

In the Park - Mackenzie Thorpe

"O leopardo saiu em busca de provisões que amenizem o estômago e o preparem para o que anda a acabar (...). E o leopardo, egomaníaco, esqueceu-se do Dia da Mãe-Leopardo. Chego ao topo da acácia e lá está ela, rodedada dos leoparditos, miando um sorriso doce e absolutório. A redenção da besta também se tenta com estas felizes escolhas. "

FNV no Mar Salgado

Mudam-se os tempos...


O outro vai a caminho do Eliseu, este segue dentro de momentos para o n.º 10 da Downing Street.

A ler

1. "Um equívoco perigoso", de Pedro Norton.
2. "Chega para lá", de Bernardo Lobo Xavier.
3. "Baptizados com água quente", de Filipe Nunes Vicente.
4. "Lisboa", de Sofia Loureiro dos Santos.
5. "My Funny Valentine V", de Laura Abreu Cravo.
6. "Radares", de Carlos Carvalho.

Domingo

Evangelho segundo S. João 13,31-33.34-35.

Quando Judas saiu do cenáculo, disse Jesus aos seus discípulos: «Agora foi glorificado o Filho do homeme Deus glorificado n’Ele. Se Deus foi glorificado n’Ele, Deus também O glorificará em Si mesmo e glorificá-l’O-á sem demora.
Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros.
Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros».

Da Bíblia Sagrada

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Música do meu tempo (14)


U2 - "Pride (In The Name Of Love)"

Madame Royal e a esquerda marialvista


Ségolène Royal, embora com melhor prestação do que o seu camarada Lionel Jospin em 2002 (proeza de que até o Rato Mickey seria capaz), tem de obter hoje mais 25 pontos percentuais do que os conseguidos na primeira volta para atingir o Palácio do Eliseu – tarefa não impossível, mas muito difícil, como indicam todas as sondagens. Apesar disto, já houve na SIC-Notícias quem falasse da candidata socialista como hipotética vencedora, enaltecendo a “sedução enorme que ela tem” e citando já não sei quem que bradou aos sete ventos que “não podia deixar de votar nela por ser tão bonita”. A esquerda marialvista no seu melhor...
Adoro ouvir estes “analistas” de cachecol na televisão: não são isentos, nem tentam sequer aparentar isenção. Alguns deles são professores de jornalismo. Com “mestres” assim, não custa perceber por que motivo o jornalismo anda em crise.

A terceira derrota de Sócrates

José Sócrates terá hoje a sua terceira derrota eleitoral em ano e meio. Perdeu as autárquicas, viu o candidato presidencial que escolheu ser esmagado nas urnas e vai ser derrotado na eleição regional da Madeira. Mas pior do que esta mais que previsível derrota foi a falta de coragem política que revelou, recusando comparecer na campanha madeirense, onde o PS regional está em posição difícil. Calculista, o secretário-geral socialista não quer ser associado à derrota da lista encabeçada pelo seu camarada Jacinto Serrão. Mas não pode fugir a ela. É a terceira, repito, em 18 meses. Há quem diga que ele é um imbatível caçador de votos. Que faria se não fosse...

França e Madeira

Hoje há dois actos eleitorais a acompanhar com especial atenção. Em França, veremos se se confirma a vitória de Nicolas Sarkozy contra Ségolène Royal, que, por muitas promessas que tenha feito (como aumentar logo o salário mínimo em mais de 245 euros), não convenceu. O grande centrão, eleitorado que perseguiu com unhas e dentes, até com ofertas demagógicas a François Bayrou (ameaçou mesmo torná-lo primeiro-ministro), não se deixa enganar assim. Estou certo que grande parte votará em 'Sarko'.
Na Madeira, a questão central será saber por quantos vence desta vez Alberto João Jardim. A questão lateral, essa, é ver como e de que forma o PSD nacional se irá colar aos resultados de Alberto João. O presidente do Governo Regional já humilhou várias vezes o líder social-democrata, por actos e omissões, mas hoje à noite deve ser brindado de uma maneira muito especial no jantar dos 33 anos do PSD em Aveiro. Vai uma apostinha?

