Sexta-feira, Novembro 30, 2007
Este ditador vem a Lisboa (13)
Etiquetas: África
Homo Socraticus (2)
Tive acesso ao "índice presidencial e de cenários políticos" em Espanha de Outubro, da autoria do conhecido consultor político José Luis Sanchís e fiquei meio surpreendido, meio conformado. Sanchís, para quem não sabe ou não se lembra, foi o homem que ajudou Francisco Sá Carneiro a ganhar as legislativas de 1979 e que inaugurou a comunicação política em Portugal. Ele diz que Zapatero (59%) tem mais hipóteses que Rajoy (41%) de vencer as próximas legislativas. Mas alerta para o facto de alguns temas ainda poderem baralhar as contas: a presidência do Tribunal Constitucional e a sua decisão sobre o estatuto da Catalunha; a ocorrência de algum atentado da ETA ou de cariz islâmico; uma crise de infraestruturas em Barcelona; e as posições "soberanistas" face à Catalunha e ao País Basco.
Uma sexta-feira altruísta
Este belíssimo Baby Doll que suspira «classe» foi fabricado com chifon multifibras e é ideal para completar qualquer celebração. Agora que o Natal se aproxima, oferte-o à sua cara-metade e termine o ano de forma mais cor de rosa. (Modelo não incluída) Etiquetas: Sexta-feira
Se não é, parece
Zzzzzzzzzzzzz
Etiquetas: Seriamente avariados da pinha como eu
Falemos de coisas sérias
Etiquetas: Fracturas expostas
Friday's special
Vem cá, Orfeu – disse o dono – vem cá! Pobrezito, que já tens poucos dias para viveres comigo! Ela não te quer lá em casa. Mas aonde te vou largar? que vou fazer de ti? que serás tu sem mim? És capaz de morrer, eu sei! Só um cão é capaz de morrer quando não vê o seu dono. E eu fui mais que o teu dono, fui o teu pai, o teu deus! Ela não te quer lá em casa, afasta-te de junto de mim! Porque tu és o símbolo da fidelidade, estorvarás lá em casa? Quem sabe!... Acaso um cão surpreende os mais secretos pensamentos das pessoas com quem vive e embora se cale... Mas eu tenho de me casar, não tenho outro remédio senão casar-me... De contrário, sabes, nunca mais deixo de sonhar! E tenho de despertar.
Mas porque me olhas desse modo, Orfeu? Parece que choras sem lágrimas... Queres dizer alguma coisa? Vejo que sofres por não poderes falar. Mas depressa me apercebi que tu não sonhas! Tu é que me estás a fazer sonhar, Orfeu! Porque é que existem cães, gatos, cavalos, bois, ovelhas e animais de toda a espécie e sobretudo domésticos? Na falta de animais domésticos para descarregar o peso da animalidade da vida, o homem podia chegar à sua humanidade? Se o homem não tivesse domesticado o cavalo, não andaria uma parte da nossa linhagem às costas da outra metade? Sim, é a vós que se deve a civilização. E também às mulheres. Mas não será a mulher outro animal doméstico? E se não houvesse mulheres, os homens seriam homens? Ah, Orfeu, vem de fora quem da casa te põe fora!
E apertou-o contra o peito e o cão, que parecia estar de facto a chorar, lambia-lhe a barba. – Miguel de Unamuno in Névoa
Quinta-feira, Novembro 29, 2007
Declaração de voto
Cinema Nostalgia (19)
Cantava num sussurro, ao jeito da bossa nova. Talvez não por acaso: nesse filme – Breakfast at Tiffany’s (1961) – ela representava uma “boneca de luxo”, pronta a rumar ao Brasil, onde daria um presumível golpe do baú. E chega até a pronunciar umas frases num português bem perceptível.
O golpe jamais se concretiza: Audrey troca a miragem da fortuna por um amante sem dinheiro. E em nenhuma outra actriz isso soava tão credível. Da novela ácida de Truman Capote, Blake Edwards fez uma deliciosa comédia romântica que ainda hoje parece não ter ganho rugas. Um filme só possível por incluir Audrey à cabeça do elenco: ela deixava sempre um rasto de fascínio na tela. Todas as películas que protagonizou perduram no subsconsciente do espectador.
O que havia nela de tão especial? Uma espantosa fotogenia que desafiava os padrões de Hollywood à época, sem dúvida. Mas, mais que isso, dela se poderá dizer o que Truman Capote escreveu sobre Holly Golighly, a rapariga de província que desembarca em Nova Iorque para satisfazer todos os sonhos: “Ele triunfava sobre a fealdade, o que tantas vezes é mais sedutor que a verdadeira beleza.” Como se o autor de Música Para Camaleões soubesse de antemão quem encarnaria a sua criação literária na adaptação para cinema.
Com aquela silhueta esguia e um par de olhos capazes de iluminar a escuridão de uma viagem ao fim da noite, Audrey Hepburn triunfou sobre a fealdade numa sucessão de obras-primas que a transformaram num dos maiores ícones da modernidade forjados nas salas de espectáculo. Quer fizesse de manequim (Funny Face, de Stanley Donen, 1957) ou de religiosa (A História de uma Freira, de Fred Zinnemann, 1959), em épicos como Guerra e Paz (de King Vidor, 1956), em westerns como O Passado não Perdoa (de John Houston, 1960) ou até em fitas de espionagem (Charada, outra vez de Donen, 1963). Milhões de jovens dos anos 50 imitaram-lhe o original penteado quando a viram cortar o cabelo numa cena de Férias em Roma (William Wyler, 1953), filme que lhe valeu o Óscar com apenas 24 anos. Lançaria uma nova mode de calçado baptizada com o nome da sua personagem ao interpretar Sabrina (Billy Wilder, 1954). E deu uma sofisticação sem par ao cockney londrino com a sua fabulosa Eliza Doolittle, em My Fair Lady (George Cukor, 1964).
“As pessoas julgam que uma estrela de cinema tem necessariamente um ego gigantesco. Na verdade, é essencial não ter ego nenhum.” São ainda palavras de Capote nesse tratado sobre as luzes e sombras da sedução que é Breakfast at Tiffany’s. Palavras que parecem aplicar-se em cheio à tocante fragilidade de Audrey, actriz mais etérea do que carnal, nos antípodas de várias divas suas contemporâneas, como Kim Novak ou Ava Gardner.
Tantos anos depois, é ainda o fio da sua voz que irrompe entre as nossas melhores recordações das noites de cinema: “Oh dream maker, you heart breaker, / Wherever you’re going I’m going your way...”
Onde quer que vamos, ela acompanha-nos. E se ela nos disser que existem rios na lua, nem por um instante somos capazes de duvidar.
Etiquetas: Cinema nostalgia
Homo Socraticus (1)
Cadernos de Filosofia Política de Adolfo Ernesto (IX)
Conversa em futebolês
Adoro discutir futebol, porque ninguém consegue ser racional durante uma discussão sobre futebol e, como sabem, tenho fascínio pelo irracional. Mas há sempre saborosas excepções. No bar futebolândia, onde costumo passar nas noites de derby, só há inteligentes análises e os utentes usam uma linguagem específica, o futebolês, nas suas sofisticadas conversas.
Também vão lá algumas pessoas que usam gel no cabelo.
Ontem, o Pedro e o Francisco estavam a discutir o seleccionador nacional e aquilo contagiou toda a gente. De súbito, não havia ninguém que não estivesse a discutir os méritos do senhor Scolari. Excepto eu, que estava sentado no bar, minding my own business, quando chegou um tipo (de gel na cabeça e cabelo espetado) que me perguntou o que eu pensava das tácticas do senhor Scolari.
“De facto, interessa-me mais a estratégia dele”, expliquei.
“Sem eggs no Hamlets, não acha?”
Fiquei calado, a saborear o meu uísque, enquanto ele desatava numa procastinação sobre acessibilidades, tecnicidade, a cobrança de cantos e a estatística de jogadas de cabeça.
“Acho fundamental poder encostar para o golo, reforçar o flanco esquerdo, mais talento e polivalência”, disse ele, com grande convicção. “Da primeira vez que tocou na bola, o senhor selecionador transformou um defesa de raiz num segundo poste, ainda por cima em crise de forma, apesar do remate forte e colocado. É preciso alavancar mais ataques e vitórias, não acha?”
“Se fala das clássicas vitórias morais, concordo”, respondi, para não parecer indelicado.
“E não teme que isso possa colidir com a nossa tradição da crítica permanente do sucesso?”, perguntou o desconhecido.
“A tradição evolui, como sabe”.
Ele ficou a pensar naquilo, com um ar muito sério.
“E o que acha do quatro, três, três?”
“Sou favorável... em princípio”
“Então, nesta questão, estamos os dois do mesmo lado. É preciso colocar mais unidades junto à baliza adversária, numa lógica de apostar em novos valores com grande categoria e confirmar a liderança com magia e individualismo”.
“Sim”, concordei, “numa palavra: Vencer”.
“Nesse ponto, discordamos. O importante é despedir o treinador”.
Bebi mais um gole (ou seria golo?) do meu uísque. Reflecti. Percebera, naquela conversa, que o sujeito não era adepto do meu clube favorito.
Ele deve ter percebido o mesmo e afastou-se, sussurrando um insulto irrelevante. Notei que tinha dois pés esquerdos, o tipo, além de gel na cabeça.
Adolfo Ernesto
Etiquetas: adolfo ernesto
Pacheco em baixa
Etiquetas: questionário
Quarta-feira, Novembro 28, 2007
Um erro
Este ditador vem a Lisboa (12)
Etiquetas: África
Os homens e os sacos ou nós e os sacos…
Podes trazer-me um saco para colocar os sapatos? Podes trazer-me um saco para colocar uns brinquedos? Podes trazer-me um saco para colocar uma roupa? Qualquer uma destas perguntas feita a um homem só tem um resultado: eles aparecem sempre com um saco de plástico, daqueles que nos são dados no hipermercado em quantidade e que utilizamos, posteriormente, para forrar o caixote de lixo. Confesso que não entendo porque um saco para um homem é sempre um saco de plástico, independentemente da função que lhe vai ser dada. Depois, voltam para trás, com um ar muito enfadado, como quem diz: what ever. Mas quando, finalmente, trazem a nova versão de saco e exclamamos “Isto sim é um saco!”, percebemos que não é por mal. São só as diferenças entre o cérebro feminino e o masculino a vir ao de cima. O chá ou a falta dele
O primeiro-ministro acha muito mais importante cumprimentar Bernard Kouchner, Javier Solana, Nicolas Sarkozy, Angela Merkel, Gordon Brown, José Manuel Durão Barroso, entre outros, do que o seu "ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros". Kouchner, por acaso MNE francês, reparou e não deixou Luís Amado de mão pendurada. Um Senhor. A Euronews fez esta bela peça, que realmente diz tudo, na sua rubrica No Comment. E não é preciso, pois não?
Por que não te calas?
A má educação
Sempre me pareceram deprimentes aquelas festas das escolas dos nossos miúdos (tenho em casa quatro saudáveis exemplares) em que as criancinhas, sob o olhar nervoso e cúmplice do pedagogo, ao ritmo duma dança étnica qualquer, apontam os ensaiados dedinhos aos progenitores babados, acusando-os pelo racismo ou a fome existentes no mundo... Ou no Natal aqueles bem intencionados presépios vivos, em materiais reciclados, ao som dum hino à “solidariedade”, em karaoke, contra a injustiça global. Incrédulo, ouvi os meus miúdos, chegados à 2ª classe, declamarem durante meses a "roda dos alimentos", também pintada a lápis de cera numa enorme cartolina. Isto até à próxima indigestão de chocolates ou gomas. Quanto ao seu amor à natureza, estamos conversados: sempre que nos distraímos, os higiénicos rotineiros “duches” dos miúdos dão para encher uma piscina municipal. Mais; há infindáveis anos que todos os dias de todos as semanas lembramos os adoráveis petizes para desligar as luzes que se acendem magicamente por onde passam. Quanto à propalada solidariedade é o que se sabe: basta observar atentamente a miudagem à pêra no recreio, a fanarem os cromos uns dos outros ou a gozarem até à náusea o mais fragilizado colega. Lá em casa, se não houver uma “ortopédica” voz de comando, bem vejo como funciona esse solidário cívismo principalmente se isso implicar o sacrifício dum interesse pessoal. Até a nossa mais pequenita, na hora de pôr a loiça na máquina, já aprendeu a refugiar-se “aflita” na casa de banho. Os irmãos, que não gostam de passar por otários, rapidamente reclamam, e lá se vai a preciosa harmonia no lar.
A batalha da “educação” trava-se principalmente em casa, e depende, além das referências do meio, da persistência e do exemplo categórico dos pais. Na escola, de onde Deus foi definitivamente banido, ensina-se o Mundo de acordo com a cartilha do regime. Na política, o que é importante é a ilusão de que vamos mudá-lo, amestrá-lo, mesmo que saibamos como desde sempre esse Mundo teima manter-se imutavelmente desconcertante, à imagem dos seus protagonistas.
É fácil arguir contra a violência ou injustiça, queimar automóveis e partir as montras na rua em prol da harmonia no mundo. Difícil, difícil, é olharmo-nos com humildade cristã para melhorarmos o pouco que seja em nós mesmos - a única fórmula para benignamente influenciarmos o nosso pequeno meio. Organicamente. Mas essa tarefa, tão anónima quanto imensa, quase sempre esbarra com o nosso orgulho e interesse imediato. Para nos revolucionarmos “por dentro” quase sempre somos demasiadamente comodistas e dificilmente encontramos uma motivação peremptória. E cristalizamo-nos a um passo da verdadeira redenção, e a verberar contra os outros, contra o Mundo tão injusto, num acto de desesperada catarse.
