terça-feira, janeiro 22, 2008

Antologia Corta-Fitas (II)

A excepção e a regra

Apeteceu-me reagir, logo no domingo, à gigantesca operação de propaganda da Igreja Católica montada nas estações privadas SIC e TVI e na pública RTP, a tal do serviço público. Pensei melhor e aguardei 24 horas, esperando que os vários batalhões do Sétimo de Cavalaria da blogosfera, tão prontos a esmagar os sarracenos com duas tecladelas apenas, viessem reivindicar a herança das Luzes ocidentais. Nada. Ninguém se sentiu chocado pelas horas e horas de transmissão directa de uma cerimónia de uma religião organizada. Não ouvi um pio blogosférico nem sequer uma nota - irónica ou indignada - sobre a atitude genuflectória, os olhos em alvo e a pose seráfica de tantos jornalistas encarregados da 'cobertura' nas rádios, televisões ou jornais. Escusam, pois, de vir incomodar a audiência com uma pretensa irreverência de salão. Pobre blogalização!

P.S. : Por ser verdade e digno de realce, destaquem-se as honrosas excepções do costume: José Pacheco Pereira e Vasco Pulido Valente. Saravah!

Albano Matos, 20 de Fevereiro de 2006

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Antologia Corta-Fitas (I)

Jornalistas patriotas

O jornal 'Meios & Publicidade' andou a perguntar a jornalistas se era possível misturar nacionalismo e jornalismo. Uma sondagem a propósito "da recente visita do primeiro-ministro, José Sócrates, a Angola, que levantou a questão do posicionamento dos jornalistas face a assuntos de interesse nacional". Importa aqui esclarecer que a questão foi levantada à conta de um trabalho meu sobre direitos humanos em Angola - em plena visita oficial - criticado por um subdirector de um semanário que me reprovou por falta de sentido de Estado. O inquérito revelou que "55 por cento dos profissionais que fazem parte do painel defendeu que patriotismo e jornalismo são conceitos conciliáveis". Mas o mais assustador foi a percentagem de respostas afirmativas à pergunta se as questões de "interesse nacional" se devem sobrepor aos critérios editoriais: 42 por cento dos inquiridos optaram pelo "sim, mas apenas em casos excepcionais". A minha experiência em Angola leva-me à seguinte conclusão: Quanto maior o patriotismo, menor o jornalismo.

Nuno Sá Lourenço, 28 de Abril de 2006

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