Sábado, Maio 05, 2007

Para um amanhã aventuroso...

Descriminalização imediata da delinquência geriátrica e do pequeno furto! "Mãos no ar" do Incontinente Nuno Pombo. Aqui.

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Música do meu tempo (13)


Prince - "Purple Rain"

Estilos

Com uma piada de muito mau gosto, que, obviamente, não tem nada a ver com isto, Carlos Borrego foi posto borda fora do Governo de Cavaco Silva. Aqueles que vêem alguma semelhança nos estilos de Cavaco e de José Sócrates não podem estar mais enganados. Com Cavaco, Manuel Pinho durava três dias (aliás, nem teria entrado para o Governo), Freitas do Amaral dois, Jaime Silva um e Mário Lino tinha caído ontem. Mas o então primeiro-ministro também não tinha problemas curriculares como os que assolam Sócrates.

Frases a reter

"Para Carmona, deixar mansamente que o pusessem na rua equivalia a uma confissão de culpa. Para ele próprio e para o público, que o veria dali em diante como um corrupto"
Vasco Pulido Valente, no Público

"Não adianta perguntar qual o poder de Carmona, Paula Teixeira da Cruz ou Marques Mendes, porque a resposta é quase nenhum"
José Pacheco Pereira, no Público

Arregaçar as mangas para 2009

E se Carmona Rodrigues não estiver realmente interessado em concorrer nestas eleições? É o que me parece. Estará mais apostado nas próximas. Por isso não resignou. Agora, Carmona quer apenas que o seu nome conste e que se simulem vagas de fundo dos funcionários e dos avençados da Câmara Municipal de Lisboa (parece que são cerca de 13 mil ao todo). Quer também, cheira-me, criar as maiores dificuldades políticas a Marques Mendes. Para daqui a dois anos e picos, o novo líder do PSD se lembre dele e o candidate à CML, que, entretanto, viveu uma situação muito difícil em termos financeiros, uma crise institucional entre o executivo e a Assembleia Municipal de Lisboa (órgãos com cores diferentes, depois das intercalares) e um desnorte estratégico. E quem melhor do que o PS (com Ana Paula Vitorino, Mega Ferreira, João Soares ou António José Seguro) para desempenhar esse papel? E quem melhor do que o líder do PSD para ser responsabilizado por ter entregue a CML aos socialistas e ter permitido que a AML não fosse dissolvida?

Um elefante numa loja de cristais

Conhecida de longa data a demagógica e rasteira retórica do Sr. João Soares, o eterno "príncipe real" do regime, ainda consigo espantar-me com as suas vulgaridades e o seu desplante. Este caricato personagem foi ontem o eleito very special guest star do Expresso da Meia Noite da SIC Noticias de Ricardo Costa e Nicolau Santos, que, pelas risotas manifestadas, lhe acham muita graça..
Na sua habitual pose gabarola, mista de virgem ofendida e selvático predador, o Sr. Soares mostrou-se cheio de ganas de voltar ao local do crime. Mortinho por impingir ao povo uma nova (e cada vez mais ressentida) candidatura à câmara de Lisboa. Tudo por um heróico amor de bombeiro.
Chamuscada até aos cabelos pela actual situação da câmara, venha de lá então essa candidatura socialista, uma já costumeira e inevitável saga eleitoral que, suspeito, redundará de novo num eficaz favor aos seus adversários.

