terça-feira, janeiro 22, 2008

Medalha Miguel Sousa Tavares

A historiadora Maria de Fátima Bonifácio fez as mais inteligentes intervenções do Prós e Contras de ontem, dedicado às novas regras sobre o consumo de tabaco. Arrisco mesmo vaticinar que conquistou a imortalidade com várias frases que proferiu nesse debate, das quais destaco: "Não vale a pena deixar de comer umas tripas à moda do Porto para viver mais uns dias." Impressionaram-me estas sábias palavras, que culminaram no seu brado: "Eu quero comer tripas!"
Eu, confesso, não quero comer tripas. Mesmo assim, só consigo equiparar aquela admirável exclamação ao grito do Ipiranga. Mas melhor ainda esteve a ilustre historiadora quando, em defesa do sacrossanto princípio da liberdade, exclamou: "As crianças não devem ir a restaurantes porque incomodam os adultos."
Fátima Bonifácio quer fumar em todos os restaurantes. Em nome da liberdade, que a seu ver se encontra "ameaçada" em Portugal, como se pode ver pelo "controlo" do Estado às chamadas de telemóvel e às vias verdes. É também em nome da liberdade que a preclara historiadora pretende eliminar dos restaurantes as criancinhas que tanto a incomodam.
Rolou-me pela face uma furtiva lágrima ao ouvir isto.
Fátima Bonifácio, ardente defensora da liberdade, merece só por isto ser distinguida com a Medalha Miguel Sousa Tavares no próximo 10 de Junho. Em sessão rigorosamente interdita a menores de 18 anos, não vá algum vagido infantil perturbar tão comovente cerimónia.

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quinta-feira, janeiro 17, 2008

Porreiro, pá

"Crise económica leva a que só 53% dos portugueses gozem férias", revela hoje o DN, em notícia da minha colega Cátia Almeida. Aqui está uma informação mais reveladora do que muitas sondagens.

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segunda-feira, janeiro 07, 2008

Pouco fumo, muito fogo


Qual petróleo a cem dólares? Qual morticínio no Quénia? Qual duche escocês da senhora Clinton no Iowa? Qual Lisboa-Dacar abortado antes da partida? Qual desemprego a subir em flecha no paradisíaco país de Sócrates? Lendo os colunistas vitalícios da Lusolândia, após uns dias de pousio, fica-se com a certeza de que só existe um problema em Portugal e no Mundo: a lei 37/07, que interdita o consumo de tabaco em alguns espaços públicos cá na terrinha, nomeadamente nos restaurantes que não tenham feito as necessárias obras para exaustão de fumos.
Miguel Sousa Tavares garante que este é "um país onde o terror passou a ser lei", assegura que o diploma foi feito "à medida de um país de polícias e de eunucos", compara Portugal ao Irão e à Arábia Saudita e conclui com a elegância que o caracteriza: "Qualquer dealer de drogas duras tem mais credibilidade moral do que o Estado português." Isto na mesma edição do Expresso que publica uma lista (muito provisória) de 37 restaurantes onde continuará a ser possível fumar.
Daniel Oliveira, na mesmíssima edição do Expresso, dispara bem ao seu jeito: "O mesmo Estado que fecha urgências quer convencer-nos a deixar de fumar." Não se detecta qualquer indício de demagogia num argumento com tanta solidez...
Vasco Pulido Valente, sempre original, atira-se no Público a Cavaco Silva: "Um Presidente da República para quem a liberdade contasse, não aceitava, calado e quieto, a proibição (na prática absoluta) de fumar em público. Porque ela própria limita o direito de propriedade e se intromete na vida privada de cada um." Inútil explicar-lhe que poderá continuar a fumar no seu bem-amado Gambrinus: nem assim a sua fúria contra a proibição "absoluta" de fumar abrandará.
António Barreto, igualmente no Público, não faz a coisa por menos: "O primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra a autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas."
Mesmo sem fumo, o fogo não vai faltando. Fogo verbal, pelo menos. Nisto continuamos a ser eternamente bons.

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quarta-feira, dezembro 19, 2007

O verdadeiro líder


Parece que foi inaugurada uma estação de metro em Lisboa. As televisões berram o acontecimento em directo como se a coisa tivesse impacto nacional. Ouço Sócrates falar. Este homem não se cansa de discursar. Fala pelos cotovelos em qualquer lado, a qualquer momento. A ele, que tanto gosta de citações, recomendo-lhe esta, do general De Gaulle: "Um líder é aquele que não fala. Nada contribui tanto para a autoridade como o silêncio."

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terça-feira, dezembro 11, 2007

Retórica e mais retórica e mais retórica


"A cimeira União Europeia-África foi muito importante", proclamam os propagandistas de serviço. Porquê? Simplesmente por se ter realizado, respondem, como se estivéssemos perante uma questão de fé: a escassez de resultados é inversamente proporcional à propaganda política em louvor e glória dos chefes. E no entanto há sempre um ou outro jornalista que faz as perguntas incómodas. De concreto, o que adiantou esta cimeira sobre o genocídio no Darfur? E sobre o drama do Zimbábue, onde diariamente são espezinhados os mais elementares direitos humanos? E sobre a gravíssima questão das migrações em massa? Nada de concreto. Houve umas proclamações genéricas sobre a necessidade de assegurar a "boa governança" no continente mais desgovernado do mundo, garantiu-se outra monumental injecção de capitais com a certeza antecipada de que a maior parte desta verba só servirá para engordar a corrupta e despótica classe dirigente africana. O que sobra? Retórica, pura retórica. Já ficámos todos com as consciências um pouco mais aliviadas a troco de coisa nenhuma. E toca a consumir, que é Natal.

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quarta-feira, dezembro 05, 2007

Candidata a uma das frases do ano

"Os meus hobbies são a câmara e o PSD."
Ribau Esteves, secretário-geral do PSD, citado pela revista Sábado

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quarta-feira, novembro 28, 2007

José Pinto de Sousa

Encontrei ontem na minha caixa do correio uma carta destinada a um tal José Pinto de Sousa. É a prova que faltava para me convencer: os correios portugueses estão muito longe de funcionar com a eficiência que deviam.

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sexta-feira, setembro 28, 2007

Portugal

“País de homens importantes, que não atendem ao telefone porque pode fazer mal aos ouvidos, país de homens dilatados que estão sempre a despacho e não têm horas para descanso; heróis de uma pátria que só compreendem nos jornais.”
Ruben A., O Mundo à Minha Procura

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