sexta-feira, dezembro 21, 2007

Personalidade nacional de 2007

Votámos e ele ganhou. Com maioria. Temos a fama de criticar o Governo e o seu Primeiro-Ministro (e o proveito também, diga-se de passagem), mas é impossível e não seria honesto contornar o incontornável: José Sócrates foi a personalidade nacional de 2007. Não por ter sido a mais parodiada pelos Gato Fedorento (embora isso tenha ajudado) mas por tudo o resto que sabemos.
Ele começou 2007 com um momento crítico para a sua imagem pessoal e acabou-o com uma presidência da UE que cumpriu integralmente os difíceis objectivos que lhe tinham sido traçados. Em suma, passou em apenas um ano de político forçado a justificar as suas habilitações ao povo a estadista que abraça familiarmente os outros Chefes de Estado e é entrevistado pela imprensa internacional.
Em paralelo, insistiu em percorrer o País apesar de muitas vezes vaiado, anunciando projectos e obras. Viu o PSD mudar de líder, sem que até agora essa mudança lhe tenha causado alguma mossa na popularidade. Adiou os dossiers que podiam chamuscá-lo e multiplicou-se em aparições televisivas sempre que isso lhe foi favorável. Como escreveu Rui Ramos, «Sócrates chega ao fim do ano sem oposição». Isso não é mérito seu? Também será. Porque é ele quem pragmática e politicamente ocupa um espaço que retira aos outros a sua margem de manobra. E é também ele quem mina e armadilha o território dessa oposição, muitas vezes entretida com tiroteios internos.
Por tudo isto e mais que me tenha esquecido de incluir, o Corta-Fitas deu-lhe o seu voto. Mas foi só este, hem? Nada de confusões.

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quinta-feira, dezembro 20, 2007

O melhor 'blogger' do ano


FRANCISCO JOSÉ VIEGAS
Foi uma escolha quase consensual no Corta-Fitas, embora tenha havido votos noutros bloguistas. Mas a maioria recaiu no autor do blogue A Origem das Espécies. O FJV é já um veterano da blogosfera, mas demonstra ter sempre algo de novo a dizer. Não pretende dar lições de moral aos outros nem fala com a sobranceria de alguns conselheiros da nossa praça. Mas também não foge à polémica sobre os mais diversos assuntos. O blogue dele é assim mesmo: variado, divertido, inteligente, com alguma malícia, com boa prosa - e sem prosápia nenhuma. Politicamente incorrecto. Fala de cultura, de comida, de futebol, de viagens, da chuva e do bom tempo. Da vida, enfim. Escrevendo bem sem maçar ninguém, o que é uma das regras de ouro deste meio de comunicação.
Um dos motivos que nos levou a elegê-lo foi o lançamento, em 2007, do seu livro Algumas Distracções (edição Quasi), em que recolhe alguns dos melhores textos publicados n' A Origem das Espécies e num blogue anterior, Aviz. É um livro notável. Pela escrita desenvolta, pela capacidade argumentativa. E também pelo grande naipe de temas que apaixonam o autor, que aqui se revela um verdadeiro criador e cultor de aforismos.
Seleccionei alguns, que passo a transcrever. Com a devida vénia:
"Nada é relativo."
"Tirar um bocadinho os pais da escola era prestar um grande favor ao ensino."
"A privacidade é o maior dos bens no universo público."
"Tratar toda a 'opinião desfevorável' como uma ameaça iminente é uma coisa desprezível, que retira toda a dignidade à ideia de governar."
Pois, Francisco: nada é relativo. Por isso é com muito prazer que anuncio esta escolha. O prémio é um convite que desde já fica feito para te juntares a nós no próximo jantar do Corta-Fitas. Num daqueles restaurantes de que gostas - e nós também.

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