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Sexta-feira, Maio 04, 2007

Ao volante

Admirador das estradas portuguesas, um Holandês que viveu por cá, descreveu com humor os condutores portugueses como "Conductoris lusitanum insanii sunt ".
Eis uns exemplos dos "dez mandamentos do condutor português":
-Avisarás com sinais de luzes os outros condutores da proximidade da polícia, mesmo que um deles tenha roubado um banco ou possa ser um perigoso terrorista da Al-Qaeda.
- Estacionarás no passeio sempre que necessário, mesmo que obrigues os peões a andar no meio da estrada. Se um se queixar, responderás indignado: “Também é má vontade! Então não vê que tem imenso espaço para passar?”
-Farás sinais de luzes e buzinarás se alguém ousar ultrapassar-te e seguir à tua frente no limite máximo de velocidade permitida. Se o outro condutor persistir, colar-te-ás à traseira do carro transgressor, até que este desista e te deixe passar a ti, o verdadeiro dono da estrada.
Perfil do Condutor Português:
-Vidro esquerdo – serve para olhar de maneira desdenhosa para os ocupantes do carro que estás a ultrapassar pela direita
Vidro traseiro – serve para os condutores inimigos observarem os teus gestos obscenos depois de terem sido ultrapassados
Descrição de acidentes nos Relatórios das Companhias de Seguros:
“Só vi a velhinha quando ela se atirou para cima do capô do meu carro.”
“Já conduzo há 40 anos. Só tive o acidente porque adormeci ao volante por acaso.”
“O meu carro estava estacionado correctamente, quando bateu na traseiras de outro carro.”
A Bíblia do Bom Condutor
-Mostra aos teus companheiros de viagem como és corajoso, fazendo manobras perigosas e andando a altas velocidades. Se eles não gostarem, pior para eles; terás sempre a possibilidade de andar sozinho, sem precisar de aturar passageiros maçadores.
-De noite, se ficares encadeado pelos faróis de um carro vindo na direcção contrária, faz o mesmo. A vantagem deste tipo de acidente é que, como não vês o outro carro, nem tens tempo de ter medo dele.(...)

Momentos Kodak (49)

O terramoto de 1755, também conhecido por terramoto de Lisboa, ocorreu no dia 1 de Novembro de 1755 às 9:20 da manhã, resultando na destruição quase completa da cidade de Lisboa, e atingindo ainda grande parte do litoral do Algarve. O sismo foi seguido de um tsunami - que se crê terá atingido a altura de 20 metros - e de múltiplos incêndios, tendo feito mais de 10 mil mortos. Foi um dos sismos mais mortíferos da História. Os geólogos modernos estimam que o sismo de 1755 atingiu 9 graus na escala Richter. Este último, na escala de Carmona, só não sei se atingiu o Allgarve...
Foto: Rodrigo Cabrita

Desafio inevitável, sem batota política


Paula Teixeira da Cruz terá de ser a candidata do PSD à Câmara Municipal de Lisboa. Não pode refugiar-se nas funções que desempenha como presidente da Assembleia Municipal para virar costas ao desafio - um dos mais difíceis da história autárquica do partido laranja. Esta Assembleia Municipal, eleita para cumprir o mesmo programa eleitoral que o executivo de Carmona Rodrigues, perdeu legitimidade política: terá também de submeter-se a votos nas eleições intercalares destinadas a eleger a nova câmara. Seria pura batota política manter os deputados municipais em funções enquanto se renova o elenco do executivo camarário. Não consigo imaginar Paula Teixeira da Cruz a pactuar com esta batota: ela sabe que isso iria manchar uma notável carreira que já a levou à vice-presidência do PSD e à presidência da distrital de Lisboa do partido. Carmona Rodrigues suicidou-se politicamente, na patética conferência de imprensa de ontem, ao manter-se agarrado ao cargo de presidente da câmara. Teixeira da Cruz, que tem legítimas ambições políticas, não cometerá o mesmo erro. E certamente será a primeira a considerar que não faz sentido eleger um novo presidente da câmara e uma nova equipa de vereadores sem eleger no mesmo dia a nova Assembleia Municipal, que aprova o orçamento camarário. Tal como não faz sentido recusar encabeçar a lista laranja à câmara alfacinha, agora que o desafio é muito difícil. Ela é neste momento a única social-democrata em condições de ganhar com isso. Mesmo que perca.

