sexta-feira, dezembro 14, 2007

Beatriz Costa: 1907 - 2007

Por razões profissionais, envolvi-me em vários projectos ligados a Beatriz Costa, mulher bela e desempoeirada que, sem que eu tenha conhecido pessoalmente, me conquistou e seduziu profundamente. Hoje, na passagem do centenário do seu nascimento, aqui lhe presto a minha homenagem.

Fotografia – Beatriz Costa, Rio de Janeiro 1927 - Estúdio Fotográfico Non Plus Ultra.

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sábado, junho 09, 2007

Tesouros de Walt Disney


Faz hoje 73 anos que estreou nas salas de cinema The Wise Little Hen (A Galinha Sabichona), curta-metragem da genial série de Walt Disney Silly Symphonies, película que marca a estreia mundial do popular personagem Pato Donald. A peça (de que a minha filha Carolina tão fanaticamente gosta) é uma genial fábula musical em que uma galinha, apenas com a ajuda dos seus pintos, semeia, cuida e colhe o milho. Donald e o amigo porco, que à distância dançam e cantam as desculpas para se esquivarem ao trabalho, no fim arrependem-se amargamente do seu egoísmo e preguiça quando lhes é recusada a participação num lauto e apetitoso lanche. Hoje este filme faz parte de uma esplêndida colectânea “Walt Disney - Os Melhores Contos da Animação” de grande sucesso em minha casa. O DVD, para bom grado das nossas crianças, possui uma versão muito bem dobrada em português - de realçar que muitos dos filmes são cantados com preciosas polifonias à boa maneira americana dos anos 30 e 40. A colectânea inclui A Lebre e a Tartaruga, Os Três Porquinhos (que inclui um terrível lobo mau com carregada pronúncia alemã), O Patinho Feio (nas versões de 1931 e 1939) O Rato do Campo e o Rato da Cidade, O Capuchinho Vermelho, A Arca de Noé, O Rei Midas, A Cigarra e a Formiga e O Velho Moinho, laureado com um Óscar da Academia, entre muitas mais preciosidades. Tudo esplendidamente musicado como só Carl W. Stalling ("Quem tem medo do lobo mau?") sabia fazer.

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terça-feira, maio 22, 2007

Ainda o tributo a Hergé


Quero prestar também aqui a minha homenagem a Hergé. Discordo apenas do João Villalobos quando mistifica a versão “animada” de Tintim que foi para mim uma autentica desilusão, um susto, uma afronta ao meu imaginário. É que a mim puseram-me um álbum do Tintim nas mãos antes sequer de eu saber o meu próprio nome. Afinal não fui eu que lhe dei voz e movimentos? Até fui eu que inventei as tramas, enquanto folheava atento os livros ainda sem saber ler... O Tintim na TV chocou-me desde logo com a veleidade daquela animação tão deficiente e a histérica dramatização daqueles guiões sempre simplificados. Fiquei definitivamente enciumado com a exposição pública e banalização do meu herói. Quase desde o berço que passeei por dentro daqueles quadradinhos, daquelas histórias e mistérios. Lembro-me das horas estáticas, de pernas cruzadas, em puro deleite passadas diante da ultima prancha do álbum Carvão no Porão, aquele insólito e colorido rally nos jardins de Moulinsart. As horas passadas em êxtase, fisgado num só quadradinho, invejando o pequeno carro vermelho do rebelde Abdallah em No Pais do Ouro Negro. Hergé deu-me os meus melhores amigos de toda a infância, de quem aliás fui íntimo. Com o Tintim e Milou fui crescendo e lutei contra os sovietes e contra a máfia. Ajudei a libertar os escravos e lutei contra o tráfico de droga. Fui também à lua, onde ia perdendo os meus amigos todos e não salvei o Engº Wolf de uma heróica morte. Planei arrastado por um condor pelas encostas dos Andes. Tremi de medo e gelei de frio a caminho do Tibete, num hino à generosidade. Comovi-me com o cão mais simpático do mundo, ri-me com os excessos do bêbado mais divertido de todos, o Capitão Haddock. Ao Hergé ficarei sempre grato pelos amigos que me proporcionou. Hergé será por certo responsável por muitas das mais felizes horas da minha infância, e por isso ser-lhe-ei sempre grato.

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domingo, julho 09, 2006

Tributo ao Vasco

O Vasco Rosa anda por aí, regressado do Brasil, e numa sua recente visita, muito emocionante e esperada, ofereceu-me o seu último trabalho, dois volumes de inéditos de Raul Brandão (Lume sob Cinzas e Paisagem com Figuras) editados em Portugal pela Âmbar e que tanta companhia me fizeram no comboio nos últimos dias.
Vasco Rosa há muitos anos que faz o favor de ser meu amigo. É editor, designer e produtor gráfico. Há quase 30 anos, na Rua de Santo Amaro, além da música brasileira (e da mística do seu Brasil), o Vasco desvendava-me os segredos das "suas" artes gráficas: numa página, à transparência, cada linha e cada caractere coincidia ao milímetro sobreposto com os seus antípodas da página de trás. E se o rapaz trabalhava!
Sempre que penso no Vasco e ele não esteja a namorar ou a vasculhar uma biblioteca, imagino-o silencioso atrás dos seus eternos óculos, à frente do computador, a trabalhar, a trabalhar, cheio de papel, livros e... os seus sonhos tropicais – Ai as miúdas!
Além de tanto trabalho anónimo para o jornalismo e edição portuguesa em geral, Vasco Rosa organizou antologias de Alexandre O’ Neill, José Cardoso Pires, Maria Filomena Mónica, Miguel Esteves Cardoso, Leonardo Ferraz de Carvalho, Vítor Cunha Rego, José Cutileiro e Rui Henriques Coimbra, entre outros. Sempre nos meandros da cultura portuguesa, Vasco Rosa é, a meu ver, um “carregador de pianos” da cultura dos nossos dias. "Rato de biblioteca" e arqueólogo literário, foi muita a literatura e a edição contemporânea que organizou e ajudou a dar ao prelo, juntando o “cimento, a água e a areia” com que se ergue uma qualquer obra sólida. E também sei quantas vezes "veste o fraque" e faz cobranças difíceis! Tão ingratamente difíceis, pois bem sabemos que os projectos, a investigação e o trabalho pela cultura é muitas vezes sacado a ferros aos nossos Mecenas distraídos...
Há alguns anos tive o gozo de “patrocinar” a sua Fotobiografia de Beatriz Costa – Avenida da Liberdade para a Mediatexto e para o Tivoli Lisboa. Foram tempos de entusiasmo e fascinantes descobertas que o Vasco me ia revelando sobre essa rapariga que já é das nossas vidas e pela qual nos apaixonámos os dois (desculpa lá o mau jeito!).
Agora o Vasco publica a sua recolha de textos inéditos de Raul Brandão, monárquico, militar, jornalista e intelectual (1867–1930). Recolhidos de revistas efémeras, jornais da época (…) e outros impressos amarelecidos e frágeis, em dois volumes.
Sei que o Vasco Rosa colabora actualmente com o Pe. Peter Stilwell na edição da Obra Completa de Ruy Cinatti. E diz-se que o seu regresso a Portugal será definitivo, e que é bem capaz de voltar a Campo D’ Ourique, de onde aliás já faz parte, tanto quanto o Jardim da Parada. Sê bem-vindo a casa, grande Vasco!

No fotografia, a "arqueologia fotográfica" desvenda-nos o Vasco Rosa (à esquerda) e eu em 1980, antes de uma noitada algures num restaurante da Baixa.

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