Etiquetas: Crónicas
Scolari e as carpideiras
Uma das piores características que noto em muitos portugueses é uma espécie de apologia permanente do insucesso: adoramos os derrotados, os perdedores, os deserdados. Paralelamente, abunda entre nós a inveja pelo mérito alheio. As caixas de comentários deste blogue estão cheias de proclamações raivosas contra Luiz Felipe Scolari em reacção a textos que aqui tenho escrito há mais de um ano. Dir-se-ia que toda esta gente convive mal com o facto de se tratar do treinador com melhor currículo da história do futebol português, a nível internacional. Não é matéria de opinião: é matéria de facto.
Há muito de xenofobia nestas críticas: no Fórum da TSF e na "Opinião Pública" da SIC Notícias não faltaram sequer apelos ao ministro dos Negócios Estrangeiros para "deportar o brasileiro" de território nacional na sequência do Portugal-Sérvia. São opiniões tão irracionais que não merecem mais comentário: mas funcionam como um sintoma. Esclarecedor.
O que pretendiam muitos detractores de Scolari? O seu insucesso - mesmo que isso acarretasse, obviamente por extensão, o insucesso da selecção portuguesa. Isso ficou bem patente, vezes de mais, nos sucessivos atestados de incompetência passados ao técnico por todo o género de treinadores de bancada. Tudo serviu para o denegrir: ou porque não sabia escolher a equipa, ou porque lia mal o jogo, ou porque tinha mau feitio, ou porque "não via os jogos do campeonato português", ou porque ousou confrontar "o senhor Jorge Nuno Pinto da Costa", ou porque convenceu os portugueses a pôr bandeiras às janelas num sinal de perigoso "populismo".
Ouviu-se de tudo. Na TV, em pleno Mundial da Alemanha, não faltaram sequer os pessimistas encartados - com ou sem gel no cabelo - prevendo sempre o pior resultado de jogo para jogo.
Foi assim? Infelizmente para eles, não. Scolari, depois de levar o Brasil à reconquista do Campeonato do Mundo, transformou Portugal numa das equipas mais admiradas e mais temidas à escala planetária. Este é o seu maior feito, superior até aos resultados em campo, ainda assim nada negligenciáveis: vice-campeão da Europa em 2004, quarto lugar no Campeonato do Mundo de 2006 (com o dobro das equipas em torneio, comparado com o mítico Mundial de 1966, em que Portugal ficou em terceiro).
Etiquetas: desporto-rei
Postais blogosféricos
Etiquetas: postais blogosféricos
José Pinto de Sousa
Etiquetas: ocidental praia
Catedráticos do esférico
"Especialistas" encartados, quase todos com o nó da gravata bem apertado, peroram na pantalha sobre o Benfica-Milan, de logo à noite. Com ar dramático, como se não houvesse assunto mais relevante. Quase como se estivesse em causa a sobrevivência de Portugal como nação independente. E o que dizem? Coisas como esta: "O Benfica tem que ganhar. Não vai ser nada fácil."São "especialistas", repito. Falam pelos cotovelos, com tempo de antena ilimitado. Falam falam falam falam falam falam falam falam falam. Sem dizer nada.
Etiquetas: desporto-rei
Este parte, aquele parte
Não existem, nunca existiram, guerras sem mortos. Sem jovens soldados a regressar em caixões entre as lágrimas dos familiares, camaradas e amigos. É bom que os portugueses se apercebam de algo, no meio de toda esta catarse de luto em torno do que aconteceu ao soldado Pedrosa. Como reagiríamos se, num confronto com fogo inimigo, tivessem morrido bastante mais? Quando entenderemos que, quando uma Nação envia os seus melhores para a batalha, o faz para que morram por ela se preciso for, ou se aqueles contra com quem combatem forem superiores no terreno? Ou os soldados partem, ou não partem. Essa decisão é nossa. A partir daí, o que acontece tem muito de imprevisível. Mas também uma antecipada e negra certeza ensombrando a missão de todos e cada um.
Etiquetas: Fracturas expostas
O que me vale é que sou católico...
Etiquetas: Ironia, Post intimista
Há coisas lixadas, não há?
Terça-feira, Novembro 27, 2007
"SIS avisa Manuel Monteiro...
... da existência de elementos de extrema direita no seu partido"
- Tá lá? Xenhor Manuel Monteiro?
- Sou eu. Quem fala?
- Icho não interecha. Xó quero avijá-lo da ejistênxia de elementos de extrema-direita no xeu partido.
- Quem é o senhor?
- Chame-me Xis. Apenas Xis.
Etiquetas: Beirões
Na paz de Estaline
Etiquetas: Política-PCP
O inspector martelada
Momento tablóide
Nós por cá todos bem
Etiquetas: Nós e os outros
Os tugas (38)
Etiquetas: tugas
Postais blogosféricos
Etiquetas: postais blogosféricos
Segunda-feira, Novembro 26, 2007
Este ditador vem a Lisboa (11)
Etiquetas: África
Da extrema-direita a Chávez
Etiquetas: Fachosocialismo
Lapidado
Etiquetas: desporto-rei
Adeus, cálculo mental
Etiquetas: povo que lavas no rio
Domingo, Novembro 25, 2007
Cartas ao director (1)
Etiquetas: Media
Qualquer dia cai o tabuleiro
O regime que mandou prender Kasparov por uma alegada manifestação ilegal é dirigido pelo mesmo senhor que foi recebido há semanas em Lisboa com pompa e discursos de circunstância. O mesmo homem que põe Kasparov atrás das grades é aquele que se emociona ao ver as lontras Amália e Eusébio no Oceanário do Parque das Nações. Que políticos são estes?O caminho faz-se caminhando
Dia da Liberdade
Hoje dia 25 de Novembro celebram-se 32 anos sobre o fim do PREC (Processo Revolucionário em Curso) – a interrupção da via para o socialismo de Cunhal, Otelo e camaradas.Na imagem Danny Kaye.
Etiquetas: efemérides, História
«Mila kuda su plania» ou «Mila kura si planina»?
Domingo
Irmãos: Damos graças a Deus Pai, que nos fez dignos de tomar parte na herança dos santos, na luz divina. Ele nos libertou do poder das trevas e nos transferiu para o reino do seu Filho muito amado, no qual temos a redenção, o perdão dos pecados. Cristo é a imagem de Deus invisível, o Primogénito de toda a criatura; Porque n’Ele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, visíveis e invisíveis, Tronos e Dominações, Principados e Potestades: por Ele e para Ele tudo foi criado. Ele é anterior a todas as coisas e n’Ele tudo subsiste. Ele é a cabeça da Igreja, que é o seu corpo. Ele é o Princípio, o Primogénito de entre os mortos; em tudo Ele tem o primeiro lugar. Aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a plenitude e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas, estabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz, com todas as criaturas na terra e nos céus.
Da Bíblia Sagrada
Nota: No próximo Domingo começa o Advento, a preparação para o Natal cristão. Assim, durante essas quatro semanas festivas, esta rubrica será devidamente ilustrada.
Etiquetas: Cristianismo, Religião
Cinema Nostalgia (18)
Os dois no carro. Ela tensa e desconfiada, ele pragmático e demasiado descontraído. Têm pela frente uma longa viagem e nós, em total dissonância com o par, instalamo-nos no assento de trás, a pressentir que o que vem a seguir só pode ser imperdível. E é.Um homem e uma mulher podem ser amigos, ou o sexo aparece sempre no meio? – esta é uma das questões provocatórias que saltam, do diálogo fabuloso que se desenrola entre os dois, para a nossa agenda. Podem? (Quando saí do cinema tratei logo de averiguar. Os resultados, confesso, ainda hoje me dão que pensar. Mas isso é outra conversa...)
Presos cada um às suas idiossincrasias, Meg Ryan e Billy Crystal lançam-se numa disputa que os transcende. O que se desenha ali, desde o começo, é uma guerra dos sexos, mas ao contrário das muitas disputas de género que já vimos no cinema esta é sustentada por um guião brilhante, servida por desempenhos inesquecíveis e sublinhada a cores por uma banda sonora de luxo.
Um Amor Inevitável (no original When Harry Met Sally), dirigido por Rob Reiner e com argumento de Norah Ephron (que recebeu uma nomeação para o Óscar), tem a capacidade rara de nos prender ao ecrã desde os primeiros minutos porque é uma comédia inteligente e manipuladora. Inteligente porque prescinde desde logo do modelo baseado em personagens estereotipadas a que nos habituámos nesta categoria de filmes. E manipuladora porque ao sermos surpreendidos por um Harry e uma Sally (as personagens de Crystal e Ryan) credíveis, envolvemo-nos mais do que é suposto acontecer quando se trata, afinal, de assistir a uma comédia.
Porque é muito real, este par não permanece estático. Vemo-lo evoluir, assim como a relação que vai construindo ao arrepio da lógica e da sua própria vontade, como tantas vezes acontece na nossa vida.
Cada um investido das razões que naturalmente os qualificam como oponente do outro, Harry e Sally são também a metáfora do que pode ser, sobretudo nos tempos que correm, a relação entre um homem e uma mulher. Da luta à rendição, desenrola-se um novelo feito de conflitos de interesses, interferências hormonais despropositadas - e mesmo inconvenientes - , curiosidade, desconfiança e admiração.
Quando, na cena final do filme, os protagonistas assumem, enfim, o romance, o nosso sorriso flutua entre a condescendência e a ternura, como quem pensa “que parvos!” E no fundo, estamos, provavelmente a pensar em nós: orgulhosos, complicados, patéticos e divertidos, donos da metade de uma verdade que para ter graça precisa mesmo de encaixar na outra.
Um Amor Inevitável foi, para mim, um amor à primeira vista. E em vinte anos não envelheceu. Continua irresistível!
Nota: na foto a célebre cena do falso orgasmo de Meg Ryan, aliás Sally Albright
Etiquetas: Cinema nostalgia
Sábado, Novembro 24, 2007
As tendências no CDS
As nossas guerras
(...)
Morreram mais portugueses em combate na Flandres num ano, entre 1917 e 1918, do que durante 13 anos de guerra em Angola entre 1961 e 1974 (1380 contra 1098).
Há uma primeira explicação para a escassez de memória pública. Estas foram guerras numa sociedade politicamente polarizada e comprimida. A intervenção na I Guerra Mundial foi a guerra de Afonso Costa, da esquerda republicana e da sua “ditadura da rua”; as campanhas de África, a guerra de Salazar, da direita nacionalista e da ditadura da PIDE.
(...)
48 anos de ditadura, e 33 anos de democracia: para além dos mortos e dos traumas, eis o que, até ver, devemos às nossas guerras. >>Ler tudo>>
Etiquetas: História, Ler os outros
Vasco 'versus' Miguel
Etiquetas: questionário
Ai se ele ganha...
Consta que José Ramos-Horta, que este ano é presidente da República de Timor-Leste (nunca sabe quando quererá voltar a trocar com Xanana Gusmão...), propôs ou vai propor um senhor chamado José Manuel Durão Barroso (e a União Europeia) para o Prémio Nobel da Paz de 2008. Espantados? Eu também, agora imaginem como devem andar a sofrer os bloquistas, comunistas, socialistas e muitos dos que se opuseram à invasão do Iraque e à remoção de Saddam. Difícil de engolir, de certeza. Nos próximos dias iremos assistir ao desferir de ataques nunca vistos a Barroso. Eu estou a prever o primeiro dos argumentos: dar o Nobel da Paz a Barroso, um dos quatro figurões da Cimeira das Lajes, seria o mesmo que dar o Nobel da Literatura a Margarida Rebelo Pinto...Irreguláveis
Etiquetas: Ler os outros
Não sabia
Etiquetas: Ler os outros
Este ditador vem a Lisboa (10)
Etiquetas: África
Abruptamente
Etiquetas: Ler os outros
Sexta-feira, Novembro 23, 2007
Este ditador vem a Lisboa (9)
Etiquetas: África
Espreitando por cima do muro
Porreiro, pá?
Viernes
Cadernos de Filosofia Política de Adolfo Ernesto (VIII)
O rapto
O Pedro Correia lançou aqui um rapto ao Luís Naves, para ele dizer aqui qual era a sua crónica favorita. Encontrei o Luís na rua, vinha perturbado, com aquela pança enorme. Falou-me do rapto:
“Sei lá qual é a minha crónica favorita? É o mesmo que me perguntarem qual é o meu livro favorito”, disse ele.
Tentei confortá-lo:
“Para mim, era fácil responder a essa pergunta. Como só li cerca de 15 livros...”
“Talvez tu possas escrever a prosa...”
Ficou logo ali combinado que seria eu a explicar aos leitores isto da arte da crónica.
O melhor cronista que conheço é o Alcibíades, um gigante (muito parecido com o Jimmy Stewart) que está a escrever a crónica desde país tristonho e melancólico, amargurado e sorumbático. Infelizmente, a obra dele ainda não está publicada. O meu amigo ocupa o seu tempo a recortar velhos jornais, na cave onde mora, que está atafulhada de pedaços de textos que ele depois cola e anota, para integrar na sua vasta obra.
(O Naves diz que ele se parece com o Joe Gould “tal como foi descrito pelo genial cronista Joseph Mitchell, na sua obra ‘O Segredo de Joe Gould’”. limito-me a reproduzir o que o Naves disse).
Mas regressemos ao rapto, como se fôssemos Miss Marple a perseguir o professor Moriarty.
O Alcibíades é homem de poucas falas. Quando lhe perguntei o que devia explicar sobre isto da crónica, ele fez um ar pensativo, severo, absorto, cogitabundo e até vagamente sorumbático.
“Há dez regras: sendo a crónica um género literário, é fundamental elevar a hipérbole e desenvolver a substância”.
Fiquei extasiado.
“E as outras nove regras?”, perguntei.
“As outras sete são o prolongamento do ego e a faculdade opinativa, numa perspectiva de realismo brutal”.
“E o que usas para observar a realidade?”
“Prefiro a teleobjectiva aos binóculos”.
O Alcibíades parecia um bonzo imerso em pensamentos cavados, profundos, abissais e desmesurados. Sem dúvida, sorumbáticos.