Música do meu tempo (12)


The Waterboys - "Fisherman's Blues"

O Verão é quando um homem quiser

Vou de férias. Fazer de conta que é Verão. Correio de fãs para joao.villalobos@gmail.com e hate mail para o endereço aqui do Corta-Fitas. Assim como assim, nunca me o deixam ler. A malta aqui preocupa-se com a minha saúde. Não prometo que não escreva, se não uma cartinha pelo menos um postal. Como diria o saudoso e para mim sempre engenheiro Sousa Veloso, se a memória não me falha: «Despeço-me com amizade e até ao próximo post».

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A propósito do benchmarking

O Glória Fácil também é, cada vez mais, feito pelos seus leitores.

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E este, vai borda fora?


Contaram-me há pouco e eu não queria acreditar. Um amigo meu que vai de viagem ligou uma rádio de grande audiência e ouviu o ministro Mário Lino a defender a construção do novo aeroporto internacional na Ota, numa sessão pública em Alcobaça com centenas de pessoas. Nada de anormal. Mais estranho é que o ministro terá dito que defendia aquela localização como ministro e como engenheiro civil inscrito na Ordem. Segundo me disse o meu amigo, a gargalhada foi geral...
P. S. - Entretanto, o "lapso" de Mario Lino já foi notícia. Aliás, não pode ser outra coisa. Parece-me que não é muito normal um ministro dirigir-se à plateia com piadas sobre o seu primeiro-ministro. Ou já é?

Me importa un huevo

Se quiserem ir sabendo o que se passa em Espanha, é indispensável lerem o El Confidencial. Hoje, por exemplo, um artigo muito interessante para quem segue o desenrolar da Operación Malaya. Não sabe o que é? Nada de importante. Só uma investigação sobre branqueamento de capitais e a ligação entre a corrupção imobiliária e a banca privada, com a reputação de uma das principais casas de investimento suiças em jogo. Mas a quem é que isso interessa, não é verdade?

É à vontade do freguês

Ler esta notícia é de chorar. Uma empresa indiana «visita Sines e explora apoios da API para se instalar no país». E mais: «A presença em Portugal poderá passar por uma unidade de produção de componentes automóveis ou de montagem dos carros "dependendo do que Portugal estiver disposto a oferecer». Ó pá, então não perceberam ainda? A malta está disposta a oferecer tudo: Ele é salários baixos, ele é horas extraordinárias, ele é guito para se instalarem e depois mais guito quando se forem embora, um código de trabalho à maneira, ele é tudo o que quiserem e mais um par de botas. Venham daí e não se apoquentem, que não se irão arrepender.

Momento tablóide

Comecei por fumar cachimbo. Tinha 18 anos e o cachimbo era em cana, feito à mão pelo meu bisavô. Não era uma imagem muito normal, como podem facilmente aperceber-se caso decidam visualizá-la. Depois, aos 19, um amigo decidiu destruir as nossas férias de engate em Pedras d'el Rey, convencido que estava de que engravidara a namorada. Passámos 15 dias a jogar às cartas e ele a acender um angustiado Camel de contrabando no outro. Quando regressei, já estava «agarrado» ao cigarrinho. Anos depois, deixei o vício durante um ano e meio a ver se engordava. Tinham-me assegurado que era tiro e queda. Não funcionou. Também me tinham dito que o casamento acrescentava quilos a um homem. Não acrescentou. Hoje, só fumo cigarrilhas. Fazem-me menos mal a mim, mas acredito que incomodem mais os outros. Se me proibirem de fumá-las num ou noutro restaurante, eu entenderei. Mas existirão sempre novos espaços a abrir as suas portas aos viciados. Mesmo que clandestinos. Espero aliás que clandestinos. E com umas moças de grandes decotes e mini-saia como aquelas dos filmes com um caixotinho de madeira a apregoar: «Cigarros! Charutos! Cigarrilhas!». Nem sabe o Luís Naves o que vai perder...

