domingo, agosto 20, 2006

Oposição? Que oposição?

Mais vale reinar por um dia do que servir toda a vida, lá dizia D. Luísa de Gusmão. Por uma noite, Luís Filipe Menezes foi líder do PSD. Com Marques Mendes ausente da festa do Pontal, o autarca de Gaia tornou-se cabeça de cartaz. Cabendo-lhe o principal discurso do serão, lá tratou de disparar inanidades contra o Governo. O barrosista Morais Sarmento faltou à última hora, o marcelista António Borges fez o mesmo. Todos a pouparem-se para o dia seguinte, que pode afinal nunca chegar. É que José Sócrates, que iniciou a carreira política como militante da JSD, tem-se encarregado de demolir estrategicamente, na forma e no conteúdo, toda a lógica de actuação dos sociais-democratas. O "povo de direita" revê-se no estilo determinado, reformista e arrogante do primeiro-ministro, como ainda agora se viu no caso dos aviões da CIA, que arrancou elogios até de Vasco Graça Moura ao chefe do Governo. Com um CDS em irreversível processo de autofagia e um PSD suspirando por um líder como Sócrates, só resta mesmo a Marques Mendes resguardar-se dos pingos de chuva neste Verão fértil em nuvens. E desconfiar de tudo, a começar pelos elogios que Marcelo lhe faz semanalmente na RTP. Aquilo a que costumamos chamar direita é hoje uma espécie de barriga de aluguer, rendida ao charme de Sócrates. Como podia ser de outra maneira, com o Presidente Cavaco Silva a dar a sua bênção quotidiana ao Executivo e a oposição de esquerda a ser liderada pela frenética eurodeputada Ana Gomes? Cada vez que ela abre a boca para criticar o primeiro-ministro, alarga a base social e política de apoio ao Governo. Diz-me quem te critica, dir-te-ei quem és.