“Isso torna difícil compreender a verdadeira arte da crónica”, exclamei, verdadeiramente surpreendido, a tentar quebrar aquele solilóquio.
“Dizes bem, Adolfo Ernesto. Uma bela crónica é como uma mulher bela. Nós, homens, gostamos delas redondinhas e esfuziantes”. O Alcibíades perdera o seu ar sorumbático, “Foi por isso que me tornei cronista. A realidade numa crónica é como a curvatura de uma cintura feminina, a redondez de um ombro feminino, a hesitação do artista perante um adjectivo feminino, ou até de um sorriso feminino, enfim, numa palavra, a imprecisão indefinida, mas ao mesmo tempo física e absolutamente concreta”.
“E qual é a tua crónica favorita?”
“Gostei de uma crónica do Art Buchwald, que ele escreveu pouco antes de morrer: o cronista estava num aeroporto, onde esperava um avião para o céu, e transformava a sua crónica numa descrição da confusão dos aeroportos na época de Natal. Um hino à vida e coisa de mestre, com humor auto-irónico que ainda hoje me faz rir e pensar”.
“Então, Alcibíades, a crónica não tem de tratar sempre do efémero?”
“Pode ser fútil, sim, mas anda tão confundida com a opinião editorial que se banalizou, como se tornou banal a espuma na superfície das águas. E, apesar de tudo, pode ir até aos abismos da alma. Há quem consiga”.
Foi mais ou menos assim que ele falou. Confesso que não percebi metade, mas não sou cronista. Limito-me a andar pelo mundo, a relatar o que vejo, aquilo que imagino e o que poderia ser. É esta a minha visão, distorcida pelo meu cérebro com duas metades coladas uma à outra.
Despedi-me do Alcibíades e deixei-o com os seus recortes de jornais, sorumbático, a fragmentar o mundo. "Ah! E não te esqueças de um bocadinho de poesia, que é o mais importante", rematou ainda..."E como isto é uma corrente, passa a bola ao doce poeta lírico".
Adolfo Ernesto
Etiquetas: adolfo ernesto
Short list para a RTP
As perigosas religiões laicas
Para quem tenha recuperado ou nunca foi contaminado pelo vírus, é perfeitamente evidente que existem diversas formas de religião laica. Os contaminados, precisamente porque estão possuídos irracionalmente por uma fé, têm problemas no uso da razão. Daí a grande dificuldade em manter um debate racional com eles. Pior, quando se trata de pessoas de inteligência, cultura ou autodisciplina fracas, a ameaça à fé suscita fúrias e excessos de linguagem impróprios de pessoas civilizadas. >Ler mais>>
Etiquetas: Ler os outros
Porque hoje é sexta
Vai uma Tagus?
Etiquetas: Fracturas expostas
Postais blogosféricos
Etiquetas: postais blogosféricos
O processo Casa Pia
Já vos tinha dito que não acredito na Justiça portuguesa?
Etiquetas: Fracturas expostas, Política
Quinta-feira, Novembro 22, 2007
O binóculo de Mário Prata
A Leonor Barros fez-me este desafio no excelente blogue Geração Rasca. Repto aceite: passo a falar de uma crónica de que gostei muito.
Escrita na primeira pessoa, como mandam as boas regras quando se pretende estabelecer um clima de intimidade com o leitor, esta crónica mostra-nos bem a destreza e a plasticidade da língua portuguesa quando é usada no outro lado do Atlântico: “Claro que quem dá um binóculo para uma pessoa como eu, solteiro e rodeado de prédios e janelas tentadoras e indiscretas, tá mais a fim é de me ver procurando mulher pelada. Todo mundo sabe que a única finalidade do binóculo é o peito nu da vizinha. Foi inventado em 1645 com essa primordial finalidade.”
A vida do cronista, tal como a do fotógrafo de Hitchcock, não voltou a ser a mesma. “O que seria daquela janela sem o binóculo?” Somaram-se surpresas: a empregada do oitavo andar do prédio da frente, por exemplo, “além da falta de um canino, tem um joanete descomunal”. Ao contrário do “felicíssimo casal gay da direita, 3º andar”, a vizinha de cima “tem sistema nervoso, como diria a minha empregada”: o cronista surpreende-se por haver “ainda algum prato na casa dela”. E há “a loiraça do décimo primeiro”, de aliança no dedo, em parceria acelerada “com o desempregado do quinto, também de aliança”. O dono do binóculo acredita que não tardará a acontecer alguma coisa: “Mulher, quando ri muito das besteiras dos homens, está a um passo de perguntar o horóscopo, o que, como você sabe, é propor eminente e iminente sacanagem.”
Tudo vai bem até que descobre o adolescente do 11º, da direita, com “uma fantástica luneta” virada para a sua própria janela: “Eu aqui escrevendo e o garoto lá, me olhando. Vai virar cronista, quando crescer.”
Mário Prata, de 61 anos, é romancista e autor de argumentos para televisão, teatro e cinema. Durante mais de uma década, assinou uma crónica no diário O Estado de São Paulo. Releio Binóculo e interrogo-me: quantos escritores portugueses seriam hoje capazes de escrever um texto destes, com tanta graça, desenvoltura e perfeito domínio do idioma?
Etiquetas: Crónicas
É obra
A Marta Rebelo lançou hoje o seu novo livro, que se chama Descentralização e Justa Repartição de Recursos entre o Estado e as Autarquias Locais. Na impossibilidade de responder ao convite e de estar presente fica aqui a nota e o aviso: a Marta não se ficará por aqui. Tem menos de 30 anos e, que eu saiba, já vai no terceiro ou quarto livro técnico na sua área de eleição. A fiscalista é também militante destacada do PS, assistente universitária e chefe de gabinete de um secretário de Estado com sorte. É das poucas pessoas da nova geração que dá gosto ouvir e ler naquele partido. Parabéns Marta, em nome do Corta-Fitas.Nos bastidores do jantar 500 mil
500.000 visitantes!?
Etiquetas: Corta-Fitas
Os abraços e o aval
Um conto com final feliz
O redactor sabe que não. Que quem reencaminha os e-mails do medo é apenas outra minúscula engrenagem na fábrica desse medo, outro degrau na pirâmide do spam: A criancinha que desapareceu no supermercado ou numa loja de chineses, os animais geneticamente modificados transformados em hambúrguer, o iogurte que causa doenças, o refrigerante que foi desenvolvido pela CIA e chegou aos hipermercados, o homem que morreu ao beber por uma lata com urina de rato, são apenas os mais corriqueiros.
Mas um dia, em que se encontra bloqueado e nenhuma ideia lhe ocorre, não resiste a escrever: «Existe uma Multinacional do Medo que inunda as caixas do correio com boatos falsos e assustadores para criar listas de spam e provocar o caos nos servidores e nas mentes de pessoas em todo o Mundo! É preciso denunciá-los!!! Envia este aviso para todos os contactos na tua caixa de correio». Surpreso, vê a mensagem bater todos os recordes da história da Companhia. É nomeado empregado do mês.
Inspirado na notícia do Pedro Sousa Tavares hoje no DN, «DECO alerta para falsos avisos que circulam na Net». Obrigado Pedro.
Etiquetas: Eu vi o fim do mundo
História de algibeira (28)

1909 – Cerimónia oficial da inauguração oficial da estátua do Marechal Saldanha, presidida pelo chefe de estado, rei D. Manuel II. Na imagem, a estátua da autoria do escultor Tomás Costa e do arquitecto Ventura Terra. Ao fundo, sob as bandeiras nacionais, vislumbra-se a avenida Ressano Garcia, renomeada avenida da República pelo regime subsequente.
Imagem daqui.
Graças a Scolari
Etiquetas: desporto-rei
Nó cego
Escreve o Tomás: "António Costa e Sá Fernandes deram um nó cego ao Bloco em Lisboa." Pois. Só um cego é que não vê.
Etiquetas: Política-BE
Novo inquérito
Etiquetas: questionário
Caso Esmeralda
Quarta-feira, Novembro 21, 2007
Pequena memória de Ian Smith
No início dos anos 90 entrei no Zimbabwe com visto de turista. Assim que aterrei no aeroporto de Harare enviaram-me para os serviços de imigração: receavam que eu pretendesse ficar lá ilegalmente. Lembro-me que achei enternecedor pensarem que uma europeia quereria viver fora da lei naquelas paragens, até que percebi o que achavam que eu ia lá fazer. Contra mim ou a meu favor, a administração pública funcionava bem.Jantar Meio Milhão
O Luís Naves chegou esbaforido e, provavelmente, com vontade de dar umas dentadas. A quem? Ao Duarte. Seguiu a sugestão do colega corta-fiteiro e desceu a Avenida da Liberdade a pé. As indicações não foram as melhores. (Homem a explicar a outro Homem, só podia dar nisto)!
Comentámos como estava bem João Távora na revista Notícias Sábado, do DN, de sábado passado, na reportagem “Nobres do Século XXI”, onde diz com piada: “O mais comum é o nobre moderno ser funcionário público e morar num T3”. O Francisco sempre pôde vir ao jantar uma vez que a conferência de imprensa do presidente venezuelano no Meridien, foi desmarcada à última hora. Foi o fotógrafo de serviço, juntamente com a nossa Miss Pearls, que também fez um filme. A vitíma que estava entre os dois, Isabelinha, foi, certamente, a mais fotografada. Mas com sucesso. Falou-se de ditadores, da ASAE, de filmes, de blogues, dos nossos comentadores e de novos inquéritos. Um deles já está hoje on-line. Pois é, Teresa, a vitória de José Castelo Branco não foi assumida! Mas como a Adelaide de Sousa até parece ser simpática, acho que vamos gostar de tê-la como convidada. Concluiu-se também (ou, as mulheres firmaram) que as sextas-feiras masculinas são para continuar. Nem que o senhor escolhido seja o Manuel de Oliveira.
Não sei se estivemos todos a guardar-nos para o próximo jantar (com a Cristina presente) ou para o Natal, mas ninguém cobiçou sobremesa. Contudo, a dada altura pareceu-me ouvir: Não pedem sobremesa? Era o elegante João Távora… Aí a dieta, a dieta!
Já devem estar a perguntar: e o meio milhão? Mas que título é esse? Passo a explicar: o nosso Marlon Brando, Pedro Correia, deu-nos a boa nova: Entre hoje e amanhã atingimos o meio milhão de visitantes.
À nossa!
Mi casa es su casa
Adelaide de Sousa
Etiquetas: questionário
Afinal quem é o melhor colunista?
Alberto Gonçalves
António Barreto
Ferreira Fernandes
Helena Matos
Joana Amaral Dias
João Miguel Tavares
José Pacheco Pereira
Rui Ramos
Vasco Pulido Valente
Etiquetas: questionário
E a mulher mais bonita da TV é...
Sempre vosso e leal escriba,
Etiquetas: A Mulher esse princípio activo do Universo, questionário
Dedicado ao Pedro Correia
Etiquetas: Parole
Postais blogosféricos
Etiquetas: postais blogosféricos
Terça-feira, Novembro 20, 2007
Cadernos de Filosofia Política de Adolfo Ernesto (VII)
O programa nuclear
O Hugo é um compincha, mas tem um feitio terrível. Começou a sua carreira como tenente-coronel paraquedista. Um dia, o salto correu mal e ele bateu com a cabeça. Foi aí que lhe surgiu a ideia de ser um típico caudillo latino-americano, porque tinha lido uma aventura do Tintim e aparecia aquele general Alcazar, que também é porreiro. Como o Hugo é voluntarista, dito e feito, agora é caudillo. A nossa amizade remonta ao tempo em que estivemos os dois exilados em Cuba, em tratamento. Ainda lhe chamo Huguito e ele trata-me por Che, que é uma forma de pá: “Tenemos lazos de amistad y hermandad antiimperialista, Adolfo Ernesto”, costuma dizer.
Hoje, o Hugo passou por aqui, em busca de almas gémeas, de companheiros de rota, como dizem os franceses. Fui vê-lo à sala VIP.
“Una viaje peligrosíssima, la antiaérea española intentó abater my avión. Soy el quinto exportador de petróleo del mundo”, estava o Hugo a explicar a um dos funcionários do SEF, que exigia um documento que provasse que o Hugo era quem dizia e não vinha para a emigração clandestina.
“Exijo respeto para Irán”, exaltou-se o meu amigo, quando o tipo de SEF lhe perguntou para onde ia o presidente e a comitiva: “Para onde irão?”. Houve ainda uma acesa troca de palavras em torno dos conceitos de presunto implicado, mas tudo se regularizou quando o Hugo me viu. Foi uma grande festa, pá, com abraços e lágrimas. “Ay valores regulares”, dizia o meu amigo Hugo, enquanto me convidava para o visitar no seu país, onde lidera um processo político arrojado e inovador, muito apreciado pela esquerda moderna.
“Tu vienes a mi país, para una estancia. Tengo hoteles de la revolución y un programa nuclear. Esse es un nuevo programa en television publica, donde yo soy el nucleo, pois hablo seis horas”.
Estava muito entusiasmado com estas inovações. O Hugo diz que quer transformar o seu, até agora, obscuro país num farol da revolução internacionalista, numa perspectiva dialéctica e de desenvolvimento sustentado.
Portugal será central para criar um eixo imbatível (América Latina, Portugal, Irão), para controlar a energia global e fazer uma finta ao império fascista do senhor Bush e do outro rapaz espanhol, de bigode, que já foi afastado e cujo nome me escapou entretanto.
“Portugal es vital para mi estratégia”, explicou o Hugo, com um brilho nos olhos.
Eu já tinha posto o tipo do SEF em sentido, mas ele não desistia de querer controlar. Não se calava:
“Faço votos para que o senhor tenha uma boa estadia neste país”, disse o tolo do funcionário. O que foi ele dizer!
“Por que no te callas? Votos? Falaste em votos, espécie de homúnculo pró-americano? Seu lacaio da burguesia putrefacta, seu eurocrata buxista, espécie de drácula da retórica. Eu, quando ouço a palavra votos tiro logo a minha pistola”.