Mon coeur balance

Como, para além de atraente e sexy, sou muito muito culto, descobri através da leitura do Le Monde que a campanha presidencial francesa está ser seguida em moldes muito originais aqui. Chama-se o blogue «Quel Candidat» e inclui um teste de perfil psicológico aos leitores, com o intuito de saberem com qual dos dois, Ségo ou Sarko, mais se identificam. E ainda «journalisme citoyen», uma urna de voto no Second Life e outras coisas mais. A seguir e a copiar (ou fazer o benchmark como se diz agora) para as eleições aqui em Lisboa. Pourquoi pas?
Ainda após a leitura do Le Monde, como não simpatizar com uma candidata que apela com tanta expressividade a que nos amemos uns aos outros? E como não copiar e afixar a entrevista a Alastair Campbell?, para quem não sabe o ex-director de comunicação e estratégia de Tony Blair, master spin doctor cum laude. E o artigo de André Glucksmann? E..? É incrível como se consegue, em apenas 32 páginas, ter tanto para ler e nem um bocadinho de palha.

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Fado do 31

«Não tenho ambição nenhuma. Estou aqui pelo destino, sou um fadista». Carmona Rodrigues, candidato à CML. Sábado, 19.08.2005. In «Pela Boca Morre o Peixe», de João Pombeiro.

Sexta-feira



Eva Mendes.

'El comandante' Carmona


Para muitos, Carmona Rodrigues ditou ontem a sentença de morte política de Marques Mendes como líder do PSD. Será o princípio do fim do mendismo? É cedo para saber. Do discurso, destaque para aquela tirada de não querer ser atirado "borda fora". Qual comandante... Quem diria que o sobrinho-bisneto do marechal Carmona era capaz de uma afronta destas, hein?

Quinta-feira, Maio 03, 2007

O suicida feliz

Estou à espera do dia em que Carmona Rodrigues anunciará a sua recandidatura (verdadeiramente) independente à Câmara de Lisboa. Aí veremos, então, quantas são essas pessoas que ele diz que o apoiam e que o compelem a não abandonar o navio. E quantas dão o valor devido à obra espantosa por ele realizada na capital, um rol onde se incluem o filme «Fado» e uma nova pista de atletismo. É triste quando uma pessoa que é eleita com o apoio de um partido e não o teria sido sem ele, vem depois arvorar-se - com laivos de populismo - em Evita Peron de calças. (Título roubado a um romance do meu amigo Paulo Nogueira)

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Ele fica

Afinal, Carmona Rodrigues fica na câmara de Lisboa. Começo a ter pena de Marques Mendes. O PSD tem de ir à bruxa.

A polémica



O governo está (e bem) a aprovar uma lei que impede o fumo de tabaco em lugares públicos. Esta é uma questão de puro bom senso e foi com espanto que ouvi alguns comentários contrários à iniciativa, com uso de argumentação verdadeiramente absurda. Segundo um desses argumentos (que ouvi na TV sem que alguém desatasse às gargalhadas) passava a ser mais fácil uma pessoa drogar-se do que fumar, o que não resiste a cinco segundos de raciocínio.
Num plano mais racional, os comentadores têm sublinhado o carácter "anti-liberal" da lei e dizem que os não fumadores estão a impor a sua forma de vida aos fumadores, pelo que devia ser permitido a bares e restaurantes escolherem se há ou não fumo no estabelecimento, como acontece em Espanha.
Parece-me evidente que se houvesse liberdade de escolha, a situação não mudaria. Aliás, em Espanha, todos os lugares públicos optam por permitir o tabaco, pois essa é a boa lógica económica. A clientela de determin