Quinta-feira, Janeiro 31, 2008

SNS - porquê tanta revolta? (8)


Há utentes do Centro de Saúde de Aljezur que não têm médico de família há 12 anos, porque o que lhes foi atribuído está de baixa há... 12 anos (notícia da SIC).

Se não puder fumar...


... vou comer chocolates

Dois homens, a mesma luta

O "Miguel Abrantes" e o Paulo Gorjão, de repente, decidiram seguir o mesmo caminho. Não os levo a mal. Ao primeiro (ou primeiros), só volto a pedir que faça um pequeno comentário (e minimamente decente) sobre a mini-remodelação. Acrescento ainda, sobre o tema que o "Abrantes" levantou, que, mais uma vez, peca por defeito. Depois da referida peça, já fiz uma outra em que cito o presidente do PSD em on sobre o mesmo tema. Se ele vai ou não realizar o que disse, é com ele e estaremos cá para atestar. Ao segundo, só lhe recomendo que leia com mais atenção o que tenho escrito no jornal. E verá que não tiveram sorte nenhuma. Mas a esse tema voltarei em breve. Meu caro, não perde por esperar.

Na véspera do 30º dia

A equipa do Estação do Calor não descansa. Ou descansa pouco. Os 3 aventureiros continuam a percorrer a estrada, a bordo de um Falcon especialista em pregar surpresas mas que tem resistido a todas as intempéries. Os rapazes estão agora algures na Patagónia Central e uma palavra de incentivo será certamente bem vinda. Visitem-nos e deixem-lhes uma mensagem que eles respondem. (A fotografia ou é do Jordi ou do Guillaume mas, seja de qual deles for, tem direitos reservados)

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Cerca de vinte junto às campas

Leio notícia da agência Lusa, difundida às 13.33. Começa assim: "Cerca de vinte pessoas prestaram hoje homenagem aos autores do regicídio, junto às campas onde estão sepultados no cemitério do Alto de São João, em Lisboa." Não sei o que mais me espanta - se a inequívoca adesão popular a esta "homenagem" aos regicidas se a notória dificuldade do autor da notícia em contar até vinte. Mas neste caso, ao menos, existe uma atenuante: os dedos das mãos são apenas dez.

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O pré-natal é quando o homem quer

Muito ouvimos dizer acerca das aulas pré-parto (ou de preparação para o parto) que funcionam como um complemento a todos os livros que podemos ler sobre o assunto. Constato que longe vão os tempos em que as salas destas aulas eram maioritariamente preenchidas só por mães. Os futuros papás agora estão por lá de pedra e cal. Devo confessar que noto uns mais vocacionados que outros. Uns escondem melhor o ar de tédio, conseguem não dormir – na aula sobre a amamentação era ver o marido da frente quase sempre de olhinho fechado –,, uns lidam com mais à vontade ao ouvir falar do corpo da mulher, outros não negam que pegam pela primeira vez num careca de borracha. Não sei o que se passa dentro de outras salas, mas a avaliar pela minha satisfaz-me dois aspectos: o primeiro é que, disfarçando melhor ou pior o “frete” de ter que ir à aula, eles estão lá todos. O segundo aspecto é mais pessoal. Considero que, se houvesse a nomeação do melhor pai das aulas pré-natal, o meu marido seria o eleito. Ele leva caneta, folhas soltas – podia ser um caderninho próprio para o efeito, mas não há problema pois quando pergunto: tens aí os apontamentos das aulas pré-parto, ele logo aponta um “Estão ali!” –, tem dúvidas, quer que eu também as tenha, e aponta tudo o que acha que pode interessar. E quando também eu possa estar desatenta, sussurra ao ouvido: “Ouviste isto? É importante.” Ou ainda: “Não queres perguntar sobre aquela dorzinha que tinhas no outro dia?” Ao que eu, no jeito de um marido envergonhado, respondo: “Não, deixa estar… já passou.” Claro que também oiço: “Já me fizeste comprar isto e não era preciso…”
Teresa, começo a achar que o meu “gato” faz concorrência ao teu ;)

A melhor década do cinema (38)


SHANE
(Shane, 1953)
Realizador: George Stevens
Principais intérpretes: Alan Ladd, Jean Arthur, Van Johnson, Brandon de Wilde, Jack Palance, Ben Johnson
"Um dos poucos westerns que podem reclamar o estatuto de obra de arte." (John Douglas Eames)

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Antologia Corta-Fitas (XIII)

Factos ao pequeno-almoço
Nesta viagem oficial à China há muitas oportunidades para convívio. Ontem, ao pequeno-almoço, encontrei o Manuel Pinho. Nós os dois temos muitas conversas sobre temas económicos e julgo que o ministro aprecia os meus conselhos e, não raramente, segue-os. Mas, desta vez, reparei que o Manuel estava preocupado.
“Ó Pinho, o que se passa?”, perguntei.
“Tu nem imaginas a minha vida, Zé Nero”, disse ele, visivelmente abalado. “Tenho esta manhã uma conferência e preciso de convencer os chineses a investirem em Portugal, o que não é nada fácil. Não sei se lhes fale do choque tecnológico, se lhes diga que, depois de pôr todas as crianças a falar inglês, vamos pô-las a falar chinês... O MIT? O Sr. Bill Gates?”
“Dá-lhes factos. Os chineses gostam de factos”, atalhei. “Diz-lhes, por exemplo, que temos salários baixos. Com isso, atrais o investimento e ao mesmo tempo promoves a contenção salarial e, consequentemente, da espiral inflacionária nos restaurantes chineses e nas lojas dos 300”.
Dei-lhe o exemplo do meu amigo Ling Ling Qi, que tem um restaurante chinês ao pé de minha casa. Um dia ele disse-me: ‘Zé Nelo, os poltugueses têm salálios de chinês e tlabalham como chinês’. Acho que foi muito acertado. Trabalhamos como chineses e temos salários de chinês, portanto, somos competitivos, à nossa maneira, e não deve ser difícil para um empresário chinês instalar-se lá na nossa terra”.
Vi um brilho surgir nos olhos do ministro, mas rapidamente uma sombra perpassou pelo seu nobre semblante. “Mas não achas que o PS pode criticar? Afinal, ainda somos de esquerda... Da esquerda moderna, mas de esquerda...”
Peguei de imediato no telemóvel e liguei para o Largo do Rato. Atendeu o Vitalino, a quem expliquei a ideia. “Não há dúvida que é um facto”, respondeu. Desliguei e comuniquei ao Pinho a resposta. Fora os sindicatos, a oposição, os jornalistas do costume e alguns clientes habituais do Fórum TSF, toda a gente entenderia o que ele queria dizer.
Ao ouvir isto, o Manuel Pinho ficou muito contente. Parecia que lhe tinha tirado um grande peso de cima dos ombros. Devorou o resto do pequeno-almoço e falou todo o tempo, com extrema alegria. O resto é História. Hoje, toda a gente conhece as vantagens competitivas que temos a oferecer. Quer na China quer em Portugal quer, espero bem, vários empresários que estavam a preparar-se para deslocalizar as suas empresas para o Sri Lanka e para o Uganda. Valeu mais do que não sei quantas campanhas do ICEP a falar da convergência estratégica entre Belém e São Bento.

José Nero Fontão, 1 de Fevereiro de 2007

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Future Asked Questions, dizem eles

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Por qué no te callas? (8)

"Isto vive da confiança e dos resultados."
José Sócrates, ontem, em Lisboa

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Por supuesto

O Jornal de Negócios noticia hoje que o BCP «está a perder mais de 220 milhões» com a sua participação de 9,9% no BPI. O La Caixa, por seu lado, tem 25% do capital do banco. Em Espanha, as notícias centraram-se apenas na distribuição de dividendos e no encaixe recente de 35,5M€. Mas quanto representam, contas feitas à data, as menos-valias potenciais para o La Caixa? Uns 500 milhões, mais tostão menos tostão?
Na altura da recusa dos accionistas de referência à OPA de Paulo Teixeira Pinto, a oferta era de 7€ por acção. Hoje, a cotação do BPI está a 3,43€. Menos de metade. Para mais, Fernando Ulrich antevê um «ano difícil» e apalpa terreno para um aumento de capital. Do outro lado da fronteira devem estar a pensar: «De Portugal, nem bons ventos nem bons casamentos».

Se de um lado chove, do outro troveja

Recordo-vos que logo à noite, pelas 21.00h na Lusíada, LPM e JPP vão explicar-nos como lidar com os lobbies, moderados pelo nosso Pedro Correia. Precisamente à mesma hora, Judite de Sousa entrevista Marinho e Pinto (ou é só «Marinho Pinto»? Agradecia que os jornalistas se decidissem sobre o nome exacto do senhor). Prevê-se uma noite com maior número de soundbytes do que os exemplares vendidos da FHM com a Luciana Abreu.

A alta governamental

No Governo do sr. Sócrates os ministros não são removidos. Têm "Alta". Porque, de alguma maneira, estiveram retidos numa unidade de terapia imune ao abominável som da rua. Aquele que fazem os eleitores e contribuintes e que tanto irrita o sr. Vital Moreira no alto da sua cátedra. Se não fosse o som da rua, governar era um idílio, uma espécie de spa. Correia de Campos e Isabel Pires de Lima tiveram alta, depois de uma terapia liderada pelo sr. Sócrates. Novos candidatos a uma posterior alta entraram já nos serviços. Por enquanto estão livres de contaminações da rua e vão direitos para o divã, onde se espera que o primeiro-ministro lhes explique psicanaliticamente a aplicação de um princípio quase freudiano da política: em caso de culpa, o culpado é o ministro e não o primeiro-ministro, apesar deste definir a política que os seus “colaboradores” executam com denodo. Às vezes, depois desta remodelação só apetece pedir: quando é que o sr. Sócrates tem "alta"?

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Regicídio - Em abono da verdade

Foi ontem apresentado no Palácio da Independência, ao Rossio, o Dossier Regicídio – O Processo Desaparecido, um trabalho de dois anos de investigação coordenado por Mendo Castro Henriques e com a colaboração de Maria João Medeiros, João Mendes Rosa, Jaime Regalado e Luiz Alberto Moniz Bandeira. O livro, com 348 páginas e 400 ilustrações, resulta de dois anos de investigação que tratou cerca de 1.500 documentos, alguns inéditos, 400 artigos e opúsculos, 60 livros, de arquivos públicos e particulares.
Na falta do processo instaurado na época pelo juízo de instrução criminal e convenientemente sumido depois do cinco de Outubro algures no gabinete de Afonso Costa, a obra centra-se na documentação possível dos factos ocorridos na trágica data, obviamente sem que se possam assacar conclusões cabais.
Sobre o assunto, o Juiz Desembargador Rui Rangel, a quem coube a apresentação da obra, salientou a fatídica tradição nacional da incapacidade da instituição judicial portuguesa em evitar a interferência dos poderes políticos. Como exemplo, o orador referiu, além do regicídio de 1908, o assassinato de Humberto Delgado e o caso Camarate.
Uma obra a não perder, em abono da verdade.

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Votaria no centrão

Como o definiria politicamente? Difícil. Ele nunca me fala desses assuntos, mas a avaliar pela indiferença com que segue o noticiário politico-partidário diria que é um outsider.
Se votasse suponho que seria no centrão. Mais pelas afinidades que eu noto entre ele e alguns líderes dessa área, do que por questões de ordem programática. É que reconheço no seu porte alguma arrogância socrática e tal como Cavaco também não lê jornais, nunca se engana e raramente tem dúvidas.

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Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

Há 60 anos, assassinaram Mohandas K. Gandhi

«I suggest that we are thieves in a way. If I take anything that I do not need for my own immediate use and keep it, I thieve it from somebody else. It is the fundamental law of Nature, without exception, that Nature produces enough for our wants from day today, and if only everybody took enough for himself and nothing more,there would be no pauperism in this world, there would be no man dying of starvation». M. K. Gandhi

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Antologia Corta-Fitas (XII)

«Mila kuda su plania» ou «Mila kura si planina»?


Consta que a derrota da Inglaterra frente à Croácia na passada quarta-feira não foi marcada apenas pelo afastamento dos ingleses do Euro-2008. O momento alto da festa (croata) foi mesmo uma interpretação algo original do seu hino. Esta originalidade pode ter escapado à maioria dos 80 mil espectadores do estádio de Wembley, visto serem ingleses, mas não deixou de suscitar dúvidas aos adeptos croatas: “O que foi que ele disse?”, terão perguntado. É que Tony Henry, cantor de ópera britânico, ao invés de ter dito «Mila kuda su plania», que quer dizer «sabes querida como gostamos das tuas montanhas», entoou «Mila kura si planina», que significa «minha querida, o meu pénis é uma montanha». Mas parece que os croatas atribuem a vitória sobre a selecção inglesa a esse episódio – que terá, porventura, relaxado os jogadores – e, assim, como em equipa que ganha não se mexe, convidaram-no já para entoar o hino nacional por alturas do Europeu. Pelos vistos, a língua croata é, também, muito traiçoeira…

Maria Inês de Almeida, 25 de Novembro de 2007

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O auto-retrato

Para quem ainda não o conhecia ou não via com assiduidade os seus excelentes comentários na SIC-Notícias (agora, infelizmente, transferiram-se para a TV Net), está disponível na blogosfera o auto-retrato de Paulo Gorjão. Em pose séria e com a arma do crime ao fundo (o teclado assassino), Gorjão está no seu melhor. Gostei de o rever, meu caro. E fique sabendo que não estou impedido de comentar nada, nem o PSD (desde Setembro, como você ironiza), nem o seu auto-retrato.
P. S. - Peço desculpa por ilustrar este meu humilde post com um outro auto-retrato, de certo menos ilustre que o supracitado...

Remodelação? Não houve...

Este blogue de marretas, como diz um amigo meu, passa completamente ao lado da mini-remodelação de José Sócrates. Também seria pedir muito a um grupo de spinners a soldo do Governo. Eles não escrevem porque o chefe não deixa. Ou então os sub-chefes têm guia de marcha daqui a pouco tempo e o mais vale é ficar quieto. Ficam caladinhos sobre o assunto do dia e depois inventam umas trapalhadas que só comprovam que não percebem mesmo nada disto tudo. Eu a defender quem? Eu não defendo ninguém, só faço jornalismo. E no caso que relatam, pecam por defeito. Dei notícias nos últimos dias sobre os vários players em jogo. Mas ao tal do "Miguel Abrantes" basta-lhe ler uma, se possível a última, e inventar uma série de disparates.
Vá lá, ó "Abrantes" escreva qualquer coisinha sobre os dois ministros que foram despachados. Estamos todos em pulgas para saber a sua opinião isenta, em mais um brilhante post escrito a quatro ou a seis mãos.

Antologia Corta-Fitas (XI)

Morreu alguém
que me vai fazer falta
Há mortos que nos levam um pouco com eles. Calculo que em Portugal haja meia-dúzia de pessoas que conheçam o Bussunda, o maior humorista brasileiro da actualidade, que morreu ontem, aos 44 anos. Conhecia-o (mal) de há muito tempo, quando, no início dos anos 80, estudámos na Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele em Comunicação Social, eu em Economia. Depois, também eu, brevemente, em Comunicação Social.
Na altura, já era conhecido como Bussunda, embora o seu nome fosse Cláudio Besserman, e editava, com um grupo de amigos, o jornal Casseta Popular, que se vendia no campus e nas praias cariocas, ou em shows inesquecíveis em pequenos bares de Botafogo.
Falei com ele apenas três ou quatro vezes, mas o humor radical que já então praticava marcou-me até hoje, apesar de nunca mais o ter encontrado. Bussunda nunca poupou ninguém. A Direita, que então todos combatíamos, e a Esquerda, o que então era novidade. Ridicularizava os clichés de todos os quadrantes, com uma crueldade fascinante.
Na altura, eu era militante do PT (e durante um tempo pertenci a uma corrente trotskista, imaginem) e concorri numa lista para a direcção do núcleo estudantil da Universidade. Bussunda e um grupo de “anarcas” concorreu numa outra lista intitulada “Overdose, esfaqueie sua mãe”. Prometeram “caipirinha no bandejão” (nome como era conhecida a cantina universitária) e, antes da eleições, mostrando que iriam cumprir, foram despejar uma cachaça de terceira categoria no aguado sumo de limão que era servido aos estudantes.
No momento da apuração dos votos, cada vez que um membro da sua lista era chamado para fiscalizar a contagem, ele e os seus companheiros da “Overdose”, devidamente embriagados em pleno anfiteatro da universidade, gritavam “deixa roubar, deixa roubar” e não mandavam ninguém. Mesmo assim, ficaram logo atrás da nossa lista “petista” e à frente da do PC (pró-Moscovo) e do PC do B (maoistas) que ambos desprezávamos.
O seu jornal tornou-se conhecido, a Globo convidou-o para um programa de televisão semanal, que eu costumava ver no GNT, e ele tornou-se famoso em todo o Brasil. Apesar da “normalização”, Bussunda continuava a ter lampejos de selvajaria humorística que trucidaram consecutivamente Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Lula. Este último era caricaturado pessoalmente por ele, embora Bussunda o tivesse apoiado em várias eleições.
Mas não eram só políticos. Intelectuais e artistas de novela, empresários e pregadores de moral, corruptos de vária ordem, machões e bichas loucas, ninguém escapava ao humor de Bussunda e do seu grupo.
Em Portugal, nem nos bons tempos de Herman José, nunca tivemos ninguém parecido.
Foram estas as recordações imediatas que me ocorreram quando soube da morte dele, eu que o conheci tão mal. Mas a notícia deixa-me triste e com a sensação de que perdi alguém que iria sempre ridicularizar por mim aqueles que eu não tenho coragem, nem talento, nem oportunidade para enfrentar. Sei que no Brasil há milhões de pessoas que sentem o mesmo.
É bom ter um blogue para poder escrever isto.

Duarte Calvão, 18 de Junho de 2006

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Malhas que as petições tecem

As críticas de Alegre e o receio de Sócrates


A mini-remodelação que José Sócrates ontem anunciou, enquanto decorria a abertura oficial do ano judicial, responde a todos aqueles que juravam pela inutilidade do milhão e duzentos mil votos obtidos há dois anos nas urnas por Manuel Alegre. Percebe-se agora muito bem que o histórico socialista pode condicionar a renovação da maioria absoluta do PS. A possível repetição nas legislativas de 2009 do que ocorreu nas presidenciais de 2006 e da eleição intercalar em Lisboa do Verão passado (em que Helena Roseta, sem máquina partidária, obteve 10%) é talvez hoje o maior pesadelo do primeiro-ministro. As críticas de Alegre ao péssimo desempenho do ministro da Saúde, dando voz ao que milhares de socialistas pensam, ditaram o destino de Correia de Campos. Mais ainda: a substituição de Campos por uma ex-apoiante de Alegre, com a clara intenção de condicionar as intervenções críticas do poeta nesta área, são a melhor prova de que Sócrates receia o ex-candidato presidencial. Há uma esquerda socialista que, não se revendo no PCP nem no Bloco, jamais voltará a votar no actual primeiro-ministro mas optaria por uma alternativa eleitoral corporizada por Alegre, que também sem aparelho obteve 20% na corrida a Belém. Quem desvalorizar isto arrisca-se a falhar todos os vaticínios.
Alegre, que teve um papel importante nas presidenciais, pode ter uma intervenção decisiva nas próximas legislativas. Tudo depende da sua vontade. E Sócrates sabe isso melhor que ninguém. Daí o seu receio.

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Admiração profissional

Os meus parabéns a quem calculou, com milimétrica precisão, o timing do anúncio da micro-remodelação governamental. Mesmo a tempo de desviar os directos já preparados para as declarações de Marinho e Pinto. Muito bom trabalho, rapaziada! Mesmo assim, houve algum eco... eco...eco...

Por qué no te callas? (7)

"O Estado está a modernizar-se para servir melhor as pessoas."
José Sócrates, hoje, em Lisboa

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A melhor década do cinema (37)


VIAGEM EM ITÁLIA
(Viaggio in Italia, 1953)
Realizador: Roberto Rosselini
Principais intérpretes: Ingrid Bergman, George Sanders, Maria Mauban, Anna Proclemer, Paul Muller, Anthony LaPenna, Natalia Ray
"Faltava este filme para limpar de uma vez por todas a Sétima Arte das suas escórias declamatórias e sentimentalistas." (Claude Beylie)

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Toca a votar

Já aí está, o nosso novo inquérito. A ver se os nossos leitores têm uma pontaria tão afinada para prever quem ganhará os Óscares como tiveram para antever a saída de Isabel Pires de Lima.

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SNS - Porquê tanta revolta? (7)


Durante as visitas à enfermaria dos Capuchos havia dois assuntos que dominavam as conversas da minha avó: as queixas sobre o seu estado de saúde, que evoluía com demasiada lentidão para o seu gosto, e as queixas sobre o pessoal de enfermagem e auxiliar.
Confesso que as descrições dos seus padecimentos me aborreciam, mas quando ela começava a contar o que se passava com as enfermeiras, ouvia tudo com muita atenção. Como nas histórias, havia as boas e as más. Às boas, para ficarem ainda mais boas, dava-se dinheiro, mas com as outras parecia que não havia nada a fazer. Uma delas, que eu identifiquei logo como a chefe das más, era odiada por todos. Respondia torto a toda a gente e sempre que a chamavam não vinha, ou então aparecia só para dar uma descompostura nos doentes, por estarem a incomodar.
A minha mãe ficava muito revoltada com estas coisas, mas quando dizia que ia fazer queixa ao médico, a avó entrava em pânico e pedia-lhe que não o fizesse, com medo de represálias. Eu percebia muito bem o problema dela e ficava cheia de pena a imaginá-la à mercê daquela megera.
Quando a víamos passar pela enfermaria, fazia questão de lhe deitar o meu olhar mais rancoroso. Era o mínimo que podia fazer pela minha avó!

Doutores de Spin



Houve forte comoção em torno da ideia de controlar a política parlamentar do PSD através de uma agência de comunicação. Alguns políticos desse partido ficaram indignados, mas a divisão que fizeram entre política de ideias e política de plástico não faz sentido, pois a primeira não passa de quimera.
Qualquer eleição num país industrializado (veja-se a campanha nos EUA) é cuidadosamente controlada por spin doctors. Nenhum candidato se atreve a falar aos media sem esse controlo. Aliás, todos os desastres ocorrem em declarações ou gestos instintivos. Há inúmeros exemplos, dos gritos de Howard Dean ao mais recente ataque de Bill Clinton a Obama na Carolina do Sul, erro que pode ter custado a Presidência a Hillary.
Nas eleições a sério, pouco divide os candidatos, excepto as suas mais ou menos brilhantes personalidades. Mesmo a governação é hoje de plástico, fortemente condicionada pelos media, nunca perdendo de vista a mediania da classe média (nove em cada dez eleitores) e os seus mínimos denominadores comuns. Tudo é mediatizado, nomeadamente segundo o tempo da televisão, que se mede aos segundos. Não há ideias na política contemporânea, apenas fait divers e simplificações, e o PSD está em pleno debate saído dos anos 70.

D. Carlos, um rei constitucional

(...) "A construção da actual democracia em Portugal foi feita não apenas contra o Estado Novo, mas também contra a I República. Dependeu de uma nova cultura política, em que se admitiu o princípio de que a validade das eleições dependia mais das instituições e procedimentos do que das "qualidades" da população. Dependeu também de se ter voltado a reconhecer novamente, como no tempo da monarquia constitucional, que a razão é algo distribuído a mais de uma opinião ou partido. Obteve-se assim um regime aberto a todos, e em que o voto de todos é a base da alternância no poder.
Os exclusivismos, porém, deixaram herdeiros frustrados. Há quem ainda não tenha percebido por que é que não é dono desta democracia, tal como o PRP foi dono da I República ou os salazaristas do Estado Novo. Eis o que representam os contestatários da comemoração de D. Carlos."
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Rui Ramos no jornal Público

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Terça-feira, Janeiro 29, 2008

Nos bastidores da remodelação

Sócrates avisou: - "Correia de Campos sai, mas não sai sozinho".
Os ministros começaram todos a sussurrar: - "É o Lino, é o Lino"
Mário Lino, rápido: - "O sr. primeiro-ministro é que escolhe!"
Sócrates olhou em volta. Isabel Pires de Lima estava com aquele ar vago, que tanto o irritava...

Os leitores é que sabem

Com a "remodelação" hoje anunciada, chega ao fim mais um inquérito Corta-Fitas. Os nossos leitores acertaram: Isabel Pires de Lima, a quem Sócrates acaba de conceder guia de marcha, foi a mais votada neste questionário: 96 votos (21% do total). Já Correia de Campos, o outro "remodelado", só ficou em quinto (51 votos, 11%). Mas os leitores estavam cheios de razão: Mário Lino (78 votos, 17%), Maria de Lurdes Rodrigues (63 votos, 14%) e Alberto Costa (53, 12%) também mereciam ir mais cedo para o duche, como se diz em jargão futebolístico. Em compensação, Sócrates fez bem em manter o inconfundível Manuel Pinho (sexto classificado, com 43 votos, 9%). Se existe alguém difícil de substituir neste Executivo é o titular da pasta da Economia...
Recebemos 459 votos neste inquérito. Amanhã começa outro na nossa barra lateral.

