segunda-feira, agosto 27, 2007

Notícias do Alentejo profundo


Com um abraço ao Vítor, excelente anfitrião

Hoje salvei cinco formigas, um besouro, uma aranha, um gafanhoto e até dois louva-a-deus de morrerem afogados na piscina. Vimos um mocho imobilizado no asfalto da estrada: apeteceu-me logo adoptá-lo, mas ele parece ter-me adivinhado os pensamentos e não tardou a bater asa. O Paxá, um rafeiro alentejano de cinco meses, não pára de trincar as bolotas que caem dos sobreiros: é um brincalhão incorrigível. O pequinois Papu teima em mandar no outro cão, cinco vezes mais pesado. Dois gatos que viviam no monte de uma vizinha há pouco falecida começam a habituar-se a vir aqui comer, ganhando palmos de terreno em cada fim de tarde. As melancias vão-se desenvolvendo e as azeitonas estão quase prontas a ser colhidas. Os dois galos bem cantam - às vezes a desoras - mas continuam sem ver galinhas. O ganso Zeca continua a liderar o inconfundível clã de aves de capoeira - que inclui alguns patos - sem rival à vista. O Senhor Peru andou adoentado mas "tem registado sensíveis melhoras", como se dizia no Portugal do século XIX que sobreviveu quase até aos nossos dias.
Não me perguntem por outras coisas: só sei isto. E não faço questão de saber mais nada.