quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Atenção a Santana Lopes

José Sócrates deu o primeiro grande sinal de fraqueza neste pífio reajustamento do seu Executivo, que acaba de virar um pouco à esquerda para satisfazer Manuel Alegre. Sucedem-se as sondagens que dão o PS abaixo da maioria absoluta, a "pressão da rua" não dá sinais de abrandar, os indicadores económicos estão longe de confirmar o optimismo oficial. Seriam boas notícias para o PSD se o PSD ainda existisse. Assim isto significa apenas que não tardará a abrir-se um novo período de conflitos intestinos no clube "social-democrata": o cheiro a fraqueza no campo adversário vai estimular o baronato laranja a tirar sem demora o tapete a Menezes - imitando o que o próprio Menezes fez a Mendes, e o que Mendes fez a Santana, e o que Santana fez a Durão, e o que Durão fez a Marcelo, e o que Marcelo fez a Nogueira. Não faltam candidatos a D. Sebastião entre os laranjinhas - sobretudo quando se abrem perspectivas de alcançar o patamar do poder com um mínimo de esforço. Estejam atentos ao que vai passar-se a partir de agora. Reparem sobretudo nas próximas movimentações de Santana Lopes, que subitamente começou a receber elogios de todos os quadrantes (até Vasco Pulido Valente lhe prestou tributo!). Resta uma incógnita: desta vez ele será a lebre de quem?

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quarta-feira, janeiro 16, 2008

Não se espera nada

À tarde, ouvimos Luís Filipe Menezes dizer que o PSD votará contra a moção de censura do BE.
À noite, ouvimos Santana Lopes dizer que o PSD vai abster-se na votação da moção de censura. O Pedro Soares Lourenço ficou tão perplexo como eu.
Só falta agora vir Ribau Esteves dizer que o PSD votará a favor. Deste PPD/PSD espera-se tudo. O mesmo é dizer que não se espera nada.

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terça-feira, dezembro 04, 2007

Manobrismo laranjinha

O PSD e António Costa esticam a corda na Câmara de Lisboa, que ameaça tornar-se ingovernável. Se a Assembleia Municipal não aprovar esta tarde o empréstimo de 500 milhões de euros que Costa considera vital para governar o município, o executivo camarário pode cair, o que força os lisboetas a voltar às urnas. Tudo porque os sociais-democratas mantêm maioria absoluta na Assembleia Municipal - que devia ter ido a votos em Julho e não foi - e servem-se dela para procurarem travar a manobra de Costa. Como na altura referi, mesmo mantendo a legitimidade formal, a AM de maioria laranja perdeu toda a legitimidade política com o resultado eleitoral do Verão, que fez baixar para 15% a representação eleitoral dos sociais-democratas em Lisboa. Paula Teixeira da Cruz, a maior aliada de Marques Mendes neste processo, manteve-se teimosamente em funções. Quando devia ter-se demitido, não o fez. Ameaça fazê-lo agora, que é oposição interna no partido, com uma frase notável: "Eu e a minha consciência vivemos juntas há muito tempo e muito bem."
Receia a actual direcção do PSD que o empréstimo a Costa possa facilitar uma eventual maioria absoluta do PS em Lisboa nas próximas autárquicas. Erro monumental. O que facilita a vida aos socialistas é a estratégia suicidária dos sociais-democratas na capital - estratégia que vem de trás e prossegue agora. Apesar de tudo, estou convicto de que na reunião desta tarde Costa verá o empréstimo aprovado graças à conveniente ausência de alguns deputados sociais-democratas, prontos a darem duas no cravo e três na ferradura. Com tanto manobrismo e tanto tacticismo rasteiro, será quase um milagre se o PSD conservar no escrutínio de 2009 os 15% que agora tem.

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segunda-feira, novembro 05, 2007

Menezes e Capucho

O PPD de Luís Filipe Menezes não está representado no Conselho de Estado. Em compensação, o PSD - com Pinto Balsemão, Manuela Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa e agora António Capucho - parece-me representado em excesso naquele órgão de consulta do Presidente da República. Capucho, claro, podia facilitar as coisas, cedendo o lugar a Menezes. Mas é compreeensível que não o faça: são de partidos diferentes. PPD e PSD têm cada vez menos a ver um com o outro.

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segunda-feira, outubro 15, 2007

Avança

Santana Lopes avança mesmo para a liderança do grupo parlamentar do PSD. Como escrevi aqui, contrariando pelo menos este atento observador da política doméstica. Parece-me óbvio que Santana tudo fará para transformar a bancada social-democrata num trampolim mediático que lhe facilite o regresso à Câmara de Lisboa. Faltam dois anos para as próxinmas autárquicas.

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domingo, outubro 14, 2007

PSD: notas do congresso (20)

Luís Filipe Menezes falou durante quase uma hora e meia a encerrar o congresso laranja. Deve ter parecido pouco à esquerda pura e dura, habituada aos discursos de cinco horas de Fidel Castro e à verborreia de Hugo Chávez, que chegou a falar oito horas seguidas. Mas na Europa envernizada já não se usa: sobretudo quando se priva do almoço os congressistas, vários deles com óbvia cara de fome. Menezes deve aprender a lição de Cavaco Silva na Figueira da Foz: mal conquistou o partido, prometeu conquistar o País falando pouco e trabalhando muito. E assim foi. É uma receita velha como o mundo. Mas não conheço outra mais eficaz.