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SNS - Porquê tanta revolta? (6)


O pior não foram as manifestações à porta dos hospitais e dos centros de saúde que fecharam as urgências. Lembro-me que com o encerramento das maternidades também houve muito alarido e nem por isso o governo recuou. O sinal mais inquietante surgiu nestas duas últimas semanas, quando as notícias de contestação à política de saúde se começaram a somar a histórias que escapavam à acção do governo mas reflectiam o péssimo funcionamento do nosso SNS.
A caixa de Pandora estava a abrir-se. Coleccionador há longos anos de desconforto, negligência, e precaridade na assistência médica, o povo começou desta forma a responder às restrições do executivo. É que de facto não é legítimo pedir, como nos países desenvolvidos, onde tudo funciona bem, que os utentes prescindam de benefícios, quando aqueles de que gozam não são nem nunca foram razoáveis.
Foi um diálogo surdo, mas não de surdos. E Sócrates percebeu o recado. Com tanta razão de queixa e ressentimento acumulados, esta sucessiva divulgação de casos na praça pública acabaria por incendiar o país.
Antes que o efeito bola de neve se criasse o primeiro-ministro percebeu que tinha que meter travões a fundo. Despediu Correia de Campos e de caminho aprendeu uma lição: “Com a saúde não se brinca”.

Antologia Corta-Fitas (X)

Momentos Kodak (1)
Rodrigo Cabrita, 12 de Julho de 2006


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A voz da sabedoria

Vital Moreira consegue aqui um prodígio de equilibrista: contesta a saída do ministro da Saúde, que vinha defendendo contra todas as evidências, sem beliscar José Sócrates. A isto é costume chamar-se a voz da sabedoria.

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Magistratura de influência

"Seria importante que os portugueses percebessem para onde vai o País em matéria de saúde».

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Sim, por que não?

JOSÉ ANTÓNIO PINTO RIBEIRO, «Breve Sumário da História de Deus: uma visão augustiniana da História?».
Já agora e depois de ter sido simpaticamente corrigido na caixa de comentários, estou com o Pedro Sales:

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Tanta franqueza comove

«Deram tudo o que tinham a dar». Vitalino Canas sobre os ministros substituídos

De fachada

Curiosas companhias, as do novo ministro da Cultura de José Sócrates no Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo Sim. José António Pinto Ribeiro, de seu nome. Apesar de tudo, a remodelação neste caso só pode ser para um bocadinho melhor, porque Isabel Pires de Lima estava condenada há meses, mais concretamente desde que o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, disse publicamente que não concordava com o afastamento de Dalila Rodrigues da direcção do Museu Nacional de Arte Antiga. Se ela já estava em maus lençóis por outros motivos, esse acabou por ser o seu fim.
Quanto à saída de Correia de Campos, mais do que o dedo de Cavaco Silva (que também houve), vejo ali o dedo muito comprido do PS. Contestado dentro do partido, foi Manuel Alegre quem há dias veio dizer que o ministro tinha perdido o pé. Já João Amaral Tomás, saiu porque tinha pedido. Pediu há muito. Sai agora, depois do infeliz episódio de ir à Assembleia da República no dia em que se confirmou que estava demissionário. Curiosamente, segundo consta, Correia de Campos ia amanhã à AR. Já não irá, foi demitido a tempo.
Mas o que espanta nesta mini-remodelação para inglês ver é a resistência do primeiro-ministro em remodelar quem precisa de ser remodelado. Mário Lino à cabeça, Luís Amado (que terá pedido para sair, por motivos pessoais), Jaime Silva ou a ministra da Educação são ministros a prazo. A curto prazo. Já para não falar de Alberto Costa, que não teve nos últimos dias uma reacção decente às polémicas declarações do novo bastonário, António Marinho Pinto.
É por isso que esta remodelação é de fachada e já não esconde o óbvio. Desde que António Costa deixou o executivo para ir para a Câmara de Lisboa que Sócrates não tem um número dois político à altura. Um conselheiro e um estratega. Silva Pereira é verde para isso, Teixeira dos Santos é um técnico. Os outros são todos bons rapazes.

O ministro embaciado fora do Governo

José Sócrates, num assomo de lucidez, decidiu afastar do Governo o ministro cuja imagem estava irremediavelmente embaciada. Já começa a cheirar a eleições. E o que tem que ser tem muita força.

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Mais uma não

O apoio do clã Kennedy a Obama não me surpreende por aí além. Aqui para nós os Kennedy não gostaram da ideia de ver nascer mais uma dinastia de presidenciáveis. Para isso já bastou a dinastia Bush. Já agora, diga-se: e se a seguir a Bill e a Hillary viesse a menina Chelsea Clinton... Um desastre, não?

A ler

1. "A maior parte da corrupção da política não é, por enquanto, corrupção criminal", do José Adelino Maltez.
2. "Do regicídio ao centenário", por Pedro Picoito.
3. "Dizer a verdade", do Carlos Abreu Amorim.
4. "Lisboa no Monopólio", do Paulo Pinto Mascarenhas.
5. "Portugal é cansado de si", do Henrique Burnay.
6. "Os amigos são para as ocasiões", do Pedro Sales.
7. "Odi et Amo (LXVII)", por Filipe Nunes Vicente.

Por qué no te callas? (6)

"Não há um programa mágico que garanta o desenvolvimento económico para um país."
José Sócrates, ontem, no Porto

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Santa Marta

Não gostei de saber que há quem ande, na política ou na universidade, a perseguir a minha amiga Marta Rebelo. Mesmo sendo ela uma militante socialista, próxima de José Sócrates e de António Costa, acho que não merecia. Com menos de 30 anos, a Marta é um portento de inteligência e tudo o que tem ou terá no futuro deve única e exclusivamente ao enorme talento que possui. Licenciada e mestrada em Direito, especialista na área fiscal, a Marta foi assistente de António Luciano de Sousa Franco na Faculdade de Direito de Lisboa, tendo depois transitado para o escritório particular do malogrado antigo ministro das Finanças de António Guterres - ele foi também presidente do PSD, para quem já não se lembre, mas isso foram outros tempos. Além disso, a Marta escreve nos jornais há anos, publicou três ou quatro livros de Direito Fiscal (também publicou "Constituição e legitimidade social da União Europeia", na Almedina) é a autora material da Lei de Finanças Locais. Goste-se ou não do que ela fez no Governo de Sócrates (nos gabinetes do MAI) ou do que está a fazer no Parlamento, não se lhe pode negar mérito. Das duas uma: Ou se trata de uma intriga do PS (elas voltaram em força) ou se trata de uma intriga universitária (que também as há). A Marta Rebelo não tem nada a ver com as centenas de ignorantes que pululam no horizonte partidário, da esquerda à direita, na sua geração ou nas várias anteriores. Ela é de outra fibra.

P.S. - 1) O título deste post é meramente humorístico, para aliviar o ambiente e levantar a moral. Lembrei-me dele porque foi no Parque de Santa Marta, na Ericeira, que aprendi a andar de patins...

2) Aproveito para anunciar que a Marta é a convidada especial do jantar dos dois anos do Corta-Fitas.

Danças?



Estamos a sós com a dança. Da sedução. Danço ao som das tuas palavras, entre as tuas opiniões que, tal como o vestido, se colam ao corpo. Não desvies os olhos… Danço com os erros, danço com os ossos, danço com a chuva, danço com as cores das profundezas. As sapatilhas andam perdidas há já algum tempo. Não importa.
A dança é sempre a mesma, a música não. Não desvies os olhos… Danças?

A melhor década do cinema (36)


O HOMEM TRANQUILO
(The Quiet Man, 1952)
Realizador: John Ford
Principais intérpretes: John Wayne, Maureen O'Hara, Barry Fitzgerald, Ward Bond, Victor McLaglen, Mildred Natwick
"Tem o beijo mais fatal e mais telúrico que alguma vez eu vi na vida ou no cinema." (João Bénard da Costa)

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Palavras que odeio (81)

Pretérito

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SNS - porquê tanta revolta? (5)


Ter a avó no hospital dava muito trabalho. Implicava não só as deslocações à hora das visitas, como também a confecção das refeições em casa. Família que se prezasse não deixava os seus doentes na dependência das dietas hospitalares, famosas pela sua qualidade deplorável. Por isso, à hora das refeições havia sempre um corrupio de tupperwares naquela enfermaria e era fácil distinguir quem podia ou não contar com apoio familiar para resolver a questão da alimentação, tão importante na recuperação dos doentes.
Quando a ocasião se proporcionava ficava a ver a uma distância prudente os menos afortunados a aceitar, com evidente fastio, os tabuleiros que as enfermeiras lhes estendiam. Muitos optavam, simplesmente, por deixar quase tudo no prato e não raro aceitavam, agradecidos, a comida caseira que os companheiros da cama do lado, condoídos, lhes ofereciam.

Ora aqui estão...

...os verdadeiros Lobos. Cliquem aqui e vejam como, se fosse esta equipa a jogar, a vitória jamais nos escaparia.

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Nas colunas

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Segunda-feira, Janeiro 28, 2008

Assim tratamos os mortos no meu bairro

Para os que não perceberam logo pela expressão da moça, a legenda explica: artigos religiosos, funerais, cremações.


Santana D.O.C.

Santana Lopes teve uma semana memorável - a receber elogios de António Barreto a Marcelo Rebelo de Sousa e elevado à ordem de arauto da liberdade - por ter sacudido a agência de comunicação do seu partido para fora da bancada parlamentar.
Luis Filipe Menezes tem todo o direito de escolher quem lhe escolhe as gravatas e as intervenções, mas esta ideia de o anunciar aos quatro ventos não é boa para ele: se alguma coisa lhe corre bem, é a agência a trabalhar; se corre mal, é apesar do trabalho da agência (ou não fossem profissionais da comunicação).
Já Santana marca pontos como político e pessoa genuína, a sua imagem de marca e maior qualidade. Parecer genuíno é uma característica importante em tempos de crescente mediatização e de profissionalização da comunicação. Por oposição às construções mediatizadas do seu líder, Santana Lopes surge como alguém como ideias próprias, coragem e uma qualidade de "ser verdadeiro".

Gloriosos momentos

Com uma exibição galharda (gosto desta palavra), o Sporting ontem evidenciou as fragilidades que tem sido seu apanágio esta época: um meio campo pouco versátil e um bloco defensivo lento, às vezes desconcentrado, além da falta de alternativas no banco.
Mas tivemos a sorte que nos tem faltado noutros jogos e acabámos por ganhar bem. Espero que esta vitória inspire a rapaziada para o resto da temporada, pois eu já tinha saudades de festejar estas emoções básicas. Momentos que valeram bem a gripe que se vai revelando agora em mim.

Imagem daqui.

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Caiam na real

Em Espanha, como realça a The Economist desta semana, irão travar-se as primeiras eleições do «rich world» após a crise dos mercados. Lá, tal como aqui, o Governo socialista mantém um discurso de tom marcadamente optimista (outros chamam-lhe irrealista) e prevê uma taxa de 3,1% de crescimento do PIB, contra os 2,4% que reúnem o consenso da reputada revista económica. Zapatero, dizem eles, conseguiu mesmo «uma espécie de processo alquímico ao contrário, ao transformar o ouro económico em chumbo político».
A seu favor, o homem do Z de Zorro tem um trunfo, capaz de apelar ao racional do eleitorado e de convencê-lo da capacidade de o PSOE conseguir aguentar o barco, por maiores que sejam as ondas provocadas pelo turbilhão do sub-prime e do rebentar da bolha imobiliária: Ao lado do líder, Pedro Solbes é alguém cuja reputação e passado como Comissário Europeu continuarão a ser indispensáveis para a estratégia de minorar o medo instalado e de impedir a vitória do PP.
Contra Solbes, Rajoy tem a figura do ex-presidente da Endesa, Manuel Pizarro. O debate televisivo entre os dois promete mesmo vir a ser o acontecimento mais quente dos próximos tempos do lado de lá da fronteira.
Do lado de cá, pergunto-me o que faltará para que entendam que a Economia é o tabuleiro onde se vai perder ou ganhar a batalha decisiva nas urnas. Oscilamos entre um Sócrates que promete um 2008 «ainda melhor» para o País das Maravilhas (suscitando o riso amarelo dos investidores) e um Menezes que navega - ele e os seus soundbytes sem alicerces - ao sabor do vento, arriscando-se a encalhar antes das eleições e a tornar-se mais um Robinson Crusoé, com Ribau Esteves como seu Sexta-feira.
Se a ambos, PS e PSD, ainda resta um bocadinho de sensatez e de espírito lúcido, fariam bem em enfrentar a realidade dos números. E em perceber que o que se passa no xadrez dos mercados pode levá-los ao xeque-mate nas urnas. Caso contrário, já não irão a tempo para antecipar o roque.

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Somos mesmo bons, carago!


O blogue tudoanorte atribuiu-nos o prémio «É um Blog Muito Bom Sim Senhora!». Desde já agradecemos aos seus autores a preferência mas, ao que parece, a honra carrega consigo algumas tarefas e obrigações, nomeadamente a de seleccionarmos sete outros blogues também «muito bons». Deixo esse trabalho para o Conselho de Curadores, muito melhores do que eu nestas amanteigadas funções.

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Quem sabe, sabe

Ou como o mal de uns pode ser o bem de outros: «O Banco Espírito Santo (BES) registou, em 2007, um crescimento de 44,3%, face ao período homólogo de 2006, no seu resultado líquido, para os 607,1 milhões de euros, um valor que saiu ligeiramente acima das estimativas dos analistas». No Jornal de Negócios

A melhor década do cinema (35)


CATIVOS DO MAL
(The Bad and the Beautiful, 1952)
Realizador: Vincente Minnelli
Principais intérpretes: Lana Turner, Kirk Douglas, Walter Pidgeon, Dick Powell, Barry Sullivan, Gloria Grahame, Rosemary Bartlow, Gilbert Roland, Leo G. Carroll, Vanessa Brown, Paul Stewart
"O melhor filme de Hollywood sobre Hollywood." (Kim Newman)

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Por qué no te callas? (5)

"Não me recordo de um período em que tivéssemos deixado tantas marcas de esquerda."
José Sócrates, ontem, em Alcochete

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Antologia Corta-Fitas (IX)

Elogio da ficção científica

Quando era pequeno, devorava romances da velhinha colecção Argonauta, que o meu pai comprava. Eram pequenos milagres, capas dos melhores pintores e traduções feitas por escritores de qualidade. Foi assim nos primeiros 120 números da colecção. As histórias, essas, eram pura magia: a exploração de mundos imaginários, utopias, civilizações estranhas, viagens e descobertas, alucinações e sonhos, conflitos do futuro e perigos à espreita, fantasias, ideias loucas.
Conheço numerosos leitores de policiais, mas o policial nunca me interessou demasiado. No género literário, sempre preferi a ficção científica (FC). Enquanto o policial se baseia na construção de um mistério, desmontado a pouco e pouco, a FC tem uma ideia base e, à volta desta, desenvolve um ambiente, mais ou menos fora da realidade. Isto explica a razão pela qual a FC tem contos tão bons, de H. G. Wells, Isaac Asimov, Ray Bradbury, Fredric Brown ou Philip K. Dick, entre muitos outros. Expor uma ideia, por muito complexa que seja, pode não precisar de muito texto. Alguns excelentes escritores tentaram o género, por vezes começaram as suas carreiras a escrever contos de FC. É o caso, por exemplo, de Kurt Vonnegut, um nobelizável, que tem um livro publicado na colecção Argonauta, no início da fase descendente desta. Em português, ficou com o título abstruso de Utopia 14, mas na realidade é um romance inicial do grande escritor, Player’s Piano, uma distopia sobre um mundo altamente mecanizado, onde os robots substituíram inúmeros trabalhadores. A sociedade divide-se entre os que trabalham (sob a ameaça de perderem os respectivos empregos) e uma espécie de "ralé", que não tem ocupação e vive da assistência social. O livro, muito irónico, foi escrito nos anos 50 e parece-se demasiado com o mundo contemporâneo.
Há outros exemplos de grandes escritores que começaram na FC, Bradbury, Ballard, mas o meu favorito é Philip K. Dick, que penso ser um dos maiores do século XX. Dick é um visionário e traz para a literatura duas ideias fundamentais: a incerteza sobre o que é o real e a manipulação constante que o ponto de vista exerce sobre a realidade. O autor cria constantes jogos mentais em torno destas duas noções. Não é por acaso que tem sido tão adaptado (e imitado e até plagiado) em recentes filmes de Hollywood.
Este post já vai demasiado longo (podia escrever o dia todo sobre este encantamento) mas não queria deixar de alertar o leitor que pretenda prosseguir estas pistas para uma descoberta que fiz recentemente, inteiramente por acaso. Existe uma robusta tribo de FC em Portugal, que sabe sobre o tema, que publica regularmente contos originais de FC. Suponho que é uma forma de resistência.

Luís Naves, 3 de Novembro de 2006

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SNS - porquê tanta revolta? (4)


Durante algum tempo pensei que os hospitais que se viam nos filmes eram a fingir, mas o episódio do Fred, largamente comentado na família, abriu-me os olhos.
O Fred era um simpático alemão, natural da Baviera, que tinha casado havia pouco tempo com uma prima que um dia quis visitar a minha avó no hospital.
Não se sabe se foi aquele cenário em adiantado estado de degradação, se o calor ou o cheiro. O certo é que nem a robustez germânica o conseguiu poupar do embaraço de ter que sair dali rapidamente, branco como a cal, pelo braço da mulher.
Por coincidência um grupo de médicos assistiu à cena e um deles, mais atrevido, abeira-se da família e pergunta em tom acintoso: “O que é que lhe aconteceu?” Ao que um de nós lhe respondeu: “Aquele senhor é alemão e até hoje nunca tinha entrado num hospital português”.
Foi remédio santo. A conversa morreu logo ali.

Volta a Portugal

O sr. Ministro da Saúde inaugurou uma nova prova desportiva nacional. Trata-se da Volta ao Portugal das Televisões. Não há um dia em que não esteja na RTP, na TVI, na SIC, na SIC Notícias. Só falta ir ao “Fátima Lopes”, ao “Portugal no Coração” e ao “Você na TV”. Lá chegaremos. O assessor que o sr. José Sócrates lhe enviou para o ajudar a educar as massas não tem mãos, nem telefones, a medir: água mole em pedra dura tanto bate até que fura, acreditam. Não há centros de saúde abertos? Há ambulâncias. As ambulâncias não chegam a tempo, porque na maioria dos casos os bombeiros são voluntários e não têm de estar vinculados a servir quem não lhes paga ou, sequer, os ouve? O Governo avançará com helicópteros. Há casos, como em Chaves, onde as ambulâncias não funcionam dois dias por semana porque os médicos, que fazem ali uma “perninha” depois de saírem dos hospitais onde trabalham, têm de descansar? Passa-se uma esponja por cima. E a comunicação social nem está a ouvir todo o país real. Como os políticos acreditam que tudo se resolve no telejornal das oito da noite, a castanha ainda há-de rebentar no saco dos votos do sr. Sócrates. Os portugueses são um povo de brandos costumes: aumentam-lhes os impostos, o pão, o leite, aldrabam-nos com as taxas de inflação durante 10 anos seguidos, e tudo aguentam. Só há uma coisa que lhes mete medo: a saúde. Porque sem ela nem sequer há força para encolher os ombros.

Domingo, Janeiro 27, 2008

Renascimento

Gostei de ver o Sporting hoje. Vitória por 2-0 contra o FC Porto, com um golo do Vukcevic e outro de Ismailov. Bom esforço inicial, bom controlo do jogo após os dois golos (com muita contenção defensiva, é certo) e uma exibição monumental de Pereirinha, que anulou Quaresma. Apesar de tudo (e da distância), parece que renascemos para o campeonato. Já é qualquer coisa e merece a manutenção de Paulo Bento, que teve a excelente opção de colocar Vukcevic ao lado de Liedson. Ele é muito melhor que Purovic (e do que Djaló, ultimamente) e joga bem em qualquer posição avançada.

Sem emenda

Há pessoas que não têm emenda, como dizia em tempos Paulo Portas sobre o seu PP. A notícia a que o Paulo Gorjão alude não se ficou a dever a nenhum dos seus brilhantes posts. Simplesmente, a informação não estava toda disponível até ao momento. Na altura em que me lançou mais aquele desafio, eu não podia dizer-lhe isso, nem tinha que o fazer. Eu e outro jornalista estávamos há uns tempos a deslindar sobre que matéria era ou não abrangida pelo segredo de Justiça. Quando passou a haver informação suficiente, filtrada e pesadas todas as condicionantes, avançámos. Portanto, não tente recolher louros por aquilo que não merece. Como viu, não tinha caído no esquecimento. Comigo nada cai no esquecimento. Mas, como lhe disse, a agenda mediática não é ditada por bloggers de serviço, mas pelo interesse público, notoriedade, actualidade e, acrescento, pelo grau de apuramento da informação. Certo? No entanto, fico feliz por si e espero que possa continuar nessa condição num futuro mais ou menos próximo.

Nas colunas

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Gostava muito

De ler o comentário do Paulo Gorjão a esta notícia. Ou então a esta. Tanto faz.

O factor Bill

A vitória de Barack Obama na Carolina do Sul, ainda por cima com números estrondosos (55% contra 27%), mostra que Hillary Clinton está em queda vertiginosa, apesar de surgir bem colocada nas sondagens nacionais - onde rivaliza com John McCain, o mais destacado dos republicanos. Mas o que me espanta mais não são os bons resultados de Obama (que conseguiu o apoio de Oprah e de John Kerry, o candidato democrata que teve mais votos na História dos EUA, apesar de derrotado por Bush), é o desespero que o casal Clinton tem revelado nas primárias democratas. Bill, antigo Presidente durante dois mandatos, resolveu deixar os afazeres da fundação com o seu nome e os jogos de golfe um pouco por todo o mundo para ajudar a sua mulher na candidatura. Coisa que não fez com Al Gore (que foi seu vice-presidente) nem com Kerry. É evidente que a família está acima de tudo, mas sinceramente não esperava que um antigo Presidente dos EUA se revelasse tão desesperado por vir a desempanhar o papel de "primeira dama". Eu sei que muitos (e muitas) gostavam de ver pela primeira vez uma mulher à frente dos destinos da Casa Branca. Também gostavam de ver o "macho" (ainda por cima um "traidor" e "mulherengo") remetido a um papel meramente protocolar e de retaguarda. Mas ao menos que esperassem por algo um pouco melhor. Eu aposto em Condoleezza Rice para daqui a uns anitos...

Onde é que o pai e mãe se conheceram?


Durante o almoço de ontem, o meu irmão, em brincadeira, diz ao nosso priminho João Pedro, de 5 anos, que os pais se conheceram nos escuteiros e que ele havia de gostar de ser um “lobito”. João não quis saber de ser escuteiro, mas sim de esclarecer com a mãe onde é que afinal ela teria conhecido o pai. Questão em que nunca teria pensado até então, por tão óbvio que lhe aparentava ser. Curioso, olha para a mãe e pergunta: Não foi nos escuteiros, pois não? A mãe sorri e nega com a cabeça. Confiante e detentor da verdade afirma: foi no infantário que o pai conheceu a mãe!
Onde mais poderia ter sido?

O ministro embaciado

Um velho transmontano morre no hospital de Vila Real, onde permaneceu em condições indignas e recebeu alta de modo aparentemente irresponsável, vindo a ser internado novamente horas depois - já demasiado tarde. O ministro da Saúde, numa das múltiplas entrevistas que deu nos últimos dias na vã tentativa de limpar a sua imagem irremediavelmente embaciada, disse ontem na SIC que se tratou de um "pequeno acontecimento" enquanto recomendava mais "responsabilidade ética" aos órgãos de comunicação.
Correia de Campos preferia que notícias como a de Vila Real fossem silenciadas. Azar dele: não são. E a morte de um ser humano, lamento informá-lo, nunca é um "pequeno acontecimento". Sobretudo quando ocorre nas lamentáveis circunstâncias em que este ocorreu.