Ainda tentou sacar a pistola, para abater o energúmeno, mas consegui a tempo evitar um novo incidente diplomático.
O Hugo entrara em parafuso, quase em órbita, numa irritação que só uma vez atingiu aquela dimensão tão épica e ciclónica, quando decidiu desmantelar a assembleia nacional, literalmente, pedra por pedra.
“Já não há respecto por un idealista”, lamentou-se o Hugo, com um véu de melancolia naquele olhar solidário.
“Sim”, concordei, “Vivemos em tempos muito tristes”.
Adolfo Ernesto
Etiquetas: adolfo ernesto
Este ditador vem a Lisboa (8)

Etiquetas: África
Não há pão para malucos
Quando saltam para os jornais dados estatísticos sobre este assunto – e foi agora o caso, a propósito do III Congresso Nacional de Psiquiatria que decorreu há dias no Estoril – logo se avançam teorias para explicar o fenómeno: a vida está cada vez mais difícil, a pressão é constante, a instabilidade na família e no emprego uma ameaça ao nosso equilíbrio emocional. Também já ninguém ignora quais são os sinais da doença e o sofrimento que provoca, levando as pessoas, em casos limite, ao suicídio.
A compreensão parece ser total, a familiaridade com o problema inquestionável. No entanto, quem conhece casos destes – infelizmente eu conheço – sabe que em Portugal as pessoas que sofrem de depressão vivem num inferno. E em boa parte, porque a saúde mental neste país é de uma vacuidade gritante. A psicoterapia – fundamental no tratamento da depressão – é considerada pelo Serviço Nacional de Saúde um luxo. Há muitos centros de saúde que não têm sequer consultas de Psicologia e muitos dos que têm estão a rebentar pelas costuras.
Nos hospitais a dificuldade é a mesma. Espera-se demasiado tempo por uma primeira consulta. Restam os calmantes e anti-depressivos, que sem apoio psicológico só servem para criar uma nova classe de drogados, os drogados com licença para se drunfarem ou para se speedarem conforme as horas do dia e os dias da semana. Há cada vez mais gente à minha volta a viver assim. Movida a comprimidos, devidamente receitados na consulta de Psiquiatria. Porque para se tratarem a sério não têm dinheiro e no Serviço Nacional de Saúde não há pão para malucos...
Notas:
Seis meses à vista
Quanto à roupa, confesso que tenho tentado comprar o indispensável. Reforcei o guarda-roupa com mais uns vestidos que dão para qualquer altura e ontem comprei as minhas primeiras calças de grávida. São confortáveis e pelos vistos já há modelos tamanho S. O que é bom, pois sempre nos faz manter visíveis as nossas formas e não parecer um saco de batatas!
Já oiço algumas vezes: “Queres que te ajude a descalçar?”, proposta que vou aceitando.
Verdade seja dita, não damos trabalho ao pai pois não temos desejos. Talvez em breve, inventemos um ou outro pedido, só para ele poder passar por essa experiência.
Cada vez gosto mais de estar grávida. Cada manifestação do bebé - que ainda não tem nome - é um sorriso meu. E cá estou eu, sempre à espera de mais.
Ainda bem que me fazem essa pergunta
a) Não. Os jornalistas são todos anjinhos.
b) Talvez. É difícil distinguir porque andam todos/as de calças.
c) Sim. E de que maneira! Cala-te-boca-se-eu-dissesse-as-coisas-que-sei-um-dia-ainda-vou- escrever-sobre-isso-mas-não-enquanto-for-vivo.
Etiquetas: Até parece que não penso noutra coisa, Jornalismo
Para bem da nossa auto-estima...
Assim como se aceita a inevitabilidade da realpolitik na relação entre estados, parece-me essencial que os nossos representantes logo ao jantar, entre sabujas mesuras e gulosos acepipes, não percam a oportunidade de afirmar o alinhamento político do Portugal democrático... por muita contrariedade que isso cause ao flanco “rebelde” do Sr. Pinto de Sousa. Isso para bem da auto-estima nacional, e para que ele não seja confundido com um qualquer Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irão e também muito “amigo” de Hugo Chavez.Etiquetas: Política, Quotidiano
Procura-se
Etiquetas: Fracturas expostas
Alerta laranja
Este candidato a ditador vem a Lisboa...

...e eu estou-me nas tintas. Nas relações internacionais, sou a favor daquela história do "Estado a Estado", independentemente de quem ocupa a chefia do dito. O problema é dos venezuelanos, que o elegeram, e não nosso.
Quanto à questão com o rei de Espanha, fiquei contente por ter sido um momento clarificador no meio de tanta confusão ideológica que há no mundo. Quem tem uma ponta de simpatia por Chávez (ainda que não confessada) na polémica da cimeira, ou tenta justificar a sua actuação como presidente, pode ter a certeza que é de esquerda. Mas, felizmente, nem toda a gente de esquerda o desculpa.
Quanto a mim, tenho a enorme satisfação de saber que a minha cidade, segundo as últimas previsões meteorológicas, o vai receber com mau tempo.
Segunda-feira, Novembro 19, 2007
De quem é a rua, afinal?
Hoje a minha rua acordou com fitas plásticas vermelhas e brancas em volta dos automóveis estacionados. Ninguém entrava, e, sair, só depois de uma troca de impressões com um polícia, naquele tom típico português: "Ó xô guarda, o que é que se passa?"; "Isto dura até quando?"; "E agora, xô guarda, onde é que podemos estacionar?" (sendo que a esta última pergunta ele respondia sempre com um levantar de ombros e um virar de costas, deixando claro que, se alguém tinha direitos legais naquela situação, não éramos nós, os da rua). Horas depois, carros de exteriores de cinema, carros das luzes, do cattering, da produção, etc., ocupavam a nossa rua com indisfarçável arrogância, anunciando-se para quatro ou cinco dias.Lembrei-me de um artigo de Gomes Canotilho, "Uma peregrinação constitucional pela rua da interioridade", e fui lá buscar este bocado: "A rua era o lugar das pessoas e das coisas. Para um jurista, era um verdadeiro alfobre de direitos. É triste reconhecê-lo: a cidade matou a rua, já não há direitos da rua e na rua. A rua já não tem a alegria do primeiro vagido nem a angústia do último suspiro".
Cozinha de fusão
Etiquetas: Seriamente avariados da pinha como eu
Justiça e censura
Convém evitar confusões, Daniel. Ou partimos do princípio de que o Estado de Direito funciona em Espanha (é o princípio de que eu parto) ou não. Em caso afirmativo, o caso da revista com uma capa obscena que foi agora alvo de uma condenação judicial em primeira instância está longe do fim: basta ver que o processo transitou para recurso. Tudo poderá acabar com uma absolvição.Etiquetas: liberdade de expressão
Não há duas sem três
Reparei também que o secretário-geral da JS se chama Pedro Nuno Santos. É impossível não reparar. Acredito que seja um rapaz estimável. É, pelo menos, imparável. Logo na página de entrada não há notícia que não fale do que anda a fazer. A estratégia assenta numa precoce descrença na capacidade de retenção da memória dos seus simpatizantes e inclui duplicados: Da informação e das fotografias. Não ficamos esclarecidos sobre o que motivou a escolha de imagem da campanha. Mas, pelo menos sobre quem é e o que diz o secretário-geral da JS, somos informados à exaustão.
Há esquerdas e esquerdas
Concordo em pleno com o texto do Pedro, aqui em baixo. Estive a ler o Vargas Llosa e na realidade ali está quase tudo sobre o infeliz episódio do encerramento da XVII Cimeira Ibero-Americana. Duas notas: a primeira para lamentar muito do que se tem dito e escrito por aí, sobretudo à esquerda, sobre o caso "Por qué no te callas?". Na grande maioria escrevem pessoas que viram a coisa por alto na televisão, foram aos blogues do costume e toma lá, desata a escrever disparates; a segunda, para reconhecer que há esquerdas e esquerdas, veja-se o caso da latino-americana (a que não é chavista, fidelista, moralista ou orteguista) e da espanhola vs a nossa. A nossa, de facto, e neste caso, revelou-se muito pobrezinha de argumentos. 
O Mussolini venezuelano
Etiquetas: Mussolini de esquerda
Bota abaixo
Etiquetas: Fracturas expostas
O avião do amor
Com excepção da alínea c), cinco minutos parece-me manifestamente pouco para a tomada de decisão. Isto dito por alguém que admite desde já ter feito escolhas de vida decisivas em menos tempo, embora nem sempre em lugares bem iluminados. A meu favor, saibam pelo menos que quando viajo sozinho de avião não perco tempo em conversas com ninguém, excepto com a hospedeira. Tenho idiossincrasias cá muito minhas.
Etiquetas: Amor essa coisa linda e inesgotável
Aproveitem que não duro sempre
Domingo, Novembro 18, 2007
Numa aldeia que resiste (ainda) ao invasor
NU tícias
Ao fim de uma semana de notícias diárias sobre o seu colega pivô José Rodrigues dos Santos, José Alberto Carvalho tirou a gravata. Post provavelmente enjoativo
Domingo
Naquele tempo, comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas. Jesus disse-lhes: «Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído». Eles perguntaram-Lhe: «Mestre, quando sucederá isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?». Jesus respondeu: «Tende cuidado; não vos deixeis enganar, pois muitos virão em meu nome e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim». Disse-lhes ainda: «Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fomes e epidemias. Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu. Mas antes de tudo isto, deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos, entregando-vos às sinagogas e às prisões, conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Assim tereis ocasião de dar testemunho. Tende presente em vossos corações que não deveis preparar a vossa defesa. Eu vos darei língua e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir ou contradizer. Sereis entregues até pelos vossos pais, irmãos, parentes e amigos. Causarão a morte a alguns de vós e todos vos odiarão por causa do meu nome; mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá. Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».
Da Bíblia Sagrada
Etiquetas: Cristianismo, Religião
Sábado, Novembro 17, 2007
Palavras que me metem nojo
Mais que ódio
sharia
inspira-me um profundo asco
Tributo à Bolacha Maria
Composição: Farinha de trigo, açúcar, gordura de palma, xarope de glucose, água, emulsionante, (lecitina de girassol), sal mineral, levedante químico (bicarbonato de sódio), agente de tratamento de farinha (metabissulfito de sódio) e glúten.Valores nutricionais por 100 g: Valor energético: 1779KJ (421 Kcal) Proteína: 6,8g Glícidos 78,9 g, Lípidos: 8,7g.
Ainda as comprei ao quilo envoltas em farripas de papel, dispostas em caixas de cartão. Naquele tempo, pouco antes do advento dos supermercados, já havia uma variedade enorme de bolachas, em saquetas ou a peso. Vendiam-se numa qualquer mercearia ou charcutaria de bairro. Com recheio, sem recheio, d’Araruta, de Baunilha, Belinhas, Torrada, de Areia, Água e Sal, Línguas de gato, de veado ou da sogra, etc., etc., etc.
Mas as “bolachas” mais “bolachas” de todas; mais saborosas e que porventura eu levaria para uma ilha deserta - juntamente com os meus CDs e livros preferidos - seriam sem dúvida uns quantos pacotes de “bolachas” Maria... (e uns litros de refrigerante para desembuchar, s.f.f.).

Lembro-me em pequeno quando comprava quinze tostões delas na mercearia da Sra. Natália, que m’as aviava profusamente num cartucho de papel pardo. Sabia melhor e satisfazia bem mais do que um rebuscado e módico bolo da pastelaria do Sr. Manel ali na outra esquina. Depois ainda tinha que as comer avaramente, à pressa, num recanto escuro das escadas do prédio, subjugado pela gula - para não ter que as repartir com os meus insaciáveis irmãos.
A Bolacha Maria é uma receita simples de enorme sucesso. Por mais que se inventem mais variedades, bolachas mais finas ou sofisticadas, a previsível Bolacha Maria nunca enjoa, cai sempre bem. Por exemplo, ao lanche sabem tão bem aos pares, com uma redundante porção manteiga de entremeio, acompanhadas com um chá quente ou uma laranjada fresca.
Num mundo pleno de imprevistos, novas experiências, radicais performances, jornalistas de causas, cozinha de fusão ou apenas nouvelle; cheio de modas e novos conceitos, experimentais ou definitivos, novíssimos softwares e hardwares, mais às suas actualizações, online ou offline... é
muito reconfortante saber que existem algumas sensações previsíveis, experiências que não mudam, sabores resistentes e imutáveis.Não tem nada a ver
Etiquetas: tropeçar na bengala
Avançar para trás
Etiquetas: Ler os outros
Retrato da "crítica" em Portugal
Etiquetas: crítica
Também eu estou pensativa
Depois de gerir com eficácia uma empresa que é um sorvedouro de dinheiros públicos, como é a RTP, Almerindo Marques vai gerir - certamente com eficácia - uma empresa que é um sorvedouro de dinheiros públicos, como é a Estradas de Portugal. Alguém tinha que o fazer, bem sei, mas ainda não percebi se é uma boa notícia..
Sexta-feira, Novembro 16, 2007
Este ditador vem a Lisboa (7)
Etiquetas: África
Para a nossa Maria Inês
Um poema recuperado da minha caixa:
«Não foi como recordas. É mentira
a folha seca tombada sobre o teu colo,
no exacto momento em que disseste
a palavra que não queria ouvir.
Interpretas em excesso a Natureza,
nem tudo sucede porque acontecemos.
Ontem mesmo quando chorei não choveu
e isso prova a inexistência dos deuses.
Também acontece sentir-te, ausente
não estares ali mas antes a tua sombra.
Fosse um sinal estaria louco
e não é assim porque te respondo como existisses.
Foi talvez ontem. Entrei clandestino no teu quarto
abandonado e branco, no chão as cartas
que escrevi atadas pelo cordel do Tempo.
Enquanto as abria, uma folha seca tombou.
