terça-feira, novembro 13, 2007

Sábias palavras


Nunca conheci ao director do Público, José Manuel Fernandes, simpatias monárquicas, mas no seu editorial de hoje, a propósito do que se passou entre o rei de Espanha e o presidente da Venezuela, há passagens que vale a pena transcrever:


“(...)Têm sido utilizados dois argumentos para desqualificar a atitude do Rei: primeiro, não é um chefe de Estado eleito; segundo, falou como um antigo senhor colonial.
O primeiro argumento carece de fundamento, pois a legitimidade de Juan Carlos enquanto chefe de Estado provém da sua aceitação pelo povo espanhol, que nele se revê e o respeita como referência unificadora num Estado plurinacional, e que lhe está reconhecido pelo papel que desempenhou aquando da tentativa de golpe antidemocrático. Figura acima dos partidos, limitou-se a defender os espanhóis: dirigiu-se a Chávez dizendo-lhe que se calasse porque o actual primeiro-ministro de Espanha defendia o seu antecessor, por sinal um seu adversário político, de um ataque à margem de todas as regras. Pediu boa educação a quem a desconhece.(...)
Na Europa há muito que as monarquias sobreviventes convivem bem com a democracia em países onde se aceita e respeita monarcas não eleitos, conferindo-lhes tanta ou mais legitimidade do que a efémeros líderes populistas. (...)
Juan Carlos actuou com a clareza com que o fez porque não possui poder, antes tem a autoridade de ser, para muitos, uma referência. (...)”.