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A melhor década do cinema (34)


RIO BRAVO
(Rio Bravo, 1959)
Realizador: Howard Hawks
Principais intérpretes: John Wayne, Dean Martin, Ricky Nelson, Angie Dickinson, Walter Brennan, Ward Bond
"Um clássico americano." (Leonard Maltin)

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Por qué no te callas? (4)

"Tenho a certeza que ele [o bastonário da Ordem dos Advogados] não se referia a nenhum membro do actual Governo nem a nenhum ministro deste Governo."
José Sócrates, ontem, em Monsaraz

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Antologia Corta-Fitas (VIII)

Janelas

Interrompo o trabalho no computador, levanto-me, espreguiço-me, e passando pela janela olho a praceta enlameada lá em baixo. Cruzo o olhar com o homem do bar vizinho que apanha umas folhas molhadas da esplanada. Intimidados, cada um recolhe “à sua vida”.
A Carolina, na janela da cozinha, sentada sobre o cesto da roupa suja, desvia a cortina e aí fica a ver o movimento da rua, as cores dos carros, a Marta que volta tarde da escola. A chuva copiosa que cai. Com sorte, ainda apanhará a mãe a chegar do trabalho.
No auge da minha inocência, tive direito às minhas janelas. Horas vagas ou de preguiça, intervalos de brincadeiras e de deveres adiados. Refúgios solitários, tempos de crescimento.
Em Campo d’ Ourique, no terceiro andar, a janela da sala da casa dos meus pais foi minha companhia de longas e íntimas horas. Contraditórios momentos de tédio e contemplação. Quantas esperas. Num qualquer Domingo de Inverno, à tarde, com o cachecol verde e branco de lã tricotada, sentado com o queixo no parapeito à espera do tio Manel, no seu mini cor de vinho, para irmos a Alvalade. Esperas intermináveis. Lá do cimo, via o gato fugir para baixo do "carocha" beije do meu pai. Via as vizinhas que esbracejavam uma qualquer conversa banal. À minha esquerda, ao longe, o panorama da Avenida Duarte Pacheco a debitar o veloz trânsito para Monsanto ou para as Amoreiras. E telhados de casa baixas, até ao pátio da Escola da Câmara logo ali em baixo. Do meu lado direito, a mercearia da Sra. Natália… frutas encaixadas, vidas do bairro, rua acima, rua abaixo. Ao fundo a Igreja do Sto. Condestável, com o seu enorme vitral neogótico, delimitava a minha vista. A televisão, atrás de mim, a passar o TV Rural...
Um dia qualquer em Junho, depois de passar no exame da quarta classe, abanquei nessa janela à espera da minha bicicleta, promessa antiga, que com a minha mãe comprara dias antes na Rua do Crucifixo. Se bem me lembro aí dediquei dois ou três dias de interminável espera e cogitação. Vinha uma carrinha de carga, o coração acelerava… repentinamente virava à direita para a Ferreira Borges… bolas! Quando iria ser finalmente feliz? Distraído, contava os carros e fazia secretas apostas. E forçava a recordação visual da bicicleta escolhida, verde metalizada… brilhante cor de sonho. Ironicamente, foi durante uma fortuita e mais demorada ida à mercearia, a recado da minha mãe, que chegou a encomenda. “João! Chegou a bicicleta!”, gritavam as minhas irmãs miúdas enquanto eu chegava a casa com as compras…
Depois, houve aquelas janelas sem vista, que me deixaram um chorrilho de memórias em sons. Pregões e pífaros de amolador, ou o cantar da passarada. As andorinhas e criançada a brincar. Assim era em Campo d’Ourique.
Outra janela da minha vida foi na casa da minha avó, na Avenida da Liberdade. Uma varanda, no caso. Ali, o que me animava era o movimento e trânsito intenso, os autocarros verdes e brancos, uns anunciando uma bebida de chocolate, outros uma qualquer marca de baterias. E o que me divertia ali do primeiro andar, a ver o ciclista estafeta da Marconi à pendura no varão da porta traseira do autocarro, subindo “a nove” a elegante Avenida. Uma artéria verdadeiramente cosmopolita, o “coração do império”, plena de actividade e animação. Com enorme excitação, lembro-me de assistir com tios e avós à passagem das Marchas Populares. Lembro-me das vistas das luzes, dos balões coloridos, e guardo ideia dos cheiros secos e quentes de início do Verão. E a abertura da Feira do Livro, que trazia àquelas vistas um mês de distinta animação: dezenas de barraquinhas e gente, muita gente, noite dentro. Com sorte, e mais vinte e cinco tostões, o meu irmão e eu ainda desceríamos as escadas para comprar um livro do Zé Colmeia ou do Bolinha em promoção.
Hoje, em minha casa, mal paro à janela. No máximo, quando está bom tempo, leio à varanda, que não tenho tempo para desperdiçar. Mas, da rua ao fim da tarde, ao chegar a casa, cumprimentando o merceeiro e a vizinha que passa, vislumbro a minha filhota, na janela da cozinha, de sorriso franco que me acena boas vindas. Feliz.

João Távora, 4 de Novembro de 2006

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Domingo

Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios

Irmãos:
Rogo-vos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma linguagem e que não haja divisões entre vós, permanecendo bem unidos, no mesmo pensar e no mesmo agir. Eu soube, meus irmãos, pela gente de Cloé, que há divisões entre vós, que há entre vós quem diga: «Eu sou de Paulo», «eu de Apolo», «eu de Pedro», «eu de Cristo». Estará Cristo dividido? Porventura Paulo foi crucificado por vós? Foi em nome de Paulo que recebestes o Baptismo? Na verdade, Cristo não me enviou para baptizar, mas para anunciar o Evangelho; não, porém, com sabedoria de palavras, a fim de não desvirtuar a cruz de Cristo.

Da Bíblia Sagrada

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Quase perfeito

Não fuma, não bebe, não joga, é frugal na alimentação e dedica à higiene do corpo uma atenção muito superior à da maioria dos homens. Só me chateia a verdadeira obsessão que tem pelas unhas...

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Manhã perfeita de Domingo

A casa está silenciosa. Num extremo estou eu, no computador; no outro, os miúdos, no computador e na play station. De repente, uma seta de culpa acerta-me no peito: deveríamos estar a inter-agir como as famílias nas crónicas do Daniel Sampaio, penso. Levanto-me, atravesso o corredor e vou dar-lhes uns beijos nas bochechas. Eles nem desviam os olhos dos ecrãs. Percebo que estão ocupados a matar umas pessoas e volto para o meu computador.

Imprensa cor-de-rosa

A crónica do Miguel Sousa Tavares no Expresso é excelente. Chama-se A Morte do Islão e começa na perfeição dos jardins do Palácio dos Reis Cristãos de Córdoba para enaltecer a civilização árabe da Península Ibérica até à queda de Granada, em 1492. Depois traça o florescimento da cultura ocidental e a idade das trevas do mundo árabe até aos nossos dias, para acabar numa interrogação sobre os objectivos do fundamentalismo islâmico. De todo o texto só retiraria a adjectivação de "barbudos" à casta teocrática, que é pueril, e o "nossas" na referência à forma igualitária como o Ocidente trata as mulheres. Não trataremos da mesma forma as mulheres "deles", se tivermos oportunidade? É uma crónica corajosa, que quase me fez esquecer a estucha que foi ler o Rio das Flores.

Sábado, Janeiro 26, 2008

Maria Clementina

Foi há muito, muito tempo por esta altura do ano que encontrámos a Maria Clementina abandonada numa ninhada de gatos. Voltávamos então para casa nós os cinco irmãos ainda pequenos, com a minha mãe, de regresso de uma tarde de brincadeira no Jardim da Estrela. A memória é vaga, mas lembro-me de que a bichana não abria os olhos, e que parecia desesperada com o seu miar débil e insistente. Apesar do aspecto raquítico foi escolhida pelo seu traje original: focinho rosado sob uma mascarilha branca, pêlo prateado com umas imaculadas luvas e botinhas brancas nas patas.
Acomodada numa caixa de sapatos, e sem parar de gemer, cedo o bicho chamou a atenção do meu pai no seu escritório. Terá sido assim, desviando a atenção da sua eterna leitura, que resmungou o seu primeiro voto de desagrado pela adopção. Voto que pairaria pesando por alguns anos sob a vida da gata e sobre a minha cabeça.
Foi à noite, connosco todos de pijama à volta da cama dos meus pais, que a minha mãe conseguiu injectar um pouco de leite com uma seringa de plástico na minúscula boquinha da gatinha. E foi nessa ocasião que nós a baptizámos de "Maria Clementina", ao que a minha mãe, com o seu peculiar sentido de humor, acrescentou o apelido "Joly Braga Santos". Este foi o polémico nome da gatinha, que tanto chocaria a nossa fiel mulher-a-dias, a Lídia, senhora de profunda religiosidade e tão ciosa do seu culto mariano.
Maria Clementina cresceu em sabedoria e graça, já que de tamanho nunca foi grande coisa. Fazia grandes e repentinas corridas pela casa fora, trepava paredes e cortinados, apanhava moscas com a patinha e rebolava enrolada na minha mão mordiscando-a com pequenos coices. Adoptei-a como minha, e com o tempo a propriedade foi-me reconhecida por todos, excepto pela própria: de sesta em sesta, saltitava de colo em colo e de noite para noite aninhava-se em diferentes camas, coisa que me deixava algo despeitado e ciumento. Mas lembro-me bem de ter assistido a várias Tardes de Cinema dominicais com a Maria Clementina ronronando aninhada nas minhas pernas cruzadas. Eu esforçava-me por legitimar a minha hegemonia e assumia o árduo trabalho de criar um felino naquele terceiro andar em Campo d’Ourique: tratava do caixote renovando a serradura e cuidava da sua alimentação, surripiando os mais apetitosos restos de comida e, sempre que se proporcionava, numa ida às compras, adicionava umas latas de Kitty Cat ao carrinho. Esses dias eram especiais, pois conquistava o coração da Maria Clementina, que enquanto eu suava a abrir a lata subia pelas minhas pernas, em sonoros roncos de prazer.
Mas o facto é que a gatinha vivia lá em casa numa semi-clandestinidade, e isso era uma sombra negra na minha vida, e penso que também dos meus irmãos. Após uma primeira rejeição pela parte do meu pai, Maria Clementina conquistou-o por um curto período, quando, graciosa e ainda bebé, fazia irresistíveis brincadeiras e jogos que só a uma besta poderiam deixar indiferente. O problema adensou-se com o tempo: a gata adquiriu o vício de arranhar os sofás, crescia e perdia o encanto. O pior era quando periodicamente era acometida por umas estranhas crises que chegavam a perdurar infindáveis dias, em que “uivava” autenticamente, arrastando-se languidamente pelo chão, indiferente às nossas zangas e chamadas “à terra”. Era o cio. Por essa altura a minha mãe caíra doente, situação que perduraria por muitos anos, e por grandes que fossem as fúrias do meu pai contra o bichano, nós as crianças nunca soubemos bem como lidar com tal situação.
Aconteceu uns anos mais tarde, quando a Maria Clementina lutava com uma feia doença na pele que o veterinário e eu não conseguíamos debelar. Foi numa tarde fria de Inverno pelas vésperas de um Natal qualquer, que aquilo que eu mais temia aconteceu. A gata, numa das suas incontidas correrias, deitou a árvore de Natal ao chão, e partiu umas peças de porcelana de que o meu pai tanto gostava. Nesse dia, quando cheguei a casa, já não ouvi a sua fúria insana que ocorrera minutos antes, só os choros reprimidos das minhas irmãs. Quanto à Maria Clementina, a bronca tinha sido a gota d’água e a sentença desta vez era irremediável.
A nossa gatinha, por ordem inabalável do meu pai, foi abandonada nesse dia na rua, ali para o lado dos Bombeiros. Ainda a vi refugiar-se assustadíssima debaixo de um carro estacionado. Era a sua primeira experiência de rua.
Durante muito tempo, confundi a pena que tinha do bicho com a pena que tive de mim. Durante muito tempo, quando passava naquela esquina da Rua Correia Teles com emoções contraditórias, procurava, incrédulo, sinais da Maria Clementina. Que afinal nunca mais deu sinal de vida.

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Antologia Corta-Fitas (VII)

Guerreiro na sombra


Ouvi dizer que este senhor está de férias desde 22 de Janeiro de 2006.
José Carlos Carvalho, 11 de Abril de 2006

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SNS - Porquê tanta revolta? (3)


Estreei-me nos Capuchos, em Lisboa. Nesse tempo ainda deixavam as crianças visitar os doentes nos hospitais. Com a curiosidade dos meus seis anos, à medida que me encaminhavam pela mão para a enfermaria onde a minha avó recuperava de uma fractura, fui registando tudo o que me interessava: detalhes (no mundo miúdo dos miúdos os detalhes têm sempre muita importância).
Nesse tempo, o hospital – como a generalidade dos hospitais deste país – ainda não tinha levado obras, daí que a minha memória da época tenha as tintas dos romances de Dickens. Tudo sombrio, sujo, fedorento e enorme.
Despachados os beijinhos à avó, que odiei ver sem a dentadura postiça, minha mãe libertou-me da sua vigilância e então pude circular. Talvez por intuírem que os adultos as gostam de poupar aos aspectos sórdidos da vida, quando a oportunidade espreita as crianças procuram sobretudo o que não encaixa na imagem que lhes dão da realidade. Por isso, foi quase com avidez que passei em revista aqueles corpos mirrados e tristes, cobertos por colchas puídas e lençóis encardidos. Na meia luz da enfermaria fiquei a olhar para os tectos rachados e pretos de bolor, com estalactites de caliça. Mas o pior era aquele cheiro, aquele cheiro, aquele cheiro...

Naquele dia fiquei a saber como era um hospital a sério (os que eu via nas séries de televisão americanas afinal eram todos a fingir) e descobri que a minha avó era muito mais corajosa do que eu pensava.

Antologia Corta-Fitas (VI)

A máscara


Quem se esconde por detrás desta máscara?
Leonardo Negrão, 17 de Dezembro de 2006

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Por qué no te callas? (3)

"O senhor secretário de Estado [dos Assuntos Fiscais] pediu-me há uns meses para sair por razões pessoais."
José Sócrates, ontem, em Évora, dez dias depois de ter negado esta demissão

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As palavras dos outros

"Comemorar o assassinato de um homem talentoso e bem-intencionado, prisioneiro do seu tempo e de uma velha história, não devia provocar a intolerância e a estupidez da esquerda."
Vasco Pulido Valente, Público

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Postais blogosféricos

1. José Pimentel Teixeira tem novo endereço no seu Ma-Schamba.
2. Não dá para ignorar o segundo aniversário do Designorado. Parabéns ao Luís Rodrigues.
3. Gosto deste blogue. E recomendo-o.

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A melhor década do cinema (33)


A ESTRADA
(La Strada, 1954)
Realizador: Federico Fellini
Principais intérpretes: Giulietta Masina, Anthony Quinn, Richard Baseheart, Aldo Silvani, Marcello Revere, Liva Venturini
"A realização de Fellini e o trio de protagonistas transformaram esta história simples num dos filmes justamente mais celebrados de sempre."
(Charles Matthews)

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Nas colunas

Em homenagem a todos nós, Cunha Vaz incluído:
(When You Know You Can Have Me)»

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O Rodrigo, na sua melhor forma

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Sexta-feira, Janeiro 25, 2008

Pobre memória

A Associação República e Laicidade que pede à Câmara de Lisboa o seguinte: "Gostaríamos de ver na Praça do Comércio uma placa que fizesse justiça à memória de Manuel Buíça e Alfredo Costa que, a 1 de Fevereiro de 1908, aí mataram a Monarquia, dando a sua própria vida em prol da República e da Laicidade", é a mesma que condena que o Exército participe em homenagens ao rei D. Carlos I, assassinado naquela Praça por aqueles dois homens. O argumento é o de que "se trata de manifestações políticas assumidamente anti-republicanas". É típico em Portugal que a memória histórica nacional esteja sempre a ser apoucada. E não dignifica.

Antologia Corta-Fitas (V)

Vidas portuguesas


Não é por ser Natal, mas porque o momento consumista é muito maior, tenho andado a pensar nos empregados dos supermercados das grandes superfícies. Imagino-os, antes do fecho diário, com um carrinho, a pôr nos seus lugares centenas de produtos que a clientela vai abandonando negligente e compulsivamente aqui e acolá.
O que levará alguém a abandonar embalagens de carne na secção dos cereais, sabonetes junto aos congelados ou casacos de criança no corredor dos doces? Que força oculta impele a clientela a deixar prateleiras caóticas? O produto lá do fundo é melhor? Que razões impedem aquela gente a não apanhar do chão o que deixam cair?
Possivelmente haverá em tudo isto alguma mesquinha vingança (eu pago, tu arrumas), uma arrogância mal educada por tudo o que seja alheio às paredes das assoalhadas onde vivem, o sabor da impunidade (ninguém nos está a ver) ou a preguiça combatida em ginásios a preços milionários. Vendo bem, nem é preciso ir tão longe. Basta sair à rua e está lá isto tudo.
Ontem, no corredor dos detergentes, o saloio que deixou aberta a embalagem de amaciador da roupa que eu meti no carrinho deve ser o mesmo labrego que passeia o cão no meu passeio. Ele é o labrego, o cão, um lindo labrador.

Miss Pearls, 11 de Dezembro de 2006

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SNS - porquê tanta revolta? (2)


Na semana passada o ministro da Saúde esteve no Prós e Contras a explicar-se, há três dias vi-o num jornal da SIC Notícias a explicar-se, ontem apanhei-o no Negócios da Semana a explicar-se (será que entretanto perdi mais alguma prestação?).
A avaliar pela frequência com que tem aparecido na televisão a explicar-se, Correia de Campos (e, por extensão, o Governo) deve andar mesmo preocupado com as repercussões desta curiosa política de saúde. Que poupa nas urgências, quiça para poder continuar a gastar nas farmácias...

Impressões Musicais (14)


There's a long highway in your mind
The spirit road that you must find
To get you home to peace again
Where you belong my love lost friend

(…) *

Foi um dos mais queridos presentes de Natal que recebi; afinal sou uma pessoa de gostos simples: falo do último disco de Neil Young - Chrome Dreams II. Este é um álbum em que o autor recupera algumas preciosidades avulsas sem edição oficial, e que se revela mais uma pérola deste grande poeta, compositor e cantor sem idade. Neste disco coabitam harmonicamente as duas principais facetas da carreira de Neil Young, o rock áspero tipo grunge (à boa maneira Rust Never Sleeps) ao country rock (à boa maneira de Harvest, Harvest Moon ou Comes A Time). O velho índio canadiano, que aparece com um aspecto impressionantemente envelhecido nas fotografias da capa, contraria definitivamente essa impressão pelo brilho e vigor que imprime à sua música. Com a colaboração de Ralph Molina, baterista dos Crazy Horse e pelo guitarrista Ben Keith, Chrome Dreams II resulta um trabalho soberbo e viril, porque a arte não é assexuada e porque há música no masculino. Finalmente quero destacar dois impressionantes temas: uma endiabrada celebração de rock n’ roll que é Ordinary People (vinte minutos de puro deleite), e Spirit Road, irresistível desconcertante rockalhada, que porá aos saltos o mais insensível apreciador de música popular.

* Spirit Road, Neil Young - Chrome Dreams II, 2007

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Ela é fã do Fernando Sobral


Eva Green. Gosta de o ler todos os dias da semana. À sexta também.

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Sexta-feira do contra

Anna Falchi

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SNS - porquê tanta revolta? (1)


Há dois dias o jornal das 22h da SIC Notícias abriu, não por acaso, com três notícias de saúde. A abertura foi sobre o idoso que cai de uma maca na urgência do hospital de Aveiro e morre. A notícia seguinte foi acerca da manifestação popular contra o encerramento da urgência do Centro de Saúde de Anadia (o primeiro caso não pode, naturalmente, ser imputado à política de saúde do governo, mas a revolta que desperta na opinião pública, essa sim, já tem algo em comum com o sentimento que grassa pela população de Anadia e é por isso que aparecem alinhadas uma com a outra). A terceira foi o recuo de Correia de Campos ao confirmar que afinal S. Pedro do Sul vai ter uma urgência a funcionar.
Na verdade o tema de abertura devia ter sido este: o recuo. O ministro da Saúde, que se tem revelado um dos mais fiéis seguidores do Socrates’ style, confundindo arrogância e prepotência com determinação, estará finalmente a perceber que a saúde neste país é um terreno perigoso, capaz até de virar gente com predisposição genética para a resignação, como é, reconhecidamente, o caso do povo português?

Às vezes é preciso dizer o óbvio

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Não se compreende

2008 não ia ser um ano xpto fantabuloso bué melhor do que o anterior? Fernando Ulrich não percebe népia de Economia? O presidente do BPI não ouviu a cantiga das Janeiras do nosso Primeiro-Ministro? Então por que carga de água veio ontem desabafar que «2008 será um ano difícil»? Francamente.

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Eusébio

Eusébio faz hoje anos. Era um jogador do tempo em que, quando o Benfica estava a perder, Coluna atirava a bola para fora e dizia: "vamos lá começar a jogar"! E jogavam. Outros tempos. Lembrei-me da data porque, nos últimos dias, tenho visto os jogos da Taça de África. E, claro, vi o jogo de Angola. Lá estavam dois grandes avançados: Flávio (que está no Al-Ahly do Egipto) e Manucho (que foi para o Manchester United). Em Portugal ninguém reparou neles. Porquê? Será só porque os passes ainda não garantiam percentagens aliciantes, como tantos "craques" que por aí pululam para alegria de empresários e de dirigentes? Porque, convenhamos, os culpados não são os empresários. É quem assina o cheque. Follow the money...

Post-Scriptum (Não é PS por razões óbvias): Como Declaração de Desinteresse digo que nada tenho contra as agências de comunicação. São úteis. Penso é que há políticos tão ocos que julgam que tudo se resolve com um Merlin de serviço.

O recado de Scolari


“Há atletas que vão ter que se cuidar. Aqueles que andam a jogar com 2 e 3 quilos acima do peso, bunda grande, menos preocupados com o futebol e mais com a noite, desfiles e moda, se não tiverem uma vida mais regrada podem perder o ônibus pelo caminho.”

For your eyes only

- És tão quente e macio... humm... anda cá!
Não veio. Se fosse com qualquer outro tenho a certeza de que me sentiria logo ferida no meu amor-próprio, mas com ele, não sei porquê, está sempre tudo bem.

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A melhor década do cinema (32)


GATA EM TELHADO DE ZINCO QUENTE
(Cat on a Hot Tin Roof, 1958)
Realizador: Richard Brooks
Principais intérpretes: Elizabeth Taylor, Paul Newman, Burl Ives, Jack Carson, Judith Anderson, Madeleine Sherwood, Larry Gates
"Actores de superior talento sob a direcção de Brooks. Excepcional."
(Bosley Crowther)

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Quinta-feira, Janeiro 24, 2008

Comunicar é preciso?

Eu, modestamente, julgava que o país vivia esbracejando numa crise económica ou num défice de ideias políticas. Aparentemente estava enganado. Segundo a classe política esse não é o problema de Portugal. Tudo não passa de um problema de comunicação. Basta ver o fantasma da ópera indígena: o sr. Menezes quer fazer do PSD uma empresa política e por isso contrata uma empresa de comunicação. Presume-se que para comunicar com as suas tropas. O sr. Santana Lopes, claro, lembra-se da sua célebre “central de comunicação” e do descalabro que daí resultou e já bateu o pé. Será falta de comunicação entre o sr. Santana e o sr. Menezes? Ou falta de comunicação com o país real? No Governo aprende-se com a oposição. Basta ver o sr. Correia de Campos em circuito de manutenção nas televisões para explicar o inexplicável. Falta de uma agência de comunicação? O sr. Karl Kraus é que acertava no alvo: “os políticos dizem mentiras aos jornalistas e depois acreditam no que lêem nos jornais”. O sr. Kraus não tinha uma agência de comunicação.

De cócoras


O Barcelona tem uma pequena cruz inscrita no seu emblema. Mas acaba de eliminar essa cruz nas camisolas postas à venda a leste do Bósforo. É um sinal bem revelador do nosso tempo. Um entre tantos outros – pequenos, médios e grandes – que se vão insinuando no nosso quotidiano. Mundo livre? Nada disso: veja-se o exemplo deste grande clube catalão, também ele já de cócoras para não ofender os adoradores de Maomé que gostam de argumentar com bombas.

Na mesa de cabeceira

«Se em algum sítio se desleixa a agricultura, então será em Portugal. Chamou-me logo a atenção como eram aqui débeis os rendimentos básicos do Estado. Nenhum povo no mundo tem tamanha alergia ao trabalho como o povo português. Refiro-me sobretudo aos portugueses que vivem deste lado do Tejo e que, por assim dizer, já respiram ares africanos. Se não permanecessem aqui tantos estrangeiros para fazer os trabalhos braçais, não acredito que se conseguisse encontrar um barbeiro ou um alfaiate...».
Perro Cristão Entre Muçulmanos, Joris Tulkens, Edição Guerra & Paz.