Etiquetas: Tertúlia literária
Notícias provincianas
Isso tem ar de doer
Etiquetas: Ler os outros
Nem sei mais o que diga
Clara Pinto Correia advoga pois, em lugar das críticas tão do desagrado de José Sócrates, o seu espancamento preventivo. Uma espécie de vingança avant la lettre. «Ainda não revogaste a lei? Ah, mas és gajo para isso. Toma lá um uppercut nos queixos antes que te portes mal». Atrever-me-ia a dizer que, mesmo numa casa de profissionais do sexo, não é hábito incitar ao afiambramento do Chefe de Governo eleito. Numa democracia, pelos vistos e a avaliar por esta crónica, acontece de vez em quando.
Etiquetas: Seriamente avariados da pinha como eu
As nossas caixas
Apeteceu-me deixar aqui uma das folhas que lá se encontram.
Nunca sei quando o vento, o calor e o frio se encontram e desencontram nos nossos corpos.
Nunca sei quando a timidez tem tempo para ser vencida, nem quando volto a ver as luzes sempre diferentes que nos iluminam, mas igualmente tímidas.
Nunca sei quando tem início o jogo de reflexos, nem o novo dia, para que me encontre fascinada pelo prazer do toque, do tacto, como um cego que lê braile pela primeira vez.
Nunca sei quando o sol da noite me volta a abrilhantar o caminho até ti, até nós, nem quando a lua me pintará com cores vivas e fulvas.
Nunca sei quando os teus olhos voltam a ser a catedral de granito na qual me confesso sempre que a minha boca vai de encontro aos teus lábios.
Nunca sei quando irei olhar as estrelas e enviar-lhes aquele sorriso beatífico, audível e inacabável que adquiro antes, durante e depois de te ter olhado, de nos termos sentido.
Nunca sei qual vai ser a porta que tu vais abrir e que vai ser a ponte para a nossa saudade se afundar num abraço.
Nunca sei quando volto a escutar a noite mais silenciosa e ousada.
Nunca sei quando voltas a filtrar a luz dos meus olhos, pelos teus olhos, nem quando as palavras e os sentidos se namoram e se escondem, com aquela ingenuidade e ternura quase infantis, por detrás de nós.
Nunca sei quando é possível que as flores que decoram o céu assistam a este entrelaçar de sentimentos, depositado na união de duas mãos.
Nunca sei quando volto a ter memórias porque nunca sei quando voltas».
Depois de amanhã, outra vez Domingo
Etiquetas: Cristianismo, Religião
Hoje já não durmo
Etiquetas: Eu vi o fim do mundo
O fado das sextas
Porque hoje é... o vosso dia
Escrevo-te de manhã, no gabinete da enfermaria, enquanto espero mais três evacuados. Foi o outro médico que aqui está comigo que, desta vez, os foi buscar. Ontem à noite acordámos todos ao som de tiros: devias ter-me visto, de pijama e arma como um coronel de reserva, a sair a correr para a parada, descalço! Começo a compreender Che Guevara: há qualquer coisa de realmente emocionante nisto, palavra, e até o contacto frio e duro da espingarda é agradável. Não penses, contudo, que ando por aqui aos tiros armado em parvo. Talvez, realmente como o Hemingway sustentava, a experiência de guerra seja importante para um homem.”
António Lobo Antunes in D’Este Viver Aqui Neste Papel Descripto
Postal de Natal
Quinta-feira, Novembro 15, 2007
Estrelas de cinema (8)
A “estranha” é Erica Blair, uma citadina a meio da vida, a meio da escala social, a quem um bando de energúmenos rouba para sempre a oportunidade de ser feliz. Matam-lhe o namorado, deixam-na à beira da morte. Aconteceu com ela, poderia acontecer com qualquer de nós.
A recuperação é demorada. E a Erica que sai do hospital pouco ou nada tem a ver com a Erica anterior. É uma mulher dilacerada, torturada, obcecada pela vingança. Esta obsessão amplia-se quando é confirmada a ineficácia das forças policiais.
A partir daí, passa a travar o seu combate solitário contra as forças do mal. Um combate que não a redime de nada, mas que ela executa com a voracidade de um anjo vingador. Os tempos são propícios a esta cartilha do “olho por olho, dente por dente”: só sobrevives se adoptares a conduta moral de quem te pretende destruir.
A Estranha em Mim podia ser um vulgar fita de “acção” ou de suspense feita a pensar no consumo acelerado de pipocas. Mas destaca-se da mediania em boa parte graças à interpretação de Jodie Foster, que encarna na perfeição a personagem de uma mulher dual, vítima e verduga, estigmatizada pela violência urbana hoje sem fronteiras definidas.
O carácter simbólico da trama é destacado pelo experiente realizador irlandês Neil Jordan, que nos introduz numa Nova Iorque baça e densa, quase desfocada, quase irreconhecível. A banda sonora sublinha o desenrolar do drama interior de Erica com uma intensidade semelhante à partitura composta por Bernard Herrmanm para acentuar o errante itinerário do Travis Bickle de Taxi Driver (1976) – uma longa-metragem estranhamente simétrica a esta, aliás intensificada pela aparição de Jodie Foster em ambos os filmes. Repare-se no tema “Answer”, de Sarah McLachlan: “If it takes my whole life / I won’t break, I won’t bend / It will all be worth it / Worth it in the end.”
Mas o melhor desta A Estranha em Mim – melhor ainda do que a extraordinária interpretação de Foster – é o seu subtexto, com evidentes alusões à atmosfera política e social posterior ao 11 de Setembro de 2001 e aos demónios que se soltaram nesta data, transformando a nossa vida para sempre.
Neste preciso ponto situam-se, no entanto, também alguns dos aspectos mais equívocos deste filme, que parece justificar primitivas e demenciais formas de violência em nome do instinto de sobrevivência inerente à condição humana. Neste aspecto, A Estranha em Mim tem múltiplos antecedentes, que remontam aos dirty westerns de Clint Eastwood, na pele do justiceiro implacável que chega à cidade montado num cavalo negro, à série de fitas protagonizadas nos anos 70 por Charles Bronson, vingador solitário ainda sem as circunstâncias atenuantes em vigor no mundo pós-11 de Setembro.
Nós, espectadores, tendemos a simpatizar com Erica Bain e a secundá-la nos seus propósitos de erradicar o mal daquela cidade (de todas as cidades) patrulhada por uma legião de polícias impotentes. Mas o que sucederá quando ela amanhã deixar de matar por vingança e passar a matar por prazer, tornando-se igual aos energúmenos que hoje persegue?
Eis uma pista que o filme abre sem resolver. E é preocupante a propositada ambiguidade em que nos deixa.
Etiquetas: Cinema
Mea culpa
Etiquetas: Fracturas expostas
Tropeçar na bengala
Há pessoas a quem acontece tudo. É o caso do filho daquela fulana da baixa sociedade agora em julgamento por ter mandado matar o marido. O rebento, ao que consta, também não é flor que se cheire: mal a mamã recolheu à cadeia, desatou a vender ao desbarato os tarecos da família, acabando igualmente por ser detido. O facto de ser uma espécie de protegido desse tal de Castelo-Branco não foi considerado circunstância atenuante, mas agravante. Como seria de esperar.Pois não há nada que não aconteça a este rapaz. Abro o 24 Horas e leio o seguinte: "David Motta, filho de Maria das Dores, chegou ao tribunal de bengala. A meio da manhã ainda teve um percalço: tropeçou na bengala e caiu. Mas rapidamente se levantou."
Etiquetas: tropeçar na bengala
Sto. António dos Olivais
É verdade que passei uma boa temporada em Coimbra, vivi em Sto. António dos Olivais. Lembro-me que ouvia Lloyd Cole de mais, e que um dia uma bem intencionada alma me ofereceu um gatito siamês para minha salutar companhia. Acho que o animal chegou demasiado crescido às minhas mãos, já elegante e lustroso. Desde então tentámos com afinco domesticarmo-nos mutuamente, mas a causa era perdida - foi curta e inglória a sua passagem na minha vida. O bichano, além de não me ligar peva, possuía uma estranha extravagância: subir às arvores que não sabia descer. Uma noite, de madrugada, acordei estremunhado com os seus miados aflitos. Espreitei ensonado para o quintal, e lá estava ele, empoleirado num tronco da alta árvore. Na noite seguinte ao chegar a casa, àquela pacata rua de província, o gato lá permanecia, balanceante, num ramo ainda mais alto e mais frágil, com um miar mais sonoro e desesperado. Pressenti os olhares estremunhados e recriminatórios dos meus vizinhos, ocultos pelas suas térreas gelosias. Ao terceiro dia, finalmente entrou em casa despenteado, rouco e a coxear. Dei-lhe uma reconfortante refeição, e nessa noite ambos dormimos um sono profundo e retemperador.Que eu me lembre, a cena repetiu-se mais duas vezes. À medida que o tempo passava, o bicho subia mais alto, para os mais frágeis e trémulos ramos, ao nível de um segundo andar. O pânico da vertigem impelia-o para o alto. Atirei-lhe com pinhas, chamei os bombeiros, a situação era desesperada. Até que o gato caía de maduro, pelo cansaço ou pela força do vento.
O bicho era bonito. Olhos verdes claros, por detrás duma mascarilha castanha a condizer com as botas e luvinhas, sobre um pelo sedoso bege claro. Uns dias mais tarde o bichano desapareceu. Foi algum incauto forasteiro que o roubou, atraído pela fidalga figura do estúpido animal. Ou então um vizinho mais zeloso lhe deu um curativo fatal. Para bem da boa vizinhança.
Demorou algum tempo mais para que eu próprio, pelo meu pé, descesse da minha árvore.
Quarta-feira, Novembro 14, 2007
Sempre a pensar na Pátria
Enquanto Hugo Chavez pensa numa forma de boicotar as empresas e bancos espanhóis na Venezuela, as empresas e bancos portugueses deveriam aproveitar este mercado e ocupar o espaço que os nossos irmãos vão deixar em aberto. Postais blogosféricos
2. A Rua da Judiaria festejou o quarto aniversário. Muitos parabéns ao Nuno Guerreiro.
3. Visito cada vez com mais frequência este blogue. E gosto cada vez mais dele, a começar no título.
Etiquetas: postais blogosféricos
Lisistrata*
Ora, como já a Cristina aqui escreveu num comentário a um dos meus posts (ou terá sido a Teresa?), «os homens são muito básicos» (ou «simples». Enfim, vai dar ao mesmo). Respondendo à Maria Inês, era bom que fossemos todos iguais mas alguns são menos homens do que os outros. Tirando esses, somos de facto todos Playmobil. Uns encarnados, outros azuis, mas iguais (já estou a ver alguém a ter a brilhante ideia de realçar que os Playmobil não têm, enfim, «Aquilo». Não interessa para o caso).
Não percebo que mais querem as mulheres. Têm a suprema vantagem competitiva de saberem o que queremos, como somos e os limites do que podemos ser. Já os homens são todos Freudezinhos que se vêem em palpos de aranha para perceber o que querem realmente as senhoras por detrás daquilo que dizem querer. Com a idade, tendemos a perder a paciência para as compreender. Ou encontramos uma mulher que nos diga claramente o que quer, ou outra para a qual nos estejamos nas tintas sobre o que pretende. Isto é um bocado abrutalhado de dizer-se. Mas os homens, por natureza, são abrutalhados. Há-os sensíveis, não duvido, mas a prazo saem um bocado caros no deve e haver do coração. Valha a verdade, sou adepto de que uma mulher só procura um homem sensível quando desistiu dos outros, da mesma forma que o homem abdica do cartão de crédito. Voltando ao início, já conheço cada uma das mulheres que escrevem neste espaço. Todas elas, sem excepção, têm razões para provocar deslumbramento em qualquer homem que se preze. Fosse eu solteiro e continuaria a sê-lo com cada uma. Isto é um elogio? Para mim sim. O que é que se pode fazer? Como homem, não tenho remédio.
Etiquetas: A Mulher esse princípio activo do Universo, Fracturas expostas
Entre o salpico e a mancha
Este ditador vem a Lisboa (6)

Idriss Déby Itno.
Presidente do Chade desde 1991. Tem 55 anos.
Tenente-general, tomou o poder por um golpe militar em Dezembro de 1990. Dois meses depois, declarou-se titular da chefia do Estado. A "eleição" de 2001, em que recolheu 63% dos votos, foi considerada fraudulenta por observadores internacionais. Cinco anos depois, viria a ser "reeleito", num escrutínio boicotado pelo que restava da oposição política. Para trás ficou a cláusula constitucional que impedia um presidente de cumprir mais de dois mandatos consecutivos: um "plebiscito" às ordens de Idriss aboliu este impedimento formal à sua perpetuação no poder.
Segundo a revista Forbes, o Chade é uma das nações mais corruptas do mundo. Enquanto os víveres essenciais escasseiam, mais de 30 milhões de dólares são aplicados na compra de armamento neste país que há dois anos está em guerra com o vizinho Sudão.
A detenção de opositores, pacifistas e jornalistas - "vítimas de julgamentos injustos", como assinala a Amnistia Internacional - é frequente. O conflito com o Sudão levou entretanto o Governo a "tomar a absurda e insensata decisão de reintroduzir a censura" à imprensa, como assinala a organização Repórteres sem Fronteiras.
Idriss é um tirano. Portugal prepara-se para recebê-lo com todas as honras.
Etiquetas: África
As leis do mercado (3)
- Eu gosto é das balzaquianas, porque conciliam alguma juventude com o charme que só se ganha com um certo amadurecimento.
- Nada disso. O meu alvo são as quarentonas. É a partir dessa idade que elas começam a perceber que estão a perder mercado e por isso tornam-se deliciosamente vulneráveis. Deixam-se de exigências e ficam-nos tão agradecidas que se dispõem a tudo para nos conservar.