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PSD: notas do congresso (19)

Não foi um congresso do partido: foi um congresso de meio partido. O outro, que nada tem a ver com este, já está a afiar facas. Ouçamos Marcelo Rebelo de Sousa logo à noite, espreitemos os textos de Pacheco Pereira daqui a nada. Interpretemos o pesadíssimo silêncio do ausente Rui Rio, que já começou a correr por fora. E não só. Vejamos com quem nos próximos dias almoçará ou jantará Paulo Portas, naturalmente preocupado com esta concorrência alaranjada. Espreitemos certos editoriais de certa imprensa e a coluna engagé de José António Lima no Sol. Analisemos os recados das perpétuas "reservas" do PSD nas páginas do conspícuo Expresso. Já se ouve o tinir das espadas, como dizia o general Carmona em vésperas do 28 de Maio. Luís Filipe Menezes passou para o outro lado do espelho: sai de Torres Vedras como líder de meio partido. Só liderará todo o partido no caso de uma vitória eleitoral - nunca antes de 2009. Ou quando ocorrer a cisão que me parece cada vez mais inevitável.

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PSD: notas do congresso (18)

Santana Lopes continua a ser notícia: as televisões insistem que ele "devia ter falado" no congresso. À falta de melhor, exibem declarações dele, gravadas há horas, a garantir que não fala. Até porque está "um bocadinho constipado". Coisas que acontecem quando a temperatura baixa.

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PSD: notas do congresso (17)

Ângelo Correia sublinha o óbvio: deste congresso sairá a Comissão Política "possível". Muito nortista, pouco elitista, nada liberal. E apenas com duas mulheres - sendo Zita Seabra uma delas. O PPD histórico também era assim. E tinha só uma mulher - Helena Roseta. Apesar de tudo, evoluiu-se alguma coisa de então para cá. Ou talvez não.

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PSD: notas do congresso (16)

Terminou o suspense. Santana Lopes não falará. Pergunta-lhe o repórter televisivo:
- Porque não fala?
Resposta dele:
- Porque não.

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PSD: notas do congresso (15)

Pedro Passos Coelho, autor da melhor intervenção do dia, soube marcar o terreno: será um dos líderes que vão seguir-se. Resta saber se do PPD ou do PSD.

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PSD: notas do congresso (14)

As televisões relatam o congresso em toada de reality show. Santana Lopes vai falar, anunciam. Santana afinal não fala, confidenciam logo a seguir. Fala, não-fala, fala, não-fala, fala, não-fala, fala, não-fala. Alguns comentadores dessas mesmas televisões indignam-se depois contra o "populismo" na política. Fica-lhes bem o ar tão sério.

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PSD: notas do congresso (13)

Manuela Ferreira Leite rejeitou o convite público que lhe fez Menezes para continuar a presidir à Mesa do Congresso. Nada para admirar: Ferreira Leite não é militante do PPD.

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sábado, outubro 13, 2007

PSD: notas do congresso (12)

Manuela Ferreira Leite, com um discurso "de Estado" e pose a condizer, levantou o congresso. Foi a única a consegui-lo até agora. Ouço-a e penso: esta mulher podia ser líder. Mas do PSD, não do PPD.

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PSD: notas do congresso (11)

Boa notícia para Menezes: Mota Amaral aceitou presidir à lista do líder ao Conselho Nacional laranja. Outra boa notícia: Aguiar Branco, eterno candidato a candidato a candidato, não aceita integrar nada. Se (António) Preto não faz falta, Branco também não.

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PSD: notas do congresso (10)

Largas dezenas de congressistas abandonaram a sala onde decorrem os trabalhos para acompanharem o Azerbaijão-Portugal em directo na televisão. Nestas alturas percebe-se melhor como o PSD continua a ser um partido muito português.

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PSD: notas do congresso (9)

Devia ser o congresso de Menezes, mas quase só ouço falar em Santana Lopes. É impressão minha ou começa já aqui a haver uma espécie de liderança bicéfala?

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PSD: notas do congresso (8)

Não podia ter sido pior escolhida a data para este congresso. De manhã, o PSD teve a concorrência de Fátima. À tarde, vai ter a concorrência do futebol. Haverá fado à noite?

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PSD: notas do congresso (7)

Afinal, contrariando o que anunciara, Nuno Morais Sarmento lá se dignou comparecer hoje em Torres Vedras. Diz que não poderia faltar ao congresso, que é "sempre uma festa", mas ostenta uma expressão mais própria de um velório. Percebe-se por que mudou de ideias e decidiu mostrar-se: é pura marcação de terreno. Abriu a corrida à liderança da oposição interna à nova liderança. Pedro Passos Coelho estava na grelha de partida dessa corrida, o que levou Morais Sarmento a abandonar o seu sossego, não fossem esquecer-se dele. A vida política, por vezes, é uma verdadeira maçada.

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sexta-feira, outubro 12, 2007

PSD: notas do congresso (6)

Nada pode favorecer tanto Menezes como o facto de as expectativas sobre o seu mandato serem tão baixas.

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