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Conselhos

Recomendaram-me que ouvisse bem esta canção da Brigitte Bardot, "Tu veux ou tu veux pas", e que estivesse muito atento à letra:

Tu veux ou tu veux pas
Tu veux c'est bien
Si tu veux pas tant pis
Si tu veux pas
J'en f'rai pas une maladie
Oui mais voilà réponds-moi
Non ou bien oui
C'est comme ci ou comme ça
Ou tu veux ou tu veux pas

Tu veux ou tu veux pas
Toi tu dis noir et après tu dis blanc
C'est noir c'est noir
Oui mais si c'est blanc c'est blanc
C'est noir ou blanc
Mais ce n'est pas noir et blanc
C'est comme ci ou comme ça
Ou tu veux ou tu veux pas

La vie, oui c'est une gymnastique
Et c'est comme la musique
Y a du mauvais et du bon
La vie, pour moi elle est magnifique
Faut pas que tu la compliques
Par tes hésitations

La vie, elle peut être très douce
A condition que tu la pousses
Dans la bonne direction
La vie, elle est là elle nous appelle
Avec toi elle sera belle
Si tu viens à la maison

Tu veux ou tu veux pas ? hein !
Quoi ? Ah ! tu dis oui
Ah ! a a a a a a a
Et ben moi j'veux plus !
Ouh ! la la

Ora aqui está uma ideia

«Putin 'entrega' os media a um cinturão negro. O novo centro de informação terá como missão transmitir uma boa imagem da Rússia e da sua administração aos jornalistas estrangeiros». Jornal de Negócios citando o The Guardian.
Vasily Shestakov é amigo pessoal e mestre de judo do Vladimir. Já ficam a saber: Quem se portar mal e escrever títulos, ou leads, menos «porreiros pá» para a imagem da Grande Mãe Rússia ou a do Grande Irmão Presidente, arrisca-se a ir ao tapete.

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Ouves-me?


A minha liberdade começa quando olho o céu. Acabei de acordar e já estou a chamar-te. Ouves-me? Vem para este mundo silencioso que esconde alguns tesouros. Tens mais conchas e algas para levar. Aqui, onde as ondas nos esperam, há espaço e tempo para a ilusão. Sinto os olhos do sol a brilharem com muita força. Ouves a palavra que sai da minha boca?

Antologia Corta-Fitas (IV)


A vida é prosa

Tenho meia dúzia de livros de poesia. Gosto do som das palavras em inglês, parecem-me simples e primordiais. Tenho uns quantos livros do Eugénio de Andrade, o Alberto Caeiro, o Dylan Thomas e pouco mais. A vida é prosa. Soube isso no momento em que, na escola, me mandaram fazer uns versos em rima. Transpirei das mãos, escrevi e apaguei até fazer um buraco no caderno, mas nada me saiu, senão um par de frases mal conchavadas. E quando o professor me chamou à frente do quadro, gaguejei a minha incapacidade de contar histórias em poema. Fui de criança a adolescente, de adolescente a mulher, com esta vergonha na memória. Eis-me chegada aqui, ao instante em que as nossas existências se cruzaram, com a mesma consciência de sempre: a poesia tem segredos que eu não entendo. Não me vejo a dizer coisas que não sei o que são, não sei falar do amor com os requintes das coisas escritas em verso, com subtilezas das partes reservadas, dos lados claros de luz. Sou prosa, escrita da esquerda para a direita, em linha contínua.
Aquela manhã, de mãos transpiradas e papel rasgado, de rosto corado e o olhar complacente do meu professor primário, foi clara. O caos de sentimentos que fervilhava em mim jamais viria ao mundo como poesia. Existia um outro caminho, algures, à minha frente, no meu futuro. Engoli em seco a derrota. Voltei a engolir outras, conforme fui testando atalhos. Quis ser actriz e, em sonhos, vi plateias rendidas, mas quando me apresentei num concurso da Comuna, nem passei da primeira fase. Nem chegou a ser humilhante. Assim que entrei para as audições, não restaram dúvidas de que não fazia parte daquela tribo. Aquele excesso de emoções enojou-me, acentuou-me a timidez. E, uma vez mais, gaguejei a declamar um poema, do qual esqueci o título e as palavras. A voz só não me atrapalhou quando, no último ano do liceu, o professor de português me escolheu para dizer um poema de Alberto Caeiro. 17 anos inseguros, declamei as palavras que falavam da morte e do regresso da Primavera. Disse, sem perceber o profundo sentido do que dizia, que a Primavera viria com a mesma força, estivesse eu viva ou morta. As flores e as árvores não seriam menos verdes que na Primavera passada. Não tropecei em nenhuma letra, em nenhuma mudança de linha. Não sabia ainda que este era um daqueles momentos em que o destino nos mostra o futuro, nos diz o que precisamos saber. Cinco anos depois, no corredor da morte do hospital, a Primavera estava em força e eu não sabia se estaria viva para assistir ao seu regresso. E foi isso que me levou a abrir o caderno, a colocar a caneta sobre o papel para deixar fluir o turbilhão de emoções. Em prosa, antes que a chama se apagasse.

Marta Caires, 1 de Fevereiro de 2007

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Palavras que odeio (80)

Elencado

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Zero à esquerda

Dizem que durante o ano de 2007, enquanto a direita se auto-aniquilava metodicamente, gramávamos com mais de cinquenta horas de José Sócrates na televisão. O nosso primeiro-ministro é afinal de contas um karma nacional, um verdadeiro castigo por conta da nossa impassibilidade e insipiência. Ou não fosse verdade que um “zero à esquerda” acedeu fulminante ao poder num partido afinal com tradição e história. E que esse zero à esquerda, alcançada uma esmagadora maioria absoluta nas legislativas, vem esbanjando uma oportunidade impar de reformar o estado pelo lado que conta - o da despesa, do desperdício. Um “zero à esquerda” que malbarata a anuência tácita duma comunicação social tradicional e antropologicamente da sua cor para trabalhar patrioticamente numa regeneração estrutural do País... E que se prepara para sair pela porta pequena da história sob vaias e assobios, ódios e ressentimentos, por conta das assustadoras impopulares reformas que afinal não fez.

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A melhor década do cinema (31)


HORIZONTES DE GLÓRIA
(Paths of Glory, 1957)
Realizador: Stanley Kubrick
Principais intérpretes: Kirk Douglas, Ralph Meeker, Adolphe Menjou, George Macready
"Um estudo esmagador da insanidade da guerra que se tem tornado cada vez mais intenso e profundo à medida que os anos passam."
(Leonard Maltin)

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Novidade Corta-Fiteira

É com redobrada satisfação - motivada pela minha amizade pessoal e admiração profissional - que venho perante vós anunciar (devidamente mandatado pelo Conselho de Curadores, que a vida lhes seja longa) a grande contratação de Inverno do nosso Corta-Fitas: O escritor, jornalista, crítico, cronista e amigo extraordinário Fernando Sobral (É também benfiquista, o que só comprova aos mais cépticos a radical pluralidade deste nosso blogue).

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Onde é que lhes dói?

Estou chocada com a desculpa preguiçosa que o PS arranjou para chumbar a proposta do PP da venda de medicamentos em doses unitárias. "São precisos estudos", dizem eles. São?!? Para quê?!? Espero que, ao menos, usem as costas dos estudos da OTA. Sempre se recicla.

Quarta-feira, Janeiro 23, 2008

Já esta declaração...

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O prestígio de Cavaco


Era de prever: Cavaco Silva subiu 4,5% num mês, reforçando a sua quota de popularidade, de acordo com a mais recente sondagem do Expresso. É um inequívoco sinal de alerta ao primeiro-ministro: o sucesso político de José Sócrates está muito condicionado à “cooperação estratégica” que conseguir manter com o Presidente da República. A boa relação institucional com Cavaco atenua o óbvio desgaste da imagem do Governo (menos 1,9% na mesma sondagem), tornando o primeiro-ministro cada vez mais dependente do inquilino de Belém. É também um sinal àqueles que clamavam contra os poderes “mitigados” do Chefe do Estado na arquitectura constitucional portuguesa. A “magistratura de influência” teorizada por Mário Soares está viva e de boa saúde – como ainda agora se viu nos casos do referendo europeu e do futuro aeroporto internacional, em que Cavaco teve um papel decisivo. O prestígio do Presidente - eleito fez ontem dois anos - não resulta da letra da lei mas da sua prática política, que os portugueses vão sufragando sondagem após sondagem. Sócrates percebe isso. Ninguém espere dele qualquer atrito com Belém.

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Isto promete

Todos/as à Universidade Lusíada no dia 31! O nosso Pedro Correia, Luís Paixão Martins e José Pacheco Pereira vão responder à pergunta que se pode ler no cartaz acima, enquanto eu estarei a gozar o prato na plateia. Um debate que conta com o alto patrocínio do Corta-Fitas
e a organização do Psicolaranja

Do caos à ordem

As pessoas tendem a confundir a obra-prima do mestre com a prima do mestre de obras*. Ainda hoje, em almoço onde participavam responsáveis de comunicação de grandes empresas e organismos públicos, tentei explicar que não era como eles e elas tinham percebido. Isto é, que o que Cunha Vaz pretende nada tem a ver com a carta escrita há uns meses por Luís Paixão Martins a Jaime Gama, solicitando a acreditação permanente dos consultores de comunicação da sua agência ao Parlamento.
Trata-se, aqui e agora, de algo muito distinto: Colocar a comunicação do Grupo Parlamentar do PSD dentro das guidelines utilizadas pela direcção do partido, partilhando conteúdos e definindo mensagens-chave comuns. Ao fim e ao cabo, acabar com a prática instituída de o grupo parlamentar vir desfazer aquilo que a cúpula do partido passou a semana a tentar construir.
Obviamente, muitos de vocês não concordam comigo nem com António Cunha Vaz. É provável que achem esta tentativa de pôr ordem no caos uma limitação da liberdade de expressão dos representantes eleitos da Nação. E eu até os percebo. Temos que admitir que custa um bocado assumir as coisas como elas são. Mas se descermos à terra, a essa terra queimada que é o corredor dos passos perdidos, de imediato entendemos que das duas uma: Ou os senhores deputados se organizam, ou se deixam organizar. Caso contrário, ficamos a perceber que continuam a preferir brincar às oposições.
*Muito bom, mas roubado ao saudoso Pão com Manteiga.

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Abafa-te e abifa-te

O nosso João Villalobos está de molho com uma gripalhada daquelas e vai daí eu dedico-lhe esta graçola:

O Armando encontra o seu vizinho no café e diz:
- Ó Júlio, ouvi dizer que morreu a tua mãe...
- É verdade Armando, foi na semana passada - responde o Júlio com ar pesaroso.
- E então posso saber de que morreu a Sra. sua mãezinha? - Pergunta o Armando com simpatia.
- Olha, imagina que morreu com uma gripe... – responde o Júlio de olhos marejados de lágrimas.
- Oh pá! – Exclama aliviado o amigo Armando – Ainda bem que não foi nada de grave!


PS - Volta depressa que estás perdoado!

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Antologia Corta-Fitas (III)


Magras foras dos desfiles (é oito ou 80)

O Governo Regional de Madrid decidiu proibir as modelos demasiado magras de desfilarem. Diz o Executivo de nuestros hermanos que quer combater a anorexia e a bulimia, dois distúrbios alimentares que, não podemos esquecer, têm origem psíquica. A medida está a agitar o mundo da Moda (não era para menos, depois de tantos anos a colocarem nos píncaros as meninas e meninos de pele e osso) e já recebeu adeptos. Os organizadores da Pasarela Cibeles (um dos mais conceituados desfiles de moda da Europa, cuja 44ª edição arrancou segunda-feira) deu o mote e já proibiu a participação de cinco manequins, pela sua excessiva magreza.
Já era mais que tempo de este assunto - a anorexia e bulimia no mundo da Moda - vir para a ribalta. O debate em torno deste problema é mais do que pertinente. Mas tenho sérias dúvidas sobre a justeza e utilidade da iniciativa, simplesmente pela forma como foi colocada - proibir sem mais nem menos. Será que é este o caminho certo? Desconfio sempre dos fundamentalismos e dos caminhos mais fáceis para se resolver problemas delicados.Não se esqueçam que até este momento eram as agências que pediam aos candidatos a modelo que tirassem umas gordurinhas ali e uns quilitos além, incutindo-lhes alguma obsessão. E agora, o que vão dizer a estes mesmos modelos? E depois, nem todas as magras excessivas sofrem de anorexia.

Inês Bastos, 19 de Setembro de 2006

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Banho de realidade


Há um ano, o subsistema de saúde de que usufruía acabou, em nome de uma moral que aconselha a igualdade de tratamento para todos os utentes do SNS (a propósito, para quando a aplicação dos mesmos princípios aos nossos estimados deputados e juízes?).
Em nome dessa moral acatei sem tugir e fui adiando como pude o dia em que finalmente tivesse o privilégio de sentir no pêlo as condições em que a generalidade das pessoas são assistidas nos Centros de Saúde.
Descobri então que não tenho nem terei médico de família atribuído nos próximos tempos (Meses? Anos? Não me souberam dizer). Se precisar de consulta tenho que me inscrever com um mês de antecedência. Nessa altura serei atendida por um médico qualquer. Se precisar de ser seguida, andarei a saltitar de médico para médico e só por sorte serei vista pelo mesmo em duas consultas seguidas. Quanto a exames, fiquei também a saber que há muitos que não são comparticipados e outros são realizados em escassos centros de meios auxiliares de diagnóstico, o que implica um longo tempo de espera.
Fiquei irritada quando me vi confrontada com tudo isto e protestei. A funcionária que me atendeu mirou-me dos pés à cabeça com espanto. Percebi quanto eu lhe parecia desfocada da realidade por revelar tanta indignação. Vociferar num Centro de Saúde contra a falta de médicos é quase tão absurdo como reclamar no Inverno por estar mau tempo.
Ontem, na SICNotícias, Correia de Campos garantiu que no prazo de um ano 150 mil utentes iriam passar a ter médico de família. Lembrei-me logo da história dos 150 mil empregos. Será dos mesmos 150 mil portugueses que o ministro da Saúde está a falar? (Tenho a impressão que este Governo tem um fetiche qualquer com este número: 150 mil. Será sexy?)

A melhor década do cinema (30)


ELE
(El, 1952)
Realizador: Luis Buñuel
Principais intérpretes: Arturo de Córdova, Delia Garcés, Luis Beristáin, Aurora Walker, Carlos Martínez Baena
"Um filme assombroso." (David Quinlan)

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Falamos de tudo

Ontem perguntei-lhe:
- Então, que balanço fazes da crise do BCP?
Olhou-me fixamente, depois virou-me as costas e foi aliviar-se ao caixote.
Ele sempre gostou de falar por metáforas.

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Terça-feira, Janeiro 22, 2008

Gostei de ler

Dois anos com Cavaco. Do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
Fidel foi eleito! De João Tunes, na Água Lisa.
Fintar Hades. Da Leonor Barros, n' A Curva da Estrada.
Uma crise (meramente) literária. Do Pedro Rolo Duarte, no Pedro Rolo Duarte.
O sangue de Simone. De Henrique Fialho, na Insónia.
Na idade de ouro da televisão americana. Do João Lopes, no Sound-Vision.
A morte de África. Do Miguel Castelo-Branco, no Combustões.

Medalha Miguel Sousa Tavares

A historiadora Maria de Fátima Bonifácio fez as mais inteligentes intervenções do Prós e Contras de ontem, dedicado às novas regras sobre o consumo de tabaco. Arrisco mesmo vaticinar que conquistou a imortalidade com várias frases que proferiu nesse debate, das quais destaco: "Não vale a pena deixar de comer umas tripas à moda do Porto para viver mais uns dias." Impressionaram-me estas sábias palavras, que culminaram no seu brado: "Eu quero comer tripas!"
Eu, confesso, não quero comer tripas. Mesmo assim, só consigo equiparar aquela admirável exclamação ao grito do Ipiranga. Mas melhor ainda esteve a ilustre historiadora quando, em defesa do sacrossanto princípio da liberdade, exclamou: "As crianças não devem ir a restaurantes porque incomodam os adultos."
Fátima Bonifácio quer fumar em todos os restaurantes. Em nome da liberdade, que a seu ver se encontra "ameaçada" em Portugal, como se pode ver pelo "controlo" do Estado às chamadas de telemóvel e às vias verdes. É também em nome da liberdade que a preclara historiadora pretende eliminar dos restaurantes as criancinhas que tanto a incomodam.
Rolou-me pela face uma furtiva lágrima ao ouvir isto.
Fátima Bonifácio, ardente defensora da liberdade, merece só por isto ser distinguida com a Medalha Miguel Sousa Tavares no próximo 10 de Junho. Em sessão rigorosamente interdita a menores de 18 anos, não vá algum vagido infantil perturbar tão comovente cerimónia.

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Antologia Corta-Fitas (II)

A excepção e a regra

Apeteceu-me reagir, logo no domingo, à gigantesca operação de propaganda da Igreja Católica montada nas estações privadas SIC e TVI e na pública RTP, a tal do serviço público. Pensei melhor e aguardei 24 horas, esperando que os vários batalhões do Sétimo de Cavalaria da blogosfera, tão prontos a esmagar os sarracenos com duas tecladelas apenas, viessem reivindicar a herança das Luzes ocidentais. Nada. Ninguém se sentiu chocado pelas horas e horas de transmissão directa de uma cerimónia de uma religião organizada. Não ouvi um pio blogosférico nem sequer uma nota - irónica ou indignada - sobre a atitude genuflectória, os olhos em alvo e a pose seráfica de tantos jornalistas encarregados da 'cobertura' nas rádios, televisões ou jornais. Escusam, pois, de vir incomodar a audiência com uma pretensa irreverência de salão. Pobre blogalização!

P.S. : Por ser verdade e digno de realce, destaquem-se as honrosas excepções do costume: José Pacheco Pereira e Vasco Pulido Valente. Saravah!

Albano Matos, 20 de Fevereiro de 2006

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Antologia Corta-Fitas (I)

Jornalistas patriotas

O jornal 'Meios & Publicidade' andou a perguntar a jornalistas se era possível misturar nacionalismo e jornalismo. Uma sondagem a propósito "da recente visita do primeiro-ministro, José Sócrates, a Angola, que levantou a questão do posicionamento dos jornalistas face a assuntos de interesse nacional". Importa aqui esclarecer que a questão foi levantada à conta de um trabalho meu sobre direitos humanos em Angola - em plena visita oficial - criticado por um subdirector de um semanário que me reprovou por falta de sentido de Estado. O inquérito revelou que "55 por cento dos profissionais que fazem parte do painel defendeu que patriotismo e jornalismo são conceitos conciliáveis". Mas o mais assustador foi a percentagem de respostas afirmativas à pergunta se as questões de "interesse nacional" se devem sobrepor aos critérios editoriais: 42 por cento dos inquiridos optaram pelo "sim, mas apenas em casos excepcionais". A minha experiência em Angola leva-me à seguinte conclusão: Quanto maior o patriotismo, menor o jornalismo.

Nuno Sá Lourenço, 28 de Abril de 2006

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Da inveja (3)

Ainda a propósito da tal viagem ao Brasil que tanta inveja suscitou em alguns blogues de trazer por casa, queria acrescentar mais um ou dois pontos. Quando vi a Giovanna Antonelli no camarote da Brahma, em pleno Sambódromo, achei-a perfeitamente vulgar. Afinal, a tal actriz que por cá toda a gente suspirava à hora da novela (eu não era uma dessas pessoas, porque detesto novelas, só os gritinhos deixam-me nervoso) O Clone era normalíssima. Até a achei muito baixa. Mas quando me apresentaram a Giovanna, parece que todos lhe chamavam "Jade", fui incapaz de não reparar no brilho dos seus olhos escuros. No sorriso lindo. E na simpatia que dava e vendia.

A melhor década do cinema (29)


O TESOURO DO BARBA-RUIVA
(Moonfleet, 1955)
Realizador: Fritz Lang
Principais intérpretes: Stewart Granger, John Whiteley, George Sanders, Joan Greenwood, Viveca Lindfors
"É o único filme perante o qual, ou dentro do qual, nos sentimos como só as crianças se podem sentir no cinema." (Benoît Jacquot)

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E a lágrima da Senhora Cristina?

A nossa aquariana hoje celebra mais um aninho!
Muitos parabéns! Sopra e depois não te esqueças de pegar numa vela, morder e pedir um desejo...

Por qué no te callas? (2)

"No meio de qualquer tormenta é preciso avaliar o estado do barco."
José Sócrates, ontem, em Lisboa

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A lágrima da senhora Hillary

Discordo em absoluto do teu texto, Teresa. Reduzir a vantagem de Hillary à lágrima é apagar que ela era favorita antes; associar a lágrima ao facto de ser mulher transforma a senhora numa espécie de "Barbie Manda no Mundo" que não é justo.
O desaparecimento de Maddie McCann já nos tinha lançado numa discussão pública inquietante sobre o choro das mulheres. Era bom que algum entendido em mecânica da lágrima nos esclarecesse se as mulheres choram mais do que os homens. Eu, apesar de ser uma chorona, não tenho a certeza.
Uma coisa parece-me certa: o episódio da lágrima de Hillary só atingiu esta dimensão porque ela é mulher. A vigilância sobre ela é mais apertada e tudo o que faça ou deixe de fazer será lido como fraqueza ou característica feminina. E é sobre isso, sobre a forma como lemos os gestos de Hillary, que nos devíamos concentrar. É que revela muito sobre nós.

É a América, estúpidos!


Uma lágrima, o mais pungente sinal exterior de feminilidade, foi quanto bastou para ela vencer em New Hampshire. Agora, na Carolina do Sul – estado negro – espera-se a vitória dele.
Por muito que tentem elaborar sobre matérias bem mais relevantes para o futuro dos EUA, os eleitores democratas avaliarão Hillary e Obama primeiro que tudo em função do seu género e da sua cor e não das suas diferenças enquanto políticos. Em se tratando de escolher entre um homem e uma mulher ou entre um branco e um negro tudo o resto parece perder dimensão.
Não deixa, porém, de ser irónico que o futuro líder político mais influente e poderoso do mundo se arrisque, em última análise, a ser escolhido por características que lhe escapam e completamente alheias à sua capacidade de governação.

Segunda-feira, Janeiro 21, 2008

1950 a 1950!?

Em dia de demissão de Cabral Ferreira da presidência do Belenenses, pergunto-me por que razão o meu tio-avô só se terá aguentado um ano no mesmo cargo. É verdade que não se ganhou um campeonato, nem sequer uma tacinha...Mas caramba! (Acho que não vou levantar a questão em jantar de família, não vá saltar algum esqueleto do armário).

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Pensamento do dia

A propósito da discussão que para aí vai sobre a liderança do PSD, seja ela a anterior, a actual ou a que se seguirá, julgo que basta citar a famosa frase de Immanuel Kant: «Os pensamentos sem conteúdo são vazios. As intuições sem conceitos são cegas».

É preciso dizer mais? Só baseada na existência de algo permanente pode existir a experiência de sucessão temporal, pázinhos! E que «algo de permanente» é esse, no que toca ao PSD? Hem? Respondam-me lá se forem capazes.
Nota: É favor clicar na imagem, para melhor compreensão da sua utilização neste contexto.

Idade

Mal entrei na loja fui surpreendida pela música. - Há tanto tempo que não ouvia isto - soltei.
- É uma música dos anos 80.

Olhei em volta à procura da dona da voz e vejo uma rapariga com 20 anos, vestida de preto e de baton vermelho vivo nos espaços entre os piercings dos lábios.
- Segunda metade dos anos 80 - digo eu, olhando com ar casual para as fileiras de sapatos.
- Primeira metade - corrige ela.
- Pois. Cocteau twins - afirmo eu, tentando parecer indiferente.
- Não. This mortal coil - retorna a voz. A frase atirou-me ao tapete. Tento manter a compostura enquanto esperneio no meio da loja, aos gritos para dentro "EU SABIA, EU SABIA!". É então que ela me dá o golpe de misericórdia:
- É natural que tenha confundido, é a mesma vocalista.
Nesta altura estou eu em agonia no chão da loja, com o olhar gazeado entre aquela rapariga revivalista que se apropriou dos MEUS anos 80 e as fileiras de sapatos. Tento dizer alguma coisa que a ponha no lugar mas só me saem golfadas de sangue. Até que consigo articular, com ar enjoado: - Não tem nada com menos dourados?
É patético, eu sei, mas nós, os aquarianos, não somos pessoas de resposta pronta.

Palavras que odeio (79)

Encanitar

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Por qué no te callas? (1)

"Não há nada que mais me agrade do que correr numa manhã de sol. E correr numa cidade bonita como Viana do Castelo é um prazer redobrado."
José Sócrates, ontem, em Viana do Castelo

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A melhor década do cinema (28)


MATAR OU NÃO MATAR
(In a Lonely Place, 1950)
Realizador: Nicholas Ray
Principais intérpretes: Humphrey Bogart, Gloria Grahame, Frank Lovejoy, Carl Benton Reid
"Uma obra-prima a vários títulos, com a melhor interpretação de Bogart." (Kim Newman)

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Lei e Ordem

O Movimento Informação é Liberdade (MIL) volta a reunir-se amanhã no Hotel Marriott (antigo Penta), em Lisboa. O grupo de jornalistas que se encontrará ao jantar, e ao qual eu e o Pedro nos vamos juntar, vai continuar a discutir o actual quadro legal que regula o exercício da nossa profissão e a possibilidade real de avançarmos para um modelo próximo de uma Ordem dos Jornalistas. Vamos a isto?