Demolir é o melhor remédio
Eu sei que fica muito bem em revistas de arquitectura ou em reportagens sobre a "Lisboa moderna", e que, na euforia da Expo'98, só olhámos para a sua espectacularidade quando foi inaugurada. Mas, para mim, a Gare do Oriente é uma das obras mais absurdas que já se construiram na cidade. Feia, com o betão que aparece a dar-lhe um ar rasca e sempre inacabado, sem conforto, com o vento frio (mesmo no Verão) a entrar por todos os lados, com os vidros sujos pela inevitável poluição e difíceis de limpar, confusa, sem se perceber onde são as plataformas e as ligações com a superfície e o metro, sempre que lá fui fiquei arrependido de não ter ido apanhar o comboio a Santa Apolónia.Por isso, tremi quando hoje ouvi num telejornal que querem fazer dela a estação central do prometido comboio de alta velocidade e que vão encomendar estudos ao infeliz arquitecto que a concebeu, o espanhol Santiago Calatrava. Eu sei que ele é considerado um génio e até já admirei obras suas, como as pontes em Bilbau e em Mérida, por exemplo. Mas em Lisboa não acertou. O único remédio é demolir o monstrengo e fazer algo menos espectacular mas bem mais funcional e confortável. Os utentes agradecem.
Foto: Vítor Ribeiro
Terça-feira, Novembro 13, 2007
Os Homens não são todos iguais. Ou serão?
Conversa entre um casal de namorados, à saída do filme Corrupção:
Ela - O próximo que agora vamos ver é o Call Girl.
Ele - Para quê? Eu não vou. A ver pela apresentação é mais do mesmo. A Soraia Chaves a passear-se, meio despida, durante 90 minutos. Para isso vou para casa e coloco o DVD do Crime do Padre Amaro.
Inveja de ti, Juan
Muitas vezes, em momentos especialmente enfadonhos ou excessivamente formais, dou por mim a imaginar que alguém pisa uma casca de banana e cai de pernas para o ar, como nos livros do Tintin; ou que o jornalista, na frieza do estúdio, da maquilhagem e das câmaras, deixa escapar um irritado "disparate!" para o político; ou que o actor, em cima do palco, declara a meio da peça "isto hoje não me está a sair muito bem, desculpem lá"...... E ele calou-se mesmo
Etiquetas: Venezuela
Sábias palavras

Nunca conheci ao director do Público, José Manuel Fernandes, simpatias monárquicas, mas no seu editorial de hoje, a propósito do que se passou entre o rei de Espanha e o presidente da Venezuela, há passagens que vale a pena transcrever:
“(...)Têm sido utilizados dois argumentos para desqualificar a atitude do Rei: primeiro, não é um chefe de Estado eleito; segundo, falou como um antigo senhor colonial.
O primeiro argumento carece de fundamento, pois a legitimidade de Juan Carlos enquanto chefe de Estado provém da sua aceitação pelo povo espanhol, que nele se revê e o respeita como referência unificadora num Estado plurinacional, e que lhe está reconhecido pelo papel que desempenhou aquando da tentativa de golpe antidemocrático. Figura acima dos partidos, limitou-se a defender os espanhóis: dirigiu-se a Chávez dizendo-lhe que se calasse porque o actual primeiro-ministro de Espanha defendia o seu antecessor, por sinal um seu adversário político, de um ataque à margem de todas as regras. Pediu boa educação a quem a desconhece.(...)
Na Europa há muito que as monarquias sobreviventes convivem bem com a democracia em países onde se aceita e respeita monarcas não eleitos, conferindo-lhes tanta ou mais legitimidade do que a efémeros líderes populistas. (...)
Juan Carlos actuou com a clareza com que o fez porque não possui poder, antes tem a autoridade de ser, para muitos, uma referência. (...)”.
Uma história com moral
Etiquetas: Baú das memórias
Segunda-feira, Novembro 12, 2007
Um «lamento mas não posso ajudá-lo» bastaria
Cinema Nostalgia (17)
Onde começa a ficção, onde acaba a realidade? A pergunta tem pleno cabimento nos casos dos westerns protagonizados por John Wayne. Porque, se como disse alguém, o cinema americano é o western, do mesmo modo este género cinematográfico nada seria sem John Wayne. O mítico, o único, o inconfundível John Wayne.
Não terá havido actor mais “tarimbeiro” no cinema americano do que Marion Morrison, nascido a 26 de Maio de 1907 (era um típico Gémeos, o signo de todas as transfigurações). Os registos de Hollywood contabilizam cerca de cem películas que terá rodado entre 1926, ainda no tempo do mudo, e 1939. Quase todos westerns baratuchos, de série B, quase todos filmes medíocres, rodados em meia dúzia de dias nos estúdios da Republic. Foi uma longa aprendizagem até se recriar aos 32 anos, no papel de Ringo, em Stagecoach (Cavalgada Heróica). Surgia o western tal como o conhecemos, Marion Morrison dava lugar a John Wayne. Print the legend.
Nascia uma estrela. E nenhuma foi maior do que Wayne. Ao ponto de se confundir com todo um género cinematográfico, transportando a mesma personagem de filme para filme. Uma personagem com espessura, com passado, marcada pelo tempo e magoada por conflitos de toda a espécie mas que nunca perde uma certa integridade interior. Não há moralismo mas há sempre uma moral nos filmes de Wayne, cowboy que nunca abandona os códigos de honra num mundo onde a única lei é a da bala.
Etiquetas: Cinema nostalgia
Cinema Nostalgia (17-II)
Dirigido por John Ford e Howard Hawks, protagonizou mais obras-primas do que qualquer actor do seu tempo e provavelmente do que qualquer actor de todos os tempos. Fiquemo-nos pelo western: depois de Cavalgada Heróica, rodou Forte Apache, Os Dominadores, Os Três Padrinhos, Rio Grande, A Desaparecida, O Homem que Matou Liberty Valence (de Ford), Rio Vermelho, Rio Bravo e El Dorado (de Hawks). Além de outras que jamais se apagarão da memória de nenhum cinéfilo, como Homens Para Queimar e O Homem Tranquilo (ainda de Ford).
Mas em nenhum outro ele vai tão bem como no seu filme-testamento: O Atirador (The Shootist, de Don Siegel, 1976). Aqui personagem e intérprete fundem-se como nunca: na vida real, Wayne é um homem à beira do fim, devorado por um cancro; o mesmo se passa com o protagonista, John Bernard Books, um mito ainda em vida, sobrevivente do Velho Oeste em pleno século XX. Aquele mundo em que o cavalo dava lugar ao automóvel já não era o seu. Mas Books-Wayne mantinha intacto o lema que o tornara célebre: “Não serei enganado, não serei insultado, não deixarei que outros me deitem a mão.”
Nessa Carson City que já nada tinha a ver com o tempo dos pioneiros, o temível “atirador” confessava afinal à viúva Rogers (interpretada por Lauren Bacall): “Sou um homem à beira da morte, que tem medo do escuro.” Frágil Wayne, vulnerável Wayne, enfim regressado à condição humana neste maravilhoso western crepuscular que marcava também o fim de uma era em Hollywood. John Wayne não voltaria a filmar. O western praticamente desapareceu como género cinematográfico. E nós não voltaríamos a ver cinema com os nossos olhos encantados de meninos.
Publicado no DN
Etiquetas: Cinema nostalgia
Um país sem governo
Tudo começou desta vez com a exigência do vencedor da eleição, o democrata-cristão Yves Leterme, em fazer uma reforma profunda do Estado. Esta reforma, na prática, ameaça separar de vez as duas grandes regiões do país – Flandres e Valónia. O partido de Leterme conquistou 81 deputados (num total de 151), maioria ainda assim insuficiente para levar por diante a tal reforma, que requer dois terços de votos no parlamento.
Enquanto o impasse se prolonga, os belgas parecem satisfeitos. É um exemplo a seguir com atenção: agora que recebemos tantas lições de Bruxelas, saibamos acolher mais esta. Um país sem governo. Que bom.
Etiquetas: Europa
Por que não o Velho Testamento?
À atenção do Provedor
Etiquetas: Televisão
Melhor do que o Euromilhões, só a GALP
Na volta do correio, a missiva de Amorim dizia simplesmente isto: «Muito obrigado pelo seu comentário, o qual corresponde à verdade dos factos». Ri-me a bom rir.
Domingo, Novembro 11, 2007
Treinador de blogue
Embora eu simpatize com Paulo Bento e seja contra chicotadas psicológicas, tenho a impressão de que com ele o Sporting não vai a lado nenhum. Uma das razões para esta tradicional culpabilização do treinador, que hoje assumo, é a insistência em escalar o inenarrável Yannick Djaló na equipa inicial para depois substitui-lo, lá para os 70 minutos de jogo, quando confirma que foi mais um jogo em que ele não marcou golos, não fez bons passes e teimou em jogadas individuais para que não tem talento. Por isso, a minha receita de sucesso para o próximo treinador do Sporting começa por este singelo pedido, inspirado num programa antigo do Jô Soares: tira o Djaló!!!Caro João Villalobos:
Depois tiveste ali, incondicional e veneradora, toda a trupe corta-fiteira, à parte do Francisco que anda lá por fora a lutar p’la vida. E olha que notava-se bem como as donzelas do nosso blogue não andam de autocarro... Enfim, todos boa gente, não te deixamos ficar mal, deves ter reparado: integramo-nos bem, não partimos muita loiça, não dissemos mal do Sócrates assim muito alto. Enfim até demos algum ambiente à coisa; o Francisco José Viegas, bom anfitrião, deve ter ficado aliviado.
Mas olha João, que foi ainda na sexta-feira à noite que me deliciei com alguns dos teus poemas. Uns eram apenas umas curtas frases encantadas, de amor ou não; nalguns notava-se-lhes até umas nesgas de carne viva; coisa boa, vinda dum poeta.
Um abraço, parabéns e até sempre!
Etiquetas: Corta-Fitas, Leituras
O final de Domingo
Etiquetas: Cristianismo, Religião
Sem cortinas
Chegada recentemente de Amsterdão onde, de início, facilmente poderia ser reconhecida por atravessar passadeiras a correr com receio da mudança de sinal (velhos hábitos custam a perder), terminada a ressaca do silêncio e da falta de tubos de escape e de novo reconciliada com o ruído constante que me entra do eixo norte-sul (em Lisboa há hábitos que não se perdem) abro uma janela neste blog, prendo as cortinas, deixo entrar o sol e os olhos dos que nos leêm.
Amsterdão, uma cidade sem cortinas nas casas que ladeiam os canais, abertas aos olhares de quem passa nas ruas, nos barcos, de dia e de noite. São as janelas sem estores que sobressaem da escuridão dos prédios sem curiosidade de os desvendar, são contornos que a distância não identifica, são casas com gente dentro, as estantes, as luzes, as paredes, um pedaço de intimidade sem som nem legendas, cheias de vidas sem máscaras, corações libertos, de amores, desamores, boas vidas e outras nem tanto.
Como um leitor também observou : "E apelo ao interior das casas?" É isso. Cheguei com essa inesquecível impressão dos interiores da casas, principalmente à noite, as que ladeavam os canais, com janelas amplas e sem cortinas. Coisa estranha. E eu que pensava que eram coisas minhas, habituada a uma cidade barricada em black outs de cortinas corridas.
"Quem vive em Amsterdão e tem a casa ao nível da rua não está mininamente preocupado com os olhares dos forasteiros para dentro do seu ninho. Faz parte. Afinal, esta é a cidade das vitrinas, do bairro da Luz Vermelha", escreveu ontem o jornalista do Notícias Sábado no artigo "Bom tempo no canal".
Afinal não eram coisas minhas. Sábios, os habitantes dos canais sabem que são só sombras, formas, luzes, imagens de passagem, fugidias, sem identidade e que a distância faz sumir. É o que se deixa ver, o que se permite vislumbrar sem poder adivinhar. São como posts com vidro fosco.
Sábado, Novembro 10, 2007
Sábado amargo
Não conheço as circunstâncias protocolares em que o Rei Juan Carlos terá mandado calar o seu homólogo venezuelano na cimeira ibero-americana em Santiago do Chile. No entanto está comprovado o cariz irresponsável e déspota de Hugo Chavez, e comprovada está a superior legitimidade dum regime democrático como o da nossa vizinha Espanha.O mundo livre teme pelo futuro do povo venezuelano. Nós vivemos resignados à fatal e submissa realpolitik da nossa virtuosa república, em prol da qual impunemente se subjugam os mais sagrados valores civilizacionais, quantas vezes por um mero prato de lentilhas.
Mesmo assim não nos devíamos todos envergonhar com as atabalhoadas declarações de apoio a Hugo Chaves proferidas à imprensa pelo nosso primeiro ministro na sequência do incidente, numa desprezível disposição subalterna?
Para além de medíocres, teremos que actuar como cobardes?
Imagem do Sol
Etiquetas: José Sócrates, Política
A propósito de tudo
Falamos da morte,
de como se parte o sopro que unia
esta tão frágil, vívida fantasia.
Um último passo, leve, despercebido
nos aproxima da terra e do seu sentido.
Falamos de como pouco tanto sabe
e tanto sabe a tanto antes que acabe.
Da nossa voz tornada eco na memória
de quem fugaz partilhou a mesma história.
Falamos da vida. Imensa e clara,
seja ela a da formiga ou da cigarra.
Do amor, da alegria, da certeza,
de uma família partilhando a sua mesa.
Tudo o que temos está aqui e está agora.
Tão vivo está quem ri como quem chora.
Falamos de nós, centelhas de luz
Batendo asas por aquilo que reduz.
Quando afinal bastaria descansar
De mãos dadas respirando junto ao mar.
Um só fôlego, uma única tarde,
Que nada existe tão mais perto da verdade.
(Do livro de poesia do João Villalobos, "As mulheres bonitas não viajam de autocarro", que foi ontem lançado na Casa Fernando Pessoa)
Na morte de Mailer
Etiquetas: Livros
Assim
Perda
Sexta-feira, Novembro 09, 2007
Parada militar
Este ditador vem a Lisboa (5)
Etiquetas: África
A Man Needs A Maid
de Neil Young, um dos maiores trovadores do nosso tempo.