A ameaçazita terrorista já cá canta...

Nesse particular, já podemos sair da cauda da Europa. Vamos lá, rapaziada, todos juntos, continuemos a trabalhar para ter os mesmos problemas da Europa desenvolvida, mas sem as vantagens. Senão isto perde a graça!

Postais blogosféricos

1. Vai votando, Sérgio. Os cinco mais votados serão no final os nossos candidatos "oficiais" à remodelação. A ver se acertamos.
2. Certíssimo, o que o Paulo escreve aqui sobre o nosso Francisco.
3. Na verdade estamos muito em sintonia, Tomás. Na política e não só.

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Divagações e sugestões

Estou com uma carraspana que mete medo. Acordei nostálgico dos tempos de outrora em que usava lenços de pano em linho egípcio com um jotazinho bordado e perguntei-me, entre fungadelas, por que razão a minha vidinha tem vindo sempre a descer desde então, numa ladeira inclinada em direcção aos lenços Classic marca branca do Carrefour.
Ontem, razão do meu estado gripal de hoje, dei por mim no Alentejo decidido a regressar ao Sampaio, no Escoural. O Sampaio é uma padaria/pastelaria/Casa de Chá com uns bolinhos secos e um pão que dão vontade de invocar Deus mesmo ali, numa terra que ostenta nas fachadas poemas dedicados a Vasco Gonçalves por um conhecido poeta. Sadly, descobri que o Sampaio encerra aos domingos e segundas. Dei por mim a folhear a Caras na pastelaria Camelo e saí de lá com as defesas tão em baixo que o virus da gripe aproveitou para as transpor, o mafarrico.
Nesta altura do campeonato, estarão V.Exas a perguntar-se: «O que é que isto nos interessa? Este gajo não tem amigos?» ou a vociferar «Mas afinal este rapazinho não se enxerga? Por que é que não pede colinho à mamã?». É compreensível, todo esse questionar. Mas sossegai, exigente público. Todo este intróito teve como finalidade dizer-vos que hoje, no seu Floresta do Sul, o António Manuel Venda recuperou um excelente texto sobre o Manuel Azinheirinha, restaurante do Escoural dos mais insignes. Podeis lê-lo e salivar em abundância. Depois, ide conhecê-lo, ao Manuel, ide. Não vos arrependereis (Atchim!).

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Portugal 2008

O povo nas cidades desceu à rua, não para reclamar o preço do pão ou do leite, protestar contra a carga fiscal ou o preço da gasolina. Desceu à rua para fumar um cigarrinho.

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Não posso exigir mais

É bonito, elegante, inteligente, sensível e sei que jamais me trocaria por outra mulher.

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Dentro da linha


Com a Ana Carolina Gequelin, e mesmo não sendo sexta-feira, fica reposta a legalidade democrática no Corta-Fitas.

Domingo, Janeiro 20, 2008

Fora das 4 linhas

As opiniões dividem-se. Uns dizem que Beckham viu os seus atributos favorecidos pelo photoshop, mas a mulher diz que não. Deixo aqui uma outra hipótese: não terá a Armani lançado um novo modelo de cuecas ao estilo wonderbra?

Passeio de fim-de-semana 1


Com pouco mais de dois anos a escrever na blogoesfera portuguesa, tenho sido um péssimo blogger, com pouco tempo disponível para apreciar o que de melhor outros escrevem. Tentarei, nesta série, contrariar a minha inércia e privilegiar blogues que não constam na lista de links do Corta-Fitas (mas falarei também dos que lá estão), com o critério de serem sítios que gosto de visitar, pois sempre me surpreendem. Procurarei, igualmente, explicar os motivos que me levam a apreciar determinada assinatura.
Maradona, por exemplo, tem sido um dos meus preferidos. Leio com prazer as suas diatribes em A Causa Foi Modificada. Tem um humor sarcástico e devastador, que me faz rir, mas na base de cada texto existe uma sabedoria que também faz pensar. Inteligente e culto, Maradona parece-me um óptimo exemplo de escrita de qualidade. Por vezes, é incómodo e acutilante, quase sempre bom observador e, sobretudo, notável cronista do nosso tempo.

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Conserta-corações

Do que percebi do assunto, a investigadora Doris Taylor pegou num coração parado, lavou-o bem com detergente (?) até sair tudo o que não é essencial num coração, depois recheou-o e barrou-o com milhões de células imaturas (!) e, espanto dos espantos, o coração original, morto, lavado e barrado, tum tum, tum tum, começou a bater. Resumindo - e saltando a parte com aspecto de aula de culinária - tínhamos um coração morto e passámos a ter um coração vivo e lavado. Se isto não vos espanta, meus amigos, é porque precisam de uma lavagem ao cérebro com Vim e uma escovinha de arame.

Domingo

Evangelho segundo São João 1, 29-34

Naquele tempo, João Baptista viu Jesus, que vinha ao seu encontro, e exclamou: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. É d’Ele que eu dizia: ‘Depois de mim vem um homem, que passou à minha frente, porque era antes de mim’. Eu não O conhecia, mas foi para Ele Se manifestar a Israel que eu vim baptizar na água». João deu mais este testemunho: «Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e permanecer sobre Ele. Eu não O conhecia, mas quem me enviou na baptizar na água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e permanecer é que baptiza no Espírito Santo’. Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus».

Da Bíblia Sagrada

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Não gosto/detesto

Não gosto de pessoas que têm sempre desculpas para não ir a funerais, que nunca visitam os doentes durante a doença, que nunca se lembram dos aniversários nem das datas importantes, que não visitam os bebés nas maternidades logo que nascem, que não cultivam as amizades, que nunca telefonam, que não dão os presentes de Natal na altura certa, que quando são apanhadas em falta começam a falar sem parar. Detesto ser uma dessas pessoas.

Sábado, Janeiro 19, 2008

E a vida continua

Acabo de chegar da Ota, dum agradável almoço com parentes e amigos no Clube de Tiro local. Entre os convivas, alguns vivem lá e detêm terras ou negócios na zona. O único comentário que ouvi ao malogrado aeroporto foi: “Depois de trinta anos de expectativas, as hipóteses eram duas; ou ganhávamos dinheiro ou sossego. Ganhámos sossego, o que também é muito bom”. Enquanto as conversas se desenrolavam animadas pelos digestivos e o crepitar da grande lareira, lá fora a criançada jogava à bola ou brincava nos baloiços. E a tarde caía pacifica e rosada sobre a terra e os pinheiros.

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A melhor década do cinema (27)


O COMBOIO APITOU TRÊS VEZES
(High Noon, 1952)
Realizador: Fred Zinnemann
Gary Cooper, Thomas Mitchell, Lloyd Bridges, Katy Jurado, Grace Kelly, Otto Kruger, Lon Chaney Jr, Harry Morgan
"Simultaneamente um grande western cheio de suspense e uma perfeita alegoria do clima de medo e suspeita reinantes no maccarthismo."
(Kim Newman)

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Sexta-feira, Janeiro 18, 2008

Sunset


Há dias, morreu Edmund Hillary, o grande conquistador do Evereste. Acabo de saber que morreu Bobby Fischer, o mais talentoso jogador de xadrez das últimas décadas. Os meus heróis estão a desaparecer.

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O que parece é

Muito interessante, esta revelação de José Medeiros Ferreira.

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"Spam" telefónico

Foi há alguns anos que me inscrevi no Círculo de Leitores com o intuito de subscrever a magnifica colecção Reis de Portugal cujo último volume, D. Manuel II, orgulhosamente atafulhei na estante faz agora um ano. Não fora alguns contactos de marketing directo para o meu telemóvel, a minha relação com a editora já tinha cessado há muito. Acontece que respeito o trabalho de toda a gente e, por deformação profissional, devo alguma tolerância extra aos vendedores, mesmo provenientes dalgum exasperante call center.
O episódio surrealista que a seguir relato ensina o que não deve ser uma operação de marketing (pouco) “relacional”, ou o que é uma estratégia de vendas suicida:
Recentemente, num final do dia, quando eu ia a caminho de casa, uma senhora do telemarketing do Círculo de Leitores apanhou-me pelo cansaço. De seguida e sem piedade disparou o seu inquérito numa irritante voz anasalada: “O Sr. João (!) está contente com o serviço do Círculo de Leitores?” “O Sr. João recebeu a última revista do Círculo de Leitores?” “Olhe, estamos a fazer uma promoção especial para a Colecção Reis de Portugal, conhece?”
Com caridade cristã esclareci a senhora que o Sr. João era um feliz possuidor da dita colecção, que se sentia bem servido com a que lhe coubera em sorte... e com a licença dela desliguei a chamada educadamente.
Quinze dias depois recebi nova investida telefónica da mesma editora: “O Sr. João (!!!) pode falar agora?” “Está contente com o serviço?” “E, a propósito, sabe que a Colecção Reis de Portugal está agora com 50% de desconto?”
... Atingido de morte, ainda tive coragem de esclarecer a Senhora que afinal eu era com um daqueles trouxas que a seu tempo comprara a dita colecção pelo dobro do preço!

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Vai uma cachimbada?

Depois de mais uma investida do Paulo Gorjão no Cachimbo de Magritte (blogue de que sempre gostei e do qual não vou deixar de gostar, apesar desta última semana conturbada), só me apetece perguntar se ele, ao menos, se dava ao trabalho de ler as notícias que menciona? É que, se fosse o caso, iria saber que o tema que levantou foi alvo de uma queixa na PGR e, logo, deverá estar em segredo de Justiça. Se tem tanta curiosidade em saber "como evoluiu o processo" resolva isso da maneira que entender. A agenda dos media não é ditada por bloggers de serviço, mas apenas e só pelo factor notícia, actualidade, notoriedade e interesse público. A avaliar pela caixa de comentários do blogger em questão, curiosity killed the cat...

Da inveja (2)

Ainda a propósito disto, não me esqueço da Danielle Winits, que me foi apresentada no camarote da Brahma, em pleno Sambódromo. O "camarote", para quem não sabe, não é um camarote vulgar, mas uma zona de cerca de 2500 metros quadrados, com restaurantes, bares, corredores, rampas e até um mini-campo de futebol. Tudo em apenas um dos camarotes da Marquês de Sapucaí. Escusado será dizer que adorei conhecer a Danielle, muito simpática (mas pouco do meu género) e educada à mesa, apesar do nível de chope já ser elevado de parte a parte...

Cadernos de Filosofia Política de Adolfo Ernesto (XV)




Argumentação

Agora, que a greve de argumentistas está a acabar, posso seguir a minha vocação sem o anátema de ser amarelo ou fura-greves. O meu amigo Cecil B. Demille (na foto) costumava dizer: "Adolfo Ernesto, nunca esqueças, dá-lhes emoção e, quando eles não puderem mais, dá-lhes mais uma vez, com emoção". A minha mais recente proposta para Hollywood foi um projecto de argumento que enviei para a cidade dos anjinhos, e que terá por título Emoções sem Limite, embora tenha hesitado, pois havia a hipótese de Explosões sem Limite.
A história é singela. Começa no MidWest, entre paisagens paradisíacas. Conhecemos "o excelente e confiável Jim Smith (Brad Pitt), que procura o pai ausente, Tom Smith (George Clooney) e se apaixona pela sensual Belinda Jones (Scarlett Johansson). Depois de uma escaldante cena de sexo entre os dois protagonistas, temos uma frenética perseguição de automóveis onde conhecemos o malvado Lucas Cheney (Tommy Lee Jones), que mata quatro transeuntes. Jim Smith é forçado a juntar-se ao exército e enviado para o Afeganistão (cena de combate inspirada em Platoon); ali passa algum tempo (nova cena de combate com destruição de quatro dos melhores cenários dos estúdios Paramount), e é no Afeganistão que reencontra o malvado Cheney, que está a vender armas aos talibãs. Mais combates, Cheney morre três cenas depois de ser abatido, Smith regressa aos states na companhia do seu companheiro e herói Johnny (Will Smith) que diz uma piadas, mas o Smith personagem acaba nos braços de Belinda Jones (cena de sexo, suspense, de súbito reaparece o malvado Cheney, que julgávamos morto, mas que afinal estava em pleno estertor), golpe decisivo do herói, vitória final. Triunfam os bons".
Parece-me uma boa história, equilibrada e com momentos interessantes, sobretudo nos tiroteios.
Entretanto, recebi um telegrama urgente, da Mosfilm, que dizia assim:
"Kremlin enviou para Sibéria todos nossos argumentistas. Cruise grave. Adolfo Ernesto, favor enviar argumento, mosfilm".
O Cruise era, afinal crise, mas com uma letra a mais. E foi com Tom Cruise na imaginação que concebi o argumento para a Mosfilm, tarefa difícil, porque eles não gostam de cenas com menos de 40 minutos. O título será Discussões sem Limite, embora A Balada do Soldado não me soe mal:
"O bom Ivan Denisovitch (T. Cruise) cresceu nas paisagens magníficas do Volga, mas apaixonou-se pela bela Tatiana (Zhanna Prokhorenko); ele busca o seu pai, mas enfrenta o cruel Pavlovitch (Vladimir Ivashov)". Aqui, pensei numa cena tipo doutor jivago, mas sem o bigode. "Após longo diálogo de trinta minutos entre Denisovitch e Pavlovitch, o primeiro é cruelmente enviado pelo segundo para o exército e, depois, para a invasão do Afeganistão", (ou ocupação, ou lá o que foi, mas não escrevo argumentos de filmes políticos, quero apenas sublinhar as emoções e as sensações. E, claro, a pirotecnia).
"Enfim, no Afeganistão, dá-se o confronto final entre D. e P., o duelo prolonga-se por duas rápidas horas e o nosso herói consegue regressar aos braços da sua Tatiana, e ainda tem tempo para descobrir o pai, que afinal era um antigo stakhanovista da União Soviética que morrera na heróica luta contra a deskulakização e era muito chegado ao camarada Estaline". É um final bonito e comovente.
Estava satisfeito com esta nova prova superada, mas não sabia que os meus problemas ainda não tinham acabado. Para meu espanto, recebi um telegrama de Bollywood: "Adolfo Ernesto. Crise de argumentistas iminente. Favor enviar argumento de filme de Bollywwod".
Dito e feito. Concebi uma obra e pensei logo num título magnífico: Canções sem Limite. Tudo começa nas margens do sagrado Ganges, onde o nosso herói, Ayodhya Ramayana (Salman Khan) terá de lutar pelo amor eterno da sensual Sara Patel (Aishwaria Rai), apesar dos obstáculos do maléfico Pervez (Shah Rukh Khan). Haverá fugas por toda a Índia, com muita cor e dança, e os dois heróis fogem na direcção dos Himalaias (mais uma dança) e, depois para o Afeganistão, onde são apoiados por Jim Smith, um místico ocidental (George Clooney), mas Khan consegue apanhar o trio (há uma bela cena de dança, com uma notável canção e um coro talibã). Finalmente, o bem triunfa, com ajuda divina que permite uma cena apoteótica. Pervez é derrotado e haverá ainda tempo para uma sensual, mas púdica, cena de sexo, apimentada com uma dança".
Enfim, nesta minha carreira também há a possibilidade de colaborar com as telenovelas brasileiras, mas esse será um enorme desafio, já que as histórias são muito mais complicadas.

Adolfo Ernesto


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A melhor década do cinema (26)


A BALADA DO SOLDADO
(Ballada o Soldate, 1959)
Realizador: Gregori Chukrai
Principais intérpretes: Vladimir Ivashov, Zhanna Prokhorenko, Antonina Maksimova, Nikolai Kryuchkov, Yevgeni Urbansky, Elza Lezhdey
"Lírico, sentimental, tocante." (Daniel e Susan Cohen)

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Palavras que odeio (78)

Progenitura

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George Clooney, who else?


Quando o vejo, fico sem saber se ele já está mesmo assim, ou se foi envelhecido para fazer o anúncio. Em qualquer caso o charme mantém-se, é claro. Charme que só sai reforçado pela descontracção com que aceita fazer o papel do galã fora de prazo que é olimpicamente ignorado por uma miúda que tem idade para ser sua filha e afinal só queria beber um Nespresso.
Quantos sex symbols de Hollywood teriam este fair play? Estou certa de que poucos. E só por isso ganhou direito a entrada directa na sexta-feira do Corta-Fitas!

O império



As eleições americanas entram agora numa fase decisiva, mas os dados essenciais estão já lançados. Existe a fortíssima possibilidade de que, no lado democrático, se defina a dupla Clinton-Obama. Hillary tem todas as hipóteses de vencer a nomeação e escolher Obama para ser o candidato a vice-presidente. Acho pouco provável que esta dupla perca as eleições.
Do lado republicano, o único com possibilidades seria John McCain, que teria de escolher um vice entre não candidatos. As restantes combinações podem originar desastres eleitorais e McCain tem o problema da idade (71 anos). Os republicanos terão de enfrentar as consequências da crise económica que se aproxima, a qual afectará os mais pobres, com proporção maior de eleitores democratas.
Apesar de tudo, as consequências para a Europa serão mínimas. Com Hillary-Obama, Washington não modificará as suas relações com os países europeus, face às actuais, que não são boas. Os EUA precisam dos europeus no Afeganistão, mas estes estão relutantes em enviar tropas para um cenário de guerra tão perigoso. A segunda guerra da NATO (a primeira a sério) pode bem ser a sua última. A chanceler alemã perderia as eleições se comprometesse mais soldados e os franceses precisam de tempo. Os restantes países podem até ter a vontade, mas não possuem a capacidade necessária.
Na próxima presidência, já o problema do Kosovo estará resolvido, pelo que haverá menos um problema a dividir a Europa, com metade desta ao lado de Washington e a outra metade contra.
EUA e Europa são dois blocos com interesses praticamente comuns, mas os Estados Unidos não deixarão de se comportar como a hiperpotência, exigindo total apoio dos seus aliados.
A actual situação tem semelhanças com o equilíbrio de poderes no final do século XIX (cinco europeus, mais os EUA e o Japão, com o império britânico a comportar-se como hiperpotência militar e económica). Mas também há diferenças: os desequilíbrios são maiores do que nessa época, os blocos menos definidos, as alianças parecem mais estáveis e no século XIX não existia nenhum protagonista tão desesperado (ou dividido) como se encontra o bloco muçulmano (cuja fragmentação é notória).
Isto talvez implique um mundo mais imprevisível, pelo que convém na Casa Branca um presidente com experiência e sensatez. Apesar de tudo, que não haja ilusões sobre a sua vocação imperial.

Nova lei autárquica

Diminui a democraticidade, mas aumenta a governabilidade. Pois é, mas atendendo ao nosso histórico nesta área de governação, seria do mais elementar bom senso manter os nossos autarcas de rédea curta.

À sexta, um toque de erudição


Cesse tudo o que a musa antiga canta

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Como é que ele é?

Há quem diga que faz lembrar o Miguel Esteves Cardoso, pois tem olhos claros, rosto redondo e as orelhas espetadas. Mas há um pormenor que o distingue do conhecido colunista: usa bigode. Um maravilhoso bigode à Fernando Ruas.

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Quinta-feira, Janeiro 17, 2008

Demito-me

Ráismapartam se alguma vez pensei dizer isto, mas quanto mais oiço o ministro Mário Lino mais saudades tenho do ministro Jorge Coelho. Estarei doente? Qualquer dia estou com saudades de Guterres. Pessoa que, note-se, é detentora de uns olhos castanhos muito doces. SOCORRO!

O órgão dos órfãos da URSS


A invasão do Afeganistão nunca existiu, garante o inefável Avante!, cada vez mais transformado no órgão oficial dos órfãos da URSS. "Trata-se da 'invasão soviética' do Afeganistão, coisa que nunca na verdade existiu excepto nas versões mentirosas, mas caudalosamente distribuídas por todo o mundo, da propaganda norte-americana", garante Correia da Fonseca, negacionista militante.
Claro que a invasão do Afeganistão nunca existiu, camarada.
Nem a invasão de Budapeste.
Nem a invasão de Praga.
Nem o muro de Berlim.
Nem os campos de extermínio soviético.
Nem a picareta estalinista no cachaço de Trostsky.
Nem o tiro na nuca aos revolucionários que combateram pela democracia em Espanha.
Nem a traição aos ideais socialistas.
Felicito-o, camarada. Pela sua impressionante lucidez.

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Chamem a polícia

O Paulo Gorjão voltou à blogosfera, o que até poderia ser uma boa notícia. Eu pensava que sim, até escrevi aqui que tinha discordado muitas vezes dele mas que o encerramento do Bloguítica era um mau sinal. Agora devidamente reciclado no Cachimbo de Magritte, vejo que o Paulo voltou em forma. Só é pena que não tenha deixado alguns vícios e manias, como o de achar que sabe tudo, sobre tudo e que tem sempre razão. Há um amigo meu que diz, com graça, que ele é o campeão dos vaticínios errados, só rivalizando nessa qualidade com Marcelo Rebelo de Sousa. Eu discordo, o Marcelo só erra tanto porque tem poder e influência para tentar mudar e alterar o rumo das coisas. Porque é amigo dos seus amigos, que protege caninamente.
O PG é diferente. Erra porque sim. Insiste nos erros. Exemplo disto, é a pequena provocação que teve a gentileza de me dirigir há um ou dois dias. Meu caro, acha que tenho alguma responsabilidade na investigação desse "caso"? Que eu saiba, e escrevi-o na altura, o assunto foi entregue às autoridades. E eu pelo menos não tenho a pretensão de querer ser polícia... Não querendo ir tão longe como alguns, lanço-lhe a pergunta: será que você pode dizer o mesmo?

Tirando, isto tudo, olhe desejo-lhe um Bom 2008, apesar de você ter entrado com o seu pé (o esquerdo). E deixe lá, que o seu amigo Luís Marques Mendes anda a fazer pela vida. Não se pode ganhar sempre, sabe? É a vida. A vida em democracia.

E no entanto, não se move

Como é que alguém passa de uma afirmação tão taxativa como «As SCUT está decidido (sic), eu não costumo decidir e depois dizer que não decidi», para segundos depois proferir a veemente declaração «Não tenho nenhum problema em mudar de opinião»?
Via O Cachimbo de Magritte e esse verdadeiro carrapato que é o Paulo Gorjão (Paulo, o nosso FAL não é o inimigo, pá!!!).

Outros tempos, outros costumes


Em Dezembro de 1962, Salazar chamou o seu ministro do Ultramar - tido como uma das figuras mais reformistas do regime - e comunicou-lhe a intenção de alterar a linha de rumo seguida desde Abril de 1961 que levara, entre outras inovações, à abolição da lei do indigenato.
"Nós acabamos de mudar de política", anunciou o presidente do Conselho.
"Então acaba de mudar de ministro", limitou-se a retorquir o ministro, que se chamava Adriano Moreira. Dito e feito: abandonou o Executivo e nunca mais reassumiu um posto governativo.
Hoje é possível mudar de política mantendo inalterado o elenco ministerial. Mais do que possível, é moeda corrente. Mário Lino aí está para o provar.
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Foto: Adriano Moreira em 1961, durante uma visita oficial a África como ministro do Ultramar

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Propaganda Não Solicitada

Pobreza (diria franciscana se não me referisse de um fervoroso laicista) é quando um dos raros republicanos praticantes da modernidade, o Prof. Vital Moreira, recorre a um “proto”-republicano para ornamentar condignamente a sua galeria de heróicos mitos. Falo de Passos Manuel, insigne progressista e liberal de primeira vaga, devidamente homenageado e reconhecido pela monarquia constitucional. Na fotografia datada de Julho de 1907, de Joshua Benoliel, vemos D. Carlos visitando as obras de construção das (actuais) instalações do Lyceu Passos Manuel, recebendo explicações de Rozendo Carvalheira sobre projecto.

Fotografia daqui

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A herança semântica de Salazar

"Em política, o que parece é."
Vicente Jorge Silva, SIC Notícias, 15 de Janeiro

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Leitura obrigatória

Comprei o Público. Podia bem ter todas as restantes páginas em branco que tanto se me daria. Bastar-me-ia o artigo assinado por Adelino Gomes sobre o espólio de Maria de Lurdes Pintasilgo (que será colocado online em http://www.arquivopintasilgo.pt/ a partir de dia 23).
A parágrafos tantos, Adelino recorda o depoimento de Ramalho Eanes recolhido em 2000, sobre as razões da sua preferência pelo apoio a Salgado Zenha nas presidenciais de 1986: «Com o seu espírito de missão e de acção, com o seu voluntarismo, ajustava-se mal» a um Portugal onde «morrera já o tempo da paixão, da comunhão, da ousadia». Impressionou-me isto, lido assim a frio. Tanto pragmatismo na sentença de morte da vontade de ir mais longe.

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Açoreanos, ponham-nas no lugar!

No Pau Para Toda a Obra

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Nas colunas

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Palavras que odeio (77)

Derradeiro

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Incompreensões

Também eu, Francisco, andei em todas elas. Em especial como passageiro do «Texas», entre Peso da Régua e Vila Real. Tal como tu, «tenho pena». Ao contrário de ti, não compreendo. Aliás, nunca compreendi a forma como as linhas da CP foram desmanteladas, para dar força aos mesmos que capitalizaram a privatização da Rodoviária Nacional (Cabanelas, Humberto Pedrosa) e que hoje, como sucede nos trajectos para Sul com a EVA Mundial Turismo e a Rede Expresso, funcionam em cartel concertando preços sem que ninguém os aborreça com minudências.
O fim do comboio coincidiu entre nós com o início das auto-estradas. E, para encaixar dinheiro com a venda da RN, era preciso que o Estado garantisse rotas de passageiros comercialmente atraentes aos senhores da camionagem.
Eu tenho pena e não compreendo, porque a Linha do Tua, do Corgo ou do Sabor percorrem paisagens tão admiravelmente belas e as carruagens são tão apaixonadamente anacrónicas, naqueles carris mais estreitos do que todos os outros, que a sua continuidade era obrigatória em qualquer país com um mínimo de estratégia de desenvolvimento turístico para o interior.
Sou um romântico e as linhas são de manutenção demasiado cara? Eventualmente. Mas não poderia ser, pelo menos parcialmente, assegurada por patrocínios e apoios privados, associados ao sector turístico na Região e aos seus produtos, com destaque para o vinho? Os comboios não tinham passageiros? Mas como podia ser de outra forma, se ninguém os promove lá fora, talvez por vergonha de parecermos menos «modernos», de contradizer as fotografias do senhor inglês que nos julga no Alaska.
A CP e a Refer são detentoras de um património que os diversos Governos têm insistido em delapidar. Para os nossos governantes, o comboio só existe para andar muito, muito depressa. Como aqueles com vidros opacos, à TGV, onde apenas conseguimos ver o nosso próprio reflexo. O reflexo de alguém que atravessa um País que vai perdendo a sua Geografia. E que, ao fazê-lo, perde também parte da sua História.
A ler também o Rui Vasco Neto e o Pedro Morgado, porque estão de acordo comigo e isso sabe sempre bem, principalmente a alguém tão carente quanto eu.

Cheira mal, cheira a Lisboa

Se querem mesmo saber (retórica presunção), para mim foi de uma Junguiana sincronicidade que Lisboa cheirasse fedorentamente a gases no mesmo dia em que eram anunciadas as acusação no «Caso Bragaparques». Foi como se um gigantesco PUM tivesse sido finalmente libertado. O primeiro de uma série. Por isso, não se admirem se de vez em quando continuarem a sentir-se na atmosfera alguns odores desagradáveis.

Angola é deles (2)

Sonangol vai reforçar no BCP para perto de 10% até ao final do ano.
«O aumento de poder dos angolanos na estrutura accionista da instituição (...) é reconhecido pelos dois blocos de accionistas que na AG apenas se uniram em torno da eleição do novo presidente. A Sonangol fez, aliás, a ponte entre as duas facções...».
Maria João Gago, Jornal de Negócios

A melhor década do cinema (25)


FÚRIA DE VIVER
(Rebel Without a Cause, 1955)
Realizador: Nicholas Ray
Principais intérpretes: James Dean, Natalie Wood, Sal Mineo, Jim Backus, Ann Doran, Corey Allen, William Hopper, Rochelle Hudson, Dennis Hopper
"Um dos filmes essenciais dos anos 50 e um triunfo da iconografia." (Charles Matthews)

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Porreiro, pá

"Crise económica leva a que só 53% dos portugueses gozem férias", revela hoje o DN, em notícia da minha colega Cátia Almeida. Aqui está uma informação mais reveladora do que muitas sondagens.

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Melhor é impossível

Tem forte personalidade, na verdade não precisa sequer de falar para demonstrar os seus pontos de vista. Mas aceita-me tal como eu sou. Não nego. Tivemos as nossas disputas de poder, mas depressa aprendemos a respeitar o espaço um do outro. Acho que esse é um dos segredos do sucesso da nossa relação.

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Quarta-feira, Janeiro 16, 2008

Ai esta minha memória

Agora que o NAL está decidido para Alcochete: Não foi António Costa que prometeu transformar o Aeroporto da Portela numa grande zona verde?
Actualização: De acordo com notícia do DN de hoje, quinta-feira, António Costa reiterou em reunião de Câmara que na zona da Portela deve existir «uma zona verde, um pulmão da cidade. Não é economicamente viável mais do que um aeroporto em Lisboa».

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Da inveja (1)

Parece que o meu post de ontem sobre a Naomi Campbell, que conheci no Rio de Janeiro há uns anos, suscitou um leve sentimento de inveja em algumas mentes mais conturbadas. Apesar disso, até lhes achei graça desta vez. Por isso, vou revelar mais umas pérolas que conheci nessa estadia. Só algumas, porque não tenho tempo para isto. Começo por Daniella Sarahyba, com quem estive no baile do Copacabana Palace. Ela era a rainha do baile eu era naquela noite um mero pajem de smoking vestido e charuto na mão. Gostei dela, pareceu-me uma mulher certinha, de família, caseira e com a cabeça no lugar. E lembro que chegou a ser eleita a mulher mais bonita do Brasil.


P. S. - Ilibo neste caso o Rui Castro, que foi um senhor, como sempre. E a quem revelo com segurança que era mesmo ela, na altura ainda linda de morrer e sem as manias que tem vindo a adquirir.

Dá cá, toma lá

«Região Oeste vai ter novo hospital»

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Mais uma vez...

Postais blogosféricos

1. Dois blogues em foco: o Arcádia, que completa três anos, e o Profano, que festeja o primeiro aniversário. Parabéns a ambos.
2. O Pedro Sales confirma a importância de ter boa memória na blogosfera.
3. Registo a simpatia do António Manuel Venda no seu imprescindível Floresta do Sul.

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Não se espera nada

À tarde, ouvimos Luís Filipe Menezes dizer que o PSD votará contra a moção de censura do BE.
À noite, ouvimos Santana Lopes dizer que o PSD vai abster-se na votação da moção de censura. O Pedro Soares Lourenço ficou tão perplexo como eu.
Só falta agora vir Ribau Esteves dizer que o PSD votará a favor. Deste PPD/PSD espera-se tudo. O mesmo é dizer que não se espera nada.

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Onde é que dói? (I)

Não sou médico, felizmente, mas farto-me de receber correspondência médica. O anterior inquilino do andar onde vivo era um médico, Dr. Sicrano de Tal, que nunca vi mais gordo. Já saiu há muito, mas ainda hoje é em nome dele que surge a maior parte da papelada que me entope a caixa do correio.
Acho até isto divertido. E passei a achar ainda mais quando comecei a receber propaganda dos candidatos ao cargo de bastonário da Ordem dos Médicos. Deu para perceber que os concorrentes não se gramam nem com molho de tomate, o que só aumentou a minha cultura geral (e, confesso, o meu divertimento).
Nem é preciso abrir os envelopes. O actual bastonário ataca sem sofismas: “Quem conhece os candidatos vota Pedro Nunes”, lê-se em letras vermelhas impressas no envelope, onde vem também um destacado “Não à abstenção”. No remetente, o endereço de Pedro Nunes: Rua Andrade Corvo, nº 3- 4º D – 1050-007 Lisboa.
O seu concorrente que passou à segunda volta, Miguel Leão, parece ainda mais aguerrido: “O Dr. Pedro Nunes contribuiu para a destruição das carreiras médicas e aumento de poderes da entidade reguladora da saúde”, lê-se no sobrescrito, em letras verdes, todas maiúsculas. Remetente: a Ordem dos Médicos – Secção Regional do Norte, com endereço na Rua Delfim Maia, 405 – 4200-256 Porto. Vêm também impressos os números de telefone e telefax.
Abro os envelopes: fico desde logo a saber que a segunda volta decorre hoje, 16 de Janeiro, e destina-se ao biénio 2008-2010. E os candidatos não são nada meigos um para o outro.

Onde é que dói? (II)

O que diz Nunes?
“Se votou ou pensa votar Miguel Leão é para si esta carta. Tem o direito e o dever de saber quem escolhe.” E toca a despejar impropérios contra o rival:
1. “Numa campanha inacreditável, recorrendo a todos os meios, Leão visou deliberadamente o meu carácter e tentou fazer os médicos acreditar que eu seria uma pessoa sem força ou vontade, incapaz de enfrentar Correia de Campos ou de os defender.”
2. “A mistificação e a mentira não conheceram limites, pelo que sou obrigado a defender a minha honra e a verdade dos factos.”
3. “Recorreu à mais baixa e torpe política.”
4. “Durante três anos desestabilizou e fracturou artificialmente a Ordem e preparou ilicitamente à custa desta a sua campanha eleitoral.”
5. “Miguel Leão é a escolha de Correia de Campos!!!”
6. “Nos últimos três anos quantas vezes ouviu Miguel Leão criticar o ministro? A resposta óbvia é… nenhuma.”
7. “Será porque durante três anos se ausentou sistematicamente do seu serviço hospitalar para preparar a campanha eleitoral, com o conhecimento e bênção do ministro da Saúde?...”
8. “Como é que um médico em regime de tempo completo prolongado (42 horas) e dedicação exclusiva justificou todos os dias em que viajou pelo País, de Bragança aos Açores? São ausências sistemáticas e reiteradas que nenhuma Administração permitiria a nenhum médico. Mas permitiu-o a ele! Porquê?”
9. “Uma simples análise da contabilidade da Secção Regional do Norte, que pagou os passeios em 2006 e 2007, permite confirmar este facto. O que revelará a análise do livro de ponto do seu hospital?”
10. “Quanto nos custaria a todos nós o seu silêncio cúmplice, quando não apoio expresso, se por desgraça viesse a ser presidente da nossa Ordem?... É que não há jantares de graça…”

Onde é que dói? (III)

E o que diz Leão?
1. “Como vem sendo hábito, o dr. Pedro Nunes continua a utilizar a Revista da Ordem para a sua propaganda pessoal.”
2. “No último número da Revista da Ordem (ou será que é só a revista do dr. Pedro Nunes?), o Conselho Regional do Norte é atacado em quarto páginas.”
3. “No editorial da Revista da Ordem dos Médicos de Março de 2006, o dr. Pedro Nunes afirma que o encontro da Assembleia de Médicos de Clínica Geral em Vilamoura era ‘uma feira de medicamentos’. Será que o dr. Pedro Nunes, com esta atitude, tem competência para defender os médicos?”
4. Em 30 de Novembro de 2005, o dr. Pedro Nunes enviou o documento anexo ao secretário de Estado da Saúde onde escrevia que o Estatuto dos Hospitais EPE tinha vários aspectos positivos e outros de pormenor. É óbvio que aquele estatuto ampliou a destruição das carreiras médicas. Ou seja, as carreiras médicas são, para o dr. Pedro Nunes, um pormenor. Será que o dr. Pedro Nunes, com esta atitude, tem legimitidade para falar em carreiras médicas?"
E por aí fora.
As coisas que eu aprendo por receber a correspondência do inquilino anterior... Se estes médicos tão assanhados souberem tratar tão bem dos doentes como sabem esgadanhar-se mutuamente, temos bons motivos para ficar todos muito descansados. Não voto nesta eleição, claro. Mesmo assim, muita saudinha é o que desejo a qualquer dos dois.

Hard Days Night

Se a sua cara metade (ou mais recente conquista de 2008) é fã dos Beatles, pode começar o ano da melhor maneira ao levá-la até Liverpool, berço dos Beatles. A cidade vai ter o primeiro hotel que conta a história do quarteto: Hard Days Night (nome de uma das músicas mais conhecidas da banda). A inauguração deve acontecer a 1 de Fevereiro, de modo a aproveitar as comemorações na cidade, Capital Europeia da Cultura em 2008. Os quartos vão estar decorados individualmente com peças e fotografias que contam a história do grupo. Quem sabe se Sarkozy não tira mais uns dias de férias e passa por lá.

«Ó glória de mandar, ó vã cobiça»

«Luís Filipe Menezes defendeu que é tempo de o seu partido 'cerrar fileiras' e entrar no combate ao Governo, afirmando-se como partido 'com ambição de poder'». (No Público. O negrito é meu). É nestas e noutras reveladoras declarações sem filtro que se traduz toda uma mentalidade: Não a preocupação em definir o PSD pela sua missão para o País ou a sua utilidade para os portugueses e a resolução dos seu problemas. Mas sim a afirmação da pura vontade de poder e glória de mandar.
Percebe-se a mensagem, essencialmente para consumo interno: É preciso motivar a «máquina» e dar velocidade à engrenagem, criar o momentum, acenar aos militantes com aquilo de que estão sequiosos. «Ambição de Poder». Eis o verdadeiro slogan de Menezes. Os valores, esses, vão sendo impressos à medida para embelezamento dos púlpitos.
*Título roubado a um poeta de quando havia Portugal.

Palavras que odeio (76)

Efectivamente

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Carmona não desiste

Portela+1 morreu. Viva o 1+Portela!

Angola é deles

Pode parecer estranho, para alguns, que Santos Ferreira tenha recolhido um apoio tão expressivo dos principais accionistas apesar de, ao contrário de Miguel Cadilhe, não ter apresentado o seu plano estratégico para o crescimento do banco. No entanto, eles sabem bem para onde vão. E as palavras eram desnecessárias para quem lá está dentro.
Enquanto a estratégia da equipa liderada por Cadilhe assentava essencialmente no reforço da componente comercial do banco numa lógica de Nova Rede, a aposta chave da equipa vencedora é Angola. Território onde os responsáveis socialistas têm, neste momento, excelentes relações com o poder económico (E político. Como sabemos, neste caso vai dar ao mesmo).
Angola sempre foi a carta mais importante no baralho desde o lançamento da OPA por Paulo Teixeira Pinto. É esse o principal mercado alvo para a expansão do nosso sistema financeiro. E é dele que depende, também, o sucesso do plano de negócios do BPI. Se as perspectivas de crescimento em Angola falharem, as promessas feitas por Fernando Ulrich de criação de valor para os seus accionistas, que serviram de arma na defesa contra a OPA, caem por terra.
Para o BCP, a Sonangol é um parceiro determinante. A entrada de Manuel Vicente na Assembleia Geral do Millenniumbcp e o peso da carteira de acções da petrolífera são importantes, mas não reflectem a verdadeira dimensão do que se vai seguir. Começou uma guerra sem quartel entre os dois bancos em África. Guerra essa que as negociações para uma fusão procuraram evitar, conseguindo apenas adiar.

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A moção que serve o Governo

O PSD já anunciou a intenção de votar contra a moção de censura ao Governo que hoje será apresentada na Assembleia da República pelo Bloco de Esquerda. É uma decisão acertada. Esta moção não faz sentido - acaba por servir apenas para que os socialistas cerrem fileiras em torno de José Sócrates, ultrapassando de vez a controvérsia interna provocada pela quebra de mais uma promessa eleitoral (as críticas de António José Seguro ao chefe do Governo, na última reunião da cúpula do PS, são bem sintomáticas). Se de cada vez que o Executivo quebrasse uma promessa eleitoral houvesse uma moção de censura em São Bento, este instrumento político banalizar-se-ia a um ponto insustentável. E note-se que na questão de fundo estou em sintonia com o BE: o referendo ao Tratado de Lisboa devia ter-se realizado, por constituir uma das mais emblemáticas bandeiras eleitorais dos socialistas e por constituir um instrumento indispensável na aproximação dos portugueses ao projecto europeu. Mas transformar a crítica ao PS, justa e merecida, numa irrelevante moção de censura acaba por constituir um bónus ao Governo. Sócrates agradece.
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ADENDA: Dizem-me que o PSD afinal vai abster-se em vez de votar contra, o que não altera o essencial do que fica dito atrás: em termos objectivos, a moção serve os desígnios estratégicos do Governo.

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A melhor década do cinema (24)


JANELA INDISCRETA
(Rear Window, 1954)
Realizador: Alfred Hitchcock
Principais intérpretes: James Stewart, Grace Kelly, Wendell Corey, Thelma Ritter, Raymond Burr
"Elenco perfeito, argumento perfeito e um cenário perfeito num filme que é ainda melhor do que a soma de todas as suas partes." (Joshua Klein)

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Fazer história

Aproxima-se o centenário da revolução republicana que, não sendo uma data feliz, é uma data histórica e como tal será assinalada. Se para os seus devotos se trata de comemorar, para nós monárquicos e cidadãos livres trata-se tão só de rememorar.
Garantidos estão já discursos laudatórios e pomposas evocações: o regime celebrará a data do seu nascimento e a sua sobrevivência por um século. As comemorações oficiais não se debruçarão sobre a república proclamada em 5 de Outubro de 1910, mas sobre um regime idealizado e abstracto, sobre generosas intenções que se presumirão nos republicanos de 1910, e das quais os políticos comemorantes se pretenderão afirmar-se herdeiros.
Acontece que estas celebrações, pela intrujice histórica em que se sustentam, constituem uma oportunidade única de sobrepor alguma verdade histórica à descarada propaganda oficial. Assim, beneficiando da democrática ferramenta de comunicação em que se tornou a Internet, um grupo de cidadãos juntou-se com a intenção de desenvolver uma plataforma informativa on line, o www.centenariodarepublica.org. Ainda em construção, neste sítio pretende-se coligir informação histórica, desde simples dados estatísticos a imagens e transcrições da época, acontecimentos e ensaios, até artigos de opinião que terão lugar privilegiado no blogue associado http://centenario-republica.blogspot.com que esperamos que se afirme a curto prazo como um privilegiado espaço de fervilhante polémica e o aceso debate.
Idealizada a iniciativa pelo Carlos Bobone e por mim há quase um ano num primaveril almoço, cedo desfiámos um pequeno núcleo de voluntariosos colaboradores para o arranque do projecto; são eles o nosso Duarte Calvão, João Paulo Carvalho, Nuno Pombo, e o Paulo Cunha Porto.
O trabalho a sério vai começar, e esperamos que venha a revelar-se uma eficiente contribuição, uma boa fórmula de contrariar a propaganda que o regime prepara para a efeméride sob a batuta do “suspeitíssimo” Prof. Vital Moreira e para a qual contamos com a participação de todos que assim o desejarem.
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Na ilustração: logótipo da Plataforma do Centenário, composto por uma caricatura destacada do jornal Papagaio Real nº 7 do ano de 1914 representando a guarda republicana em perseguição dum ardina que distribuía jornais monárquicos.

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Terça-feira, Janeiro 15, 2008

Vitória albanesa

A lista do Governo, ou melhor a de Carlos Santos Ferreia (peço desculpa pelo lapso), teve 283 votos na luta pela liderança do BCP, o que segundo o enorme peso dos accionistas que o apoiavam dá cerca de 97,76%. A de Miguel Cadilhe teve "apenas" 560 votos, o que lhe valeu uns magros 2,14%. Alguém percebe isto? Eu explico: money talks. A vitória pode ser muito saborosa para quem dela beneficia, mas José Sócrates não escapa a mais uma pequena polémica. A quarta ou quinta em duas semanas. O estado de graça acabou-se e chegámos à Albânia.

Passa-me o cinzeiro, Carla

Hoje em dia os jovens parecem-me mais motivados para a política. Já não querem ser todos jogadores de futebol para terem namoradas modelos.

Um desastre


Confesso que hoje de manhã quase que me engasguei ao pequeno-almoço. Estava eu a ver as notícias da TVI completamente impreparado para o que iria suceder quando me deparo com uma suposta informação de que Hugo Chávez e Naomi Campbell estarão apaixonados! Isso mesmo, assim de supetão. Na onda das notícias, aliás de boa onda, de que Nicolas Sarkozy e Carla Bruni já deram o nó, surge isto assim, do nada, sem mais nem menos. E um homem nem está preparado para o choque.
A coisa foi difícil de engolir, tendo eu conhecido pessoalmente a Naomi, no Carnaval do Rio de Janeiro, em 2003 ou 2004. A top-model foi-me apresentada por uma amiga brasileira de circunstância, em casa de quem ela ficava sempre no Rio, e deu-me dois beijinhos (e não um, mas, neste caso, agradeci). Na festa privada numa das boîtes mais in do Rio, estivemos a dançar uns cinco ou dez minutos até o Ronaldo (não o Cristiano, que não existia na altura, nem o Ronaldinho Gaúcho, mas o "fenómeno") me "cortar o barato", como se diz na gíria. A Naomi saiu dali para mais duas festas, onde ainda nos vimos (e ela sorriu-me), mas a verdade é que, se já me foi difícil conceber o Ronaldo e ela na dança, muito mais complicado é imaginar que a modelo pode achar alguma graça a um ditadorzeco (perdão, ele é um democrata, como pensa o nosso primeiro-ministro) como Chávez. Quanto mais a rapariga (já trintona) estar apaixonada por ele depois de o ter entrevistado. Por isso, e sendo este um post à Villalobos, quero acreditar que tudo não passará de pura especulação.
Naomi, gostei de te conhecer, agora vê se cresces. A Carla Bruni sabe o que quer, tu andas perdida na vida...

A opositora que serve ao Governo

Zita Seabra fez parte da direcção do PSD-Marques Mendes, que era contra a Ota. Agora faz parte da direcção do PSD-Luís Filipe Menezes, que era (até à semana passada, pelo menos) a favor da Ota. Ontem esteve no Prós & Contras, bradando contra o trocatintismo de Sócrates. Acho comovente a convicção com que esta mulher defende tudo e o seu contrário, apontando incongruências aos adversários políticos do alto da sua imensa autoridade moral nesta matéria. "O País não aguenta mais situações destas", dizia ela ontem na RTP. Fátima Campos Ferreira chamava-lhe "doutora Zita Seabra" e ela não rejeitava o grau de licenciatura que nunca teve...
O Prós & Contras, que já foi um programa interessante, transformou-se numa Parada de Ministros carentes de balões de oxigénio. Correia de Campos esteve lá na semana passada, Mário Lino apareceu lá ontem. Pela oposição, só Zita. Sócrates deve sorrir: não pode haver opositora que melhor sirva ao Governo.

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A melhor década do cinema (23)


EVA
(All About Eve, 1950)
Realizador: Joseph L. Mankiewicz
Principais intérpretes: Bette Davis, Anne Baxter, George Sanders, Celeste Holm, Gary Marrill, Hugh Marlowe, Gregory Ratoff, Barbara Bates, Marilyn Monroe, Thelma Ritter
"Bette Davis mais brilhante que nunca." (Pauline Kael)

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Tabaco: as palavras dos outros (6)

"Vasco Pulido Valente ameaçava aniquilar com o verbo quem se permitisse chamar 'fascismo' à ditadura de Salazar - uma ditadura que censurava, prendia e torturava os seus opositores. Pacheco Pereira indignou-se por ter havido quem chamasse 'fascista' a George W. Bush — isto por causa de Guantánamo, do Patriot Act e da Guerra do Iraque. E eu levei-os a sério. E agora descubro que estes mesmos historiadores não tiveram dúvidas em classificar como 'fascista' a nova lei do tabaco."
Rui Tavares, Público

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Palavras que odeio (75)

Inevitabilidade

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Pedido de auxílio

Não vi o Prós e Contras de ontem. Alguém me pode informar se foram finalmente revelados os financiadores do estudo da CIP?

História de algibeira (30)


Em 30 de Outubro de 1878 foi inaugurada a iluminação eléctrica em Lisboa com 6 candeeiros Jablochkoff (na imagem) colocados no Chiado “graças à dedicação de sua majestade , el-rei e à actividade do Sr. conselheiro Nazareth” (DN 30 de Outubro de 1878). Onze anos depois a luz chegou à avenida da Liberdade com a instalação de 37 candeeiros de arco voltaico através da recém implantada rede eléctrica de distribuição pública.

Fontes: Lisboa Desaparecida - Marina Tavares Dias, História da Energia e Wikipédia

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Afrodisíaco Hi-Tech

«Grifos na Web. Pusemos uma câmara no ninho e eles já acasalaram». Título do Público.
Ao que parece, graças ao Público, também nos é possível visionar aqui que nem uns perversos voyeurs as relações extraconjugais dos mesmos grifos: «Nestes primeiros dias, já foi possível observar algumas coisas - como uma cópula extra-casal - que muito poucos biólogos no Mundo poderão ter registado» dizem eles, os sortudos.
(Fora de gozo, este parece um projecto bastante pedagógico e giro. Proponho que, depois, criem outro para vermos as quecas fora do matrimónio das senhoras cegonhas, sempre que o senhor cegonha sai do ninho para nos vir trazer os bebés).

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Segunda-feira, Janeiro 14, 2008

Nas colunas

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Postais blogosféricos

1. Já tem dois aninhos, O Amigo do Povo. Leitor de sempre, é com muito agrado que lhe dou os parabéns.
2. O Blasfémias emigrou para novo endereço: blasfémias.net. E fez muito bem.
3. Mais dois blogues na nossa barra lateral: Despertar da Mente e Fim de Semana Alucinante. Com abraços de boas-vindas ao Jorge e ao António.
4. Quando se recebe uma menção destas num blogue de que se gosta muito, sabe ainda melhor. Podem crer.