É uma pequena provocação ao nosso João Villalobos neste seu dia especial.
Até logo!
Viernes
Vai um pisco?
Puxão de orelhas a Mourinho?
Damos-lhe cartão amarelo? Ou vermelho?
Porque hoje é sexta...
- Como é que se sentiria se tivesse sido a sua mulher a ter relações com outro homem?
- Completamente revoltado; seria capaz de tudo, inclusive de matar, porque não compreendo que se tenha que fazer isso. Admito que a minha mulher já tenha cobiçado ter relações com outra pessoa, mas uma coisa é querer tê-las e outra é tê-las. Eu tive, mas sinto-me culpado dessa situação. – excerto de entrevista conduzida por Afonso de Albuquerque e Catarina Soares in Sexologia em Portugal
Quinta-feira, Novembro 08, 2007
Momentos Kodak (64)
Por favor voltem...e tragam as outras amigas mais velhas e negras carregadas de água para molhar este nosso Portugal. No caminho apanhem o frio. Dava jeito. Sem ele, a festa do Outono/Inverno nunca é a mesma. E não, não tenho nenhuma loja de vestuário sequiosa de vender as já poeirentas roupas da estação que teimam em não sair da montra. Quero apenas apreciar umas belas castanhas. Quentes e boas. Ao frio e à chuva. Bem como muitas outras coisas.(Novembro 2007)
Fotografia : Rodrigo Cabrita
Até amanhã
A História na primeira pessoa (1)
Editam-se em Portugal cerca de mil livros por mês. Nada mau, para um país com tão poucos hábitos de leitura. Mas continuo a espantar-me com a ausência de títulos importantes no nosso mercado editorial. Há tempos sugeri a um amigo, dono de uma das mais importantes chancelas editoriais do País, o lançamento da versão portuguesa de A Life, o fabuloso livro de memórias de Elia Kazan – uma impressionante viagem ao mundo do cinema. Ele encolheu os ombros, resignado: “Os portugueses não apreciam autobiografias.”Será mesmo? Custa-me acreditar nisto. Sempre gostei de autobiografias, um género que só agora começa a cultivar-se entre nós. Cavaco Silva escreveu a dele (com um terceiro volume, referente à passagem pelo Palácio de Belém, entretanto prometido) e Mário Soares também anda a redigir as memórias – embora, se não o fizesse, já teria deixado esse precioso legado que é o seu livro-entrevista com Maria João Avillez, mistura de retrato pessoal com um vasto fresco da história do século XX português, que se torna ainda mais interessante por ser tão subjectivo.
Continuo a achar que as memórias de Elia Kazan teriam plena aceitação no nosso mercado. Mas talvez o livro que hoje mais gostaria de ver com edição portuguesa fosse a autobiografia de Ben Bradlee. Sabem quem é? O jornalista que transformou o Washington Post num dos jornais mais célebres à escala planetária. Fala-se muito em Bob Woodward e Carl Bernstein, os repórteres que revelaram ao mundo todas as implicações do caso Watergate. Fala-se muito menos em Bradlee, que na altura dirigia o Washington Post, então uma espécie de parente pobre na alta roda da imprensa norte-americana, sempre à sombra do poderoso rival New York Times. Mas nenhum dos artigos de Woodward e Bernstein (a dupla que ele baptizou de “Woodstein”, nos longos serões de trabalho no jornal durante a revelação do escândalo que conduziria à demissão do presidente Nixon) teria sido possível sem a firmeza de Bradlee, que lhes deu destaque em sucessivas manchetes. Contra todas as pressões do poder político.
Etiquetas: Leituras
A História na primeira pessoa (2)
Acabo de ler A Good Life, de Ben Bradlee, na versão espanhola – editada pela casa editorial do diário El País, sob o título La Vida de un Periodista. É uma extraordinária lição de jornalismo escrita por este homem nascido em 1922, combatente na II Guerra Mundial e velho tarimbeiro das redacções. Começou pela melhor escola americana, no jornalismo de província, e teve um percurso fulgurante, que o levou a chefe da delegação da revista Newsweek em Paris, correspondente de guerra na Argélia e no Suez, e enfim a Washington, onde passou a dirigir o Post em 1962. A curta distância da Casa Branca, onde então pontificava John Kennedy, seu amigo pessoal.Bradlee relata-nos a sua odisseia no relançamento do Post, que à época era apenas o terceiro jornal mais vendido na capital americana. Arejou o grafismo, destacou a imagem, criou um suplemento chamado Style, que dava prioridade ao lazer, valorizou o espaço de opinião, criou um provedor de leitores (em 1969!) e deu um novo impulso à reportagem. Bastando-lhe adoptar como lema a velha lição que recebera da professora primária: “O melhor possível hoje, melhor ainda amanhã.”
A qualidade foi sempre um objectivo a atingir. “A detecção de talentos nunca cessa num periódico”, afirma Bradlee, então “decidido a que cada jornalista fosse o melhor da cidade no seu ramo de actividade”. Este foi um dos segredos do sucesso do jornal, a par das normas de exigência postas em vigor. O Post deixou de usar a ambígua expressão “segundo as nossas fontes”, instituiu a norma da verificação dos factos junto de duas fotnes autónomas e recomendou aos seus repórteres que nunca se esquecesse do sábio preceito de Camus, que também foi jornalista: “Não existe a verdade. Só existem verdades.”
La Vida de un Periodista dá-nos retratos deliciosos de jornalistas. Howard Simons, director-adjunto do Post, que cunhou a expressão SMERSH para designar a secção dedicada a estes temas (segue em inglês para se entender melhor): Science, Medicine, Education, Religion & All That Shit. Art Buchwald, o incomparável humorista. Jim Truitt, que permaneceu 47 horas sentado à máquina de escrever, produzindo uma lista com mais de mil sugestões no dia em que Bradlee protestava contra a “falta de ideias” na redacção. E, obviamente, a dupla “Woodstein”: Watergate nunca teria sido o que foi sem a “destreza e persistência” destes repórteres, que transformaram este velho ofício num mito: nos anos 70 e 80, o jornalismo tornou-se a profissão mais cobiçada do planeta.
Bradlee permaneceu dez mil dias à frente do Post. Saiu em 1991, sob uma ovação imensa dos jornalistas, retirando-se para a sua propriedade rural, onde redigiu este livro, lançado em 1995. Sob a sua liderança, o diário ganhou 18 prémios Pulitzer e firmou-se como um dos grandes títulos mundiais, conquistando uma sólida reputação de independência – o melhor certificado de nobreza de qualquer jornal. A good life indeed.
Etiquetas: Leituras
Gostei de ler
Para lamentar. Do Luís Novaes Tito, n' A Barbearia do Senhor Luís.
PS populista. Do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
Pacheco Pereira e o 'populismo'. De Miguel Morgado, n' O Cachimbo de Magritte.
Tique não curado. Do Carlos Abreu Amorim, no Blasfémias.
Más companhias. De Horácio Azevedo, na Linha do Horizonte.
Quem 'enganou' Ruben de Carvalho? Do Carlos Manuel Castro, na Palavra Aberta.
Revolution. De Jorge Assunção, no Despertar da Mente.
Adiliana. Da Ana Cláudia Vicente, no Quatro Caminhos.
A lista. Do Francisco Valente, n' O Acossado.
Em busca da verdade
Fala-se muito na objectividade em jornalismo. E bem: a objectividade é um desígnio que todos, jornalistas, devemos prosseguir no exercício da nossa profissão. Sem a ilusão, contudo, de que alguma vez a obteremos plenamente. Porque cada visão da realidade é parcelar e o nosso olhar subjectivo condiciona sempre o modo como interpretamos o “desconcerto do mundo” de que falava o poeta. Mas se a objectividade pura é impossível, a honestidade com que a buscamos deve ser permanente. Isto constitui a pedra basilar do nosso código de conduta. Como escrevia recentemente Pedro J. Ramírez, no editorial que assinalava os 18 anos da fundação do diário espanhol El Mundo, “o jornalismo serve para procurar a verdade. A verdade acessível, a verdade parcial, a verdade incompleta, a verdade possível, a humilde verdade com minúscula, mas a verdade no fim de contas.”Etiquetas: Jornalismo
Isto é que importa

O nosso questionário continua a dar que falar. Veio o Pedro Mexia, e muito bem, defender a Adelaide de Sousa, apesar de "casadíssima". O Miguel Marujo saiu em defesa da mesma causa, mais que justa, tal como o Pedro Gomes, que não esquece a minha estimadíssima Ana Sofia Vinhas. Já a falange de apoio da Ana Lourenço está bem visível nas posições expressas pelo José Gomes André e pelo Tiago Loureiro. Diz o Francisco José Viegas que "vale a pena" acompanhar o escrutínio. Só posso concordar com ele, apesar das dúvidas levantadas por outro André, que não conhece grande parte dos nomes estampados na nossa barra lateral. "Discriminatório", critica-se lá do Lote 5-1ºDto, enquanto o Henrique Fialho votaria na Paula Moura Pinheiro e o Pedro de Mendoza escolheria a Sofia Carvalho e até a Maria Luisa Busi, da RAI, nesta Europa sem fronteiras.
Etiquetas: questionário
Quarta-feira, Novembro 07, 2007
Entropia + Festa = Imprevisível
Etiquetas: Seriamente avariados da pinha como eu, Sexta-feira
Ligada à corrente
Implementar a iliteracia
Etiquetas: eduquês
Sem paciência para companhias masculinas
Etiquetas: corrente
A verdadeira crise dos 40 é isto
Etiquetas: Amor essa coisa linda e inesgotável
Terça-feira, Novembro 06, 2007
A Europa vista de um estádio
Etiquetas: Europa
Haja alguém que reconheça o meu valor*
Denúncia
Comprei esta revista e nem queria acreditar. Então não é que há um texto de uma mulher?!? Não, não são aquelas coisinhas coloridas no final, é uma página inteira, mais concretamente a 32. Ainda por cima, aborda um tema que poderia perfeitamente ter sido desenvolvido por um gaijo. Assim não vamos lá...A Corrente ainda mexe…
Opto por abrir o livro que anda na minha mala, misturado com agendas moleskine, telemóvel, gloss, perfume, e todo um universo contável e não contável, que cabe na mala de uma mulher. O lápis marca a página 129 da Louca da Casa, de Rosa Montero, mas lá me adiantei até à 161. E a quinta linha dita assim: “…pedimos um jantar opíparo ao room service. Nem o provámos. Outra das vantagens da idade: não é preciso fingir orgasmos, não é preciso gritos desnecessários e, em geral, já se sabe onde se deve colocar os cotovelos e os joelhos. Não nos sobrou nenhuma articulação nessa noite.” E eu que evitei ir à página 161 do livro “História do Orgasmo”…
O livro é autobiográfico e, entre muitas ideias, retrata muito bem o que é o ofício de escrever.
Mandam as regras que passe agora a bola a mais cinco colegas. A cadeia estende-se a: Teresa Ribeiro, Manuel S. Fonseca, Miguel Portas, Fernando Alvim, Paula Lee.
Etiquetas: corrente
Ninguém morre em política
Na vida política, todos os obituários são prematuros. Repare-se em Luís Filipe Menezes: vilipendiado no congresso do PSD do Coliseu dos Recreios, em 1995, renasceu das cinzas como autarca modelo elogiado pela própria oposição por ter transformado Gaia, que era uma espécie de pátio das traseiras do Porto, numa cidade moderna, dinâmica e vibrante. Um dos parceiros de partido que o vaiaram com estrondo em 1995, Rui Gomes da Silva, faz hoje parte da sua Comissão Política. Repare-se em Santana Lopes: arrasado em todos os editoriais de toda a imprensa respeitável em 2005, ei-lo renascido como líder parlamentar do PSD, preparando-se já para defrontar Sócrates no plenário de São Bento enquanto legiões de jornalistas mendigam a mínima frase que possa sair-lhe dos lábios, como se fosse um astro de Hollywood.Estes dois “mortos” ainda mexem muito. E vão fazer vítimas no campo oposto. Instalem-se nos vossos lugares e preparem-se para ver.
Etiquetas: Política
There shall be only one!*
Etiquetas: Política
Auxílio às ditaduras
Etiquetas: África
Em prol da harmonia no lar....
Etiquetas: Importa-se de repetir?
Segunda-feira, Novembro 05, 2007
Se fosse cá, esta era a última foto deles
É difícil de perceber o que se passa em Portugal com as passagens para peões. Temos os condutores que se transformam em autênticos selvagens quando um peão inicia a travessia e fazem questão de lhe razar os pés, com acelerações para mostar o desagrado pela demora. Temos condutores que acham que podem ir avançando à medida que o peão anda, sem perceber que isso inviabiliza a percepção do condutor de trás de que há pessoas a atravessar. Temos peões que acham que atravessar na passadeira os liberta de obrigações como parar e olhar. Temos peões convencidos de que pisar a passadeira acciona um mecanismo que leva os carros a ficaram estáticos naquele preciso instante. E temos passadeiras homicidas qualificadas: colocadas a seguir a curvas, em lugares sem visibilidade, com as riscas brancas quase apagadas e as placas tapadas, que dão para muros, sem passeios... E as piores de todas: colocadas a seguir a entroncamentos que obrigam a ceder prioridade aos que chegam do lado aposto ao da passadeira. Ou seja, entra-se no entrocamento olhando para a direita e avançando quando não vem nenhum carro e cá está ela, a passadeira, só visível quando começamos a virar a cabeça para a esquerda e já a estamos a percorrer. Este ditador vem a Lisboa (4)
Etiquetas: África
Menezes e Capucho
Etiquetas: Política-PSD
Os extremos tocam-se
A respeito desta polémica, acho sinceramente que estão bem um para o outro, estes dois verdadeiros clowns da blogosfera (e não só).
Etiquetas: Ler os outros, Quotidiano
As leis do mercado (2)
Não há bela...