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O herói antinazi


Miguel Sousa Tavares, dando um passo em frente em relação a tudo quanto já tinha escrito contra a lei "fascista" que restringe o consumo de tabaco em espaços públicos fechados, veio agora dizer no Expresso esta enormidade: "Faz-me lembrar, irresistivelmente, os primeiros decretos antijudeus da Alemanha nazi." Admiro esta cruzada antifascista e antinazi de Sousa Tavares e saúdo o seu espírito de resistência. Aguardo, por isso, que acenda um cigarro, em directo, no estúdio da TVI quando ali fizer o seu próximo comentário. Seria um verdadeiro acto heróico, certamente aplaudido por todos os fumadores que sofrem esta abominável opressão.

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Mau, mau...


Má notícia para Barack Obama: John Kerry, o derrotado profissional que em 2004 toda a esquerda europeia sonhou ver na Casa Branca, acaba de lhe anunciar o seu apoio.

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Dois anos de incontinência

Os Incontinentes estão há dois anos na blogocoisa e tal é um facto assinalável. Gosto daquela gente boa e genuína, quase todos bons chefes de família e companheiros de luta. Os meus parabéns, e com amizade aqui em cima lhes deixo uma útil lembrança.

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Três anos depois

Linhas iniciais da Introdução às Bases Programáticas do PS para as Legislativas de 2005, 21.01.05

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A melhor década do cinema (22)


O HOMEM DO BRAÇO DE OURO
(The Man With the Golden Arm, 1955)
Realizador: Otto Preminger
Principais intérpretes: Frank Sinatra, Eleanor Parker, Kim Novak, Arnold Stang, Darren McGavin, Robert Strauss
"Obra-prima." (Georges Sadoul)

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Palavras que odeio (74)

Flexibilização

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Tabaco: as palavras dos outros (5)

"Sou fumador, mas não sou fundamentalista do tabagismo como certas figuras públicas nacionais que já clamam histericamente contra o fascismo. Aliás, nada é mais parecido com o fundamentalismo higienista e antitabagista agora em vigor em Portugal - mas também, recorde-se, um pouco por toda a Europa e nos Estados Unidos - do que o fundamentalismo dos que querem impor o seu vício em nome da liberdade."
Vicente Jorge Silva, Sol

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Sendo assim, aguardo um mail do «Baldas»

Caro João Villalobos,

Quanta alegria, quanto apetite!

Agradeço-lhe o seu convite, mas participei apenas pelo gozo do tema em si e não para papar um jantar à pala. Aliás, quase tudo nesta terra é cada vez mais motivo de gozo. Até os americanos já conhecem o Chuck Norris da ASAE! Grande Tugalândia!

Por outro lado, ir jantar com um gajo que vc. não conhece de lado nenhum não parece muito aliciante. O que eu gostava mesmo era que convidasse o Jamé, que parece que é um bom garfo e bem precisa de levantar o moral e de ouvir uma palavra de conforto.

Se não puder ser, leve o baldas ou o Povo é Sereno.

Cumprimentos e parabéns pelo Corta-Fitas.

Mialgia de Esforço

Pensamento do dia

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TotoPaís: Golden Steak Award

Não é necessário esperar até amanhã para apurar o vencedor do grandioso concurso TotoPaís JV/Corta-Fitas. Autodenomina-se «Mialgia de Esforço» e foi 100% certeiro no triplo prognóstico: Não ao referendo; Santos Ferreira presidente do Millenniumbcp e Alcochete como a opção para o Novo Aeroporto.
Peço ao vencedor que entre em contacto via mail para: joao.villalobos@gmail.com. Ficam apurados, por ordem de resposta certa e como suplentes - caso o Mialgia se «corte» ao jantar - um/a anónimo/a que responde pelo nome de «Baldas» e o Henrique Gomes, do blogue O Povo é Sereno. Ao vencedor, os louros (ou o molho de mostarda, que vai dar ao mesmo).

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Paulo Bento

Vai radicalmente contra a cultura portuguesa de resolver as questões estruturais com correcções superficiais e de circunstância. Mas é urgente que a direcção leonina resista à tentação de resolver a crise da equipa de futebol profissional do Sporting com o despedimento de um treinador que para além de competente é determinado e destemido. A manutenção da confiança e de uma racional serenidade, sem paliativos, durante a travessia do deserto que se adivinha (falo de resultados desportivos evidentemente) significa a médio prazo a consolidação, crescimento e maturação de uma equipa potencialmente vencedora.

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Querido Mário:

Todos pedem a tua cabeça. Normal. Quem te mandou defender, de forma tão categórica, e sem admitir réplica, aquela solução? Estavas certo que o processo era irreversível? Bem sei, bem sei. Daí a tua convicção (e a convicção, em política, até costuma ser bem acolhida, que o diga o teu chefe). Sabes, o pior foi teres metido água com aquela conversa sobre o deserto. Em política as figuras de estilo quando mal aplicadas são letais. Não há competência técnica que salve um político desses desastres retóricos...
Para a próxima, já sabes, nada de improvisos, sobretudo depois das refeições, e se sentires dificuldades com algum dossier, pede ajuda aos gajos que tratam da imagem e comunicação do boss. É que eles são, não sei se já percebeste, o melhor que este Governo tem, a sua verdadeira tropa de elite, cuja competência não tem precedentes na história da nossa democracia. Logo à noite, quando estiveres no Prós e Contras a levar mais um ensaio de porrada não te enerves e vê lá o que dizes. Lembra-te, sound bites da tua lavra, "jamé"!

Tempos difíceis

«These are the times of fast foods and slow digestion, big men and small character, steep profits and shallow relationships. These are the days of two incomes but more divorce, fancier houses, but broken homes. These are days of quick trips, disposable diapers, throwaway morality, one night stands, overweight bodies, and pills that do everything from cheer, to quiet, to kill. It is a time when there is much in the showroom window and nothing in the stockroom. A time when technology can bring this letter to you, and a time when you can choose either to share this insight, or to just hit delete...». George Carlin
Para o Designorado, em jeito de motivação.

Já agora também quero ter um código de barras, s.f.f.



Filmam-nos. E seguem-nos os movimentos (através dos mais variados expedientes, que vão desde a Internet, até aos registos de consumo das empresas). Há especialistas que se dedicam a isto, licenciaturas que ensinam o know-how.
Uma vez traçado o nosso perfil, damos entrada nas estatísticas, que por sua vez apontam tendências. Chegados a este ponto procuram antecipar-se e adivinhar os nossos pensamentos. Depois o mercado adapta-se às nossas presumíveis necessidades e expectativas. É esse o objectivo final do processo.
Ah, é verdade, entretanto dão-nos um nome. A TNS World Pannel identificou cinco tipos de consumidores: o egoísta (narcisista, preocupado com a imagem e que cresceu em sociedades de bem-estar), o étnico (valoriza o mundo global e mestiçado, a origem e a tradição), o ético (sensível ao comércio justo, às causas e à responsabilidade social), o ecológico (procura o autêntico e a Natureza, evidenciando preocupações com a sustentabilidade do planeta) e o e-consumidor (ligado às tecnologias e transversal aos restantes traços centrais). Reconheceu-se nalgum destes tipos? Então é porque deve estar out! Leia mais na última edição do Expresso (link não está disponível).

Recordar é votar

Disse que não aumentaria os impostos, mas subiu o IVA para 21% e criou um novo escalão máximo de IRS; Declarou que não haveria portagens nas SCUT em regiões sem desenvolvimento, e foi o que se viu; Criaria 150.000 postos de trabalho e aumentou o desemprego. Colocaria a Economia a crescer 3% e referendaria o Tratado Europeu: Todos sabemos o que se passou.
Hoje, o Público destaca na sua página 3 as «promessas quebradas e os objectivos falhados», contrapondo ao programa eleitoral do PS as decisões do Governo: Nada de novo, poderão dizer. E, no entanto, há alturas em que a novidade importa menos do que o refrescar da memória, para que entendamos como é possível que um partido político prometa 150.000 empregos e, uma vez no Governo, tente desculpar-se afirmando que «a meta (isto é, o cumprimento do compromisso eleitoral) não depende da sua vontade».
Déjà vu, esta prática de dar o dito por não dito? Transversal ao rotativismo do bloco central, este estar-se nas tintas para honrar a palavra dada a quem os elegeu? Esta prática de prometer o que sabe que não poderá dar? É bem capaz de ser. E é capaz de continuar a sê-lo. Mas a culpa é de todos os que acusam de «falta de carisma» aqueles que se pautam pelos valores e pela honra e se deixam ofuscar pela forma, permanecendo surdos à desafinação dos conteúdos. Recortem esta página do Público de hoje e, em 2009, tirem-na da gaveta. Talvez vos ajude a decidir.

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Américo Tomás não diria melhor

«Estou mais perto de sair do que quando entrei». Paulo Bento

Domingo, Janeiro 13, 2008

Que é que querem, faz-me lembrar o meu avô!

Não sei explicar isto mas tenho a convicção de que, por ele, Mário Lino já se teria demitido, e é Sócrates que o está a impedir. Convenhamos que, neste cenário, a resistência do senhor está a ser estóica. O país todo a rir com as novidades do anedotório nacional (Ota, Alcochete, jamé, o deserto da margem sul e por aí fora), o ministro coberto de vergonha, a desabafar em casa "Não sei se aguento! Não posso recusar nada ao senhor primeiro-ministro mas isto que ele me está a pedir, pelas sete chagas de Cristo, está mesmo a custar-me" e a família a dizer: "Já conseguiste chegar aqui, Mário, agora não vais desistir!". É a única explicação.

Em Portugal o ridículo não mata

Os principais jornais semanários de informação portugueses são assustadoramente unânimes esta semana ao eleger a ASAE para manchete. Para mim, a do Expresso é imbatível: "Tiro, assalto, luta corpo-a-corpo e combate ao terrorismo - Polícia americana e SIS treinam ASAE".
Ao ver o jornal da SIC de ontem percebi a necessidade. Em Faro, a ASAE fechou uma mercearia centenária e o dono, um velhinho aparentemente cambaleante mas, quem sabe, com um arsenal bélico insuspeito atrás das embalagens de Nestum, tentava disfarçar explicando que já tencionava fazer obras.
Tomemos a Ginginha dos Restauradores, por exemplo. ASAE que é ASAE entra por ali adentro ao pontapé, de bazuca em punho e máscara anti-gás sarin. Já para não falar dos vendedores de bolas de berlim, esses astutos snipers ao serviço sabe-se lá de quem e cuja caixinha branca pode ser necessário fazer explodir.
Vi hoje, finalmente, António Nunes, presidente da ASAE apanhado com a boca na cigarrilha na passagem de ano, explicar que, naquela noite, não teve consciência de estar a fazer uma coisa proibida. Ora aqui está uma argumentação valiosa para mim, tantas vezes multada por ir guiar e a falar ao telemóvel: "Não tive consciência, senhor guarda".

Manhã estranha de Domingo

A taxista - ... nem está muito frio. O pior é à noite, que arrefece muito.
Eu - Pois.
A taxista - E logo hoje, que me apetecia tanto sair e divertir-me!
Eu - Pois.
A taxista, a espreitar pelos espelhinhos tunning - Bom, bom era ter uma companhia...
Eu - Heim?
A taxista - Alguém que quisesse sair e divertir-se comigo!
Eu - Pois.
A taxista - E que guiasse o carro, para eu poder beber um copito...
Eu - Apanhe um táxi!
A taxista - Não gosto de andar de táxi...

Com esta chuva


Apetece-me ouvir Hélène Grimaud.

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Tapar o Sol com a peneira...

... Ou como é difícil fazer jornalismo em Portugal.

(via Blogouve-se)

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Domingo

Evangelho segundo São Mateus 3, 13-17

Naquele tempo, Jesus chegou da Galileia e veio ter com João Baptista ao Jordão, para ser baptizado por ele. Mas João opunha-se, dizendo: «Eu é que preciso de ser baptizado por Ti e Tu vens ter comigo?». Jesus respondeu-lhe: «Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça». João deixou então que Ele Se aproximasse. Logo que Jesus foi baptizado, saiu da água. Então, abriram-se os céus e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre Ele. E uma voz vinda do céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência».

Da Bíblia Sagrada

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Love is in the air


Depois de jogadores de futebol mostrarem ter uma maior queda para se enfeitiçarem por modelos, talvez tenha chegado uma nova tendência. Atrás da dupla Nicolas Sarkozy e Carla Bruni parece que segue Hugo Chávez e Naomi Campbell - sim, também eu quero acreditar que seja só um boato. Se a moda pega, ainda veremos Lula da Silva no Zoomarine com Soraia Chaves. Ou Bush de mão dada com Gisele Bündchen em Cuba. Já Chaplin dizia que “a persistência é o caminho do êxito”. Será que foi esse o lema que aqui funcionou?

Sabe se tem um twixter em casa?


Inquietante, talvez mesmo abusiva, esta maneira de estar na vida? Não foram eles que inventaram este jogo. Os nossos pequenos deuses limitam-se a usufruir, com naturalidade, do mundo que lhes demos para brincar. Um mundo em que a juventude é um valor e o prazer uma prioridade.

A melhor década do cinema (21)


A COMÉDIA E A VIDA

(La Carrosse d'Or, 1952)
Realizador: Jean Renoir
Principais intérpretes: Anna Magnani, Odoardo Spadaro, Nada Fiorelli, Duncan Lamont , George Higgins, Ralph Truman, Gisella Mathews
"O mais nobre e refinado filme de sempre." (François Truffaut)

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Sábado, Janeiro 12, 2008

Centenário do Regicídio - 1 Fevereiro 2008


A quem possa interessar, eis aqui o programa do Centenário do Regicídio. De resto, esta e muito mais informação pode ser consultada em www.regicidio.org. Uma nação sem memória é uma nação condenada.
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31 Janeiro 2008 - 21:30 - no Auditório Cardeal Medeiros, Biblioteca João Paulo II - Universidade Católica Portuguesa-Lisboa, Conferência "Dom Carlos I, Um Rei Constitucional", Orador principal - Rui Ramos.
31 Janeiro 2008 - Após a conferência no mesmo local - Concerto pelo Grupo de Música de Camara da Banda do Exército.
1 Fevereiro 2008 - 17:00 horas - Concentração no Terreiro do Paço, junto à placa evocativa do Regicídio.
1 Fevereiro 2008 - 19:00: Basílica de São Vicente de Fora, em Lisboa, Requiem Soleníssimo "In Memoriam" do Centenário do Regicídio presididas por Sua Eminência O Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa. Deposição de coroas de flores e homenagem solene aos túmulos de Sua Majestade O Rei Dom Carlos I e de Sua Alteza Real O Príncipe Herdeiro, Dom Luís Filipe.

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Tabaco: as palavras dos outros (4)

Vital Moreira, Causa Nossa

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Gostei de ler

Quando o inimigo vai a votos. De João Tunes, na Água Lisa.
Pequenos, mas partidos. Do Tiago Barbosa Ribeiro, no Kontratempos.
Jamais. Da Leonor Barros, na Geração Rasca.
Não é por ter cão, nem por o não ter. Do Luís Novaes Tito, n' A Barbearia do Senhor Luís.
Todas as condições. Do Paulo Gorjão, n' O Cachimbo de Magritte.
24 horas de cooperação estratégica. De José Medeiros Ferreira, no Bicho Carpinteiro.
Aeroporto em Alcochete. Do José Gomes André, no Antes pelo Contrário.
António José Seguro. Do Rui Costa Pinto, no Mais Actual.
Machista não é só quem bate na mulher. Da Rita Barata Silvério, na Rititi.
Brighton Rock. Do Pedro Mexia, no Estado Civil.
O mapa do geógrafo errante. Do José Mário Silva, no Bibliotecário de Babel.
Os sentidos nas alturas. Do Paulo Cunha Porto, n' As Afinidades Efectivas.
E, agora, quem é que encerra a ASAE? Do Pedro Sales, no Zero de Consulta.

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A melhor década do cinema (20)


HÁ LODO NO CAIS
(On the Waterfront, 1954)
Realizador: Elia Kazan
Principais intérpretes: Marlon Brando, Eva Marie Saint, Karl Malden, Lee J. Cobb, Rod Steiger, Pat Henning, Leif Erickson
"Um dos grandes filmes americanos de todos os tempos." (Angela Errigo)

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Solidariedade (continuação)


É a altura de fazer um ponto da situação relativamente ao caso que aqui foi narrado por alturas do Natal. Este ano, recordo, empenhámo-nos em minimizar as carências de uma família. Uma história comovente vivida por cinco crianças e uma mãe, à qual não conseguimos ficar indiferentes.
Esta história, acreditamos, pode estar a caminhar para um final feliz.
Neste momento, a Teresa já tem apoio jurídico para defender as suas causas no tribunal: um divórcio que se avizinha complicado e a tutela dos filhos. Está a procurar emprego e recuperou a vontade de viver e a esperança que parecia ter-se desvanecido. Há cerca de dois anos ficou sozinha a criar os filhos, perdeu o emprego e a possibilidade de cumprir a mensalidade do empréstimo de habitação, o que determinou a penhora da sua casa e a iminência de ficar sem um tecto.
Tudo isto foi possível graças a uma verdadeira onda de solidariedade que se criou à volta desta família - incluindo da parte dos leitores do Corta-Fitas. As pessoas organizaram-se para arranjar bens materiais, deram o seu contributo na conta bancária aberta para o efeito, lançaram mãos à obra e puseram amigos e conhecidos a lutar pela mesma causa.
Mas porque consideramos que de nada servirá este esforço se esta família não “ganhar pernas” para continuar o seu caminho sem a nossa ajuda e porque, enquanto cidadãos activos e participativos, entendemos que a sua reconstrução deve ser encarada como uma responsabilidade partilhada, atrevemo-nos a ir mais além.
Queremos minimizar as despesas mensais desta família por um período limitado até assegurar um emprego estável à Teresa e, mais importante do que tudo, ajudar a resolver a dívida bancária que ascende já a 10 mil euros e que a todo o momento poderá determinar o despejo desta família.
A quantia que já foi angariada neste curto espaço de tempo faz-nos sonhar com o que antes parecia inalcançável mas ainda não chega para propor a renegociação do empréstimo à entidade bancária.
Por isso, propomos que continue a colaborar nesta causa. Ou que a agarre a partir de agora, tal como nós o fizemos há um mês. Para saber como pode abraçar esta verdadeira campanha de solidariedade pode consultar a lista de necessidades em anexo ou transferir o seu contributo para o seguinte
NIB 0033 0000 4534 6924 7910 5.
Até conseguirmos que esta família deixe as “muletas” da nossa solidariedade e prossiga o seu caminho de forma autónoma e estruturada, Teresa continuará a ir buscar comida ao Banco Alimentar para sustentar os cinco meninos, a procurar emprego e a beneficiar dos escasssos apoios do Estado. No fundo, a tentar fazer de “mãe e pai” para as suas crianças. Mas agora com a esperança de que 2008 pode ser melhor do que 2007.

Para mais alguma dúvida, poderá ser contactado José Carlos Santos através do 969076541 ou do email ajudemteresa@gmail.com

Nas colunas

Lucia di Lammermoor, de Donizetti

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I love you, baby

Cheirou-me, lambeu-me e depois aninhou-se sem me dizer palavra. As coisas entre nós são sempre tão fáceis!

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Sexta-feira, Janeiro 11, 2008

A melhor década do cinema (19)


QUANTO MAIS QUENTE MELHOR
(Some Like It Hot, 1959)
Realizador: Billy Wilder
Principais intérpretes: Marilyn Monroe, Tony Curtis, Jack Lemmon, George Raft, Pat O'Brien, Joe E. Brown
"A melhor comédia de todos os tempos." (Instituto do Filme Americano)

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A notícia da semana

Um dia depois de Sócrates ter anunciado que o aeroporto será construído em Alcochete, Mário Lino ainda não se demitiu.

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Isto nem sequer rima, seus gilipollas!

¡Viva España!
Cantemos todos juntos
con distinta voz
y un solo corazón.

¡Viva España!
Desde los verdes valles
al inmenso mar,
un himno de hermandad.

Ama a la Patria
pues sabe abrazar,
bajo su cielo azul,
pueblos de libertad.

Gloria a los hijos
que a la Historia dan
justicia y grandeza
democracia y paz.

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Este não é homem de plástico...


Ainda há visão empresarial neste país

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O homem de plástico


As últimas duas semanas ficam marcadas como o princípio do estertor do Governo liderado por José Sócrates. A coisa podia ter começado a correr mal logo durante a cimeira UE-África, durante a qual vários países ameaçaram romper acordos por não concordarem com os princípios que os orientavam. A Comissão Europeia e Durão Barroso salvaram a face da cimeira e da presidência com o estender dos prazos para os países africanos receberem uma série de ajudas e compensações. Depois disto, a assinatura do Tratado de Lisboa, a 13 de Dezembro, nos Jerónimos, parecia que dava um novo alento ao Governo e ao primeiro-ministro, que semanas antes chegara a ser apupado por alguns eurodeputados. Foi sol de pouca dura.
Sócrates resolveu distender do enorme esforço da presidência da UE e foi de férias, presenteado pelos seus próprios ministros. Antes de partir para algum lado para melhorar o tom de pele e aliviar a alma, o PM resolveu deixar uma mensagem de Natal/Ano Novo em tons muito cor-de-rosa que o Presidente da República, dias depois, acabaria por destruir por completo, exigindo mais e melhores resultados. Com elogios ao exercício da presidência da UE e ao equilíbrio das finanças públicas, Cavaco deixou recados importantes. Sublinho três:"Será possível reduzir a taxa de desemprego?; os sacrifícios da última meia dúzia de anos garantem um futuro melhor?; conseguirá o País aproximar-se do nível de desenvolvimento médio da União Europeia?"
A resposta a isto ainda irá tardar a ser dada. Mas os exemplos das últimas semanas não são bons. O primeiro-ministro pode dizer que a confusão à volta de uma lista à liderança do BCP, maioritariamente constituída por gente próxima do Governo e encabeçada pelo homem que estava à frente da CGD, é um assunto menor. Pode vir acrescentar que não teve nada a ver com isso, que não admite insinuações, mas fica a suspeita. Com tantos e tão bons gestores no País, os homens fortes do BCP só tinham a solução de ir pescar no "plantel" da CGD? Não me parece.
Depois, há esta semana, a crítica. A semana em que José Sócrates simulou uma reviravolta na sua posição face à ratificação do Tratado de Lisboa. Ao rasgar mais uma promessa eleitoral (a este ritmo perdi-lhes a conta), Sócrates trai os seus eleitores, embora de facto facilite a vida à generalidade dos países e dos líderes europeus. Sobretudo ao seu amigo Gordon Brown. E até safa o tratado. Mas a coisa escusava de ter sido feita desta maneira. Com tanto recurso ao bluff político. No dia seguinte à conclusão do tratado, antes mesmo dele ser assinado, Sócrates poderia ter dito qual seria a forma de ratificação. Poupava tempo e especulação. Saía reforçado.

Ontem foi a vez da reviravolta em relação ao aeroporto da Ota. Outra promessa eleitoral e outro desígnio do programa de Governo que fica pelo caminho. Ao optar por Alcochete, o Governo toma uma decisão sensata, sustentada por um estudo comparativo do LNEC, só que acaba por deitar por terra uma grande fatia de credibilidade. O PS e o Governo tinham não sei quantos estudos que diziam o contrário e foi preciso a CIP e o PR terem uma intervenção directa para o Governo distinguir o trigo do joio? Não me parece. Como no referendo ao tratado, há muito tempo que o Governo sabia que Alcochete era a melhor solução. Mais barata, porque os terrenos são do Estado, com maior capacidade de expansão e com uma relação custo-benefício mais vantajosa. Só nas terraplanagens que era preciso fazer na Ota poupam-se qualquer coisa como 750 milhões de euros. Agora imagine-se no resto.

A próxima asneirada tem um nome: remodelação. Não porque não seja necessária, porque é, mas sobretudo por ela ir atingir apenas uns quantos dispensáveis. Os melhores amigos do primeiro-ministro, mesmo que de competência duvidosa, irão ficar no executivo. Os que não são incompetentes mas tiveram falhas políticas graves, como é o caso de Mário Lino, também não deixam de comer à mesa. Quanto muito mudam de cadeira e de pasta. A remodelação que se exige teria que ser vasta.
O cenário não está bonito. Agora imaginem que o Tribunal de Contas não dá um visto favorável ao empréstimo que António Costa pediu para a CML? A crise no PS e, por arrasto, no Governo irá agudizar-se. Alguém está a ver o todo-poderoso Costa, antigo número dois do executivo, a ter de governar Lisboa ao abrigo do artigo 40.º, vivendo de duodécimos? Eu não. Já agora: na política não há favas contadas e isto começa a parecer tudo demasiado plástico. O povo não é estúpido.

Fumar pode matar

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Die, monster die!

Aviso a quem ainda não retirou das fachadas os seus Pais-Natal escaladores: Eu sei onde moram.

Sexta-feira agora a cores

Alice Braga

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Escalabitanos, regozijai-vos

Sim senhor! Então é assim, hem? Uma pessoa chega aqui a meio da tarde e depara-se com esta gritante falta de produtividade. Hmm...Deixa cá ver sobre o que é que posso escrever para animar isto que mais parece um velório...Eureka! Que outra coisa poderia ser senão o facto de, um dia depois de o Aeroporto ter sido anunciado para Alcochete, afinal ser um bocado em Benavente e um bocado no Montijo? É verdade, meninos e meninas, Benavente. Que fica no distrito de Santarém. Ou seja, o aeroporto é na margem Sul mas pertence a Santarém. Confusos? Também eu. Mas percebe-se porque não tive a quarta classe antiga e sim a outra um bocado menos envelhecida mas já incapaz de palmatoar-nos a memória com eficácia (enfim, divago).
Pode alguém mais engraçadinho perguntar quem foi o cromo que baptizou Campo de Tiro de Alcochete um terreno que não fica em Alcochete. Nanja eu. Já passei a idade dos «porquês». Agora estou na idade do «quanto», que isto a vida não está para diletâncias.

Sexta

Carla Bruni

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CarNatal

O Natal ainda nem arrefeceu e já vejo montras de Carnaval. Esta agressividade comercial anda a marcar o ritmo da nossa vida. Enquanto consumidora sinto-me, cada vez mais, objecto de consumo.

Quinta-feira, Janeiro 10, 2008

Nas colunas

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Cavaco: duas vitórias em dois dias


O Presidente da República impôs a sua agenda ao Governo em dois dias consecutivos, confirmando o papel interventivo que lhe cabe no sistema político português. Ninguém tenha dúvidas: José Sócrates foi forçado a rasgar a sua promessa de convocar um referendo europeu em grande parte devido à posição de Cavaco Silva, que sempre foi contra esta consulta, e trocou a Ota por Alcochete também devido à opinião do Chefe do Estado, que nunca escondeu a preferência pela localização que o Executivo hoje anunciou.
Sem uma palavra em público, Cavaco marcou pontos em dois tabuleiros decisivos. E o ano ainda só agora começou.

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E agora, camaradas?

Almeida Santos, 24 de Maio de 2007

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A direita de que a esquerda gosta

O Daniel Oliveira, como muito boa gente de esquerda, parece seduzido pelo campo oposto. De tal maneira que abriu no Arrastão a eleição para "o melhor blogue de direita". Está lá o Corta-Fitas. A votação decorre aqui.

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Animal feroz

Sócrates foi particularmente cruel com Lino. Por dois motivos.
1. Manteve o ainda ministro das Obras Públicas ao seu lado durante toda a conferência de imprensa em que anunciou que o aeroporto será em Alcochete. Para todo o País ver esta humilhação ao vivo e a cores.
2. A conferência de imprensa decorreu antes do almoço.

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A notícia do dia

Tres horas depois de Sócrates ter anunciado que o aeroporto será construído em Alcochete, Mário Lino ainda não se demitiu.

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Salto à Vara II

Estas modernices de trabalho flexível ou temporário não servem ao Armando; ele anseia por emprego seguro - "para a vida" - e a garantia de uma velhice “aconchegada”.

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Gostei de ler*

Em suma, descobrimos, surpreendidos, que a tal economia de mercado, o tal sector privado que desejavelmente deveria libertar-se desse tal Estado, gordo e asfixiante, segundo a cartilha neoliberal, é capaz de não ser nem tão sólido nem tão eficiente como se supunha. Afinal, talvez o BCP tenha, apenas, reflectido as debilidades nacionais que se distribuem por todos os sectores da vida portuguesa - quem será o esquerdalho que assina esta prosa? Nem mais nem menos que... Maria José Nogueira Pinto. Hoje, no DN.

* título roubado ao Pedro Correia

E a seguir, o STOP do Bairro


Citando Carlos Vaz Marques, «Francisco José Viegas, romancista, poeta, jornalista, gastrónomo, blogger, judeu, transmontano, portista» vai estar hoje na «sua» Casa Fernando Pessoa a propósito do novo livro de poemas «Se me Comovesse o Amor», com apresentação de Pedro Mexia e leituras de Ricardo Araújo Pereira. Tudo começa às 18.30H, mas devo chegar atrasado.
As minhas desculpas ao autor, mas não sei de quem é a fotografia.

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Aeroporto será em Alcochete

Mário Lino, 23 de Maio de 2007
.......................................................................
"Mário Lino tem todas as condições para continuar no Governo."
José Sócrates, 10 de Janeiro de 2008

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Palavras que odeio (73)

Obnóxio

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A melhor década do cinema (18)


MORANGOS SILVESTRES
(Smultronstället, 1957)
Realizador: Ingmar Bergman
Principais intérpretes: Victor Sjöström, Bibi Andersson, Ingrid Thulin, Gunnar Björnstrand
"A obra-prima de Bergman." (Georges Sadoul)

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Salto à Vara

Armando Vara diz que quer ficar com um pé na CGD se for para o BCP. E pode. Afinal, por que não haveria de poder?

O jantar promete

O/A mais provável candidato/a a ganhar um meio bife no Café de S. Bento responde pelo nome de mialgia de esforço.

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Boas práticas

A fronteira da parvoíce

A história é contada pelo Paulo Julião, correspondente do DN em Viana do Castelo: Milhares de profissionais espanhóis, a exercer em Portugal mas que habitam no seu país, são vítimas da caça à multa por circularem, obviamente, em carros de matrícula espanhola.
Não tenho informação que me permita perceber por que razão não foi ainda adoptada uma matrícula única e ponto final. Mas é curioso ver o contraste entre uma decisão tão europeia como a da ratificação parlamentar e uma prática tão provinciana como esta das nossas polícias. Em muitas coisas continuamos orgulhosamente parvos, benza-nos Deus.

OTAnásia

O governo vai anunciar hoje construção do aeroporto em Alcochete.

Onde é que eu já ouvi isto?

«O presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, afirmou esta terça-feira que o Governo não vai cumprir a promessa eleitoral de colocar a economia portuguesa a crescer três por cento em 2009». Pois não vai. Isso já Marques Mendes tinha dito e repetido. Na altura, os amigos de Menezes brincaram muito com o slogan do «Crescer 3%». Agora, parece que já estão a perceber a importância da bandeira. A diferença é que Marques Mendes não se limitava a criticar. Assumiu o compromisso com o País de garantir esse objectivo de crescimento a partir de 2009. E Menezes? Assume o quê?

E não há duas sem três (ou quatro, ou cinco, ou...)

«Já é a segunda vez que um primeiro-ministro português coloca a responsabilidade perante os colegas europeus sobre a responsabilidade perante os eleitores portugueses». Rui Tavares, no Público

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Quarta-feira, Janeiro 09, 2008

Antes pelo contrário

«Esta publicidade da Optimus é estúpida, porque irrita o potencial comprador. E é humilhante para os jornais que a aceitaram», escreve o Daniel Oliveira. Acho o contrário. Fiquei até muito satisfeito com a campanha e não foi só por ver a imprensa toda de cor laranja. Mas principalmente porque dei por mim a escolher os jornais única e exclusivamente pelo seu nome e não pela sua capa. Isto é, pela relação que tenho com eles e a sua reputação. Para mim, poucas campanhas houve recentemente tão dignificantes. Pelo menos, não houve um texto estupidamente comercialóide a fingir-se de notícia disfarçado com as minúsculas letrinhas a dizer «pub» no canto mais ilegível da página. Apenas o nome do jornal, a mancha de cor e a marca. Não vou mudar de operador, mas isso são outras conversas.

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Quem me dera que fosse já sexta-feira

Javier Bardem, claro



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Propostas concretas para melhorar o país

- Decidir em referendo a administração da Caixa Geral de Depósitos
- Vender o BCP a Almerindo Marques por um preço simbólico
- Oferecer um Xtreme makeover a Faria de Oliveira
- Substituir Correia de Campos por Nuno Santos
- Oferecer uns colares de missangas aos reformados em vez de pagar as actualizações
- Fazer o aeroporto onde o presidente da ASAE disser

Vasco é o melhor

Vasco Pulido Valente, com 27% dos votos recebidos, foi o grande vencedor do inquérito Corta-Fitas para eleger o melhor colunista actual da imprensa portuguesa. Rui Ramos (com 14%) e Miguel Sousa Tavares (com 12%) também ficaram o pódio. Seguiram-se Pacheco Pereira (9%), António Barreto (9%), Ferreira Fernandes (6%), Alberto Gonçalves (6%), João Miguel Tavares (5%), Helena Matos (5%), Carlos Castro (3%) e José António Saraiva (3%). O último lugar, manifestamente injusto, coube a Joana Amaral Dias (só 2%).
Recebemos um total de 1653 votos - número recorde em inquéritos cá da casa. Como o João Távora já referiu, está aí um novo inquérito. Sem surpresas, para começar: Mário Lino lidera. Destacado.

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Faça você mesmo a sua remodelação

Agora que a nuvem de fumo do tabaco se começa a desvanecer e se distinguem já mais claramente outras discussões, aproveitemos para remodelar os nossos socráticos ministros. Aproveite esta inolvidável experiência que só o Corta-Fitas oferece e remodele você mesmo aqui mesmo na barra lateral. À distância de um clic, vale uma remodelação ministerial por dia, o que não é nada mau nos tempos que correm.

Daqui a nada o Pedro Correia já aqui virá discorrer sobre o questionário anterior, que versou os melhores colunistas nacionais.

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Mais um raciocínico

O Filipe Anacoreta escreve que a ratificação parlamentar «Deixa passar uma mensagem perigosíssima: a de que o projecto europeu só pode ser construído contra ou à margem dos cidadãos europeus». Não vou discutir se é perigoso ou não. É capaz de ser. Mas confundem-me as pessoas que não entenderam, ainda, que a União Europeia é conduzida por uma elite de tecnocratas e políticos, os quais se estão quotidianamente a marimbar para os cidadãos europeus no seu conjunto, pela simples razão de que é impossível manter toda a gente feliz, em tudo e durante todo o tempo.
Quantos dos nossos leitores conhecem as implicações que terá a nova Directiva de Crédito ao Consumo, para mencionar só um exemplo? Podia dar-vos detalhes sobre as forças em jogo, os interesses e os lobbies, as negociações e as cedências. Mas para quê? O leitor «cidadão comum europeu» (que aliás não existe, assim como não existe essa figura que é «o cidadão comum asiático» ou «o cidadão comum africano») mandar-me-ia certamente pastar. E, no entanto, a sua vida como consumidor após a aplicação da Directiva vai passar a ser melhor do que era, embora não tão boa como poderia ser.
No «projecto europeu» existe uma meritocracia combinada com puxa-saquismo e lambe-botismo e grupinhos de interesses do tipo «coças-me as costas e eu coço-te as tuas» que se movem de acordo com fronteiras definidas pelo reconhecimento inato e animalesco da força alheia. Que é como quem diz, da sua dimensão, poder económico e potencial desequilibrante na balança dos consensos sempre necessários a cada decisão.
Quanto ao «cidadão comum europeu», vai vivendo a sua vida e perguntando se há palitos. Os quais, graças ao «projecto europeu», até já são embalados individualmente. A UE avança contra ele, pobre cidadão? Às vezes. À margem dele? Quase sempre. Ou nos habituamos, ou nos revoltamos. «Às armas cidadãos comuns europeus»!? Não me parece. Estamos demasiado ocupados a discutir a higiene dos brioches.

O homem que não honra os compromissos

Ao rasgar a promessa eleitoral sobre o referendo europeu, consagrada no programa do Governo e reiterada no discurso de posse, José Sócrates mancha de forma irreversível o seu prestígio. Lembremos: ele surgiu na liderança partidária, em 2004, prometendo ser diferente. Era sério, rigoroso, credível. Esta tornou-se a sua imagem de marca, que meses depois vingou nas urnas. Ninguém o obrigou a prometer o referendo. Mas, quando o fez, assinou um pacto de seriedade com os eleitores portugueses. Ao violar este pacto, compromete a sua credibilidade de uma forma que nem ele hoje consegue imaginar. E não adianta dizer que fez isto para ajudar o amigo Gordon Brown, em risco de ser engolido por uma vaga eurocéptica no Reino Unido. O pacto dele não era com os camaradas de Londres, nem com os amigos de Bruxelas: era com os portugueses. Que depois disto nunca mais o verão com os mesmos olhos.
Sócrates será, a partir de agora, encarado como um homem que não honra os compromissos. Quantas carreiras brilhantes na política têm acabado por menos que isto?

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Tabaco: as palavras dos outros (3)

Ferreira Fernandes, DN

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Ora chega chega chega, ora arreda lá p'ra trás

«O Governo recuou e vai pagar o aumento extraordinário das pensões de uma só vez e não em 14 prestações mensais»

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A melhor década do cinema (17)


OS HOMENS PREFEREM AS LOURAS
(Gentlemen Prefer Blondes, 1953)
Realizador: Howard Hawks
Principais intérpretes: Jane Russell, Marilyn Monroe, Charles Coburn, Elliott Reid, Tommy Noonan, George Winslow, Marcel Dalio
"Um Potempkine capitalista." (Jonathan Rosenbaum)

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O Tratado


A decisão de não referendar o Tratado de Lisboa suscitou críticas (também no Corta-Fitas), nomeadamente em relação à quebra de promessas do primeiro-ministro. O que deve ser criticado é alguém ter feito uma promessa cujo cumprimento era incerto. Chama-se a isso cometer um erro político. Mas penalizem nas urnas, não atirem o bebé com a água do banho. Referendar este tratado seria a hipótese da catástrofe, pois haveria sempre o risco do “não”. As pessoas iriam votar pelas urgências e as reformas, não pelo tratado, cujo conteúdo é compreensível para cerca de uma centena de portugueses.
Mas o eventual “não” teria consequências tão graves, que é difícil fazer cenários. Uma possibilidade seria o tratado avançar e ser imposto a Portugal um opting out que não desejamos. Em caso de crise prolongada na UE, com fim de tratado, etc, um núcleo duro de países avançaria com uma Europa totalmente diferente, onde estaríamos excluídos. Acho que as pessoas que defendem o referendo devem reflectir nisto.
E esqueçam o argumento da democracia. O sistema de ratificações é antidemocrático e tem de ser mudado. Quando há referendo em dois ou três países, uns decidem por todos. No caso, quatro milhões de irlandeses vão decidir por 490 milhões de europeus (enfim, a coisa é mais complicada, pois há uma cláusula que será sem dúvida utilizada em caso de rejeição). Por outro lado, nas ratificações parlamentares, decidem os partidos que apoiam os governos que assinaram o documento, portanto, só há votos favoráveis.
A única forma democrática seria um referendo geral a nível europeu, onde o meu voto pesasse tanto como o voto de um alemão. Mas, naturalmente, essa hipótese é para já impossível.

A corrida



Barack Obama é o candidato da esquerda caviar, com inegável carisma, muito apreciado pelos media. Mas o que a eleição de New Hampshire pareceu demonstrar é que a luta eleitoral americana estará ao centro e que as franjas vão sendo eliminadas. Obama tem grande futuro político e é melhor do que Howard Dean, que tropeçou nesta fase, mas não basta ser um orador brilhante. John McCain, por exemplo, é um péssimo orador, mas conquistou os votos de que precisava para relançar a sua campanha. A autenticidade do antigo herói de guerra foi decisiva e ele é a notícia. Na América, a palavra de ordem pode ser “mudança”, mas o país é conservador e não vai em aventuras ou saltos no desconhecido. Ontem, para Hillary, a situação era difícil, em 50-50. Agora, do lado democrático, ela tem uma nítida vantagem, com os votos das mulheres, dos mais idosos, dos democratas e dos mais pobres. Os media também se renderam. Entre os republicanos, o jogo encontra-se mais indefinido, mas McCain corre à frente dos restantes, apesar da idade. A experiência vai contar nestas eleições.

Isto ainda vai lá de moeda ao ar

«LNEC viabiliza aeroporto na Ota...e em Alcochete».

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2008 vai ser ainda mais supimpa, extraordinário e upa upa!

Em especial para os 1.600 trabalhadores da Yazaki que vão ter um ano imensamente feliz, a pensar em como vai ser a sua vidinha e das famílias depois de irem para o olho da rua.
(Ler mais no Jornal de Negócios) Actualização dos desenvolvimentos aqui

O que eles querem sei eu

«CDS, PCP, Bloco de Esquerda e Verdes reclamam referendo». Ou seja, reclama o referendo quem defende o «Não». Acredito que haja pelo meio algumas «virgens ofendidas» que fingem ainda acreditar no cumprimento de promessas políticas, por parte de um Primeiro-Ministro que não ia aumentar os impostos e criaria 150.000 empregos. E fingem-no apenas para não assumirem o jeito que lhes dava uma campanha durante a qual se debatesse tudo menos o Tratado de Lisboa e as suas implicações para os portugueses e a Nação.
Há, depois, algumas pessoas que genuinamente pensam que ainda faz sentido discutir Portugal fora da Europa. Mas essas estão dentro da máquina do Tempo e é deixá-las viajar.

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Até ia tendo uma coisa

Foi demasiada emoção, pouco depois de acordar, para o meu enfraquecido coração. Não é que hoje, quando cheguei à banca, os jornais estavam todos cor de laranja?
Nota: A propósito, dei por mim em frente às capas todas iguais a recordar este fragmento de «Yes Minister».

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Está Tratado


Era fácil. Bastava escolher entre afrontar o eleitorado que ele, malgré tout, ainda sente no bolso, e as vedetas da União Europeia.

Terça-feira, Janeiro 08, 2008

O não de Sócrates ao referendo

Sou contra o referendo a uma matéria como a do Tratado de Lisboa e concordo que o parlamento tem toda a legitimidade para ratificá-lo. No entanto parece-me inadmissível a forma descarada e oportunista como os políticos usualmente se contradizem, conforme estão no governo ou na oposição. Consoante a feição do vento na senda do cobiçado poder.
Acontece que nem toda a gente tem memória curta. O crescente descrédito dos políticos e das suas instituições resulta num desprezo generalizado das pessoas e na consequente fragilização do sistema. O pior cego é aquele que não quer ver.

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Convém não ter memória curta

1. "No curto prazo, a prioridade do novo Governo será a de assegurar a ratificação do Tratado Constitucional. O PS entende que é necessário reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia, pelo que defende que a aprovação e ratificação do Tratado deva ser precedida de referendo popular, amplamente informado e participado, na sequência de uma revisão constitucional que permita formular aos portugueses uma questão clara, precisa e inequívoca."
Compromisso de Governo para Portugal (2005-2009), capítulo V - Portugal na Europa e no Mundo
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2. "Este Governo quer honrar os seus compromissos."
José Sócrates, no discurso de investidura, a 12 de Março de 2005
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3. "Num curto espaço de tempo, deveremos fazer eleições autárquicas, presidenciais e temos ainda dois referendos no horizonte. Penso que podemos e devemos minimizar os custos desta sucessão de consultas populares. Nenhuma razão política séria impede que o referendo sobre o Tratado Constitucional Europeu seja realizado em conjunto com as eleições autárquicas, favorecendo a participação cívica e confiando na capacidade política dos portugueses. Por isso, com total respeito pelas competentes decisões que na matéria incumbem ao Senhor Presidente da República, empenhar-nos-emos numa revisão da Constituição que permita esta simplificação e este enriquecimento da nossa vida cívica e política."
José Sócrates, no discurso de investidura, a 12 de Março de 2005

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Vão chamar fascista a outro


Inteiramente de acordo com o Nuno Ramos de Almeida e com o Tomás Vasques: chamar "fascista" ao Governo ou ao primeiro-ministro, a propósito do que quer que seja, é um profundo disparate. "Quando confundirmos democracia com fascismo estaremos preparados para aceitar qualquer ditadura", diz o Tomás. "A vulgarização da palavra 'fascista' no confronto político é absolvidora do fascismo: torna-o um simples caso de mau-feitio", argumenta o Nuno.
Assino por baixo.

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Tabaco: as palavras dos outros (2)

Pedro Boucherie Mendes, Atlântico

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Quantos livros se traduzem em árabe?

A Holanda é um exemplo de um país onde vigora a mais ampla liberdade de expressão? Terá sido, mas já não é. O assassínio do cineasta Theo Van Gogh, acusado de blasfemar contra o Islão, demonstrou como vivemos em regime de liberdade condicionada neste mundo pós-11 de Setembro. A confirmação surgiu há pouco, de novo dessa Holanda que muitos ainda apontam como paradigma da tolerância: o Museu Nacional de Haia recusou expor fotos e um vídeo da artista iraniana Sooreh Hera que usava dois modelos com máscaras do profeta Maomé e o seu genro Ali como se fossem um par homossexual. A artista, que se tem especializado em temática homossexual, alegou que este seu trabalho visava criticar a “hipocrisia” da religião muçulmana nesta matéria, mas não convenceu os responsáveis do museu. A sua obra “poderia incomodar certos sectores da população” e “um centro de arte não é um fórum político”: estes foram os dois argumentos utilizados para a recusa.
No século XVIII, Voltaire saiu em defesa da blasfémia ao saber que um cavaleiro fora torturado por denúncia das autoridades eclesiásticas francesas ao recusar descobrir-se quando passava uma procissão. A abolição do delito por blasfémia constituiu uma viragem civilizacional, tornando-se um dos factos mais emblemáticos da “Europa das Luzes” cuja herança muitos pretendem negar. Duzentos anos depois, a blasfémia volta a ser delito neste mesmo continente. Pago com a censura, no caso de Sooreh Hera, ou mesmo com a vida, como aconteceu com Theo Van Gogh, assassinado por um fanático holandês de origem marroquina.
Como a polémica em torno das caricaturas dinamarquesas já tinha demonstrado, os teocratas islâmicos pretendem impor o seu vasto cardápio de interditos aos bisnetos de Voltaire – e estão a conseguir esse objectivo com a cumplicidade activa dos mentores do “diálogo das civilizações”. Mas pode haver diálogo com quem mata ou manda matar para suprimir a circulação de ideias contrárias? Esta é uma das questões centrais do nosso tempo. Questão a que o filósofo francês Bernard-Henri Lévy dá uma resposta sem qualquer ambiguidade: “Não sou tolerante com os homens que obrigam as mulheres a usar véu. Não sou tolerante com os grupos que mantêm a prática da excisão do clítoris às meninas. Não sou tolerante com os apóstolos da jihad.” Palavras ditas num frente-a-frente que recentemente juntou, nas páginas do El Mundo, dois filósofos politicamente incorrectos. O outro é o espanhol Fernando Savater, que pôs o dedo nesta ferida: “O que hoje se enfrentam não são duas civilizações, mas a democracia e a teocracia. A concepção aberta, liberal, de direitos humanos, da democracia, e a concepção teocrática do Estado e da sociedade.” Duas concepções que podem ser comparadas deste modo: “Quantos livros se traduzem em árabe? Nos últimos dez séculos traduziram-se menos livros em árabe do que se traduzem agora por ano em Espanha ou França.”

Reflectir sobre estes temas é cada vez mais importante numa Europa onde a autocensura vai alastrando, paradoxalmente, em nome da “tolerância” com a civilização islâmica. Mas haverá mesmo uma “civilização islâmica”, que mereça um tratamento diferenciado e nos leve à supressão de direitos há muito adquiridos? A resposta vem ainda da boca de Savater: “Há culturas diferentes, mas uma só civilização. Todos compartilhamos o mesmo mundo. Quando Ossama bin Laden adoece, toma o mesmo tipo de remédios que Bush. Quando quer acabar com os inimigos, utiliza o mesmo tipo de armas e explosivos que Bush usa para acabar com os seus. A civilização – quer dizer, encontrar os melhores meios para resolver uma série de problemas – é a civilização industrial avançada em que estamos todos. Uns e outros.”
É por isto que o jornalista britânico Nick Cohen protesta contra a esquerda relativista, que é “totalmente a favor da emancipação das mulheres em Londres, Paris e Nova Iorque, enquanto se mantém indiferente à misoginia no Médio Oriente, África e Ásia”. Vem no seu livro O que resta da esquerda?, agora editado em Portugal. Serve para percebermos melhor o caso de Sooreh Hera e tantos outros que vão sendo notícia por aí.

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Totopaís

Vai haver referendo ao Tratado de Lisboa?
a) Sim.
b) Não.

Quem vai ser o presidente do Millenniumbcp?
a) Santos Ferreira.
b) Miguel Cadilhe.

Qual o local escolhido para o NAL?
a) OTA
b) Alcochete

Quem acertar na tripla está por mim convidado/a para um jantar no Café de S. Bento. Se mais do que um/a iluminado/a acertar, o prémio será dado ao primeiro/a a responder. Se acharem que jantar comigo não merece ser considerado um prémio, mais fica e é da maneira que convido uma amiga.