Fora de série (13)
Há poucos anos, com o advento do DVD, recuperei cá para casa o humor rock n’ roll d' Os Marretas, que já no final dos anos setenta aligeirara o fosso geracional na casa dos meus pais, juntando toda a família ao serão dos Domingos. Essa meia hora mágica situava-se entre a costumeiro jantar de suculento frango assado e a acabrunhada preparação da nova semana de aulas que ameaçadoramente despontava.
“Os Marretas” foi uma genial série de televisão americana estreada em 1976 da autoria de Jim Henson e sua trupe de prazenteiros manipuladores e criadores de bonecos. Jim Henson, que nos deixou prematuramente em 1990, já tinha no curriculum a colaboração regular dos seus bonecos no prodigioso programa educativo Rua Sésamo desde 1968, e desde 1961 num obscuro show humorístico "Sam e os Seus Amigos" onde já pontificava um simpático boneco “peúga”, talvez a génese do celebradíssimo sapo Cocas.
A inconcebível colecção desta mágica fábrica de "fantoches" num frenético ritmo rock, às vezes bem psicadélico, foi crescendo em tamanho e graça: do minimal felpudo “fole” dançarino, da peúga falante ao urso Fozie - o inseguro aprendiz de comediante, passando pelo caótico Gonzo e toda a sorte de animalejos e objectos.
Naquela desregrada "companhia teatral” todos os personagens - e alguns dos adereços - têm vida e personalidade muito próprias. Podemos ver umas alegres Couves e outros legumes a dançar folclore polaco, os ratos, baratas e demais bicharada residente a exigir um aumento de cachet ao sapo Cocas, o inabalável director e apresentador daquela literalmente explosiva empresa. Este tem como braço direito o influente moço de recados Scooter, sobrinho do dono da sala de teatro. E que dizer dos velhotes Statler e Waldorf, sempre teimosamente insatisfeitos, no alto do seu camarote? E do Sam, a moralista e inquisidora águia americana?
Durante os endiabrados espectáculos, Cocas lá vai mantendo a calma no meio do caos, mantendo o alucinante ritmo das variedades, sempre com um convidado (muito) especial. Entrevistou por exemplo Julie Andrews, enquanto a troupe do Canhão Humano se preparava para disparar uma vaca (verdadeira). Salva-a do expulsivo destino Gonzo (enigmática espécie animal) que negligenciando a sua bem amada Camila (uma galinha) enamora-se arrebatadamente pela vaca com quem desaparece para um jantar romântico. Em abono da verdade, tartes espetadas na cara, trambolhões e violentas explosões num humor assim “inteligente” apenas encontrei nos "Monty Python" e n' "Os Marretas".
Do sapo Cocas ao jazzístico e imperturbável saxofonista Zoot, todos os personagens possuem um sólido carácter e profundidade “humana” (?!), expressa com mestria no desenho, voz e manipulação daqueles inimagináveis bonecos, de cores mirabolantes de olhos piscos e desmesuradas bocas.
O humor nonsense impera n’ "Os Marretas", a par com os convidados especiais ao momento “na berra” do Show Business. E música, muita boa música Jazz, Folk e Rock n’ roll, numa impecável interpretação da extraordinária banda residente liderada pelo Dr. Teeth nas teclas, com o Monstro na bateria, o Floyd à guitarra, e a doce Jenice a cantar, por entre os minimais solos de saxofone de Zoot. Um verdadeiro tributo à boa música popular. Ou também à música erudita, pelas patas do carismático Rowlf, o cão pianista. É obrigatória uma referência à Miss Piggy, que nunca me seduziu por aí além. Talvez por sempre me ter parecido uma personalidade demasiadamente colada à de tantas caricaturas vivas da existência real.
Foi com "Os Marretas" que consegui detectar o pezinho maroto do meu pai, no alto do seu sofá, a bater o ritmo do rock mais pesado. E a rir-se à gargalhada com os chavões dum tempo que definitivamente já não era o dele. Talvez por isso, eu tenha promovido em casa, com os meus miúdos, o culto destas fabulosa série. E que obteve uma adesão incondicional, o que confirma que o bom gosto é mesmo intemporal.
À parte das “longas metragens”, onde nunca consegui vislumbrar a qualidade dos curtos episódios temáticos (ou não) para a TV, estão disponíveis no mercado algumas
colectâneas ou programas especiais que são autenticas preciosidades, hinos à inteligência e à gargalhada salutar. Aconselho vivamente, por exemplo, a Gala Especial dos 25 anos dos Marretas, onde se encontram juntas algumas das mais singulares e históricas pérolas do sapo Cocas e companhia.
Etiquetas: Crónicas, fora de série, Memórias
Aniversário
2. Rebentar bombas da China de 5 paus ao lado de gatos adormecidos.
3. Andar numa praia deserta a falar sozinho num dia de chuva escassa mas grossa.
4. Ouvir responder que sim, quer namorar comigo, e depois ficar tudo na mesma mas poder contar ao melhor amigo.
5. Uma batalha de pinhas (sem pinhas verdes) e torrões de terra.
6. Viajar de comboio sem saber onde vou sair, algures a meio do caminho.
7. Achar que todos os mais velhos que encontro têm algo a ensinar-me.
8. Acampar com os amigos e dormir ao relento em plena floresta.
9. Sentar-me à mesa do almoço apenas com os pais e os irmãos e ser dia de cozido.
10. Ter 3 meses de férias e queixar-me que só me apetece que terminem.
Etiquetas: carpe diem tempus fugit etc
Domingo, Novembro 04, 2007
Domingo
Naquele tempo, Jesus entrou em Jericó e começou a atravessar a cidade. Vivia ali um homem rico chamado Zaqueu, que era chefe de publicanos. Procurava ver quem era Jesus, mas, devido à multidão, não podia vê-l’O, porque era de pequena estatura. Então correu mais à frente e subiu a um sicómoro, para ver Jesus, que havia de passar por ali. Quando Jesus chegou ao local, olhou para cima e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa». Ele desceu rapidamente e recebeu Jesus com alegria. Ao verem isto, todos murmuravam, dizendo: «Foi hospedar-Se em casa dum pecador». Entretanto, Zaqueu apresentou-se ao Senhor, dizendo: «Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais». Disse-lhe Jesus: «Hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu também é filho de Abraão. Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido».
Da Bíblia Sagrada
Etiquetas: Cristianismo, Religião
Sábado, Novembro 03, 2007
Este ditador vem a Lisboa (3)
Etiquetas: África
Do amor ao preconceito
Assumindo-me como um convicto pessimista antropológico, defendo o livre arbítrio e a liberdade individual como valores fundamentais, aliás como fórmula única de sustentabilidade das minhas poucas certezas. Aceito com naturalidade o risco existencial proporcionado pelo pensamento livre.
Vem isto a propósito do último post da sua refinada série ODI ET AMO, onde uma vez mais se põe em causa a relação do casal no compromisso matrimonial, aqui apelidado de relação “de longa duração”. Pergunto-me se a questão do FNV não estará habilidosamente inquinada quando este aponta como primordial motivação (aliás ironicamente hedonista) para o casamento tradicional “a garantia de uma companhia para a velhice”... Quem garante a quem uma velhice "com companhia" num casamento "para a vida"? Porque raio estará vedada ao mais intrépido pinga-amor uma companhia para o ocaso da sua peregrinação terrena? O que é que o salva de uma existência medíocre? Cuidado com os preconceitos, Filipe, que nos podem toldar a eficácia do raciocínio. Fala a experiência.
Tenho para mim que o casamento e a família decorrente são compromissos sérios, muito mais ricos e complexos do que um simples relacionamento erótico a dois. Depois, consta que essa opção (casamento) não é obrigatória! E que a felicidade decorre mais profunda das conquistas e dos prazeres diferidos do que de estimulantes e efémeros troféus narcísicos. Mas, de facto, cada um sabe as linhas com que se cose.
Etiquetas: Coisas da vida, Ler os outros
Sexta-feira, Novembro 02, 2007
O país real vai ao cinema
Por mim, quase acabo a simpatizar com o mais bem sucedido cacique da “bola” da nossa praça.
Triste sina esta, desta gente moralista, invejosa e mexeriqueira, que descobre no espectáculo da transgressão alheia a redenção da sua mediocridade.
Etiquetas: Quotidiano
Pedido de auxílio
A Estranha em Mim
Jodie Foster, numa das suas melhores prestações em cinema, dá vida a Erica, uma mulher que tem um programa de rádio onde grava os sons de Nova Iorque. Numa noite em que passeia com o seu noivo e com o cão pelo Central Park, ambos são agredidos violentamente e só ela sobrevive. Fragilizada, decide comprar uma arma e começa a mudar o seu comportamento. "Like the city, I belong to the living dead, I am a corps that still breathes, a wretch condemned to walk streets and pavements that can only remind me of my filth and my defeat".
Como serão os sons que passamos a ouvir depois da perda ou do roubo da felicidade?
Quinta-feira, Novembro 01, 2007
Doris Lessing: testemunha da História
Doris Lessing fixa as câmaras de frente. Não disfarça a idade, não esconde as marcas do tempo, desfia as memórias de uma longa existência que acompanhou grande parte do turbulento século XX – talvez o mais tumultuoso da História – que lhe serviu de matéria ficcional. Nasceu num país então chamado Pérsia – hoje o Irão dos aiatolás, onde os patrulheiros islâmicos detêm pares de namorados que ousam entrelaçar as mãos em público. Viveu largos anos na Rodésia do Sul – hoje o espectral Zimbábue desgovernado pelo demencial Robert Mugabe que se prepara para ser recebido com todas as honrarias e todas as mordomias em Lisboa. Viveu o melhor e o pior da História: viu, ouviu, leu, escreveu, continua a dar testemunho do que a rodeia. Percebe-se que a idade, para ela, pouco mais é do que uma data inscrita no bilhete de identidade.
Gostei das recentes declarações de Doris Lessing ao suplemento dominical do El País. Gostei de perceber que a autora galardoada com o Prémio Nobel 2007 não se mantém em silêncio perante as injustiças. Ouçamos o que ela diz sobre o Irão, a antiga Pérsia agora novamente mergulhada nas trevas medievais em matéria de costumes: “Odeio o Irão, odeio o governo iraniano, é um governo mau e cruel.” Ouçamos o que ela diz sobre o infortunado Zimbábue, a antiga Rodésia do Sul que chegou a ser o celeiro da África Austral: “Neste momento, as pessoas morrem de fome neste país que dava de comer a toda a região, onde havia cultivo de todo o género.” Cita uma amiga lá residente que se queixa de passar “uma semana inteira sem água, quatro dias sem electricidade”, da ausência dos alimentos mais básicos. “Não há pão, não há batatas...”
Passa-se fome no Zimbábue, país destruído pelo capricho de um déspota sem escrúpulos ainda tolerado pelas chancelarias ocidentais. As mulheres são cidadãs de segunda na detestável teocracia iraniana. Doris Lessing, ao contrário de alguns dos seus pares, sempre prontos a confraternizar com ditadores, não cala estas verdades incómodas. Honra a classe intelectual a que pertence, honra a academia sueca que a premiou.
Ainda não li nenhum livro dela. Vou lê-la sem mais demora.
Etiquetas: gente
Dúvida
Continuo sem saber a razão ponderosa (odeio a expressão) para Fernando Ulrich não ter aceite as duas garrafas de champanhe que Joe Berardo lhe ofereceu, em directo, no programa Prós e Contras da RTP1. Eu sei que um defende os interesses do BPI , a que preside, e que o outro defende os seus como terceiro maior accionista individual (acho que é isto). Eu sei que há um mundo entre os dois, eu sei que quase tudo os divide. Não têm nada a ver social ou politicamente. Mas dizem todas as regras que a cavalo dado não se olha o dente. Ulrich, como um senhor que é, devia ter aceite a generosa oferta, mesmo que ela representasse uma jogada de marketing estratégico da parte de Berardo. Em televisão há coisas terríveis. Em directo mais ainda.Foi você que pediu uma água das pedras?
É que para além de tudo o que já foi dito sobre o facilitismo e desresponsabilização que esta medida implicava - opiniões que subscrevo - o que também estava em causa era a óbvia incapacidade das escolas para aplicarem as medidas anunciadas. Mas será que o ministério ainda não tem a noção das limitações das escolas públicas?
Foi bom ver o PS, por uma vez, recuar e passar a admitir a reprovação por excesso de faltas. Trata-se de uma questão de puro bom senso.
Pior ficou Maria de Lurdes Rodrigues que foi completamente desautorizada por este volte face. Imagino a água das pedras que já deve ter bebido desde ontem...
Halloween
Entristece-me intimamente a ingénua adesão dos miúdos pequenos ao estéril folclore da triunfante cultura invasora. É com ou sem a nossa conivência que os seus ritos e liturgia entram sorrateiramente pelas nossas casas adentro.Ao mesmo tempo que a desgarrada militância laicista promove o esvaziamento das nossas ancestrais tradições cristãs, em nome do progresso e duma presumida superioridade intelectual, os fundamentos da nossa identidade colectiva são sistematicamente ameaçados.
Sem nada para lá pôr no seu lugar, o povo espoliado e confuso agarra-se em desespero às abóboras ocas, luzinhas mágicas, pais natais, pozinhos de perlimpimpim e demais “espiritualices” alternativas.
Etiquetas: Quotidiano
As leis do mercado
Dever cívico
Etiquetas: questionário
É oficial: entrei na corrente!
Graças à generosidade da Leonor Barros, da Geração Rasca, entrei na corrente da quinta linha da página 161 de um livro ao acaso.Etiquetas: corrente
Blablablablablablá
Etiquetas: TV











































































































